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quarta-feira, março 16, 2016

Recuperar é auto conhecimento



Em 2015 o Professor David Best e colegas da Universidade de Sheffield Hallam, Inglaterra, em parceria com a Action on Addiction conduziram o primeiro questionário sobre a recuperação da adicção - dependência de substâncias psicoativas do Sistema Nervoso Central, vulgo drogas, lícitas e/ou ilícitas. Os participantes no estudo incluíam indivíduos do sexo masculino (53%) e indivíduos do sexo feminino (47%) que atualmente residem em Inglaterra. 74% dos participantes, dependentes de outras drogas, afirmaram estar também em recuperação do alcoolismo. O questionário abrangente contemplou varias áreas da vida dos indivíduos:
  • Relacionamentos, educação, emprego
  • Saúde e bem-estar
  • Tipos de adicção
  • Recuperação (duração, abstinência)
  • Envolvimento em tratamento e/ou participação em grupos de ajuda mutua
  • Área financeira
  • Família e vida social
  • Justiça/questões legais

- De acordo com os resultados do questionário os indivíduos afirmaram ter um historial de dependência de substâncias psicoativas (adicção) de 20.4 anos. De salientar que os indivíduos dependentes de álcool apresentaram uma tendência para serem admitidos, em tratamento (receber apoio profissional - meia idade, 40 e os 65 anos), em faixas etárias diferentes, dos indivíduos dependentes de substâncias psicoativas, licitas e/ou ilícitas (drogas).
- O tempo/duração da recuperação do grupo dos intervenientes ronda os 8.3 anos
- Os indivíduos do sexo feminino revelam um historial diferente, quanto ao tempo que permanecem dependentes de substancias psicoativas, comparativamente aos indivíduos do sexo masculino, 17.7 (feminino) vs. 22.4 anos (masculino). Os indivíduos do sexo feminino iniciaram a recuperação mais cedo, comparativamente aos homens – 37.2 vs. 39.2 anos.
- 65% dos participantes consideram que continuam em recuperação, enquanto 7% considera estar recuperado, vulgo «curado».
- 70% afirma ter participado, pelo menos uma vez, numa reunião dos grupos de ajuda mutua, por exemplo, dos Narcóticos Anónimos, Alcoólicos Anónimos e SMART Recovery.
- 69% afirma ter recebido apoio profissional/tratamento.
- 51%. afirma ter sido sujeito a medicação prescrita pelo medico.

Conclusões
Os autores do estudo, admitem serem defensores do conceito de recuperação das dependências de substancias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas, concentrando assim os seus esforços, principalmente, sobre os efeitos positivos da recuperação:
  • Redução acentuada, na colocação dos filhos de pais dependentes de substâncias psicoativas em recuperação, em instituições de apoio à criança, assim como, em relação ao reagrupamento/estrutura familiar apresentam resultados positivos concretos.
  • O índice de violência domestica, em indivíduos adictos ativos calcula-se entre os 39%, enquanto a mesma taxa entre os indivíduos em recuperação calcula-se entre os 7%, uma diferença significativa de 32%.
  • Aumento da empregabilidade, segundo o relatório do estudo, 74% dos indivíduos em recuperação permanece durante longos períodos no local de trabalho e 70% afirma pagar impostos, as suas dividas, assim como, voltam a ter acesso ao crédito, por exemplo, em instituições bancarias. 
  • Apresentam taxas reduzidas de problemas com a justiça, por exemplo; prisão. Aqueles indivíduos em recuperação, de longa duração, gradualmente deixam de se envolver em actividades ilícitas.
  • A conclusão final dos autores, sobre este estudo, reforça que a recuperação das dependências de substancias psicoactivas, licitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, não se resume somente à interrupção dos comportamentos problemáticos e ao consumo de drogas, visa também a adoção de estilos de vida responsáveis e positivos em prol do autoconhecimento (selfcare) e da sociedade.
  • 79.4% dos participantes no estudo, após terem iniciado a sua recuperação, refere ter participado em ações de voluntariado na comunidade e participado em grupos cívicos.


Nota pessoal: Este estudo vem reforçar e contrariar o estigma, a negação e a vergonha associadas aos indivíduos dependentes de drogas, vulgo toxicodependentes, termo em desuso, a Organização Mundial de Saúde, designa de dependência de substâncias psicoativas.
Se recuarmos duas décadas, os indivíduos dependentes de drogas eram considerados marginais e excluídos da sociedade preconceituosa e mal informada. O mesmo preconceito também se alastrava às suas famílias. Para agravar ainda mais o cenário, já dramático, existia a crença generalizada que as pessoas dependentes não conseguiam recuperar, ou melhor dizendo, não conseguiam ficar curadas do seu «vicio»; era uma condenação para o resto das suas vidas. O diagnostico era considerado muito grave e estes indivíduos só conseguiam estabilizar da sua condição recorrendo a medicação, em doses excessivas, prescritas pelos seus médicos e ao internamento em instituições de longa duração e isoladas da sociedade, como se de um vírus tratasse.

quarta-feira, janeiro 06, 2016

Dica Arte Bem Viver de 29/01/2012



Perfeição vs. Cometer erros
Olá
A perfeição é um mito, uma fantasia e uma obsessão imposta pela nossa sociedade. Na obsessão pela perfeição almejamos o controlo das sensações e resultados imediatos. Vivemos numa correria constante, a fim de adquirir o tão ambicionado reconhecimento e sucesso, onde o que fazemos nunca é suficiente. Na perfeição, vivemos em piloto automático, precisamos de ser mais e ter mais. Nos padrões rígidos estabelecidos pela sociedade é imposto:
  • "Tenho que ser melhor que tu..." porque "se não conseguir ser melhor do que tu, não tenho valor"
  • "Tenho que ter mais coisas que tu..." porque " se não tiver mais coisas do que tu, não serei valorizado."
  • "Eu sou mais ......... do que tu." porque "se eu não for mais .... do que tu, não serei gostado."

quarta-feira, novembro 18, 2015

As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool.



Recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.

Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem  aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.

Recuperar é que está a dar.

quarta-feira, novembro 04, 2015

O álcool não é «remédio santo»


«Bebia para afogar as mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar»

Frida Kahlo, pintora mexicana (1907-1954). Fotografia de Nicholas Muray (1939)

A famosa citação da pintora, mantém-se actualizada nos dias de hoje, e assim irá permanecer, para a eternidade. O ser humano, ao longo da historia, sempre atribuiu aos efeitos do álcool um papel preponderante na cultura, desde a religião, medicina, musica, literatura, às artes, etc.

O álcool é uma droga, que afecta o sistema nervoso central, que proporciona sensações fantásticas, mas na realidade, não resolve problemas, sejam eles quais forem, pelo contrario, pode representar uma fonte interminável de problemas graves. Na minha opinião pessoal, de acordo com a pratica profissional, o álcool é a droga mais consumida e é a mais perigosa. Porquê? Porque é legal, vivemos numa cultura, que promove e fomenta o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas. Em pleno seculo XXI, apesar de o abuso e o alcoolismo serem um problema de saúde publica, os decisores políticos continuam a negar as evidencias cientificas sobre a problemática, assim como, falta implementar medidas preventivas que visem travar o abuso do álcool e o alcoolismo. Por exemplo, ao contrario do que acontecia há vinte anos, os casos de abuso do álcool e alcoolismo surgiam entre os 40 e os 50 anos, actualmente, são diagnosticados em jovens adultos.

Importante: Se você tem problemas na sua vida, o que é provável que tenha, como todos nós, é humano, não, repito, não recorra ao álcool para atenuar os sentimentos dolorosos, negar as evidências e/ou justificar o consumo e o abuso de bebidas com teor alcoólico. Procure alguém de confiança e expresse os seus sentimentos, em vez de optar pela solidão, vergonha e a angustia. Recuperar é que está a dar.
  


quinta-feira, outubro 29, 2015

Recuperar é uma opção pessoal

«A perturbação do comportamento alimentar não é um escolha, contudo, a recuperação da doença é um escolha pessoal.» 

Ninguém escolhe ficar doente. Pode revelar-se uma tarefa muito complexa identificar e diagnosticar sintomas e sinais relacionados com a perturbação do comportamento alimentar por parte da família, dos amigos, etc. Na grande maioria dos casos, os sintomas e sinais são ignorados, inclusivamente, o mesmo acontece, por parte do doente. Contrariamente, a esta realidade, nos últimos anos, tem-se verificado avanços significativos, por parte da investigação, sobre o tratamento e a recuperação das pessoas com perturbação do comportamento alimentar; da anorexia nervosa, bulímia nervosa e das crises de voracidade alimentar (binge eating). 
Algumas áreas importantes:
  • Historial de dietas
  • Corpo e peso
  • Historial de abuso e dependência de substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central, vulgo drogas.
  • Utilização de diuréticos, laxantes e comprimidos relacionados com dietas.

O diagnostico, na fase inicial da perturbação do comportamento alimentar, pode ser determinante e crucial para o sucesso do tratamento. 
Apesar dos desafios, relacionados com o tratamento e a recuperação da perturbação do comportamento alimentar, refiro-me à ambivalencia e à resistência à mudança, é possível recuperar. Recuperar da doença pode revelar-se uma experiência enriquecedora e recompensadora, em vez de permanecer doente e isolado. Se você identifica sinais ou sintomas, relacionados com a perturbação do comportamento alimentar, procure orientação e esclareça as suas duvidas.

segunda-feira, julho 13, 2015

Evidência cientifica sobre a doença da adicção.


«Dr. Nora Volkow on Addiction: A Disease of Free Will»

Graças aos avanços da ciência, e de alguns profissionais dedicados, como a Dra. Nora Volkow, é possível compreender a natureza da adicção às drogas, lícitas e/ou ilícitas. Nesse sentido, estaremos mais dispostos a desenvolver competências e recursos que nos permitam tratar pessoas com dignidade e esperança. Veja o video

segunda-feira, junho 15, 2015

Dica Arte Bem-Viver de 24 de abril de 2011


A Vida reserva-nos um vasto leque de surpresas...algumas são positivas outras dolorosas.
Uma das surpresas mais arrebatadoras e avassaladoras é que a vida humana é frágil perante a adversidade, na doença, no acidente, na perda, na dor e na possibilidade da morte.

Todos, sem excepção, fugimos da morte, ou melhor dizendo, do eventual sofrimento do desaparecimento, porque na realidade ninguém sabe o que é, quando chega a hora e o minuto e como é. Ninguém esteve lá e voltou para contar; se é bom ou se é mau. Se existe o paraíso ou o inferno. Sentimos medo de algo que aprendemos a recear; sofremos mais com a antecipação da morte, do que com o momento, porque quando chegar provavelmente não iremos  ter outra escolha e só nos resta aceitar a realidade tal como nos é apresentada.

Não somos educados, desde o nascimento e ao longo da vida, na compreensão e aceitação (culto do luto, do desapego e da preparação para a morte -desaparecimento) de que a vida tem um fim. Somos seres limitados e egocêntricos, mas podemos fazer escolhas, no dia-a-dia, que dignifiquem o dom e o agradecimento da Vida. Alguns exemplos; durante toda a vida celebramos o nosso aniversario, assim como também celebramos o aniversario do outro, ou quando conseguimos enfrentar e aceitar a adversidade como uma oportunidade de (re)nascer, em conjunto com outros seres humanos, e quando aprendemos a importância de valores morais universais, tais como, a Amizade, o Amor, a Solidariedade, o Propósito, Fé e Esperança, a Felicidade, a Gratidão entre outros.
Para terminar gostaria de acrescentar a seguinte afirmação, sobre uma experiência pessoal profundamente transformadora e espiritual; após a morte do meu pai tornei-me num homem.


Desejo-lhe uma semana recheada de momentos transformadores que reforcem o dom e o agradecimento da Vida. A compreensão do fim da vida, pode ser uma força motivadora e catalisadora, para o (re)nascer na transformação à qual estamos sujeitos; se é para mudar que seja para melhor.

Recuperar É Que Está A Dar seja da doença, da Adicção activa, da separação, da crise, da recaída, da depressão, do divorcio, da separação, da vergonha e do isolamento, e do desemprego,

  •  Se desejar receber a Dica Arte Bem-Viver, na sua caixa de correio eletronico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. . É gratis e todos os seus dados são confidenciais. Na data desta publicação a Dica já conta com 215 exemplares, desde 2011

segunda-feira, maio 18, 2015

«Uma vez não chega e mil não são suficientes»


Olá sou o Raul (nome fictício). Reconheci que tenho um problema com o sexo quando senti que não conseguia parar. Coloquei o meu emprego em risco ao desaparecer do trabalho para ir à prostituição ou engate e de estar dias inteiros no trabalho a obcecar com quem seria o próximo parceiro, através dos encontros prévios que tinha tido em chats, para fazer sexo. Não haver limite nas relações que desenvolvia com colegas de trabalho que podiam levar ao despedimento. Era viciado no flirt, nos orgasmos sucessivos, na adrenalina de fazer sexo em locais públicos e em forçar a minha mulher a fazer sexo comigo. Parecia que tinha mais prazer quando ela não queria. De ter relações sexuais (para não falar nas milhares de vezes que pratiquei sexo oral) sem preservativo. Actualmente tenho a certeza que o meu vício me colocou na prateleira na empresa em que trabalho e impediu de constituir uma família. Entretanto tenho três filhos fruto de uma relação de codependência com uma mulher. O meu futuro não sei qual vai ser, só sei que não quero voltar para o inferno em que vivia.

Tenho um problema em criar intimidade nas minhas relações. Teve a ver com a ausência de afecto na infância que me levou a buscar sexo para me alienar da minha infelicidade e a usar pessoas na cama como uma droga. E tal como dizem nas reuniões de Narcóticos Anónimos"1 UMA VEZ NÃO CHEGA E MIL NÃO SÃO SUFICIENTES ". Sou bissexual, todas as semanas dizia para mim mesmo que ia parar de agir nos comportamentos compulsivos, mas acabava por ter inúmeros parceiros sexuais. Apanhei algumas doenças venéreas, de fácil tratamento, mas foi mera sorte não ter apanhado VIH, SIDA ou Hepatite C.

A pornografia é também um vício que serve de "trampolim" para a compulsão. Através da pornografia é possível uma ligação a um mundo virtual, sem medo de doenças, fantasiando com todos os corpos que a minha cabeça pede. Ao longo dos anos tirou-me a capacidade de desfrutar dos engates, passei a comparar os corpos dos actores no ecrã/monitor com os que encontrava na vida real. Desenvolvi um mecanismo, idêntico ao caçador durante a caça, onde busco uma “presa” entre as pessoas que se cruzam na rua comigo para um possível engate. Essa caça, mais do que o sexo em si, constituía um factor principal do vício.

Quando cheguei ao programa do Adictos ao Amor e Sexo  Anónimos (AASA)2 achava que era somente viciado em sexo, mas descobri que muitas das relações heterossexuais mais estáveis que tinha tido eram típicas de um viciado em amor. Começo por fantasiar, achando que essa pessoa me vai curar, para depois, rapidamente a perseguir pelos defeitos que encontro nela. Ao longo destes cinco anos que estou em AASA apercebo-me que tenho medo de desenvolver relacionamentos de intimidade por falta de auto estima .  As pessoas, com as quais mantenho uma relação, coloco-as num pedestal ou são lixo. Quando os meus relacionamentos hetero fraquejam rapidamente recorro as fugas sexuais para apagar a dor. Foi falando com os meus companheiros de luta nas reuniões de 12 passos que fui entrando no espirito da «HONESTIDADE, BOA VONTADE E MENTE ABERTA» meditando sobre situações da minha vida que me causavam dor. Muitas situações ficaram aliviadas, pois dei-me conta que não estava a ter honestidade, nem boa vontade , nem mente aberta. Detestei o meu “padrinho” quando me dizia isso, mas pouco a pouco fui-me libertando das camadas de desonestidade. É como descascar uma cebola (com muitas camadas).

segunda-feira, abril 27, 2015

Nação resiliente no facebook



Publicação reditada do Facebook de novembro de 2014


Alguns de nós passam uma parte muito significativa das suas vidas, ansiosos a afirmar: "Nunca tenho tempo para nada e nunca consigo gerir bem o tempo. Ando sempre numa correria..."


Sabia que os níveis elevados de ansiedade contribuem para a diminuição drástica da capacidade de raciocínio e da memória? Afecta as funções basicas, por exemplo, a memoria de curto prazo e processamento da informação simples e a mais complexa. Interfere na capacidade de diferenciar entre as tarefas importantes e as irrelevantes. Quando estamos ansiosos é tudo urgente...

Dependemos do tempo a fim de conseguirmos gerir as nossas competências e prioridades; urgentes e importantes. 
1) O que é urgente? 
2) O que é importante? 
3) Ou será tudo urgente devido aos níveis elevados de ansiedade, de preocupação e incapacidade em dizer não devido aos sentimentos de culpa?

sexta-feira, março 20, 2015

Dia Internacional da Felicidade


20 de março de 2015 – Dia Internacional da Felicidade
A felicidade não está reservada somente para algumas pessoas. É um direito e uma responsabilidade individual que cada um de nós deve zelar no seu dia-a-dia.

Alguns dados sobre a natureza da felicidade
  • Os resultados de um estudo revelam que a felicidade depende não apenas de quão bem estão as coisas, mas sobretudo se estão melhor do que o esperado.

Este estudo reforça a necessidade de cada um de nós possuir um propósito no rumo da vida. Algo, maior que o nosso egocentrismo, que dedicamos uma parte substancial do talento, que sejamos persistentes e que consigamos assumir um compromisso honesto e abnegado.
  • De acordo com um estudo sobre a felicidade, será mais saudável haver uma multiplicidade de sentimentos (positivos e negativos) do que somente sentimentos positivos ou sentimentos negativos isoladamente.

É Ok sentir. Não existem sentimentos “bons” ou “maus”, “certo” ou “errado”. É Ok expressar os sentimentos e compreender a informação/mensagem anexa a fim de desenvolvermos a literacia emocional/espiritual.  Este estudo apela ao equilíbrio; a alegria faz mais sentido, após períodos de tristeza. Sem desafios ou adversários não existe êxito. A gratidão e a empatia são uns excelentes lubrificantes dos vínculos nos relacionamentos de intimidade, principalmente, após períodos adversos, conflituosos e conturbados. Sentir é uma manifestação indissociável à condição humana e à expressão do self.

As pessoas mais felizes gostam de pessoas. Partilhe a sua felicidade e explore o seu mundo interior.

Ser feliz não é ser perfeito; é ser autêntico. Hoje e sempre, seja o mais feliz possível.

sexta-feira, março 13, 2015

Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança.


O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam, o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua, mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos, desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que poderia acontecer.
Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte encontrei Famílias Anónimas (FA)[i]. Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões, foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga para falar.
Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi através deste programa de 12 passos[ii], que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais voltar a ter.
Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA. 
Um abraço
Suzete  




[i] As Famílias Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro grupo fundado no final dos anos 50 ), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes grupos, de homens e mulheres, São considerados uma referência internacional na recuperação (novos estilos de vida) da adicção.
[ii] 12 Passos são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Família Anónimos, etc.).

Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.


sexta-feira, janeiro 30, 2015

Ernest Kurtz


1935 - 2015
No dia 19 de Janeiro de 2015 faleceu o conceituado e ilustre Dr. Ernest Kurtz vítima de cancro no pâncreas. 
O Dr. Kurtz estudou Historia da Civilização Americana em Harvard (1978) e enquanto tirava o seu doutoramento em Harvard, foi o primeiro investigador a quem foi concedido total acesso aos registos dos Alcoólicos Anónimos onde mais tarde escreveu um livro. Foi ordenado padre, na Igreja Católica Romana, em 1961 onde exerceu até 1979. No inicio dos anos 80, iniciou a carreira docente na Universidade da Geórgia. Foi também director de uma instituição de tratamento, para indivíduos dependentes de álcool e drogas, designada Guest House, onde outrora tinha estado internado e começado a sua recuperação do alcoolismo.

Participou também como investigador no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Michigan e no Center for Self-Help Research. Entre 1978 e 1999, colaborou na Universidade de Rutgers (Summer School of Alcohol Studies) e entre 1987 e 1997, como palestrante na Universidade de Chicago.

O Dr. Kurtz dedicou uma parte significativa da sua vida profissional a investigar a adicção e a recuperação, com especial ênfase, a influência da espiritualidade na recuperação. Era também alcoólico em recuperação desde meados da década de 70.

Foi autor e co autor de vários livros
  • “Not God; A History of Alcoholics Anonymous”, 1979
  • “Vergonha e Culpa”, 2007
  • Foi também co autor com Katy Ketcham dos livros: “The Spiritual Imperfection”, 1997 e “ Experiencing Spirituality”, 2004


"Historia e imperfeição são os meus temas predilectos;  não necessariamente nesta ordem" Ernest Kurtz, 1996 

Aproveito a oportunidade para prestar homenagem a tão distinta figura. Morreu o homem; mas a sua herança irá permanecer intacta para a eternidade. Ernest Krutz será sempre uma referência para todos aqueles que trabalham na luta contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos em prol da recuperação do individuo, da família e da sociedade. Os meus pêsames à sua família. Recuperar É Que Está A Dar.



quarta-feira, janeiro 28, 2015

3 Factos importantes sobre os sentimentos




Gestão dos sentimentos e o auto conhecimento: É Ok sentir, é sinonimo de estarmos saudáveis e vivos.

De acordo com determinados paradigmas disfuncionais somos educados a: 1. “Manter a cabeça fria”, 2. “Manter as emoções ao largo”, 3. “Não deixar que as paixões interfiram na logica” 4. A negar e/ou reprimir o medo, a vergonha e a raiva 5. A valorizar as aparências em detrimento do Eu genuíno. Como resultado, concebemos os sentimentos como uma faculdade mental excessiva, imatura e "lamecha" um parceiro do pensamento racional que é dispensável e imposta. Se o sentimento é doloroso sofremos com ele como um intruso indesejado.

Não rotule os sentimentos de “bons” ou “maus”, “certo” ou “errado”. Valorize todos os seus sentimentos, quer sejam de felicidade e contentamento ou dolorosos e tristeza. É através dos sentimentos que tomamos decisões, que buscamos a motivação para superar a adversidade, que damos azo à criatividade, que intuímos sobre determinada situação importante, que nos aproximamos ou afastamos de pessoas (encontros e desencontros), que valorizamos as nossas necessidades.
Aprenda a discernir e a interpreta-los através da componente cognitiva e assim desenvolver a sua literacia emocional.
Dica:
  • O que é que me provocou este sentimento?
  • O que é que eu penso em relação a _____________ . (incidente associado ao sentimento)?
  • Qual é o significado do sentimento?

Partilhe os seus sentimentos com pessoas de confiança e disponíveis para ouvir. Se deseja explorar os sentimentos, procure  feedback crítico. Recuperar é que está a dar.


segunda-feira, janeiro 26, 2015

"O meu nome é..."


Amavelmente, a Editorial Bizâncio enviou-me o livro "O meu nome é..." de Alastair Campbell (alcoólico em recuperação). Aproveito para sugerir a sua sua leitura às pessoas interessadas sobre o tema do alcoolismo. 

De acordo com a minha experiência profissional de duas décadas, o álcool é a droga mais perigosa: afecta o individuo, a sua família, incluindo as crianças, e a sociedade. Algumas tradições culturais disfuncionais promovem e reforçam o consumo e o abuso do álcool. Paradoxalmente, as mesmas tradições disfuncionais que reforçam o estigma, a negação e a vergonha associado ao alcoolismo.

Saiba mais em Editorial Bizâncio  

segunda-feira, janeiro 19, 2015

10ª Dica Arte Bem-Viver de 29/05/11


O poder do Silêncio
Desde cedo, não somos ensinados a interpretar o silêncio e a tirar proveito dele de uma maneira construtiva. Por vezes, o silêncio revela a verdade dentro de nós, principalmente se estabelecermos uma relação saudável e honesta com o eu interior.

Faça esta pergunta a si próprio.
Como é que me sinto no aqui-e-agora?

Através do poder do silêncio conseguimos identificar a nossa consciência, a intuição, atingir a introspecção e o poder da reflexão construtiva. Celebramos os nossos sucessos e/ou sentimos as nossas frustrações e angustias (dor) almejando um equilíbrio emocional.
Precisamos do silêncio para repor a ordem e o equilíbrio depois de momentos de adversidade. Estabelecemos vínculos e conexões com as outras pessoas à nossa volta de forma a não nos sentirmos sós e isolados do mundo (solidão). Através do silêncio podemos reflectir sobre a importância destes vínculos e conexões.
Utilizar o poder do silêncio para reflectir e inspirar-me sobre o dia de Hoje.
Votos de uma semana repleta de desafios, surpresas e conquistas.


Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira", em Abril de 2011, para os amigos? Atualmente é enviada para mais de 700 pessoas de vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 200ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.

sábado, dezembro 20, 2014

Estrutura do cérebro associada à recompensa/prazer e a adicção



O abuso de drogas, substâncias psicoactivas, do Sistema Nervoso Central, lícitas e/ou ilícitas podem comprometer o funcionamento normal do cérebro (estruturas cérebro responsáveis pela recompensa/prazer) contribuindo assim para a adicção/dependência.
Alguns sintomas:

  • Síndrome da abstinência, vulgo ressaca.
  • Tolerância à substancia psicoactiva, aumenta a frequência, a dose e o consumo (abuso), vulgo prazer imediato e oscilação dos sentimentos.
  • Continuar a usar drogas apesar das consequências negativas, vulgo perda do controlo.
  • De acordo com recentes estudos, as mesmas estruturas cerebrais associadas à recompensa/prazer também estão relacionadas com outros comportamentos adictivos, tais como o sexo, o jogo, as compras, os relacionamentos e o distúrbio alimentar. 

 Veja o video

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Devemos viver no presente ou precisamos de contemplar o passado?


Gestão da dor e do conflito: Devemos viver no presente ou precisamos de contemplar o passado?
Durante os momentos mais atribulados do devir, optar por viver no momento presente, pode revelar-se uma excelente escolha. Reduz e atenua a intensidade dos pensamentos bizarros e o estado de alerta excessivo (medo); lixo toxico e inútil.

Diante a adversidade, da dor, do conflito, da impotência, quando tudo o resto falha, após múltiplas tentativas sem sucesso para encontrar a solução ou o alívio imediato, resta-nos concentrar todas as nossas competências cognitivas, emocionais e espirituais no momento presente – aqui-e-agora.

Viver no presente não significa ignorar os problemas, ser irresponsável ou revelar falta de determinação. Significa perspectivar, seleccionar e optar pelos pensamentos construtivos aumentando assim o leque de escolhas viáveis e positivas.
Estamos a cismar sobre aquilo que devíamos ou tínhamos ter feito? Com que frequência você utiliza as palavras; 1. devia ou 2. tinha, sem que obtenha um resultado esclarecedor ou apaziguador sobre o problema? Isto é, você utiliza o devia e o tinha somente para se punir ou castigar? Se a resposta é sim, opte concentrar o pensamento no aqui-e-agora.


Se você está a atravessar uma fase dolorosa da sua vida e após sucessivas tentativas para modificar a situação falharem, quando não restarem mais opções, especular sobre o passado ou futuro é uma perda de tempo e energia. Opte por viver um dia de cada vez, aqui-e-agora.

sexta-feira, novembro 28, 2014

Sou mãe de um adicto


“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins

Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho com cancro, diabetes ou VIH.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes queridos.

Sou a mãe de um adicto
Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos desta doença
Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho
Só existem lágrimas, gritos silenciosos e angustia quando alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica de algo que possa ter acontecido ao meu filho

Sou a mãe de um adicto
Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache, com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda com as consequências das suas decisões
Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança
Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se irei voltar a vê-lo outra vez

sexta-feira, outubro 24, 2014

O poder da palavra.



"Bom dia Caro João Alexandre!
 Regra do silêncio.
Chamo-me Maria José, tenho 40 anos, sou alcoólica (adicta) e estou em recuperação há 13 meses após internamento de 5 semanas e frequento as salas de Alcoólicos Anónimos (1) (AA).

A regra do silêncio reinou entre o meu ex. marido e eu durante todos os anos do meu consumo - quase 20 - e estendeu-se ao início da minha recuperação.

Foi sempre um acordo mútuo entre os dois. Eu acreditava que era uma componente do amor e um factor de protecção. Portanto, acreditava que era algo de positivo entre nós. Sentia muita gratidão pelo meu marido manter este segredo.

Conseguíamos, mais ou menos, esconder os meus consumos. Nos últimos anos, passei a beber de forma solitária, nunca ficava bêbeda, era discreta nas compras. O meu marido jurava que ninguém sabia, a preocupação era a família dele que desde a nossa falência nos ajudava financeiramente, assim como também se ocupava da nossa filha, de tenra idade, nenhum de nós trabalhava.

Oficialmente, eu estava doente e dependente das benzodiazepinas (2), que também era verdade. Por dia, tomava duas boas dezenas de comprimidos juntamente com o álcool. Não para me "drogar" ou me sentir "bem", nunca senti esse efeito. Fazia-o para me acalmar, buscava o efeito terapêutico, que não sentia, tal era a tolerância que já lhes tinha ganho. Na realidade, não podia passar sem elas.

sábado, setembro 13, 2014

Recuperar faz parte da herança familiar


Provavelmente a maioria dos portugueses, conhece o ilustre actor norte-americano de Hollywood, Robert Downey Jr. (49 anos), vulgarmente conhecido, na sociedade americana, como o “Homem de Ferro” pela sua participação no filme da Marvel Comics, com o mesmo nome. Segundo a revista americana Vanity Fair é o actor mais bem pago do mundo. Começou a sua carreira muito cedo no cinema, aos seis anos de idade já participava nos filmes do seu pai, Robert Downey Sr. Desde essa altura a sua carreira tem sido recheada de prémios (Globos de Ouro entre outros) e sucessos, inclusivamente, creio ter sido nomeado, por duas vezes, para os Óscares pela sua interpretação nos filmes “Chaplin” e “Tempestade Tropical”.

Paralelamente, aos seus sucessos, uma parte da sua vida tem sido afectada pela dependência de drogas e as inevitáveis consequências negativas, tais como, problemas com a família, incluindo as crianças, problemas com a justiça e profissionais. Ao longo da sua vida o actor, desde os 18 anos, fez varias tentativas para se tratar, contudo sem sucesso, finalmente desde 2002 encontra-se em recuperação da adicção às drogas.

quarta-feira, agosto 27, 2014

sexta-feira, agosto 15, 2014

Robin Williams- Homenagem ao actor e ao homem que lutou contra a adicção.



Algumas frases famosas do actor

  • A cocaína é a forma de Deus nos dizer que estamos a ganhar demasiado dinheiro.”
  • Pensava que a pior coisa era acabar sozinho. Não é. É acabar junto de pessoas que te fazem sentir só.”
  • “Não importa o que as pessoas te dizem, palavras e ideias podem mudar o mundo.”
  • Nunca lute com uma pessoa feia, pois ela não tem nada a perder.”
  • “Só tens direito a uma pequena dose de loucura, não deves desperdiçá-la.”
  • “Deus deu aos homens um pénis e um cérebro, mas infelizmente não lhes deu a capacidade de utilizar os dois ao mesmo tempo.”
  • “Sabe qual é a diferença entre um tornado e um divórcio? Nenhuma, em ambos os casos alguém está perdendo a casa.”
Soube da sua morte na passada segunda-feira. Fiquei em choque, sem palavras, e com imensas questões na minha cabeça, para as quais, ao longo da semana, procurei as respostas. Porquê? Como é possível?
O suicido é uma realidade cruel. Somos seres complexos e multitalentosos, quer na busca da realização pessoal, como na busca de soluções imediatas e irracionais para a dor, o sofrimento, o desespero e a solidão. É um paradoxo com o qual precisamos de viver, e por ultimo aceitar, o melhor possível.

Como não podia deixar de ser, e apesar de tanto se ter falado e escrito durante esta semana, tenho que prestar homenagem ao actor e ao homem que lutou, com todas as suas forças, contra a doença mental e a adicção e acabou por falecer de uma forma abrupta. Como adepto do cinema que sou, desde muito cedo, Robin Williams, foi dos actores que mais ajudou a compreender e a identificar, através dos seus mais variados papeis, a importância da sensibilidade, do sentido da humanidade, do sentido de humor, da paixão, do altruísmo, do sonho e da alegria, da irreverência contra o preconceito e o estereótipo, da coragem, etc. Os adjectivos que classificam este artista não têm fim, era uma força da natureza genial, tal como a grande maioria dos adictos que conheço. Por varias ocasiões, Robin veio publicamente, assumir a sua dependência de substâncias psicoactivas, vulgo drogas, (cocaína e alcoolismo) e reafirmar a esperança na recuperação, contra o estigma, a negação e a vergonha. Robin era actor, um marido, um pai e um membro activo da sociedade prestando apoio em várias causas sociais.  

Para terminar a minha homenagem, gostaria de reforçar que é um mito considerarmos que o suicídio é um acto de coragem. Não tem nada a ver com coragem. É um acto de alguém que está angustiado, só e desesperado, e naquele momento de sofrimento intenso, mas efémero, contempla o suicídio, como a solução definitiva para o desespero. Ironicamente, o seu último filme, com o título “Aproveita a vida” é sobre um homem decepcionado. O homem morre, mas a sua genialidade, permanecerá presente, na memória colectiva, para a eternidade. Os adictos são pessoas, de extremos, ora apaixonadas ora decepcionadas, porque procuram viver intensamente, por vezes, demasiadamente; é tudo muito.


RIP, Robin ( 1951-2014). As minhas condolências para a família que irá viver com esta tragedia, contra a sua vontade, para o resto das suas vidas. 

sexta-feira, agosto 08, 2014

Nação resiliente no facebook 2014


Passatempo no Facebook sobre a gratidão. Pedi aos seguidores da plataforma para completarem a seguinte afirmação: - Estou grato/a por… e enviar uma mensagem a fim de o seu conteúdo ser publicado aqui no blogue.
Faça uma lista de 5 coisas pelas quais está grato/a.

Eis as respostas:
  • Silvia Rivera

Estou grata por estar viva!

  • Renata Ramos

1-Grata por estar viva. 2- Grata por minha filha. 3- Grata por manter-me abstinente de drogas e poder enxergar tudo melhor. 4- Grata por minha família. 5- Grata por ter o conhecimento do funcionamento da vida, do universo e poder ter o cuidado com cada pensamento. Bem-haja!

  • Iris Maria

 1-Por ter FÉ 2- Por estar viva. 3- Por apoiar meu filho quando muitos viraram as costas. 4- Pelo seu Blogue esclarecedor e verdadeiro. 5- Por estar aprendendo a AGIR.

  • Suzete Pereira

Grata por ter encontrado FA e por ter podido trabalhar os passos, por ter aprendido a viver o agora, por ter aprendido a ter uma fé saudável, por tentar amar incondicionalmente (e muitas outras).

  • Mafalda Mimoso

Eu estou grata por 1. Ser resiliente 2. Amor e ajuda dos familiares e amigos 3. Viver rodeada pela Natureza 4. Evoluir em termos interiores 5. Ser optimista.

  • Maria Aparecida Nunes

Estar viva!

  • Cristina Moreno Neca

Por tudo.... inclusive os problemas q me serviram de "lição."

  • José António Reis Ferreira

Finalmente me amar!

  • Ana Gomes

Estar livre do que me aprisionava há três anos atrás.

  • Fátima Silva Hoffmeister

Sou grata a Deus pelo dom da vida, por ter aprendido a ser grata, por rever alguns conceitos pré- estabelecido (falsa crença), Pelas pedras no caminho, retira-las é minha responsabilidade, e a responsabilidade leva ao crescimento!

  • Genoveva Costa

Educar o meu filho de forma não ser co- dependente.

  • Evelise Fonseca

Vida, saúde, amor-próprio, família, conciliação.

  • Emília Machado

Ser mulher, mãe, filha, livre, amada, sobrevivente, viva! e SER feliz!!

  • Cristina Moreno Neca

Estar viva, ter Filhos, ter Amigos, ser saudável, ter trabalho.

  • Patrícia Bento

Ser mãe; Vontade de viver; família; amor; saúde ainda q com pequenos problemas; e mais algumas.

  • António Rodrigues

A: Deus, N.A., Amigos, Família e a tudo o que sou!

  • Maria Aparecida Nunes

Estou grata por estar viva, por ter um trabalho, conseguir separar e ficar livre da dependência emocional, saber que sou uma pessoa melhor, ter um relacionamento melhor com meus filhos após a separação!

  • Emília Machado

Sou grata por sobreviver ao meu uso, a ser uma pessoa melhor, ser mulher, mãe, amiga, esposa, família, amada, muito grata por ter outro modo de vida, e ser muito feliz! 

Bem hajam pela participação. Recuperar é que está a dar.


quarta-feira, julho 30, 2014

Ao contrario do que se pensa, é possível recuperar da adicção


Suicídio: um acto silencioso e isolado fundamentado em sentimentos temporários e dolorosos.  
Acompanhei inúmeras pessoas que durante uma fase atribulada e dolorosa das suas vidas, afectadas pela adicção activa, contemplaram o suicídio. A adicção é uma doença que na sua génese gera imenso sofrimento, isolamento e que precisa de ser tratada; não é uma questão moral ou fraqueza, mas um problema de saúde, tal como muitos outros. Após ultrapassarem essa fase adversa, essas são pessoas, hoje, não menosprezam as lições do devir. A maioria de nós, nos momentos atribulados de dor intensa, questiona a existência angustiada e atormentada, mas depois de transpor estes sentimentos dolorosos, ficamos mais lúcidos e conscientes das nossas limitações. Apesar de precisarmos de aprender a viver com a dor, podemos e conseguimos mitigar o sofrimento e o isolamento. Como bem sabemos, e por vezes ignoramos, o ego inflamado pode conduzir-nos às nuvens, mas quando fica dorido, também pode arrastar-nos para a escuridão.

É um mito considerarmos que o suicídio é um "acto de cobardia ou de coragem". A fim de esclarecer melhor esta questão, podemos fazer esta analogia; decidir matar outra pessoa só por não gostarmos dela nunca será considerado um acto de coragem ou cobardia. Podemos aplicar a mesma logica ao suicídio; fazer mal a nós mesmo, quando nos sentimentos angustiados e deprimidos, também nunca será um acto de cobardia ou coragem. Qualquer pessoa que pense no suicídio estará naquele período de tempo, a viver uma vida atormentada e em sofrimento atroz. Para todos os efeitos, está doente e debilitada. Como é que gerimos os nossos sentimentos quando nos sentimos impotentes perante a angústia e o tormento? Quando sentimos que estamos sós e rejeitados?

“Não tome decisões permanentes, sobre sentimentos temporários.”
Apesar do sofrimento e da dor temporária; é possível recuperarda adicção, um dia de cada vez.
Saiba mais sobre a dor e o suicídio.  SOS Voz Amiga Você não está sozinho/a


Dr William D. Silkworth


Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951)

27 de Julho de 1938 - O Dr. Silkworth escreve um artigo que é publicado no livro "Big Book", dos Alcoólicos Anónimos,intitulado “A Opinião do Médico"

"Especializei-me no tratamento do alcoolismo durante muitos anos.
No inicio dos anos 30, tratei um paciente que, apesar de ter sido um homem de negócios competente, com muita capacidade para ganhar dinheiro, era um alcoólico de um tipo que eu tinha chegado a considerar irrecuperável.
Durante o seu terceiro tratamento adquiriu determinadas ideias sobre um possível programa de recuperação. Como parte da sua reabilitação, começou a dar a conhecer os conceitos do seu programa de recuperação a outros alcoólicos, incutindo neles a necessidade de fazer o mesmo com os outros. Este conceito veio a tornar-se a base de uma associação formada por alcoólicos em recuperação e pelas suas famílias em rápido crescimento. Tudo leva a crer que este homem e mais uma centena se recuperaram .
Pessoalmente, conheço também um numero de casos idênticos em que outras abordagens diferentes falharam por completo.
Estes factos parecem ter a maior importância médica, e devido às extraordinárias possibilidades de rápido crescimento inerentes a este grupo, eles podem vir a assinalar uma nova abordagem nos anais do tratamento do alcoolismo. É bem possível que estes homens tenham um solução para milhares de casos de pessoas com problemas com o álcool.
Pode confiar-se inteiramente em tudo aquilo que partilhem a respeito de si próprios.
Atenciosamente,
William D. Silworth"

Comentário: No passado dia 27 de Julho de 2014 celebrou-se setenta e seis anos (76) após a publicação da carta do Dr. Silkworth. Podemos constatar que a sua visão sobre "(...) estes homens..." veio revelar-se uma realidade inquestionável, não só nos EUA, mas em todo o mundo, incluindo Portugal. Faço votos que mais profissionais da saúde, em Portugal, possam também ter uma visão semelhante sobre o tratamento do alcoolismo visto ainda existirem imenso mitos e falsos preconceitos sobre o programa de recuperação dos Alcoólicos Anónimos.  RIP, Dr Silkworth.

sexta-feira, julho 11, 2014

Desafio ou estorvo


Considera que precisa de mudar algo na sua vida? Você está numa fase de ambivalência? Se a resposta a estas duas questões é sim, este post é para si. 
Alguns factores servem para desmotivar: 
  • Definir objectivos ambíguos e irreais. 
  • Focar a atenção somente em problemas insolúveis. 
  • Cismar pela negativa - andar sempre a queixar-se daquilo que não pode, não consegue e não resulta. 
  • Falta de reconhecimento, ambição e não participar no processo de mudança com acções construtivas – agente de mudança. 
  • Comparar e justificar o infortúnio com o sucesso dos outros. 
  • Relacionar-se com pessoas, que afirmam "Não vais conseguir" ou “Não vale a pena tentares, porque não vais ser és capaz.” 
  • Ansiedade extrema e projectar no futuro as desilusões e falhanços do passado como se fosse uma profecia; acreditar que vão voltar a acontecer. Consequentemente iremos ficar paralisados e incapazes de criar novas alternativas.


Assuma inteira responsabilidade pelos seus sentimentos e comportamentos. Cabe a nós decidir o rumo das nossas acções, de acordo com os sentimentos que estamos a sentir em determinada altura e em alinhamento com as nossas convicções. Quando conseguimos reunir a motivação necessária conseguimos feitos extraordinários e fora do comum.
1. Escreva uma lista das vantagens e das desvantagens na mudança.
2. Escreva uma lista das opções e dos recursos que dispõe a fim de reforçar as competências necessárias.
3. Escreva uma lista de pessoas que o/a apoiam na mudança.
4. Os seus objectivos precisam de ser específicos, realistas, auto motivacionais, medíveis no tempo, atingíveis e de fácil compreensão.

“ O desejo de fazer alguma coisa porque se considera essa coisa profundamente satisfatória e pessoalmente desafiadora é o que inspira os níveis mais elevados de criatividade, quer nas artes, quer nas ciências ou nos negócios.
Teresa Amabile, Professora da Universidade de Harvard



sábado, julho 05, 2014

Filhos de pais alcoolicos

Este texto, enviado pela Renata, veio no seguimento de uma publicação no Facebook onde solicitei o envio de experiências de adultos, que tenham tido pais com problemas de álcool e/ou drogas ilícitas. Eis o relato da Renata.

“Tenho um pai e uma irmã que bebem todos os fins de semana, e às vezes, no meio da semana. Vivem dizendo que é normal, e que, como todos fazem , que mal tem ? Mas percebo a incoerência nas atitudes, no modo de vida maquiado como normal, porém completamente fora do contexto. Percebo atitudes completamente diferentes do "viver em conjunto" o álcool ou a adicção retirou deles o pé do chão, como se estivessem literalmente voando ou como se vivessem em outro mundo sendo o convívio muito difícil dado ao fato que podemos ser diferentes mas precisamos concordar em conectar.
Não há dessas pessoas o menor interesse em saber sobre isso ou parar esse processo...sou adicta e “limpa” e esses familiares precisam de ajuda mas talvez a única maneira de ajudá-los seja ficando bem longe!
João, acabo de expor-lhe minha realidade e tem a ver com o post sobre familiares adictos!
Obrigada”
Renata Ramos

Nota: Todos os dados foram preservados com a devida autorização da autora. Contra o estigma, a negação e a vergonha. Bem-haja Renata.

Comentário: Tal como a Renata refere, a estrutura familiar aparenta estar afectada pelo álcool. Segundo alguns estudos, nos EUA, referem:
  • Os filhos de pais alcoólicos estão mais vulneráveis ao risco de desenvolverem problemas com substâncias psicoactivas – abuso e dependência.
  • Os pais que apresentam problemas com álcool e/ou outras drogas podem influenciar os comportamentos dos seus filhos. O consumo e o abuso de drogas, incluindo o álcool, podem ser considerados permissivos entre a família, incluindo as crianças.
  • As famílias afectadas pelo álcool e/ou outras drogas estão mais propensas ao conflito, comparativamente, aquelas famílias que não estão expostas ao problema do álcool e/ou drogas. Os problemas na família giram em torno do consumo e do abuso de substâncias psicoactivas.
  • O ambiente familiar disfuncional, relacionado com o álcool e/ou outras drogas, propicia a negligencia das crianças e a falta de comunicação entre os seus membros; referências parentais, os papéis na estrutura e dinâmica da família e a gestão de conflitos.   
  • Alguns problemas identificados nas famílias com problemas de álcool e/ou outras drogas: Tendência para o incremento do conflito familiar, violência física e emocional, redução da coesão e da organização familiar, stress e isolamento, problemas de saúde e no trabalho, problemas/conflitos conjugais e financeiros, mudanças drásticas na estrutura familiar, incluindo as crianças.


O seu pai e/ou mãe tem um problema com álcool? Ou drogas? Caso você seja filho/a de pais alcoólicos ou dependentes de drogas ilícitas escreva um pequeno texto sobre a sua experiência a fim de ser publicada no meu blogue. Pela minha experiência profissional de duas décadas e apesar de não existir estudos sobre este tema, existem em Portugal centenas, de filhos de pais alcoólicos ou dependentes de drogas, hoje adultos, que ainda sofrem em silêncio o trauma, o estigma e a vergonha. Recuperar É Que Está A Dar 

Importante: Todos os dados são confidenciais. Sigilo total

quarta-feira, junho 18, 2014

Somos mais parecidos uns com os outros do que aquilo que imaginamos


Todos nós temos problemas. Todos nós temos uma história para contar e a dada altura precisamos de ajuda. Porque é que possuímos a tendência excessiva para culpar o outro? Creio que existe uma tendência para avaliar e criticar o outro recorrendo a generalizações demagógicas e a padrões – preconceitos disfuncionais acompanhado de uma falsa sensação de moralismo e de inimputabilidade, em vez de, avaliar o contexto em que o individuo está inserido e investirmos naquilo que considero essencial nos relacionamentos, refiro-me à EMPATIA. É através da relação com o outro que adquirimos consciência de nós próprios. " De perto ninguém é normal."

As pessoas mais felizes gostam de pessoas. São nos detalhes que nos é revelado a essência da personalidade das pessoas.

sábado, junho 07, 2014

Desligue o complicómetro


Meditação do dia: Oportunidades e pessoas significativas. Não dê ouvidos às crenças e pensamentos negativos que o/a puxam para baixo, que o/a desvalorizam, que o/a distanciam de pessoas importantes, que antecipam cenários catastróficos. Esses pensamentos negativos são o ego orgulhoso dorido e a vergonha tóxica, que o impedem de ser vulnerável e honesto/a com os sentimentos e que visam reforçam o isolamento e a rejeição. Renove a coragem nos critérios necessários a fim de ser honesto/a, explore novas oportunidades para viver uma vida plena, reforce os vínculos de intimidade e de confiança com as pessoas significativas.
Desligue o complicometro! Seja autentico/a, o mais possível, em vez de uma miragem! As pessoas mais felizes gostam de pessoas!

Nota: Esta publicação é publicada semanalmente no Facebook, designada de meditação e não serve para fornecer respostas, mas para proporcionar discernimento, motivação e resiliência na selecção das opções e no rumo do devir. É exclusiva e fruto da minha experiencia profissional de duas décadas.

sexta-feira, maio 30, 2014

Há palavras que mudam as pessoas


É através da palavra que expressamos os pensamentos e os sentimentos. É através da palavra que comunicamos as nossas necessidades uns com os outros.
A palavra é uma ferramenta que utilizamos para enaltecer e legitimar, mas também se pode transformar numa arma para humilhar e ofender.
- Quais são as palavras que normalmente, você utiliza para se valorizar? Considera que também utiliza as mesmas palavras para valorizar as pessoas significativas?
- Quais são as palavras que normalmente, você utiliza para se criticar? É uma critica construtiva ou o oposto? Considera que também utiliza as mesmas palavras para criticar o outro?

No dia-a-dia, monitorize o efeito das seguintes palavras no seu desenvolvimento pessoal:
"Sou estúpido/a",
"Sou feio/a",
"Não sou boa pessoa",
"Não presto para nada",
"Não sou capaz"
“Eu devia…”
“Eu tenho…”. 
Pare de usar estas palavras contra si. Pode estar a criar, na sua mente, uma ideia disfuncional (pensamentos automáticos negativos), de algo que não tem valor.


Mude as suas palavras e mude o seu mundo interior

sábado, maio 24, 2014

Consumo, abuso e dependência. Sabia que ...


- De acordo com estimativas das Nações Unidas existem mais de 10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000 consumidores de heroína, 2,6 irão morrer. Por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente adictiva.

- Sabia que o consumo de crack é considerado das drogas ilícitas a mais adictiva. O consumo do crack está associado ao crime.

- Sabia que o álcool é um depressor do sistema nervoso central. Alguns indivíduos com problemas associados ao álcool apresentam sinais e sintomas de depressão major; ideação suicida, tristeza, desânimo, insónia, ansiedade, perda de apetite, fadiga.

- Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, pode distorcer a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais, excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se violentas.

- A dependência de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, afecta todo o tipo de pessoas, independentemente do seu estatuto social; por exemplo; estudante universitário, medico, mecânico, engenheiro, canalizador, policia, advogado, economista, advogado, senhora idosa, contabilista, bancário etc.

- Sabia que associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o alcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, o individuo é sujeito a uma oscilação acentuada das suas emoções que podem variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por exemplo, é frequente o individuo dependente estar triste e consumir drogas proporcionando a si mesmo uma falsa sensação de felicidade.

- Sabia que no inicio do consumo de drogas ilícitas, estas intensificam a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e alivio. Na dependência as drogas suprimem a actividade; menos concentração e perda de memória, mais desadequação e constrangimento, desconforto físico e psicológico.

- Os custos humanos e económicos associados à dependência de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição médica, são elevadíssimos e dramáticos. O tratamento é um investimento cujo retorno pode revelar-se recompensador.

- Existe o mito que se deve desresponsabilizar o individuo dependente de certos comportamentos disfuncionais, associados à adicção de drogas ilícitas e/ou álcool. Na realidade, apesar de a adicção ser uma doença, o individuo deve ser responsabilizado por comportamentos que possam por em causa a sua saúde e a vida das outras pessoas.