segunda-feira, julho 08, 2024
sexta-feira, junho 14, 2024
Documentário sobre Bill W. ( William Griffith Wilson) Co fundador de Al...
quarta-feira, maio 29, 2024
terça-feira, maio 28, 2024
A Perda, a Dor e o Luto
A perda de
um ente querido ou a mudança “radical” de estilos de vida e a dor associada,
são temas transversais à sociedade. Sabemos da existência de tradições,
rituais, regras, atitudes e comportamentos que adotamos a fim de carpir a perda
e a dor. Contudo, persistem mitos e tabus sobre a regulação das emoções e a dor.
Por exemplo, existem indivíduos, nos períodos de perda e dor, buscam o alívio e
o alheamento no consumo de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool
e/ou adotam comportamentos repetitivos, geradores de dependência, cujo intuito
é o alívio imediato.
A perda e a dor são reações, indícios à perda de um ente querido ou mudança significativa
na vida de uma pessoa (por exemplo, divórcio). Gostaria de referir que os
indivíduos, homens e mulheres, dependentes de substâncias psicoativas, vulgo
drogas, incluindo o álcool, assim como os comportamentos adictivos são afetados
por este fenómeno, especialmente, quando iniciam o tratamento. Conheço centenas
e centenas de pessoas que iniciaram o tratamento e nenhuma delas alguma vez
pensou, apesar de terem consciência da existência de um problema grave, que
mudar as atitudes e comportamentos (estilo de vida) fosse algo tão desafiante e exigente
no compromisso, na confiança, na esperança, na motivação e persistência e na
fé. Ao longo da progressão da adicção o individuo está exposto e vulnerável a
situações de abuso emocional e/ou traumático (perda e dor)
Sentir a
perda e a dor é condição para avançar na recuperação.
O tratamento psicossocial e espiritual
contempla a abordagem à MUDANÇA. Para recuperar é preciso que o individuo
contemple o desafio de enfrentar-se a si próprio, à perda e à dor, à mudança de
estilos/hábitos/comportamentos na sua vida, existe o passado e barreiras a
serem destruídas e substituídas por pontes para o presente ( e o futuro). Tudo
isto, na prática, representa um desafio enorme, uma motivação musculada, tempo
para reflexão e introspeção. Tenho sido testemunha, a nível profissional, de
indivíduos que se re-inventam e adquirem competências que jamais sabiam da sua
existência. A grande maioria das pessoas que é admitido em tratamento, seja em
regime de internamento ou ambulatório, encontra-se descrente, resistente,
assustado porque houve tentativas anteriores que fracassaram e consequências
negativas muito dolorosas, em si próprio, na família, incluindo as crianças, e
na sociedade. Recordo um caso, o Carlos (nome fictício), 40 anos, adicto ao
sexo de longa duração, chegou a tratamento em regime de internamento,
acompanhado pelos pais e irmã. Foi efetuada a admissão do Carlos, entretanto a
família despediu-se dele e foram embora do Centro de Tratamento. Nessa noite,
os restantes pacientes que estavam em tratamento não conseguiram dormir, porque
o Carlos, confrontado com a sua atual realidade, descompensou, a nível
psicológico (ansiedade extrema, ataques de pânico, etc.) foi necessária uma
intervenção médica para o acalmar. Foi possível acalma-lo no momento, mas as
crises e a descompensação psicológica mantiveram-se durante várias semanas. A
adaptação do Carlos a um novo estilo de vida foi muito dolorosa (mudança)
quinta-feira, maio 16, 2024
10 Years of the BRAIN Initiative
quinta-feira, maio 09, 2024
Escuta Ativa para Quebrar o Silêncio
Foto de Betina La Plante
Obrigada pela "persistência" da dica “Arte Bem
Viver” que agora recebi e li.
Chorei, confesso.
Porque aprendi recentemente e constantemente luto para
conseguir ser silêncio...
Passei por quase tudo, perdas, divórcio, doença crónica, acidentes,
ameaças à integridade física e financeira, pessoas alegadamente amigas que não
o eram, alienação parental, desilusão atrás de desilusão e riscos de perda de
esperança, que felizmente inverto porque nasci a reclamar, mas a mirar o
"copo meio cheio". Sou aquela que é “forte”, “supermulher”, se
desenrasca e “adeus”, qual descartável humano, ou desnecessitada de qualquer
ajuda por me encararem como lutadora que tudo ultrapassa sozinha.
Se me perguntam como estou nem posso dizer que bem, nem que
mal, porque as respostas são desastrosas e nada empáticas, encolho então os
ombros, sorrio e digo "um dia de cada vez". Hoje aprendi a sua
expressão: se me perguntarem “como estás”, não direi o habitual, mas "faz
- se por isso".
Um dos meus amigos ensinou-me sem querer, uma expressão que
anotei, "sempre em frente" e "força". Nunca me disse
"pensamento positivo" felizmente, pessoa sábia. Não suporto ou sequer
admito tal expressão, viro costas com uma desculpa, se estão por bem.
Queira - se ou não, há um estigma brutal contra a doença, a
incapacidade física ou limitação mental, por muito que se fale disso... Modas.
Estigma contra os pobres, doentes, idosos, pessoas instituídas, desempregados.
Sou direta. Não adocem pílulas com intenções ou falsa compreensão.
Os meus sonhos … não penso neles, são impossíveis. Sou
demasiado lúcida, citando esta característica dita por alguém que muito
considero há muitos anos, para acreditar na possibilidade real de sonhar... Sou empática e seria bom para a minha saúde
geral, mudar de profissão que tanto amo, para outra que igualmente ame. Ajudar
os outros, porém não tenho habilitação específica para tal, nem condições para
a adquirir, como com tantos outros sonhos que não me pagam as contas ou
resolvem problemas. Sobra a reconversão, de difícil gestão.
quarta-feira, abril 24, 2024
Adicção fonte de mitos, tabus e segredos
É mito? Tabu? Negação? Ou a realidade diz-nos que as crianças
também sofrem, em silêncio, com os comportamentos adictivos?
Vamos indagar e procurar compreender este fenómeno observado no
contexto de tratamento (em regime de internamento ou regime de consultas ambulatórias)
do comportamento adictivos, segundo os pais e seus familiares afirmam: “Os meus
filhos não são afetados pela adicção.”
Há três décadas, com demasiada frequência, escuto pais
adictos com filhos, e familiares, afirmarem, convictamente, que a dependência
de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool e/ou
comportamentos adictivos (jogo patológico, relações de dependência, adicção ao
sexo, compras, furto nas lojas, adicções cruzadas/comorbilidade) não afetam as
crianças. 1) são muito pequeninas, não têm o mesmo discernimento que os adultos
ou 2) porque não sabendo do problema não sofrem as consequências.
Algumas afirmações mais comuns.
“Os meus filhos são crianças muito pequenas e não se
apercebem do problema da minha dependência.”
“Como pai/mãe jamais faria alguma coisa que prejudique os
meus filhos.”
“As crianças ainda não se aperceberam o que se passa lá em
casa. Apesar das discussões com a família, não consumo drogas em casa.”
“Posso ter um problema de adicção, mas consigo separar da
relação que tenho com os meus filhos, impedido assim que eles sejam
prejudicados.”
“A minha dependência não é assim um problema tão
grave…consigo controlar a situação.”
“Quando discuto com a minha/meu esposa/o sobre o tema é a
dependência não há agressividade e antes levamos as crianças para os seus
quartos. Não queremos que elas estejam presentes.”
Apesar de o ser humano, ignorar a evidência científica, este
fenómeno, sobre a adicção não afeta as crianças, pode ser mais um caso a juntar
a tantos outros?
Na sociedade atual, os exemplos sobre a descrença popular na
investigação científica são numerosos e não é possível descreve-los a todos
neste texto. Estes exemplos que irei expor são suficientes para constatarmos os
factos. Sem mais delongas, vejamos vários casos do conhecimento geral. Segundo
a investigação científica está comprovado que a obesidade representa risco de
doença cardíaca, colesterol elevado, regimes alimentares altamente calóricos, hábitos
sedentários, ausência de exercício físico e seguir uma alimentação saudável. Segundo
a investigação científica está comprovado que a dependência do tabaco
representa um sério risco de cancro nos pulmões. Segundo a investigação científica
está comprovada que a exposição excessiva ao sol está associada a cancro da
pele, no verão as praias estão repletas de pessoas, mesmo no período do dia em
que a temperatura é mais elevada.
quarta-feira, abril 03, 2024
Passagem pela metamorfose para a liberdade de ser
Atualmente,
sabemos que certos circuitos e estruturas neuronais estão associados à adicção,
a dopamina (neurotransmissor) é uma caraterística biológica comum em todas as
dependências e comportamentos adictivos.
Dopamina,
neurotransmissor que despoleta o gatilho (desperta) do desejo, da vontade
associado ao prazer/recompensa é o mesmo que influencia a distorção do
pensamento e do autoengano. A adicção é
uma doença que consegue defraudar o individuo ( e família). Diz, “Não existe
tal coisa…” ou “Existe doença, mas só os outros é que ficam doentes…” ou “Eu
consigo controlar…” Existem uma longa lista de justificações e auto engano
(falsas crenças, rotinas, rituais, tradições), que o individuo, consciente e/ou
inconscientemente, fomentam a incapacidade de diálogo racional consigo próprio
(mente para si mesmo, sem ter a noção que o raciocínio/lógica não corresponde
aos fatos e realidade). Interessante, observar que este processo também é
identificado nas dinâmicas familiares. Nestas situações, se o individuo fosse
sujeito ao poligrafo (detetor de mentiras), as suas afirmações eram
consideradas verdadeiras. No prazer, na recompensa, no alheamento proporcionado
pela adicção, paralelamente, existe um custo, uma divida, “um castigo moral”, “uma
sentença”, um estigma que pode levar anos a desaparecer da vida e da
recuperação do individuo, assim como, da família.
Durante os anos 50 investigadores americanos conduziram uma experiência sobre os mecanismos neurobiológicos associados ao desejo e à motivação. Para surpresa dos investigadores, quando bloquearam a libertação de dopamina em ratos, estes perderam toda a vontade de viver. Passados uns dias os ratos deixaram de beber água e morreram de sede. Quando os investigadores inverteram o processo, os cérebros dos ratos foram inundados de dopamina, ficaram de tal modo desejosos e motivados que se deslocavam ao local onde obtinham a dopamina 80 vezes por hora. Será assim tão diferente nos humanos? O jogador médio de slot machines é capaz de acionar o dispositivo das máquinas barulhentas 600 vezes por hora. A dopamina é libertada não apenas quando se sente prazer, também é libertada quando se antecipa o prazer. Os indivíduos dependentes do jogo, do alcoolismo, drogas, co dependência, sexo apresentam picos elevados de dopamina antes de jogarem, beber bebidas alcoólicas, consumir drogas, ausência de limites na relação (caos/disfuncionalidade), ou desejo intenso/fantasias sobre o sexo. Esta antecipação do desejo e do alheamento é complexa e pode revelar-se extremamente poderosa na personalidade de alguns indivíduos, por exemplos, nos impulsos, nas funções cognitivas, certo e errado (valores morais universais), regular emoções.
quarta-feira, março 27, 2024
José Carlos Pereira e a adição. “A partir do segundo copo..."
quarta-feira, março 13, 2024
"É um problema de adicção e ponto final."
Boa tarde
João.
Vi o seu
artigo no blog: https://recuperardasdependencias.blogs.sapo.pt/70656.html
Achei muito
interessante e agradeço. Tenho efetivamente um problema de vicio de compras, no
meu caso de tecnologia / computadores, associado a quando estou em estado mais
ansioso ou aborrecido com o meu trabalho (sou arquiteto, mas adoro desenhar
livros para crianças e de tocar no meu sintetizador).
Ou
simplesmente compro quando não tenho nada que fazer e aparece "aquele
pensamento" de "o que poderia comprar agora para completar o meu setup?",
por exemplo. Ou seja, não vale a pena dourar a pilula com justificações: é um
problema de adição e ponto final.
Já fiz
psicoterapia durante quase 1 ano, até ao ponto em que a minha psicóloga, depois
de 1 ano de sessões em que me aconselhou diversas estratégias de comportamento
/ atividades que eu não seguia, me convidou educadamente a terminar as sessões,
pois afinal eu não as estava a aproveitar e outras pessoas necessitavam também
da assistência dela (eram financiadas pelo estado: gratuitas). Deixou, no
entanto, a porta aberta se eu quisesse regressar. Não regressei mais. Fiquei
triste e desiludido na altura, mas hoje vejo que ela teve toda a razão ao
fazê-lo.
Mas o meu
email tem a ver com estar neste preciso momento e por vontade própria, em fase
de desmame de vários meses de compras seguidas. Ao todos foram 24 anos disto,
com 2 divórcios pelo meio: mais do que suficiente.... Estou agora e há 5 anos
numa relação estável, mas não tenho ilusões - se continuo a persistir no mesmo
- a minha companheira vai-se embora tal como as outras fizeram. E aí irei ficar
bem pior do que antes fiquei. E sozinho.
Portanto
tenho a intenção de resolver de uma vez por todas este vício. De preferência
sem medicação, apesar de ter Valium 2,5mg comigo que utilizo em SOS em caso de
necessidade.
Mas claro,
como em todos os desmames, estou em processo de ressaca, ou seja, a vontade de
pesquisar este gadget ou outra coisa para comprar está cá sempre. Umas
vezes mais forte outras menos forte.
Sem querer
abusar da sua generosidade, o João poderia aconselhar-me por favor - para esta
fase muito especifica - uma estratégia de comportamento para quando vêm estes pensamentos?
Ou outra que entenda ser adequada neste momento?
Muito
obrigado,
Marco
António (nome fictício)
Importante:
Todos os dados pessoais foram excluídos de forma a manter a confidencialidade.
My Shopping Addiction Is Out Of Control | Compulsive Shoppers | Our Stories
- Qual é o limite entre fazer compras, como algo inofensivo, proporciona sensações prazerosas, cuidar da imagem, estatuto, seguir tendências/modas, socializar e o comportamento compulsivo e repetitivo (craving/desejo intenso) cujas consequências é a perda total do controlo (impotência, agir no prazer imediato, sensação de alheamento, isolamento, ansiedade e depressão)?
- Considera que perde o controlo do seu comportamento e comprar, gastar dinheiro? Peça ajuda e fale procure esclarecimento/informação.
sexta-feira, fevereiro 02, 2024
Se nada muda, fica tudo na mesma com tendência para piorar
Cultura que bebe, abusa e encoraja o consumo do alcool, droga legal. Como profissional, trabalho há mais de 30 anos no tratamento das substâncias psicoativas, vulgo drogas considero que o alcool é a droga mais perigosa. Por exemplo, inicia-se o consumo na adolescência, depois os jovens adultos abusam do alcool, o agravamento dos padrões durante a fase adulta e terminam com problemas de abuso e dependência que se prolonga ao longo de 20 anos, 30 e 40 anos. Uma vida inteira expostos aos efeitos negativas na saude fisica e mental - contra o estigma, a vergonha e a negação. A esta dura realidade, acrescentamos os efeitos na familia ( incluindo as crianças), no trabalho, etc. Conheço casos de indivudos com 60 anos que parecem ter 80. Segundo o site do Sicad (2018) calcula-se que existam mais de meio milhão de alcoolicos cronicos em Portugal e segundo novos estudos morrem, em media, por dia, 20 pessoas cujas causas estão directamente relacionado com o alcool. O alcool é uma droga legal que gera imenso sofrimento às pessoas e pode matar. Os líderes politicos conhecem esta realidade, não só pelo efeito negativo nas pessoas, mas os custos para o estado são enormes. Todavia, existe tratamento para o abuso e dependência alcoolica, é possivel recuperar, não me refiro somente ao individuo, mas a toda a familia, incluindo as crianças.
quarta-feira, janeiro 31, 2024
Recuperação: Sou a Inês e sou uma adita.
Sou a Inês e sou uma adita. Sim hoje aceito que sou uma adita e que usei mascaras demasiado tempo vivendo uma vida dupla, e negando a minha adição.
Na verdade quando estava na minha adição ativa, tinha uma visão distorcida de mim mesma e da realidade á minha volta. Mas esse foi mesmo o objetivo inicial dos meus consumos, anestesiar a imagem que tinha sobre mim e todos os sentimentos associados a ela.
Hoje, estou limpa há mais de 4 anos e quando faço uma retrospetiva da minha vida, consigo identificar com muita facilidade a minha adição desde muito nova. As compulsões por obter prazer imediato estão bem presentes desde muito cedo, numa tentativa de controlar a intensidade das minhas emoções negativas e de calar a voz autodestrutiva que ecoava na minha cabeça que me dizia que eu não tinha nenhum valor, e que ninguém nunca podia gostar de mim. No fundo era a minha baixa autoestima e a minha falta de sentir pertença e a minha incapacidade de aceitar a vida como ela é.
Mas na altura não o sabia, e encontrei no álcool e nas drogas um alívio temporário e ilusório para o meu problema. Era como se anestesiassem o que sentia sobre mim. Quando consumia, aquela voz que me destruía e me fazia sofrer intensamente parava de falar, e assim julguei que tinha encontrado o que precisava para não sofrer mais.
No entanto as consequências desta solução, a longo prazo foram devastadoras. Tanto quis fugir de mim que me perdi completamente, os consumos foram cada vez mais frequentes, os riscos corridos cada vez maiores, no peito a sensação de vazio crescia, escavando um buraco cada vez maior. Já não sabia quem eu era, e apos várias tentativas falhadas de parar de consumir sozinha, estava num círculo vicioso de autodestruição, achava que enganava os outros com as minha vida dupla e manipulação, mas enganava-me era a mim própria cada vez mais em cada moca e cada ressaca.
Aos 35 anos graças á ajuda da minha família, fui internada num tratamento para dependências, onde iniciei a minha recuperação que começou com a abstinência de substâncias num ambiente controlado, onde me confrontaram com as evidências do descontrole em que a minha vida se tinha tornado. Aí foi quando baixei os braços e aceitei a minha impotência perante as drogas e tomei a decisão de começar o processo de reconexão comigo mesma que graças ao meu poder superior, até hoje continuo a trilhar
Nas salas de Narcóticos Anónimos (1) encontrei exemplos, ouvi experiências de vida e para mim mais importante do que tudo, percebi que não estava sozinha e que havia ali pessoas que eram capazes de sentir as emoções mais negras e autodestrutivas, exatamente como eu. Independentemente de onde vinham, de quais as drogas que haviam consumido, quando falavam eu revia-me nas suas palavras, eu conseguia facilmente identificar em mim os mesmos sentimentos e os mesmos comportamentos. Pela primeira vez na vida senti que pertencia em algum lugar, senti o poder do que se costuma dizer nas salas “juntos conseguimos o que sozinhos nunca fomos capazes”.
Desde o momento que entrei em recuperação iniciei um processo profundo de autoconhecimento e de transformação pessoal. Fui tirando camadas sobre mim mesma e mergulhando cada vez mais em quem eu sou e só por hoje continuo a querer este caminho. Só por hoje não me vou autossabotar nem ser desonesta com o que sinto.
Aprendi a gostar de mim a viver em paz com quem eu sou e que tenho tudo o que preciso no meu mundo interior. As feridas só saram quando as destapamos, não vão lá com pensos rápidos, como são o álcool e as drogas.
Uma coisa tenho a certeza estando limpa e serena, na minha vida, muito mais será revelado….
Deixo a sugestão de um livro que fez parte deste meu processo e que fala sobre a coragem de ser quem somos.
“Propósito” de Sri Prem Baba da editora pergaminho.
(1) Narcóticos Anónimos (NA) são grupos de ajuda mutua, em Portugal desde 1985 e existem reuniões no continente e ilhas. Existem reuniões de NA em praticamente em todo o mundo.
Comentário: Bem hajas Inês pela tua participação no Recuperar é que está a dar. O facto de seres uma mulher em recuperação, contraria o estigma e a vergonha oriundo da sociedade e o teu exemplo consegue mudar atitudes moralistas e preconceitos. Certamente, o teu texto será uma fonte inspiração e identificação a outras mulheres que procuram soluções para o seu sofrimento e perda do controlo, caracteristicas da adicção activa. Ao longo de 30 anos de experiência profissional, considero que as mulheres sofrem mais do que os homens as consequencias negativas da adicção. Desejo-te sucesso, paz e felicidade. Obrigado.
terça-feira, janeiro 30, 2024
A avaliação na prevenção da recaída (fatores de risco e fatores de proteção)
Capacidades
e competências cognitivas e emocionais em recuperação.
Como podemos
executar melhores, e mais eficientes, planos de prevenção de recaída dos comportamentos
adictivos personalizados (cada caso é um caso), sabendo de antemão que estamos,
como seres humanos, expostos à perda da capacidade de avaliação? Da perda do
juízo, do discernimento, do bom senso e capacidade critica.
Nascemos e
vivemos com esta característica enviesada, portanto em recuperação dos
comportamentos adictivos este enviesamento está presente no caminho. Qual é a
atitude que desenvolvemos no caminho de recuperação que construímos, gostamos, protegemos,
queremos ver reconhecido e melhore a autoeficácia (olhar para nós mesmos como
vencedores perante a adicção)? Acontece com um número significativo de
indivíduos, há medida que avançam no caminho, pretendem que a recuperação seja
duradoura, mas mais importante, revele a melhor versão deles próprios (presente).
A recuperação dá trabalho, senão vejamos. Diante a mudança de atitudes e
comportamentos (por exemplo, reestruturação cognitiva e literacia emocional) já
não se utiliza o termo “Porquê”. Utiliza-se o termo “Como.” O individuo é o
agente da mudança.
Vou tentar
resumir o conceito de recuperação da adicção. Cada individuo, deverá ter o seu
próprio conceito de recuperação. Não é um único evento, é um caminho abrangente
e personalizado, abarca a abstinência de drogas lícitas e/ou ilícitas,
incluindo o álcool, a sobriedade, crenças/convicções, relações especiais com
pessoas significativas, planear e coordenar, identificar traumas e/ou
comorbilidades e procurar ajuda, reestruturação cognitiva e literacia emocional
(honestidade, compromisso, regular as emoções, assertividade, espiritualidade, promover
um estilo de vida que contempla a saúde física e mental, a carreira
profissional, hobbies, auto cuidado, fatores de risco e fatores de proteção da
deslize/recaída, relações saudáveis e um caminho/rumo com sentido e propósito.
O que significa avaliação? Quando procuramos a
melhor resposta/abordagem é importante recorrermos à avaliação/discernimento/capacidade
critica. Diante problemas, desafios e conflitos almejamos possuir capacidades e
competências eficientes e resilientes que promovam a autoeficácia.
Porque é que
o discernimento/bom senso/capacidade critica é tão importante nas decisões,
planos, objetivos?
terça-feira, dezembro 05, 2023
Estou em recuperação
Eu, sou o António e sou Alcoólico.
Estou em recuperação há
23 anos. Neste momento posso dizer que o tempo passa depressa. Quando bebia,
tudo me acontecia, havia uma poluição de vozes na minha cabeça, era infernal.
Devo grande parte da
minha recuperação à minha Mãe. Nunca deixou de acreditar em mim. Fazia parte
das Familias Anónimas e soube como lidar comigo, principalmente nas nalturas
certas.
Vou relatar 2 episódios no inicio de recuperação que me ajudaram muito a compreender o que é estar em recuperação. Aceitação da doença e como relacionar comigo próprio e com os outros de uma forma positiva e assertiva. Fiz 2 tratamentos num espaço de 1 ano. O primeiro 1999 e o segundo em 2000.
1º Episódio
Antes de 1999 fiz algumas
reuniões de Alcoolicos Anónimos (AA) por sugestão da minha Mãe.
Fui a uma reunião e uma senhora mais velha partilhou a sua dificuldade em comprar uma tv para a filha que tinha sido muito importante na sua recuperação. No final da reunião em conversa com um companheiro de sala critiquei a Sra. Disse que não fazia sentido, era uma palhaçada, e isto não é alcoolismo.O companheiro da sala disse-me:
António, esta senhora tem
vários anos de recuperação, já não tem vontade de beber, vontade essa que tú
deves ter neste momento. Tú podes ajudar e em vez disso, estás a criticar. Quando saires da reunião vais beber
certamente.
Dez minutos depois já
estava a beber e foi a 1ª bofatada de luva branca que levei dos AA. Só mais
tarde é que dei significado a este episódio. Identificação e interajuda contra
a negação e a critica.
Em 1999 Após um acidente
viação, conduzia completamente bêbado em que o carro foi para a sucata. Não
compareci no julgamento e a policia compareceu na minha morada dias depois.
Aceitei ir para
tratamento, não tinha alternativa. Mais uma vez foi a minha Mãe a funcionar nas
alturas certas e a organizar a minha vida.
Iniciei o meu primeiro
tratamento. Inicialmente não foi fácil. Aceitação do 1 Passo (Admitimos que eramos impotentes perante a nossa adicção e que tinhamos perdido o dominio da nossa vida) foi complicada, as
confrontações, só queria sair e beber. Fui
ficando, comecei a envolver-me, fiz amizades, os conselheiros sempre
impecáveis, mas não fui honesto.
Tinha terminado uma longa
relação afectiva e guardei só para mim os
sentimentos e acontecimentos que tinha passado com a minha companheira.
Quando terminei o tratamento, iniciei uma nova vida, com reuniões AA e grupos dos Narcóticos Anónimos, tinha amigos, tinha um padrinho, uma vida profissional activa e recuperar a minha companheira era para mim a cereja no topo do bolo. Correu mal.... Recai e entrei de novo num processo destrutivo.
Senti muita vergonha por
ter falhado, mentido, só queria estar de novo sozinho a beber e a ouvir
novamente as vozes poluentes na minha cabeça. Bebe! Bebe! Só mais uma........
A minha Mãe voltou a ser
fundamental para mim. Disse-me para pedir ajuda no centro tratamento.
Sugeriram-me ir a uma reunião e partilhar a recaída.
2º Episódio
Fui a reunião dos AA, só queria ser o primeiro a partilhar e sair da sala, estava farto, não me sentia bem e queria beber. No final da partilha principal, um companheiro de sala antecipou-se e iniciou a partilha. Fiquei fulo, mas ouvi a partilha. Era um sr brasileiro, que passava horas na internet, nos blogs e isto em 2000, e contou o seguinte:
Um alcoólico foi parar a
um centro tratamento e no fim do tratamento o pai dele financiou abertura de uma empresa. Ele precisava de uma
secretária e num anúncio que colocou apareceram 2 candidatas. Escolheu uma
secretária bonita sem formação e vez de uma feia com formação.
A empresa corria bem e
quando quando fez 1 ano de recuperação foi jantar com a secretária para
festejar. Correu mal, envolveu-se com ela e começou a beber, recaiu.
Pergunta do Blog
Quando é que recaiu??
Quando escolheu a
secretária bonita???
Quando fez 1 Ano de
recuperação??
Quando ouvi esta partilha
identifiquei-me tanto, fez-se luz! Quando é que eu recaí?
Quando omiti ou quando
fui beber 10 meses depois.
Percebi que recuperação
não é recuperar o que tinha perdido. Estar em recuperação é uma nova forma de
viver a vida.
Fui novamente para um
centro tratamento em que procurei lidar comigo próprio. Percebi que aceitar a
minha doença, lidar com os meus problemas, pedir ajuda e ajudar os outros foi
fundamental para entrar e manter em recuperação.
Os conselheiros que
conheci ajudaram muito e agradeço toda colaboração e experiência de vida e
paciência que tiveram comigo.
Hoje sou casado, tenho
uma filha, adoro a minha familia. todos os dias, antes de ir para casa no final
de um dia de trabalho passo por casa dos meus pais, já velhotes, para lhes dar
um beijinho e saber como estão.
Tenho um padrinho há 24
anos que sei que posso contar sempre com ele. Um bom amigo.
Não tenho um hobbie.
Gosto de cinema e ouvir música. Tenho um cão há 8 anos. Antes deste também tive
outro. Todos os sábados e Domingos acordo cedo e vou para o parque da Bela
Vista ou para Monsanto passear.
O Bugas vai solto e
sempre à frente durante 1 hora. Eu sigo-o no meio dos meus pensamentos e muitas
tomadas deciões foram aqui arquitectadas. São momentos meus. Dou muita
importâcia e raramente falto.
Sugerir um livro – “Into
the Wild”, existe também em Filme. Forte e pesado, um empurrão para tomadas de
decisões.
Todos os dias rezo a
oração da serenidade.
Obrigado João
Um abraço a todos
+24
António
Comentário: Obrigado António pela tua participação no Recuperar é que está a dar. Sucessos para a tua recuperação. Bem hajas
quarta-feira, novembro 08, 2023
Dizer não é um ato de assertividade
Não é a palavra do nosso léxico que mais detestamos ouvir, todavia é a mais catalizadora - motivação. Qual é a sua reação perante um não?
sábado, outubro 07, 2023
Dependência de Jogo Online e Offline
Dependência/Adicção ao Jogo online e offline
A atividade relacionada com o Jogo, poderá transformar-se numa adicção/dependência,
processo semelhante, por exemplo ao alcoolismo. Até recentemente, a dependência
do Jogo (online e offline) era considerada tabu devido ao estigma e não existir
informação pública sobre as causas, mecanismos e tratamento numa abordagem
multidisciplinar. Quando surgem notícias, o Jogo está associado a casos de
crime/polícia, aumentando exponencialmente o estigma. Aquilo que não
compreendemos temos a tendência para ignorar e ao contrário do alcoolismo, na
dependência do Jogo as pessoas não ingerem no seu organismo quaisquer drogas,
apesar de alguns indivíduos adictos ao jogo, também abusarem de algumas drogas,
referimo-nos por exemplo, a cocaína e ao álcool. Atualmente, apesar de o Jogo Online
ter agravado o número de indivíduos dependentes, existe uma maior informação, compreensão
sobre a natureza da doença, o conhecimento dos seus mecanismos e a
implementação de medidas, junto de terapeutas, investigadores e decisores
políticos a fim de desenvolverem abordagens eficazes na prevenção, na procura
de tratamento e na recuperação.
Apesar de já
estar disponível numa publicação antiga, neste blogue, vou apresentar mais uma
vez as “Fases do Jogo Compulsivo, pelo Dr. Robert Custer.”
Fases do
Jogo Compulsivo
Três fases
distintas na progressão da adicção ao jogo pelo Dr. Robert Custer.
Primeira
fase: Busca da euforia/acção – designada “sorte do principiante”, onde este
perde e ganha nas suas sessões de jogo, perde algumas somas/poupanças
significativas, faz empréstimos (ex. dinheiro emprestado a amigos ou
familiares), todavia nesta fase ainda não sente o desconforto gerado pelos seus
comportamentos.
Fase da
procura da reposição do que gasta e perde. Nesta fase, surgem os danos
significativos. Identificam-se as tentativas desesperadas de repor (reembolsar)
as perdas, intensificam-se ainda mais as sessões de jogo (frequência e a
duração). A autoestima deteriora-se e o sentimento de culpa intensifica-se.
Esta fase pode prolongar-se por vários anos.
Fase de
desespero, o indivíduo é totalmente obsessivo com o jogo. As perdas e o
endividamento assumem dimensões significativas. Nesta fase, o indivíduo recorre
a atividades ilegais como consequência da impulsividade. A família, a carreira
profissional e a vida social ficam devastadas. Nesta fase, os jogadores adictos
contemplam o suicídio e/ou a fuga (por exemplo: mudanças geográficas).
Problemas com legais/justiça e, em última instância pedem ajuda para o seu
comportamento problema.
Algumas
atividades lícitas e/ou ilícitas associadas ao jogo: casinos, casinos online,
apostas online, apostas desportivas, jogos de cartas, dados, lotarias e
bingos.
20 PERGUNTAS sobre o Jogo:
1. Você já
perdeu horas de trabalho, convívio família ou da escola devido ao jogo?
2. Alguma
vez o jogo já causou infelicidade na sua vida familiar?
3. O jogo
afectou a sua reputação?
4. Você já
sentiu remorso após jogar?
5. Alguma
vez jogou para obter dinheiro para pagar dívidas ou então resolver dificuldades
financeiras?
6. O jogo
causou uma diminuição na sua ambição ou eficiência?
7. Após ter
perdido você se sentiu como se necessitasse voltar o mais cedo possível e
recuperar as suas perdas?
8. Após um
ganho sentiu uma forte vontade de voltar e ganhar mais?
9. Você
geralmente jogava até ao seu último cêntimo?
10. Você já
pediu dinheiro emprestado para financiar o jogo?
11. Alguma
vez vendeu alguma coisa para financiar o jogo?
12. Você já
esteve relutante em usar o “dinheiro de jogo” para as despesas normais?
13. O jogo
tornou-o descuidado com o seu bem-estar e o de sua família?
14. Alguma
vez você já jogou por mais tempo do que planeava?
15. Alguma
vez você já jogou para fugir de preocupações ou problemas?
16. Alguma
vez você já cometeu, ou pensou em cometer um acto ilegal para financiar o jogo?
17. O jogo
fez com que você tivesse dificuldades em dormir?
18. As
discussões, desapontamentos ou frustrações fizeram com que você tivesse vontade
de jogar?
19. Alguma
vez você já teve vontade de celebrar alguma boa sorte com algumas horas de
jogo?
20. Alguma
vez você já pensou em provocar danos/magoar-se a si próprio como resultado de
seu jogo?
Se 8 ou mais
respostas positivas significa que tem adicção ao jogo.
Escala
retirada dos “Jogadores Anónimos” e validada “cientificamente” como instrumento
diagnóstico para definição de jogado compulsivo.
Se
identificar um problema peça ajuda, antes que o problema tome conta da sua
vida.
sexta-feira, setembro 15, 2023
Foi à primeira tentativa? Foi à segunda tentativa?
"Em geral, nos EUA, 2 (duas) é o número médio de tentativas para tratamento de problemas sérios relacionados com o abuso de drogas e alcohol. Nos casos mais graves de dependência de drogas e alcohol o número de tentativas para tratamento aumentam para o dobro" Recovery Research Institute
E em Portugal? Não conhecendo números ou estimativas em investigações, consigo refletir sobre o assunto de acordo com a minha experiência empírica na area do tratamento das dependências durante três décadas. Há trinta anos atrás, a disponibilidade do tratamento era completamente diferente do que é na atualidade. Atualmente, apesar de o estigma se manter inalterável e imutável, a disponibilidade de tratamento da adicção a drogas e álcool, creio estar ao alcance de qualquer pessoa, devido às novas tecnologias. Sabemos que quando se coloca a questão da necessidade de tratamento das substâncias psicoativas (drogas lícitas, incluindo o álcool, e ilícitas) na família, recorrem ao Google para facilitar na seleção da instituição. Na minha opinião, o número de tentativas para tratamento das drogas e álcool em Portugal é semelhante à realidade dos EUA, segundo o Recovery Research Institute.
Felizmente, conheço imensos casos de pessoas que à primeira tentativa conseguiram permanecer abstinentes e em recuperação durante longos períodos de tempo. Infelizmente, conheço algumas famílias e indivíduos, que andam há mais de duas décadas a tentar resolver o problema da dependência das drogas e do álcool. Para terminar, considero mais difícil, isto é, necessário mais tentativas para tratamento do que as drogas, o álcool. O álcool é uma droga legal e a sociedade encoraja, estimula, promove o consumo e o abuso do alcool entre as pessoas - pertencemos a uma cultura que bebe. Atrevo-me a afirmar que em pleno seculo XXI ainda existem pessoas que não sabem que o álcool é capaz de gerar dependência.
quarta-feira, setembro 13, 2023
Conflitos na comunicação
Sabe o que significa a palavra Ressentimento? Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa (6ª Edição) da Porto Editora, “Ato ou efeito de ressentir (sentir novamente) ou de ressentir-se; lembrança dolorosa de uma ofensa recebida; melindre; rancor.”
Se você
identifica um ressentimento, isso é OK é normal. Na sua perspetiva, qual é o
motivo pela qual ainda valoriza o ressentimento do passado? É um ressentimento
de “estimação” ou considera-se uma vítima? Quais as consequências negativas do
ressentimento? Derivado ao ressentimento, atualmente, como é que lida com os
sentimentos? Considera que o ressentimento afeta, as pessoas significativas, à
sua volta? Considera que o ressentimento afeta a comunicação com os outros? É
agressivo/a? É passivo/a?
A comunicação desempenha um fator crucial na existência entre seres humanos cuja aprendizagem decorre ao longo da vida. É assim, desde há milhares de anos. Atualmente, a comunicação é alvo de estudo em instituições e pessoas, estuda-se a comunicação em organizações, comunidades, no trabalho, na família e no individuo em recuperação da adicção.
Algumas
dicas para a gestão de competências e conflitos na comunicação.
- Assertividade é arriscar em ficar vulnerável e decidir com base na verdade.
- Assertividade é utilizar critérios objetivos.
- Assertividade é reciprocidade. Os seus pontos de vista são tão validos como os do outro.
- Assertividade é fazer valer as suas competências e talento.
- Assertividade é honestidade, escutar (refletir) e colocar-se nos “sapatos” do outro.
- Assertividade é expressar os sentimentos e respeitar os sentimentos do outro.
- Assertividade não é agressividade, passividade e ou manipulação.
- Assertividade é definir limites nos relacionamentos.
- Assertividade está associado ao desenvolvimento pessoal do indivíduo.
- Assertividade é estar aberto à mudança e à adaptação da realidade.
- Assertividade é escolher à vez, tirar à sorte e/ou deixar que a outra pessoa decida.
- Assertividade é identificar o problema, em vez de atacar a pessoa.
- Assertividade é centrar-se nas soluções em vez dos problemas (colocar barreiras à negociação/cedência).
- Assertividade é conseguir antecipar os critérios, de ambas as partes, são legítimos realistas e específicos.
- Assertividade é aprender a dizer não. Porque é que dizemos sim quando, na realidade, queremos dizer não?
- Quais são os princípios associados à assertividade? De acordo com os princípios da assertividade, hoje quais foram as suas prioridades/limites?
Pode participar com ideias, comentários e partilhas. Bem haja
quinta-feira, agosto 10, 2023
A adicção ao sexo manifesta-se através da perda do controlo
"Querida adicção, podes ter destruido o meu passado, no presente sinto dor, mas não permito que interfiras com o meu futuro."
Durante um período significativo o tema sexo está presente nas nossas vidas. É uma componente da intimidade, do romance, da sedução nas relações, vai para além da própria reprodução. Durante o acto sexual vale tudo, umas pessoas são mais conservadoras enquanto outras correm mais risco (aumentar o prazer sexual). O sexo é como a comida, existem imensos pratos de todo o tipo e ao gosto de cada um. No sexo vale tudo desde que seja consentido, respeitoso, com limites, prazeroso e proporcione intimidade a cada um dos parceiros. Na adicção ao sexo, seja praticado de que maneira for é sempre gerador de sofrimento, vergonha, desrespeito, falta de consenso, ansiedade, limites e em alguns casos, abuso. Na nossa sociedade, o tema sexo, ainda é conservador, machista e repleto de preconceitos e tabus.
Ao longo da
minha experiência profissional algumas caraterísticas dos indivíduos adictos ao
sexo (homens adictos de idades entre os 26 e os 45 anos) alguns são também dependentes
de substâncias ilícitas e sexo compulsivo (masturbação, pornografia, sedução,
jogos psicológicos – “caça à presa”, aumento do desejo intenso no envolvimento
em relações românticas na busca do prazer imediato - paixão romântica e
acting-out – “Será amor ou adicção”, alívio da tensão e ansiedade). Também já
acompanhei indivíduos adictos ao sexo sem outra dependência. O sexo funciona
como um “amortecedor” para gerar alívio da ansiedade (pressão), da obsessão e
da frustração. É do conhecimento geral que o sexo é uma fonte natural de
recompensa e prazer no ser humano. Para a recuperação, indivíduos dependentes e
família o tratamento da adicto ao sexo representa sempre um grande desafio.
Pelo estigma, pela vergonha e perda da motivação para a mudança. Um número significativo
de homens, não considera a obsessão e a compulsão pelo sexo um problema, pelo
contrário consideram-se “play boys” ou “garanhões”. Existem vários tipos de adicções: 1) a
substâncias psicoactivas do sistema nervoso central e 2) a comportamentos
adictivos que exigem abordagens diferentes no tratamento – cada caso é um caso.
Existem indivíduos que apresentam uma predisposição (neuro.bio.psico.social) para o comportamento impulsivo, gratificação imediata, procura de sensações extremas através de comportamentos de risco/perigo em que o sexo é a componente principal, tal como acontece com outro tipo de comportamentos adictivos. Este tipo de comportamentos pode afectar e modificar o funcionamento do cérebro. Estes indivíduos estão vulneráveis e negligenciam a monitorização (estado de alerta) dos seus comportamentos de risco, por exemplo, definição de limites nos relacionamentos românticos e alguns indivíduos adictos ao sexo identificam dificuldades em distinguir a diferença entre o sexo saudável do sexo compulsivo. Gostaria também de acrescentar que existem indivíduos que apresentam comorbilidade (diagnósticos duplos e triplos). Refiro-me na dependência a drogas e álcool, jogo e sexo. Distúrbio alimentar, sexo e ansiedade extrema. Sexo, compras compulsivas e perturbações do humor. A maioria dos indivíduos adictos ao sexo são indivíduos perfeitamente integrados na sociedade, membros de família, trabalham ou possuem carreiras profissionais de êxito e ocupam lugares de poder.

















