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quinta-feira, junho 19, 2025

A Inteligência Artificial irá revelar-se uma mais valia.


 

A imagem foi gerada através IA.

Recuperar é que está a dar, texto original do chatbot Co Pilot (Inteligência Artificial - I.A.). A IA ao serviço da recuperação dos comportamentos adictivos.

"Recuperar o que fomos, o que sentimos, o que perdemos no caminho.
Recuperar a coragem de tentar de novo, o brilho nos olhos e a vontade de seguir.
Porque cair não é o fim - é só a pausa antes do impulso.
E hoje, mais do que nunca, recuperar não é só tendencia; é resistência, é renascimento.
É o novo "dar certo". Porque agora, dar é recuperar... e recuperar é viver." texto do CoPilot IA

Comentário do autor do blogue. É uma verdade inquestionável e incontornável, a Inteligência Artificial (IA) veio para ficar não só em Portugal, como no mundo inteiro. Fenômeno idêntico às redes sociais HI5, Facebook (2005) Twitter, LinkedIn, etc. É a globalização graças ao poder do www (internet). Segundo um relatório de uma expert Mary Meeker, segundo o Euro News, apelidada de "Rainha da Internet", o sobejamente conhecido e pioneiro chatbot da IA o CHATGPT, da Open AI, após o seu lançamento ao publico, em Outubro de 2022, alcançou o astronómico numero de 800 milhões de utilizadores, em Abril de 2025. A empresa vale 3.5 biliões (quantos zeros são??). Curiosidades!!
Sou um otimista, nesse sentido, antecipo avanços e benefícios na utilização da IA na Intervenção, Prevenção, Tratamento e Recuperação dos comportamentos adictivos. São as pessoas e seus familiares, "apanhadas" na rede da Adicção, que vão beneficiar. Por exemplo, novas ferramentas contra o estigma, muito presente na sociedade (há demasiado tempo), novas ferramentas na intervenção, diagnostico, plano de tratamento e recuperação. Atualmente, a Adicção está presente na vida das pessoas em áreas, que há 20 anos atras ninguém imaginava. Hoje existem mais casos de Adicção na população jovem, refiro-me à dependência das redes sociais, gadgets ( por exemplo, utilização excessiva de telemovel), gamming, acesso indevido a vários tipos de conteúdos inadequados para a idade, por exemplo, acesso à pornografia aos 10,12 13 anos.  Não haverá uma cura, mas a IA pode revelar-se uma mais valia na recuperação, por exemplo, através de aplicações, acesso a informação apropriada e atualizada, acesso a equipas de profissionais multidisciplinares e centros de tratamento em regime de internamento. Há 30 anos, de experiencia na prevenção e tratamento das dependências (Addiction Counselor), o termo Adicção (conceito de doença - Associação Americana da Medicina da Adicção) e Adicto na sociedade e profissionais da área eram desconhecidos completamente.  

quarta-feira, maio 02, 2018

Jogar ou não jogar; eis as consequências



Quando um individuo identifica um problema relacionado com o jogo (qualquer atividade offline ou online que envolva apostar, jogar e ganhar) constata, que a sua capacidade de tomar decisões, das mais básicas às mais complexas, fica afetada, nestas situações especificas, um dos sinais inequívocos é a perda de controlo. O individuo não consegue prever, com antecedência qual vai ser o resultado das suas ações, no que ao jogo diz respeito. Mesmo assim, consciente, da sua impotência, o individuo, devido ao desejo intenso (craving) continua a jogar (apostas, vídeo jogos, poker, raspadinhas, bingo, etc.) apesar das consequências negativas a nível profissional, familiares, financeiras e económicas, obrigações sociais, etc. A maioria dos jogadores patológicos não revela muita apreensão quanto ao dinheiro que envolve a atividade/jogo. Esta preocupação poderá existir, após já não ter mais dinheiro para jogar e vê-se obrigado e interromper o jogo e a enfrentar as devidas consequências, por exemplo; dividas, gastar dinheiro do orçamento familiar, pedir dinheiro emprestado, gastar poupanças, etc. Todavia, este período de remorso é temporário e de curta duração. Inclusivamente, algumas famílias apelidam a esta fase; “fase de cordeiro” de “promessas e juras” que rapidamente são quebradas; o círculo vicioso reinicia mais uma e outra e outra vez.

Alguns sinais associados ao jogo patológico
Serie de derrotas – cada vez que lançamos moeda ao ar e aparecer “cara”, as possibilidades de isso acontecer são de 50%. Isto significa que se eu lançar a moeda ao ar, dez vezes seguidas e aparecer “cara”, nada me garante que à 11ª vez que repetir o mesmo ato, voltar a lançar moeda saia “cara”, porque as possibilidades continuam a ser de 50%. O resultado de cada lançamento não é determinante e não interfere no lançamento seguinte; a moeda não possui memoria. Muitos jogadores patológicos pensam que perder várias apostas, de seguida, vão iniciar uma serie de vitorias. Na realidade, apesar de perder, nada nos garante que a seguir vamos ganhar/vencer.

Sorte – Cruzar os dedos, ferraduras, amuletos, santinhos, bruxaria, crucifixos, soprar nos dados, etc. Muitos jogadores patológicos acreditam que este tipo de superstição ou outras, não mencionadas, poderá mudar a sua sorte. Outros acreditam que devem jogar sempre na mesma máquina ou vestir a camisa da sorte ou escolher um número da sorte aumentam as probabilidades de vencer. Na realidade, este tipo de amuletos ou outras coisas não possuem qualquer interferência na possibilidade de ganhar. É o tipo de jogo que cada um seleciona que determina se ganha ou perde.

  • De acordo com um estudo, é mais perigoso o jogo online (apostas, poker, vídeo jogos) do que o jogo físico, por exemplo, casino. O jogador patológico é capaz de estar mais de 10 horas focado no jogo que selecionou para si e estar online facilita o comportamento repetitivo.
Referencias: "Your First Step To Change" 2nd Edition - Division on Addiction at Cambridge, Harvard Medical School, Massachusets Department Of Public Health

quarta-feira, outubro 12, 2016

Viver em função de números compromete a autoestima


«Não é o peso que dita a saúde e o amor próprio» Redefinir Imagem Corporal

E atrevo-me a acrescentar, peso e imagem. Contrariamente, ao que podemos pensar, algumas pessoas com o peso e imagem, dito, «ideal» não são pessoas com autoestima, visto adotarem comportamentos e dietas disfuncionais, em relação a uma alimentação saudável e equilibrada. No caso da perturbação do comportamento alimentar (anorexia, bulimia, ingestão compulsiva, vulgo binge eating) é o equivalente à ditadura dos números (vive-se em função do numero das calorias, do peso na balança e da imagem). 

Segundo o Dr. Walter Kaye, investigador da Universidade da Califórnia (San Diego, EUA) afirma que as crianças predispostas a desenvolver a perturbação do comportamento alimentar são perfecionistas, ansiosas e os comportamentos são orientados por desafios rigorosos, competição excessiva e extremamente exigentes consigo próprios, assim como, estão vulneráveis às dietas restritivas e à imagem corporal. Contudo, a perturbação do comportamento alimentar revela-se mais complexa do que as características perfecionistas e pessoas extremamente competitivas.
Normalmente, quando temos acesso a informação sobre a perturbação do comportamento alimentar (PCA) são através de noticias, nas revistas ou na televisão, de figuras publicas a assumirem o seu problema. Na maioria dos casos, são mulheres, atrizes ou modelos. Desta forma, podemos ficar com a ideia errada, de que a perturbação do comportamento alimentar está somente associada aos fatores externos; à pressão cultural do «corpo perfeito» e às pessoas do sexo feminino. Apesar dos fatores culturais, das questões familiares e ou eventos traumáticos, estarem associados à perturbação do comportamento alimentar, de acordo com a investigação mais recente, não são assim tão relevantes como se pensava, os fatores determinantes que contribuem para o PCA estão localizados no cérebro (funcionamento de algumas estruturas cerebrais – circuitos neuronais). É fundamental, compreender os fatores associados à doença, a fim de, desenvolverem-se abordagens inovadoras ao tratamento. Para a maioria das pessoas, sentar-se à mesa, proporciona sensações agradáveis, contudo para as pessoas com perturbação do comportamento alimentar, a mesma situação proporciona sensações desconfortáveis e preocupantes. Aparentemente, isso acontece por questões biológicas (International Journal of Eating Disorders, 2012).

sexta-feira, março 07, 2014

O jogo problemático é um problema de saúde publica



Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios (17 de Fevereiro de 2014) e está disponível só para assinantes online , nesse sentido, disponibilizo-o para si que é seguidor do blogue Recuperar é que está a dar. 

Jornal de Negócios: Nos últimos anos, o volume de jogos de fortuna e azar e apostas desportivas foram aumentando quer em locais físicos, mas como através da Internet. Esse crescimento foi acompanhado pelo registo de incremento de pessoas com adicção de jogo?
O incremento de pessoas com adicção ao jogo e o jogo patológico, através da Internet tem sido exponencial. Por exemplo, no final dos anos 90 a maioria dos indivíduos adictos ao jogo, em casinos, eram adultos na casa dos 40 e dos 50 anos. Hoje em dia através do acesso online, chegam às consultas indivíduos com problemas associados ao jogo com idades entre os 24 e os 30 anos. Todavia, isso não quer dizer que todos sejam adictos ao jogo, isto é, alguns são indivíduos com problemas associados ao jogo que varia entre moderado e grave. Na sua pergunta refere adicção, nesse sentido, importa saber o que é a adicção. A adicção afecta a saúde do indivíduo, os vínculos familiares, incluindo das crianças, o desempenho profissional e a qualidade de vida. Ser adicto não é uma escolha pessoal. Ao longo de vinte anos de experiência profissional, na área da adicção, nunca ouvi nenhum individuo afirmar que escolheu ser adicto. Não é um acto voluntário, o individuo perde o controlo, a compulsividade, o craving (desejo intenso e irracional pela actividade) e continuação do comportamento apesar das consequências negativas. A Sociedade Americana da Medicina da Adicção define a adicção como uma doença primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro responsável pelo prazer e recompensa, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais adjacentes. Sabemos que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e espiritual no indivíduo, que se reflectem na busca e recompensa patológica do prazer. Por outras palavras, a adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e adversidades ao longo da vida do indivíduo. Este fenómeno repete-se com a adicção às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, as ilícitas, vulgo drogas, com o jogo, o sexo, as compras, o furto. A fim de ficar esclarecido existe um critério que identifica o jogo problemático (moderado a severo) e um critério para a adicção (doença primária e crónica). A adicção não é um vírus.  
Segundo estudos (American Medical Association, EUA, 2000) existem factores genéticos em comum entre os indivíduos jogadores patológicos do sexo masculino e o álcool. Todavia, também gostaria de referir que nas últimas duas décadas, com os avanços tecnológicos e a investigação, principalmente nos EUA e Canadá, ainda estamos a aprender sobre o que é a adicção; as causas, a identificar aqueles indivíduos mais vulneráveis e os tratamentos disponíveis mais adequados.

Jornal de Negócios: É possível traçar o perfil do jogador compulsivo?
Segundo uma investigação no Canadá, os indivíduos com problemas associados ao jogo compulsivo (patológico) apresentam quatro vezes mais probabilidades de serem diagnosticados com doença mental, relacionado com perturbação do humor e ansiedade, do que os indivíduos não jogadores. A actividade associada ao jogo começam na adolescência, com mais prevalência no sexo masculino do que no sexo feminino.
Na minha experiência profissional o perfil do individuo jogador compulsivo oscila entre os 24 e os 56 anos. Sexo masculino, classe media/alta, licenciados com carreiras profissionais estáveis, trabalham em excesso, têm dívidas, gostam de quebrar regras e correr riscos, são impulsivos e egocêntricos. Acreditam que o dinheiro é a causa e/ou a solução para os seus problemas. Alguns deles afirmam, em situações de desespero, ideações e tentativas de suicídio. Alguns destes indivíduos são oriundos de famílias desestruturadas com problemas de álcool, jogo e violência doméstica.    

Jornal de Negócios: As autoridades estão despertas para fiscalizar a multiplicidade de jogos disponíveis?
Na minha opinião, as autoridades estão conscientes deste fenómeno, mas ainda não existe vontade politica para mudar esta realidade associada aos problemas do jogo. Posso dar um exemplo, na última semana, todos os meios de comunicação social e redes sociais, faziam referência à morte do actor galardoado de Hollywood, Philipe Seymour Hoffman por overdose de drogas ilícitas. Se pensarmos em indivíduos com problemas de jogo, não me recordo de nenhum caso, de figura publica, quer seja estrangeiro ou português que tenha sido noticia. Todavia, quando surgem notícias relacionadas com indivíduos e o jogo patológico, o destaque é direccionado para actividades ilegais, dívidas, burlas, tribunais, são, erradamente, considerados casos de polícia. As pessoas são presas e estigmatizadas. Não recebem o devido tratamento.
Persiste o estigma, a vergonha e a negação. Actualmente, a indústria do Jogo é um negócio de muitos milhares de euros. Em Portugal, o jogo é um problema de saúde pública que ainda permanece obscuro e por avaliar os seus efeitos e consequências. É preciso vontade política.
Entre 01 de janeiro e 30 de novembro de 2013 foram gastos em apostas 854,9 milhões de euros no Euromilhões, em dez anos os portugueses gastaram nove mil milhões. Nos primeiros três meses de 2013 os portugueses gastaram 101 milhões de euros em raspadinhas. Segundo um estudo conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, a raspadinha é o terceiro jogo pelo qual a população, entre os 15 e os 74 anos, revelou ter maior dependência. Falta saber os valores e o impacto das lotarias, nos casinos, bingos, e jogos ilegais, nos cafés e bares das aldeias de norte a sul do país.
   
Jornal de Negócios: Quais os perigos do jogo online? A adicção apresenta-se de forma diferente?
Segundo a minha experiência profissional, os perigos do jogo online são insidiosos e complexo visto haver da parte do jogador patológico, acesso ilimitado à Internet, independentemente da hora, do local, do dispositivo (computador, telemóvel, tablet). Conheço casos de indivíduos, quando chegam ao local de trabalho, ligam o computador, e imediatamente começam a jogar ou a consultar os sites de apostas ou poker ou mercado de valores, e assim permanecem, em segredo, sem conhecimento dos seus colegas e/ou entidade patronal, até ao final do dia. Obviamente, este tipo de actividade compromete seriamente o desempenho do trabalhador. Também utilizam os smartphones e os tablets para continuar a jogar/apostar em casa no final do dia de trabalho. Afirmam «É uma forma prazerosa de descontrair e relaxar, depois de um dia stress no trabalho». Negligenciam a relação com a sua parceira, com os filhos e/ou outro tipo de actividades sociais. Na maioria dos casos, a família desconhece ou permanece ignorante quanto às consequências reais do jogo. Alguns indivíduos permanecem «ligados» às actividades associadas ao jogo durante 12 a 14 horas diárias. Gradualmente vai aumentando a actividade associada ao jogo/apostas por longos períodos com incremento da frequência, da intensidade e da duração. Quanto maior a exposição à actividade associada ao jogo/apostas, maior o risco de desenvolver a adicção.

Jornal de Negócios: Como é possível “investigar” este tipo de adicção?
É preciso um plano nacional que vise erradicar e/ou atenuar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Existem mitos e preconceitos que visam discriminar o individuo adicto e a sua família. Segundo relatos das famílias, que pedem ajuda nas consultas, afirmam “Quando soubemos do problema do jogo do meu filho, decidimos ocultar de toda a gente, incluindo a família mais próxima e tentamos resolver o problema em casa. Mais tarde, reconhecemos que foi o pior que podíamos ter feito, porque ao invés de melhorar, ainda agravou mais, com a agravante de ter dividido a relação entre o eu e o meu marido. No fundo, sentimos imensa vergonha, porque nunca imaginamos que o meu filho pudesse ter um problema desta natureza. Levamos algum tempo até aceitar que aquilo que fazíamos para ajudar, só piorava. Hoje admito, como mãe, que sinto imensa vergonha do problema do meu filho. Só sabe o mal que isto é, quem passa por elas.” 
Em Portugal, a investigação ainda está numa fase embrionária, apesar de haver alguns profissionais dedicados ao estudo do jogo patológico, onde destaco o trabalho do Dr. Pedro Hubert. Para além da investigação, são necessários profissionais que assumam o compromisso, isto é, que dediquem a uma parte significativa das suas carreiras à formação continua, à investigação, à partilha de conhecimentos, experiencias e criarem-se equipas pluridisciplinares que se dediquem exclusivamente ao tratamento e recuperação dos comportamentos adictivos, e do jogo em particular. É necessário mobilizar a comunidade, em particular, e a sociedade, em geral para este tipo de fenómenos emergentes e transversais. Qualquer pessoa está exposta e vulnerável. Aquelas pessoas que consideram que a adicção só acontece aos outros, são provavelmente aquelas que apresentam mais factores de risco.

Quais são os custos do jogo patológico que representam para os cofres do estado? Em termos de comparação os custos do álcool representam 200 milhões de euros. Os custos do tabaco representam 500 milhões de euros.

Se houver, da parte dos decisores políticos, dos meios de comunicação social, legislação, um plano nacional de prevenção e tratamento como está acontecer com o tabaco, creio estarem criadas as condições para haver mais pessoas informadas, profissionais e instituições dedicadas ao tratamento. Como resultado, destes esforços, nos últimos anos, o número de pessoas que procurou ajuda para interromper a adicção ao tabaco. aumentou significativamente.

Jornal de Negócios: Quais os perigos da publicidade relacionada com o jogo?
O mesmo fenómeno repete-se com o álcool, com o tabaco e também com o jogo. Apesar de haver mudanças nos paradigmas sobre o tabaco, em relação ao resto, as leis existentes ainda são permissíveis e não existem instituições credíveis independentes que monitorizem o marketing agressivo e a publicidade associada aos comportamentos adictivos. Isto é, o problema não são as substâncias psicoactivas lícitas e/ou o jogo, o real problema são as pessoas. Algumas pessoas conseguem consumir drogas, beber bebidas alcoólicas e/ou jogar socialmente sem que isso represente um problema para as suas vidas, todavia, enquanto outras, felizmente em menor numero, apresentam um risco maior. Tal como referi, no inicio, infelizmente existem muitos casos de pessoas que faleceram como consequência da adicção às substâncias psicoactivas, nos últimos anos, só para enumerar alguns, Michael Jackson, Amy Whinehouse, James Gandolfini,  Witney Houston e Philipe Seymour Hoffman. Segundo as Nações Unidas estimam-se que 160 mil milhões de dólares oriundos do tráfico de drogas, anualmente, sejam lavados na banca internacional. O fenómeno é idêntico com o jogo legal e ilegal. Os lucros astronómicos, os interesses financeiros e económicos estão acima dos direitos das pessoas. Apesar de sabermos que entre indivíduos com problemas de jogo o número de suicídio é elevado e os custos para o estado elevadíssimos, todavia, esta realidade ainda é negligenciada. Parte dos lucros da indústria do jogo deviam ser revertidos para a investigação e o apoio no tratamento do jogo.

Jornal de Negócios: Quais são as principais tendências de futuro?
Após duas décadas a trabalhar na área dos comportamentos adictivos as tendências destes fenómenos relacionados com a natureza humana, são para se manterem. Estamos vulneráveis perante a dor e conseguimos convencer-nos que conseguimos ludibria-la recorrendo a estratégias e mecanismos cuja finalidade é o prazer imediato. No outro lado deste fenómeno, felizmente, também existem muitos casos de pessoas que recorreram à ajuda profissional ou através dos grupos de ajuda mútua dos 12 Passos (Jogadores Anónimos) que conseguiram ultrapassar a adversidade. Da mesma forma, que se estudam as causas e os sintomas do jogo patológico, também é necessário estudar aquelas pessoas resilientes que permanecem em recuperação durante períodos duradouros. Essas pessoas são um recurso valiosíssimo para a comunidade. É preciso sensibilizar o público em geral, através de informação e haver uma participação cívica mais activa, em relação a estes temas. Participei num programa, numa escola sobre a prevenção das dependências, e foram enviados para a associação dos pais, centenas de convites, apareceram seis pais. Perante a negação e a passividade é preciso uma revolução nesta matéria. Os nossos filhos merecem que os adultos zelem pelos seus direitos a uma vida plena.

Para terminar, gostaria de publicar um email que recebi de uma pessoa adicta ao jogo, do Brasil, também podia ser portuguesa, enquanto escrevia este artigo, a pedir-me ajuda.  
«Chamo-me Adélia. Li o seu blogue e a minha pergunta é a seguinte. Estava viciada em jogo de bingo (vídeo) naquele nível de pensar em suicídio, de jogar o dia inteiro e fazer ate xixi na máquina para não levantar e ir ao banheiro. Às custas de muito sofrimento e terapia estou à 1 ano e 2 meses sem jogar. Acho que é bom eu te contar como forma de estudares o meu caso. Como você sabe, a dependência das drogas é diferente do jogo, o corpo não tem contacto com drogas, mas tive abstinência terrível, tudo tudo mesmo, e só não tive convulsões. Felizmente, estou um pouco ou bem melhor. Queria saber porque é que ainda tenho depressão? Você acha que preciso de um anti depressivo ou vai melhorando sem remédio? Obrigada, fica com Deus, Adélia (nome fictício)»
Este tipo de problemas não acontece só aos outros. O silêncio não resolve, pelo contrário, a tendência é para se agravar. Lá porque não se vê, não quer dizer que não existe.


terça-feira, julho 30, 2013

Compreender o distúrbio alimentar



Para além da Anorexia Nervosa e da Bulimia Nervosa, segundo o Manual de Diagnostico e Estatística das Perturbações Mentais (DSM-IV) refere a Perturbação do Comportamento Alimentar Sem Outra Especificação, do Inglês EDNOS, é uma categoria para perturbações que não preencham os critérios completos para uma Perturbação do Comportamento Alimentar específica. Os exemplos incluem:

1. Para mulheres, todos os critérios de Anorexia Nervosa estão presentes excepto a amenorreia (ausência da mestruação)
2 . Todos os critérios de Anorexia Nervosa, estão presentes excepto que, apesar de uma perda de peso significativa, este encontra-se dentro dos valores normais.
3 . Todos os critérios de Bulimia Nervosa estão presentes excepto que os episódios de ingestão compulsiva e os mecanismos compensatórios inapropriados ocorrem numa frequência inferior a 2 vezes por semana, ou têm uma duração inferior a 3 meses.
4. Uso regular de comportamentos compensatórios inapropriados por uma pessoa de peso normal após ingestão de pequenas quantidades de alimentos (por exemplo, indução de vómito após comer 2 bolachas).
5.  Mastigar ou cuspir repetidamente, mas não engolir, grandes quantidades de alimentos.
6 .   Perturbação de ingestão alimentar maciça: episódios recorrentes de ingestão alimentar maciça na ausência dos comportamentos compensatórios inapropriados característicos de Bulimia Nervosa.

Critério de investigação para a Perturbação de Ingestão Compulsiva:
A. Episódios recorrentes de ingestão compulsiva.
1. Um episódio de ingestão compulsiva é caracterizado pelas seguintes condições: Ingestão, num período de tempo isolado (por exemplo, qualquer período de 2 horas), de uma quantidade de comida francamente superior à que a maioria das pessoas poderia consumir no mesmo espaço de tempo e sob circunstâncias singulares;
2. Sensação de perda de controlo sobre a ingestão de durante o episodio (por exemplo, sensação de que não pode parar de comer ou controlar o quê ou quanto se está a comer).
B. Os episódios de ingestão compulsiva associam-se a 3 (ou mais) dos seguintes sintomas
1. Ingestão muito mais rápida do que habitual;
2. Comer até se sentir desagradavelmente cheio;
3. Ingestão de grandes quantidades de comida apesar de não sentir fome;
4. Comer sozinho para esconder o embaraço pela sua voracidade;
5. Sentir-se desgostoso consigo próprio, depressão ou grande culpabilidade depois de ingestão compulsiva.             
C. Profundo mal-estar ao recordar as ingestões compulsivas.
D. As ingestões compulsivas têm lugar, em media, pelo menos 2 dias por semana durante 6 meses.
E. A ingestão compulsiva não se associa ao uso regular de estratégias compensatórias inadequadas (purgantes, jejum, exercício físico excessivo) e não aparecem no decurso de uma Anorexia Nervosa ou uma Bulimia Nervosa.
Se  identifica um problema de comportamento na relação com a comida, você não é a único/a,  fale com o seu medico.




sexta-feira, junho 28, 2013

26/6 Dia para reflexão aprofundada sobre a consciência da realidade


O dia 26 de Junho assinala o Dia Internacional Contra o Abuso de Drogas e o Trafico Ilícito. Este dia, para mim, é de reflexão, onde dedico algum tempo à pesquisa de artigos publicados forma a manter-me actualizado sobre a evolução deste fenómeno avassalador, para uns representou uma verdadeira tragedia. Nomes sonantes vítimas das dependências, recordo, Micael Jackson, Amy Winehouse e Whitney Houston, só para enumerar alguns, sem esquecer os indivíduos desconhecidos e as suas famílias.

Em Portugal, estou em crer, que este dia, nunca mereceu a devida atenção e até posso acrescentar que para a maioria da população portuguesa passa despercebido, principalmente devido ao estigma, à negação e à vergonha associados à dependência de substâncias psicoactivas, vulgo toxicodependência. Estamos atrasados duas décadas em relação ao que se pratica, se ensina, investiga e no tratamento das dependências a nível internacional. Trabalho nesta área, desde 1993, e ainda constato, por parte dos profissionais de saúde, um certo tipo de ignorância e/ou desinteresse. Por exemplo, as universidades portuguesas ainda não possuem as condições e os recursos necessários a fim de motivar os seus alunos para a área das dependências. Tenho outro exemplo, mais concreto, conheci vários psicólogos e são unânimes em afirmar que aquilo que aprendem, sobre as dependências nas universidades, é insuficiente. Já para não referir a questão da prevenção das dependências, que tal como o tratamento do abuso e dependência de drogas, é uma matéria que ainda não mereceu por parte dos responsáveis políticos, dos media, dos tribunais e dos advogados, das mais diversas Ordens de profissionais da saúde e da sociedade em geral a devida atenção. Todos nós, eu e você, negamos as evidências óbvias.

quinta-feira, abril 12, 2012

O problema não é o álcool, são as pessoas.


No seguimento das recentes  declarações Secretario de Estado Adjunto e da Saúde, nos meios de comunicação social, sobre a prevenção, direccionada aos jovens, afirmou,  tem “falhado tudo” considero relevante abordar a questão do álcool e as pessoas.

Nunca é demais, relembrar que a nossa cultura promove e incentiva o consumo/abuso de bebidas alcoólicas, em jovens menores de idade. Vejamos os resultados do estudo do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). De acordo com a referida notícia, no Jornal de Noticias, o estudo do IDT sobre o consumo de álcool, tabaco e drogas em meio escolar refere que os jovens portugueses começam a consumir álcool cada vez mais cedo, beber em maiores quantidades e a embriagarem-se mais vezes. Estes fenómeno, sobre os jovens beberem maiores quantidades e embriagarem-se mais vezes já motivo de investigação e medidas excecionais de prevenção, quer seja nos Estados Unidos da América (EUA) ou no Reino Unido há pelo menos dez anos ou mais, é designado de Binge Drinking (beber álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez). Em Portugal, não existe Prevenção, por exemplo em relação ao binge drinking. Até há data da publicação deste post, ainda é permitido por lei, aos jovens menores de idade, consumirem/abusarem de bebidas alcoólicas com a conivência dos políticos, dos tribunais, da ordem dos médicos e dos advogados.

Segundo o mesmo estudo, efetuado pelo IDT, 37% dos alunos com 13 anos (menores de idade) já experimentou beber álcool, numero que sobe para 90,8% nos jovens com 18 anos. Depois destes dados, pergunto:

Na minha opinião pessoal, estes números são apenas a ponta do iceberg. Em algumas zonas remotas do país, tipo aldeias, não existe controlo sobre este fenómeno.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012

As aparências podem iludir



Jazmín de Grazia (04 de Julho de 1985 /  05 de Fevereiro de 2012

Uma notícia no jornal (JN)de 07 de Fevereiro, atraiu a minha atenção, o título referia o seguinte “Modelo argentina afogou-se na banheira. Jazmín de Grazia, de 27 anos, foi encontrada morta em casa pelo namorado. Droga pode ser a causa.”
Após pesquisar, pela internet, soube que Jazmín após a sua participação num reality show argentino, na altura com 18 anos, tornou-se modelo, mais tarde chegou a ser capa da revista Playboy, também era apresentadora de vários programas de televisão. Mais um caso, de uma jovem que alcançou o estrelato, de rápida ascensão, através dos tão badalados e afamados programas denominados reality show. Todavia, com um trágico desfecho aos 27 anos.

De acordo com a notícia, teria sido encontrado restos de cocaína no seu apartamento, todavia a autópsia revelou que a causa da morte foi “asfixia devido a imersão na água”. Foi também referido que Jazmín terá deixado uma mensagem no espelho da casa de banho, afirmando “Vocês não têm culpa que este mundo seja tão feio.”

Evitando especular sobre as causas da morte desta rapariga gostaria de realçar o fenómeno, sobejamente conhecido, sobre a vulnerabilidade dos jovens em relação ao flagelo associado ao consumo e abuso das drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas.

domingo, maio 22, 2011

Projecto “O Jogo Patológico – Um Problema Social” pelos Alunos Esc. de Vila Nova de Cerveira






O jogo patológico não é uma doença, mas sim um divertimento – esta é a maneira como o Estado português trata este cancro que cada vez mais se entranha na nossa sociedade, galopando especialmente com o crescimento dos Casinos Online. 

Contra esta posição legal, o nosso grupo de área de projecto decidiu contrariar esta tendência e lutar por informar e prevenir os alunos da escola de Cerveira com a uma simulação de jogos de Casino. 

Durante uma semana, quatro jogos de “fortuna ou azar” tradicionalmente jogados nos grandes casinos foram colocados ao dispor do público do secundário da nossa escola. Foi atribuída uma carteira de 500 euros virtuais, por jogador, que poderiam ser gastos nos quatro jogos disponíveis. O grupo agiu como banca, numa actividade que tem como conclusão demonstrar, matematicamente, como os jogadores perdem, e psicologicamente, como estes são facilmente cativados pelo vício. 

sexta-feira, maio 08, 2009

A pressão gerada pela ansiedade na escola

A ansiedade é uma resposta ao medo (fugimos ou atacamos). Pode ser caracterizado por um estado de alerta ou vigilia constante. Qualquer estudante sabe perfeitamente a pressão gerada pela expectativa e pela pressão durante a epoca de exame.

Numa Universidade Espanhola foi desenvolvido um programa de forma a diagnosticar a e lidar com a ansiedade.
Seguir link:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31164

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Recuperação de substâncias adictivas, incluindo o tabaco



Nesta altura é um tema que tem gerado imensa polémica por causa da nova lei anti-tabaco. Na minha opinião, ainda bem, contudo acabará por passar e só mais tarde iremos avaliar os benefícios. Pessoalmente, já encontrei imensos. Penso que esta nova lei pode suscitar um despertar de consciência individual/publico do problema associado ao tabaco e assim contribuir com um pequeno empurrão junto daqueles que contemplam parar de fumar, bem como, melhorar os ambientes fechados - livres de fumo.

A grande maioria dos adictos a drogas, incluindo o álcool, fumam tabaco há já alguns anos, antes mesmo de inicarem os consumos das drogas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas. Muitos começam a fumar tabaco no inicio da pré-adolescência, mesmo antes de algum dia pensarem em consumir outro tipo de drogas. Para alguns especialistas é o inicio do processo adictivo a substâncias alteradoras do humor (Dr. Abraham J. Twerski) – “portas” que se abrem sucessivamente umas as outras.

O inicio do consumo de tabaco é como um ritual de passagem para a idade adulta onde se procura a independência e a autonomia – esta cultura, tal como acontece com o consumo de bebidas alcoólicas, é passada de geração em geração. Apesar de o tabaco ser uma substância toxica e adictiva, a curiosidade de experimentar e a sensação de impunidade e invencibilidade (risco e perigo), a pressão do grupo de pares, são algumas das características comuns da maioria dos jovens que se sobrepõem ao bom senso (contemplar os benefícios a médio e longo prazo (ex. saúde e aspectos financeiros; poupança), a assertividade (ex. dizer não quando sujeito á pressão dos amigos), resiliência, interpretação correcta das mensagens (ex. publicidade), a informação e discussão aberta do assunto. Muitos jovens afirmam “Dizem por aí que faz mal à saúde e à carteira,... então porque é que os meus pais, tantos jovens e adultos continuam a faze-lo?!!"

Na verdade, é uma acto social (status) puxar de um cigarro, de um charuto ou cachimbo, mesmo sabendo que prejudica a própria saúde e a dos outros (fumadores passivos).

quinta-feira, setembro 20, 2007

Stress e distress

















Departamento de Engenharia Informática
Universidade de Coimbra

Stress - Comunicação Técnica Profissional
Luis Fernando Lopes Alvaroalvaro@student.dei.uc.pt

Introdução
Com o aumento do ritmo de vida nas sociedades actuais são cada vez mais comuns as pessoas que sofrem de stress e cada vez se vendem mais medicamentos relacionados com o stress. Se ainda não sabe descubra o que é o stress, como surge e como o pode evitar.
O que é o Stress?
Stress é uma tensão de origem, normalmente, inconsiente que pode adoptar formas orgânicas ou psicológicas.
O termo "Stress" nasceu no campo da arquitectura e da física e referias-se à acção de alguns agentes externos que produziam mudanças nos materias de construção.

Somente nos anos trinta o Fisiólogo Hans Selye começou a usar o termo stress para explicar os fenómenos externos que pressionavam um individuo e lhe provocavam reacções.
Hoje em dia os fenómenos são chamados de stressores e o termo stress refere-se á reacção do individuo em si.
Ao contrario do que se possa pensar o Stress não é negativo, bem pelo contrário, é fundamental para podermos fazer frente ás novas situações que nos surgem no quotidiano. É mesmo essencial para o nosso organismo manter as defesas sempre em alerta.

DistressO Stress , normalmente falado pelas pessoas como "mau" é o chamado "distress" que aparece quando o organismo não sabe adaptar-se a uma nova situação e responde de forma desmesurada ao estimulo que essa situação provoca. Neste caso o individuo fica incapaz de pensar e de se concentrar e mesmo quando o estimulo acaba o corpo não sabe como voltar ao estado normal.


Causas de Stress
Qualquer situação que provoque uma mudança e exija uma adaptação do individuo pode provocar stress.
O stress pode ter causas pessoais, sociais, familiares e profissionais e a probabilidade de sofrer de stress depende da personalidade da pessoa e do seu estado fisico.
As personalidades mais sujeitas a sofrer de stress são aquelas muito competitivas, exigentes com os outros e consigo mesmo, intolerantes, agressivos, sempre sob pressão e que costumam fazer várias coisas ao mesmo tempo.

A tabela que se segue têm vários acontecimentos que provocam stress e se o valor acumulado ao longo de um ano for maior que 150 a pessoa tem 50% de possibilidade de sofrer de stress, se for maior que 300 esa probabilidade é de 90%

Acontecimento - Valor designado



  • Morte do conjugue 100 
  • Divórcio 73 
  • Separação conjugal 65
  • Morte de um familiar próximo 63
  • Lesão grave 53
  • Matrimónio 50
  • Despedimento 47
  • Reconciliação conjugal 45 
  • Reforma 45 
  • Gravidez 40
  • Problemas sexuais 39 
  • Mudanças no campo financeiro 37
  • Morte de um amigo intimo 36
  • Mudança do tipo de trabalho 35
  • Desembolso grande dinheiro 31
  • Vencimento de uma hipoteca ou prestação 30
  • Problemas com a lei 29
  • Triunfo pessoal relevante 28
  • Mudança de hábitos pessoais 24
  • Problemas com superiores 23
  • Mudança nas condições ou horário de trabalho 20
  • Mudança nos hábitos de sono 16
  • Férias 13




Mas também nem só os humanos sofrem de stress. Qualquer animal cujos modelos de actuação naturais sejam alterados está também sujeito a ficar stressado. Esta teoria foi provada no inicio deste século pelo Fisiologo Ivan Pavlov através de experiências feitas no seu própio cão.


Essas experiências consistiam primeiramente em habituar o cão a apenas comer após o som de um apito e passado algum tempo o cão salivava cada vez que ouvia o apito. Mais tarde, Pavlov começou a aplicar descargas eléctricas ao cão ao mesmo tempo que lhe oferecia comida. O cão ficou com grandes desajustes no seu comportamento : sentava-se e levantava-se alternadamente, não parava de andar as voltas, tornou-se agressivo e irritava-se com facilidade.


Como surge? O stress não surge de um momento para outro. Desde uma pessoa no seu estado normal até uma pessoa no estado de stress vão três fases:


Fase de alarme
É quando surge um nova situação ao individuo. O cerebro recebe e analisa os estimulos que lhe chegam dos sentidos e compara com a informação que já tem armazenada. Se chega á conclusão que o organismo não dispõe de recursos para responder a essa nova situação envia um sinal de alarme que vai libertar a hormona adrenalina e entre outras coisas aumenta o ritmo cardiaco, dilatam as pupilas, os musculos ficam tensos e a boca fica seca. Mas até aqui tudo é normal.


Fase de resistência
Durante a fase de resistência o organismo fica sujeito ao estimulo proveniente da nova situação e está sempre em alto nivel de actividade. Dependendo da capacidade física do individuo, mais tarde ou mais cedo começam a surgir sintomas de cansaço.


Fase de esgotamento
Se a actividade dura muito tempo a resistência do organismo esgota-se e surge o stress (neste caso Distress) que se conver-te num perigo se acontece frequêntemente.

Problemas Causados
O distress provoca problemas de variante orgânica e psiquica.


Orgânicos
Palpitações, problemas gastrointestinais,desequilibrios hormonais, tensão muscular, excesso de pressão sanguínea, dores de cabeça.

Psíquicos
Inquietação,dificuldades de pensar e de tomar decisões, sentimentos de insegurança, perda de concentração, problemas em dormir, irritabilidade.
Uma situação de stress mantida durante muito tempo pode levar à morte e segundo uma investigação da Faculdade de Medicina da Universidade de Washigton pode provocar perdas de neurónios.

Os principais sintomas de uma pessoa que sofre de stress são: Transtrornos no sono, Dificuldades de concentração e de pensar claramente, tiques musculares. comer mais ou menos do que é habitual, indigestões ou diarreias, tensão nos ombros e no pescoço, acordar cansado, Beber e fumar mais do que é habitual, dores e fadiga constantes, facilidade de se irritar, mudanças de humor repentinas, falta de apetite sexual e tornar-se numa pessoa insociavel afastando-se de tudo e todos.

Como evita-lo?
Planificar o tempo permite organizar as actividades com ajuda de uma agenda e evita correrias e tensões de ultima hora. É importante não esquecer de reservar algum tempo para nós mesmos.
É muito importante dormir as horas necessárias. Normalmente são oito horas mas depende sempre de pessoa para pessoa, mas acima de tudo é importante aproveitar bem o tempo para dormir.
Separar a vida pessoal da profissional é essencial. Para isso devemos habituar-nos a esquecer o trabalho quando vamos para casa procurando praticar actividades criativas nos tempos livres.
Sair da cidade durante o fim de semana mudando de ambiente ou mesmo tirar uma semana de férias em pleno inverno ajuda a desligar e esquecer o ambiente que provoca o stress.
Partilhar os problemas com pessoas que nos compreendam diminui a tensão. mas é importante não falar a toda a hora do problema poque podemos acabar obcecados por ele.
Fazer exercicio liberta a tensão, permite uma maior afluencia de sangue aos musculos e baixa a concentração das hormonas que produzem o stress ao mesmo tempo que liberta endorfina que é uma substância que provoca sentimentos agradáveis.

Aceitar os equivocos evitando ,em caso de erro , tentar encontrar um responsável mas sim tomar uma atitude mais positiva procurando desde logo a melhor maneira de solucionar o problema.
Alimentação cuidada deve evitar alcool, café, chá, chocolate, açucar, muito sal, tabaco gorduras e picantes. Mas além do promenor do que se vai comer também é importante reservar o tempo necessário para as refeições de forma não haver necessidade de comer á pressa.
Praticar técnicas de relaxação ajuda corpo e mente a descansar e se possivel tirar um tempo para dormir uma sesta é optimo para combater o stress.

Conclusão: Apesar de afectar cada vez mais pessoas e da sociedade actual ser cada vez mais stressante, o Stress é um problema a ter em conta claro mas é um problema que se for cuidadosamente prevenido através de várias actividades possiveis.

ReferênciasRevista Quo nº21 de junho de 1997 "Como levar uma vida com menos stress"

Comentário: Sabia que o stress severo e continuado pode despoletar comportamentos Adictivos, incluindo as substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, o jogo, o sexo, o distúrbio alimentar, codependência, as compras - shopaholics, o furto - shoplifting como forma de "premiar/recompensar"  e aliviar a pressão - gratificação imediata.
Responda a esta questão: Numa escala de 0 (nenhum) a 10 (elevado) onde situa o seu nivel de stress no dia-a-dia?