sábado, dezembro 11, 2010

Retirar o "pó do armário"



Foi no dia 13 de Dezembro de 2008 que comecei a renascer.

Tudo para mim era tempestade.
Mudança, decisão, alegria, tristeza.
Tudo era uma dificuldade,
Uma vida repleta de incerteza.

Não sabia o que era Adicção,
Aceitei ajuda para fugir.
Entrei em profunda negação,
A mente não queria abrir.

Pensava na minha idade,
Olhava apenas para as diferenças.
No que fazia não via maldade,
Vontades de “flutuar”? Imensas!

Por vezes sentia dualidades.
Sabia que tinha de mudar,
Dos tempos passados tinha saudades,
Não sabia como recomeçar.

Levei o meu tempo,
E um dia, comecei a entregar.
Não queria mais o cinzento,
Senti o meu naufragar.

Comecei a compreender
O quanto tinha descambado,
Doeu-me tanto (re)viver
Os episódios do passado.

Era preciosamente necessário
Que tudo eu relembrasse.
Retirar o “pó do armário”.
Para que eu recomeçasse.

Dando um passo de cada vez,
Fui conhecendo a realidade.
Por vezes replecta de porquês
Sobre a “tal” Liberdade.

Espiritualidade, serenidade.
Não sabia como se sentir.
Tinha destruído a capacidade
Que me ajudava a emergir.

Devagar, vou caminhando.
E (re)descubro sentimentos,
Com AMIGOS vou partilhando,
Os mais profundos pensamentos.

Entrar em recuperação,
Foi o melhor que me aconteceu.
Agora vivo com emoção
Tudo o que o destino/P.S. me teceu.

Comemoro uma data brevemente
Proporciona-me alguma ansiedade
O primeiro preto positivo, felizmente!
Confesso que me faz sentir vaidade.

Neste lugar sempre terei
O aconchego desejado.
Se me manter, eu viverei
“E mais será revelado….”
                                                           
J.C.  8/12/2010






sexta-feira, novembro 19, 2010

Adicção: Vidas Duplas Repletas de Singularidade e Secretismo




A maioria dos adictos às substancias psicoactivas (licitas e/ou ilícitas) e/ou comportamentos (jogo, relações, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting) permanecem “presos à teia” da Adicção apesar das consequências nefastas e clinicamente significativas, no seu dia-a-dia, (por ex. negação, vergonha, medo, sentimentos de culpa, ressentimentos) isto é, perdem o controlo nas mais variadas áreas da sua vida ex. família, trabalho, saúde, problemas legais ficando assim limitados na ajuda disponível.

O que é que mantém os adictos/as doentes?
Gostaria de expor alguns casos e explorar os factores que contribuem para a progressão da doença, para a alienação de valores e o desfasamento entre a realidade e a Adicção. A Adicção é uma doença. A maioria dos adictos reconhece que algo está errado, todavia censura os sinais evidentes do desgoverno recorrendo a todo um conjunto de mecanismos psicológicos que o mantém doente e centrado no prazer imediato, no isolamento, na obsessão e compulsividade e na ilusão do controlo. Muitos afirmam “Eu sei que estou mal, Mas…”

 O que é que mantém estes indivíduos doentes e disfuncionais ao invés de pedir ajuda? São imensos os factores e aqueles que gostaria de realçar é a Negação, a Vergonha e o Estigma associado ao comportamento adictivo.

Qualquer semelhança com estes casos é pura coincidência. Os dados destas pessoas foram alterados.

Carlos. 47 Anos, casado e com 2 filhos. Adicto ao jogo. Profissão: Gerente Bancário.
Consequências da Adicção. O Carlos joga no casino com o dinheiro do seu ordenado (totalidade), com o dinheiro da esposa, e por vezes aquele que é para pagar despesas da casa e da escola dos filhos. Através de um esquema fraudulento e falsificação utiliza o dinheiro de três clientes do banco. A mulher do Carlos, desesperada, adopta o silêncio, mantendo secreto a doença do marido com receio de represálias e que este a abandone. A mulher e o Carlos acumulam dívidas no total de 16mil euros. Os pais do Carlos assim como os sogros ignoram a Adicção ao jogo. Os filhos do casal têm problemas no rendimento escolar (agressividade e impulsividade). Nos encontros sociais esta família aparenta felicidade e união.

Júlia 33 anos, solteira, Distúrbio Alimentar. Profissão: Professora de Educação Física
Consequências da Adicção. Vive com os pais. Não tem tempo para comer, isto é, só toma o pequeno-almoço (iogurte magro e uma peça de fruta), não almoça e no final do dia, quando regressa a casa, está esfomeada onde ingere alimentos altamente calóricos (ex. doces, fritos e salgados). Por vezes adopta o jejum provocado e prolongado onde só ingere líquidos. O assunto da comida é a sua principal preocupação diária (obsessão), o que vai comer, quando vai comer. Sofre oscilações drásticas de humor, por exemplo depressão. Desde os 18 anos que faz dietas restritivas. Após períodos de fome e privação adopta comportamentos compulsivos (ex. binge, voracidade e empanturrar-se) e depois provoca o vómito (purgação). Sente medo (pânico) de engordar, considera que está muita gorda e utiliza o exercício físico, excessivo, para não engordar. Nos encontros sociais aparenta ser uma pessoa saudável, pelo seu aspecto físico, e que trata bem da sua saúde a nível da nutrição.

sexta-feira, outubro 29, 2010

Dizer Não em contextos sociais - Lista de Não(s)












Para os indivíduos que estão abstinentes de álcool e/ou substâncias ilícitas (Recuperação) apresento uma lista de respostas para aquelas situações caricatas e desconfortáveis, quando surge alguém ou varias pessoas e pergunta “Queres beber um copo? Vamos divertir à grande… Não sejas careta…É só hoje..”

A abstinência de bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas (drogas) é um compromisso individual, mas pode ser um acto isolado, isto é, não se pode pedir a outra pessoa para ser responsável por isso, mesmo que essa decisão não seja entendido ou respeitado. Por isso, não necessita justificar as suas decisões, assuma essa atitude.

Conheço um caso de um indivíduo abstinente de substâncias psicoactivas, incluindo o álcool, há dez anos, o próprio pai sugeriu ao filho “Olha lá, estamos aqui a festejar e já passou tanto tempo desde que estás abstinente, não achas que já podes beber um copo de champanhe?!” O filho optou por continuar abstinente, sem justificar, ao pai a sua escolha pessoal.
Quando o ambiente (ex. festa, jantar entre amigos/as) é desconfortável podemos sentir uma sensação de vulnerabilidade perante cenários imprevistos.

Dizer Não pode ser difícil, mas com habilidade criativa e competência treinada os resultados são satisfatórios e encorajadores. Na comunicação podemos escolher as respostas que mais se adequam os nossos valores, é um direito que nos assiste - Assertividade. Qualquer resposta serve, sem ser justificada.

Algumas dicas úteis:
  
  • Não obrigado, estou a beber uma água.
  • Bebidas alcoólicas interferem com a medicação para a asma.
  • Obrigado pelo convite, mas tenho imenso trabalho para fazer em casa.
  • Não obrigado, prefiro beber a minha bebida favorita (ex. coca-cola ou outra qualquer).
  • Sou alérgico ao álcool.
  • Não bebo bebidas alcoólicas, porque esta noite vou conduzir.
  • Amanhã tenho um teste importante.
  • Não obrigado, estou a tomar medicação que não pode ser misturada com o álcool.
  • Estou em dieta…o álcool têm imensas calorias.
  • Não obrigado, já bebi o suficiente.
  • Sabes qual é o teu problema? Preocupaste demasiado com os outros. Está na hora de colocar as tuas prioridades em primeiro lugar.
  • Pois, não estou interessado/a em ingerir veneno…estou a tentar, um dia de cada vez.
  • Não quero perder o bom senso e a pouca de inteligência que ainda tenho.
  • Já sou um idiota quando estou sóbrio, se beber ainda irá piorar a situação.
  • Amanhã, vou doar o meu fígado ao meu sobrinho de 8 anos. Não quero que ele seja um alcoólico em recuperação. 
  • Obrigado pelo convite, adorava tomar uma agua tónica (ou outra bebida sem alcool).
  • Desculpa, mas nunca bebo às sextas-feiras (ou outro dia qualquer)
  • Não quero beber. A festa ainda agora começou e quero apreciar o ambiente até ao fim.
  • Não bebo. Sou demasiado novo e perigoso.
  • Não obrigado, por hoje estou a adiar ao máximo o consumo de álcool.
  • Desculpa, mas sou alergico
  • Não bebo obrigado, sou solteiro/a.
  • Não bebo, obrigado, sou casado/a
  • Não bebo em frente às crianças. 
  • Agora não, talvez mais tarde.
  • Não obrigado, ainda não estou desesperado
  • Não obrigado o meu fígado está cansado
  • Não obrigado. Estou a tentar não ficar com barriga de cerveja.
  • Não bebo, vou conduzir.
  • Não bebo, estou grávida.
  • Não obrigado, prefiro ficar inebriado com a vida.
  • Se quero um rum com cola?! Ok, sem rum. 
  • A água é a minha bebida preferida.
  • A última vez que bebi, fui parar a um centro de tratamento. Acredita, não quero lá voltar!
  • Acredita que sou mais divertido quando estou sóbrio. 
  • Prefiro as bebidas com cafeína, queres uma cola?
  • Estou com renite alérgica. Os medicamentos não ligam com o álcool. 
  • Não sou um tipo que bebe álcool, prefiro água, se não te importas.
  • Não obrigado, esta noite não bebo.


Quando estiver numa situação de risco estabeleça um PLANO Hoje Não vou beber.” Se sentir desconfortável procure a saída para a rua mais próxima. Recuperar É Que Está a Dar.



domingo, setembro 19, 2010

Declaração de Viena 2010



Este texto foi publicado pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT) www.gatportugal.org   após a AIDS July, 2010, XVIII International Aids Conference in Vienna, Austria


A criminalização das pessoas que usam drogas fomenta a epidemia do VIH e teve consequências sociais e para a saúde extremamente negativas. É necessário uma reforma das políticas de drogas.

Em resposta aos danos sociais e à saúde causada pelas drogas ilegais, um regime de proibição internacional foi desenvolvido sob os auspícios das Nações Unidas. Décadas de pesquisas proporcionam uma avaliação abrangente do impacto mundial da “Guerra às Drogas”. Quando milhares de indivíduos se reúnem em Viena para a XVIII Conferencia Internacional de Sida, a comunidade científica internacional pede o reconhecimento dos limites e danos decorrentes da proibição total do uso de drogas, bem como a revisão das orientações, para eliminar barreiras à prevenção, ao tratamento e cuidados pelo VIH.

A evidência de que o cumprimento da lei tem fracassado no que diz respeito à prevenção da disponibilidade de drogas ilegais em comunidades onde há procura, é agora inequívoca. Durante as últimas décadas, os sistemas nacionais e internacionais de vigilância têm demonstrado que existe um padrão geral da queda nos preços nos preços das drogas e um aumento da pureza das mesmas, a despeito dos investimentos maciços no cumprimento da lei.

Além disso, não há evidência de que o aumento do rigor no cumprimento da lei reduza de modo significativo a prevalência do uso das drogas. Os dados também demonstram com clareza que o número de países em que as pessoas injectam drogas ilegais está a aumentar, sendo as mulheres e as crianças cada vez mais afectadas. Fora da África subsariana, um em três casos novos de VIH é entre as pessoas que usam drogas injectadas. Em determinadas áreas onde o VIH se dissemina mais rapidamente, como a Europa do Leste e a Ásia Central, a prevalência do VIH chega a atingir 70% dos utilizadores de droga injectada, em determinadas áreas, mais de 80% de todos os casos de VIH encontram-se neste grupo.

No contexto da evidencia avassaladora de que o cumprimento da lei não tem alcançado os seus objectivos, é necessário reconhecer e analisar os danos que causa. Os danos incluem, entre outros:


  • Epidemia de VIH fomentada pela criminalização das pessoas que usam drogas ilícitas e pelas proibições de disponibilização de material de injecção seguro e de tratamentos de substituição opiácea.
  • Explosão da transmissão do VIH entre utilizadores de drogas presos e institucionalizados, como consequência de leis e normas punitivas, assim como a falta de serviços de prevenção de transmissão do VIH nestes ambientes.
  • Erosão dos sistemas de saúde publica, quando o cumprimento da lei afasta os utilizadores de drogas dos serviços de prevenção e cuidado e os empurra para ambientes onde o risco de transmissão de doenças infecciosas (ex. VIH, Hepatite C e B e tuberculose) assim como outros danos é redobrado.
  • Crise nos sistemas de justiça criminal como consequência das altíssimas taxas de encarceramento numa serie de países. Isto tem afectado negativamente o normal funcionamento social de comunidades inteiras. Enquanto disparidades étnicas nas taxas de encarceramento por crimes relacionados com drogas são evidentes em todo o mundo, o impacto tem sido particularmente grave nos EUA, onde aproximadamente um em cada nove afro-americanos no grupo etário de 20 a 34 anos é encarcerado todos os dias, sendo o cumprimento da lei sobre drogas o principal motivo.
  • Estigma em relação às pessoas que usam drogas ilícitas, o que reforça a popularidade politica da criminalização dos utilizadores de drogas e enfraquece a prevenção do VIH , assim como de outras iniciativas de promoção de saúde.
  • Violações graves dos direitos humanos, incluindo a tortura, trabalho forçado, tratamento desumano e degradante, assim como a execução de dependentes de drogas numa serie de países.

Um mercado ilícito de drogas de 320 Mil Milhões de Dólares norte americanos. Estes lucros permanecem totalmente fora do controle dos governos, fomentando o crime, a violência e a corrupção em inúmeras comunidades urbanas e tem destabilizado países inteiros , como a Colômbia, o México e o Afeganistão.

Milhares de Milhões de Dólares dos contribuintes gastos anualmente na “Guerra às Drogas” que não só não atingem os objectivos enunciados como, em vez disso, directa ou indirectamente, contribuem para os dados acima enunciados.

Infelizmente, a evidência do fracasso da mera proibição de drogas em alcançar os seus objectivos, assim como as graves consequências destas orientações são frequentemente negadas por aqueles com interesse em manter o status quo. Isto tem criado confusão na população e tem custado inúmeras vidas. Os governos e as organizações internacionais têm obrigações éticas e legais em responder a esta crise e devem procurar alternativas apoiadas na evidência que possam efectivamente reduzir o dano causado pelas drogas sem causar mais danos. Nós, abaixo assinamos, pedimos aos governos e organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas:


  • Se comprometam a fazer uma revisão transparente da eficácia das orientações actuais em relação às drogas.
  • Implementem e avaliem uma abordagem de saúde pública com base científica para abordar os danos individuais e para as comunidades decorrentes do uso ilícito de drogas.
  • Descriminalizem os utilizadores de drogas, aumentem as opções de tratamento para a dependência de drogas apoiadas no conhecimento cientifico e  na evidencia, bem como, a abolição dos ineficazes centros obrigatórios de tratamento de drogas, que violam a Declaração Universal  dos Direitos Humano.
  • Apoiem e aumentem inequivocamente o financiamento para a implementação do conjunto abrangente de intervenções no âmbito do VIH descrito na Guia de Estabelecimento de Objectivos da OMS, UNODC, e ONUSIDA.
  • Promovam o envolvimento significativo da comunidade afectada no desenvolvimento, monitorização e implementação de serviços e orientações que afectam as suas vidas.

Comentário: Este artigo permite uma informação generalizada sobre a epidemia do abuso de drogas ilícitas e do VIH, assim como uma constatação da ineficácia das medidas implementadas de forma a prevenir o abuso de drogas e do VIH. Por si só representa um tremendo falhanço e um dispêndio enorme de fundos (milhares de euros).

Gostaria de acrescentar, ao fenómeno dependências ilícitas e o VIH,  e fazer referência à epidemia (negligenciada e ignorada) relacionada com o abuso e dependência do álcool e das drogas legais, paralelamente ao consumo de drogas ilícitas e à transmissão do VIH. Desta forma, este fenómeno assume uma proporção desmedida e incalculável, onde os estudos/investigações permanecem nas prateleiras e anualmente são gastos milhares de euros, sem uma avaliação seria e independente. 

O fenómeno contínua escondido pelas autoridades (in) competentes, pela ordem dos médicos, ordem dos advogados, políticos e legisladores justificado pelos interesses económicos e corporativismo. Milhares portugueses, no seu dia-a-dia, sofrem as consequências deste fenómeno, incluindo as crianças. Recuperar É Que Está a Dar. Gostaria de agradecer ao GAT a publicação deste artigo.

Importante: O presidente do IDT e actual Director do Observatório Europeu Drogas e Toxicodependência (OEDT), o Dr. João Goulão foi um dos convidados a intervir na Conferencia Mundial sobre a Sida. Aguardamos para breve uma revisão às medidas implementadas em relação à Prevenção e ao Tratamento das dependências em Portugal

domingo, setembro 12, 2010

Menu de Escolhas - Pensamento Adictivo e o Pensamento em Recuperação






A Adicção é um fenómeno transversal à nossa sociedade consumista e moralista. Paradoxalmente, uma parte significativa da nossa cultura limita e restringe o tratamento e a recuperação da Adicção através de sistemas adaptativos (capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos) e cumulativos, (modificações trazidas por uma geração que passam à geração seguinte) ex. tradições, preconceitos, estereótipos, crenças que reforçam a negação, a vergonha, o estigma e em último caso a recaída.


Enquanto crianças, não aprendemos a pensar em lista de opções (Menu Criativo). Aprendemos demasiados  Não (s), e dolorosamente, demasiados "Tens..." ou "Deves...". Aprendemos a reagir (acting out)[i] e a negar as emoções dolorosas e ou depender de pessoas e coisas de forma a satisfazer as necessidades básicas. Aprendemos a agradar aos nossos pais, às suas expectativas irreais e exigências relacionadas com o êxito. Aprendemos a agradar aos nossos professores e a seguir aquilo que está pensado pelos outros (instituído), antes de nós – o mesmo processo/medida aplica-se a todos. Mais tarde, procuramos o êxito a qualquer custo através do trabalho e do estatuto profissional. Aprendemos a tomar decisões já desactualizadas e retrógradas. Aprendemos a depender e acreditar, única e exclusivamente, em nós mesmos (mito), quando na realidade passamos a vida a depender de pessoas e coisas. Quando alguém destemido e aventureiro mostra intenção de investigar, explorar novas ideias e caminhos colocam-se rótulos insólitos, como se tratasse de um “vírus” ao status familiar e/ou cultural. Aprendemos a pensar mais naquilo que os outros pensam e dizem (sobre nós mesmos) e como devemos sentir, ao invés de explorar e reinventar as nossas próprias escolhas e Rumos – através do potencial individual e colectivo (humanidade).

domingo, julho 04, 2010

Imoralidade ou doença? Shoplifting/Furto





Aqueles indivíduos que são dependentes de substâncias (lícitas, inlcuindo o alcool, e/ou ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras - shopaholicsshoplifting - furto, codependência e distúrbio alimentar) estão expostos e vulneráveis a um conjunto de mecanismos (bio-psico-social) que contribuem e reforçam a progressão da doença da Adicção (ex. craving /ânsia, fixação, desejo poderoso e irresistível). Nos últimos 15 anos, alguns estudos revelam que os comportamentos adictivos interferem no funcionamento normal do cérebro responsável pela aprendizagem e a recompensa (gratificação). Os genes “dão as ordens” perante determinadas “ameaças” e o cérebro executa-as.

A Adicção é uma doença do cérebro com sintomas psicológicos. Como seres humanos, possuímos um mecanismo maravilhoso e misterioso no cérebro que nos mantém vivos das mais variadas ameaças por ex. tragédias, acidentes, situações de perigo. O que é acontecia se não sentíssemos medo? Certamente morríamos. Todavia também aprendemos que a vida, desde a nascença até a idade adulta, apresenta um conjunto complexo e indeterminado de ameaças. Sentimos o isolamento e a tristeza, a dor da perda de algo ou alguém especial, a separação, o insucesso, a injustiça, a frustração e a angústia. Seremos bem sucedidos na gestão da adversidade? Gostamos de nós, tal como somos? Somos aceites? Os outros gostam de nós? E se nos acontece alguma desgraça?

O que é o Shoplifting  - furto?
Shoplifter é um indivíduo que não consegue controlar-se perante a ânsia em roubar de uma forma repetitiva. Rouba diversas coisas, desde roupa, gadgets, produtos e dinheiro. Não o faz porque precise, mas porque não consegue controlar as suas atitudes e comportamentos. Rouba pela sensação de imoralidade e de perigo que provoca, não pelo objecto em si. Como sabemos a vida é difícil. A maioria dos shoplifters identifica uma sensação de grande injustiça nas suas vidas e roubar é a forma como actua sobre esse sentimento persistente, intenso e doloroso. Generaliza e reforça os seus comportamentos adictivos “Se os outros também roubam tenho o mesmo direito de fazer o mesmo.” Simbolicamente, roubar é repor a justiça e a igualdade.

quinta-feira, junho 03, 2010

Historias de Vida na Recuperação da Dependência (Rostos e Vozes)

Ao longo de 17 anos de carreira profissional "acumulo" um vasto registo de historias de pessoas. Historias de vida. Historias reais repletas de drama e coragem, de sofrimento e de humildade, de doença e Recuperação. Recordo o nome do primeiro paciente. Recordo imensos rostos e vozes. Alguns são exemplo "vivo" daquilo que o ser humano é capaz de (re)inventar de forma a Recuperar.

Recordo uma dessas historias reais.

Conheci um individuo dependente com 38 anos, em tratamento em regime residencial de internamento, afectado pela progressão (consequências negativas) da doença activa (dependência) ao longo de 20 anos. Inúmeros problemas na saúde, família e emprego.

Após o período inicial de adaptação ao tratamento,  aproximadamente de um mês, certo dia queixava-se de dores de cabeça e pediu medicação. Como era costume, encorajávamos os nossos residentes a ventilar e a expressar as suas emoções dolorosas. Sabíamos que as dores de cabeça eram "normais" derivado à abstinência e à "pressão" do tratamento ex. viver 24/24 horas com 20 e tal indivíduos na mesma casa, grupos diários de terapia, trabalhos escritos (ex. os 45 exemplos danos e impotências), regras da casa, enfim uma realidade completamente distinta do "mundo" da dependência. A maioria dos dependentes fica extremamente ansioso, quando está com algum sintoma desconfortável (dores); a reacção imediata é "Quero medicação... dói-me imenso a cabeçaNão aguento isto."

Este individuo andou mais ou menos cinco dias a queixar-se de dores de cabeça. Com a agravante dos sintomas agudizarem-se conforme os dias iam passando. A medicação obedecia a um determinado protocolo clinico por ex. uma vez por dia, ou de 8 em 8 horas, dependendo de cada caso.
Comecei a constatar que algo se estava a passar de anormal. Encaminhei este individuo para a urgência do Hospital, recordo que foi acompanhado por um paciente mais "antigo," que também recordo o nome e o rosto.

quarta-feira, maio 19, 2010

A Recuperação Duradoura não pode ser a meta, mas a auto-realização. Um dia de cada vez


Entrei em Recuperação através do Programa dos 12 Passos[i] com 22 anos. A partir desse momento a minha vida parecia começar. 


Finalmente senti o que era fazer parte de algo, sentia amor pelo que me rodeava e recebia de volta o mesmo amor.

Acompanhada, construí amizades, arranjei a minha primeira casa, construí uma carreira, iniciei uma relação e recebi a maior dádiva – o meu filho.


Fui construindo um “Castelo de Areia”, cada vez maior mas onde cabiam cada vez menos pessoas, princípios, amor mas quando dei por terminado o meu sonho, olhei à volta, estava sozinha! Escolhi construí-lo sozinha e prestes a fazer 30 anos recaí em álcool e passado um ano em drogas.

Já não era uma adolescente, tinha que manter responsabilidades a qualquer preço, uma imagem a qualquer custo e o custo que escolhi foi beber mais e usar mais drogas. Dia após dia o meu “Castelo partia-se em cacos”. A imagem que tenho de mim é sozinha, na cozinha, a beber e a usar drogas a noite inteira, cheia de medo que os meus filhos acordassem.

Após 5 anos, e já sem “Castelo”, as amizades que fiz em Narcóticos Anónimos[ii] deram-me a mão, salvaram a vida dos meus filhos.

Estou a “apanhar os meus cacos”, a dar um propósito à lição que ganhei sobre as minhas escolhas, só por hoje, sempre com a ajuda dos 12 Passos e do meu Deus (ou Deusa!) As reuniões de NA são hoje “solo sagrado.”

O meu desafio é ser melhor Mulher, melhor Mãe, melhor Companheira, melhor Amiga. Aprendi que o “Castelo” é a manifestação da minha doença, não me protege e não me faz sentir o Amor – afasta-me dele.

O meu desafio é ir devagar (para não tropeçar…mais!) e acima de tudo viver em Verdade comigo, em sintonia com a vida tal como é. Isso  acredito que é possível com os 12 Passos de Narcóticos Anónimos!
Obrigada pela oportunidade!

Anónima




[i]  12 Passos – Programa de Recuperação utilizado pelos Alcoólicos Anónimos desde 1972 em Portugal e 1935 nos EUA. A seguir sucederam-se vários grupos de ajuda mútua que utilizam os 12 Passos (ex. Narcóticos Anónimos, Emocionais Anónimos, Famílias Anónimas, Nicotina Anónimos, Trabalhadores Compulsivos Anónimos,  Adictos à Comida Anónimos, em Portugal).
[ii]  Narcóticos Anónimos – Grupo de ajuda mútua onde indivíduos dependentes de substâncias adictivas (lícitas e/ou ilícitas) se unem de forma a manterem a abstinência e em Recuperação Duradoura, em Portugal desde 1985.

Comentário: Admiro a coragem desta Anónima, pela sua honestidade e inspiração, por retornar à abstinência e à Recuperação. Não é uma derrotada, falhou nas suas escolhas. Afinal, esse fenómeno não é só comum na Adicção, é Humano.
Mais uma vez Parabéns e Recuperar É Que Está a Dar.

Um/a dependente em Recuperação é por si só um feito "gigante". Em termos sociais representa uma mais valia quer seja para o individuo, para a família, incluindo as crianças, o trabalho e a sociedade.

Como profissional, trabalho na área das Dependências (Comportamentos Adictivos) e admito o desafio que representa, para todos os profissionais como para o individuo dependente, o tratamento da Adicção activa, assim como, manter-se em Recuperação...Duradoura.

Percursos: Nuno Sousa e efeitos do stress prolongado

Siga o link e saiba mais sobre os efeitos do stress prolongado
Percursos: Nuno Sousa e efeitos do stress prolongado

World Hepatitis Alliance


domingo, maio 16, 2010

Filhos Adultos de Pais Adictos no Activo

As crianças também são afectadas pelas consequências dos Comportamentos Adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, o jogo, relações de dependência, distúrbio alimentar, shoplifting - furto, sexo, compras - shopaholics). Aos olhos das crianças os pais são seres idoletrados e "perfeitos"...neste sentido podem estar vulneráveis, e serem negligênciadas, e em alguns casos são vitimas de abuso emocional, físico e sexual. Algumas crianças adaptam a disfuncionalidade e a insanidade ao longo das suas vidas desestruturadas. 


Conheço adultos, que foram filhos de pais (pai ou mãe ou ambos) dependentes de substâncias psicoactivas que ainda sofrem em silêncio as agruras da Adicção activa dos pais. A vida para alguns deles é sinónimo de sofrimento, ilusão, rigidez de pensamento (controlo). Em muitos casos essas crianças, quando adultos envolvem-se em relações disfuncionais, de abuso e de dependência.

Desde cedo os filhos de pais adictos no activo perdem a inocência, a espontaneidade e a auto estima.


Se você é filho ou filha de pais adictos conte a sua historia e envie um email para xx.joao@gmail.com.
Todos os dados pessoais são confidenciais e tratados com o máximo sigilo.
Recuperar É Que Está a Dar

quinta-feira, maio 06, 2010

(Re)nascer das Cinzas



Desde muito cedo, a falta de alegria e o ressentimento justificado tornaram-me uma pessoa sensível. De certa forma o exterior (amigos, ambiente) também contribuiu para uma situação delicada (risco acrescido) motivado pela compulsão e a obsessão pelas drogas. O resultado foi imensas falhas ao longo do meu crescimento, como criança e depois como adolescente.

Após ter conhecido Narcóticos Anónimos[i] (NA) e entrar em contacto com a minha realidade (historial passado e presente) considero que me anulei com amor doentio (orgulho desmedido) e falta de uma alegria honesta, todavia o processo disfuncional continuou sempre presente (falhas). Depois de 20 anos, limpo e sóbrio[ii], mas sem alegria e “alimentando” o ressentimento justificado (magoa e frustração) levou-me sem justificação à recaída.

Na altura que escrevo este texto, voltei a NA e já passaram 89 longos dias de abstinência. Sinto-me a despertar para uma nova vida e a viver o só por hoje (Um dia de cada vez) com outra intensidade, alegria, com um sorriso nos lábios e disponível para dar abraços como se fosse o ultimo. É único. 
Nesta altura, consegui adquirir uma “luz” que orienta o Rumo da minha vida.

segunda-feira, maio 03, 2010

Rostos, Vozes, Ideias e Experiências - Capital Humano

O conceito acerca da Recuperação abrange todas as Adições (drogas lícitas, incluindo o álcool, a nicotina, e as ilíctas), Jogo, Sexo, Trabalho, Distúrbio Alimentar, Compras, Shoplifting, Relações de Dependência, Trabalho,mas aquilo que realmente importa são as pessoas (Capital Humano). 

Através das relações com outras pessoas valorizamos a importância dos vínculos e dos laços (espírito de equipa) e adquirimos uma perspectiva vasta, misteriosa e profunda daquilo que SOMOS capazes de atingir. Por exemplo, quando existe uma tragédia num determinado país do mundo, milhares de pessoas mobilizam-se para ajudar na transformação e "renascimento das cinzas". O fenómeno da Adicção veio para ficar e afecta milhares de portugueses, incluindo as crianças vulneráveis. 

Porque é que procuramos parceiros amorosos? Porque que determinadas pessoas (família e amigos) são o nosso "tesouro"?
Quando estamos em dor ou angustia, porque é que precisamos de pessoas?

As pessoas significativas estão lá para nós (presentes) quando não conseguimos ser tolerantes, ser compreensivos, justos e responsáveis connosco mesmo. As pessoas significativas são o balsamo, o equilíbrio e o "espelho" da nossa imperfeição e humanidade. Somos seres gregários.

sexta-feira, março 26, 2010

Da Abstinência à Recuperação da Adicção Activa

EuRecuperação





O conceito de Abstinência
Para aqueles homens e mulheres, que identificam nas suas vidas, sinais e sintomas dos comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, jogo, sexo, nicotina, compras - shopaholicsshoplifting - furto, relações disfuncionais e dependencia, distúrbio alimentar) geradores de sofrimento, estigma e negação, isolamento social, ansiedade, depressão e impotência urge inverter esta tendência progressiva, compulsiva e definir uma estratégia realista e exequível onde todos os recursos humanos disponíveis são importantes. Numa primeira fase, interrompe-se a progressão da adicção activa. Depois desenvolve-se um conceito de abstinência (fecha-se um ciclo vicioso e adictivo).

Após um período de interrupção da progressão activa (doença) inicia-se a abstinência dos comportamentos adictivos. Nesta fase, é um período de adaptação, reconsideração, transformação, renovação e conquista da confiança entre o passado e o presente –Algumas pessoas questionam-se “Depois desta experiencia dolorosa o que é que faço à minha vida?

Para caracterizar esta fase, por ex. oiço histórias de indivíduos que apresentam problemas com o álcool e/ou drogas onde após uma noite de bebedeira/pedrada, no outro dia de manhã, acordam e encontram um bilhete do parceiro/a… “Ontem à noite senti-me desrespeitado/a pelos teus comportamentos…estavas uma lastima... senti-me envergonhado/a. Como sabes já não é a primeira vez… nem a segunda…prometes dúzias de vezes que deixavas de fazer este tipo de coisas. Ontem foi a última gota…Para mim…chega. Adeus”. Conheço alguns adictos/as, que quando são confrontados com esta realidade, ficam em pânico. Não se lembram de nada, nem daquilo que se passou…nem onde estiveram.

Após este incidente grave tomam uma decisão seria e “radical” (promessa). Afirmam “João, nunca mais bebo uma gota de álcool. Sinto-me um traste e um hipócrita…Chega.

Recuperação Duradoura
A Recuperação Duradoura inicia-se quando se constata, que afinal não basta parar de beber (abstinência), é precio sair da zona de conforto e enfrentar o desconhecido, mas como é que isso se faz? Perante esta ambivalência é preciso definir um Rumo diferente de vida baseado em pessoas significativas, lugares, coisas e valores morais baseados na abstinência e nas competências da Arte de Bem-Viver.

sábado, março 13, 2010

Recuperação da adicção activa à nicotina



O meu nome é Tó-Zé para além de dependente químico e alcoólico em recuperação há 12 anos, 3 meses e 7 dias. Também estou em recuperação da Adicção à nicotina há 2 meses e dois dias, só posso dizer que me sinto um milagre com pernas, pois para conseguir estar livre de todas estas dependências, só por hoje, é o meu maior investimento e tesouro. Quanto à recuperação da adicção à nicotina o que posso dizer é que não foi fácil e continua a ser um desafio diário. Passei pelo menos 22 anos de consumo diário desde que acordava, aquele ritual do café e do cigarro, até antes de apagar a luz ao deitar-me o cigarro foi o meu melhor amigo. 

A nicotina a droga que o acompanha, de uma forma praticamente indolor e eficaz em lidar com tudo. O cigarro, o maço de tabaco estava sempre comigo para onde quer que fosse. Esta mudança tem sido provavelmente a decisão mais dura que tomei em recuperação, pois já há alguns anos que tinha o desejo de parar. Fiz várias tentativas com os métodos que todos conhecemos e não resultou voltava sempre a acender só mais um que me levava a um maço de seguida e diariamente andava na casa dos dois maços sentia-me pessimamente por depender desta droga mesmo estando em recuperação há vários anos. Comecei a sentir que a relação que tinha com os cigarros era semelhante às drogas, mais tarde de facto vim a aceitar que a nicotina é uma droga e que os cigarros são uma invenção de engenheiros químicos que permitem levar a nicotina e os 4000 químicos que compõem o fumo do cigarro a entrar na corrente sanguínea até atingirem o cérebro. De facto, é uma droga poderosíssima, pela minha experiência de muitas tentativas. Esta droga foi mesmo a mais difícil de deixar e é mesmo só por hoje. Há dias que é só por agora. 

segunda-feira, março 08, 2010

Retiro Espiritual Online - PDI@



Plano Desenvolvimento Individual Online (PDI@) - Retiro Espiritual um Programa de Meditação pioneiro e inovador – “Alimento pró Pensamento.”
O conceito espiritual referido neste blogue não é religioso sem dogmas e divindades. É um conceito imaterial individual que permite a conexão com as pessoas e o mundo à sua volta, principalmente, atravês das fases complexas do devir.

Deseja participar no Retiro Espiritual Online? Surpresa!
Transforme a sua caixa de correio electrónico numa uma “fonte” de energia espiritual e inspiradora. Onde quer que esteja em casa, no trabalho, em viagem, em ferias, doença prolongada, padrinho/ madrinha, reunião de grupo de ajuda mútua, etc. Tudo aquilo que precisa é de um computador e acesso a internet. Pode enriquecer as suas competências individuais e sociais. 
  
Se estiver interessado em participar basta enviar um email (joaoalexx@sapo.pt) a solicitar toda a informação. Obviamente, que a sua participação tem custos, mas é um investimento valido e acessível a todas as bolsas. É Confidencial e profissional. Toda a informação é “fruto” da minha experiência em trabalhar com pessoas. Também pode solicitar mais informação.
Estou disponível para ajudar.

Alguns temas do PDI@

 
Defeitos de carácter, Medo e aceitação, Vocação, Vergonha, Desapego Emocional com Amor, Lições da Arte de Bem-Viver, Perdoar e muito mais surpresas, participe já. Envie já o seu email.


domingo, fevereiro 07, 2010

Percurso de vida - Continuidade do gene e o altruísmo

1.Reprodução/descendentes/espécie

 2.Nascimento/segurança e protecção/despertar




 3.Carácter/aprendizagem/curiosidade





4.Transformação/pertencer/autonomia

5.Família/valores/compromisso/intimidade


6.Transformação/experiência/mudança

7.Morte/natureza/mistério


Os comportamentos adictivos (adicção) fazem parte da nossa condição humana. Somos influenciados por um conjunto de factores (bio-psico-social e ambiente) que determinam as nossas escolhas e decisões. Assim aconteceu e irá acontecer sucessivamente com os nossos familiares ao longo das gerações. Por. ex. adicção ao álcool (hereditário). 
Da mesma forma que através da reprodução proporcionamos a continuidade da espécie o mesmo também sucede com a adicção, cancro, diabetes (genes). "Uma mão lava a outra... e outra volta a sujar".

Todavia, aparentam surgir novas pessoas "iluminadas", ideias e abordagens que reforçam a importância da recuperação dos comportamentos adictivos e cujo potencial transforma a nossa cultura disfuncional/paradoxo. Graças ao avanço das novas tecnologias, da ciência e da experiência empírica, destaco as pessoas especiais (profissionais e individuos em recuperação).  Por ex. apesar de a nossa cultura (ainda) reforçar o consumo de bebidas alcoólicas e determinadas drogas lícitas e ou ilícitas, a pornografia, o jogo, a dependência emocional nas relações, a perfeição "imperfeita", o estigma, a negação,a vergonha tóxica e o preconceito existem pessoas especiais que reúnem a motivação, a determinação, a humanidade (Esperança) e o compromisso para a causa/missão da recuperação dos comportamentos adictivos, cultura diferente e inovadora baseado em valores e pessoas. Por.ex. pessoas especiais (anónimas e publicas) que são associadas a determinadas causas de cariz social e do ambiente.

Se pensar na vida como um percurso de (nascimento) a (morte - permanece uma incógnita) o que podemos aprender com a natureza da adicção? A adicção aparenta ser um mecanismo humano que é despoletado e adoptado em defesa do "ego" (arma/amortecedor) e de sobrevivência quanto a evitar/enganar o sofrimento,a dor, a perda, a rejeição e o abandono, perda do controlo, a vergonha, o medo. 

Apresentamos imensas semelhanças com ao animais ao longo do percurso da vida. O que podemos aprender com eles? Aparentam não desenvolver comportamentos adictivos, pelo contrario, desenvolveram as competências necessárias para se adaptarem e assim salvaguardar a sua espécie e tendo como "inimigo" o apelidado "desenvolvimento da civilização". Para os animais, o todo (sobrevivencia do individuo) é mais importante que a soma das partes. 

Os comportamentos adictivos podem ser uma defesa do "ego" (egoismo) e uma consequência da ausência de valores morais, sociais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, onde a nossa cultura promove o consumismo, elitismo retrogado, o individualismo (poder, sucesso e prestigio a qualquer preço), o fundamentalismo, discriminar com base em preconceitos, a negação e o estigma, as aparências, etc.

Precisamos de pessoas especiais que valorizem a liberdade, a criatividade (novas ideias e conceitos), a esperança, a honestidade, a universalidade, o altruísmo, a coesão do grupo, viver no presente.
Afinal, Recuperar É Que Está a Dar.




quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A adicção activa e a preparação para a mudança



Sou um “deslumbrado” pelo comportamento humano e os comportamentos adictivos, em particular. Como profissional, obviamente aprendo com aqueles que procuram ajuda…a verdadeira (a mudança) – “escola da vida”. Refiro-me às competências individuais, sociais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, em lidar com a adversidade, a imprevisibilidade e a impotência (doença da adicção). Apesar das diferenças da personalidade, existem valores morais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, que nos unem e nos tornam flexíveis e mais corajosos nos momentos mais criticos do devir. Somos seres gregários, precisamos uns dos outros e o que aprendemos hoje pode não se aplicar amanhã. Estamos em mudança permanente.

Para um indivíduo com comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e as ilícitas, jogo, distúrbio alimentar, relações de dependência emocional, codependência, sexo, compras compulsivas - shopaholics,shoplifting - furto) aceitar ajuda profissional é o resultado de um estado de sofrimento, desgaste físico , emocional e espiritual progressivo e profundo – sente-se um falhado/a, desconfiado, angustiado, isolado e sofre de níveis altíssimos de desilusão. Sofreu um processo degradante transformador, como costumo afirmar, a escala de valores foi invertida, em vez de o individuo se valorizar; auto destroi-se. Em muitos casos, o adicto/a nem se apercebe dessa mudança disfuncional. Aquilo que criticou e julgou nos outros; acabou por fazer o mesmo ou pior. o adicto perdeu o controlo dos seus sentimentos e comportamentos, perante si próprio, as outras pessoas significativas (ex. filhos/as, amigos, colegas de trabalho, família) e necessita de ser salvo e removido à sanidade. Imagine-se num barco em alto mar, de repente começa a afundar, e você está sozinho, mesmo sendo um marinheiro experiente e orgulhoso (muitos adictos/as no activo[i] são indivíduos com imensa experiência e orgulho) precisa de ser ajudado e salvo, o mais rapidamente possível de forma a conseguir sobreviver.