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quarta-feira, outubro 25, 2017

106ª Dica Arte Bem Viver de 31.03.2013


Olá
Sentimento de posse vs. Sentimento de pertença nos relacionamentos de intimidade.

Nascemos livres e morremos livres. A uma dada altura do desenvolvimento, por exemplo, no início da idade adulta, abraçamos o desafio de seguirmos as nossas próprias convicções, ideais, crenças, necessidades, valores, através da coerência e da integridade, reconhecido pelo nosso próprio cunho/identidade. O desenvolvimento pessoal depende da liberdade de escolha e expressão, mas por outro lado, dependemos de relações significativas; sistema complexo e (des) sincronizado de dinâmicas, enraizados na cultura da família, da comunidade e da sociedade.

O sentimento de posse é o oposto ao sentimento de pertença. Se somos livres, de acordo com os direitos humanos universais, qualquer ser humano não pode ser dominado/controlado pela obsessão do outro. Erradamente, existem tradições que evocam o amor (e o sexo) e a necessidade de se sentir íntimo e especial para alguém através do sentimento de posse; é um mito.

O sentimento de posse é alimentado pela exaltação sofrida, melodramática e os jogos psicológicos de domínio (amor dependente), onde exigimos ao outro a responsabilidade em satisfazer a nossa própria felicidade fantasiosa e as expectativas irreais (vitimização). Isto é, como não conseguimos preencher as nossas próprias necessidades básicas e estar seguros, exigimos ao outro que faça o trabalho por nós; “Se realmente gostas de mim… não deves fazer isto ou aquilo… e/ou tens que fazer aquilo que te peço/imploro senão fico a sofrer por tua causa”. Nestas alturas, fazemos exigências que ninguém pode satisfazer porque são as nossas ilusões e fantasias que alimentam o sentimento de posse. Sabia que a violência doméstica está associada ao sentimento de posse?

O sentimento de pertença reforça os afetos e os limites saudáveis nas relações porque existe a liberdade de ser; é um acordo mútuo, apoiado na confiança, na honestidade e na coesão, onde ambas as pessoas têm a legitimidade à sua individualidade, ao seu desenvolvimento e crescimento. Respeitam os limites e os compromissos do acordo; vivem abertos à mudança, à lealdade, à intimidade e aos desafios do dia-a-dia. As pessoas não permanecem estáticas, pelo contrário, as pessoas mudam e o mesmo acontece aos relacionamentos. É um processo orgânico onde não existem acordos com garantia vitalícia, dependem somente da liberdade. Os parceiros pertencem ao mesmo projeto/relação de intimidade (acordo) porque se revêm nos mesmos princípios, sonhos e objetivos.
Potencie o sentimento de pertença e repudie o sentimento de posse.

Exclusivamente, para si, votos de uma semana livre nos afetos

«O amor tem a virtude, não apenas de desnudar dois amantes um em face do outro, mas também cada um deles diante de si próprio.» Cesare Pavese.

Cumprimentos

  • Considera que esta dica também pode ser útil a alguém seu conhecido? Se a resposta é sim, partilhe a dica através do seu correio electrónico.


Nota: caso você esteja interessado/a em receber a dica, na sua caixa de correio eletrónico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt  e escreva Dica Arte Bem Viver no assunto da mensagem . Todos os seus dados são confidenciais. Bem haja

quarta-feira, junho 07, 2017

Na intimidade da relação a comunicação é um prioridade



Limites nas relações de intimidade
As relações de intimidade, conseguem gerar uma energia desmesurada e esmagadora; alguma dessa energia é positiva e inspiradora, por outro lado, também consegue gerar energia capaz de sugar e anular todo o otimismo, gerar ansiedade, depressão, ressentimento e agressividade. Exemplo, se você viver com alguém que faça questão de afirmar: "Não vales nada...," "Não fazes nada de jeito." este tipo de afirmações frequentes acabara por ter um efeito negativo na sua auto estima.

Manifestamos com muito mais frequência a intolerância, frustração e a critica para com aquelas pessoas com quem estamos todos os dias e partilhamos «o mesmo teto» - relações mais intimas, por exemplo, família. Aquelas pessoas que pensamos tê-las como garantidas, dizemos coisas que magoamos, ofendemos, injuriamos, etc.  . Nesse sentido, os limites saudáveis são uma parte imprescindível nos relacionamentos de intimidade a fim de não tornar as relações disfuncionais e caóticas. Talvez por isso muita gente, quando pensa em relações de intimidade afirma «É complicado», porque definir limites saudáveis pode revelar-se uma tarefa complexa. Se queremos permanecer numa relação de intimidade duradoura, de confiança e que nos permita florescer, precisamos de definir limites físicos e emocionais saudáveis. Este trabalho é da nossa responsabilidade, exige arte e competências. Ao definir metas, orientações e limites saudáveis estaremos a proteger a auto estima, o respeito próprio, a segurança, a pertença e a intimidade ingredientes essenciais para uma relação intima duradoura.   
Apesar da negação e do autoengano, sabemos quando uma relação é disfuncional porque não existem limites saudáveis. Sabemos porque identificamos a perda do controlo, a ansiedade e a impotência. A ausência de limites saudáveis pode estar associada à dependência emocional, vulgo Codependência, depressão, ansiedade e stresse extremo (exaustão física e emocional). Um exemplo sobre o que é que significa a ausência de limites, deixarmos a porta de casa aberta, qualquer pessoa pode entrar, incluindo, as pessoas indesejáveis.

O que é que são limites nas relações de intimidade?
Veja este exemplo. Como sociedade precisamos de leis, valores, tradições e regras. Estas normas permitem-nos comunicar e expressar as nossas necessidades uns com os outros de acordo com as características individuais de cada um de nós. Em sociedade, existem indivíduos que zelam pela aplicação dessas leis quando elas são violadas e as fazem cumprir. Para vivermos numa sociedade com direitos e deveres precisamos de leis.  O mesmo fenómeno acontece com as relações de intimidade, visto estarmos envolvidos emocionalmente com outra pessoa diferente também precisamos de limites, regras, valores e orientações. Como seres gregários, somos atraídos mais pelas semelhanças do que pelas diferenças, contudo, não existem duas pessoas iguais e cada individuo transporta consigo (e para a relação de intimidade) todo um histórico de experiências individuais positivas e negativas, do seu passado, tais como, sentimentos, expectativas, crenças, ambições, atitudes e comportamentos. Por exemplo, a relação com os pais, família, as relações românticas anteriores, valores/crenças, questões financeiras/económicas, carreira profissional/trabalho, etc.
 Os limites saudáveis nas relações são orientações que permitem-nos sentir seguros, confiar, estar vulneráveis, investir na intimidade da relação, compreender aquilo que é razoável e aceitável na interação com o/a parceiro/a e aquilo que permitimos aos outros fazer e como reagimos quando esses mesmos limites são violados.

quarta-feira, novembro 18, 2015

As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool.



Recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.

Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem  aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.

Recuperar é que está a dar.

sexta-feira, março 13, 2015

Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança.


O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam, o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua, mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos, desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que poderia acontecer.
Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte encontrei Famílias Anónimas (FA)[i]. Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões, foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga para falar.
Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi através deste programa de 12 passos[ii], que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais voltar a ter.
Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA. 
Um abraço
Suzete  




[i] As Famílias Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro grupo fundado no final dos anos 50 ), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes grupos, de homens e mulheres, São considerados uma referência internacional na recuperação (novos estilos de vida) da adicção.
[ii] 12 Passos são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Família Anónimos, etc.).

Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.


sexta-feira, novembro 28, 2014

Sou mãe de um adicto


“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho com cancro, diabetes ou VIH.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes queridos.

Sou a mãe de um adicto
Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos desta doença
Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho
Só existem lágrimas, gritos silenciosos e angustia quando alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica de algo que possa ter acontecido ao meu filho

Sou a mãe de um adicto
Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache, com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda com as consequências das suas decisões
Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança
Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se irei voltar a vê-lo outra vez

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Recuperar das compras compulsivas


As compras compulsivas são um problema actual menosprezado.

Todos os dias fazemos compras. Todos os dias, por variadíssimas razões e motivos gastamos dinheiro. Gastamos dinheiro porque estamos tristes ou porque estamos felizes. Gastar dinheiro faz parte do dia-a-dia, do ser social, da auto estima e isso é OK.

Entretanto, existe outra realidade, sobre o gastar dinheiro, que tem sido negligenciada. Somos bombardeados a um número indeterminado de estímulos para fazer compras, onde para isso,  necessitamos de recorrer a estratégias altamente engenhosas para equilibrar os nossos orçamentos. Perante tanta oferta, facilmente nos iludimos com o “Preciso de comprar aquilo…” quando na realidade, “aquilo” não é uma prioridade, mas uma necessidade de satisfazer os nossos desejos e vontades com base no prazer imediato. Basta entrarmos no centro comercial e ao fim de 15 minutos, já dispomos de uma lista de coisas que precisamos de preciso comprar. Sentimo-nos bem a gastar dinheiro. Todos nós estamos sujeitos a este fenómeno, todavia gastar dinheiro compulsivamente, comportamento adictivo, está associado a uma fonte intensa de prazer e bem-estar com consequências negativas (problemas familiares, incluindo as crianças, stress, dividas, créditos,) efeito semelhante ao individuo que abusa de substâncias psicoactivas, vulgo drogas.

Estamos prestes a iniciar a época natalícia, segundo a tradição, é uma das alturas do ano que mais se gasta dinheiro. O Natal é um período crítico de risco que justifica os exageros e os excessos em relação às compras compulsivas. Por exemplo, no final de Janeiro do ano seguinte, os extractos da conta bancaria são reveladores da perda do controlo, muitas vezes fonte de discórdia e conflito entre o casal.

sexta-feira, outubro 04, 2013

Qual é o seu limite para comprar?


Durante uma consulta com Carolina (nome fictício), 32 anos, abordamos alguns dos motivos pela qual não se controla nas compras. Ela afirma "Gasto o dinheiro que faz parte do orçamento para as despesas fixas da casa e que me faz imensa falta, na realidade, após a adrenalina das compras, passado uns dias, já perdi a pica (interesse) pelo artigo novo que comprei, fica guardado no armário. No dia a seguir, encontro outro artigo novo, e imediatamente arranjo mais uma justificação para gastar mais dinheiro que não devia. Nunca é suficiente. Tenho acumulado algumas dívidas desnecessárias, por exemplo com o banco, por causa da utilização abusiva do cartão de crédito. Ando nesta compulsão há aproximadamente 10 anos."

Segundo a lógica que reforça o comportamento compulsivo, não se controla nas compras porque :
  • "Sinto me muito melhor comigo e mais segura"
  •  "Para fugir/evitar sentir coisas dolorosas"
  • "Quando estou zangada, através das compras, expresso a minha raiva e frustração"
  • "Fazer compras tem um significado importante; evoco fantasias sobre riqueza e estatuto"
  • " Fazer compras é uma forma de fazer parte da sociedade onde todos têm uma fixação pela imagem"

Importante: Este texto foi publicado com o consentimento da Carolina (nome fictício). Os parabéns, pela honestidade e pela motivação para com a mudança de comportamento.

Comentário: O caso da Carolina é revelador da compulsão e da perda do controlo perante a sensação de prazer associado às compras. Desde a sua adolescência, ela revela ter problemas, com a baixa auto estima, assim como, em manter relacionamentos duradouros. Aparenta não possuir uma carreira profissional que lhe proporcione um propósito e segurança. Também refere, que durante períodos atribulados e de pressão, recorre às compras, a fim de ficar anestesiada e de não pensar mais no assunto. Para além da compulsão das compras outros problemas significativos; carreira profissional, relacionamentos românticos de intimidade e o corpo (imagem e peso).
De notar, que algumas pessoas, em especial as mulheres, estão mais vulneráveis e expostas à pressão e à obsessão da sociedade sobre a imagem, refiro-me ao marketing agressivo da indústria da moda. De acordo com a moda vigente, as mulheres devem seguir as ultimas tendências, isso significa, que é tema serio de conversa entre amigas.

Dicas:
  • Quais são as consequências dos seus impulsos? Proteja os seus recursos, os seus relacionamentos e o seu sustento.
  • Monitorize os efeitos das técnicas de marketing (publicidade) que interferem no seu comportamento sobre as compras. Por exemplo, saldos, revistas, publicidade nas redes sociais, por exemplo; no Facebook, etc.
  • Diga Não à pressão social que visa reforçar o impulso para comprar coisas que você não precisa e/ou não quer. Algumas afirmações disfuncionais “ Se está chateada, vá às compras.”
  • Certifique-se daquilo que realmente quer e precisa de comprar. Por exemplo; faça uma lista. Disponibilize o dinheiro suficiente somente para comprar essas coisas. Não utilize o cartão de crédito.

Deseja obter mais orientação sobre a compulsão nas compras? Envie email xx.joao@gmail.com. Todos os seus dados são confidenciais.
Veja o trailer do filme: Confessions of a shopaholic trailer


quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Violência é abuso emocional e fisíco



Não existe amor que justifique violência. Não existe confiança se há violência. Não existe comunicação através da violência. Violência é um abuso emocional e físico com consequências trágicas. Violência é violar a integridade e a liberdade de expressão e de escolha. Violência na relação é dependência; para haver violência são necessárias duas pessoas.
Amor é liberdade. Amor é confiança. Amor é honestidade. Amor é tolerância. Amor é comunicação e entendimento.
Se você é sujeita/o qualquer tipo de violência; não sofra em silêncio; partilhe os seus sentimentos, para um dia conseguir terminar a relação de dependência emocional.
Nota: De acordo com os últimos dados o homem, apesar de em menor numero comparativamente às mulheres, também é vitima de violência domestica pela parte da sua parceira.
Saiba mais sobre a violência doméstica. Siga o link da APAV 

segunda-feira, abril 30, 2012

A importância da defesa pessoal, segundo João Carvalho



A sociedade moderna, foi sendo educada a confiar a terceiros, competências essas, que em última instância serão nossas. Um bom exemplo disso será a educação dos nossos filhos, a gestão das nossas casas, a nossa saúde e também a nossa segurança.

Os governos manipulam as pessoas, mediante interesses financeiros e criam melhores ou piores condições de vida consoante as necessidades dos mercados, hoje em dia existe um novo tipo de escravatura. Escravatura, que será mais dissimulada, talvez até pelo adormecimento de grande parte da população, mas também porque as pessoas foram ensinadas a viver (fuga/evitamento) com medos. Alguns exemplos, medo da religião, medo dos governos, medo dos patrões, medo … medo e mais medo!

Provavelmente, são poucos, aqueles que conseguem viver realmente livres … livres de medos infundados, livres nas suas atitudes e livres, na sua forma geral, de viverem em plenitude este dom que temos que é a vida !
Basta recuarmos, alguns seculos, e as pessoas viviam em pequenos grupos, e era nesses grupos que estabeleciam regras para o funcionamento da comunidade. Plantavam em comum, viviam em comum e a defesa das suas aldeias era feita por todos. Completamente alheios, em grande número dos casos, a leis e regulamentações impostas por terceiros, escolhiam viver as suas próprias leis e tradições.

O que nós observamos, hoje em dia na nossa sociedade, são cidades sobrelotadas e onde, apesar de existirem tantas pessoas, os níveis de isolamento são cada vez maiores.
Não é de estranhar observarmos alguém ser assaltado em plena luz do dia e apesar de dezenas de pessoas assistirem ao assalto, nenhuma tem sequer iniciativa para tentar ajudar a vítima.

quarta-feira, abril 18, 2012

O que é que aconteceu à felicidade da mulher?




Recue uns 40 ou 50 anos e imagine-se, como mulher, a viver nos anos do Portugal do Estado Novo. Nesse passado não tão longínquo, as mulheres casadas não podiam ausentar-se do país sem autorização escrita do marido e as enfermeiras não podiam casar. A gestão dos bens do casal, incluindo da mulher, pertenciam ao marido e numerosas profissões estavam legalmente vedadas às mulheres.
Hoje os tempos são outros e, comparativamente, a situação da mulher melhorou muito, mesmo que ainda haja muito a fazer culturalmente. As mulheres são mais independentes, têm mais direitos e liberdades, formam-se em maior número nas universidades, distinguem-se em diversas profissões e ascendem a lugares de adminstração ou cargos politicos.
Com estas mudanças, teriamos, assim, muitos motivos para ter elevados índices de felicidade nas mulheres, mas paradoxalmente tal não acontece. Segundo alguns estudos* de referência, desde a década de 70 que o nível geral de felicidade da mulher nos EUA e na Europa, tende a cair e acentua-se à medida que a mulher avança na idade, contrariamente ao do homem. Em Portugal, as mulheres trabalham mais e dormem menos, as doenças associadas ao estilo de vida e ao stress, assim como o consumo de tabaco e anti-depressivos tendem a aumentar.

sábado, dezembro 12, 2009

As aparências (beleza) podem ser uma ilusão



A obsessão sobre o conceito de beleza associado ao corpo perfeito. A perfeição é um mito que pode transformar-se numa obsessão.
Existem em Portugal, homens e mulheres, que desejariam modificar, se pudessem, algo no seu aspecto físico. Mesmo que sejam realistas quanto aquilo que desejam alterar no seu corpo, sentem-se descontentes e isso reflecte-se negativamente no seu dia-a-dia.

Por vezes, distorcemos a imagem corporal através de ideias extremas por ex. bonito ou feio, bom ou mau, magro ou gordo. A aparência física pode tornar-se uma verdadeira obsessão; a preocupação principal geradora de sofrimento. A indústria das dietas (moda) rigorosas e milagrosas aproveita-se das pessoas vulneraveis que não aceitam a sua aparência física. Outro factor a ter em conta é o egocentrismo, ex. preocupação exagerada sobre o peso ideal, se a barriga está saliente, como está fisicamente, etc. Algumas pessoas chegam mesmo a odiar algumas partes ou o seu próprio corpo.
Se você identifica um problema associado à sua aparência física que lhe cause ansiedade, raiva, sentimento de inadequação, obsessão, vergonha e medo procure falar sobre aquilo que pensa e sente acerca do seu corpo com pessoas significativas e tolerantes (feedback). Desenvolva discernimento e procure ajuda, não me refiro às dietas, de forma a fazer um trabalho de desenvolvimento pessoal. Afinal o corpo perfeito não existe porque a perfeição nas pessoas é irreal.
Siga os links e comente em Recuperar das Dependências.



Como pensa e sente em relação ao seu corpo? Quais os valores impostos pela sua família e pela cultura? 








sábado, julho 25, 2009

As Drogas e o Amor

Algumas drogas licitas podem interferir negativamente na capacidade de expressar sentimentos/comportamentos relacionados com o amor e o sexo - intimidade.
Estas drogas afectam o funcionamento do nosso cerebro.
Veja o video da Dra Helen Fisher sobre o tema. Siga o link.
Comente em Recuperar É Que Esta a Dar.

http://www.youtube.com/watch?v=IcG6J-8OwAo

sexta-feira, junho 12, 2009

Apanhada na Rede

Tenho 35 anos e nunca consumi drogas. Namoro há cerca de 2 anos com o Alberto (nome fictício), de 38 anos. O problema é o facto de me ter apercebido que o Alberto tem um problema com drogas. Sempre soube que ele consumia drogas desde a adolescência ( todas !) mas, desde que estamos juntos, pensei que fosse uma questão controlada e meramente social. Ou seja, sabia que por vezes, quando saía com os amigos, ao fim de semana costumava consumir cocaína. Nos últimos meses, percebi que na verdade não é assim.

O Alberto consome cocaína e por vezes cannabis todos os fins-de-semana. Em ocasião social "apropriada" ou não. Por mais que tente demove-lo ele nunca conseguiu resistir ou cumpre o prometido. Isto está a afectar gravemente a nossa relação, e mais importante que isso, estou certa que ele tem um problema e não sei como ajudar, até porque ele não o reconhece. É complicado falar com ele sobre este assunto, mas nas poucas vezes em que consegui, o que ele me disse foi: "Não tenho nenhum problema com drogas, o problema que tive com drogas está resolvido há 10 anos. Neste momento o único problema que tenho com drogas… és tu. Consumo drogas quando me apetece porque gosto, não me sinto mal e isso não afecta a minha vida profissional."

Já tentei várias coisas para tentar demovê-lo, já pedi a amigos que sei que ele tem em conta que o aconselhem. Nada tem resultado. Não sei o que fazer. Nesta altura, a única coisa que me parece restar é contar à mãe do Alberto (ela sabe que ele teve problemas com drogas na adolescência e pelo que sei fez o que estava ao alcance dela e na altura pareceu resultar.). Tenho receio por outro lado que isto degrade de vez a nossa relação e também a relação dele com os pais, agora que tem 38 e não 18! E seja ainda pior. Pode dar-me a sua opinião sobre este assunto? Há alguma coisa que me aconselhe?
Desde já muito obrigada pela sua opinião e ajuda.Subscrevo-me
Isabel (nome fictício)

Boa noite Isabel
Após ler o seu email apresso-me a felicita-la por pedir ajuda.
Apesar da minha limitação na informação sobre o caso do Alberto posso sugerir algumas orientações e algum “alimento pró pensamento”. Vou abordar duas questões importantes quanto ao problema da dependência de substâncias.

A primeira questão, e talvez para sua surpresa, está direccionada para a Isabel. Mantenha-se atenta ao seu comportamento. Isto é, não encobrir, esconder, não facilitar, não negar, não pactuar com coisas que não é capaz de cumprir ou com coisas que você não acredite, assim como minimizar as consequências da dependência do Alberto, na sua vida (trabalho, amizades, família, saúde mental – cognitivo-comportamental, etc.) e na vossa relação (observar que o Alberto não está presente, disponível, mentira, preocupação, na vossa intimidade, etc) . Você corre o serio risco de se tornar codependente (preocupação constante e dolorosa sobre o Alberto e o problema do Alberto) se enveredar pelo caminho da protecção e socorro, em detrimento dos seus valores e da sua família, seguindo um apelo interior (irracional) de ajudar, quando na realidade não está a fazer, pelo contrario, está a contribuir para a progressão e deterioração da doença. Obviamente que a Isabel não é culpada absolutamente de nada, todavia é importante definir limites e critérios na ajuda e no socorro. Pode ficar apanhada na “rede” da dependência, pelas suas emoções e pelos seus comportamentos, afinal você é um ser humano.

A segunda questão está direccionada para o problema do Alberto. Procure informação sobre o abuso e a dependência de substâncias psico-activas (drogas licitas e ilícitas, incluindo o álcool). Informação é poder. A dependência é um processo da qual o Alberto perdeu totalmente o controlo da sua vida e do consumo de substâncias. A componente lazer e social desaparecem totalmente. Torna-se incapaz de prever, com exactidão, as consequências do seu comportamento quando está sob o efeito e ou quando está abstinente, vulgo ressaca. Pela discrição do seu email o Alberto quando confrontado recorre a um sistema de defesa; racionalização, minimização, negação, culpar os outros ou coisas, racionalizar. Este muro - isolamento - que ele constrói, é extremamente difícil quebrar, todavia pode retirar tijolo-a-tijolo. Não confronte o Alberto com base na sua intuição. Reflicta as consequências com factos e coisas específicas e concretas (contrario de abstractas e generalistas). Pode socorrer-se de outras pessoas, mas lembre-se, coisas específicas e concretas. Faça uma lista de coisas que estão directamente relacionadas com as drogas e outros comportamentos disfuncionais; mentiras, promessas quebradas, juras, desonestidade, objectos ou coisas relacionadas com drogas.

Espero que tenha contribuído com alguma luz no túnel.

Se desejar, caso seja residente na área do Porto, recorrer às consultas, caso contrário pode optar pelas consultas Online. Estou disponível para ajudar.

Gostava de saber se permite que publique, nos blogues, o seu pedido de ajuda corajoso, garanto total confidencialidade de todos os seus dados e do Alberto. È confidencial e seguro. O seu pedido de ajuda pode servir de “exemplo” visto as dependências afectarem a vida de milhares pessoas.

Os meus sinceros cumprimentos

terça-feira, maio 19, 2009

Dependência financeira




Nos tempos que correm a dependência financeira atinge dimensões serias e em alguns casos torna-se crónica, equiparável a viver com uma “doença para o resto da vida”, com a probabilidade de se manter activa de geração em geração.
Comportamentos adictivos e a perda de controlo
A dependência financeira é frequente em indivíduos que apresentam comportamentos adictivos, assim como as suas famílias (ex. drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas, o jogo, sexo, compras - shopaholicsshoplifting-furto, codependência). Recordo inúmeros casos em que um membro de família dependente de drogas, incluindo o álcool, e jogo afectou drasticamente todo o orçamento, recursos e o património familiar com o consentimento e permissividade de alguns membros da família. A vergonha tóxica, a raiva e o ressentimento, a obsessão e a compulsividade instalam-se e deterioram as relações familiares (homeostase).
A perda total do controlo associado ao dinheiro é uma das consequências mais significativas e dolorosas na vida de um indivíduo, seja dependente/adicto ou não por ex. atraves da falta de uma gestão responsável e construtiva, falta de autonomia dos seus recursos financeiros, bem como, a necessidade de viver dependente do ponto vista financeiro de outra/as pessoa/as e ou instituições. Alguns indivíduos adoptam comportamentos relacionados com dinheiro que não coincidem com os valores, ideais e ou objectivos pessoais e sociais, susceptíveis de sabotar todo e qualquer plano de estabilidade financeira (ex. poupanças). Representam, num contexto social, um status associado a um estilo de vida fausto, vivendo de mentiras, manipulações, ideais irrealistas, de créditos bancários acumulando dividas acima das suas possibilidades, efeito “bola de neve”.

quarta-feira, abril 22, 2009

Testemunho - Admitindo a impotencia

Boa tarde,
Não sei bem por onde começar, tenho um amigo toxicodependente, uma situação muito complicada. Ele é imigrante, esta ilegal, já foi um sem abrigo, actualmente depende da ajuda de algumas pessoas que lhe pagam alojamento e alimentação.

Há mais ou menos três anos fez uma desintoxicação no CAT (Centro de Atendimento Toxicodependência), nunca parou de consumir, mas consumia de uma forma espaçada, tipo uma ou duas vezes por semana, mas agora entrou numa fase de consumir quase todos os dias. Aguenta tipo dois dias, depois bebe um pouco e vai consumir. Está no programa de metadona do CAT com 80mlg.

Sei que tenho alguma culpa nisto, porque acabo por lhe dar sempre o dinheiro que ele diz ter de pagar aos traficantes, diz que lhe emprestam e depois tem de ir pagar o que consumiu. Isto poderá até ser verdade, mas acho que ele depois quando vai lá novamente paga e consome mais.
Ele tem hepatite C e HIV e está tomar medicação no Hospital. O médico já lhe disse que se não pára de consumir lhe retira a medicação. Sinceramente, penso que no CAT com os métodos deles, não vai a lado nenhum.

Ele diz que quer deixar, faz projectos para o futuro, mas acaba sempre por não conseguir concretizar. Ele tem apoio e carinho das pessoas amigas, mas nada parece surtir efeito. Não sei se ele vai conseguir deixar de consumir. Muito sinceramente, não acredito nos programas de internamento, por alguns meses, porque quando saem de lá muitos voltam aos consumos.

Desculpe, isto é mais um desabafo, sei que não devia lhe dar dinheiro, sei que me vai dizer que sou codependente, sei que me vai dizer que é ele que tem de mudar, que tem de ser responsabilizado pelo caminho que está a dar á vida dele. Provavelmente, não o sei ajudar. Sei que eles podem ser mentirosos, inventar histórias, tudo e mais alguma coisa, mas este meu amigo nem sempre mente, e nunca inventou grandes histórias.Obrigada por ler este meu email. Sei que não existem milagres, mas tenho pena que este meu amigo não pare de consumir.
Catarina (nome fictício)

Resposta: Bom dia
lamento que o seu amigo esteja numa situação tão delicada e dolorosa. A dependência das substâncias é uma doença multifacetada e complexa e o tratamento, como sabe, não é através da "eliminação de um vírus" através de uma vacina. São necessárias condições específicas para que o processo destrutivo seja interrompido.

Sugiro que contacte a Comunidade Vida e Paz. Vá ao Google e é fácil de aceder. Pode ser que eles tenham alguma ajuda disponível.

Gostaria de acrescentar que a doença das dependências também pode afectar seriamente as outras pessoas, principalmente aquelas pessoas que não conseguem desapegar-se emocionalmente do problema. Neste caso, refiro-me a si.

Rapidamente, vou ilustrar através deste exemplo.Imagine vai de avião numa viagem para a Austrália. De repente, o avião começa aos saltos e solavancos, a maioria dos passageiros fica em pânico e aos gritos, entretanto surge a voz do comandante, "Atenção por favor, coloquem as mascaras de oxigénio, o avião tem uns problemas no motor da asa esquerda e vamos tomar medidas para prevenir acidentes. Urgente."Nos lugares junto ao seu estão duas senhoras idosas atrapalhadas com as mascaras e começam a ficar em pânico. O que é que você faz?~

Imediatamente, deve colocar A SUA MASCARA DE OXIGENIO, EM PRIMEIRO LUGAR, porque como sabe corre o risco serio de ter consequências graves de saúde caso não tenha oxigénio para respirar. E só depois pode ajudar as senhoras idosas a colocar a mascara e a tranquiliza-las.

Gostaria de saber se posso publicar o seu email, salvaguardando todos os seus dados pessoais. Através do seu caso pode ajudar outros. A vida está repleta de adversidades e desafios podemos aprender lições que nos ajudem no caminho da auto realização e da solidariedade.

Você parece uma pessoa cheia de qualidades, mas não se esqueça da sua "mascara de oxigénio."

Os meus sinceros cumprimentos

sábado, novembro 08, 2008

A Mulher e as Dependências




Ao longo da minha experiencia profissional tenho procurado averiguar sobre os factores que contribuem para que algumas mulheres sejam afectadas pelas dependências, refiro-me às substâncias lícitas adictivas (ansioliticos, benzodiazepinas barbitúricos, anfetaminas, analgésicos, etc.) incluindo o álcool e as ilícitas (cocaína, heroína) e quais os factores que as motivam a pedir ajuda profissional e iniciarem a sua recuperação.

Por exemplo, para as mulheres alcoólicas a vergonha e a negação são os obstáculos mais óbvios a ultrapassar. Para a maioria das mulheres que se debatem com dependências não procuram ajuda, porque não encontram urgência para receber apoio profissional (tratamento) e sentem-se envergonhadas e abafadas pelo seu problema. Na nossa sociedade, a imagem do alcoólico está profundamente associado ao homem. Nunca à mulher. Aparenta existir um enorme estigma associado ao alcoolismo e/ou dependência das drogas na mulher. Por vezes, o alcoolismo na mulher é utilizado em anedotas e brincadeiras ridículas. Parece não ser levado a serio.

Não procuram ajuda porque ficam ansiosas e com medo sobre aquilo que os seus amigos/as, membros de família, incluindo os filhos/as, colegas de trabalho podem pensar. Em muitos casos não sabem o suficiente sobre o conceito de doença associado às drogas adictivas (licitas e/ou ilícitas) incluindo o álcool. Muitas mulheres combinam álcool com drogas lícitas. Estas combinações são altamente adictivas e perigosas (morte).

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Betty Ford Uma Alcoolica em Recuperação (1918/2011)



Elizabeth Bloomer Ford (Betty Ford) nasceu a 8 de Abril de 1918 e faleceu a 8 de Julho de 2011. Foi a viuva do antigo Presidente dos Estados Unidos da America, Gerald R. Ford. Ocupou o cargo de Primeira Dama na Casa Branca de 1974 a 1977. Foi a Presidente e a fundadora do Betty Ford Center, em colaboração com Leonard Firestone. Esta instituição trata pessoas com problemas de drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas (adição) e adoptou a filosofia dos 12 Passos dos Alcoolicos Anonimos no tratamento (metodologia). Em Outubro de 2004, Betty Ford Center celebrou 22 anos de existência. Também foi condecorada com a Medalha de Ouro pelo Congresso dos EUA, a mais alta condecoração publica. Esteve em recuperação do alcoolismo e drogas legais durante 30 anos.

Entrevista conduzida por Karen Westerberg Reyes (Planning Editor, AARP The Magazine) em Fevereiro de 1992.

“Entrevistamos Betty Ford num pequeno gabinete bem no coração do centro de tratamento Betty Ford, em Rancho Mirage, na Califórnia (EUA). Dedica-se a este trabalho que é a essência da sua vida activa – um estilo de vida que exige uma equipa de profissionais especializados de forma a manter as coisas organizadas. Todavia houve uma fase, após ter sido a Primeira Dama, dos EUA, em que sofreu de dependência de drogas licitas (medicação) e de álcool. Hoje afirma que a sua dependência encontrava-se na altura, num estado tão avançado e grave que sem a intervenção da sua família. “ O meu problema com as substancias podia progredir atingindo um ponto tal que um dia poderia não acordar mais.” A antiga Primeira Dama já partilhou muitas vezes a sua historia da aceitação da sua doença, adicção a substâncias – álcool e medicação prescrita pelo seu proprio medico, bem como a caminhada” da sua recuperação. “Será assim até aos últimos dias da minha vida”, Afirma peremptoriamente, contudo, refere que cada vez que volta a conta-la é sempre mais uma oportunidade para descobrir e adquirir novos discernimentos, quer sejam para si ou para a sua audiência."

KWR: Como era a sua vida antes da intervenção da sua família?

Betty Ford. Tínhamos acabado de sair de Washington. As crianças viviam afastadas de casa nessa altura. Pessoalmente sofria de uma enorme depressão e estava letárgica porque me encontrava sob o efeito de imensa medicação. Naquela altura, consumia álcool em combinação com a medicação para a dor da artrite e para dormir. Foi um milagre aquela combinação de substâncias não ter sido fatal. Não fazia a mínima a ideia dos sérios e graves riscos que corria, até chegar mais tarde, ao centro de tratamento em Long Beach (Califórnia) no Hospital da Marinha em 1978.

KWR: Naquela altura estava a ser seguida por um medico. O que ele lhe dizia?

B.F. Visitava o meu medico todos os dias por causa das dores da artrite. Ele não sabia ou não queria admitir a minha dependência das drogas. Penso que ele não sabia do meu problema com o álcool. Nunca fez qualquer referencia quanto a esse assunto. Infelizmente, ainda existem médicos que não estão devidamente informados e/ou que se recusam a admitir a doença do alcoolismo nos seus doentes.

KWR: O que pensou durante a intervenção familiar?

B.F. Antes da intervenção propriamente dita, a minha filha Susan e o meu ginecologista tentaram fazer uma pequena intervenção/abordagem sobre o meu problema com a drogas e o álcool. Praticamente, corri com eles para fora de casa. Felizmente, eles não desistiram ou cederam aos meus intentos e manipulações – mais tarde, voltaram à carga e “trouxeram as tropas”.
Na segunda intervenção, estava presente toda a minha família e dois médicos. Foi muito duro, resisti imenso, não queria aceitar o apoio que me queriam dar.
Numa primeiro reacção fiquei muito contente por ver toda a minha família reunida e feliz por estarem ali comigo. Mas quando me apercebi que afinal eles estavam ali para abordar o assunto do alcoolismo e das drogas fiquei cheia de raiva. Enfim, depois de muito se falar e discutir, comecei a admitir, cheia de dor, que tinha falhado como esposa e mãe da minha família. Senti que os abandonei, e apesar disso tudo, eles estavam ali e continuavam a dizer que me amavam muito e não iriam permitir que cedesse à doença. Após um período de tempo que comecei a contemplei “a luz” na minha vida.

KWR: Houve alguém em especial que a apoiou, fora do contexto familiar, durante a sua recuperação?

B.F. Sim houve de facto. Algumas mulheres (conselheiras) foram especiais e ajudaram principalmente na fase inicial do tratamento. Através do seu apoio e dedicação, percebi que as mulheres também podem ser alcoólicas, em recuperação, e eu podia ser uma dessas mulheres.

KWR: Como é que se relacionou com a família após ter terminado o seu tratamento em regime de internamento?

B.F. Durante o meu alcoolismo activo, a minha família – especialmente as crianças – conseguiam manipular-me perfeitamente. Nesse tempo dizia sim a tudo. Depois de iniciar a recuperação (abstinência) das drogas e álcool, assumi o controle da minha vida. De inicio, gerou-se imenso ressentimento, porque de repente, queria “lutar” contra tudo e contra todos. Entretanto. a minha família também começou a perceber que esses ressentimentos fazem parte de uma vida familiar saudável,  e é assim a recuperação do alcoolismo e das drogas.

KWR: Como relaxa depois de um dia agitado de trabalho?

B.F. Bebo um chá ou um café numa atitude relaxante. Se realmente me sinto cansada vou nadar para a nossa piscina. Faço exercício físico. Também utilizo livros de meditação que me ajudam a “reagrupar” os meus pensamentos. È uma questão de equilíbrio emocional e físico.

KWR: Que sugestão dá ás mulheres de meia-idade que estejam a ter problema de adicção? E às suas famílias?

B.F. Espero que alguém que esteja a ter problemas de adicção procure ajuda. Hoje em dia existe ajuda disponível. Quanto aos familiares procurem identificar quais os comportamentos facilitadores ou codependentes. A melhor forma de lidar com essa situação é procurarem as Al-Anon (Famílias Anónimas). Também devem procurar ajuda profissional – Intervenção.
No Centro Betty Ford disponibilizamos serviços de intervenção e/ou tratamento. Numa abordagem holística, em tratamento de regime de internamento, acreditamos que todas as áreas da vida do indivíduo devem ser contempladas no plano de tratamento pelos profissionais, em áreas tão distintas como a nutrição, passando por actividade física até à área espiritual.

KWR: Se pudesse mudar algo na sua recuperação, o que seria?

B.F. Desejava que a adicção não tivesse chegado a um ponto tão critico e severo. Não quis ser uma alcoólica. Mas como uma alcoólica, em recuperação, este foi provavelmente o melhor período da minha vida. Teria perdido uma jornada extraordinária da minha vida em conjunto com a minha família.Existe por aí muita ajuda””


http://en.wikipedia.org/wiki/Betty_Ford

http://www.bettyfordcenter.org/

Comentário: Já há alguns anos que sou um admirador desta grande senhora. Pelo seu exemplo, como ser humano e pelo seu trabalho (a sua missão e o seu dom) em benefício das pessoas e famílias afectadas por este enorme flagelo (alcoolismo e drogas) que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Como antiga Primeira Dama, personalidade influente na sociedade norte americana, dá o seu rosto por uma causa nobre fazendo a diferença entre o estigma e a negação(vergonha tóxica) e a honestidade (liberdade e aceitação).
 
A doença da adicção assume contornos incontroláveis e destrutivos quando é “escondida”, camuflada ou negada.

Acredito que é algo imensurável o contributo de Betty Ford se pensarmos nas vidas de adictos e familiares que são devolvidas à felicidade, à esperança, à dignidade, à humanidade, à fé, à bem-aventurança, ao exemplo, à confiança. Depois de ela própria ter atravessado uma fase difícil da adicção activa (alcoolismo e drogas licitas) e conseguir manter-se em recuperação à 30 anos, é uma senhora com um S dos grandes.

Acredito que é um exemplo (ensinamento) para todos nós, desde as pessoas com problemas de adicção activa e em recuperação como ela propria, assim como para todos os profissionais da area e publico em geral.
 
Gostaria de recordar que existem em Portugal imensos casos de pessoas acima dos quarenta anos que também elas estão “aprisionadas” à adicção a drogas (casos dos tranquilizantes, ansioliticos, hipnóticos, alcoolismo, etc.) que através desta maravilhosa experiência e exemplo desta grande senhora podem contemplar a esperança e um novo modo de vida. Nunca é tarde para mudar... e para pedir ajuda.