quarta-feira, junho 22, 2016

Dica Arte Bem Viver de 06/08/2012 (Reeditada)





Motivação intrínseca e a motivação extrínseca.

Olá,
Qual é o tipo de motivação que o move, desde que acorda até que vai para a cama, todos os dias? Você está satisfeito com os resultados obtidos? Como é que ativamos a motivação? Dependemos de fatores extrínsecos e fatores intrínsecos.

Nesta dica irei abordar um estudo efetuado por três investigadores - Dr. Mark Lepper, Dr. David Greene e o Dr. Robert Nisbet sobre a motivação. Estes investigadores observaram uma turma de alunos do pré-escolar, ao longo da varias semanas, e identificaram crianças que gostavam de desenhar. Depois os investigadores desenvolveram uma experiência para testar o efeito de recompensar a atividade pela qual aquelas crianças tinham preferência especial - desenhar. As crianças foram distribuídas por três grupos:
  • O primeiro grupo era da recompensa esperada. Mostraram a todas elas um certificado de bom aluno e perguntaram se queriam fazer desenhos para receber o premio.
  • O segundo grupo era da recompensa inesperada. Neste caso os investigadores limitaram-se a perguntar às crianças se queriam desenhar. Aos que aderiram à tarefa, os investigadores entregavam os certificados de bons alunos após terminarem os desenhos.
  • O terceiro grupo era o dos que não tinham qualquer recompensa. Os investigadores limitaram-se a perguntar às crianças se queriam desenhar, todavia, não fizeram referencia a qualquer recompensa/certificado de bom aluno.

Duas semanas depois, durante o tempo livre que dispunham entre as aulas, foram entregues marcadores e papel de desenho. As crianças que tinham feito parte do grupo da recompensa inesperada ou sem recompensa desenharam com prazer e utilizaram todo o tempo disponível, enquanto as crianças que esperavam ser recompensadas revelaram muito menos interesse a desenhar e passaram menos tempo a faze-lo. Segundo os investigadores, as recompensas extrínsecas, referentes ao primeiro grupo - «se fizeres isto recebes aquilo» revelaram um efeito negativo. Este tipo de recompensas extrínsecas exige que as pessoas prescindam de alguma autonomia. De acordo com os investigadores, também foram conduzidas experiências semelhantes com adultos.

Voltando à questão acima formulada, você está satisfeito com os resultados obtidos? Considera que a sua motivação depende excessivamente da recompensa extrínseca? De bónus, de prémios. Ou a sua motivação intrínseca depende de causas, de um propósito no sentido da vida, baseado em causas/campanhas (por exemplo, estar ligado a causas de apoio a problemas sociais na sociedade) e valores morais universais/espirituais, sem dogmas ou divindades?

O ponto de partida para qualquer discussão sobre a motivação no emprego/empresa está relacionado está com o vencimento/retorno do investimento. As empresas e os empregados sabem isto. As empresas precisam de empregados e os empregados precisam das empresas; a motivação de ambos gira em torno do mesmo tema; recompensas extrínsecas, vulgo «ganhar a vida» e se o retorno do investimento/vencimento não corresponder às expectativas e/ou não for adequado a probabilidade da motivação cair a pique é enorme.

sexta-feira, abril 22, 2016

Às vezes não possuímos todas as respostas, principalmente, quando estamos sós

Ao longo de duas décadas de acompanhamento de pessoas com problemas relacionados com comportamentos adictivos (dependência de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, incluindo o alcool, jogo, perturbação do comportamento alimentar, dependencia emocional, sexo, shoplifting -furto, compras) o isolamento é um factor presente em todas as adicções. 
O isolamento que refiro funciona como uma redoma e um escudo. Isolamento da realidade da doença.
Isolamento através das vidas duplas, reforçado pelos segredos, pela vergonha, sentimento de culpa e pela fantasia do controlo. Uma afirmação muito comum, " O meu problema é diferente dos outros. Eu controlo"  

Estas pessoas lutam sózinhas contra a doença, o estigma, a negação e a vergonha, todavia, esta luta é inglória e extremamente frustrante, porque do ponto onde começam é o ponto onde acabam, efeito espiral (ciclo vicioso) característico da progressão da adicção. Isto é, o problema tem tendência para se agravar, todavia, a percepção da pessoa sobre o problema é precisamente o oposto. 
Recuperar da adicção é um processo complexo onde TODOS os intervenientes; os indivíduos, familiares e profissionais procuram estar numa espécie de sintonia e focados na solução. Recuperar é que está a dar  



quarta-feira, março 16, 2016

Recuperar é auto conhecimento



Em 2015 o Professor David Best e colegas da Universidade de Sheffield Hallam, Inglaterra, em parceria com a Action on Addiction conduziram o primeiro questionário sobre a recuperação da adicção - dependência de substâncias psicoativas do Sistema Nervoso Central, vulgo drogas, lícitas e/ou ilícitas. Os participantes no estudo incluíam indivíduos do sexo masculino (53%) e indivíduos do sexo feminino (47%) que atualmente residem em Inglaterra. 74% dos participantes, dependentes de outras drogas, afirmaram estar também em recuperação do alcoolismo. O questionário abrangente contemplou varias áreas da vida dos indivíduos:
  • Relacionamentos, educação, emprego
  • Saúde e bem-estar
  • Tipos de adicção
  • Recuperação (duração, abstinência)
  • Envolvimento em tratamento e/ou participação em grupos de ajuda mutua
  • Área financeira
  • Família e vida social
  • Justiça/questões legais

- De acordo com os resultados do questionário os indivíduos afirmaram ter um historial de dependência de substâncias psicoativas (adicção) de 20.4 anos. De salientar que os indivíduos dependentes de álcool apresentaram uma tendência para serem admitidos, em tratamento (receber apoio profissional - meia idade, 40 e os 65 anos), em faixas etárias diferentes, dos indivíduos dependentes de substâncias psicoativas, licitas e/ou ilícitas (drogas).
- O tempo/duração da recuperação do grupo dos intervenientes ronda os 8.3 anos
- Os indivíduos do sexo feminino revelam um historial diferente, quanto ao tempo que permanecem dependentes de substancias psicoativas, comparativamente aos indivíduos do sexo masculino, 17.7 (feminino) vs. 22.4 anos (masculino). Os indivíduos do sexo feminino iniciaram a recuperação mais cedo, comparativamente aos homens – 37.2 vs. 39.2 anos.
- 65% dos participantes consideram que continuam em recuperação, enquanto 7% considera estar recuperado, vulgo «curado».
- 70% afirma ter participado, pelo menos uma vez, numa reunião dos grupos de ajuda mutua, por exemplo, dos Narcóticos Anónimos, Alcoólicos Anónimos e SMART Recovery.
- 69% afirma ter recebido apoio profissional/tratamento.
- 51%. afirma ter sido sujeito a medicação prescrita pelo medico.

Conclusões
Os autores do estudo, admitem serem defensores do conceito de recuperação das dependências de substancias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas, concentrando assim os seus esforços, principalmente, sobre os efeitos positivos da recuperação:
  • Redução acentuada, na colocação dos filhos de pais dependentes de substâncias psicoativas em recuperação, em instituições de apoio à criança, assim como, em relação ao reagrupamento/estrutura familiar apresentam resultados positivos concretos.
  • O índice de violência domestica, em indivíduos adictos ativos calcula-se entre os 39%, enquanto a mesma taxa entre os indivíduos em recuperação calcula-se entre os 7%, uma diferença significativa de 32%.
  • Aumento da empregabilidade, segundo o relatório do estudo, 74% dos indivíduos em recuperação permanece durante longos períodos no local de trabalho e 70% afirma pagar impostos, as suas dividas, assim como, voltam a ter acesso ao crédito, por exemplo, em instituições bancarias. 
  • Apresentam taxas reduzidas de problemas com a justiça, por exemplo; prisão. Aqueles indivíduos em recuperação, de longa duração, gradualmente deixam de se envolver em actividades ilícitas.
  • A conclusão final dos autores, sobre este estudo, reforça que a recuperação das dependências de substancias psicoactivas, licitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, não se resume somente à interrupção dos comportamentos problemáticos e ao consumo de drogas, visa também a adoção de estilos de vida responsáveis e positivos em prol do autoconhecimento (selfcare) e da sociedade.
  • 79.4% dos participantes no estudo, após terem iniciado a sua recuperação, refere ter participado em ações de voluntariado na comunidade e participado em grupos cívicos.


Nota pessoal: Este estudo vem reforçar e contrariar o estigma, a negação e a vergonha associadas aos indivíduos dependentes de drogas, vulgo toxicodependentes, termo em desuso, a Organização Mundial de Saúde, designa de dependência de substâncias psicoativas.
Se recuarmos duas décadas, os indivíduos dependentes de drogas eram considerados marginais e excluídos da sociedade preconceituosa e mal informada. O mesmo preconceito também se alastrava às suas famílias. Para agravar ainda mais o cenário, já dramático, existia a crença generalizada que as pessoas dependentes não conseguiam recuperar, ou melhor dizendo, não conseguiam ficar curadas do seu «vicio»; era uma condenação para o resto das suas vidas. O diagnostico era considerado muito grave e estes indivíduos só conseguiam estabilizar da sua condição recorrendo a medicação, em doses excessivas, prescritas pelos seus médicos e ao internamento em instituições de longa duração e isoladas da sociedade, como se de um vírus tratasse.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Dica Arte Bem Viver de 29/01/2012



Perfeição vs. Cometer erros
Olá
A perfeição é um mito, uma fantasia e uma obsessão imposta pela nossa sociedade. Na obsessão pela perfeição almejamos o controlo das sensações e resultados imediatos. Vivemos numa correria constante, a fim de adquirir o tão ambicionado reconhecimento e sucesso, onde o que fazemos nunca é suficiente. Na perfeição, vivemos em piloto automático, precisamos de ser mais e ter mais. Nos padrões rígidos estabelecidos pela sociedade é imposto:
  • "Tenho que ser melhor que tu..." porque "se não conseguir ser melhor do que tu, não tenho valor"
  • "Tenho que ter mais coisas que tu..." porque " se não tiver mais coisas do que tu, não serei valorizado."
  • "Eu sou mais ......... do que tu." porque "se eu não for mais .... do que tu, não serei gostado."

terça-feira, dezembro 22, 2015

Feliz Natal 2015

  • A todos aqueles que estão em recuperação dos comportamentos adictivos, aqueles que são seguidores do blogue, aqueles interessados na recuperação da adicção contra o estigma, a vergonha e a negação, desejo-vos um FELIZ NATAL, o mais importante é ser Feliz
  • Merry Christmas, be happy.


quarta-feira, novembro 18, 2015

As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool.



Ao visualizar este video, recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.

Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem  aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.
veja o video e faça os seus comentários.

Recuperar é que está a dar.

quarta-feira, novembro 04, 2015

O álcool não é «remédio santo»


«Bebia para afogar as mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar»

Frida Kahlo, pintora mexicana (1907-1954). Fotografia de Nicholas Muray (1939)

A famosa citação da pintora, mantém-se actualizada nos dias de hoje, e assim irá permanecer, para a eternidade. O ser humano, ao longo da historia, sempre atribuiu aos efeitos do álcool um papel preponderante na cultura, desde a religião, medicina, musica, literatura, às artes, etc.

O álcool é uma droga, que afecta o sistema nervoso central, que proporciona sensações fantásticas, mas na realidade, não resolve problemas, sejam eles quais forem, pelo contrario, pode representar uma fonte interminável de problemas graves. Na minha opinião pessoal, de acordo com a pratica profissional, o álcool é a droga mais consumida e é a mais perigosa. Porquê? Porque é legal, vivemos numa cultura, que promove e fomenta o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas. Em pleno seculo XXI, apesar de o abuso e o alcoolismo serem um problema de saúde publica, os decisores políticos continuam a negarem as evidencias cientificas sobre a problemática, assim como, falta implementar medidas preventivas que visem travar o abuso do álcool e o alcoolismo. Por exemplo, ao contrario do que acontecia há vinte anos, os casos de abuso do álcool e alcoolismo surgiam entre os 40 e os 50 anos, actualmente, são diagnosticados em jovens adultos.

Importante: Se você tem problemas na sua vida, o que é provável que tenha, como todos nós, é humano, não, repito, não recorra ao álcool para atenuar os sentimentos dolorosos, negar as evidências e/ou justificar o consumo e o abuso de bebidas com teor alcoólico. Procure alguém de confiança e expresse os seus sentimentos, em vez de optar pela solidão, vergonha e a angustia. Recuperar é que está a dar.