
"A Vergonha Tóxica" pelo Reverendo Leo Booth e o Dr John Bradshaw
“
Sou a Vergonha Tóxica
"Qualquer tipo de abuso nas relações de intimidade “
alimenta” a Vergonha Tóxica – “
alimenta-se” do sentimento de inadequação e da rejeição, da debilidade e do desconforto, incapaz de valorizar as potencialidades e habilidades pessoais e única. O auto conceito é distorcido pela Vergonha Tóxica.
A Vergonha Tóxica é superior à culpa. Com a culpa, você fez algo errado, mas consegues reparar o dano. Consegue desenvolver competências cognitivas e emocionais e superar o dano provocado, através de reparações concretas.
A Vergonha Tóxica significa que existe algo está errado dentro de si, não é possível fazer nada para modificar isso, é intrínseco. Você considera, seriamente, que é uma pessoa inadequada e “
defeituosa” por natureza, na sua condição humana. A Vergonha Tóxica é o núcleo da “
ferida” no “coração" da criança.
Recentemente, uma meditação poderosa foi revista, originalmente escrita por Leo Booth que realça alguns dos aspectos da Vergonha Tóxica, explorado no livro de John Bradshaw “
Healing the Shame That Binds You.”
“O meu nome é Vergonha Tóxica
Já existia durante a tua concepção,
Nas hormonas da vergonha da tua própria mãe,
Sentes o meu fluido no ventre da tua mãe,
Cheguei mesmo antes de tu conseguires dizer a primeira palavra,
Antes de saberes que existias,
Antes de teres aprendido alguma coisa,
Cheguei quando aprendias a andar,
Quando te encontravas exposto e sem protecção,
Quando estavas vulnerável e a precisar de amor,
Antes que tenhas aprendido a criar quaisquer limites,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Cheguei quando tudo era inofensivo e mágico,
Antes de saberes que eu existia, já lá estava à tua espera,
Separei-te da tua genuinidade e da espontaneidade,
Perfurei-te até ao cerne da tua alma,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de imperfeição e inadequação,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de desconfiança, de malícia, em te sentires um idiota,
De insegurança e duvida, de insignificância e de inferioridade,
Fiz com que te sentisses diferente das outras pessoas,
Comprovei que afinal havia algo errado contigo,
Abalei as tuas crenças espirituais,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Existo antes de desenvolveres a tua consciência,
Antes da culpa,
Antes da moralidade,
Sou a tua principal emoção,
Sou a voz interior que segreda palavras de censura,
Sou o tremor e a inquietação interior que te atravessa sem que consigas qualquer tipo de reposta lógica,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Vivo no segredo,
Nas profundezas húmidas e escuras da depressão e do desespero,
Apareço sempre pelas costas, estou sempre pronta a humilhar-te quando te apanho desprevenido,
Sou indesejável, inconveniente e não sou “
bem vinda”,
Fui a primeira chegar,
Já existia desde o principio de tudo,
Como Adão e Eva,
Sou “
o assassino dos inocentes “,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Sou originaria de sistemas perfeccionistas e rígidos – controladores, oportunistas, de abuso, do ridículo, da negligencia e do abandono,
Sou alimentada pela intensa e chocante raiva parental,
Pela crueldade dos irmãos,
Sujeita à humilhação das outras crianças,
Sou um reflexo horrível ao espelho,
O contacto físico com os outros é algo assustador e “sujo”,
Sou a ignorante, a desajeitada e a idiota que estraga sempre tudo,
Sou fortalecida por uma cultura racista e sexista,
Como o inocente condenado pelo fanático religioso,
Sou os medos e pressões na escola,
Sou a hipocrisia dos políticos,
Os sistemas de multi-gerações da vergonha disfuncional
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Consigo transformar uma mulher, um homem, um judeu, um preto, um gay, um oriental ou uma criança preciosa;
Num estorvo, numa falhada, numa vitima, numa inútil,
Trouxe comigo a dor crónica,
A dor que não se vai embora,
Sou o predador que te persegue de dia e noite,
Todos os dias e em todo o lado.
Não tenho limitações,
Tentas esconder-te de mim,
Mas não consegues,
Porque vivo dentro de ti,
Faço-te sentir que não há esperança,
E não vale a pena sequer tentar,
O meu nome é Vergonha Toxica.”
“A minha dor é insuportável e canalizo-a para os outros através da necessidade de controle,
do perfeccionismo, desdém, criticismo, inveja, critica, poder e ódio,
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de a esconder com adicções, papeis rígidos, representações,
Ou defesas inconscientes do ego.
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de “
adormecer” e fugir a qualquer custo,
Consigo convencer-te que já parti; que não existo; experimentas a minha ausência e o vazio,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”
“Sou o âmago da codependência,
Sou a falência espiritual,
A lógica do absurdo,
A repetição da compulsividade,
Sou o crime, a violência, o incesto e a violação,
Sou o apetite voraz que alimenta as adicções,
Sou insaciável e cheio de luxuria,
Sou a traição, sou um manipulador nato,
Modifiquei-te naquilo que és, naquilo que aparentas ser,
Aniquilo a tua alma e atravesso gerações,
O meu nome é Vergonha Tóxica”
“Esta meditação evoca a transformação da criança maravilhosa e como ela se converte numa criança magoada, abusada e inadequada. A perda da capacidade de sonhar e das suas crenças conduz à falência espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades. A criança maravilhosa é abandonada e deixada sozinha. É uma criança invisível ao olhar dos adultos.
Como escreve Alice Miller em “
For Your Own Good”, a situação da criança é ainda mais traumática que o sobrevivente de um campo de concentração. "Os condenados de um campo de concentração odeiam livremente os seus carrascos. A oportunidade de partilhar os seus sentimentos com os seus companheiros previne-os do acto de rendição. A criança não pode expressar as suas emoções, por ex. não pode e não deve odiar o seu pai. Ela não pode odiá-lo, ela receia que ele a deixe de amar como consequência dessa sua traição. Entretanto a criança, ao contrario dos condenados do campo de concentração, é confrontada pelo tormento do pai que ama. A criança continua a viver essa angústia, sofrendo de uma forma passiva e atormentada, reprimindo as emoções, projectando e expressando as suas emoções de uma forma que só ela pode e sabe.
É Recuperando esta Criança ”I
nterior” que se inicia a jornada de acolhimento e libertação.”~
Comentário: Na recuperação da adicção aprende-se a recuperar a Criança Interior, numa jornada espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades