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quinta-feira, setembro 22, 2022

Não somos perfeitos


 Todos nós temos uma historia dolorosa para contar. Todos nós temos problemas e a dada altura da vida precisamos de ajuda; os problemas não acontecem só aos outros.

quarta-feira, dezembro 28, 2016

Livros de 2016



As minhas leituras de 2016, das quais recomendo.
  • “Incógnito” – David Eagleman
  • “Fluir” – Mihaly Csikszentmihali
  • “Como Ser Feliz” – Sonja Lyubomirsky
  • “O Lado Bom da Irracionalidade” – Dan Ariely
  • “A Força do Habito” – Charles Duhigg  - Perceber e Corrigir os Hábitos na Vida e no Emprego
  • “Mindset” – Dra Carol S. Dweck – A Atitude Mental para o Sucesso
  • “A Vida Que Floresce” – Martin E. P. Seligman -
  • “Grit” – Angela Duckworth – O Poder da Paixão e da Perseverança


Nota pessoal: O critério para a selecção dos livros deve-se, principalmente, aos seus autores, investigadores de renome, cujas temáticas, tais como a motivação, a mudança, a felicidade, a resiliência, a garra, a persistência, os hábitos são temas recorrentes no meu trabalho do dia-a-dia. Desde 1993, dedico uma parte substancial, da minha carreira profissional, à aprendizagem contínua como forma de manter-me atualizado, a fim de prestar o melhor serviço possível, a todos aqueles que procuram, na doença e na adversidade, encontrar competências para vencer. Afinal, o que seria de nós, se não tivéssemos defeitos, se não estivéssemos expostos à adversidade e se não tivéssemos ajuda? Graças aos defeitos, à adversidade e haver pessoas especiais, conseguimos ser pessoas honestas, persistentes, mais resilientes e encontrar um propósito na vida; fazer a diferença, pela positiva, um dia de cada vez. As pessoas mais felizes gostam de pessoas.

domingo, julho 24, 2011

"Tal pai, tal filho", mas com rumos diferentes



Um garoto, a que vamos chamar Júlio, de 15 anos, quando conversava evitava o olhar e falava muito baixo, todavia, era muito doce e muito forte. Morava num bairro social, num T1, no mesmo prédio  mas em dois andares diferentes. No primeiro andar morava a avó que padecia de cancro, em fase terminal, no rés-do-chão morava o pai alcoólico com um cão. Todos os dias, o rapaz levantava-se muito cedo, tratava da casa, preparava o almoço, depois corria para a escola onde era um óptimo aluno, mas muito solitário. Ao final da tarde e de regresso a casa, fazia compras, não esquecia de levar o vinho, lavava o T1 onde o pai e o cão tinham feito bastantes porcarias, vigiava os medicamentos, dava comer à pequena família, depois à noite, quando a tranquilidade regressava, oferecia a si mesmo um instante de felicidade, estudava.

Um dia foi convidado para participar num projecto entre turmas na escola. Ele, dois colegas e o professor estiveram a falar sobre o assunto. Após a reunião, voltou para casa, para as suas duas divisões caóticas, deslumbrado e aturdido de felicidade. Era a primeira vez na vida que lhe falavam amigavelmente, que o convidavam para tratar de um assunto insignificante e abstracto, tão diferente das provações incessantes que enchiam a sua vida quotidiana. Esta conversa (reunião) insignificante, para um jovem de um ambiente familiar normal, adquirira para o Júlio um deslumbramento muito especial e distinto. Afinal, era possível conviver e fazer parte das coisas normais e abstractas. Passados uns anos, antes do exame final do 12º ano, o Júlio, exclamou “Se por desgraça, passar no exame, não poderei abandonar o meu pai, a minha avó e o meu cão.”

Recordo outro indivíduo a que vamos chamar de Mário, 40 anos, alcoólico e dependente de drogas desde longa data, pai solteiro de duas filhas jovens, que não conhece, vive, num bairro social, T1, com a sua mãe de 80 anos, mais dois irmãos, um de 35 e o outro de 38 também dependentes de drogas e álcool, não sabe ler e escrever e apresenta sérios problemas de saúde consequência da dependência (no fígado). O seu pai morreu, com uma cirrose no fígado, vítima do alcoolismo. O Mário, não completou a primeira classe, como não tinha “jeito” para estudar, foi trabalhar na construção civil, com o seu pai. È um individuo de tracto dócil, simpático e sempre esteve disponível para ajudar os outros.

Hoje o Júlio, com 40 anos, é professor universitário e o Mário, 40 anos, está dependente de álcool e outras drogas. O rumo de vida foi diferente para estas duas crianças, ambas oriundas de famílias afectadas pela Adicção activa (Alcoolismo). Talvez por ironia do destino cruel, tenha determinado um rumo diferente, no caso do Júlio. Depois de passar no 12º ano, um dia o cão fugiu para a rua, o pai alcoolizado perseguiu-o, cambaleante, e foi atropelado por um automóvel, uns dias depois a avó faleceu no hospital de cancro. Liberto das suas obrigações familiares, disfuncionais, conseguiu reunir os recursos (externos) e competências (internas) que lhe permitiram moldar o temperamento doce, mas resistente, perante as agressões da sua existência, mas determinantes no trajecto da sua vida.

O Mário dependente crónico de substâncias psicoactivas, ainda permanece “agarrado” ao sistema caótico e disfuncional familiar, no mesmo T1, apesar do seu trato dócil, simpático e disponível para ajudar os outros. Começa a beber de manhã, para “sossegar” os tremores das mãos e de tarde dorme para apaziguar os seus “fantasmas”, perdeu a esperança quanto a um projecto de vida, incapacitado psicologicamente, pelos efeitos negativos do álcool e drogas, e estigmatizado pela sociedade, como um “caso perdido” e cuja profecia popular determina “Coitado, vai-lhe acontecer o mesmo que ao pai.”

quinta-feira, maio 22, 2008

Atitudes positivas e motivadoras vs. pensamentos derrotistas irracionais



Por vezes, fruto do nosso passado (familia de origem) desenvolvemos, ao longo da vida, crenças familiares disfuncionais e/ou relacionamentos com pessoas significativas abusivas capazes de potenciar o fracasso e a rejeição, por ex, Não és merecedor..., Não és capaz..., Os outros são melhores que tu...., Não vais conseguir..., Se mostrares quem és os outros não vão gostar de ti.... O sofrimento e a frustação vão tornar-se insuportaveis e não irão passar, nunca "Estou doido/a, devo ser diferente ". Este padrão de crenças negativas podem bloquear o desenvolvimento do nosso potencial (competencias e habilidades), como seres humanos espirituais, não religioso sem dogmas e divindades. 

Pensamentos derrotistas irracionais reforçam o negativo, conduz ao perfecionismo (padrão rigido de pensamento) e ao impossivel, antecipando cenarios/situações catastroficas. Vivemos o medo/ansiedade, por antecipação, e acreditamos nesses mesmos medos irracionais. "
Algumas pessoas afirmam, resignadas e passivas, "Não vale sequer a pena tentar, porque não vou ser capaz. Isto não vai passar."

O que é que pode fazer hoje para mudar de atitudes e comportamentos derrotistas? 

Só por hoje
:

Pode valorizar a gratidão, e fé e a esperança.

Pode sentir orgulho da honestidade e da autenticidade. Você é livre, nesse sentido possui a liberdade de escolha para arriscar e sonhar.

Pode sentir as emoções (positivas e/ou as dolorosas) e valorizar a capacidade de estar em sintonia/equilibrio com o Eu interior (sentimentos, ambições, valores e crenças positivas).

Você é um ser unico e excepcionalmente valioso. Ninguem pode enfrentar os seus "fantasmas" e fazer esse trabalho por si.

Pode sonhar "acordado" e acreditar que o impossivel não existe.

Pode definir metas/planos e objectivos de vida.

Pode ter um proposito e um sentido no dia-a-dia (familia, trabalho, amizades, comunidade, hobbies, etc).

Pode arriscar só por hoje... O não está garantido! O que pode acontecer é vencer o medo irracional que o bloqueia.

Pode mudar...mudando pequenas coisas (palavras, rotinas, atitudes e comportamentos).

Até o ninho estar pronto o passaro tem imenso trabalho...todavia, dia-a-dia vai fazendo aquilo que lhe compete e sabe fazer. Sem ansiedade, sem medo de falhar, sem querer atingir a perfeição, sem competir cegamente. Se o ninho é destruido pela tempestade ele retomará o seu trabalho com mesma motivação. Um dia o ninho estará terminado


quarta-feira, abril 02, 2008

Recuperar dos Comportamentos Adictivos


Recuperar dos comportamentos adictivos é:

É entregar..., é partilhar..., é seguir sugestões..., é arriscar... é sonhar... é cometer erros e aprender com eles..., é tomar decisões, é confiar..., é pertencer..., é realização pessoal...,é dar e receber abraços..., é fazer afirmações positivas..., é auto-avaliação..., é discordar..., é rir (gargalhadas)..., é produzir e descansar... é chorar...viver um dia de cada vez..., é ser diferente... é dormir...é tratar do fisico...é gostar de si proprio...é meditar...

Ser corajoso..., ser humilde..., ser honesto..., ser responsável..., ser pai/mãe..., filho/a..., marido e mulher..., ser membro de família..., ser falível..., ser um “exemplo” para os outros..., ser feliz..., ser realista..., ser assertivo..., ser tolerante..., ser bondoso, sentir aprovação, ser divertido..., ser parceiro/a ...ser genuíno...ser resiliente...,

Ter fé e esperança..., ter família..., ter amigos/as..., ter planos e objectivos..., ter auto-estima..., ter segurança..., ter um propósito e um sentido na vida..., ter limites saudáveis nas relações..., ter orgulho saudável (dignidade)...,ter dinheiro..., ter trabalho..., ter sexo e intimidade..., ter tempo livre...ter gratidão...ter motivação...ter ética...ter uma comunidade... ter intuição...ter alimento...

Estar confuso/a..., estar com medo..., estar com raiva e ressentido/a..., estar desconfortável..., estar ambivalente e desconfiado/a..., inseguro/a e desiludido/a..., estar magoado/a..., estar com auto piedade, estar desorganizado e descontrolado...

Sentir vergonha e culpa..., sentir rejeição e frustração..., sentir solidão e inadequação..., sentir perda e o luto...sentir embaraço..., sentir tristeza e magoa...,


Recuperação é Ser..., é ter..., é estar e sentir...viver a vida plena, tal como é.

Quando nascemos recebemos este dom e esta benção da própria natureza.

Só os que desenvolvem a capacidade de se adaptar e resistir a adversidade é que conseguem ter sucesso e usufruir da espiritualidade. Somos os “arquitectos” do nosso destino.

A vida tem um fim...

Imagina este cenário.
Estas dentro do caixão, no teu próprio velório, morto/a claro!!...
Quais os comentários que ouves das pessoas sobre ti?! Sobre as tuas características (qualidades e defeitos) enquanto estiveste vivo?!

Estás satisfeito/a com a tua vida (recuperação) agora?! Claro!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Afirmações Positivas


As afirmações positivas podem alterar as “velhas” crenças disfuncionais (erros cognitivos e legado negativo do historial de vida) e reeducar um novo e saudável mecanismo cognitivo de crenças que promovam a auto-realização, a auto estima, o respeito, a dignidade, a Fé num poder
Superior, não religioso sem dogmas e divindades, a esperança, a confiança. Um dia de cada vez. Podemos tornar os sonhos e a ambição reais. Em recuperação conseguimos aquilo que nunca acreditamos ser capaz de atingir.

“Nós somos aquilo que pensamos”

Repita para si e acrescente o porquê: Exemplo: sou uma pessoa competente, porque continuo a investir na fazer formação profissional.

Sou uma pessoa arrumada e asseada.

Estou sempre a aprender e a mudar de atitudes e comportamentos.

Sou realmente uma pessoa maravilhosa.

Sou fantástico/a.

Sou uma pessoa competente.

Ando aprender a discordar sem ser desagradável.

Ando a aprender a dizer Não de uma forma mais confortável.

Ando a aprender a ouvir de uma forma mais confortável.

Sou uma pessoa amorosa.

Sou uma pessoa linda.

Ando a tornar-me mais assertivo/a.

Ando a fazer o meu melhor.

Sou uma pessoa valida sem que sejam necessárias provas disso.

Ando a aprender a ter menos medo.

Sou uma pessoa corajosa.

Ando a aprender a Não culpar os outros.

Ando a acentuar melhor os talentos dos outros.

Ando a permitir que cresça emocionalmente e espiritualmente (não religioso, sem dogmas e divindades).

Sou um/a amigo/a do amigo, preocupado/a e generoso/a.

Sou uma pessoa com talento.

Sou capaz de mudar aquele comportamento que não gosto em mim.

Sou mais talentoso/a do que aquilo que imagino ser.

Sou forte e determinado/a.

Sou realmente capaz de mudar as minhas atitudes e comportamentos.

Sou uma pessoa especial.

Sou capaz de enfrentar qualquer situação que se depare no meu dia-a-dia.

Procuro sempre partilhar e dar.

Sou uma pessoa prudente e forte.

Sou uma pessoa arrojada e descontraída.

Sou sensível e liberal.

Sou capaz de estar feliz e descontraída/o mesmo quando as coisas aparentam não correr à minha maneira.

Ando a aprender a expressar o meu interior (self/Eu).

Ando a tornar-me uma pessoa com as qualidades que mais gosto em mim.

Sou uma pessoa distinta e excepcional.

Mereço ser amada/o e amar.

As afirmações positivas podem funcionar. Pode arranjar post-it e colar no espelho, no carro, no wc, no quarto, saudações de boas vindas no telemovel e pc. Use a sua criatividade.
As afirmações positivas também servem com forma de auto inspiração e motivação para continuar em frente ou para parar e reflectir. Se encontrar outras auto-afirmações positivas que nao estejam nesta lista...optimo! Use e abuse.




domingo, novembro 04, 2007

O "Preço" de ser Agradador/a


“Porque digo sim, quando quero afirmar que Não?”


Ser agradador/a tem um “preço”negativo, através da alienação, da hostilidade indirecta e do comportamento autodestrutivo, para o próprio agradador/a e para as outras pessoas, directa e ou indirecta:
1. O agradador/a tem a tendência para criar uma atmosfera tensa à sua volta, na comunicação, em que as outras pessoas evitam dar feedback honesto e espontâneo, como consequência esta atitude bloqueia o crescimento emocional (confiança) de ambas as partes.

2. O agradador/a, nos relacionamentos com os outros é capaz de gerar desconfiança e duvida. A atitude de ser sempre simpático e estar sempre disponivel, é bom demais para ser verdade. Gera uma sensação de incerteza e de insegurança nos outros. Nunca sabem se podem confiar ou se vão ser apoiados numa situação de crise que exija uma confrontação directa.

3. O agradador/a evita que os outros à sua volta cresçam emocionalmente. O agradador/a evita dar um feedbackgenuíno, impedindo assim, que os outros conheçam realmente as suas  verdadeiras caracteristicas. Nos conflitos na comunicação, o/a agradador/a tem a tendência para forçar os outros a virar a agressividade contra eles próprios e a gerar sentimentos de culpa, frustração, e dependência nas relações intimas.

4. Por causa do seu estado agradador/a permanente, os outros á sua volta nunca sabem se a relação vai sobreviver a um possível conflito, caso a discussão surja espontaneamente. O agradar compromete seriamente a intimidade, porque as outras pessoas estão constantemente à defesa.

5. O agradador/a não é de confiança, porque quando explode, inexplicavelmente em raiva, é de tal  maneira imprevisível e  agressivo/a, que os outros ficam em choque e incapazes de lidar com estas situações de crise aguda.

6. O agradador/a , ao reprimir a sua agressividade, pode pagar um preço a nível fisiológico, somantizando[1] problemas e a nível psicológico desenvolve um tipo de alienação e isolamento.

7. O comportamento do agradador/a torna-se irreal. Coloca limitações severas e rígidas nas suas relações, em ultimo caso, é vitima do seu próprio comportamento disfuncional.


[1] "Somatizar é manifestar no corpo, na forma de uma doença ou um sintoma, algum conflito interno (psíquico). Por exemplo, uma pessoa ansiosa que sente dor de cabeça, de estômago, como resultado da sua ansiedade."


segunda-feira, outubro 08, 2007

Transição de Tratamento em Regime de Internamento para o Regresso à Vida Activa (Recuperação)


Transição do Tratamento em regime de Internamento Residencial para o Regresso à Vida Activa – Pós-tratamento


Trabalho desde 1993 na área do tratamento, em regime de internamento residencial, e acompanhei aproximadamente 650 casos (adictos), e algumas dessas pessoas estão abstinêntes de substâncias há vários anos, enquanto outras, após um período indeterminado retornam aos “velhos” e “familiares” comportamentos da adicção activa, refiro-me aos deslizes e à recaída.
O que motiva as pessoas a mudar de comportamento e almejar uma vida abstinente de substancias psico activas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas, e “normais” enquanto outras não?

Sempre me despertou imenso interesse o trabalho da prevenção da recaída e as fases de recuperação no vasto e complexo universo de tratamento e de recuperação da adicção.

Qual o significado do tratamento em regime de internamento para uma pessoa, se pensarmos que a recuperação é algo para a vida? Não existem tratamentos no mundo, que garantam 100% de sucesso, isto é, após o período de internamento, que pode variar entre 3 a 4 meses em primaria (primeira-fase) e 12 meses em segunda-fase (extended care/halfway) os adictos consigam permanecer abstinentes e recuperar os valores emocionais e espirituais, não religioso sem dogmas e ou divindades, de volta para o resto da vida. Também partilho da ideia que no tratamento da adicção, como doença crónica, existe sempre a probabilidade de recaída para algumas pessoas ao longo das suas vidas. Somos seres complexos, por um lado, demasiado previsíveis por outro...

Na minha experiência de trabalhar em tratamento não me recordo de alguém que tenha terminado o tratamento, afirmasse “João, vou para casa e vou voltar a usar drogas e continuar dependente”. Pelo contrario. No caso das pessoas que recaíram, após o tratamento, a grande maioria afirmava que tinha sofrido experiências demasiado horríveis, relacionadas com dependência das substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool e as ilícitas. Acredito também que após um tratamento de internamento as coisas nunca mais serão vividas da mesma forma, quer para aqueles que permanecem abstinentes quer para aqueles que têm deslizes e recaídas. Adquiriram um conhecimento e uma consciência da realidade e da doença, como uma mais-valia. É como plantar uma "semente", o resto deixa de estar ao nosso alcance. È preciso saber aguardar pelos resultados...

segunda-feira, outubro 01, 2007

"Desapego Emocional com Amor" um novo significado por Rosemary Hartman




“Uma das grandes dádivas sobre a recuperação assenta no conceito de - Desapego Emocional com Amor”.


Originalmente, este conceito foi utilizado para descrever a forma como um membro de família se relacionava com o familiar alcoólico; actualmente o desapego emocional com amor é uma “ferramenta” útil para qualquer tipo de relacionamento intímo disfuncional.

Este conceito pioneiro foi desenvolvido nos grupos de ajuda-mutua, dos Al-Anon, familiares e ou pessoas significativas (ex. esposas ou mães) que tinham relações com alcoólicos na família. A ideia-chave, segundo o Al-anon, prende-se com a premissa de que o doente alcoólico não aprende com os seus erros e consequências se for protegido e encoberto pelos outros, não alcoólicos.

Dentro deste contexto o significado das palavras protecção e encobrimento podem ter imensos significados. Por ex. telefonar para o trabalho do marido inventando uma mentira, porque ele está na cama demasiado intoxicado (alcoolizado). Protecção significa, um familiar dizer à criança que a sua mãe (alcoolica) não foi à festa da escola, porque esteve a trabalhar até tarde, quando na verdade, ela esteve no bar à noite e não conseguiu levantar-se da cama para trabalhar e estar presente na festa da escola.

Costumamos classificar este tipo de comportamentos, como facilitador, porque permitem (facilitam) os doentes alcoólicos continuar a beber, sem a devida adptação às consequências do alcoolismo. Hoje aplicamos a palavra adaptar porque o sentido é menos depreciativo.

No principio, o Desapego Emocional com Amor, era uma chamada de atenção, para os membros de família deixarem de se adaptar ao caos e às crises constantes, nas vidas dos doentes alcoólicos. Conforme o Al-Anon crescia, houve uma interpretação pervertida na forma como se utilizou o desprender emocionalmente com amor, na realidade o objectivo principal consistia em assustar o doente alcoólico, de forma a gerar pressão para ele mudar de comportamento. Por ex. “ Se não fores para tratamento, vou já sair de casa e quero o divórcio!”. Tais ameaças, faziam parte de um jogo, em que o factor medo, forçava o doente alcoólico a pedir ajuda.

sábado, setembro 15, 2007

Hierarquia das Necessidades Humanas e a Adicção


Hierarquia das necessidades humanas, segundo Maslow 1962; Weil 1973; Miller 1981; Glasser 1985



1. Sobrevivência
2. Segurança
3. Toque, contacto físico
4. Atenção
5. Efeito-espelho
6. Orientação
7. Escuta atenta
8. Ser verdadeiro
9. Participar
10. Aceitação
Os outros estão conscientes, levam a sério e admiram o seu “Eu Verdadeiro”. Liberdade para ser o Eu Verdadeiro.
Tolerância para com os sentimentos pessoais.
Validação.
Respeito.
Pertença e amor.
11. Oportunidade para chorar as perdas e para crescer
12. Apoio
13. Lealdade e confiança
14. Realização
Pericia, Poder, Controlo.
Criatividade.
Sentido de Unicidade.
Contribuir
15. Alterar o estado de consciência, transcender o vulgar
16. Sexualidade
17. Divertimento
18. Liberdade
19. Nutrição
20. Amor incondicional (incluindo ligação a um Poder Superior)


Comentário: Como podemos verificar na hierarquia das necessidades humanas, segundo Maslow, Weil, Miller e Glasser, a sobrevivência é a primeira e a segurança logo a seguir. O que é que isto nos diz acerca da natureza da adicção, ex. álcool e ou outras drogas, jogo, sexo, dependencia emocional, compras, disturbio alimentar, shoplifting (furto)?

Na minha perspectiva, revela imenso sobre a forma como o ser humano recorre às substancias e actividades/comportamentos como uma mecanismo de defesa (sobrevivência). Algo não está bem, ou não nos sentimos suficientemente bem na nossa “pele”.

quarta-feira, julho 25, 2007

Trabalhar a Assertividade para o resto da Vida


A Oração da Serenidade é uma abordagem espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades, ao tema da Assertividade:
Concedei-me Senhor, 
Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, 
Coragem para modificar aquelas que posso, e a 
Sabedoria para distinguir umas das outras .”


Na sua essência rogamos pelo discernimento sobre pensamentos positivos que nos permitem comunicar e tomar decisões construtivas. Quando fazemos escolhas e tomamos decisões construtivas estamos a ser ASSERTIVOS e melhoramos a qualidade dos nossos relacionamentos.

Para a maioria de nós o medo distorce e sustenta algumas coisas que não gostamos,
com a raiva reagimos e tomamos decisões precipitadas e as emoções limitam e condicionam as nossas decisões.

Características das Pessoas:
A) Falta de Assertividade/ Passividade. A falta de Assertividade é permitir que as outras pessoas nos tratem da maneira que entenderem, sem que nós desafiemos aquilo que é dito ou feito. Significa fazer aquilo que as outras pessoas querem, apesar da nossa vontade ser diferente – ex. agradar aos outros, facilitar, encobrir, manipular. "Porque dizemos sim, quando queremos dizer não?"

  1. O problema na comunicação é evitado.
  2. Os seus direitos legítimos são renunciados.
  3. Os direitos dos outros são encarados como prioritários em relação aos seus. Isto cria um padrão no comportamento dos outros, em relação a si, fazendo com que eles beneficiem e tirem vantagem. Se você pensar ”Se tiveres bem eu estou bem..." ou "Se estiveres mal eu estou mal...” está a negligenciar as suas próprias necessidades
  4. Permite que os outros avaliem e definem como você se sente e pensa – "Não tem voto na matéria."
  5. Permitir que os outros escolham as suas actividades.
  6. Os seus objectivos serão um dia alcançados – adiamento, vitimização e resignação. Os objectivos dos outros são mais importantes “Esperar com os braços cruzados; à espera de um milagre.”
  7. Nega e reprime a raiva e o ressentimento – minimiza e racionaliza os sentimentos desconfortáveis.
  8. Na interacção com os outras pessoas, preocupa-se somente em respeitar os outros. Procura a aprovação e agradar.
  9. Falta de confiança em si próprio. Baixa auto-estima.
  10. Espera por favores e serviços.


domingo, julho 22, 2007

A recuperação da adicção para a vida


Sendo a adicção às substancias psico-activas lícitas, incluindo o álcool  e as ilícitas, uma doença do cérebro sabemos que o consumo de drogas afecta seriamente o funcionamento normal do cérebro (neuroquímica / neurotransmissores – ex. libertação “anormal” de dopamina) conduzindo o adicto na senda da gratificação imediata, aquela sensação de prazer e/ou bem estar única capaz de modificar e ou atenuar (adormecer) as emoções dolorosas do dia-a-dia, por ex. fracasso ou rejeição numa relação de intimidade, despedimento, perda de alguém significativo, cansaço físico e/ou a sensação de falta de energia, ansiedade e ou sentir-se deprimido etc. Aprende-se a oscilação das emoções e descobre-se um mundo de novas experiências sensacionais e únicas com drogas.

Ao interromper a progressão da adicção activa, o período inicial de abstinência total às drogas, incluindo o álcool, as principais prioridades passam por se manter “limpo” de drogas, a todo e a qualquer custo. Depois, aprender o conceito de doença, aderir à abstinência (responsabilização e participação activa), fazer novos amigos, reencontrar o lugar na família por ex. reparar danos consequência do passado disfuncional, identificar e reaprender a lidar com emoções (tais como; raiva, medo, vergonha e culpa, ressentimento) de uma forma construtiva, por ex. não agir nos impulsos, prevenção da recaída e viver um dia de cada vez. Todo este processo, leva aproximadamente cinco anos, exige muita responsabilização, compromisso e motivação da parte do adicto. Ninguém o pode substituir neste “trabalho” e desafio individual. 

Para um adicto no activo consumir drogas, incluindo o álcool, pode ser um “hobbie” extremamente absorvente, pode passar 7 dias por semana/365 dias por ano a pensar como obter e consumir substâncias, é a prioridade numero um da sua vida. O objectivo é consumir drogas, incluindo o álcool, sem olhar aos meios, se for necessário magoar, agredir, mentir, roubar, manipular pessoas queridas. A obsessão e a compulsividade da adicção exige que assim seja, nada é suficiente importante que o impeça o adicto de o fazer.

No inicio da abstinência também se aprende a dar um passo de cada vez. Em muitos casos, precisa-se de apoio e orientação da família, apoio profissional, económico e das pessoas significativas (amizades genuínos) de forma a se “elevar o olhar” e encarar os erros do passado de frente, com determinação e positivismo. Muitos adictos, incluindo os familiares, cujo ambiente se encontra disfuncional, “doente”, re-começam da “estaca zero”. Todos foram “apanhados pela rede” da adicção, ninguém escapa ileso à devastação e ao caos. Alguns membros da familia sofrem de stress pós-traumático. Todos foram afectados, por isso, estão todos “no mesmo barco” é preciso fazer novos planos e uma "limpeza à casa". È necessario repensar nas atitudes e comportamentos a mudar, ex. mais tolerância, honestidade, comunicação e compromisso na mudança da parte de todos, como um grupo e n
inguém muda de um dia para o outro. Ninguém é perfeito, os seres humanos são seres imperfeitos. Recordo-me de um pai que dizia, fazendo uma analogia, com sabedoria, “Este exemplo é como a fruta que está no cesto da cozinha, uma peça apodrece e passado algum tempo apodrecem as outras todas...



Após o período inicial de abstinência, refiro-me ao primeiro ano, a fase mais conturbada foi ultrapassada, já se conseguiu auto-estima, aceitação do passado, atingiu equilíbrio emocional e familiar, estabilidade económica e profissional, surgem, normalmente, obstáculos difíceis e também eles potenciais de distúrbios ao nível da saúde física, mental e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, assim como as consequências negativas. Refiro-me por exemplo a comportamento que podem despoletar um processo adictivo, por ex., distúrbio alimentar, jogo, sexo compulsivo, relacionamento de intimidade disfuncional, trabalho compulsivo, compras só para referir alguns. Ao longo da minha experiência profissional acompanhei pessoas que associaram as suas recaídas e/ou deslizes cujo processo disfuncional iniciou-se no consumo de bebidas alcoólicas, como uma forma de confraternização social, outras atribuíram a recaída a relações amorosas disfuncionais; por ex. necessidade de controlar o parceiro/a, obsessivo, agradar de uma forma exagerada o seu parceiro/a, ao jogo por ex. casinos, poker, outras com a comida; por ex. (apetite exagerado / ingestão compulsiva de alimentos), auto conceito e imagem corporal distorcida, aumento de peso e baixa de auto-estima.



Quando vivenciamos uma experiência que produza prazer ou bem estar, o nosso cérebro produz dopamina, esse efeito imediato é conhecido dos adictos "Uma vez não chega e mil vezes não são suficientes". Existem três áreas que é necessário permanecer atento em recuperação, são o dinheiro, o sexo e a comida. Para os adictos em recuperação é extremamente atraente, por um lado, mas arriscado por outro, este tipo de experiências, radicais e profundas, relacionadas com o prazer, isto é, pode comprometer a médio ou a longo prazo a sua abstinência, assim como a qualidade de vida que tanto trabalho exigiu no inicio da recuperação a conquistar.


não almejam atingir a perfeição, apesar de muitas vezes ficar “embebedado” nesta falsa crença, mas através de um processo de aprendizagem de fracassos, de frustrações, de remorso e de erros, procura proporcionar junto daqueles que amam experiências enriquecedoras em termos dos afectos e dos laços, foi assim que se aprendeu a valorizar, no inicio da recuperação coisas muito simples, tais como sentir que não está só, que não é um ser horrível, dormir, tratar da higiene pessoal, afinal é possível recuperar. Se os outros conseguem, você também consegue, como algo espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, libertador do sofrimento, da obsessão, do isolamento e dos segredos da adicção. A “chama” da esperança em recuperar pode permanecer eterna, um dia de cada ve.


Não quero afirmar que erradiquem ou eliminem estas experiências recompensadoras e estimulantes, não acredito que a solução se encontre em fundamentalismos moralistas e proibicionistas existe uma área/equilíbrio a realçar e a descobrir entre os extremos, contudo reforço a importância de manter níveis de vida satisfatórios ao nível das relações com as outras pessoas e consigo próprio. Alguns seres humanos desejam tornar-se pessoas melhores , não almejam atingir a perfeição, apesar de muitas vezes ficar “embebedado” nesta falsa crença. Através de um processo de aprendizagem nos fracassos, nas frustrações, de remorso e de erros, procura proporcionar junto daqueles que amam experiências enriquecedoras em termos dos afectos e dos laços, foi assim que se aprendeu a valorizar, no inicio da recuperação coisas muito simples, tais como sentirmos que não está só, que não é um ser  horrível, dormir, higiene pessoal, e que é possível recuperar. Se os outros conseguem, você também consegue, como algo espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, libertador do sofrimento, da obsessão e do isolamento dos segredos da adicção. A “chama” da esperança em recuperar pode permanecer eterna, um dia de cada vez.