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quarta-feira, março 13, 2024

"É um problema de adicção e ponto final."


 

Boa tarde João.

Vi o seu artigo no blog: https://recuperardasdependencias.blogs.sapo.pt/70656.html

Achei muito interessante e agradeço. Tenho efetivamente um problema de vicio de compras, no meu caso de tecnologia / computadores, associado a quando estou em estado mais ansioso ou aborrecido com o meu trabalho (sou arquiteto, mas adoro desenhar livros para crianças e de tocar no meu sintetizador).

Ou simplesmente compro quando não tenho nada que fazer e aparece "aquele pensamento" de "o que poderia comprar agora para completar o meu setup?", por exemplo. Ou seja, não vale a pena dourar a pilula com justificações: é um problema de adição e ponto final.

Já fiz psicoterapia durante quase 1 ano, até ao ponto em que a minha psicóloga, depois de 1 ano de sessões em que me aconselhou diversas estratégias de comportamento / atividades que eu não seguia, me convidou educadamente a terminar as sessões, pois afinal eu não as estava a aproveitar e outras pessoas necessitavam também da assistência dela (eram financiadas pelo estado: gratuitas). Deixou, no entanto, a porta aberta se eu quisesse regressar. Não regressei mais. Fiquei triste e desiludido na altura, mas hoje vejo que ela teve toda a razão ao fazê-lo.

Mas o meu email tem a ver com estar neste preciso momento e por vontade própria, em fase de desmame de vários meses de compras seguidas. Ao todos foram 24 anos disto, com 2 divórcios pelo meio: mais do que suficiente.... Estou agora e há 5 anos numa relação estável, mas não tenho ilusões - se continuo a persistir no mesmo - a minha companheira vai-se embora tal como as outras fizeram. E aí irei ficar bem pior do que antes fiquei. E sozinho.

Portanto tenho a intenção de resolver de uma vez por todas este vício. De preferência sem medicação, apesar de ter Valium 2,5mg comigo que utilizo em SOS em caso de necessidade.

Mas claro, como em todos os desmames, estou em processo de ressaca, ou seja, a vontade de pesquisar este gadget ou outra coisa para comprar está cá sempre. Umas vezes mais forte outras menos forte.

Sem querer abusar da sua generosidade, o João poderia aconselhar-me por favor - para esta fase muito especifica - uma estratégia de comportamento para quando vêm estes pensamentos? Ou outra que entenda ser adequada neste momento?

Muito obrigado,

Marco António (nome fictício)

Importante: Todos os dados pessoais foram excluídos de forma a manter a confidencialidade.

 

My Shopping Addiction Is Out Of Control | Compulsive Shoppers | Our Stories

 

Comportamentos adictivos - compras, gastar dinheiro. 
  • Qual é o limite entre fazer compras, como algo inofensivo, proporciona sensações prazerosas, cuidar da imagem, estatuto, seguir tendências/modas, socializar e o comportamento compulsivo e repetitivo (craving/desejo intenso) cujas consequências é a perda total do controlo (impotência, agir no prazer imediato, sensação de alheamento, isolamento, ansiedade e depressão)?
  • Considera que perde o controlo do seu comportamento e comprar, gastar dinheiro? Peça ajuda e fale procure esclarecimento/informação. 

quinta-feira, junho 04, 2020

Seres imperfeitos



O ser humano precisa de proteger-se contra a sua própria humanidade imperfeita. A perfeição é um mito, que o ser humano persegue embriagado pela sua própria arrogância. Exigimos aos outros que sejam aquilo que nós não conseguimos ser, um reflexo das ilusões e imaginação. Este fenómeno, é uma fonte geradora de conflitos, competição desenfreada e guerra de egos e sexos. Por exemplo, porque é que ficamos tão ofendidos, com a mentira alheia, quando nós próprios também mentimos? Por um conjunto complexo de factores e contextos sociais, sofremos algumas desilusões por parte de pessoas significativas, mas nós também já desiludimos outras.
 O talento que dispomos, não serve para nos contentarmos com aquilo que já atingimos ou concluímos. Lá porque alcançarmos o "estatuto" ou o mérito, isso não significa que o trabalho tenha acabado. Podemos estar no caminho certo, mas precisamos de continuar a explorar, humildemente, o universo do autoconhecimento.

sexta-feira, janeiro 18, 2019

Entre o medo de comer e a vontade de comer demais




Sofri de anorexia-bulímica durante 20 anos, até ao dia em que decidi procurar ajuda psiquiátrica (Outubro de 2017). Isto significa que passei mais de metade da minha vida a lutar contra duas doenças que fragilizaram fisiológica e psicologicamente durante as fases mais importantes da vida em termos de desenvolvimento pessoal – a adolescência e a primeira década da idade adulta. Já tinha 34 anos quando recorri a ajuda especializada.
Três meses depois de começar o tratamento – medicação e terapia – já me sentia mais capaz de me manter fiel a uma promessa que nunca sei se será para sempre: não praticar atos de compulsão alimentar seguidos de purga e não fazer restrição alimentar. Não é fácil abandonar por completo um vício que alimentei durante tanto tempo, pois os meus distúrbios alimentares, por muita dor física e emocional que me causassem, sempre foram a forma dominante de preencher um vazio interior que sempre senti.
Já tive recaídas desde então, mas isso não significa que fracassei, mas sim que ainda estou num processo de construção de auto controlo que me permita viver além deste vício e da fobia de engordar.
A dificuldade não está em decidir tratarmos-mos, mas sim em nos mantermos empenhados em cumprir essa resolução, por muito que nos custe dar esse salto de fé. Os meus distúrbios alimentares têm na sua base um transtorno de ansiedade crónico, posteriormente diagnosticado. Todos temos coisas dentro de nós por resolver e que nos causam ânsias, mas o importante é mantermos o foco no presente que podemos controlar e na construção de um futuro mais saudável e livre de fobias e vícios que nos impedem de viver plenamente.
Visite a pagina da Joana no facebook Tripolaridades - Ansiedade, Anorexia e Bulimia

Joana Marques
Comentário: Muitos parabéns Joana, por ter decidido quebrar o ciclo vicioso da doença e pedir ajuda, iniciando assim a recuperação, um dia de cada vez. Parabéns por lutar contra o estigma, a negação e a vergonha associados às perturbações do comportamento alimentar através da pagina do facebook. Obrigado por participar com a sua historia no recuperar é que está a dar. Sucessos e tudo de bom!

segunda-feira, abril 27, 2015

Nação resiliente no facebook



Publicação reditada do Facebook de novembro de 2014


Alguns de nós passam uma parte muito significativa das suas vidas, ansiosos a afirmar: "Nunca tenho tempo para nada e nunca consigo gerir bem o tempo. Ando sempre numa correria..."


Sabia que os níveis elevados de ansiedade contribuem para a diminuição drástica da capacidade de raciocínio e da memória? Afecta as funções basicas, por exemplo, a memoria de curto prazo e processamento da informação simples e a mais complexa. Interfere na capacidade de diferenciar entre as tarefas importantes e as irrelevantes. Quando estamos ansiosos é tudo urgente...

Dependemos do tempo a fim de conseguirmos gerir as nossas competências e prioridades; urgentes e importantes. 
1) O que é urgente? 
2) O que é importante? 
3) Ou será tudo urgente devido aos níveis elevados de ansiedade, de preocupação e incapacidade em dizer não devido aos sentimentos de culpa?

sexta-feira, maio 08, 2009

A pressão gerada pela ansiedade na escola

A ansiedade é uma resposta ao medo (fugimos ou atacamos). Pode ser caracterizado por um estado de alerta ou vigilia constante. Qualquer estudante sabe perfeitamente a pressão gerada pela expectativa e pela pressão durante a epoca de exame.

Numa Universidade Espanhola foi desenvolvido um programa de forma a diagnosticar a e lidar com a ansiedade.
Seguir link:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31164

domingo, novembro 23, 2008

Compreender a Ansiedade Social


Compreender a Ansiedade Social: Medo da rejeição, por Rick Nauert, PH.D. (Sénior News Editor) revisto por John Grohol Psy. D

Para indivíduos com ansiedade social, por vezes “conduzidos numa direcção errada e cristalizados”, um novo estudo veio revelar que os indivíduos ansiosos necessitam de melhorar as suas competências e talentos de forma a quebrarem o ciclo da rejeição social.

Os investigadores da Universidade de Maastrich procuraram descobrir quais os factores que influenciam os indivíduos não ansiosos a adoptarem medidas de rejeição junto dos indivíduos com ansiedade social (são menos aceites, menos reconhecidos e menos tolerados).

Os indivíduos com quadros de ansiedade foram observados em duas tarefas com componentes sociais: o seu discurso e na forma como se davam a conhecer a outras pessoas. Quer as pessoas não ansiosas que participaram no referido estudo, como aquelas que observaram, ambas partilharam as suas reacções pessoais em relação aos indivíduos com ansiedade social.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Recuperação duradoura e a alimentação saudável










Na minha opinião a alimentação saudável é uma pratica corrente a ter em conta na recuperação duradoura dos comportamentos adictivos. Cada vez mais observo homens e mulheres, em recuperação há vários anos, ansiosos e preocupados com os seus hábitos de alimentação, e como consequência, obesos e inquietos com a sua saúde física, mental e espiritual. Uma vez ouvi alguém afirmar que “ Aquilo que comemos está relacionado com a forma como nos sentimos e tratamos.” Sabia que utilizamos determinados alimentos, aqueles que com elevado valor calórico, a fim de atenuar e/ou evitar emoções dolorosas?

Recuperação é regularizar e lidar com hábitos disfuncionais (sono, alimentação, gestão do tempo livre, meditação, higiene pessoal, saúde,), identificar comportamentos geradores de sentimentos dolorosos e em alguns casos compulsivos por ex. a comida, relações, sexo, jogo patológico, trabalho patológico e compras.

Na maioria dos casos agimos no prazer imediato, saciar o vazio interior, com coisas (pessoas, lugares, coisas e alimentos excessivamente calóricas; gorduras e açucares) e não optamos por adiar a gratificação e congratularmo-nos por isso. Queremos algo e já.

segunda-feira, setembro 15, 2008

Não acontece só aos outros



Estas imagens ilustram na perfeição a escalada de comportamento violento até à explosão, no local de trabalho, que também se pode transpor para casa (lar por ex. violência domestica).
A raiva reprimida (ira), a atitude passiva e manipuladora podem conduzir a este tipo de comportamento explosivo. A raiva reprimida pode ser aqui ilustrada atraves de um "vulcão". Antes de o vulcão entrar em erupção toda aquela energia contida e reprimida aguarda a sua "oportunidade" para se libertar e gerar o caos à sua volta.
Mais uma vez é realmente relevante identificar os nossos sentimentos de forma a prevenir a impulsividade e a explosão caótica.

sábado, janeiro 26, 2008

Rir, Sorrir mais. Será Que Seriamos Mais Felizes?



Será que rimos pouco ou o suficiente? Podíamos rir mais e alegrar as nossas almas com mais frequência ? Podíamos rir mais de nós mesmos, em vez dos outros? Das nossas “calinadas”, das nossas “gaffes”, de não sabermos tudo e admitir que erramos, de não controlarmos pessoas, lugares e coisas.

Será que nos levamos demasiado a serio? Pelas nossas preocupações exageradas, pela ansiedade, desejos e expectativas irreais, pelos nossos objectivos e planos, pelo stress, pelo patrão ou empregado/a, colega de trabalho, pelo namorado/a, pelo gato/cão, pelo marido/mulher, pelas contas a pagar no fim do mês, pela chuva e pelo calor, pelo credito da casa, pela dor das costas ou de cabeça, pelos filhos/as, pela família, pela impressora ou computador, pelo telemovel, etc, etc?

Na minha opinião, somos um povo que se leva demasiado a serio, existem demasiadas formalidades. Adoramos saber da vida alheia” principalmente quando os outros estão com dificuldades; quase que fazemos uma catarse dos nossos próprios problemas e angustias às “custas dos outros”. O sindrome das telenovelas e dos “futebois”. Os noticiários dos vários canais de TV sensacionalistas, são só desgraças “gratuitas”. Pessoalmente, tornei-me muito selectivo com as noticias. Não aprecio, nem vejo benefícios com este tipo de trabalho jornalístico. Nas instituições publicas raramente somos recebidos com um sorriso franco e aberto pelos seus funcionarios. Nos hospitais e centros de saude parecem todos demasiado "ocupados" e serios, nao nos atrevemos a esboçar um sorriso, com o risco de recebermos um olhar de reprovação.

Dependemos do Estado e do patrão. Parece que dependemos (bem-estar e auto estima) dos outros e coisas, quando poderíamos investir em nós mesmos (interior). Será que temos tempo para isso? Se calhar a resposta é não. È irónico, e ao mesmo tem caricato.

Não procuro com este post ser demasiado pessimista com este tipo de generalidades, é somente uma perspectiva pessoal. Todavia, também existem pessoas (podia haver mais) que sabem rir. De um rir contagiante e espontâneo. È dessas que me refiro, fazem falta e que se devem multiplicar. Também quero pertencer a esse clube e a essa maneira de estar na vida.
Quem não gosta de ter por perto um amigo/a divertido/a e bem humorado/a? Em vez de alguém sisudo e negativo.

Estudos apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Cardiologia (ACC) indicam que o riso faz bem ao coração, enquanto a depressão aumenta os riscos de problemas cardíacos e de mortalidade. Um estudo, coordenado por Wein Jiang, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, concluiu que a depressão, causadora muitas vezes de um estilo de vida nocivo à saúde (tabagismo, álcool e abuso de medicamentos) aumenta em 44% os riscos de mortalidade."Esta associação adversa da depressão a uma maior mortalidade é independente de outros factores, incluindo a idade, o casamento, as funções cardíacas e as causas básicas dos problemas cardíacos", afirmou Jiang, que examinou mais de mil doentes cardíacos para determinar o seu nível de depressão. Ainda não é clara a razão, acrescentou, mas os pacientes com depressão abstêm-se em geral de fazer exercício físico ou de tomar os seus medicamentos de forma adequada. "Da mesma forma, esses pacientes também tomam decisões nocivas à saúde, nomeadamente em relação à dieta ou ao consumo do tabaco", afirmou.

Rir sem motivo pode parecer artificial, aliás, na verdade, é uma forma engenhosa de enganar o cérebro, que não consegue distinguir entre os dois tipos de riso (genuino e o “forçado”), produzindo poderosos químicos, no cerebro, como resposta. As endorfinas, responsáveis pela sensação geral de bem-estar, não são sensíveis a piadas e desconhecem o sentido de humor.

A American Heart Association apresentou nas conclusões do seu 73º Encontro Científico, que o riso é 40 por cento menos comum em doentes cardiovasculares, quando comparados com pessoas saudáveis da mesma idade. As vantagens de viver a vida com um sorriso estampado na cara não se ficam por aqui. Lee Berk é o director do Centro de Neuroimunologia na Universidade Loma Linda e uma das personalidades que mais se tem dedicado à recolha de testemunhos biológicos sobre o poder do riso. Para além de descobrir os efeitos sobre o sistema imunitário – rir aumenta o número das chamadas células assassinas NK, que combatem o cancro – o médico é uma espécie de “Patch Adams”, que prescreve o riso em áreas tão distintas como a infertilidade, as doenças cardiovasculares e a dor crónica. Certo é que a boa disposição ajuda a diminuir as hormonas do stress (cortisol). Aos diabéticos, o riso provou ter a capacidade de baixar os níveis de açúcar no sangue.

Podemos contar/ouvir anedotas, leitura de artigos, relacionarmo-nos com pessoas com sentido de humor, ver um filme, espectáculo de comedia. Rir de nós mesmos, não nos levarmos tão a serio; manter as coisas simples. Viver o momento. Utilizar a criatividade para encontrar formas de divertimento, e acima de tudo, rir a bom rir (treine/15 minutos por dia). Quem não adora a sensação dar uma boa gargalhada?

Neste pequeno vídeo, qual de nós não se revê no tipo que destrói todo aquele equipamento quando estamos ansiosos, preocupados, zangados, ressentidos, tristes?!
Como diz o ditado ”tristezas não pagam dividas

Hoje vamos rir, sorrir, dar umas grandes gargalhadas; mesmo que nos apeteça chorar...de tanto rir. : - )





terça-feira, julho 17, 2007

A recaída é um fenomeno comum a muitas adicções



A recaída é um fenómeno comum à adicção, substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas. O mesmo fenómeno ocorre com os comportamentos, refiro-me ao o jogo, sexo, codependência, distúrbio alimentar, compras - shopaholicsshoplifting - furto. Muitas adictos/as  ficam vulneráveis e expostas à recaída, em relação a determinadas atitudes, sentimentos e comportamentos, em recuperação, antes mesmo de iniciarem os consumos/comportamentos adictivos ou experimentarem a fixação/preocupação exagerada em consumir substâncias/comportamentos adictivos. Perdem a capacidade em se auto-avaliar e monitorizar (pensamentos e sentimentos) agem (comportamentos) no desejo irresistível (craving) e reiniciam os consumos de substâncias lícitas, incluindo o álcool, ilícitas, ou comportamentos adictivos (o jogo, sexo, distúrbio alimentar, compras. A estes comportamentos que despoletam e antecipam a recaída podemos designar de atitudes e comportamentos disfuncionais que boicotam a recuperação/abstinência.

Conheço adictos/as, que recaíram, quando colocados perante a questão "Se as coisas estavam a correr bem durante a recuperação/abstinência, porque é que optas-te por recair?" Resposta: "Não sei...não sei porque é que fui consumir drogas e álcool"

De forma o leitor/a conseguir discernir sobre determinados conceitos em relação à adicção vamos designar 1. adicção às substâncias psicoactivas licítas, incluindo o álcool e as ilícitas e 2. Adicção comportamentos (jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência/relacionamento de dependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto). Existem adictos que são simultaneamente adictos a substâncias e a alguns comportamentos. Por ex. substâncias psicoactivas e distúrbio alimentar ou jogo e substâncias psicoactivas.