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sábado, outubro 07, 2023

Dependência de Jogo Online e Offline


 Dependência/Adicção ao Jogo online e offline

A atividade relacionada com o Jogo, poderá transformar-se numa adicção/dependência, processo semelhante, por exemplo ao alcoolismo. Até recentemente, a dependência do Jogo (online e offline) era considerada tabu devido ao estigma e não existir informação pública sobre as causas, mecanismos e tratamento numa abordagem multidisciplinar. Quando surgem notícias, o Jogo está associado a casos de crime/polícia, aumentando exponencialmente o estigma. Aquilo que não compreendemos temos a tendência para ignorar e ao contrário do alcoolismo, na dependência do Jogo as pessoas não ingerem no seu organismo quaisquer drogas, apesar de alguns indivíduos adictos ao jogo, também abusarem de algumas drogas, referimo-nos por exemplo, a cocaína e ao álcool. Atualmente, apesar de o Jogo Online ter agravado o número de indivíduos dependentes, existe uma maior informação, compreensão sobre a natureza da doença, o conhecimento dos seus mecanismos e a implementação de medidas, junto de terapeutas, investigadores e decisores políticos a fim de desenvolverem abordagens eficazes na prevenção, na procura de tratamento e na recuperação.

Apesar de já estar disponível numa publicação antiga, neste blogue, vou apresentar mais uma vez as “Fases do Jogo Compulsivo, pelo Dr. Robert Custer.”

Fases do Jogo Compulsivo

Três fases distintas na progressão da adicção ao jogo pelo Dr. Robert Custer.

Primeira fase: Busca da euforia/acção – designada “sorte do principiante”, onde este perde e ganha nas suas sessões de jogo, perde algumas somas/poupanças significativas, faz empréstimos (ex. dinheiro emprestado a amigos ou familiares), todavia nesta fase ainda não sente o desconforto gerado pelos seus comportamentos.

 

Fase da procura da reposição do que gasta e perde. Nesta fase, surgem os danos significativos. Identificam-se as tentativas desesperadas de repor (reembolsar) as perdas, intensificam-se ainda mais as sessões de jogo (frequência e a duração). A autoestima deteriora-se e o sentimento de culpa intensifica-se. Esta fase pode prolongar-se por vários anos.

 

Fase de desespero, o indivíduo é totalmente obsessivo com o jogo. As perdas e o endividamento assumem dimensões significativas. Nesta fase, o indivíduo recorre a atividades ilegais como consequência da impulsividade. A família, a carreira profissional e a vida social ficam devastadas. Nesta fase, os jogadores adictos contemplam o suicídio e/ou a fuga (por exemplo: mudanças geográficas). Problemas com legais/justiça e, em última instância pedem ajuda para o seu comportamento problema.

Algumas atividades lícitas e/ou ilícitas associadas ao jogo: casinos, casinos online, apostas online, apostas desportivas, jogos de cartas, dados, lotarias e bingos. 

20 PERGUNTAS sobre o Jogo:

1. Você já perdeu horas de trabalho, convívio família ou da escola devido ao jogo?

 

2. Alguma vez o jogo já causou infelicidade na sua vida familiar?

 

3. O jogo afectou a sua reputação?

 

4. Você já sentiu remorso após jogar?

 

5. Alguma vez jogou para obter dinheiro para pagar dívidas ou então resolver dificuldades financeiras?

 

6. O jogo causou uma diminuição na sua ambição ou eficiência?

 

7. Após ter perdido você se sentiu como se necessitasse voltar o mais cedo possível e recuperar as suas perdas?

 

8. Após um ganho sentiu uma forte vontade de voltar e ganhar mais?

 

9. Você geralmente jogava até ao seu último cêntimo?

 

10. Você já pediu dinheiro emprestado para financiar o jogo?

 

11. Alguma vez vendeu alguma coisa para financiar o jogo?

 

12. Você já esteve relutante em usar o “dinheiro de jogo” para as despesas normais?

 

13. O jogo tornou-o descuidado com o seu bem-estar e o de sua família?

 

14. Alguma vez você já jogou por mais tempo do que planeava?

 

15. Alguma vez você já jogou para fugir de preocupações ou problemas?

 

16. Alguma vez você já cometeu, ou pensou em cometer um acto ilegal para financiar o jogo?

 

17. O jogo fez com que você tivesse dificuldades em dormir?

 

18. As discussões, desapontamentos ou frustrações fizeram com que você tivesse vontade de jogar?

 

19. Alguma vez você já teve vontade de celebrar alguma boa sorte com algumas horas de jogo?

 

20. Alguma vez você já pensou em provocar danos/magoar-se a si próprio como resultado de seu jogo?

 

Se 8 ou mais respostas positivas significa que tem adicção ao jogo.

 

Escala retirada dos “Jogadores Anónimos” e validada “cientificamente” como instrumento diagnóstico para definição de jogado compulsivo.

Se identificar um problema peça ajuda, antes que o problema tome conta da sua vida.

quarta-feira, maio 02, 2018

Jogar ou não jogar; eis as consequências



Quando um individuo identifica um problema relacionado com o jogo (qualquer atividade offline ou online que envolva apostar, jogar e ganhar) constata, que a sua capacidade de tomar decisões, das mais básicas às mais complexas, fica afetada, nestas situações especificas, um dos sinais inequívocos é a perda de controlo. O individuo não consegue prever, com antecedência qual vai ser o resultado das suas ações, no que ao jogo diz respeito. Mesmo assim, consciente, da sua impotência, o individuo, devido ao desejo intenso (craving) continua a jogar (apostas, vídeo jogos, poker, raspadinhas, bingo, etc.) apesar das consequências negativas a nível profissional, familiares, financeiras e económicas, obrigações sociais, etc. A maioria dos jogadores patológicos não revela muita apreensão quanto ao dinheiro que envolve a atividade/jogo. Esta preocupação poderá existir, após já não ter mais dinheiro para jogar e vê-se obrigado e interromper o jogo e a enfrentar as devidas consequências, por exemplo; dividas, gastar dinheiro do orçamento familiar, pedir dinheiro emprestado, gastar poupanças, etc. Todavia, este período de remorso é temporário e de curta duração. Inclusivamente, algumas famílias apelidam a esta fase; “fase de cordeiro” de “promessas e juras” que rapidamente são quebradas; o círculo vicioso reinicia mais uma e outra e outra vez.

Alguns sinais associados ao jogo patológico
Serie de derrotas – cada vez que lançamos moeda ao ar e aparecer “cara”, as possibilidades de isso acontecer são de 50%. Isto significa que se eu lançar a moeda ao ar, dez vezes seguidas e aparecer “cara”, nada me garante que à 11ª vez que repetir o mesmo ato, voltar a lançar moeda saia “cara”, porque as possibilidades continuam a ser de 50%. O resultado de cada lançamento não é determinante e não interfere no lançamento seguinte; a moeda não possui memoria. Muitos jogadores patológicos pensam que perder várias apostas, de seguida, vão iniciar uma serie de vitorias. Na realidade, apesar de perder, nada nos garante que a seguir vamos ganhar/vencer.

Sorte – Cruzar os dedos, ferraduras, amuletos, santinhos, bruxaria, crucifixos, soprar nos dados, etc. Muitos jogadores patológicos acreditam que este tipo de superstição ou outras, não mencionadas, poderá mudar a sua sorte. Outros acreditam que devem jogar sempre na mesma máquina ou vestir a camisa da sorte ou escolher um número da sorte aumentam as probabilidades de vencer. Na realidade, este tipo de amuletos ou outras coisas não possuem qualquer interferência na possibilidade de ganhar. É o tipo de jogo que cada um seleciona que determina se ganha ou perde.

  • De acordo com um estudo, é mais perigoso o jogo online (apostas, poker, vídeo jogos) do que o jogo físico, por exemplo, casino. O jogador patológico é capaz de estar mais de 10 horas focado no jogo que selecionou para si e estar online facilita o comportamento repetitivo.
Referencias: "Your First Step To Change" 2nd Edition - Division on Addiction at Cambridge, Harvard Medical School, Massachusets Department Of Public Health

sábado, janeiro 20, 2018

Sinais dos tempos - a adicção aos videojogos


Desde os tempos mais remotos, o ser humano precisou de se alienar, de negar a realidade e adapta-la à sua vontade, de entrar em contacto com algo que o transcenda, precisou de “amortecedores” e “filtros” para se relacionar consigo próprio e os outros. Há vinte anos atrás, em Portugal, as adicções mais conhecidas eram as dependências de drogas ilícitas, vulgo toxicodependência (termo em desuso), o alcoolismo e numa escala mais reduzida o Jogo patológico a dinheiro nos casinos. Na ultima década, as “velhas” adicções mantêm-se inalteráveis, com algumas mudanças (novas substancias psicoactivas ilícitas foram descobertas) e surgem as novas doenças do comportamento adictivo relacionados com a Internet (redes sociais, os videojogos e o jogo patológico online a dinheiro). Mais recentemente, surgiram noticias nos meios de comunicação social de que a Organização Mundial de Saúde decidiu que a adicção aos videojogos (comportamentos adictivos) será incluída na revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, previsto para 2018 cuja sigla é conhecida como CID. Significa que, brevemente, todos nós iremos ter acesso aos critérios de diagnostico da doença e a respetiva legislação. Costumo dizer que jogar está no nosso ADN: quem é que não gosta de jogar? Quem é que joga para perder? Talvez por isso os vídeos jogos sejam uma indústria milionária que gera milhões de euros em todo o mundo.

Enquanto aguardamos pela revisão do CID, podemos avançar com um dado importante sobre a adicção aos videojogos, indicador comum identificado também em todas as adicções, seja às substâncias psicoactivas do sistema nervoso central, vulgo drogas, incluindo o álcool ou os comportamentos (jogo patológico a dinheiro, sexo, compras, shoplifting/furto, perturbação do comportamento alimentar, dependência emocional). Este indicador encontra-se nas estruturas cerebrais envolvidas no prazer e recompensa (neurotransmissores) que comprometem seriamente a motivação, a memoria, a atenção/controlo. Simplificando, para que toda a gente perceba, umas pessoas mais do que outras, todos perdem o controlo do seu comportamento adictivo. A partir do momento em que a adicção é despoletada, o individuo revela-se incapaz de prever com exatidão as consequências do seu comportamento problema; consequências na saúde (física, mental e espiritual), na família, na escola/trabalho, justiça, questões económicas/financeiras.