- À intuição e à curiosidade (mente aberta).
- À fé (conexão/crenças morais universais espirituais) num Poder Superior/Espírito Criador, conforme você O/A concebe, (religioso ou não). Por exemplo, Deus, Alá, Ensinamentos do Buda, Deusa, Deuses, Anjo, Natureza, etc. O conceito espiritual, neste retiro, visa reforçar as suas próprias crenças individuais, a relação com as outras pessoas e com um mundo transcendental e imaterial, não religioso, com ou sem dogmas e/ou divindades. Você é que decide em quem acredita e o quê; o importante é acreditar. O objetivo do retiro é enriquecer a sua literacia emocional/espiritual e não determinar quaisquer crenças/valores.
- À oração e à meditação (monitorizar qualidade de pensamentos),
- À tolerância e à esperança contra o preconceito,
- Aos afetos e à integridade (amor),
- Ao significado e propósito (rumo da vida),
- À sua criança interior (criativa e espontânea - sentimentos).
quarta-feira, novembro 01, 2017
Retiro Espiritual Online - Programa Desenvolvimento Pessoal @ - Kit
Retiro online pioneiro e inovador.
Importante:
Todos os seus dados são mantidos sob o mais rigoroso sigilo (confidencialidade).
Durante 30 dias consecutivos pode participar
num Retiro Espiritual – momentos iluminados de inspiração apelando:
Segundo o dicionário Priberam
da Língua Portuguesa, a palavra retiro significa: “refugio, remanso, período de
afastamento da vida ativa consagrado à meditação religiosa, à oração.”
Gostaria de reforçar que este
Kit não tem um cariz religioso (exemplo, dogma e/ou divindades), todavia cabe a
você, proporcionar a orientação espiritual, em relação às suas próprias
crenças, que considerar validas. A espiritualidade, característica inusitada e
intrínseca ao ser humano, é uma aprendizagem contínua e uma jornada que se
desenrola ao longo da vida; sentimos, acreditamos e isso basta, para se ser
espiritual.
Para a grande maioria de nós,
torna-se difícil dispor de um fim-de-semana para frequentar um retiro espiritual,
longe da agitação do dia-a-dia. Falo por experiência própria, visto ter
frequentado alguns retiros em Portugal e no estrangeiro. Este PDP@/Retiro Online, em formato PDF, surge como forma de ultrapassar estas condicionantes e proporcionar-lhe um
acesso a uma porta iluminada - conceitos e valores espirituais, sempre
presentes no dia a dia, mas em muitos casos negligenciados pelas nossas vidas
agitadas e consumistas (pressão e correrias).
Caso esteja interessado/a envie email para joaoalexx@sapo.pt e escreva no assunto da mensagem PDP@. O valor é acessível a todas as carteiras
quarta-feira, outubro 25, 2017
106ª Dica Arte Bem Viver de 31.03.2013
Olá
Sentimento de posse vs. Sentimento de pertença nos
relacionamentos de intimidade.
Nascemos livres e morremos livres. A uma dada altura do desenvolvimento,
por exemplo, no início da idade adulta, abraçamos o desafio de seguirmos as
nossas próprias convicções, ideais, crenças, necessidades, valores, através da
coerência e da integridade, reconhecido pelo nosso próprio cunho/identidade. O desenvolvimento
pessoal depende da liberdade de escolha e expressão, mas por outro lado,
dependemos de relações significativas; sistema complexo e (des) sincronizado de
dinâmicas, enraizados na cultura da família, da comunidade e da sociedade.
O sentimento de posse é o oposto ao sentimento de pertença.
Se somos livres, de acordo com os direitos humanos universais, qualquer ser
humano não pode ser dominado/controlado pela obsessão do outro. Erradamente,
existem tradições que evocam o amor (e o sexo) e a necessidade de se sentir
íntimo e especial para alguém através do sentimento de posse; é um mito.
O sentimento de posse é alimentado pela exaltação sofrida,
melodramática e os jogos psicológicos de domínio (amor dependente), onde
exigimos ao outro a responsabilidade em satisfazer a nossa própria felicidade
fantasiosa e as expectativas irreais (vitimização). Isto é, como não
conseguimos preencher as nossas próprias necessidades básicas e estar seguros,
exigimos ao outro que faça o trabalho por nós; “Se realmente gostas de mim… não deves fazer isto ou aquilo… e/ou tens
que fazer aquilo que te peço/imploro senão fico a sofrer por tua causa”.
Nestas alturas, fazemos exigências que ninguém pode satisfazer porque são as
nossas ilusões e fantasias que alimentam o sentimento de posse. Sabia que a
violência doméstica está associada ao sentimento de posse?
O sentimento de pertença reforça os afetos e os limites saudáveis
nas relações porque existe a liberdade de ser; é um acordo mútuo, apoiado na
confiança, na honestidade e na coesão, onde ambas as pessoas têm a legitimidade
à sua individualidade, ao seu desenvolvimento e crescimento. Respeitam os
limites e os compromissos do acordo; vivem abertos à mudança, à lealdade, à
intimidade e aos desafios do dia-a-dia. As pessoas não permanecem estáticas,
pelo contrário, as pessoas mudam e o mesmo acontece aos relacionamentos. É um
processo orgânico onde não existem acordos com garantia vitalícia, dependem
somente da liberdade. Os parceiros pertencem ao mesmo projeto/relação de
intimidade (acordo) porque se revêm nos mesmos princípios, sonhos e objetivos.
Potencie o sentimento de pertença e repudie o sentimento de
posse.
Exclusivamente, para si, votos de uma semana livre nos afetos
«O amor tem a virtude, não apenas de desnudar dois amantes
um em face do outro, mas também cada um deles diante de si próprio.» Cesare
Pavese.
Cumprimentos
- Considera que esta dica também pode ser útil a alguém seu conhecido? Se a resposta é sim, partilhe a dica através do seu correio electrónico.
Nota: caso você
esteja interessado/a em receber a dica, na sua caixa de correio eletrónico, é
simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt
e escreva Dica Arte Bem Viver no assunto
da mensagem . Todos os seus dados são confidenciais. Bem haja
quarta-feira, setembro 13, 2017
10 anos de existência na blogosfera 2007/2017
Setembro de 2007/2017 – O blogue comemora 10 anos de
existência. Em 2007, decidi criar dois blogues: 1.
Sobre a prevenção das dependências e o 2. sobre o tratamento e a recuperação da
adicção. Foram os primeiros blogues,
em Portugal, escritos por um profissional (Addiction Counselor), a abordar a
prevenção, o tratamento e a recuperação dos comportamentos adictivos –
substâncias psicoactivas do sistema nervoso central, vulgo drogas, e/ou dos
comportamentos.
Recordo a minha ambivalência em relação às primeiras
publicações, estava consciente das minhas limitações e duvidas, em termos da
escrita. Tinha varias questões na minha mente: «Será que alguém vai
interessar-se pelos temas?» e « Será que as pessoas vão gostar do meu estilo de
escrita?» Existiam um rol infindável de duvidas e questões para as quais não
conseguia obter uma resposta concreta, mas por outro lado, estava motivado e entusiasmado
em explorar o potencial da Internet e lançar a discussão publica a fim de
quebrar o estigma, a negação e a vergonha, partilhando ideias, experiência
profissional, conhecimento e alguns avanços na investigação cientifica. Em
Setembro, decidi arriscar. Passados 10 anos, ainda bem que o fiz.
O blogue sobre a recuperação da adicção aborda ( envolve) a espiritualidade
(conceito não religioso), o conhecimento empírico e a investigação cientifica
na intervenção, na prevenção, no tratamento e na recuperação da adicção –
doença primaria, progressiva e cronica, todavia, existe a esperança associada à
recuperação.
Numero total de visualizações 92.872
Numero total de visualizações 92.872
O blogue conta também com
a participação de pessoas (indivíduos anónimos) que partilham as suas
experiências em recuperação da adicção, assim como, vários profissionais.
Passados dez anos, recebo uma media de 3 emails por semana,
de adictos e/ou familiares que procuram orientação sobre a problemática da
adicção nas suas vidas.
O blogue é interactivo com o
Facebook, o Google + e o LinkedIn .
Aproveito também para manifestar a minha gratidão a todos aqueles que participam com textos (incluindo profissionais e anónimos), mensagens, partilhas e comentários ao longo dos dez anos. Boa noticia, o blogue irá continuar disponível e a lançar a discussão aberta e honesta contra o estigma, a negação e a vergonha. Recuperar é que esta a dar. Segundo o Dr David Best e Alexandre Laudet Ph.D os princípios de recuperação dos comportamentos adictivos assentam na esperança, na liberdade, na decisão e no compromisso.
Aproveito também para manifestar a minha gratidão a todos aqueles que participam com textos (incluindo profissionais e anónimos), mensagens, partilhas e comentários ao longo dos dez anos. Boa noticia, o blogue irá continuar disponível e a lançar a discussão aberta e honesta contra o estigma, a negação e a vergonha. Recuperar é que esta a dar. Segundo o Dr David Best e Alexandre Laudet Ph.D os princípios de recuperação dos comportamentos adictivos assentam na esperança, na liberdade, na decisão e no compromisso.
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
quarta-feira, setembro 13, 2017
Sem comentários:
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adicção,
comunicação,
comunidade,
doença,
partilha,
recuperação,
reflexão,
sociedade,
vozes
quarta-feira, agosto 30, 2017
O poder da escolha pessoal
- «Estou cansado de chorar,
- Estou cansado de gritar,
- Estou cansado de estar triste,
- Estou cansado de fazer de fingir,
- Estou cansado de estar só,
- Estou cansado de estar zangado,
- Estou cansado de sentir que estou louco,
- Estou cansado de sentir que estou preso,
- Estou cansado de sentir que preciso de ajuda,
- Estou cansado de saber o que tenho que fazer,
- Estou cansado de perder oportunidades,
- Estou cansado de sentir que sou diferente,
- Estou cansado de perder pessoas,
- Estou cansado de sentir que não tenho valor,
- Estou cansado de sentir um vazio dentro de mim,
- Estou cansado de sentir que não consigo libertar-me,
- Estou cansado de pensar que gostava de voltar atrás e começar tudo outra vez,
- Estou cansado com a vida, que gostava, mas que nunca irei ter,
- Acima de tudo, estou cansado de estar cansado.» Autor anónimo
Este texto reflete um rol de problemas na vida do individuo.
Reflete a frustração, a desilusão, o remorso e a ausência de esperança. Reflete
a impotência, característica daqueles que sofrem sintomas (físicos e
psicológicos) da adicção activa, seja a substâncias psicoactivas do sistema
nervoso central, vulgo drogas lícitas e/ou ilíctas, seja a comportamentos
adictivos (jogo, compras, sexo, dependência emocional, internet/redes sociais,
perturbação do comportamento alimentar). A impotência, incapacidade do
individuo em controlar a adicção, é por si só uma fonte inesgotável de dor e
sofrimento.
quarta-feira, junho 07, 2017
Na intimidade da relação a comunicação é um prioridade
Limites nas relações de intimidade
As relações de intimidade, conseguem gerar uma energia
desmesurada e esmagadora; alguma dessa energia é positiva e inspiradora, por
outro lado, também consegue gerar energia capaz de sugar e anular todo o otimismo, gerar ansiedade, depressão, ressentimento e agressividade. Exemplo, se você
viver com alguém que faça questão de afirmar: "Não vales nada...,"
"Não fazes nada de jeito." este tipo de afirmações frequentes acabara
por ter um efeito negativo na sua auto estima.
Manifestamos com muito mais frequência a intolerância,
frustração e a critica para com aquelas pessoas com quem estamos todos os dias e
partilhamos «o mesmo teto» - relações mais intimas, por exemplo, família. Aquelas
pessoas que pensamos tê-las como garantidas, dizemos coisas que magoamos,
ofendemos, injuriamos, etc. . Nesse
sentido, os limites saudáveis são uma parte imprescindível nos relacionamentos
de intimidade a fim de não tornar as relações disfuncionais e caóticas. Talvez
por isso muita gente, quando pensa em relações de intimidade afirma «É
complicado», porque definir limites saudáveis pode revelar-se uma tarefa
complexa. Se queremos permanecer numa relação de intimidade duradoura, de
confiança e que nos permita florescer, precisamos de definir limites físicos e
emocionais saudáveis. Este trabalho é da nossa responsabilidade, exige arte e
competências. Ao definir metas, orientações e limites saudáveis estaremos a
proteger a auto estima, o respeito próprio, a segurança, a pertença e a
intimidade ingredientes essenciais para uma relação intima duradoura.
Apesar da negação e do autoengano, sabemos quando uma
relação é disfuncional porque não existem limites saudáveis. Sabemos porque
identificamos a perda do controlo, a ansiedade e a impotência. A ausência de
limites saudáveis pode estar associada à dependência emocional, vulgo
Codependência, depressão, ansiedade e stresse extremo (exaustão física e
emocional). Um exemplo sobre o que é que significa a ausência de limites, deixarmos
a porta de casa aberta, qualquer pessoa pode entrar, incluindo, as pessoas
indesejáveis.
O que é que são
limites nas relações de intimidade?
Veja este exemplo. Como sociedade precisamos de leis, valores,
tradições e regras. Estas normas permitem-nos comunicar e expressar as nossas
necessidades uns com os outros de acordo com as características individuais de
cada um de nós. Em sociedade, existem indivíduos que zelam pela aplicação
dessas leis quando elas são violadas e as fazem cumprir. Para vivermos numa
sociedade com direitos e deveres precisamos de leis. O mesmo fenómeno acontece com as relações de
intimidade, visto estarmos envolvidos emocionalmente com outra pessoa diferente
também precisamos de limites, regras, valores e orientações. Como seres
gregários, somos atraídos mais pelas semelhanças do que pelas diferenças,
contudo, não existem duas pessoas iguais e cada individuo transporta consigo (e
para a relação de intimidade) todo um histórico de experiências individuais
positivas e negativas, do seu passado, tais como, sentimentos, expectativas,
crenças, ambições, atitudes e comportamentos. Por exemplo, a relação com os
pais, família, as relações românticas anteriores, valores/crenças, questões
financeiras/económicas, carreira profissional/trabalho, etc.
Os limites saudáveis
nas relações são orientações que permitem-nos sentir seguros, confiar, estar vulneráveis,
investir na intimidade da relação, compreender aquilo que é razoável e
aceitável na interação com o/a parceiro/a e aquilo que permitimos aos outros
fazer e como reagimos quando esses mesmos limites são violados.
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
quarta-feira, junho 07, 2017
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quarta-feira, maio 10, 2017
88ª Dica Arte Bem Viver (reeditada)
Olá,
A importância do reconhecimento nos relacionamentos de
intimidade. Todos nós almejamos o reconhecimento uns dos outros, em especial
daqueles que desenvolvemos uma relação de intimidade.
Reconhecimento implica você valorizar e apreciar os
aspetos positivos da relação/parceiro/a; em vez de centrar nas diferenças, nos
defeitos de caracter e nos problemas, centra-se nas semelhanças, nas qualidades
e nas soluções. Como sabemos, é mais fácil dizer do que fazer, porque na
realidade, desde muito cedo, nas nossas vidas, aprendemos a desenvolver um
exagerado sentido crítico em relação aos defeitos dos outros, isto é, funciona
como um mecanismo de defesa que nos mantém alerta sobre o que pode correr mal e
assim inviabilizar a relação; preparamo-nos para o pior, para não sermos
surpreendidos ou dizendo de outra maneira «o ataque é a melhor defesa».
Quanto mais você se centrar nos aspetos negativos do
seu parceiro/a, com o intuito de melhorar o comportamento dele/a, recorrendo á
crítica excessiva, mais ele/a se sente avaliado e menos aceite, tal como é.
Ninguém gosta da falta de reconhecimento e de ser sujeito à critica. Não estou
a dizer que não devemos criticar o outro, pelo contrario, seria impensavel não
haver critica ou conflitos numa relação de intimidade; os conflitos permitem
que as pessoas evoluam e se adaptem umas às outras. Todavia, a critica
excessiva, com o intuito de «deitar abaixo» poderá originar conflitos
duradouros e corroer a confiança na relação de intimidade através da
agressividade, raiva e ressentimento, desconfiança, indiferença. Se você está
numa relação de intimidade o objetivo fundamental é legitimar e valorizar os
aspetos positivos do seu parceiro/a, caso contrario, pode estar a deteriorar a
relação.
Recorde-se do seguinte, aquilo que você valorizar,
seja os aspetos positivos ou negativos do seu parceiro/a, acaba por se tornar o
centro da sua atenção; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.
- Identifique características inesperadas e menos obvias no seu parceiro/a. Em conjunto com o seu parceiro, e envolvam-se em atividades, fora das rotinas e obrigações do dia a dia.
- Elogie o seu parceiro, pelo sorriso, pela boa disposição, pelo carinho, pela disponibilidade, pela confiança mutua que nutrem um pelo outro, pelo afeto em vez da critica excessiva.
- Seja criativo/a no elogio em vez de na critica.
- Como é que você obtém reconhecimento do seu parceiro/a? e vice-versa? Precisamos do reconhecimento social afim de florescermos e desenvolvermos uma musculatura emocional resiliente, com esperança.
Cumprimentos
Nota: caso você esteja interessado/a em receber a dica, na sua caixa de correio electrónico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e escreva Dica Arte Bem Viver no assunto da mensagem . Todos os seus dados são confidenciais. Bem haja
quarta-feira, março 29, 2017
As justificações e racionalizações mais engenhosas e os super poderes
«A recuperação começa quando interrompemos as
desculpas frequentes e iniciamos a mudança de atitudes e comportamentos» Detox
Concierge, April Grisham
Os Comportamentos Aditivos (sexo, jogo, shoplifting, dependência de drogas,
abuso do álcool, compras, trabalho, dependência emocional, distúrbio alimentar)
na sua génese caracterizam-se pela perda do controle do comportamento (padrão
de insanidade/crises exacerbadas), esforços repetitivos para interromper o
comportamento compulsivo/problema (e as consequências negativas) falham
repetitivamente. Qualquer pessoa, independentemente do seu estatuto social,
pode desenvolver a compulsão, padrão repetitivo, associado aos comportamentos
adictivos. Algumas pessoas mais vulneráveis, apresentam a adicção cruzada
(comorbilidade) desenvolvem várias adicções; por exemplo, jogo patológico e a
dependência de drogas/abuso de álcool, dependência emocional e a dependência de
drogas, lícitas (medicação sujeita a receita medica – benzodiazepinas),
distúrbio alimentar e a dependência de drogas/abuso de álcool. Quando contemplamos a compulsão e a perda de
controlo, no tratamento da adicção, precisamos também de contemplar, o contexto social (fatores/forças
externas) em que o individuo está inserido, assim como o seu percurso de vida,
através de rotinas, sistema de crenças, hábitos e relacionamento com pessoas. Na
adicção activa, o dia-a-dia, do individuo gira em torno da
compulsão e da perda do controlo. É um processo insidioso de tentativas
frustradas, angustias, de interrupções temporárias, de justificações, autoengano
e frustração, alibis geradores de ansiedade, angustia, depressão e isolamento
(segredos) onde também podemos acrescentar problemas familiares, de saúde,
profissionais e problemas em outras obrigações sociais. De notar, que este
mecanismo psicológico de defesa de justificações, racionalizações e desculpas
não é identificado, unicamente, no individuo adicto, o ser humano, ao longo da
vida, também adota esta abordagem diante alguns problemas mais complexos. Todavia,
quando se trata da recuperação da adicção isso implica identificar esse sistema
de crenças, hábitos, rotinas e encontrar motivação para mudar de atitudes e
comportamentos. Perante a adversidade,
se o silencio (incapacidade de abordar o comportamento problema) é sinonimo de
negação ou vergonha, são necessárias medidas honestas e concretas a fim de
quebrar o processo repetitivo e compulsivo.
Possuímos
super poderes, por vezes ocultos, que aguardam para ser despertados
Seja qual
for o comportamento adictivo, hoje sabemos que existe a esperança quanto ao tratamento,
é possível interromper a progressão da adicção activa e iniciar a recuperação.
O conceito de recuperação, a que faço questão, está intrinsecamente relacionado
com um estilo de vida mais gratificante e pleno, através da mudança de atitudes
e comportamentos (sistema de crenças negativas, tomada de consciência, relações
de ajuda). Recuperação consiste no desenvolvimento de uma atitude proactiva ( o
individuo é o agente de mudança), na re-aprendizagem de competências, na
possibilidade de materializar sonhos/ambições pessoais e relacionamentos com
outras pessoas que de outra forma jamais seria possível concretizar. A natureza
da evolução humana concedeu-nos um sentido (instinto) que perante a adversidade
nos impele a agir e a reagir (exemplo, sobrevivência) e nesse sentido, podemos
utilizar este recurso na aceitação, na honestidade e na motivação necessários para
enfrentar a compulsão da adicção. Ao longo de duas décadas em trabalhar na área
dos comportamentos adictivos, acompanhei, até à data de hoje, aproximadamente 1000
indivíduos e confirmo, todos são unânimes em afirmar, de acordo com o seu
instinto, que 1. Estão em sofrimento devido à adicção 2. Desejam interromper o
comportamento problemático/compulsão 3. É necessário a mudança de atitudes e
comportamentos 4. E precisam de esperança.
terça-feira, janeiro 03, 2017
Nação resiliente no facebook 2016
Passatempo no Facebook
sobre a gratidão 2016. Pedi aos seguidores para completarem a seguinte afirmação: - «Estou grato/a por…» a fim de o conteúdo ser publicado aqui no blogue.
Escreva uma lista de 5
coisas pelas quais está grato/a.
- Isabel Garrido
Estou grata por estar viva, estou grata por ter saúde, estou grata por ter uma família que me acarinha, estou grata por ter amigos (poucos, mas bons), estou grata por ter conseguido
reestruturar a minha vida e ter continuado na luta.
- Evelise Fonseca
Estou grata, vivo um dia de cada vez.
- Vitor Guimarães
Grato por estar vivo, ter saúde, ter família e amigos, ter trabalho, grato por estar em recuperação.
- Abdul Karim
Estar
vivo
- Maria De Fátima Antunes
Estou grata por ter saúde, pela casa que me abriga, pelas mantas que me aquecem,pela comida, porque estou limpa.
- Maria Aparecida Nunes
Estou
grata por estar viva.
- Evelise Fonseca
Vida, saúde, amor, família e dinheiro
- Bela Duarte
Acordar
e sentir
- Beatriz Silva
Estar em recuperação. ter um filho maravilhoso, por
os meus pais ainda estarem vivos, por ter amigos, por ter 1 cão e 3
gatas.
- Iris Maria
Por
ter encontrado seu Blog ★★★★★, por
meus amigos verdadeiros, por
ver meu filho formado, por
poder ver a realização pessoal e profissional de minha filha, Deus.
- Leonor Nobre
Estou grata por ter uma mãe que me ama.
- Sandra Pinheiro
Por
ter gosto pela vida mesmo com todas as contrariedades.
- Cecília Cavalheiro
Estou
grata pelo filho que a vida me deu, pela família e amores, por ter vindo
trabalhar, pela esperança na bonança depois das tempestades (renovada
diariamente) e pelo que tenho para semear, no jardim de cada um, daqueles que a
vida traz para a minha beira.
- Maria De Fátima Antunes
Estou
grata porque tenho saúde, paz, comida, amigos verdadeiros, e especialmente
porque voltei a acreditar em mim.
- Evelise Fonseca
Viver, saúde, família, amor, amigos
- Maria Aparecida Nunes
Viver
- Patrícia Bento
Estou grata por ser
mãe, ser esposa, ser filha, ter saúde e ter trabalho.
- Iris Maria
Estou grata por uma
amiga não ter desistido de mim e também sou grata pelos que desistiram.
- Dina Isabel Santos
Estou grata por todos os dias crescer/aprender
mais um pouco
- Carina Branco Dias
Grata
pela minha família e amigos e por todos aqueles que me olham com carinho. Grata
por ter estes olhos, braços, pernas, sexo vida e corpo. Grata por esta benção
que se chama vida.
- Leonor Nobre
Estar
viva
- Maria Aparecida Nunes
Respirar
- Sofia Megre
Estou
grata por ter saúde.
Nota: bem
hajam pela participação. Recuperar é que está a dar.
quarta-feira, dezembro 28, 2016
Livros de 2016
As minhas leituras de 2016, das quais recomendo.
- “Incógnito” – David Eagleman
- “Fluir” – Mihaly Csikszentmihali
- “Como Ser Feliz” – Sonja Lyubomirsky
- “O Lado Bom da Irracionalidade” – Dan Ariely
- “A Força do Habito” – Charles Duhigg - Perceber e Corrigir os Hábitos na Vida e no Emprego
- “Mindset” – Dra Carol S. Dweck – A Atitude Mental para o Sucesso
- “A Vida Que Floresce” – Martin E. P. Seligman -
- “Grit” – Angela Duckworth – O Poder da Paixão e da Perseverança
Nota pessoal: O critério para a selecção dos livros deve-se, principalmente, aos seus autores,
investigadores de renome, cujas temáticas, tais como a motivação, a mudança, a
felicidade, a resiliência, a garra, a persistência, os hábitos são temas
recorrentes no meu trabalho do dia-a-dia. Desde 1993, dedico uma parte
substancial, da minha carreira profissional, à aprendizagem contínua como forma
de manter-me atualizado, a fim de prestar o melhor serviço possível, a todos
aqueles que procuram, na doença e na adversidade, encontrar competências para
vencer. Afinal, o que seria de nós, se não tivéssemos defeitos, se não
estivéssemos expostos à adversidade e se não tivéssemos ajuda? Graças aos
defeitos, à adversidade e haver pessoas especiais, conseguimos ser pessoas honestas,
persistentes, mais resilientes e encontrar um propósito na vida; fazer a
diferença, pela positiva, um dia de cada vez. As pessoas mais felizes gostam de pessoas.
terça-feira, dezembro 20, 2016
67ª Dica Arte Bem Viver de 01/07/2012
Olá
É desde a nascença que aprendemos a monitorizar, a gerir as competências individuais e sociais e os recursos quanto ao sofrimento. Apesar de sabermos que o sofrimento faz parte da condição humana, aparentemente, é confuso avaliar os limites do sofrimento. Isto é, saber a diferença, quando o sofrimento é útil, catalisador da mudança e maturidade vs. sofrimento disfuncional, auto piedade (vitimização), controlo e gerador de mais sofrimento.
Na maioria das vezes, sofremos de forma inútil. Não se aprende nada, não se muda nada, com a agravante de aumentar a tolerância à pena, que sentimos de nós mesmos - mártir. Sofrer, como condição auto imposta, não justifica a nossa existência e/ou determinados valores/princípios; evocam-se causas nobres, mas na realidade, nada muda; como ser humano. Continua tudo na mesma, com tendência para piorar e gerar mais sofrimento e drama às nossas vidas. “Os homens (mulheres) não se medem aos palmos.”
Qual foi a lição (aprendizagem) mais recente, que você passou, em relação ao sofrimento?
Se está numa fase dolorosa da sua vida, defina um propósito, isto é, qual é o sentido para o seu sofrimento? O sofrimento acrescenta valor à sua vida?
É desde a nascença que aprendemos a monitorizar, a gerir as competências individuais e sociais e os recursos quanto ao sofrimento. Apesar de sabermos que o sofrimento faz parte da condição humana, aparentemente, é confuso avaliar os limites do sofrimento. Isto é, saber a diferença, quando o sofrimento é útil, catalisador da mudança e maturidade vs. sofrimento disfuncional, auto piedade (vitimização), controlo e gerador de mais sofrimento.
Na maioria das vezes, sofremos de forma inútil. Não se aprende nada, não se muda nada, com a agravante de aumentar a tolerância à pena, que sentimos de nós mesmos - mártir. Sofrer, como condição auto imposta, não justifica a nossa existência e/ou determinados valores/princípios; evocam-se causas nobres, mas na realidade, nada muda; como ser humano. Continua tudo na mesma, com tendência para piorar e gerar mais sofrimento e drama às nossas vidas. “Os homens (mulheres) não se medem aos palmos.”
Qual foi a lição (aprendizagem) mais recente, que você passou, em relação ao sofrimento?
Se está numa fase dolorosa da sua vida, defina um propósito, isto é, qual é o sentido para o seu sofrimento? O sofrimento acrescenta valor à sua vida?
Gestão das emoções dolorosas
- Procure soluções ao enfrentar os problemas. Como sabe, as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham. Se der demasiada atenção aos problemas insolúveis; o mundo irá conspirar contra si.
- Não procure agradar e dizer Sim, quando, na realidade, quer dizer Não. Seja o mais honesto/a e autentico consigo, possível.
- Não faça da sua vida, uma antecipação de cenários catastróficos. Não confie sempre nos seus pensamentos e nas suas emoções. Você é aquilo que faz com os pensamentos e sentimentos; não aquilo que sente e ou pensa, irracionalmente.
- Defina metas realistas, específicas e objetivas. Se quer atingir os seus sonhos, é preciso sair da zona de conforto, tire partido de todas as oportunidades (arrisque).
- Procure, nas pessoas de confiança, uma oportunidade para receber feedback (escuta activa).
- Invista na auto estima; dignifique os seus valores/princípios (pilares).
Votos de uma semana em harmonia; momentos de felicidade e
gratidão.
Cumprimentos
Cumprimentos
Nota: caso você esteja interessado/a em receber a Dica Arte de Bem Viver, na sua caixa de correio eletronico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt e escrever Dica Arte Bem Viver no assunto da mensagem. É gratis e todos os seus dados são confidenciais. Bem haja
segunda-feira, outubro 24, 2016
9 Factos sobre a perturbação do comportamento alimentar
9 Factos sobre a perturbação do comportamento alimentar.
É possível recuperar.
quarta-feira, outubro 12, 2016
Viver em função de números compromete a autoestima
«Não é o peso que dita a saúde e o amor próprio» Redefinir Imagem Corporal
E atrevo-me a acrescentar, peso e imagem. Contrariamente, ao
que podemos pensar, algumas pessoas com o peso e imagem, dito, «ideal» não são
pessoas com autoestima, visto adotarem comportamentos e dietas disfuncionais,
em relação a uma alimentação saudável e equilibrada. No caso da perturbação do
comportamento alimentar (anorexia, bulimia, ingestão compulsiva, vulgo binge eating) é o equivalente à ditadura
dos números (vive-se em função do numero das calorias, do peso na balança e da imagem).
Segundo o Dr. Walter Kaye, investigador da Universidade da
Califórnia (San Diego, EUA) afirma que as crianças predispostas a desenvolver a
perturbação do comportamento alimentar são perfecionistas, ansiosas e os
comportamentos são orientados por desafios rigorosos, competição excessiva e
extremamente exigentes consigo próprios, assim como, estão vulneráveis às
dietas restritivas e à imagem corporal. Contudo, a perturbação do comportamento
alimentar revela-se mais complexa do que as características perfecionistas e
pessoas extremamente competitivas.
Normalmente, quando temos acesso a informação sobre a
perturbação do comportamento alimentar (PCA) são através de noticias, nas
revistas ou na televisão, de figuras publicas a assumirem o seu problema. Na
maioria dos casos, são mulheres, atrizes ou modelos. Desta forma, podemos ficar
com a ideia errada, de que a perturbação do comportamento alimentar está
somente associada aos fatores externos; à pressão cultural do «corpo perfeito»
e às pessoas do sexo feminino. Apesar dos fatores culturais, das questões familiares
e ou eventos traumáticos, estarem associados à perturbação do comportamento
alimentar, de acordo com a investigação mais recente, não são assim tão
relevantes como se pensava, os fatores determinantes que contribuem para o PCA
estão localizados no cérebro (funcionamento de algumas estruturas cerebrais – circuitos
neuronais). É fundamental, compreender os fatores associados à doença, a fim de,
desenvolverem-se abordagens inovadoras ao tratamento. Para a maioria das
pessoas, sentar-se à mesa, proporciona sensações agradáveis, contudo para as
pessoas com perturbação do comportamento alimentar, a mesma situação
proporciona sensações desconfortáveis e preocupantes. Aparentemente, isso acontece
por questões biológicas (International
Journal of Eating Disorders, 2012).
segunda-feira, agosto 01, 2016
Carta para o Jack, amigo do pai
O pai de Laura tinha um problema com o alcool, nesse sentido, ela decidiu escrever uma carta ao « Jack, amigo do pai». Sabia que as crianças, são negligenciadas nos casos em que o progenitor ou ambos abusam do álcool? São o elo mais fraco.
quarta-feira, junho 22, 2016
Dica Arte Bem Viver de 06/08/2012 (Reeditada)
Motivação intrínseca e a motivação extrínseca.
Olá,
Qual é o tipo de motivação que o move, desde que acorda até
que vai para a cama, todos os dias? Você está satisfeito com os resultados
obtidos? Como é que ativamos a motivação? Dependemos de fatores extrínsecos e
fatores intrínsecos.
Nesta dica irei abordar um estudo efetuado por três
investigadores - Dr. Mark Lepper, Dr. David Greene e o Dr. Robert Nisbet sobre
a motivação. Estes investigadores observaram uma turma de alunos do
pré-escolar, ao longo da varias semanas, e identificaram crianças que gostavam
de desenhar. Depois os investigadores desenvolveram uma experiência para testar
o efeito de recompensar a atividade pela qual aquelas crianças tinham
preferência especial - desenhar. As crianças foram distribuídas por três grupos:
- O primeiro grupo era da recompensa esperada. Mostraram a todas elas um certificado de bom aluno e perguntaram se queriam fazer desenhos para receber o premio.
- O segundo grupo era da recompensa inesperada. Neste caso os investigadores limitaram-se a perguntar às crianças se queriam desenhar. Aos que aderiram à tarefa, os investigadores entregavam os certificados de bons alunos após terminarem os desenhos.
- O terceiro grupo era o dos que não tinham qualquer recompensa. Os investigadores limitaram-se a perguntar às crianças se queriam desenhar, todavia, não fizeram referencia a qualquer recompensa/certificado de bom aluno.
Duas semanas depois, durante o tempo livre que dispunham
entre as aulas, foram entregues marcadores e papel de desenho. As crianças que
tinham feito parte do grupo da recompensa inesperada ou sem recompensa
desenharam com prazer e utilizaram todo o tempo disponível, enquanto as
crianças que esperavam ser recompensadas revelaram muito menos interesse a
desenhar e passaram menos tempo a faze-lo. Segundo os investigadores, as
recompensas extrínsecas, referentes ao primeiro grupo - «se fizeres isto
recebes aquilo» revelaram um efeito negativo. Este tipo de recompensas
extrínsecas exige que as pessoas prescindam de alguma autonomia. De acordo com
os investigadores, também foram conduzidas experiências semelhantes com
adultos.
Voltando à questão acima formulada, você está satisfeito com
os resultados obtidos? Considera que a sua motivação depende excessivamente da
recompensa extrínseca? De bónus, de prémios. Ou a sua motivação intrínseca depende
de causas, de um propósito no sentido da vida, baseado em causas/campanhas (por
exemplo, estar ligado a causas de apoio a problemas sociais na sociedade) e
valores morais universais/espirituais, sem dogmas ou divindades?
O ponto de partida para qualquer discussão sobre a motivação
no emprego/empresa está relacionado está com o vencimento/retorno do
investimento. As empresas e os empregados sabem isto. As empresas precisam de
empregados e os empregados precisam das empresas; a motivação de ambos gira em
torno do mesmo tema; recompensas extrínsecas, vulgo «ganhar a vida» e se o
retorno do investimento/vencimento não corresponder às expectativas e/ou não
for adequado a probabilidade da motivação cair a pique é enorme.
sexta-feira, abril 22, 2016
Às vezes não possuímos todas as respostas, principalmente, quando estamos sós
Ao longo de duas décadas de acompanhamento de pessoas com problemas relacionados com comportamentos adictivos (dependência de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, incluindo o alcool, jogo, perturbação do comportamento alimentar, dependencia emocional, sexo, shoplifting -furto, compras) o isolamento é um factor presente em todas as adicções.
O isolamento que refiro funciona como uma redoma e um escudo. Isolamento da realidade da doença.
Isolamento através das vidas duplas, reforçado pelos segredos, pela vergonha, sentimento de culpa e pela fantasia do controlo. Uma afirmação muito comum, " O meu problema é diferente dos outros. Eu controlo"
Estas pessoas lutam sózinhas contra a doença, o estigma, a negação e a vergonha, todavia, esta luta é inglória e extremamente frustrante, porque do ponto onde começam é o ponto onde acabam, efeito espiral (ciclo vicioso) característico da progressão da adicção. Isto é, o problema tem tendência para se agravar, todavia, a percepção da pessoa sobre o problema é precisamente o oposto.
Recuperar da adicção é um processo complexo onde TODOS os intervenientes; os indivíduos, familiares e profissionais procuram estar numa espécie de sintonia e focados na solução. Recuperar é que está a dar
quarta-feira, março 16, 2016
Recuperar é auto conhecimento
Em 2015 o Professor David Best e colegas da Universidade de Sheffield Hallam, Inglaterra, em parceria com a
Action on Addiction conduziram o primeiro questionário sobre a recuperação da adicção -
dependência de substâncias psicoativas do Sistema Nervoso Central, vulgo
drogas, lícitas e/ou ilícitas. Os participantes no estudo incluíam indivíduos
do sexo masculino (53%) e indivíduos do sexo feminino (47%) que atualmente
residem em Inglaterra. 74% dos participantes, dependentes de outras drogas, afirmaram
estar também em recuperação do alcoolismo. O questionário abrangente contemplou
varias áreas da vida dos indivíduos:
- Relacionamentos, educação, emprego
- Saúde e bem-estar
- Tipos de adicção
- Recuperação (duração, abstinência)
- Envolvimento em tratamento e/ou participação em grupos de ajuda mutua
- Área financeira
- Família e vida social
- Justiça/questões legais
- De acordo com os resultados do questionário os indivíduos
afirmaram ter um historial de dependência de substâncias psicoativas (adicção)
de 20.4 anos. De salientar que os indivíduos dependentes de álcool apresentaram
uma tendência para serem admitidos, em tratamento (receber apoio profissional -
meia idade, 40 e os 65 anos), em faixas etárias diferentes, dos indivíduos
dependentes de substâncias psicoativas, licitas e/ou ilícitas (drogas).
- O tempo/duração da recuperação do grupo dos intervenientes
ronda os 8.3 anos
- Os indivíduos do sexo feminino revelam um historial
diferente, quanto ao tempo que permanecem dependentes de substancias
psicoativas, comparativamente aos indivíduos do sexo masculino, 17.7 (feminino)
vs. 22.4 anos (masculino). Os indivíduos do sexo feminino iniciaram a
recuperação mais cedo, comparativamente aos homens – 37.2 vs. 39.2 anos.
- 65% dos participantes consideram que continuam em
recuperação, enquanto 7% considera estar recuperado, vulgo «curado».
- 70% afirma ter participado, pelo menos uma vez, numa reunião
dos grupos de ajuda mutua, por exemplo, dos Narcóticos Anónimos, Alcoólicos
Anónimos e SMART Recovery.
- 69% afirma ter recebido apoio profissional/tratamento.
- 51%. afirma ter sido sujeito a medicação prescrita pelo
medico.
Conclusões
Os autores do estudo, admitem serem defensores do conceito
de recuperação das dependências de substancias psicoactivas lícitas e/ou
ilícitas, concentrando assim os seus esforços, principalmente, sobre os efeitos
positivos da recuperação:
- Redução acentuada, na colocação dos filhos de pais dependentes de substâncias psicoativas em recuperação, em instituições de apoio à criança, assim como, em relação ao reagrupamento/estrutura familiar apresentam resultados positivos concretos.
- O índice de violência domestica, em indivíduos adictos ativos calcula-se entre os 39%, enquanto a mesma taxa entre os indivíduos em recuperação calcula-se entre os 7%, uma diferença significativa de 32%.
- Aumento da empregabilidade, segundo o relatório do estudo, 74% dos indivíduos em recuperação permanece durante longos períodos no local de trabalho e 70% afirma pagar impostos, as suas dividas, assim como, voltam a ter acesso ao crédito, por exemplo, em instituições bancarias.
- Apresentam taxas reduzidas de problemas com a justiça, por exemplo; prisão. Aqueles indivíduos em recuperação, de longa duração, gradualmente deixam de se envolver em actividades ilícitas.
- A conclusão final dos autores, sobre este estudo, reforça que a recuperação das dependências de substancias psicoactivas, licitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, não se resume somente à interrupção dos comportamentos problemáticos e ao consumo de drogas, visa também a adoção de estilos de vida responsáveis e positivos em prol do autoconhecimento (selfcare) e da sociedade.
- 79.4% dos participantes no estudo, após terem iniciado a sua recuperação, refere ter participado em ações de voluntariado na comunidade e participado em grupos cívicos.
Nota pessoal:
Este estudo vem reforçar e contrariar o estigma, a negação e a vergonha
associadas aos indivíduos dependentes de drogas, vulgo toxicodependentes, termo
em desuso, a Organização Mundial de Saúde, designa de dependência de
substâncias psicoativas.
Se recuarmos duas décadas, os indivíduos dependentes de
drogas eram considerados marginais e excluídos da sociedade preconceituosa e
mal informada. O mesmo preconceito também se alastrava às suas famílias. Para
agravar ainda mais o cenário, já dramático, existia a crença generalizada que
as pessoas dependentes não conseguiam recuperar, ou melhor dizendo, não
conseguiam ficar curadas do seu «vicio»; era uma condenação para o resto das
suas vidas. O diagnostico era considerado muito grave e estes indivíduos só
conseguiam estabilizar da sua condição recorrendo a medicação, em doses
excessivas, prescritas pelos seus médicos e ao internamento em instituições de
longa duração e isoladas da sociedade, como se de um vírus tratasse.
quarta-feira, janeiro 06, 2016
Dica Arte Bem Viver de 29/01/2012
Perfeição vs. Cometer erros
Olá
A perfeição é um mito, uma fantasia e uma obsessão imposta
pela nossa sociedade. Na obsessão pela perfeição almejamos o controlo das
sensações e resultados imediatos. Vivemos numa correria constante, a fim de
adquirir o tão ambicionado reconhecimento e sucesso, onde o que fazemos nunca é
suficiente. Na perfeição, vivemos em piloto automático, precisamos de ser mais
e ter mais. Nos padrões rígidos estabelecidos pela sociedade é imposto:
- "Tenho que ser melhor que tu..." porque "se não conseguir ser melhor do que tu, não tenho valor"
- "Tenho que ter mais coisas que tu..." porque " se não tiver mais coisas do que tu, não serei valorizado."
- "Eu sou mais ......... do que tu." porque "se eu não for mais .... do que tu, não serei gostado."
quarta-feira, novembro 18, 2015
As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool.
Recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.
Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.
Recuperar é que está a dar.
quarta-feira, novembro 04, 2015
O álcool não é «remédio santo»
«Bebia para afogar as mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar»
Frida Kahlo, pintora mexicana (1907-1954). Fotografia de Nicholas Muray (1939)
A famosa citação da pintora, mantém-se actualizada nos dias de hoje, e assim irá permanecer, para a eternidade. O ser humano, ao longo da historia, sempre atribuiu aos efeitos do álcool um papel preponderante na cultura, desde a religião, medicina, musica, literatura, às artes, etc.
O álcool é uma droga, que afecta o sistema nervoso central, que proporciona sensações fantásticas, mas na realidade, não resolve problemas, sejam eles quais forem, pelo contrario, pode representar uma fonte interminável de problemas graves. Na minha opinião pessoal, de acordo com a pratica profissional, o álcool é a droga mais consumida e é a mais perigosa. Porquê? Porque é legal, vivemos numa cultura, que promove e fomenta o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas. Em pleno seculo XXI, apesar de o abuso e o alcoolismo serem um problema de saúde publica, os decisores políticos continuam a negar as evidencias cientificas sobre a problemática, assim como, falta implementar medidas preventivas que visem travar o abuso do álcool e o alcoolismo. Por exemplo, ao contrario do que acontecia há vinte anos, os casos de abuso do álcool e alcoolismo surgiam entre os 40 e os 50 anos, actualmente, são diagnosticados em jovens adultos.
Importante: Se você tem problemas na sua vida, o que é provável que tenha, como todos nós, é humano, não, repito, não recorra ao álcool para atenuar os sentimentos dolorosos, negar as evidências e/ou justificar o consumo e o abuso de bebidas com teor alcoólico. Procure alguém de confiança e expresse os seus sentimentos, em vez de optar pela solidão, vergonha e a angustia. Recuperar é que está a dar.
quinta-feira, outubro 29, 2015
Recuperar é uma opção pessoal
«A perturbação do comportamento alimentar não é um escolha, contudo, a recuperação da doença é um escolha pessoal.»
Ninguém escolhe ficar doente. Pode revelar-se uma tarefa muito complexa identificar e diagnosticar sintomas e sinais relacionados com a perturbação do comportamento alimentar por parte da família, dos amigos, etc. Na grande maioria dos casos, os sintomas e sinais são ignorados, inclusivamente, o mesmo acontece, por parte do doente. Contrariamente, a esta realidade, nos últimos anos, tem-se verificado avanços significativos, por parte da investigação, sobre o tratamento e a recuperação das pessoas com perturbação do comportamento alimentar; da anorexia nervosa, bulímia nervosa e das crises de voracidade alimentar (binge eating).
Algumas áreas importantes:
- Historial de dietas
- Corpo e peso
- Historial de abuso e dependência de substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central, vulgo drogas.
- Utilização de diuréticos, laxantes e comprimidos relacionados com dietas.
O diagnostico, na fase inicial da perturbação do comportamento alimentar, pode ser determinante e crucial para o sucesso do tratamento.
Apesar dos desafios, relacionados com o tratamento e a recuperação da perturbação do comportamento alimentar, refiro-me à ambivalencia e à resistência à mudança, é possível recuperar. Recuperar da doença pode revelar-se uma experiência enriquecedora e recompensadora, em vez de permanecer doente e isolado. Se você identifica sinais ou sintomas, relacionados com a perturbação do comportamento alimentar, procure orientação e esclareça as suas duvidas.
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