Powered By Blogger
Mostrar mensagens com a etiqueta raiva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta raiva. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, junho 04, 2020

Seres imperfeitos



O ser humano precisa de proteger-se contra a sua própria humanidade imperfeita. A perfeição é um mito, que o ser humano persegue embriagado pela sua própria arrogância. Exigimos aos outros que sejam aquilo que nós não conseguimos ser, um reflexo das ilusões e imaginação. Este fenómeno, é uma fonte geradora de conflitos, competição desenfreada e guerra de egos e sexos. Por exemplo, porque é que ficamos tão ofendidos, com a mentira alheia, quando nós próprios também mentimos? Por um conjunto complexo de factores e contextos sociais, sofremos algumas desilusões por parte de pessoas significativas, mas nós também já desiludimos outras.
 O talento que dispomos, não serve para nos contentarmos com aquilo que já atingimos ou concluímos. Lá porque alcançarmos o "estatuto" ou o mérito, isso não significa que o trabalho tenha acabado. Podemos estar no caminho certo, mas precisamos de continuar a explorar, humildemente, o universo do autoconhecimento.

sexta-feira, abril 26, 2019

130ª Dica Arte Bem Viver - Mudança de comportamentos




Olá,
Dê as boas vindas à mudança, mas antes pense no seguinte. Olhe à sua volta, preste atenção e irá constatar que pessoas e coisas à sua volta estão em mudança. O próprio universo, desde as mais pequenas partículas às mais de 500 biliões de galáxias, incluindo o planeta Terra, tudo está em movimento.  Todavia, este princípio, nos seres humanos é diferente, não se aplica à forma como nos comportamos e sentimos, mesmo naquelas situações que colocam em causa, e/ou em perigo, a nossa felicidade e até a nossa saúde. Nós resistimos à mudança; essa é a nossa opção.

Segundo alguns estudos, o nosso cérebro é extremamente eficiente em nos recordar sobre as mais diversas maneiras como reagimos a determinados acontecimentos. Da mesma forma, o cérebro é igualmente eficiente em nos fornecer sugestões para as mais diversas situações. Isto é, perante determinadas acontecimentos e/ou situações reagimos de acordo com determinados padrões armazenados, que consideramos mais proveitosos. Este tipo de padrão revela-se útil, quando precisamos de tomar as devidas precauções, por exemplo, como evitar uma longa fila de trânsito, na auto-estrada, escolhendo uma estrada secundária com menos trânsito? Mas o mesmo padrão pode revelar-se prejudicial, quando sugere que façamos resistência à mudança, por exemplo, a algumas rotinas ou hábitos prejudiciais ou perigosos.

quarta-feira, janeiro 24, 2018

Abecedário da Recuperação dos Comportamentos Adictivos




  • Comportamentos Adictivos 2018
Abecedário da Recuperação. As palavras são poderosas e mudam as pessoas.
Abraços
Brindar
Convicções
Despertar
Espiritualidade
Felicidade
Genuinidade
Historia
Identidade
Justiça
Limites nas relações
Meditação
Nós
Objetivos
Poder superior, conforme cada um o concebe
Qualidade
Resiliência
Sentimentos
Tolerância
União
Voluntariado
Zelo


  • Caso você pretenda acrescentar algumas das suas palavras, ao ABC da recuperação envie email para xx.joao@gmail.com com as palavras ABC da recuperação no assunto da mensagem. Bem haja

quarta-feira, agosto 30, 2017

O poder da escolha pessoal



  • «Estou cansado de chorar,
  • Estou cansado de gritar,
  • Estou cansado de estar triste,
  • Estou cansado de fazer de fingir,
  • Estou cansado de estar só,
  • Estou cansado de estar zangado,
  • Estou cansado de sentir que estou louco,
  • Estou cansado de sentir que estou preso,
  • Estou cansado de sentir que preciso de ajuda,
  • Estou cansado de saber o que tenho que fazer,
  • Estou cansado de perder oportunidades,
  • Estou cansado de sentir que sou diferente,
  • Estou cansado de perder pessoas,
  • Estou cansado de sentir que não tenho valor,
  • Estou cansado de sentir um vazio dentro de mim,
  • Estou cansado de sentir que não consigo libertar-me,
  • Estou cansado de pensar que gostava de voltar atrás e começar tudo outra vez,
  • Estou cansado com a vida, que gostava, mas que nunca irei ter,
  • Acima de tudo, estou cansado de estar cansado.» Autor anónimo

Este texto reflete um rol de problemas na vida do individuo. Reflete a frustração, a desilusão, o remorso e a ausência de esperança. Reflete a impotência, característica daqueles que sofrem sintomas (físicos e psicológicos) da adicção activa, seja a substâncias psicoactivas do sistema nervoso central, vulgo drogas lícitas e/ou ilíctas, seja a comportamentos adictivos (jogo, compras, sexo, dependência emocional, internet/redes sociais, perturbação do comportamento alimentar). A impotência, incapacidade do individuo em controlar a adicção, é por si só uma fonte inesgotável de dor e sofrimento.

quarta-feira, maio 10, 2017

88ª Dica Arte Bem Viver (reeditada)



Olá,
A importância do reconhecimento nos relacionamentos de intimidade. Todos nós almejamos o reconhecimento uns dos outros, em especial daqueles que desenvolvemos uma relação de intimidade.
Reconhecimento implica você valorizar e apreciar os aspetos positivos da relação/parceiro/a; em vez de centrar nas diferenças, nos defeitos de caracter e nos problemas, centra-se nas semelhanças, nas qualidades e nas soluções. Como sabemos, é mais fácil dizer do que fazer, porque na realidade, desde muito cedo, nas nossas vidas, aprendemos a desenvolver um exagerado sentido crítico em relação aos defeitos dos outros, isto é, funciona como um mecanismo de defesa que nos mantém alerta sobre o que pode correr mal e assim inviabilizar a relação; preparamo-nos para o pior, para não sermos surpreendidos ou dizendo de outra maneira «o ataque é a melhor defesa».

Quanto mais você se centrar nos aspetos negativos do seu parceiro/a, com o intuito de melhorar o comportamento dele/a, recorrendo á crítica excessiva, mais ele/a se sente avaliado e menos aceite, tal como é. Ninguém gosta da falta de reconhecimento e de ser sujeito à critica. Não estou a dizer que não devemos criticar o outro, pelo contrario, seria impensavel não haver critica ou conflitos numa relação de intimidade; os conflitos permitem que as pessoas evoluam e se adaptem umas às outras. Todavia, a critica excessiva, com o intuito de «deitar abaixo» poderá originar conflitos duradouros e corroer a confiança na relação de intimidade através da agressividade, raiva e ressentimento, desconfiança, indiferença. Se você está numa relação de intimidade o objetivo fundamental é legitimar e valorizar os aspetos positivos do seu parceiro/a, caso contrario, pode estar a deteriorar a relação.

Recorde-se do seguinte, aquilo que você valorizar, seja os aspetos positivos ou negativos do seu parceiro/a, acaba por se tornar o centro da sua atenção; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.
  • Identifique características inesperadas e menos obvias no seu parceiro/a. Em conjunto com o seu parceiro, e envolvam-se em atividades, fora das rotinas e obrigações do dia a dia.
  • Elogie o seu parceiro, pelo sorriso, pela boa disposição, pelo carinho, pela disponibilidade, pela confiança mutua que nutrem um pelo outro, pelo afeto em vez da critica excessiva.
  • Seja criativo/a no elogio em vez de na critica.
  • Como é que você obtém reconhecimento do seu parceiro/a? e vice-versa? Precisamos do reconhecimento social afim de florescermos e desenvolvermos uma musculatura emocional resiliente, com esperança. 
Votos de uma semana de reconhecimento mutuo.

Cumprimentos

Nota: caso você esteja interessado/a em receber a dica, na sua caixa de correio electrónico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e escreva Dica Arte Bem Viver no assunto da mensagem . Todos os seus dados são confidenciais. Bem haja

quarta-feira, março 29, 2017

As justificações e racionalizações mais engenhosas e os super poderes




«A recuperação começa quando interrompemos as desculpas frequentes e iniciamos a mudança de atitudes e comportamentos» Detox Concierge, April Grisham
Os Comportamentos Aditivos (sexo, jogo, shoplifting, dependência de drogas, abuso do álcool, compras, trabalho, dependência emocional, distúrbio alimentar) na sua génese caracterizam-se pela perda do controle do comportamento (padrão de insanidade/crises exacerbadas), esforços repetitivos para interromper o comportamento compulsivo/problema (e as consequências negativas) falham repetitivamente. Qualquer pessoa, independentemente do seu estatuto social, pode desenvolver a compulsão, padrão repetitivo, associado aos comportamentos adictivos. Algumas pessoas mais vulneráveis, apresentam a adicção cruzada (comorbilidade) desenvolvem várias adicções; por exemplo, jogo patológico e a dependência de drogas/abuso de álcool, dependência emocional e a dependência de drogas, lícitas (medicação sujeita a receita medica – benzodiazepinas), distúrbio alimentar e a dependência de drogas/abuso de álcool.  Quando contemplamos a compulsão e a perda de controlo, no tratamento da adicção, precisamos também de contemplar, o contexto social (fatores/forças externas) em que o individuo está inserido, assim como o seu percurso de vida, através de rotinas, sistema de crenças, hábitos e relacionamento com pessoas. Na adicção activa, o dia-a-dia, do individuo gira em torno da compulsão e da perda do controlo. É um processo insidioso de tentativas frustradas, angustias, de interrupções temporárias, de justificações, autoengano e frustração, alibis geradores de ansiedade, angustia, depressão e isolamento (segredos) onde também podemos acrescentar problemas familiares, de saúde, profissionais e problemas em outras obrigações sociais. De notar, que este mecanismo psicológico de defesa de justificações, racionalizações e desculpas não é identificado, unicamente, no individuo adicto, o ser humano, ao longo da vida, também adota esta abordagem diante alguns problemas mais complexos. Todavia, quando se trata da recuperação da adicção isso implica identificar esse sistema de crenças, hábitos, rotinas e encontrar motivação para mudar de atitudes e comportamentos.  Perante a adversidade, se o silencio (incapacidade de abordar o comportamento problema) é sinonimo de negação ou vergonha, são necessárias medidas honestas e concretas a fim de quebrar o processo repetitivo e compulsivo. 

Possuímos super poderes, por vezes ocultos, que aguardam para ser despertados

Seja qual for o comportamento adictivo, hoje sabemos que existe a esperança quanto ao tratamento, é possível interromper a progressão da adicção activa e iniciar a recuperação. O conceito de recuperação, a que faço questão, está intrinsecamente relacionado com um estilo de vida mais gratificante e pleno, através da mudança de atitudes e comportamentos (sistema de crenças negativas, tomada de consciência, relações de ajuda). Recuperação consiste no desenvolvimento de uma atitude proactiva ( o individuo é o agente de mudança), na re-aprendizagem de competências, na possibilidade de materializar sonhos/ambições pessoais e relacionamentos com outras pessoas que de outra forma jamais seria possível concretizar. A natureza da evolução humana concedeu-nos um sentido (instinto) que perante a adversidade nos impele a agir e a reagir (exemplo, sobrevivência) e nesse sentido, podemos utilizar este recurso na aceitação, na honestidade e na motivação necessários para enfrentar a compulsão da adicção. Ao longo de duas décadas em trabalhar na área dos comportamentos adictivos, acompanhei, até à data de hoje, aproximadamente 1000 indivíduos e confirmo, todos são unânimes em afirmar, de acordo com o seu instinto, que 1. Estão em sofrimento devido à adicção 2. Desejam interromper o comportamento problemático/compulsão 3. É necessário a mudança de atitudes e comportamentos 4. E precisam de esperança. 

sexta-feira, março 13, 2015

Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança.


O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam, o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua, mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos, desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que poderia acontecer.
Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte encontrei Famílias Anónimas (FA)[i]. Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões, foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga para falar.
Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi através deste programa de 12 passos[ii], que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais voltar a ter.
Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA. 
Um abraço
Suzete  




[i] As Famílias Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro grupo fundado no final dos anos 50 ), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes grupos, de homens e mulheres, São considerados uma referência internacional na recuperação (novos estilos de vida) da adicção.
[ii] 12 Passos são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Família Anónimos, etc.).

Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.


quarta-feira, dezembro 10, 2014

Devemos viver no presente ou precisamos de contemplar o passado?


Gestão da dor e do conflito: Devemos viver no presente ou precisamos de contemplar o passado?
Durante os momentos mais atribulados do devir, optar por viver no momento presente, pode revelar-se uma excelente escolha. Reduz e atenua a intensidade dos pensamentos bizarros e o estado de alerta excessivo (medo); lixo toxico e inútil.

Diante a adversidade, da dor, do conflito, da impotência, quando tudo o resto falha, após múltiplas tentativas sem sucesso para encontrar a solução ou o alívio imediato, resta-nos concentrar todas as nossas competências cognitivas, emocionais e espirituais no momento presente – aqui-e-agora.

Viver no presente não significa ignorar os problemas, ser irresponsável ou revelar falta de determinação. Significa perspectivar, seleccionar e optar pelos pensamentos construtivos aumentando assim o leque de escolhas viáveis e positivas.
Estamos a cismar sobre aquilo que devíamos ou tínhamos ter feito? Com que frequência você utiliza as palavras; 1. devia ou 2. tinha, sem que obtenha um resultado esclarecedor ou apaziguador sobre o problema? Isto é, você utiliza o devia e o tinha somente para se punir ou castigar? Se a resposta é sim, opte concentrar o pensamento no aqui-e-agora.


Se você está a atravessar uma fase dolorosa da sua vida e após sucessivas tentativas para modificar a situação falharem, quando não restarem mais opções, especular sobre o passado ou futuro é uma perda de tempo e energia. Opte por viver um dia de cada vez, aqui-e-agora.

sexta-feira, março 28, 2014

Como é que posso mudar o meu parceiro?



Relacionamentos de intimidade e a adicção: Como é que posso mudar o meu parceiro que está doente? Não pode, mas pode mudar o seu comportamento e as dinâmicas da relação.

Ao contrário daquilo que se pode pensar, a maior grande parte dos indivíduos dependentes de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, ou comportamentos adictivos, por exemplo, jogadores compulsivos e adictos ao sexo não são pessoas que vivem isolados da sociedade, não são sem-abrigo, não estão todos hospitalizados ou internados em centros de tratamento, pelo contrário, têm as suas esposas/maridos, famílias e filhos, carreiras profissionais, e apesar do estigma e da negação, são indivíduos activos no trabalho e mais ou menos integrados na sociedade. Por falta de informação sobre a adicção e o impacto na família e na comunidade (sociedade) temos a tendência para negar as evidências; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.

São homens e mulheres adictos que têm os seus parceiros; namorados/as ou esposas/maridos. Na maioria dos casos, as esposas/maridos e/ou namorados/as sabem da existência do problema no parceiro/a, ou pelo menos, apesar de falta de conhecimento ou informação, têm a consciência de que algo não está bem e que é preciso mudar. Infelizmente, devido à complexidade dos relacionamentos e da adicção não sabem como faze-lo, por causa de vários factores. Um deles é gerarem vínculos que reforçam os seus papéis de zeladores e cuidadores. Isto é, assumem o poder e a responsabilidade de zelar pelo parceiro/a. Eles e elas adaptam as suas rotinas do dia-a-dia às vicissitudes e à adversidade (comportamento problema) relacionada com o impacto da adicção na relação, vivendo num estado eminente de ambivalência, alerta e preocupação. Afinal, no universo das relações, quem é que não tem problemas sobre o comportamento do marido? Da esposa? Do namorado? Da namorada? Todos nós. Contudo, nesta situação especifica da adicção, o problema, para além de se agravar e afectar gravemente os afectos, paradoxalmente, também pode ser atenuado, compreendido e/ou resolvido. A questão é: Como.

segunda-feira, maio 28, 2012

Dica: Recuperação dos comportamentos adictivos



Recuperar da Adicção envolve sentimentos, nesse sentido, você precisa de reaprender novas competências e recursos de forma a identificar e a expressar os sentimentos (pensamentos-sentimentos-comportamentos). Ao contrário daquilo que possa sentir, não são os sentimentos que determinam que tipo de pessoa é; são as suas decisões, das quais você é o único responsável, para o bem ou para o mal. Não são os sentimentos de definem o caracter, mas o resultado das ações. Por exemplo, qual é o seu ídolo? Mestre? Mentor? Herói? O que é que você admira nessa pessoa? São os sentimentos privados dessa pessoa ou aquilo que ele/a é e faz? Na realidade, você não conhece essa pessoa na intimidade.  

 Durante a adicção ativa (circulo adictivo) recorre-se às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e os fármacos, e as ilícitas ou aos comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras, furto, codependência e distúrbio alimentar) para “fugir/adormecer” os sentimentos dolorosos – dor e a compulsão é direcionada para a obtenção do prazer/gratificação. Os fins justificam os meios. “Só mais uma, desta vez vai ser diferente…”

Sentimentos Vs. Resultados
Em recuperação faça uma monitorização, a mais honesto possível, dos seus sentimentos, em particular da raiva. Esteja atento/a aos seus impulsos (hábitos e rotinas) aos seus pensamentos irracionais (padrões antigos de julgar as situações e as pessoas). Por exemplo; se você está irritado/a encara um conflito de uma maneira; se está confiante encara o conflito de maneira diferente. Não existe absolutamente problema nenhum, caso você sinta raiva, é humano haver conflitos entre pessoas, principalmente quando se sente frustrado, magoado, desiludido, enganado e/ou injustiçado. Todavia, como você sabe, a raiva é uma energia muito poderosa, que precisa de ser monitorizada e direcionada para algo construtivo. Por exemplo, quando você estiver em raiva (energia poderosa) precisa de pensar no tipo de decisões que pretende fazer e os resultados que pretende atingir, de forma a não cometer os mesmos erros à espera de resultados diferentes. 

Dois tipos de decisões:
A. Decisões relevantes que podem gerar resultados construtivos e positivos;
B. Decisões, menos relevantes, podem gerar resultados negativos e indesejados, capazes de gerar sentimento de culpa, vergonha e inadequação, impotência, mais raiva, auto piedade e isolamento social.
Aprenda a utilizar as situações dolorosas (sentimentos) como catalisador para o seu crescimento emocional/espiritual (não religioso, sem dogmas e/ou divindades), em vez de ser gerador de mais problemas. É através do sentimentos que conseguimos ser criativos, intuitivos e resilientes, porque permite-nos atribuir ao rumo da vida, o propósito e sentido que entendermos e que melhor se adapta às nossas próprias necessidades.
No processo de adaptação à adversidade e à mudança atribua à dor um novo e diferente significado: 1. Identifique os seus sentimentos, não seja demasiado crítico em relação aos sentimentos dos outros. 2. Não coloque rótulos/julgamentos por sentir raiva “Sou assim, porque o meu pai também era”. 3. Não seja demasiado rígido e/ou não tire conclusões precipitadas. 4. Tente interpretar os seus pensamentos (padrões antigos de julgar, de defesa, de reagir perante o perigo eminente – erros cognitivos) que desencadeiam os sentimentos dolorosos.

Faça esta pergunta a si mesmo quando estiver a sentir raiva. "Qual é a fonte desta raiva? O que é que pretendo fazer que seja relevante e construtivo em vez de destrutivo e gerador de culpa e vergonha?
Na vida as coisas têm a importância (atenção) que nós lhes damos. Na gestão construtiva da raiva o mais importante não é aquilo que sentimos; mas aquilo que fazemos (ações- comportamentos) com os sentimentos de forma a atingir os nossos objectivos.
.
Caso não esteja a conseguir obter resultados que pretende peça ajuda. Envie um email para xx.joao@gmail.com



segunda-feira, abril 20, 2009

Não, a mais odiada vs. abençoada palavra nos encontros interpessoais



Não - é a palavra que mais detestamos ouvir quando somos contrariados e assim impedidos de satisfazer a nossa vontade. Desde a tenra idade até à idade adulta odiamos ouvir o Não. Recorremos à manipulação, à desonestidade, à mentira, à culpa e até em situações extremas à violência verbal (intimidação) e/ou física de forma a evitar ouvir o Não da outra pessoa. Na maioria das vezes, é preciso “pressionar” os nossos neurónios para aceitar o Não e continuar com a vida em frente.
Como é que nos sentimos quando estamos a comunicar e precisamos de dizer Não, de forma a satisfazer as nossas necessidades, mas infelizmente, acabamos por dizer; Sim, só para agradar?

Todos nós, sem excepção, no dia-a-dia somos confrontados com situações onde é extremamente difícil dizer Não à outra pessoa ou a um grupo de pessoas. Por ex. combinar um jantar com uns amigos num dia, umas horas depois, você é convidado para jantar em casa dos pais. O patrão pede para ficar umas horas extra no trabalho, quando nesse dia, você tem outros planos para essa noite. Um professor solícito pede apoio, para um trabalho extra de investigação, e você está sem tempo disponível. Você comprou uma camisola e de repente surge uma amiga e diz “Epá, a tua camisola é muito gira! Podias emprestar. Vá lá!” ou alguém que “implora” que o acompanhe a qualquer sítio, e você não está na disposição para tal.

Se você frequentemente se sente pressionado e desconfortável, e em vez de ser assertivo, é agradador e passivo, acabando por sentir-se infeliz e inseguro, então chegou a altura da sua vida para se questionar e procurar as razões e as crenças (expectativas disfuncionais) pela qual diz Sim - sempre com um sorriso amarelo ou o oposto, com um ar de miserável (pena de si mesmo) - quando na realidade quer dizer Não.

Pode recear perder alguém se disser Não, por ex. o namorado/a ou o amor do marido/mulher, sentir que pode afectar a relação negativamente gerando uma discussão enorme entre si e o seu parceiro/a. Pode perder um amigo ou uma amiga. Pode até pensar que as outras pessoas não vão gostar mais de si, se disser –  Não - e sentir-se rejeitado. Fugindo ao Não acaba por assumir uma postura de zelador (pacificador, agradador a qualquer custo) e complacente (adapta-se e molda-se aquilo que pensa/calcula que os outros pensam de si) mantendo a relação frágil e dependente. Evita, a qualquer “preço”, que a relação se submeta às adversidades normais, oriundas das diferenças de opinião entre parceiros ou amigos, histórias e perfis diferentes, etc.

Com o tempo, você acaba frustrado e desiludido, porque na realidade não existem pessoas e relações perfeitas. Afinal, somos humanos e a vida é uma aprendizagem constante. No nosso quotidiano, acontece com mais frequência do que nós imaginamos, ficarmos desiludidos com as outras pessoas, mas nós também desiludimos os outros.

Você tal como imensas pessoas, podem sentir culpadas quando dizem Não, por terem aprendido a evitar seguir o seu próprio caminho na vida, evitando assim magoar as emoções dos outros, você sentir que é um fardo pesado. Nesse sentido, estão criadas as condições para acabar por se sentir responsável pelas emoções das outras pessoas, como se a felicidade delas depende-se da sua necessidade de agradar.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Não acontece só aos outros



Estas imagens ilustram na perfeição a escalada de comportamento violento até à explosão, no local de trabalho, que também se pode transpor para casa (lar por ex. violência domestica).
A raiva reprimida (ira), a atitude passiva e manipuladora podem conduzir a este tipo de comportamento explosivo. A raiva reprimida pode ser aqui ilustrada atraves de um "vulcão". Antes de o vulcão entrar em erupção toda aquela energia contida e reprimida aguarda a sua "oportunidade" para se libertar e gerar o caos à sua volta.
Mais uma vez é realmente relevante identificar os nossos sentimentos de forma a prevenir a impulsividade e a explosão caótica.

sexta-feira, agosto 15, 2008

Modelo teórico sobre a frustração e raiva e os factores de risco da recaída no alcoolismo



Este modelo teórico ilustra um cenário realista de um alcoólico em recuperação / abstinência se confronta perante a adversidade:
(A) Ao enfrentar, identificar e gerir os sentimentos desconfortáveis e dolorosos (ex. Raiva e frustração) apresentam-se dois cenarios/respostas possíveis à adversidade
Numa resposta o alcoólico (B) desenvolve o seu sentido de auto-eficácia (talentos e competências) na gestão dos suas emoções, na outra (C) o alcoolico diminui significativamente o seu sentido de auto-eficácia, apresentando grande risco de ingestão até à intoxicação compulsiva de alcool (binge drinking)

A. Problema: Frustração e Raiva (adversidade)

B. Resposta assertiva, 
Aumento da auto-eficácia e resiliência,
Diminuição da probabilidade de ingestão de álcool,
A abstinencia do alcool permanece como prioridade.

C. O alcoolico não possui uma resposta, não possui um plano para enfrentar as emoções,
Diminuição da auto-eficácia e desenvolve uma expectativa em relação aos efeitos positivos da bebida
Ingestão da bebida e fim da abstinência.

Efeitos possiveis da violação da abstinência: Inicio das fantasias disfarçadas de poder e/ou comportamento agressivo evidente e continuo,
Atribuição de comportamento disfuncional em relação ao álcool e diminuição da auto-eficácia,
Aumenta o risco de ingestão de álcool.



Referencia: “Determinants of Relapse: Implications for the Maintenance of Behavior Change”.
A.G.Marlatt e J. R. Gordon, in Behavioral Medicine: Changing Health Lifestyles (p.430). editado por P.O. Davidson e S.M. Davidson, New York: Brunner/Mazel, 1980














domingo, agosto 10, 2008

Fases do sentimento de raiva



Sentimento de raiva
Como é sabido a gestão construtiva das emoções é uma área essencial na recuperação duradoura de qualquer tipo de adicção. È humano fugir das emoções desconfortáveis e desejar negar esses ciclos dolorosos. Já ouvi varias pessoas afirmarem, indignadas, “Raiva, eu?!... raiva tem os cães ...”

Durante a infância e a adolescência não aprendemos a identificar e a gerir os sentimentos, assim como não existe uma linguagem emocional unica (comunicação honesta e assertiva) entre a maioria das pessoas. Todavia ao longo da nossa existência desenvolvemos crenças, atitudes e comportamentos que nos permitem adquirir a experiência e a aprendizagem necessária sobre as nossas emoções desconfortáveis e dolorosas, nesse sentido a vida encarregar-se-a de despoletar estes mecanismos de sobrevivência. Alguns das atitudes que adoptamos não são os mais construtivos e recompensadores a médio e longo prazo. Muitos adictos/as a substâncias (drogas lícitas, inlcuindo o alcool, e ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, relações, sexo, trabalho patológico, compras compulsivas, disturbio alimentar, recorrem a mecanismos de “sobrevivência” para adormecer, entorpecer, fugir, reprimir ou controlar as emoções desconfortáveis e dolorosas. 

Através da recuperação duradoura aprende-se a sentir. È ok sentir as emoções sem “bengalas” ou outro tipo de auxiliares disfuncionais. Estamos vivos, sensíveis e activos. Entregamos e deixamos os sentimentos se manifestarem é um processo de auto conhecimento e de auto valorização do nosso interior, profundo e misterioso.
O sentimento de raiva é extremamente poderoso e importante. A gestão da raiva pode ser o problema psicológico mais conhecido na nossa época. Precisamos de saber mais sobre a sua essência.
Gostaria de referir três fases do sentimento de raiva

1 Fase. Sentir raiva quando provocado. Se alguém nos ofende ou magoa sentimos raiva. É uma emoção instintiva ou reflexiva (reactiva) que é extremamente difícil controlar.

2 Fase. É a reacção ao sentimento de raiva. Quando ofendidos, podemos morder os lábios e não dizer nada. Podemos fazer uma critica, podemos explodir, podemos empurrar e protestar. Embora não tenhamos a capacidade de controlar o sentimento de raiva podemos adquirir controlo sobre as reacções (atitudes e comportamentos).

3 Fase. Retenção e reprimir a raiva. Sabemos que não controlamos o sentimento de raiva, quando somos provocados, mas durante quanto tempo iremos conseguiremos reprimir? Quantos minutos? Quantos meses? Quinze anos?

Por conformidade, refiro a Fase 1 Sentir a raiva; a Fase 2 A raiva intensa e a Fase 3 Ressentimento.

Em muitas situações sentir a raiva conduz à raiva intensa. Os adictos/as aparentam ter um particular dificuldade em reagir à raiva, mesmo que não estejam sob a influencia de substâncias psicoactivas. É obvio quando o seu auto controlo foi enfraquecido/afectado pelos químicos e/ou comportamentos adictivos e assim desencadear a raiva intensa de uma forma desproporcionada e empolada. Na fantasia de alguns adictos parecem pensar que o mundo é injusto e está contra eles, sentem-se vitimizados e sentem raiva de toda a gente, incluindo de Deus, conforme cada um O concebe (Poder superior). Afirmam "Porque eu?" ou "Porque a mim?Parece existir uma distorção das suas percepções em relação à realidade.

terça-feira, abril 15, 2008

"A nossa vida é assim tão simples?"










A nossa vida é asssim tão simples!?
Uma noite, um velho índio Cherokee contou ao seu neto sobre uma batalha que acontece todos os dias dentro das pessoas.
Ele disse:- Meu filho, a batalha é entre dois lobos dentro de todos nós.
Um é mau: é a raiva, a inveja, o ciúme, a tristeza, o desgosto, a arrogância, a pena de si mesmo, a culpa, o ressentimento, a inferioridade, as mentiras, a superioridade.
O outro é bom: é a alegria, a paz, a esperança, a serenidade, a bondade, a benevolência, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.
O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu avô:- Qual o lobo que vence? O velho Cherokee simplesmente respondeu:
- O que tu alimentas.

Comentário: Recebi este pequeno texto num e-mail e adequa-se ao proposito do nosso blog.



Para aqueles que recuperam de comportamentos adictivos e que já experimentaram no seu passado activo (historia de vida) ou no seu dia-a-dia o impacto negativo do ressentimento vale a pena tornar as coisas simples.
Senão vejamos os prós e os contra. O ressentimento molda e interfere negativamente a nossa visão de uma vida satisfatória e plena.
Limita-nos nas escolhas e impede-nos de relacionar com os outros.
Ficamos defensivos, desconfiados e sozinhos. Tenho acompanhado adictos/as que na sua senda de liberdade e autonomia buscam a libertação do sofrimento “barato”, aquele que só nos prejudica e que as vezes sem nos darmos conta “cultivamos”, como se "lenha para o lume se tratasse".


Já pensaram que a energia negativa do ressentimento poderá ser equiparada a um vulcão “adormecido”?! O que acontece a um vulcão que está adormecido antes da sua erupção abrupta? A sua energia encontra-se contida, todavia está em ebulição, até ao dia que o vulcão inicia a sua actividade – explodindo e semeando o caos e a destruição.


È importante valorizar-mos as nossas emoções, mesmos aquelas que nos magoam e que nos fazem sofrer.


Recuperar dos comportamentos adictivos é sentir, mesmo a dor, a separação, a perda, a frustração e a desilusão, etc. A adicção activa “adormece” e/ou reprime as nossas genuínas e valiosas emoções. Tornamo-nos básicos e “animais” irracionais (impulsivos, reactivos, intolerantes, confusos, ressentidos, etc).


Por isso, vamos identificar quais são realmente as nossas emoções - as que estão à superfície e aquelas que estão escondidas no âmago do “vulcão” inactivo.


E tal como o velho índio vamos alimentar e valorizar as emoções que enaltecem a nossa existência, a relação com o nosso poder Superior e as nossas relações. Quebrando as “amarras”, os preconceitos e valores disfuncionais impostos pela nossa cultura e tradição.
Neste caminho somos livres e fortes...

sábado, outubro 20, 2007

Perdoar vs. Ressentir



Perdoar é um factor imprescindível nas relações significativas que são afectadas pelas consequências negativas da adicção activa (ex. família ).
Um dia ouvi alguém afirmar que o ressentimento é um dos bloqueios à espiritualidade (não religioso sem dogmas e divindades) da recuperação da adicção (substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, as ilícitas, o jogo, e sexo, o disturbio alimentar, relacionamento de dependencia - codependendencia, o shopaholics - compras, shoplifting - furto). O ressentimento é como uma “ferida aberta" interna que afecta o discernimento (consciência), capacidade de ser responsável, honesto e de tomar decisões positivas que proporcionem qualidade de vida. Turvam a nossa visão da reconciliação do presente e do futuro.

È do conhecimento geral que a adicção activa implica sofrimento e afecta significativamente os vínculos entre as pessoas; "enfraquece-as". Sabemos que durante a adicção activa, directa ou indirectamente, TODOS sofrem os efeitos das consequências negativas. O equilibrio das relações é colocado em causa, assim como os papeis e os limites tornam-se disfuncionais e desestruturados. Afecta a comunicação e as pessoas magoam-se mutuamente . O ambiente familiar degrada-se e a confiança desaparece dando lugar á desconfiança, ao medo à raiva e ressentimento, à vergonha e à culpa. Numa fase avançada da adicção activa toda a família fica doente, passa a ser uma doença de família. Utilizando a metáfora da fruteira; “Se uma maça apodrece, passados uns dias todas as outras maçãs ficam podres.” Participei em inúmeros programas direccionados para a família e ouvi esta expressão vezes sem conta.

O meu objectivo com este post não é reforçar a culpa, pelo contrario, afirmando que alguém seja 100 por cento perfeito, no processo de perdoar. Como humanos podemos faze-lo atraves de um processo de avanços e recuos. È isto que é indispensável para aqueles que estão em abstinência / recuperação, assim como para os membros de família.

terça-feira, agosto 07, 2007

A Raiva e as Dinâmicas


O problema da Raiva: Algumas Definições
Generalizando, a Raiva é um sentimento que varia entre a irritação suave, à raiva e à fúria (ódio) intensa.
A Raiva é uma resposta natural aquelas situações em que nos sentimos ameaçados, que nos vão magoar ou em que alguém significativo, de uma maneira gratuita e/ou sem fundamento. Sentimos raiva quando alguém nos engana e sentimos injustiçados por isso. Podemos ficar em Raiva quando, por ex. uma criança ou alguém significativo é ameaçado e/ou magoado. Podemos concluir que a Raiva pode ser uma resposta à frustração quando as nossas necessidades, os nossos desejos ou objectivos não são atingidos.


Quando ficamos com Raiva, podemos perder a paciência e agir de uma maneira impulsiva, agressiva ou violenta (irracional). A maioria das pessoas têm a tendência para confundir a Raiva com a agressão e/ou assertividade. Agressão é um tipo de comportamento/impulso intencional que pode causar danos graves nas outras pessoas (vitimas) e/ou destrói-se bens. Este comportamento pode envolver abuso verbal, emocional ameaças e ou actos violentos.


Um termo relacionado com a Raiva e a agressão é a hostilidade. A hostilidade refere-se a um conjunto de atitudes e julgamentos (crenças) que são a motivação para comportamentos agressivos. Enquanto a Raiva é uma emoção a agressão é um tipo de comportamento. A hostilidade é uma atitude que envolve julgar e criticar as outras pessoas de uma forma negativa, onde se manifesta aversão e descontentamento em relação aos outros.



Quando É Que A Raiva Se Torna Um Problema?
Qualquer ser humano sente raiva (sentimento), sentir raiva é OK. Faz parte das nossos sentimentos. A Raiva torna-se um problema quando é sentida de uma forma intensa e/ou reprimida. Quando é sentida de uma forma frequente e expressa de uma maneira inapropriada, por ex. agressividade, intimidação. Sentir raiva de uma forma intensa e frequente provoca extrema tensão física no corpo. Quando sentida de uma forma prolongada, em episódios frequentes, certas divisões do sistema nervoso central ficam altamente activas. Consequentemente, o ritmo cardíaco e a pressão arterial aumentam e permanecem elevadas durante longos períodos de tempo. Este tipo de stress no corpo resulta em diferentes tipos de problemas de saúde. Evitar a doença física é um factor, por si só, motivador para aprender a gerir a raiva construtivamente.