quarta-feira, dezembro 26, 2007

Conferencia Internacional sobre Jogo Adictivo

Conferencia Internacional Jogo Adictivo. Caso estejas interessado deixo o link de forma recolheres mais detalhes da conferencia. Ja agora se souberes de alguem que também possa estar interessado divulga o link.

http://www.pgfnz.co.nz/2008conference/

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Prevenção Contra A Sida

Estas imagens valem mais que muitas palavras...

Visita este site...interessante... e vamos pensar seriamente neste assunto...sem dramatismo mas com realismo. Não acontece só aos outros!!

http://www.lepoison.com/sidaction/

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Deus, conforme cada um O/A concebe.



Deus, conforme cada um O concebe (Alguém. Algo, Ele ou Ela, etc.)
A palavra Deus, em Recuperar das Dependências, não representa dogma, divindade ou autoridade. Na espiritualidade, cada individuo é livre de escolher a fonte de poder imaterial (Bondoso, Compreensivo, Universal, União, Aceitação, Complacente, Orientação, Fé, Eterno, Sábio, Alegria de Viver, ) exterior a si próprio, que melhor se adapte aos seus valores e atitudes, e que acima de tudo, que funcione, na pratica. Porque senão funcionar procure outro conceito. Este conceito de poder superior não é religioso, sem dogmas e divindades, não é punitivo ou castigador. Não existe a palavra pecado. Não implica religião, mas sentido e propósito na vida. Um plano abrangente, integro e continuo. Livre escolha

"DeusPassei tanto tempo Te procurando,
Não sabia onde estavas, olhava para o infinito, e não Te via,
E pensava para comigo mesmo; será que Tu existes?
Não me contentava na busca e prosseguia,
Tentava encontrar Te nas religiões e nos templos
Tu também não estavas lá.

Procurei Te através dos sacerdotes e pastores,
Também não Te encontrei.
Senti-me só, vazio, desesperado e perdi a crença,
E na descrença Te ofendi,
E no tropeço caí,
E na queda senti-me fraco.

Fraco procurei socorro,
No socorro encontrei amigos,
Nos amigos encontrei carinho,
Na carinho vi um mundo novo,
E no mundo novo resolvi viver.

O que recebi: resolvi partilhar,
Partilhando alguma coisa, muito recebi,
E em recebendo senti-me feliz.
Ao ser feliz, encontrei a paz.
E tendo alcançado a paz foi que enxerguei,
Que dentro de mim que tu estavas,
E sem procurar-Te,
Finalmente encontrei Te."

terça-feira, novembro 27, 2007

Sinais de perigo em relações abusivas


As relações amorosas de intimidade são uma parte importante no nosso universo emocional e espiritual, não religioso sem dogmas e ou divindades. São uma parte fundamental e profunda, como seres humanos e seres gregários; precisamos uns dos outros para obter qualidade de vida (auto estima, auto realização, limites, princípios e valores morais e éticos, unidade e coesão, confiança, cumplicidade) todavia porém, acontece conhecer pessoas que de inicio se revelam amistosas, cordiais, compreensivas mas que a médio ou longo prazo mudam de atitudes e comportamentos e tornam-se disfuncionais, agressivas e abusadores.

Todos nós, homens e mulheres, tememos esta possibilidade, porque quando nos envolvemos com alguém aquilo que nos atrai nessa pessoa são as suas características positivas, desejarmos partilhar e crescer emocionalmente (dar e receber) para que a relação se desenvolva e se solidifique naturalmente. Por vezes é extremamente difícil definir limites numa relação de intimidade porque o abuso instala-se de uma forma subtil e progressiva. A maioria de nós já se viu envolvido em relações disfuncionais, em que sentimos enganados, traídos, com dôr, vergonha e culpa, ódio, inseguros, isolados, chocados, rejeitados, ciúme extremo, angustia, humilhação, ou o oposto em que já magoamos seriamente alguém. Costumo dizer que as pessoas nos desiludem, mas nós também desiludimos os outros. Ninguém é perfeito.

Contudo, podemos sempre mudar hábitos e crenças disfuncionais (abuso) e adoptar atitudes e comportamentos que favoreçam a tolerância pela diferença, a compreensão, a dignidade e o respeito, a confiança, a honestidade, a empatia nos relacionamentos amorosos íntimos. Em situações de crise no relacionamento de intimidade, pedir ajuda a outra pessoa pode abrir uma “outra porta” e trazer alguma esperança e auto estima.

Apresento uma lista de sinais de perigo em relações potencialmente abusivas. Esta lista destina-se simplesmente a ser utilizada como orientação e proporciona algumas dicas para se estar atento. Não é destinada para o inventário negativo nem pretendo ser dogmático. Pode identificar outras “pistas” que não constem nesta lista.

Esteja atento e questione as relações onde:

Existe abuso de drogas e/ou álcool, jogo.

Existe um historial de problemas com a lei (ex. delinquência).

O potencial abusador/a não trabalha ou não vai à escola.

Existe abuso físico de crianças ou animais de estimação.

O potencial abusador/a abusa dos irmãos e/ou de outros familiares.

O potencial abusador/a envolve-se em lutas violentas.

O parceira humilha outras pessoas ou censura excessiva utilizando termos depreciativos.

O potencial abusador/a destrói coisas (bens e/ou propriedade).

O potencial abusador/a está sempre com raiva (agressividade) de algo ou alguém.

O/a potencial abusador/a tenta isolar o parceiro/a de outras pessoas (ex. amigos) e quer controlar com quem o parceiro/a está, e ou os locais onde esteve.

O/a potencial abusador/a faz criticas constantes ou força o parceiro/a a ter sexo quando este não está motivado/a.

O potencial abisador/a mente ou tem outros relacionamentos (relações paralelas).

O potencial abusdador/a é fisicamente “duro” (empurra, puxar, dar pontapés, etc.) .

O potencial abusador/a abusa do dinheiro do parceiro/a ou toma partido em outras situações, do dia-a-dia, em que o parceiro/a está em desvantagem.

O potencial abusador/a acusa o parceiro/a de se insinuar (ex. flirt e ou sedução) com  outras pessoas, incluindo estranhos.

O potencia abusador/a faz acusações realçando a traição e estar a ser enganado/a.

O potencial abusador/a não ouve activamente o parceiro/a ou não mostra interesse nas opiniões e sentimentos...As coisas são sempre feitas à sua maneira.

O potencial abusador/a ignora, adopta o “tratamento do silêncio”, interrompe as conversas constantemente.

O potencial abusador/a mente, não aparece aos encontros, desaparece por alguns dias.

O potencial abusador humilha a família e/ou amigos do parceiro.

O potencial abusador/a faz comentários obscenos sobre outras pessoas na presença do parceiro/a.

O potencial abusador/a culpa o parceiro/a por todos os problemas.

O potencial abusador/a controla o que o parceiro/a veste ou faz.

O potencial absusador faz ameaças sobre suicídio se o parceiro/a quiser desligar-se da relação.

O potencial abusador exibe mudanças extremas do humor; por ex., diz que o parceiro/a é a pessoa mais interessante e no minuto a seguir afirma que é estúpido/a , gordo/a, ou afrontar (directamente ou indirectamente).

O potencial abusador/a compara o actual parceiro/a com outros/as parceiros/as anteriores.

O potencial abusador/a injuria e condena outros parceiros/as.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Afirmações Positivas


As afirmações positivas podem alterar as “velhas” crenças disfuncionais (erros cognitivos e legado negativo do historial de vida) e reeducar um novo e saudável mecanismo cognitivo de crenças que promovam a auto-realização, a auto estima, o respeito, a dignidade, a Fé num poder
Superior, não religioso sem dogmas e divindades, a esperança, a confiança. Um dia de cada vez. Podemos tornar os sonhos e a ambição reais. Em recuperação conseguimos aquilo que nunca acreditamos ser capaz de atingir.

“Nós somos aquilo que pensamos”

Repita para si e acrescente o porquê: Exemplo: sou uma pessoa competente, porque continuo a investir na fazer formação profissional.

Sou uma pessoa arrumada e asseada.

Estou sempre a aprender e a mudar de atitudes e comportamentos.

Sou realmente uma pessoa maravilhosa.

Sou fantástico/a.

Sou uma pessoa competente.

Ando aprender a discordar sem ser desagradável.

Ando a aprender a dizer Não de uma forma mais confortável.

Ando a aprender a ouvir de uma forma mais confortável.

Sou uma pessoa amorosa.

Sou uma pessoa linda.

Ando a tornar-me mais assertivo/a.

Ando a fazer o meu melhor.

Sou uma pessoa valida sem que sejam necessárias provas disso.

Ando a aprender a ter menos medo.

Sou uma pessoa corajosa.

Ando a aprender a Não culpar os outros.

Ando a acentuar melhor os talentos dos outros.

Ando a permitir que cresça emocionalmente e espiritualmente (não religioso, sem dogmas e divindades).

Sou um/a amigo/a do amigo, preocupado/a e generoso/a.

Sou uma pessoa com talento.

Sou capaz de mudar aquele comportamento que não gosto em mim.

Sou mais talentoso/a do que aquilo que imagino ser.

Sou forte e determinado/a.

Sou realmente capaz de mudar as minhas atitudes e comportamentos.

Sou uma pessoa especial.

Sou capaz de enfrentar qualquer situação que se depare no meu dia-a-dia.

Procuro sempre partilhar e dar.

Sou uma pessoa prudente e forte.

Sou uma pessoa arrojada e descontraída.

Sou sensível e liberal.

Sou capaz de estar feliz e descontraída/o mesmo quando as coisas aparentam não correr à minha maneira.

Ando a aprender a expressar o meu interior (self/Eu).

Ando a tornar-me uma pessoa com as qualidades que mais gosto em mim.

Sou uma pessoa distinta e excepcional.

Mereço ser amada/o e amar.

As afirmações positivas podem funcionar. Pode arranjar post-it e colar no espelho, no carro, no wc, no quarto, saudações de boas vindas no telemovel e pc. Use a sua criatividade.
As afirmações positivas também servem com forma de auto inspiração e motivação para continuar em frente ou para parar e reflectir. Se encontrar outras auto-afirmações positivas que nao estejam nesta lista...optimo! Use e abuse.




segunda-feira, novembro 19, 2007

O Medo na recuperação dos comportamentos adictivos


Todos sabemos que o medo tem uma perspectiva positiva e uma perspectiva negativa, ocupa ambos lados da mesma “moeda”, na recuperação dos comportamentos adictivos. Quem gosta de sentir o medo? Ninguém.

Também sabemos que o medo faz parte das nossas emoções; quer gostemos dele ou não. Não é evitar e/ou fugir dos nossos “demónios" e fantasmas que conseguiremos vence-los. Conforme vamos vencendo uns “fantasmas”... outros surgiram. Esta é uma verdade da qual não podemos descurar. Todavia é através da coragem, da esperança e da fé num Poder superior, não religioso sem dogmas e ou divindsades, que conseguimos reforçar a autoestima e auto conceito. È confrontando e enfrentando os medos que vamos descobrindo as virtudes e habilidades em recuperação da adicção (vitorias e sucesssos).

Através do exemplo positivo dos outros adictos em recuperação, o adicto pode colher “ferramentas” e experiencias úteis para o dia-a-dia. A recuperação é um processo de avanços e recuos, ao longo da vida, em muitos casos a adicção activa pode “mascarar” outro tipo de problema (comorbildiade, depressão, problemas de ansiedade, adicção cruzada, compulsividade, etc.). 

Pessoalmente, já passei por um processo profundamente doloroso onde fui confrontado pelos meus “fantasmas” em que senti que não iria conseguir encontrar “forças” suficientes para “sobreviver” ao longo de aproximadamente três anos. Pensamentos catastróficos e irracionais, choque/dor, pânico, desilusão e frustração, depressão e ansiedade extrema invadiram-me e abalaram toda a “estrutura”. Foram tempos muito difíceis.

domingo, novembro 04, 2007

O "Preço" de ser Agradador/a


“Porque digo sim, quando quero afirmar que Não?”


Ser agradador/a tem um “preço”negativo, através da alienação, da hostilidade indirecta e do comportamento autodestrutivo, para o próprio agradador/a e para as outras pessoas, directa e ou indirecta:
1. O agradador/a tem a tendência para criar uma atmosfera tensa à sua volta, na comunicação, em que as outras pessoas evitam dar feedback honesto e espontâneo, como consequência esta atitude bloqueia o crescimento emocional (confiança) de ambas as partes.

2. O agradador/a, nos relacionamentos com os outros é capaz de gerar desconfiança e duvida. A atitude de ser sempre simpático e estar sempre disponivel, é bom demais para ser verdade. Gera uma sensação de incerteza e de insegurança nos outros. Nunca sabem se podem confiar ou se vão ser apoiados numa situação de crise que exija uma confrontação directa.

3. O agradador/a evita que os outros à sua volta cresçam emocionalmente. O agradador/a evita dar um feedbackgenuíno, impedindo assim, que os outros conheçam realmente as suas  verdadeiras caracteristicas. Nos conflitos na comunicação, o/a agradador/a tem a tendência para forçar os outros a virar a agressividade contra eles próprios e a gerar sentimentos de culpa, frustração, e dependência nas relações intimas.

4. Por causa do seu estado agradador/a permanente, os outros á sua volta nunca sabem se a relação vai sobreviver a um possível conflito, caso a discussão surja espontaneamente. O agradar compromete seriamente a intimidade, porque as outras pessoas estão constantemente à defesa.

5. O agradador/a não é de confiança, porque quando explode, inexplicavelmente em raiva, é de tal  maneira imprevisível e  agressivo/a, que os outros ficam em choque e incapazes de lidar com estas situações de crise aguda.

6. O agradador/a , ao reprimir a sua agressividade, pode pagar um preço a nível fisiológico, somantizando[1] problemas e a nível psicológico desenvolve um tipo de alienação e isolamento.

7. O comportamento do agradador/a torna-se irreal. Coloca limitações severas e rígidas nas suas relações, em ultimo caso, é vitima do seu próprio comportamento disfuncional.


[1] "Somatizar é manifestar no corpo, na forma de uma doença ou um sintoma, algum conflito interno (psíquico). Por exemplo, uma pessoa ansiosa que sente dor de cabeça, de estômago, como resultado da sua ansiedade."


sábado, novembro 03, 2007

Rendição à Adicção o inicio da Recuperação




A Rendição, incapacidade de controlar a progressão da adicção, implica acção na aceitação. Aceitar a doença (Adicção) é uma decisão importante quanto ao processo de recuperação (mudança de aittudes e comportamentos geradores de qualidade de vida). Todavia, isso não significa que a decisão de aceitar a doença seja de um dia para o outro, pode ser uma mudança lenta mas gradual e honesta. A  aceitação é uma atitude motivada pelo desejo e ambição de (re)iniciar o processo de recuperação que conduz à liberdade e a uma possibilidade de usufruir da felicidade. Para alguns adictos, interpretam a rendição, como uma perspectiva negativa que os impede de usufruir deste processo libertador e resiliente.
Jacquelyn Small (Transformadores: os Terapeutas do Futuro, 1982) descreveu a rendição segundo um conceito positivo e algumas das suas ideias são a base deste artigo.

O processo da RendiçãoSe é um adicto/a a substâncias licítas, incluindo o alcool, e ou ilícitas, jogo, sexo, disturbio alimentar,shoplifting (furto), shopaholics (compras) é provável que se sinta como uma pessoa fraca, sem vontade própria, perdida, infantil e ingénua se considerar a rendição como um processo em que precisa de desistir e ficar subjugada a uma espécie de poder Superior (conceito não religioso sem dogmas e divindades) dominante, castigador e controlador. Contudo, não é isto que acontece quando participa activamente no processo de rendição descrito pelos três primeiros passos dos 12 passos do grupo de ajuda mutua dos Alcoolicos Anónnimos (AA).
Quando admite a impotência perante a doença da adicção, está a reconhecer que o seu ego sozinho é inadequado e ineficaz em derrubar as forças da adicção activa. Depois, atraves da boa vontade procura acreditar que uma fonte de poder imaterial, externa ao seu ego, pode interceder por si próprio e pelos outros, de forma a orienta-lo nos momentos de adversidade e complexos do seu devir.
E o terceiro passo é uma forma de aprendizagem na aplicação desta fonte de poder imaterial, sentimento de ligação com uma força superior que com quem comunica, cada vez que decidir entregar (ex. a preocupação exagerada e a necessidade de controlo) a sua vida aos cuidados desse poder, conforme O/A concebe, seja Ele, Ela ou Algo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Valores Espirituais e Equilibrio na Caminhada da Vida


Para aqueles que estão num processo de recuperação da adicção activa sabem muito bem a importância da espiritualidade, conceito não religioso sem dogmas e divindades, na mudança de estilo de vida.

Ninguém nasce adicto ao álcool ou outras drogas lícitas e ou ilícitas, ao jogo, a relacionamentos disfuncionais e dependencia, disturbio alimentar, sexo, compras (shopaholic),shoplifting (furto).
Qual foi o estilo de vida, a dada altura, que conduziu à adicção activa? Comportamento impulsivo? Não haver limites? Sensação de invencibilidade e controlo? Necessidade de “auto-medicação” com drogas licitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas? Dor, depressão e ansiedade?

Provavelmente existem muitas explicações, para aquele dia em que o adicto identifica, a perda do controlo, e inicia a dependencia (adicção) - está “apanhado na rede”. Ao longo da minha experiência em trabalhar com adictos, nunca ouvi ninguém afirmar que contemplava, nos seus planos pessoais, um dia tornar-se adicto. Sabemos que as consequências negativas da adicção activa, paralelamente ao prazer induzido pelas substâncias e comportamentos adictivos, todos reportam fases da sua vida de confusão, dor profunda, desorientação, isolamento, ressentimento, depressão, etc. Todas as áreas da vida de um adicto/a são afectadas, mais tarde, procuram-se as soluções para sair do problema. Geográficas, casamentos, filhos, dinheiro, novos empregos, etc. Nalguns casos, já é demasiado tarde. Porque tentou-se tudo, mas o resultado, afinal não é o desejado. O que é que é que resta fazer?

A médio prazo a sensação de vazio acompanhado com a inadequação e desilusão, pelo estigma, a negação, a vergonha, a revolta e a insegurança regressa ainda mais intensa e só é superada pelas “curas milagrosas”, de curta duração, até se retornar, novamente, ao “velhos” comportamentos do passado (ciclo adictivo); usar substâncias alteradoras do humor, jogo, sexo, relacionamentos disfuncionais e dependencia, disturbio alimentar, shoplifting (furto), compras (shopaholics). Estes são os mecanismos  da lógica adictiva que  permite atenuar o desconforto emocional. Nesta fase, reinicia-se o círculo adictivo onde não existe saída possível. A esperança desaparece. Este processo disfuncional pode levar uma vida inteira. Por ex. o individuo com disturbio alimentar andar uma vida inteira à procura da dieta milgrosa restritiva (efeito iô-iô). O individuo sente que cristalizado para atingir e realizar as suas ambições, aquilo que apelido “ um espectador da vida”. As coisas acontecem, mas não muda, nada muda, mesmo. Até ao dia do “julgamento final” em que pede ajuda ou é oferecido ajuda “seria” e construtiva.

sábado, outubro 20, 2007

Perdoar vs. Ressentir



Perdoar é um factor imprescindível nas relações significativas que são afectadas pelas consequências negativas da adicção activa (ex. família ).
Um dia ouvi alguém afirmar que o ressentimento é um dos bloqueios à espiritualidade (não religioso sem dogmas e divindades) da recuperação da adicção (substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, as ilícitas, o jogo, e sexo, o disturbio alimentar, relacionamento de dependencia - codependendencia, o shopaholics - compras, shoplifting - furto). O ressentimento é como uma “ferida aberta" interna que afecta o discernimento (consciência), capacidade de ser responsável, honesto e de tomar decisões positivas que proporcionem qualidade de vida. Turvam a nossa visão da reconciliação do presente e do futuro.

È do conhecimento geral que a adicção activa implica sofrimento e afecta significativamente os vínculos entre as pessoas; "enfraquece-as". Sabemos que durante a adicção activa, directa ou indirectamente, TODOS sofrem os efeitos das consequências negativas. O equilibrio das relações é colocado em causa, assim como os papeis e os limites tornam-se disfuncionais e desestruturados. Afecta a comunicação e as pessoas magoam-se mutuamente . O ambiente familiar degrada-se e a confiança desaparece dando lugar á desconfiança, ao medo à raiva e ressentimento, à vergonha e à culpa. Numa fase avançada da adicção activa toda a família fica doente, passa a ser uma doença de família. Utilizando a metáfora da fruteira; “Se uma maça apodrece, passados uns dias todas as outras maçãs ficam podres.” Participei em inúmeros programas direccionados para a família e ouvi esta expressão vezes sem conta.

O meu objectivo com este post não é reforçar a culpa, pelo contrario, afirmando que alguém seja 100 por cento perfeito, no processo de perdoar. Como humanos podemos faze-lo atraves de um processo de avanços e recuos. È isto que é indispensável para aqueles que estão em abstinência / recuperação, assim como para os membros de família.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Alguns dados preocupantes sobre as consequências do álcool na nossa sociedade


Sabia que vários estudos sobre relação entre álcool e suicídio apontam para uma influência do álcool nos comportamentos e na ideação suicida, a diversos níveis. Se por um lado existe uma relação directa entre o consumo de álcool e a prevalência das taxas de suicídio pode-se concluir também que a presença do álcool potencializa a probabilidade da ocorrência de comportamentos relacionados com o suicídio.

Comprova também que este potencializar de comportamentos suicidas acontece não apenas no âmbito da população em geral, mas também em grupos específicos como os idosos, os adolescentes, ou em grupos com determinadas perturbações mentais.
Também a relação entre as características presentes em situações de intoxicação por álcool (como a impulsividade, hostilidade e a agressividade) e o suicídio foi estudada e considerada estatisticamente significativa. Através dos estudos de Christoffersen & Soothill, 2003, o consumo de álcool, por parte dos pais, durante os anos de formação dos filhos potencializa comportamentos suicidas dos filhos.

  
Sabia que Aproximadamente 20% da população entre os 15-64 anos tem problemas de dependência de álcool e outras substâncias psicoactivas. Os custos sociais e económicos decorrentes desta problemática sugerem ser elevados, sobrecarregando o sistema de saúde, prisional e contributivo. Todavia, parece não haver interesse publico em se efectuar estudos sobre o impacto económico (custos) da toxicodependência e do alcoolismo.

Sabia que Quase todos os estudantes de 15-16 anos (>90%) beberam álcool em algum momento da sua vida, começando em média aos 12 ½ anos de idade, e embriagando-se pela primeira vez aos 14 anos. A quantidade média bebida numa única ocasião por jovens de 15-16 anos é acima de 60g de álcool, e chega a quase 40g no Sul da Europa. Mais de 1 em 8 (13%) dos jovens entre 15-16 anos embriagaram-se mais de 20 vezes na sua vida, e mais de 1 em 6 (18%) fizeram “binge drinking” (5 ou mais bebidas numa única ocasião cujo intuito é a intoxicação) três ou mais vezes no último mês. Os rapazes continuam a beber mais e a ficar embriagados com  mais frequencia do que as raparigas, com uma redução pequena na diferença absoluta entre eles. A maior parte dos países mostram uma subida no “binge-drinking” para os rapazes desde 1995 a 1999 e a 2003, e quase todos os países mostram isto para as raparigas (resultados semelhantes são encontrados para países sem pesquisa ESPAD e usando outros dados). Por detrás desta tendência global, podemos ver uma subida no “binge-drinking” e na embriaguez na maioria da UE de 1995 a1999, seguidos por uma tendência muito mais ambivalente desde então (1999-2003).

Sabia que Os jovens carregam uma quantidade desproporcionada das consequencias negativas do alcool, com mais de 10% da mortalidade jovem feminina e cerca de 25% da mortalidade jovem masculina a ser devida ao álcool. Infelizmente, pouca informação existe acerca da extensão dos danos sociais nos jovens, embora 6% dos jovens entre 15-16 anos na EU declarem envolvimento em brigas e 4% declarem sexo desprotegido devido ao seu consumo de álcool.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Transição de Tratamento em Regime de Internamento para o Regresso à Vida Activa (Recuperação)


Transição do Tratamento em regime de Internamento Residencial para o Regresso à Vida Activa – Pós-tratamento


Trabalho desde 1993 na área do tratamento, em regime de internamento residencial, e acompanhei aproximadamente 650 casos (adictos), e algumas dessas pessoas estão abstinêntes de substâncias há vários anos, enquanto outras, após um período indeterminado retornam aos “velhos” e “familiares” comportamentos da adicção activa, refiro-me aos deslizes e à recaída.
O que motiva as pessoas a mudar de comportamento e almejar uma vida abstinente de substancias psico activas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas, e “normais” enquanto outras não?

Sempre me despertou imenso interesse o trabalho da prevenção da recaída e as fases de recuperação no vasto e complexo universo de tratamento e de recuperação da adicção.

Qual o significado do tratamento em regime de internamento para uma pessoa, se pensarmos que a recuperação é algo para a vida? Não existem tratamentos no mundo, que garantam 100% de sucesso, isto é, após o período de internamento, que pode variar entre 3 a 4 meses em primaria (primeira-fase) e 12 meses em segunda-fase (extended care/halfway) os adictos consigam permanecer abstinentes e recuperar os valores emocionais e espirituais, não religioso sem dogmas e ou divindades, de volta para o resto da vida. Também partilho da ideia que no tratamento da adicção, como doença crónica, existe sempre a probabilidade de recaída para algumas pessoas ao longo das suas vidas. Somos seres complexos, por um lado, demasiado previsíveis por outro...

Na minha experiência de trabalhar em tratamento não me recordo de alguém que tenha terminado o tratamento, afirmasse “João, vou para casa e vou voltar a usar drogas e continuar dependente”. Pelo contrario. No caso das pessoas que recaíram, após o tratamento, a grande maioria afirmava que tinha sofrido experiências demasiado horríveis, relacionadas com dependência das substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool e as ilícitas. Acredito também que após um tratamento de internamento as coisas nunca mais serão vividas da mesma forma, quer para aqueles que permanecem abstinentes quer para aqueles que têm deslizes e recaídas. Adquiriram um conhecimento e uma consciência da realidade e da doença, como uma mais-valia. É como plantar uma "semente", o resto deixa de estar ao nosso alcance. È preciso saber aguardar pelos resultados...

segunda-feira, outubro 01, 2007

"Desapego Emocional com Amor" um novo significado por Rosemary Hartman




“Uma das grandes dádivas sobre a recuperação assenta no conceito de - Desapego Emocional com Amor”.


Originalmente, este conceito foi utilizado para descrever a forma como um membro de família se relacionava com o familiar alcoólico; actualmente o desapego emocional com amor é uma “ferramenta” útil para qualquer tipo de relacionamento intímo disfuncional.

Este conceito pioneiro foi desenvolvido nos grupos de ajuda-mutua, dos Al-Anon, familiares e ou pessoas significativas (ex. esposas ou mães) que tinham relações com alcoólicos na família. A ideia-chave, segundo o Al-anon, prende-se com a premissa de que o doente alcoólico não aprende com os seus erros e consequências se for protegido e encoberto pelos outros, não alcoólicos.

Dentro deste contexto o significado das palavras protecção e encobrimento podem ter imensos significados. Por ex. telefonar para o trabalho do marido inventando uma mentira, porque ele está na cama demasiado intoxicado (alcoolizado). Protecção significa, um familiar dizer à criança que a sua mãe (alcoolica) não foi à festa da escola, porque esteve a trabalhar até tarde, quando na verdade, ela esteve no bar à noite e não conseguiu levantar-se da cama para trabalhar e estar presente na festa da escola.

Costumamos classificar este tipo de comportamentos, como facilitador, porque permitem (facilitam) os doentes alcoólicos continuar a beber, sem a devida adptação às consequências do alcoolismo. Hoje aplicamos a palavra adaptar porque o sentido é menos depreciativo.

No principio, o Desapego Emocional com Amor, era uma chamada de atenção, para os membros de família deixarem de se adaptar ao caos e às crises constantes, nas vidas dos doentes alcoólicos. Conforme o Al-Anon crescia, houve uma interpretação pervertida na forma como se utilizou o desprender emocionalmente com amor, na realidade o objectivo principal consistia em assustar o doente alcoólico, de forma a gerar pressão para ele mudar de comportamento. Por ex. “ Se não fores para tratamento, vou já sair de casa e quero o divórcio!”. Tais ameaças, faziam parte de um jogo, em que o factor medo, forçava o doente alcoólico a pedir ajuda.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Factos sobre a Anorexia Nervosa



Ao contrario daquilo que as pessoas com a Anorexia Nervosa (AN) acreditam, atraves dos mecanismos disfuncionais da própria doença, é possivel viver segundo padrões de beleza e elegancia (perfeição e controlo) impostos pela nossa sociedade (comunicação social, família, publicidade, dinheiro, grupos de pares, valores e crenças disfuncionais, status).

A imagem  da rapariga deste post é a de uma ex modelo, chamada Isabele Caro, que decidiu partilhar a sua propria imagem, onde revela, duramente as consequencias da doença da anorexia nervosa.


Como profissional, com experiencia de trabalhar com adictos, reflectindo sobre estas imagens realistas faz-me lembrar o aspecto fisico das mulheres que apresentam problemas de consumo de drogas ilícitas (adictas no activo). Quase que não existem diferenças.

Caso a anorexia nervosa não seja diagnosticada e ou tratada, de preferencia assim que surjam os primeiros sintomas, por ex. incio da adolêscia, pode tornar-se uma doença crónica. 

Se este é o aspecto fisico, aquele que está a vista, pergunto, qual será o aspecto emocional e espiritual da Isabele, que nós não conseguimos ver, mas que ela consegue sentir ?

Estes são os factos e a realidade que vão para alem da nossa imaginação.

È preciso passar a mensagem de que é possivel recuperar e que não existem motivos para alguém doente se esconder, ficar deprimida e isolada. Pedir ajuda é o caminho para a solução e auto-aceitação .
Todos nós cometemos erros e fazemos coisas estupidas ao longo da vida...
Também não podemos cair na ilusão de fazer as mesmas coisas à espera de resultados diferentes!

Isabel Caro (nasceu em 12/09/1982 e faleceu vitima da doença em 17/10/2010) decidiu expor a sua doença contribuindo assim para a luta contra o estigma, a negação e a vergonha associado à Anorexia Nervosa.
Magreza não é beleza.


Distúrbio Alimentar - Anorexia Nervosa


“A anorexia nervosa (AN) é uma doença relacionada com o comportamento alimentar. A característica mais comum é a perda de peso, associada a uma progressiva mudança de comportamento (medo de engordar). A perda de peso é lenta mas progressiva e, normalmente, tem início com uma dieta normal, podendo também ocorrer de forma brusca como consequência de uma determinada restrição alimentar. É designada de privação alimentar (jejum provocado e ou forçado, jejum prolongado ou ingerir alimentos com baixo teor de calorias). 
É um termo psiquiátrico e é a doença psiquiátrica que apresenta mais fatalidades – 20% das pessoas com esta doença vêm a falecer. Normalmente é tratada como uma doença mental (psiquiátrica) cuja nucleo, centra-se na família disfuncional e outros factores que incluem: a natureza da personalidade da rapariga/rapaz em causa, como por exemplo, a forma de relacionamento entre membros da família, problemas fora do contexto familiar, sobretudo na escola (pressão de pares), abuso, e factores genéticos. Na abordagem médica, normalmente, o aspecto adictivo é ignorado.


A anorexia nervosa é uma doença do comportamento alimentar em que o indivíduo luta de forma a manter um baixo consumo de alimentos, com episódios esporádicos de ingestão de alimentos a que alguns chamariam de alimentação moderada. Todavia, para a pessoa com A.N., estes episódios esporádicos são interpretados como inaceitáveis, terríveis binges (ingestão compulsiva, voracidade, empanturrar-se), com uma forte relação com a imagem corporal distorcida (dismorfia corporal). A maioria dos anorécticos utiliza manobras purgativas (vomitar, usar laxativos e/ou outros métodos de eliminação de alimentos) depois de um episódio de binge (ingestão compulsiva, voracidade, empanturrar-se).

A anorexia nervosa parece ser mais da área da psiquiatria do que da adicção. As pessoas com anorexia nervosa revelam mais do que pensamento e comportamento disfuncional, em relação à alimentação, pode envolver outras áreas. Em alguns casos a família é super controladora, demasiado protectora, e podem existir outros problemas que vão além da adicção na família. Generalizando, a maioria dos anorécticos não responde positivamente ao modelo de tratamento da adicção, mesmo sendo numa boa instituição.

  
Adicção á privação (jejum provocado, jejum prolongado ou ingerir alimentos com baixo teor de calorias) – a privação influencia e interfere em muitos neurotransmissores (cerebro) e outros agentes bioquímicos. Neste sentido, é plausível tornarem-se adictos aos próprios agentes bioquímicos.
Evitar a ingestão compulsiva/voracidade – A maioria dos anorécticos sentem um medo tremendo de comer (pânico), nas suas mentes surge o medo de não conseguir parar de comer. Este medo pode ter a origem no peso exagerado (passado) e ou obesidade na família.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Stress e distress

















Departamento de Engenharia Informática
Universidade de Coimbra

Stress - Comunicação Técnica Profissional
Luis Fernando Lopes Alvaroalvaro@student.dei.uc.pt

Introdução
Com o aumento do ritmo de vida nas sociedades actuais são cada vez mais comuns as pessoas que sofrem de stress e cada vez se vendem mais medicamentos relacionados com o stress. Se ainda não sabe descubra o que é o stress, como surge e como o pode evitar.
O que é o Stress?
Stress é uma tensão de origem, normalmente, inconsiente que pode adoptar formas orgânicas ou psicológicas.
O termo "Stress" nasceu no campo da arquitectura e da física e referias-se à acção de alguns agentes externos que produziam mudanças nos materias de construção.

Somente nos anos trinta o Fisiólogo Hans Selye começou a usar o termo stress para explicar os fenómenos externos que pressionavam um individuo e lhe provocavam reacções.
Hoje em dia os fenómenos são chamados de stressores e o termo stress refere-se á reacção do individuo em si.
Ao contrario do que se possa pensar o Stress não é negativo, bem pelo contrário, é fundamental para podermos fazer frente ás novas situações que nos surgem no quotidiano. É mesmo essencial para o nosso organismo manter as defesas sempre em alerta.

DistressO Stress , normalmente falado pelas pessoas como "mau" é o chamado "distress" que aparece quando o organismo não sabe adaptar-se a uma nova situação e responde de forma desmesurada ao estimulo que essa situação provoca. Neste caso o individuo fica incapaz de pensar e de se concentrar e mesmo quando o estimulo acaba o corpo não sabe como voltar ao estado normal.


Causas de Stress
Qualquer situação que provoque uma mudança e exija uma adaptação do individuo pode provocar stress.
O stress pode ter causas pessoais, sociais, familiares e profissionais e a probabilidade de sofrer de stress depende da personalidade da pessoa e do seu estado fisico.
As personalidades mais sujeitas a sofrer de stress são aquelas muito competitivas, exigentes com os outros e consigo mesmo, intolerantes, agressivos, sempre sob pressão e que costumam fazer várias coisas ao mesmo tempo.

A tabela que se segue têm vários acontecimentos que provocam stress e se o valor acumulado ao longo de um ano for maior que 150 a pessoa tem 50% de possibilidade de sofrer de stress, se for maior que 300 esa probabilidade é de 90%

Acontecimento - Valor designado



  • Morte do conjugue 100 
  • Divórcio 73 
  • Separação conjugal 65
  • Morte de um familiar próximo 63
  • Lesão grave 53
  • Matrimónio 50
  • Despedimento 47
  • Reconciliação conjugal 45 
  • Reforma 45 
  • Gravidez 40
  • Problemas sexuais 39 
  • Mudanças no campo financeiro 37
  • Morte de um amigo intimo 36
  • Mudança do tipo de trabalho 35
  • Desembolso grande dinheiro 31
  • Vencimento de uma hipoteca ou prestação 30
  • Problemas com a lei 29
  • Triunfo pessoal relevante 28
  • Mudança de hábitos pessoais 24
  • Problemas com superiores 23
  • Mudança nas condições ou horário de trabalho 20
  • Mudança nos hábitos de sono 16
  • Férias 13




Mas também nem só os humanos sofrem de stress. Qualquer animal cujos modelos de actuação naturais sejam alterados está também sujeito a ficar stressado. Esta teoria foi provada no inicio deste século pelo Fisiologo Ivan Pavlov através de experiências feitas no seu própio cão.


Essas experiências consistiam primeiramente em habituar o cão a apenas comer após o som de um apito e passado algum tempo o cão salivava cada vez que ouvia o apito. Mais tarde, Pavlov começou a aplicar descargas eléctricas ao cão ao mesmo tempo que lhe oferecia comida. O cão ficou com grandes desajustes no seu comportamento : sentava-se e levantava-se alternadamente, não parava de andar as voltas, tornou-se agressivo e irritava-se com facilidade.


Como surge? O stress não surge de um momento para outro. Desde uma pessoa no seu estado normal até uma pessoa no estado de stress vão três fases:


Fase de alarme
É quando surge um nova situação ao individuo. O cerebro recebe e analisa os estimulos que lhe chegam dos sentidos e compara com a informação que já tem armazenada. Se chega á conclusão que o organismo não dispõe de recursos para responder a essa nova situação envia um sinal de alarme que vai libertar a hormona adrenalina e entre outras coisas aumenta o ritmo cardiaco, dilatam as pupilas, os musculos ficam tensos e a boca fica seca. Mas até aqui tudo é normal.


Fase de resistência
Durante a fase de resistência o organismo fica sujeito ao estimulo proveniente da nova situação e está sempre em alto nivel de actividade. Dependendo da capacidade física do individuo, mais tarde ou mais cedo começam a surgir sintomas de cansaço.


Fase de esgotamento
Se a actividade dura muito tempo a resistência do organismo esgota-se e surge o stress (neste caso Distress) que se conver-te num perigo se acontece frequêntemente.

Problemas Causados
O distress provoca problemas de variante orgânica e psiquica.


Orgânicos
Palpitações, problemas gastrointestinais,desequilibrios hormonais, tensão muscular, excesso de pressão sanguínea, dores de cabeça.

Psíquicos
Inquietação,dificuldades de pensar e de tomar decisões, sentimentos de insegurança, perda de concentração, problemas em dormir, irritabilidade.
Uma situação de stress mantida durante muito tempo pode levar à morte e segundo uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade de Washigton pode provocar perdas de neurónios.

Os principais sintomas de uma pessoa que sofre de stress são: Transtrornos no sono, Dificuldades de concentração e de pensar claramente, tiques musculares. comer mais ou menos do que é habitual, indigestões ou diarreias, tensão nos ombros e no pescoço, acordar cansado, Beber e fumar mais do que é habitual, dores e fadiga constantes, facilidade de se irritar, mudanças de humor repentinas, falta de apetite sexual e tornar-se numa pessoa insociavel afastando-se de tudo e todos.

Como evita-lo?
Planificar o tempo permite organizar as actividades com ajuda de uma agenda e evita correrias e tensões de ultima hora. É importante não esquecer de reservar algum tempo para nós mesmos.
É muito importante dormir as horas necessárias. Normalmente são oito horas mas depende sempre de pessoa para pessoa, mas acima de tudo é importante aproveitar bem o tempo para dormir.
Separar a vida pessoal da profissional é essencial. Para isso devemos habituar-nos a esquecer o trabalho quando vamos para casa procurando praticar actividades criativas nos tempos livres.
Sair da cidade durante o fim de semana mudando de ambiente ou mesmo tirar uma semana de férias em pleno inverno ajuda a desligar e esquecer o ambiente que provoca o stress.
Partilhar os problemas com pessoas que nos compreendam diminui a tensão. mas é importante não falar a toda a hora do problema poque podemos acabar obcecados por ele.
Fazer exercicio liberta a tensão, permite uma maior afluencia de sangue aos musculos e baixa a concentração das hormonas que produzem o stress ao mesmo tempo que liberta endorfina que é uma substância que provoca sentimentos agradáveis.

Aceitar os equivocos evitando ,em caso de erro , tentar encontrar um responsável mas sim tomar uma atitude mais positiva procurando desde logo a melhor maneira de solucionar o problema.
Alimentação cuidada deve evitar alcool, café, chá, chocolate, açucar, muito sal, tabaco gorduras e picantes. Mas além do promenor do que se vai comer também é importante reservar o tempo necessário para as refeições de forma não haver necessidade de comer á pressa.
Praticar técnicas de relaxação ajuda corpo e mente a descansar e se possivel tirar um tempo para dormir uma sesta é optimo para combater o stress.

Conclusão: Apesar de afectar cada vez mais pessoas e da sociedade actual ser cada vez mais stressante, o Stress é um problema a ter em conta claro mas é um problema que se for cuidadosamente prevenido através de várias actividades possiveis.

ReferênciasRevista Quo nº21 de junho de 1997 "Como levar uma vida com menos stress"

Comentário: Sabia que o stress severo e continuado pode despoletar comportamentos Adictivos, incluindo as substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, codependência, as compras - shopaholics, o furto - shoplifting como forma de "premiar/recompensar"  e aliviar a pressão - gratificação imediata.
Responda a esta questão: Numa escala de 0 (nenhum) a 10 (elevado) onde situa o seu nivel de stress no dia-a-dia?

quarta-feira, setembro 19, 2007

Espiritualidade, segundo Abraham Twerski



"Espiritualidade não é uma coisa material, Não é um objecto que possa ser identificado ou possuído por alguém.
Não é uma experiência de crescimento, é um processo com avanços e recuos.
Se alguém pensar que já atingiu a espiritualidade, provavelmente nessa mesma altura já a perdeu.
Somente se permanece espiritual enquanto se explora e se está empenhado pela procura da realização que nos transcede.
Se perdermos a oportunidade momento-chave) que serve como crescimento pessoal, tornamo-nos apáticos (estagnação) como seres humanos. Inclinados para a gratificação imediata e a procura do conforto (resignação) é certa e adquirida funcionando contra a vida espiritual.

Na espiritualidade, a pesquisa para o crescimento é a descoberta de "novos mundos". A busca interior na incessante realização dos sonhos .Na descoberta e na realização pessoal não é importante a meta, mas o caminho…"

È sem duvida - Alimento para o Pensamento!

Quem é Abraham Twerski, M.D.? É o fundador e o director do Gateway Rehabilitation Center em Aliquippa, Pennsylvania (EUA) Gateway Rehabilitation Center Tem desempenhado um papel importante no processo de recuperação de muitos pacientes. É psiquiatra, rabino, e conselheiro na area da dependência das substancias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool e as ilícitas (Adicção). A revista New York apelida-o "Uma figura quase mitica" entre os seus pacientes e seguidores. Desempenhou o cargo de Chefe de Psiquiatria no Hospital de St. Francis General entre 1965-1985 e foi Professor de Psiquiatria na School of Medicine, em Pittsburgh. Escreveu 30 livros sobre o tema - Desenvolvimento da Auto-Estima, Espiritualidade e Pensamento Contemporaneo.
Pessoalmente, assisti a algumas das suas excelentes palestras (audio e video). 

O conceito espiritualidade não é um conceito religioso, sem dogmas e divindades. É um sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem comunicamos e potenciado através das conexões com as outras pessoas. 

segunda-feira, setembro 17, 2007

Historia dos 12 Passos / Alcoolicos Anónimos




Curiosidades

Os Alcoólicos Anónimos (AA) são uma irmandade de homens e mulheres que tem proporcionado, desde 1935, a milhões de pessoas por todo o mundo, uma maneira de recuperar do alcoolismo. A sua filosofia, atraves dos seus princípios, os 12 Passos e as 12 Tradições providenciam um modelo e o protótipo para muitos grupos diferentes de ajuda-mutua. Os grupos de ajuda-mutua que se auto intitulam de anónimos e que aplicam os 12 passos vêem o AA como o fundador.
Existem muitos factores que influenciaram o AA no seu inicio de seguida irei mencionar alguns.

Nos finais dos anos 20, Bill Wilson, um dos co-fundadores do AA, depois de lutar contra o álcool durante anos foi visitado por um dos seus colegas dos “copos”, chamado Ebby Thatcher, que o informou que tinha conseguido ficar sóbrio, utilizando a religião – referia-se grupo de Oxford.
Ebby Thatcher, por sua vez, recebeu ajuda de Rowland H. que antes tinha sido classificado, pelo famoso psiquiatra suíço Carl Jung, como um caso sem solução. De qualquer forma, o Dr Jung afirmou, que ocasionalmente tinha observado algumas pessoas a ser salvos do alcoolismo por um milagre religioso.

Rowland H. no final dos anos 20 fazia parte do grupo de Oxford, grupo com denominação evangélico que procurava o espírito do cristianismo do século XX. Ele ficou sóbrio e tentava ajudar outros alcoólicos utilizando os princípios/valores do movimento religioso, que mais tarde se tornaram a fundação para o desenvolvimento da recuperação dos AA. Alguns desses princípios davam ênfase auto-avaliação, confissão, recompensa, dar a si mesmo através da ajuda aos outros.

Bill Wilson conseguiu permanecer sóbrio durante alguns meses frequentando os grupos de Oxford e tentando ajudar outros alcoólicos.
Foi mais tarde, em Maio de 1935, em Akron, Ohio, EUA que Bill, co-fundador dos AA conheceu Dr. Robert H. Smith, mais conhecido entre os membros de AA, como Dr. Bob, outro dos co-fundadores do AA. Nessa noite de Maio, Bill desejando beber, telefonou para um dos homens do clero de Oxford, onde manifestou o desejo muito forte de ajudar outro alcoólico onde este o encaminhou para o Dr. Bob.

Era esperado que aquela reunião tivesse a duração de quinze minutos, quando finalmente terminaram tinham estado quatro horas a conversar. O que impressionou o Dr. Bob foi que Bill também sofria do mesmo problema e mais importante ainda, que Bill precisava tanto de si como Bob precisava de Bill. Isto aconteceu no dia 10 de Junho de 1935, em que Dr. Bob ingeriu pela ultima vez bebidas alcoólicas. Este dia é celebrado como o dia do aniversario dos AA.

Datas:

1879 – Nasce Robert Holbrook (Dr Bob) Smith a 8 de Agosto, Vermont, EUA.

1895 – Nasce William Grifith Wilson (Bill) a 26 de Novembro, Vermont, EUA.

1915 – Dr. Bob casa com Anne Ripley a 25 de Janeiro.

1918 – Bill casa com Lois Burham a 24 de Janeiro.

As esposas, Lois e Anne, tornaram-se vitais para o desenvolvimento do programa dos 12 passos pelo apoio que proporcionaram aos seus maridos e pelas suas contribuições para o movimento que mais tarde viria a ser conhecido pelo Al-Anon (grupo de ajuda-muta para as família de alcoolicos).

1933 – Dr. Bob começa a frequentar o grupo de Oxford para lidar com o seu alcoolismo. Apesar da orientação espiritual do denominado movimento cristão, ele continua a beber. Nesta altura, Bill dá entrada no Towns Hospital, em Nova Iorque. Pela primeira vez onde o Dr William Silkworth o informa de que o alcoolismo, é como um tipo de alergia ao álcool. Nesta altura, Bill pensa que está curado.

1934 – Em 11 de Dezembro, Bill toma a sua ultima bebida. É admitido novamente no Towns Hospital, em Nova Iorque, mas desta vez ele afirma ter tido uma experiência espiritual durante a sua estadia neste hospital. Dr. Silkworth diz-lhe “Agarra-te a isso”. Bill e Lois começam a frequentar o grupo de Oxford. Bill W., nos cinco meses seguintes, envolve-se com dezenas de alcoólicos procurando ajudar e nenhum deles permanece sóbrio – mas Bill consegue.

1935 – 12 de Maio. O primeiro encontro entre Bill e Dr. Bob em Akron, Ohio, EUA, que em principio ia durar quinze minutos, de facto durou quatro horas. O dia 10 de Junho é reconhecido como o dia de aniversario dos Alcoólicos Anónimos. Nesta altura, a classe medica, nos EUA, começou seriamente a questionar o seu trabalho,  sobre os alcoólicos, por causa de a taxa de sucesso no tratamento ser muito baixa.

sábado, setembro 15, 2007

Hierarquia das Necessidades Humanas e a Adicção


Hierarquia das necessidades humanas, segundo Maslow 1962; Weil 1973; Miller 1981; Glasser 1985



1. Sobrevivência
2. Segurança
3. Toque, contacto físico
4. Atenção
5. Efeito-espelho
6. Orientação
7. Escuta atenta
8. Ser verdadeiro
9. Participar
10. Aceitação
Os outros estão conscientes, levam a sério e admiram o seu “Eu Verdadeiro”. Liberdade para ser o Eu Verdadeiro.
Tolerância para com os sentimentos pessoais.
Validação.
Respeito.
Pertença e amor.
11. Oportunidade para chorar as perdas e para crescer
12. Apoio
13. Lealdade e confiança
14. Realização
Pericia, Poder, Controlo.
Criatividade.
Sentido de Unicidade.
Contribuir
15. Alterar o estado de consciência, transcender o vulgar
16. Sexualidade
17. Divertimento
18. Liberdade
19. Nutrição
20. Amor incondicional (incluindo ligação a um Poder Superior)


Comentário: Como podemos verificar na hierarquia das necessidades humanas, segundo Maslow, Weil, Miller e Glasser, a sobrevivência é a primeira e a segurança logo a seguir. O que é que isto nos diz acerca da natureza da adicção, ex. álcool e ou outras drogas, jogo, sexo, dependencia emocional, compras, disturbio alimentar, shoplifting (furto)?

Na minha perspectiva, revela imenso sobre a forma como o ser humano recorre às substancias e actividades/comportamentos como uma mecanismo de defesa (sobrevivência). Algo não está bem, ou não nos sentimos suficientemente bem na nossa “pele”.

terça-feira, setembro 11, 2007

Conceito de Entrega na recuperação da adicção activa




O conceito de Entrega (1)  significa confiar no processo, em vez da lógica adictiva, através da da recuperação da adicção e na busca de um sentimento de ligação ao uma força superior imaterial potenciada por um propósito e um sentido espiritual, não religioso sem dogmas e divindades. Entrega não é um conceito estático, mas dinâmico nas conexões intrapessoais e interpessoais. Para recuperar da adicção activa, seja das substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, a codependência, as compras - shopaholics, shoplfting - furto é preciso de fazer o “trabalho de casa”, todavia, não é possível adaptar a realidade aos desejos e vontade de cada um. Não se consegue controlar as pessoas e não existem seres humanos perfeitos. Não é possível evitar a dôr e a perda. A Entrega é o oposto ao prazer imediato, característico dos comportamentos impulsivos.

Na minha experiência profissional, constato, em muitos casos, que o processo de mudança (motivação/desejo sincero) já ocorria mesmo antes de o adicto iniciar a abstinência. Muitas pessoas afirmam, mesmo antes de interromperem a progressão e a compulsividade da adicção activa já procuravam soluções e respostas para o seu problema, mas o isolamento, a perda do controlo e a sensação de vazio só era “preenchida” com as substâncias e /ou comportamentos adictivos. Não sabiam como pedir ajuda, viviam um círculo “vicioso”, chamo-lhe o efeito “pescadinha de rabo na boca” (circlo adictivo). Sabiam e sentiam que algo os estava destruir por “dentro e por fora”; todos os alibis foram esgotados, todas as promessas quebradas e também não se sentiam dignos de confiança. A esperança gradualmente foi desaparecendo dando lugar à angústia e à frustração, à raiva e ao ressentimento, ao medo, a vergonha e à culpa, característico da adicção activa, torna-se uma "prisão".
Durante o progressão da adicção activa aprende-se a agir no prazer e a controlar os resultados imediatos, ex. o efeito adictivo das drogas e/ou comportamentos  (excitação/pedrado/dormência das emoções), por exemplo:  os comportamentos impulsivos, perda do pensamento critivo, definir limites saudáveis e estabelecer planos a medio e/ou longo prazo  tornam-se alguns entraves quanto a admitir e a pedir ajuda, honestamente, e a acreditar que exista outro caminho a seguir, neste caso específico, a Recuperação.

O que é que a Entrega tem a ver com a recuperação da adicção?
Após iniciar o processo de abstinência, é importante procurar um apoio genuíno e de confiança em relacionamentos vitais, ex. família, amigos verdadeiros, profissionais e uma orientação de algo Superior, não religioso sem dogmas e divindades. É um sentimento de ligação com uma força superior imaterial através da qual comunicamos e estabelecemos conexões, atraves de valores morais universais, com as outras pessoas. Importa encontrar recursos de protecção, de acordo com os valores individuais de cada um.
Sabemos que a abstinência é só o primeiro passo para interromper a relação com as substancias psico-activas (álcool ou outras drogas liícitas e/ou ilícitas) e/ou comportamentos  (jogo, sexo, relações, compras, furto, e certo tipo de alimentos). Podemos ser muito inteligentes, não é disso que se trata, visto a adicção ser uma doença e sabemos que é muito difícil recuperar sozinho.
Nesse sentido, é preciso fazer a Entrega. Mas, Entrega do quê?
È preciso fazer o luto da substancia e/ou dos comportamentos adictivos (lógica adictiva). Semelhante ao luto/perda que fazemos quando perdemos alguém ou algo importante nas nossas vidas. Essa pessoa era muito importante para nós, mas já partiu e é preciso enfrentar a perda e o luto, porque todos sabemos que a vida tem um fim. É preciso adaptarmo-nos à mudança que está implícita no luto. Sabemos que há-de chegar o nosso dia e que não controlamos quando e como esse dia chegar.

quinta-feira, setembro 06, 2007

A abstinência da adicção - Um plano de Recuperação


"O que é a abstinência da adicção? Para o alcoolismo a abstinência total não é algo confuso ou que exista controvérsia, contudo para outros comportamentos adictivos, excluindo as substâncias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas, esta questão pode ser mais complexa. Qualquer individuo vive sem drogas lícitas e/ou ilícitas mas não vive sem comer, fazer sexo, fazer compras.


 A Abstinência de Comportamentos Adictivos é o “ponto”/mudança onde começa o Plano de Recuperação. O adicto assume a liberdade, o compromisso e uma aliança a um Programa de Recuperação, pela qual, acredita e dedica uma parte significativa do seu devir. A sobriedade é tão importante para o alcoólico, como para aqueles que são doentes do comportamento alimentar (Adicção) ou aqueles que apresentam adicção ao jogo, relacionamentos dependência, sexo, compras - shopaholics, shoplifting - furto. A Abstinência significa interromper a lógica e o comportamento adictivo progressivo. Mais uma vez, muitos afirmam saber o que significa a Abstinência para o Alcoolismo, mas como é que se faz no caso das outras adicções? 


O nosso conhecimento da Adicção surgiu da nossa experiência profissional com o Alcoolismo, sabemos que o álcool é um das poucas substâncias adictivas que não é necessária para a vida humana, sob nenhuma circunstancia, podendo ser completamente abolida na vida de uma pessoa. Alguns alcoólicos sóbrios, afirmam que a Recuperação não é somente deixar de beber – referem-se aqueles indivíduos que continuam a apresentar comportamentos adictivos, excepto beber e ou não aplicam o programa de recuperação, são apelidados de “ Estar Numa Seca - Dry Drunk”. Isto significa que estão "limpos" da bebida (abstinentes), mas não estão em recuperação, porque as atitudes e os comportamentos são idênticos aos do passado. 
Como sabemos, em qualquer doença crónica (ex. diabetes, doenças cardiacas) é necessário uma atitude pro-activa, da parte do doente, para o tratamento, por ex. comparecer nas consultas, seguir as indicações terapêuticas. É uma questão de atitude e motivação.

Compreender verdadeiramente o papel da abstinência neste processo pode ser uma mais valia para a Recuperação individual, o mesmo se aplica ao alcoolismo e outras Adições do comportamento. 


Generalizando, existem muitas definições de recuperação para a adicção ao álcool e outras drogas lícitas. Não existe uma “regra" igual para todos, contudo é importante que esse conceito individual de abstinência funcione na pratica e proporcione resultados visíveis - qualidade de vida, em vez das consequências negativas, secretismo (isolamento/vidas duplas), estigma, negação e vergonha .
Para aqueles que identificam um problema de Adicção, nas suas vidas, quer seja às substancias e/ou comportamento que provoque um desequilibro a nível bioquímico e psicológico, encontram na abstinência uma “ferramenta” extremamente útil e eficaz para a sua Recuperação.


sexta-feira, agosto 31, 2007

Historia de Sabedoria


Os Três Leões

Numa floresta havia três leões. Um dia, o macaco, representante eleito dos animais, fez uma reunião com toda a bicharada e disse: - “ Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma duvida no ar; existem três leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem?" Os três leões souberam da reunião e comentaram entre si; “ É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter três reis, precisamos de saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir?” Essa era a grande questão; lutar entre si, eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado. De novo, todos os animais reuniram-se para discutir uma solução para o caso, até que, mais tarde, tiveram uma ideia excelente. O macaco encontrou-se com os três felinos e contou o que eles decidiram; “Bem, senhores leões, encontramos uma solução para o problema. A solução está na Montanha Difícil.”
Montanha Difícil?! Como assim?!
É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês os três devem escalar a Montanha Difícil. Aquele que atingir o pico primeiro lugar será consagrado o rei.
Naquela imensa floresta, a Montanha Difícil era a mais alta entre todas, o desafio foi aceite. No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir à grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes. Afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os três foram derrotados? Foi nesse momento que uma águia sabia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra; “Eu sei quem deve ser o rei!!!!...” Todos os animais fizeram um silencio de grande expectativa.
A senhora sabe, mas como?” Todos gritaram para a águia.
É simples,” confessou a sabia águia, “Eu estava a voar entre eles, e quando eles voltaram derrotados para o vale, eu escutei que cada um deles disse para a montanha.
“O primeiro leão disse; Montanha, tu venceste-me!”
O segundo leão disse “ Montanha, tu venceste-me!”
O terceiro leão disse “Montanha, tu venceste-me, por enquanto! Mas, tu montanha, já atingiste o teu tamanho final, e eu ainda estou a crescer."
A diferença…”, completou a águia “ …é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e o que pensa assim é maior do que o seu problema; é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre reis.

Moral da historia:
Não importa o tamanho dos seus problemas ou dificuldades; os seus problemas pelo menos na maioria das vezes já atingiram o clímax, já estão no nível máximo – mas você não, ainda está a crescer.
Lembre-se do ditado:
“Não diga a Deus que tem um grande problema, mas diga ao problema, que tem um grande Deus”

quinta-feira, agosto 30, 2007

"O Dinheiro Também Fala"


Relacionamento individual com o dinheiro.
Ao longo da minha experiência profissional, considero importante para aqueles que estão em recuperação da adicção identificarem  crenças disfuncionais e/ou emoções dolorosas, muitas vezes inconscientes, sobre questões financeiras e económicas. Sabemos que durante o processo activo da adicção a drogas, incluindo o álcool, o jogo, o sexo, distúrbio alimentar, shoplifting - furto e shopaholics - compras uma das consequências mais significativas e dolorosas, na vida de um individuo, estão relacionado com a perda de controlo relativamente a uma gestão responsável dos seus recursos financeiros e a falta de autonomia, bem como a necessidade de viver dependente, do ponto de vista financeiro, de outras pessoas, por ex. a família.

Conheço casos de famílias que do ponto de vista financeiro, vivam acima da media alta, todavia durante o processo activo da adicção ficaram reduzidos a zero. Existem  um grande numero de pessoas que durante o seu passado tiveram experiências negativas com o dinheiro. Também é comum observarmos que em torno do dinheiro para haver negativismo, desconfiança, ressentimento e dor. Contudo sabemos que na realidade, o dinheiro é um recurso inofensivo e inocente. Segundo um perito financeiro americano Dick Wagner “ O dinheiro foi originalmente criado com base na generosidade e dignidade e não na ganância, no pânico ou dor”. Mas quando alguém tem emoções por resolver e desconfortáveis, normalmente age na defensiva, desconfiado e encontra dificuldades na relação com o dinheiro. Recordo um caso de um individuo, numa consulta, onde abordamos a questão do dinheiro e a sua reacção foi de surpresa e choque. Aparentemente era um assunto tabu, recheado de preconceitos, onde não contemplava partilhar sentimentos com as outras pessoas. Era um tema secreto. Acredito que o dinheiro ou a falta dele contribua para processos e dinâmicas relacionados com a recaída. Partilhar crenças e sentimentos, da forma mais honesta possível, proporcione uma perspectiva diferente sobre este tema tão importante e complexo.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Lidar Com a Vergonha Tóxica, segundo Melody Beatie


"Maneiras saudáveis de derrubar e enfrentar a vergonha tóxica. Mudança no sistema de crenças pessoais rígidas e do controlo baseadas na Vergonha (tóxica) por crenças baseadas no Amor-próprio e na Auto aceitação.

O sistema de crenças pessoais rígidas e controladoras da vergonha tóxica reforça os nossas atitudes e comportamentos; no dia-a-dia agimos de acordo com essas mesmas crenças disfuncionais de uma forma subtil baseadas na crença interior que aquilo que somos e fazemos não é “normal” e OK. Pelo contrario, somos “anormais”, indesejáveis e diferente os outros (estigma, preconceito e estereotipo).

Através da recuperação da adicção activa, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto o adicto  aprende novos conceitos e decide quem realmente é. Aprende a amar e a ser amado, aceita-se de uma forma incondicional. Quando comete erros aprende a separar os sentimentos e o comportamento da sua própria identidade. 

Segundo Melody Beattie, aquilo que fizemos (comportamento) pode não ser OK., mas nós (pessoa única e singular) somos OK. Podemos decidir fazer algo diferente para corrigir esse padrão de comportamento disfuncional. Este é o objectivo básico em recuperação, é a essência dos programas de 12 Passos(1) e é o que o programa de recuperação dos 12 passos pode fazer por nós próprios.

Ao longo da vida, adquirimos um código moral que nos informa, no dia-a-dia, se estamos a violar ou não esse código de valores. Todavia, em recuperação adoptamos um novo sistema de crenças saudáveis e construtivas, através dos 12 Passos ( http://en.wikipedia.org/wiki/Twelve-step_program ) mantendo um contacto com o nosso poder Superior,(conceito individual imaterial não religioso sem dogmas e divindades). Este novo e realista sistema de crenças reforça a confiança e a auto-aceitação, bem como a relação com as outras pessoas. Somos pessoas OK e esta realidade é reforçada, através da aprendizagem com os erros  e da monitorização honesta dos comportamentos, em vez da busca da perfeição e da ilusão. Em recuperação, inicia-se o processo de adaptação à realidade, privilegiando a tolerância, a flexibilidade, a honestidade, a ajuda-mutua e a responsabilização.