sexta-feira, agosto 31, 2007

Historia de Sabedoria


Os Três Leões

Numa floresta havia três leões. Um dia, o macaco, representante eleito dos animais, fez uma reunião com toda a bicharada e disse: - “ Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma duvida no ar; existem três leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem?" Os três leões souberam da reunião e comentaram entre si; “ É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter três reis, precisamos de saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir?” Essa era a grande questão; lutar entre si, eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado. De novo, todos os animais reuniram-se para discutir uma solução para o caso, até que, mais tarde, tiveram uma ideia excelente. O macaco encontrou-se com os três felinos e contou o que eles decidiram; “Bem, senhores leões, encontramos uma solução para o problema. A solução está na Montanha Difícil.”
Montanha Difícil?! Como assim?!
É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês os três devem escalar a Montanha Difícil. Aquele que atingir o pico primeiro lugar será consagrado o rei.
Naquela imensa floresta, a Montanha Difícil era a mais alta entre todas, o desafio foi aceite. No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir à grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes. Afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os três foram derrotados? Foi nesse momento que uma águia sabia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra; “Eu sei quem deve ser o rei!!!!...” Todos os animais fizeram um silencio de grande expectativa.
A senhora sabe, mas como?” Todos gritaram para a águia.
É simples,” confessou a sabia águia, “Eu estava a voar entre eles, e quando eles voltaram derrotados para o vale, eu escutei que cada um deles disse para a montanha.
“O primeiro leão disse; Montanha, tu venceste-me!”
O segundo leão disse “ Montanha, tu venceste-me!”
O terceiro leão disse “Montanha, tu venceste-me, por enquanto! Mas, tu montanha, já atingiste o teu tamanho final, e eu ainda estou a crescer."
A diferença…”, completou a águia “ …é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e o que pensa assim é maior do que o seu problema; é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre reis.

Moral da historia:
Não importa o tamanho dos seus problemas ou dificuldades; os seus problemas pelo menos na maioria das vezes já atingiram o clímax, já estão no nível máximo – mas você não, ainda está a crescer.
Lembre-se do ditado:
“Não diga a Deus que tem um grande problema, mas diga ao problema, que tem um grande Deus”

quinta-feira, agosto 30, 2007

"O Dinheiro Também Fala"


Relacionamento individual com o dinheiro.
Ao longo da minha experiência profissional, considero importante para aqueles que estão em recuperação da adicção identificarem  crenças disfuncionais e/ou emoções dolorosas, muitas vezes inconscientes, sobre questões financeiras e económicas. Sabemos que durante o processo activo da adicção a drogas, incluindo o álcool, o jogo, o sexo, distúrbio alimentar, shoplifting - furto e shopaholics - compras uma das consequências mais significativas e dolorosas, na vida de um individuo, estão relacionado com a perda de controlo relativamente a uma gestão responsável dos seus recursos financeiros e a falta de autonomia, bem como a necessidade de viver dependente, do ponto de vista financeiro, de outras pessoas, por ex. a família.

Conheço casos de famílias que do ponto de vista financeiro, vivam acima da media alta, todavia durante o processo activo da adicção ficaram reduzidos a zero. Existem  um grande numero de pessoas que durante o seu passado tiveram experiências negativas com o dinheiro. Também é comum observarmos que em torno do dinheiro para haver negativismo, desconfiança, ressentimento e dor. Contudo sabemos que na realidade, o dinheiro é um recurso inofensivo e inocente. Segundo um perito financeiro americano Dick Wagner “ O dinheiro foi originalmente criado com base na generosidade e dignidade e não na ganância, no pânico ou dor”. Mas quando alguém tem emoções por resolver e desconfortáveis, normalmente age na defensiva, desconfiado e encontra dificuldades na relação com o dinheiro. Recordo um caso de um individuo, numa consulta, onde abordamos a questão do dinheiro e a sua reacção foi de surpresa e choque. Aparentemente era um assunto tabu, recheado de preconceitos, onde não contemplava partilhar sentimentos com as outras pessoas. Era um tema secreto. Acredito que o dinheiro ou a falta dele contribua para processos e dinâmicas relacionados com a recaída. Partilhar crenças e sentimentos, da forma mais honesta possível, proporcione uma perspectiva diferente sobre este tema tão importante e complexo.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Lidar Com a Vergonha Tóxica, segundo Melody Beatie


"Maneiras saudáveis de derrubar e enfrentar a vergonha tóxica. Mudança no sistema de crenças pessoais rígidas e do controlo baseadas na Vergonha (tóxica) por crenças baseadas no Amor-próprio e na Auto aceitação.

O sistema de crenças pessoais rígidas e controladoras da vergonha tóxica reforça os nossas atitudes e comportamentos; no dia-a-dia agimos de acordo com essas mesmas crenças disfuncionais de uma forma subtil baseadas na crença interior que aquilo que somos e fazemos não é “normal” e OK. Pelo contrario, somos “anormais”, indesejáveis e diferente os outros (estigma, preconceito e estereotipo).

Através da recuperação da adicção activa, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto o adicto  aprende novos conceitos e decide quem realmente é. Aprende a amar e a ser amado, aceita-se de uma forma incondicional. Quando comete erros aprende a separar os sentimentos e o comportamento da sua própria identidade. 

Segundo Melody Beattie, aquilo que fizemos (comportamento) pode não ser OK., mas nós (pessoa única e singular) somos OK. Podemos decidir fazer algo diferente para corrigir esse padrão de comportamento disfuncional. Este é o objectivo básico em recuperação, é a essência dos programas de 12 Passos(1) e é o que o programa de recuperação dos 12 passos pode fazer por nós próprios.

Ao longo da vida, adquirimos um código moral que nos informa, no dia-a-dia, se estamos a violar ou não esse código de valores. Todavia, em recuperação adoptamos um novo sistema de crenças saudáveis e construtivas, através dos 12 Passos ( http://en.wikipedia.org/wiki/Twelve-step_program ) mantendo um contacto com o nosso poder Superior,(conceito individual imaterial não religioso sem dogmas e divindades). Este novo e realista sistema de crenças reforça a confiança e a auto-aceitação, bem como a relação com as outras pessoas. Somos pessoas OK e esta realidade é reforçada, através da aprendizagem com os erros  e da monitorização honesta dos comportamentos, em vez da busca da perfeição e da ilusão. Em recuperação, inicia-se o processo de adaptação à realidade, privilegiando a tolerância, a flexibilidade, a honestidade, a ajuda-mutua e a responsabilização.


sexta-feira, agosto 24, 2007

Distúrbio Alimentar

video

Os Meus Direitos

1. Tenho o Direito de fazer o luto da perda acerca daquilo que não tive mas que tinha direito a ter; e de aquilo que tive mas que não queria ter.

2. Tenho o Direito de seguir os meus próprios valores e princípios.

3. Tenho o Direito de dizer NÃO da qual não me sinto preparado porque não é seguro ou vai de encontra os meus próprios valores.

4. Tenho o Direito à dignidade e ao respeito.

5. Tenho o Direito de tomar decisões baseadas nos meus sentimentos, valores ou atitudes ou qualquer outra razão que encontre.


6. Tenho o Direito de definir e privilegiar as minhas próprias prioridades.

7. Tenho o Direito que os outros respeitem as minhas necessidades e vontades.

8. Tenho o Direito de terminar qualquer tipo de conversa com pessoas que não me valorizem ou me humilhem.

9. Tenho o Direito de não me sentir responsável pelo comportamentos, atitudes, acções; ou problemas das outras pessoas.

10. Tenho o Direito de cometer erros e de não ser perfeito.

11. Tenho o Direito que os outros sejam honestos comigo.

12. Tenho o Direito de sentir; todos os meus sentimentos.

13. Tenho o Direito de sentir raiva da/as pessoa/as que amo.

14. Tenho o Direito à minha singularidade, sem que me sinta mal “na minha própria pele.”

15. Tenho o Direito de me sentir assustado e de dizer, “Eu estou assustado/a...

16. Tenho o Direito de sentir medo, culpa, vergonha e depois entregar (soltar).

17. Tenho o Direito de mudar de ideias quando quiser.

18. Tenho o Direito de ser feliz.

19. Tenho o Direito ao meu próprio espaço e tempo.

20. Tenho o Direito de descontrair, de brincar e de ser superficial.

21. Tenho o Direito de mudar e crescer como ser humano.

22. Tenho o Direito de ter mente aberta de forma a desenvolver as minhas próprias habilidades, na comunicação, para que seja entendido pelos outros.

23. Tenho o Direito de fazer amigos e de estar confortável no meio das pessoas.

24. Tenho o Direito de não viver num ambiente abusivo.

25. Tenho o Direito de ser tão saudável quanto os outros.

26. Tenho o Direito de cuidar de mim; aconteça o que acontecer.

27. Tenho o Direito de fazer o luto das perdas presentes ou daquelas que ameacem acontecer.

28. Tenho o Direito de confiar naqueles que mereçam a minha confiança.

29. Tenho o Direito de dar e receber amor.

( Dr. Charles Witfield: Limites e Relações; Conhecimento; Protecção e Beneficios)

Comentário: Acredito que a base da nossa sanidade mental e a qualidade de vida reside nos atributos das relações interpessoais. Necessitamos de pessoas à nossa volta que nos alegrem, nos surpreendam, nos chateiem, nos apaixonem, nos desiludam como forma de nos mantermos “vivos”, activos e resilientes. Criamos sinergias, constituímos afectos e laços intensos como forma de nos sentir-mos seguros e protegidos. Fazemos parte de algo superior a nós mesmos, algo grandioso e imaterial, tolerante, bondoso e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades.

Grande parte dos nossos problemas existenciais giram em torno dos relacionamentos; ex. marido e mulher, filho e pais, entre familiares, entre desconhecidos, empregados e patrões, vizinhos, entre pessoas que gostamos e pessoas que não gostamos, assim necessitamos de criar papeis, limites saudáveis e construtivos e assegurar relações duradouras, estáveis e resilientes às crises do dia-a-dia e à intolerância. Pessoas com carisma e positivas. Neste sentido, não existem limites.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Vergonha Tóxica no âmago da Adicção

"A Vergonha Tóxica" pelo Reverendo Leo Booth e o Dr John Bradshaw

Sou a Vergonha Tóxica
"Qualquer tipo de abuso nas relações de intimidade “alimenta” a Vergonha Tóxica – “alimenta-se” do sentimento de inadequação e da rejeição, da debilidade e do desconforto, incapaz de valorizar as potencialidades e habilidades pessoais e única. O auto conceito é distorcido pela Vergonha Tóxica.
A Vergonha Tóxica é superior à culpa. Com a culpa, você fez algo errado, mas consegues reparar o dano. Consegue desenvolver competências cognitivas e emocionais e superar o dano provocado, através de reparações concretas.
A Vergonha Tóxica significa que existe algo está errado dentro de si, não é possível fazer nada para modificar isso, é intrínseco. Você considera, seriamente, que é uma pessoa inadequada e “defeituosa” por natureza, na sua condição humana. A Vergonha Tóxica é o núcleo da “ferida” no “coração" da criança.
Recentemente, uma meditação poderosa foi revista, originalmente escrita por Leo Booth que realça alguns dos aspectos da Vergonha Tóxica, explorado no livro de John Bradshaw “Healing the Shame That Binds You.”


“O meu nome é Vergonha Tóxica

Já existia durante a tua concepção,
Nas hormonas da vergonha da tua própria mãe,
Sentes o meu fluido no ventre da tua mãe,
Cheguei mesmo antes de tu conseguires dizer a primeira palavra,
Antes de saberes que existias,
Antes de teres aprendido alguma coisa,
Cheguei quando aprendias a andar,
Quando te encontravas exposto e sem protecção,
Quando estavas vulnerável e a precisar de amor,
Antes que tenhas aprendido a criar quaisquer limites,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Cheguei quando tudo era inofensivo e mágico,
Antes de saberes que eu existia, já lá estava à tua espera,
Separei-te da tua genuinidade e da espontaneidade,
Perfurei-te até ao cerne da tua alma,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de imperfeição e inadequação,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de desconfiança, de malícia, em te sentires um idiota,
De insegurança e duvida, de insignificância e de inferioridade,
Fiz com que te sentisses diferente das outras pessoas,
Comprovei que afinal havia algo errado contigo,
Abalei as tuas crenças espirituais,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Existo antes de desenvolveres a tua consciência,
Antes da culpa,
Antes da moralidade,
Sou a tua principal emoção,
Sou a voz interior que segreda palavras de censura,
Sou o tremor e a inquietação interior que te atravessa sem que consigas qualquer tipo de reposta lógica,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Vivo no segredo,
Nas profundezas húmidas e escuras da depressão e do desespero,
Apareço sempre pelas costas, estou sempre pronta a humilhar-te quando te apanho desprevenido,
Sou indesejável, inconveniente e não sou “bem vinda”,
Fui a primeira chegar,
Já existia desde o principio de tudo,
Como Adão e Eva,
Sou “o assassino dos inocentes “,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Sou originaria de sistemas perfeccionistas e rígidos – controladores, oportunistas, de abuso, do ridículo, da negligencia e do abandono,
Sou alimentada pela intensa e chocante raiva parental,
Pela crueldade dos irmãos,
Sujeita à humilhação das outras crianças,
Sou um reflexo horrível ao espelho,
O contacto físico com os outros é algo assustador e “sujo”,
Sou a ignorante, a desajeitada e a idiota que estraga sempre tudo,
Sou fortalecida por uma cultura racista e sexista,
Como o inocente condenado pelo fanático religioso,
Sou os medos e pressões na escola,
Sou a hipocrisia dos políticos,
Os sistemas de multi-gerações da vergonha disfuncional
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Consigo transformar uma mulher, um homem, um judeu, um preto, um gay, um oriental ou uma criança preciosa;
Num estorvo, numa falhada, numa vitima, numa inútil,
Trouxe comigo a dor crónica,
A dor que não se vai embora,
Sou o predador que te persegue de dia e noite,
Todos os dias e em todo o lado.
Não tenho limitações,
Tentas esconder-te de mim,
Mas não consegues,
Porque vivo dentro de ti,
Faço-te sentir que não há esperança,
E não vale a pena sequer tentar,
O meu nome é Vergonha Toxica.”

“A minha dor é insuportável e canalizo-a para os outros através da necessidade de controle,
do perfeccionismo, desdém, criticismo, inveja, critica, poder e ódio,
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de a esconder com adicções, papeis rígidos, representações,
Ou defesas inconscientes do ego.
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de “adormecer” e fugir a qualquer custo,
Consigo convencer-te que já parti; que não existo; experimentas a minha ausência e o vazio,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Sou o âmago da codependência,
Sou a falência espiritual,
A lógica do absurdo,
A repetição da compulsividade,
Sou o crime, a violência, o incesto e a violação,
Sou o apetite voraz que alimenta as adicções,
Sou insaciável e cheio de luxuria,
Sou a traição, sou um manipulador nato,
Modifiquei-te naquilo que és, naquilo que aparentas ser,
Aniquilo a tua alma e atravesso gerações,
O meu nome é Vergonha Tóxica”


“Esta meditação evoca a transformação da criança maravilhosa e como ela se converte numa criança magoada, abusada e inadequada. A perda da capacidade de sonhar e das suas crenças conduz à falência espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades. A criança maravilhosa é abandonada e deixada sozinha. É uma criança invisível ao olhar dos adultos.


Como escreve Alice Miller em “For Your Own Good”, a situação da criança é ainda mais traumática que o sobrevivente de um campo de concentração. "Os condenados de um campo de concentração odeiam livremente os seus carrascos. A oportunidade de partilhar os seus sentimentos com os seus companheiros previne-os do acto de rendição. A criança não pode expressar as suas emoções, por ex. não pode e não deve odiar o seu pai. Ela não pode odiá-lo, ela receia que ele a deixe de amar como consequência dessa sua traição. Entretanto a criança, ao contrario dos condenados do campo de concentração, é confrontada pelo tormento do pai que ama. A criança continua a viver essa angústia, sofrendo de uma forma passiva e atormentada, reprimindo as emoções, projectando e expressando as suas emoções de uma forma que só ela pode e sabe.
É Recuperando esta Criança ”Interior” que se inicia a jornada de acolhimento e libertação.”~

Comentário: Na recuperação da adicção aprende-se a recuperar a Criança Interior, numa jornada espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades

quinta-feira, agosto 16, 2007

Linguagem dos Sentimentos - Um Estilo de Vida na Arte de bem viver

A Linguagem dos Sentimentos (Gestão Intrapessoal e Interpessoal)
Como é do senso comum o qualquer ser humano tem sentimentos. Fazem parte de nós, é algo que não conseguimos ver, tocar, cheirar, ouvir, mas que conseguimos sentir, isso mesmo, tão simples. Por vezes tão divertido e relaxante e/ou confuso e desconfortável (atabalhoado). Resumindo, na linguagem dos sentimentos 2+2 pode ser igual a 7.

Na linguagem dos sentimentos podemos amar alguém, mas também podemos odiar e voltar a amar. Quantas vezes as nossas paixões ultrapassaram a razão ao longo da vida? Por vezes, temos a sensação que não conseguimos controlar aquilo que sentimos, e isso pode ser desconfortável e/ou confuso. Noutros casos, passamos uma imagem (exterior) aos outros, diferente daquilo que sentimos (interior). Também avaliamos, na minha opinião erradamente, a aparência exterior dos outros através do nosso interior, comparando e desvalorizando os nossos talentos, por ex. se conhecemos alguém que tem uma bela casa, um emprego e um ordenado excelente, automaticamente assumimos, que essa pessoa é feliz e tem sucesso na vida. A realidade não bem assim.

Aquilo que gostaria de reforçar é a importância em ser honesto/a e verdadeiro/a com os nossos sentimentos, sonhos, paixões e desejos, sejam divertidos ou desconfortáveis. É importante valorizar o nosso interior emocional, como algo do qual aprendemos a aceitar, a conhecer e a respeitar. Não é novidade, que monitorizar os sentimentos dá trabalho, mais, os resultados não são imediatos e/ou gratificantes, todavia, aprendemos a sentir e a não fugir de nós. Negando, minimizando, mentindo quanto aquilo que somos sendo meio caminho para a desonestidade e da irresponsabilidade.

Segundo a abordagem da psicologia cognitiva, aquilo que pensamos (Atitudes) criam os nossos sentimentos, que por sua vez afectam aquilo que fazemos (comportamentos). Atitudes + Sentimentos = Acções (comportamentos). Nós somos aquilo que fazemos com os nossos pensamentos.


terça-feira, agosto 07, 2007

A Raiva e as Dinâmicas


O problema da Raiva: Algumas Definições
Generalizando, a Raiva é um sentimento que varia entre a irritação suave, à raiva e à fúria (ódio) intensa.
A Raiva é uma resposta natural aquelas situações em que nos sentimos ameaçados, que nos vão magoar ou em que alguém significativo, de uma maneira gratuita e/ou sem fundamento. Sentimos raiva quando alguém nos engana e sentimos injustiçados por isso. Podemos ficar em Raiva quando, por ex. uma criança ou alguém significativo é ameaçado e/ou magoado. Podemos concluir que a Raiva pode ser uma resposta à frustração quando as nossas necessidades, os nossos desejos ou objectivos não são atingidos.


Quando ficamos com Raiva, podemos perder a paciência e agir de uma maneira impulsiva, agressiva ou violenta (irracional). A maioria das pessoas têm a tendência para confundir a Raiva com a agressão e/ou assertividade. Agressão é um tipo de comportamento/impulso intencional que pode causar danos graves nas outras pessoas (vitimas) e/ou destrói-se bens. Este comportamento pode envolver abuso verbal, emocional ameaças e ou actos violentos.


Um termo relacionado com a Raiva e a agressão é a hostilidade. A hostilidade refere-se a um conjunto de atitudes e julgamentos (crenças) que são a motivação para comportamentos agressivos. Enquanto a Raiva é uma emoção a agressão é um tipo de comportamento. A hostilidade é uma atitude que envolve julgar e criticar as outras pessoas de uma forma negativa, onde se manifesta aversão e descontentamento em relação aos outros.



Quando É Que A Raiva Se Torna Um Problema?
Qualquer ser humano sente raiva (sentimento), sentir raiva é OK. Faz parte das nossos sentimentos. A Raiva torna-se um problema quando é sentida de uma forma intensa e/ou reprimida. Quando é sentida de uma forma frequente e expressa de uma maneira inapropriada, por ex. agressividade, intimidação. Sentir raiva de uma forma intensa e frequente provoca extrema tensão física no corpo. Quando sentida de uma forma prolongada, em episódios frequentes, certas divisões do sistema nervoso central ficam altamente activas. Consequentemente, o ritmo cardíaco e a pressão arterial aumentam e permanecem elevadas durante longos períodos de tempo. Este tipo de stress no corpo resulta em diferentes tipos de problemas de saúde. Evitar a doença física é um factor, por si só, motivador para aprender a gerir a raiva construtivamente.



sexta-feira, agosto 03, 2007

Por favor, Ouçam Aquilo Que Eu Não Digo






Por vezes, identificar e exprimir os sentimentos/emoções pode ser uma tarefa ardua e desconhecida. Na linguagem das emoções, não existe a lógica isolada (racionalidade), por exemlo 2+2= 4. Nas emoções amamos, e no outro extremo odiamos. Em recuperação da adicção, aprende-se o valor dos sentimentos  e a compreender a forma como esses sentimentos interferem no dia-a-dia, com um propósito e sentido.


A "Criança Interior" tem uma ligação muito forte às atitudes, às emoções e aos comportamentos (passado e presente). Em recuperação, descobre-se essa "Criança Interior" e aprende-se a protege-la e a permitir que ela se expresse, sem criticas destrutivas ou julgamentos rígidos, perfecionistas e ou falsos preconceitos moralistas . Aprende-se a valorizar a sua criatividade, a sua espontaneidade, a honestidade e a simplicidade. É um trabalho interior de descoberta e partilha ao longo da vida.

Criança Interior (Child Within) 
"Não te deixes enganar por mim,
Não te deixes enganar pela cara que eu ponho,
Porque eu uso uma mascara, mil mascaras, mascaras que tenho medo de tirar,
E nenhuma delas sou eu.
O fingimento é uma arte que está enraizada em mim,
Mas não te deixes enganar.
Por amor de Deus não te deixes enganar."

"Posso dar a impressão que sou seguro,
Que está tudo tranquilo e sereno dentro e fora de mim,
Que a confiança é o meu nome e a frieza o meu jogo,
Que está tudo sob controle dentro de mim, está tudo calmo.
E não preciso de ninguém."

"Mas não acreditem em mim.
À primeira vista a minha cara pode parecer suave,
Mas a aparência é a minha mascara,
Inconstante e enganadora está sempre a esconder-se.
Debaixo da aparência não há satisfação.
Debaixo da aparência existe a confusão, medo e solidão
Mas eu escondo isto. Não quero que ninguém o saiba."

"Entro em pânico com a ideia dos meus medos e fraquezas serem expostos.
É por isso que criei inquietantemente uma mascara para me esconder,
Uma fachada sofisticadamente despreocupada,
Para me ajudar a fingir,
Para me proteger daquele olhar de relance de quem verdadeiramente me vê.
Mas é esse olhar precisamente a minha salvação."

"É a minha única esperança, eu sei isso.
Isto é, se for seguido pela a aceitação,
se for seguido pelo amor.
É a única coisa que me pode libertar de mim mesmo,
Das paredes da prisão que eu próprio construi,
Das barreiras que tão minuciosamente ergui,
É a única coisa que me assegurará,
Daquilo que não posso assegurar a mim próprio;
- “Que realmente eu tenho valor...
Mas eu não te digo isto. Não me atrevo . Tenho medo.
Tenho medo que o desvendar ao teu olhar não seja seguido pela aceitação,
Que não seja seguido pelo amor."

"Tenho medo que me menosprezes, que rias,
E o teu riso irá destruir-me.
Tenho medo que bem no fundo eu não seja nada, que realmente não seja boa pessoa
E tenho medo que tu vejas isto e me rejeites.
Por isso, jogo o meu jogo, o meu desesperado jogo do “Faz de conta”,
Com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro."

"Começa então o sumptuoso mas vazio desfile de mascaras,
E a minha vida torna-se numa farsa.
Mantenho contigo um dialogo inútil num tom de conversa superficial.
Conto-te tudo, que na realidade nada é,
que realmente tem significado,
e que está chorar dentro de mim.
Por isso, quando eu estiver a ir pelo mesmo “caminho”,
Não te deixes enganar por aquilo que estou a dizer,
Por favor, tenta ouvir aquilo que eu não digo,
Aquilo, que eu gostaria de ser capaz de dizer,
Aquilo que por necessidade, gostava de poder falar,
Mas que não sou capaz de dizer."

"Eu não gosto de me esconder,
Eu não gosto de fazer jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de jogar esses jogos.
Eu quero ser genuíno, expontâneo e ser eu mesmo,
Mas tu tens que me ajudar.
Tens de ficar de mão estendida à minha espera,
Mesmo que isso pareça a ultima coisa que eu queira."

"Só tu podes tirar da minha visão; a fixação vazia do estado “vegetal”.
Só tu me podes “acordar” para viver a vida.
Cada vez que tu és carinhoso, gentil e encorajador,
Cada vez que tentas compreender, porque realmente te importas,
No meu coração começam a crescer “asas”,
Umas “asas” muito pequenas,
Umas “asas” muito trémulas,
Mas são “asas” !"

"Com o teu poder de tocar os meus sentimentos,
Podes dar um “sopro” de vida,
Eu quero que tu saibas isso.
Eu quero que saibas o quanto és importante para mim,
E como podes ser um Criador – um Criador à imagem de Deus –
De uma pessoa que sou eu,
Se quiseres.

"Tu sozinho podes derrubar a barreira atrás da qual eu tremo,
Tu sozinho podes tirar as mascaras,
Tu sozinho podes libertar-me do meu mundo sombrio de pânico e incerteza,
Da minha “prisão” solitária,
Se assim o decidires.
Por favor, decide que sim. Não me deixes passar “ao lado.”

"Não vai ser fácil para ti.
Uma forte convicção de que não tenho valor construiu fortes muralhas.
Quanto mais perto tu chegares a mim,
Mais cegamente poderei ripostar.
É irracional, apesar do que os livros dizem sobre o ser humano,
Muitas vezes eu sou irracional.
Eu luto para manter, aquelas mesmas coisas que choro por largar.
Mas dizem-me que o amor é mais forte do que ”fortes muralhas”,
E aí reside a minha esperança."

"Por favor, tenta vencer essas barreiras,
Com mãos firmes,
Mas com mãos gentis,
Porque a criança que sou é muito sensível.
Quem sou eu, tentas tu imaginar,
Sou alguém que conheces muito bem,
Porque sou todos os homens que já encontraste,
E todas as mulheres que já conheceste."


Alimento para o pensamento construtivo, Recuperar É Que Está A Dar.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Codependência - Relações de dependência















Codependência  é um tipo de patologia emocional e de relacionamentos, recentemente descrita por investigadores do comportamento humano. O termo Codependência surgiu na cena da terapia, no final dos anos setenta nos EUA


De inicio, a descrição deste quadro incluía apenas familiares de pacientes alcoólicos mas com o tempo o seu significado foi ampliado e actualmente o termo codependência também inclui a conduta de familiares e/ou pessoas significativas que têm um problema de comportamento no relacionamento de intimidade.

“Um individuo codependente é alguém que permite que o comportamento de outra pessoa o afecte, e sente obcecado por controlar o comportamento do outro.” Melody Beattie “Vencer a Co-dependencia

“Uma situação emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da exposição individual prolongada à pratica de um conjunto de regras opressivas – regras que impedem a expressão aberta dos sentimentos bem como a discussão directa de problemas pessoais e interpessoais” Robert Subby “Co-dependency, An Emerging Issue

“Comportamento autoderrotistas, aprendidos ou devido a defeitos de caracter, que resultam numa capacidade reduzida de iniciar ou participar em relações amorosas” Earnie Larsen

Tudo começa com o facto de uma pessoa se envolver (por amor, obrigação ou dever) com outra disfuncional que adopta comportamentos auto destrutivos, por ex a adicção (substâncias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas, jogo, sexo, compras, furto, distúrbio alimentar) e precisa, aparentemente, do ponto de vista do dependente do seu apoio para se curar. Essa pessoa, pode ser um adulto deprimido, uma esposa ou amante bulímica, um irmão que não se sai bem na vida, um marido que tem problemas financeiros, uma irmã que tem a sua vida num caos e parece frágil para resolvê-las, um pai alcoólico ou um namorado que é adicto ao jogo ou ao sexo. Enfim, o importante não é o grau de parentesco ou a sua doença, o  aspecto central do problema está no codependente, não nos outros, na forma como permite que o comportamento do outro o/a afecte e como o codependente tenta influenciar e controlar através de jogos psicológicos (manipulação, desonestidade, mentiras, agressividade). Por ex. "Se gostasses verdadeiramente de mim não fazias uma coisa dessas. Por tua causa estou a sofrer imenso." ou ameaças vãs que não são concretizadas.