quarta-feira, novembro 18, 2015
As mulheres estão mais vulneráveis, do que os homens, às consequências do álcool.
Ao visualizar este video, recordo as variadíssimas historias de mulheres, que acompanhei em tratamento do alcoolismo (e abuso do álcool), ao longo dos últimos vinte anos, em que todas, são poucas as excepções, referem os danos causados pela doença da adicção e a impotência para travar os abusos físicos, emocionais e sexuais. Traumas que permanecem para a vida e com os quais aprendem a viver, o melhor possível. Enquanto outras mulheres, também sujeitas ao abuso, permanecem em silencio, vitimas do estigma e da vergonha.
Ao contrario do que acontecia há vinte anos, actualmente, o numero de mulheres com problemas com o álcool tem aumentado significativamente. Isto significa que a cultura e os padrões de consumo (e abuso) de bebidas com teor alcoólico, por parte das mulheres, tem sofrido algumas alterações significativas, na minha opinião profissional, para pior, resulta em perda de qualidade de vida.
veja o video e faça os seus comentários.
Recuperar é que está a dar.
quarta-feira, novembro 04, 2015
O álcool não é «remédio santo»
«Bebia para afogar as mágoas, mas as malditas aprenderam a nadar»
Frida Kahlo, pintora mexicana (1907-1954). Fotografia de Nicholas Muray (1939)
A famosa citação da pintora, mantém-se actualizada nos dias de hoje, e assim irá permanecer, para a eternidade. O ser humano, ao longo da historia, sempre atribuiu aos efeitos do álcool um papel preponderante na cultura, desde a religião, medicina, musica, literatura, às artes, etc.
O álcool é uma droga, que afecta o sistema nervoso central, que proporciona sensações fantásticas, mas na realidade, não resolve problemas, sejam eles quais forem, pelo contrario, pode representar uma fonte interminável de problemas graves. Na minha opinião pessoal, de acordo com a pratica profissional, o álcool é a droga mais consumida e é a mais perigosa. Porquê? Porque é legal, vivemos numa cultura, que promove e fomenta o consumo e o abuso de bebidas alcoólicas. Em pleno seculo XXI, apesar de o abuso e o alcoolismo serem um problema de saúde publica, os decisores políticos continuam a negar as evidencias cientificas sobre a problemática, assim como, falta implementar medidas preventivas que visem travar o abuso do álcool e o alcoolismo. Por exemplo, ao contrario do que acontecia há vinte anos, os casos de abuso do álcool e alcoolismo surgiam entre os 40 e os 50 anos, actualmente, são diagnosticados em jovens adultos.
Importante: Se você tem problemas na sua vida, o que é provável que tenha, como todos nós, é humano, não, repito, não recorra ao álcool para atenuar os sentimentos dolorosos, negar as evidências e/ou justificar o consumo e o abuso de bebidas com teor alcoólico. Procure alguém de confiança e expresse os seus sentimentos, em vez de optar pela solidão, vergonha e a angustia. Recuperar é que está a dar.
quinta-feira, outubro 29, 2015
Recuperar é uma opção pessoal
«A perturbação do comportamento alimentar não é um escolha, contudo, a recuperação da doença é um escolha pessoal.»
Ninguém escolhe ficar doente. Pode revelar-se uma tarefa muito complexa identificar e diagnosticar sintomas e sinais relacionados com a perturbação do comportamento alimentar por parte da família, dos amigos, etc. Na grande maioria dos casos, os sintomas e sinais são ignorados, inclusivamente, o mesmo acontece, por parte do doente. Contrariamente, a esta realidade, nos últimos anos, tem-se verificado avanços significativos, por parte da investigação, sobre o tratamento e a recuperação das pessoas com perturbação do comportamento alimentar; da anorexia nervosa, bulímia nervosa e das crises de voracidade alimentar (binge eating).
Algumas áreas importantes:
- Historial de dietas
- Corpo e peso
- Historial de abuso e dependência de substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central, vulgo drogas.
- Utilização de diuréticos, laxantes e comprimidos relacionados com dietas.
O diagnostico, na fase inicial da perturbação do comportamento alimentar, pode ser determinante e crucial para o sucesso do tratamento.
Apesar dos desafios, relacionados com o tratamento e a recuperação da perturbação do comportamento alimentar, refiro-me à ambivalencia e à resistência à mudança, é possível recuperar. Recuperar da doença pode revelar-se uma experiência enriquecedora e recompensadora, em vez de permanecer doente e isolado. Se você identifica sinais ou sintomas, relacionados com a perturbação do comportamento alimentar, procure orientação e esclareça as suas duvidas.
segunda-feira, julho 13, 2015
Evidência cientifica sobre a doença da adicção.
«Dr. Nora Volkow on Addiction: A Disease of Free Will»
Graças aos avanços da ciência, e de alguns profissionais dedicados, como a Dra. Nora Volkow, é possível compreender a natureza da adicção às drogas, lícitas e/ou ilícitas. Nesse sentido, estaremos mais dispostos a desenvolver competências e recursos que nos permitam tratar pessoas com dignidade e esperança. Veja o video
segunda-feira, junho 15, 2015
Dica Arte Bem-Viver de 24 de abril de 2011
A Vida reserva-nos um vasto leque de surpresas...algumas são
positivas outras dolorosas.
Uma das surpresas mais arrebatadoras e avassaladoras é que a
vida humana é frágil perante a adversidade, na doença, no acidente, na perda,
na dor e na possibilidade da morte.
Todos, sem excepção, fugimos da morte, ou melhor dizendo, do
eventual sofrimento do desaparecimento, porque na realidade ninguém sabe o que
é, quando chega a hora e o minuto e como é. Ninguém esteve lá e voltou para
contar; se é bom ou se é mau. Se existe o paraíso ou o inferno. Sentimos medo
de algo que aprendemos a recear; sofremos mais com a antecipação da morte, do
que com o momento, porque quando chegar provavelmente não iremos ter outra escolha e só nos resta aceitar a
realidade tal como nos é apresentada.
Não somos educados, desde o nascimento e ao longo da vida,
na compreensão e aceitação (culto do luto, do desapego e da preparação para a
morte -desaparecimento) de que a vida tem um fim. Somos seres limitados e
egocêntricos, mas podemos fazer escolhas, no dia-a-dia, que dignifiquem o dom e
o agradecimento da Vida. Alguns exemplos; durante toda a vida celebramos o
nosso aniversario, assim como também celebramos o aniversario do outro, ou
quando conseguimos enfrentar e aceitar a adversidade como uma oportunidade de
(re)nascer, em conjunto com outros seres humanos, e quando aprendemos a importância
de valores morais universais, tais como, a Amizade, o Amor, a Solidariedade, o Propósito,
Fé e Esperança, a Felicidade, a Gratidão entre outros.
Para terminar gostaria de acrescentar a seguinte afirmação,
sobre uma experiência pessoal profundamente transformadora e espiritual; após a
morte do meu pai tornei-me num homem.
Desejo-lhe uma semana recheada de momentos transformadores
que reforcem o dom e o agradecimento da Vida. A compreensão do fim da vida,
pode ser uma força motivadora e catalisadora, para o (re)nascer na transformação
à qual estamos sujeitos; se é para mudar que seja para melhor.
Recuperar É Que Está A Dar seja da doença, da Adicção
activa, da separação, da crise, da recaída, da depressão, do divorcio, da
separação, da vergonha e do isolamento, e do desemprego,
- Se desejar receber a Dica Arte Bem-Viver, na sua caixa de correio eletronico, é simples, basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. . É gratis e todos os seus dados são confidenciais. Na data desta publicação a Dica já conta com 215 exemplares, desde 2011
segunda-feira, maio 18, 2015
«Uma vez não chega e mil não são suficientes»
Olá sou o Raul (nome fictício). Reconheci que tenho um
problema com o sexo quando senti que não conseguia parar. Coloquei o meu
emprego em risco ao desaparecer do trabalho para ir à prostituição ou engate e
de estar dias inteiros no trabalho a obcecar com quem seria o próximo parceiro,
através dos encontros prévios que tinha tido em chats, para fazer sexo. Não
haver limite nas relações que desenvolvia com colegas de trabalho que podiam
levar ao despedimento. Era viciado no flirt,
nos orgasmos sucessivos, na adrenalina de fazer sexo em locais públicos e em
forçar a minha mulher a fazer sexo comigo. Parecia que tinha mais prazer quando
ela não queria. De ter relações sexuais (para não falar nas milhares de vezes
que pratiquei sexo oral) sem preservativo. Actualmente tenho a certeza que o
meu vício me colocou na prateleira na empresa em que trabalho e impediu de
constituir uma família. Entretanto tenho três filhos fruto de uma relação de
codependência com uma mulher. O meu futuro não sei qual vai ser, só sei que não
quero voltar para o inferno em que vivia.
Tenho um problema em criar intimidade nas minhas relações.
Teve a ver com a ausência de afecto na infância que me levou a buscar sexo para
me alienar da minha infelicidade e a usar pessoas na cama como uma droga. E tal
como dizem nas reuniões de Narcóticos Anónimos"1 UMA VEZ NÃO CHEGA E MIL
NÃO SÃO SUFICIENTES ". Sou bissexual, todas as semanas dizia para mim
mesmo que ia parar de agir nos comportamentos compulsivos, mas acabava por ter
inúmeros parceiros sexuais. Apanhei algumas doenças venéreas, de fácil
tratamento, mas foi mera sorte não ter apanhado VIH, SIDA ou Hepatite C.
A pornografia é também um vício que serve de
"trampolim" para a compulsão. Através da pornografia é possível uma
ligação a um mundo virtual, sem medo de doenças, fantasiando com todos os
corpos que a minha cabeça pede. Ao longo dos anos tirou-me a capacidade de
desfrutar dos engates, passei a comparar os corpos dos actores no ecrã/monitor
com os que encontrava na vida real. Desenvolvi um mecanismo, idêntico ao
caçador durante a caça, onde busco uma “presa” entre as pessoas que se cruzam
na rua comigo para um possível engate. Essa caça, mais do que o sexo em si,
constituía um factor principal do vício.
Quando cheguei ao programa do Adictos ao Amor e Sexo Anónimos (AASA)2 achava que era somente
viciado em sexo, mas descobri que muitas das relações heterossexuais mais estáveis
que tinha tido eram típicas de um viciado em amor. Começo por fantasiar,
achando que essa pessoa me vai curar, para depois, rapidamente a perseguir
pelos defeitos que encontro nela. Ao longo destes cinco anos que estou em AASA
apercebo-me que tenho medo de desenvolver relacionamentos de intimidade por
falta de auto estima . As pessoas, com
as quais mantenho uma relação, coloco-as num pedestal ou são lixo. Quando os
meus relacionamentos hetero fraquejam rapidamente recorro as fugas sexuais para
apagar a dor. Foi falando com os meus companheiros de luta nas reuniões de 12
passos que fui entrando no espirito da «HONESTIDADE, BOA VONTADE E MENTE ABERTA»
meditando sobre situações da minha vida que me causavam dor. Muitas situações
ficaram aliviadas, pois dei-me conta que não estava a ter honestidade, nem boa
vontade , nem mente aberta. Detestei o meu “padrinho” quando me dizia isso, mas
pouco a pouco fui-me libertando das camadas de desonestidade. É como descascar
uma cebola (com muitas camadas).
segunda-feira, abril 27, 2015
Nação resiliente no facebook
Publicação reditada do Facebook de novembro de 2014
Alguns de nós passam uma parte muito significativa das suas
vidas, ansiosos a afirmar: "Nunca tenho tempo para nada e nunca consigo
gerir bem o tempo. Ando sempre numa correria..."
Sabia que os níveis elevados de ansiedade contribuem para a
diminuição drástica da capacidade de raciocínio e da memória? Afecta as funções
basicas, por exemplo, a memoria de curto prazo e processamento da informação simples e
a mais complexa. Interfere na capacidade de diferenciar entre as tarefas
importantes e as irrelevantes. Quando estamos ansiosos é tudo urgente...
Dependemos do tempo a fim de conseguirmos gerir as nossas competências e prioridades; urgentes e importantes.
1) O que é urgente?
2) O que é importante?
3) Ou será tudo urgente devido aos níveis elevados de ansiedade, de preocupação e incapacidade em dizer não devido aos sentimentos de culpa?
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
segunda-feira, abril 27, 2015
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controlo,
dor,
stress
sexta-feira, março 20, 2015
Dia Internacional da Felicidade
20 de março de 2015 – Dia Internacional da Felicidade
A felicidade não está reservada somente para algumas pessoas.
É um direito e uma responsabilidade individual que cada um de nós deve zelar no
seu dia-a-dia.
Alguns dados sobre a
natureza da felicidade
- Os resultados de um estudo revelam que a felicidade depende não apenas de quão bem estão as coisas, mas sobretudo se estão melhor do que o esperado.
Este estudo reforça a necessidade de cada um de nós possuir
um propósito no rumo da vida. Algo, maior que o nosso egocentrismo, que
dedicamos uma parte substancial do talento, que sejamos persistentes e que
consigamos assumir um compromisso honesto e abnegado.
- De acordo com um estudo sobre a felicidade, será mais saudável haver uma multiplicidade de sentimentos (positivos e negativos) do que somente sentimentos positivos ou sentimentos negativos isoladamente.
É Ok sentir. Não existem sentimentos “bons” ou “maus”, “certo”
ou “errado”. É Ok expressar os sentimentos e compreender a informação/mensagem
anexa a fim de desenvolvermos a literacia emocional/espiritual. Este estudo apela ao equilíbrio; a alegria
faz mais sentido, após períodos de tristeza. Sem desafios ou adversários não
existe êxito. A gratidão e a empatia são uns excelentes lubrificantes dos vínculos
nos relacionamentos de intimidade, principalmente, após períodos adversos,
conflituosos e conturbados. Sentir é uma manifestação indissociável à condição
humana e à expressão do self.
As pessoas mais felizes gostam de pessoas. Partilhe a sua
felicidade e explore o seu mundo interior.
Ser feliz não é ser perfeito; é ser autêntico. Hoje e
sempre, seja o mais feliz possível.
sexta-feira, março 13, 2015
Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança.
O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam,
o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu
esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante
o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua,
mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer
a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo
caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a
esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos,
desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas
passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida
a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que
poderia acontecer.
Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei
eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte
encontrei Famílias Anónimas (FA)[i].
Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem
como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a
doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma
doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria
pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que
eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um
dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a
não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes
queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões,
foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga
para falar.
Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da
recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi
através deste programa de 12 passos[ii],
que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o
milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais
voltar a ter.
Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA.
Um abraço
Suzete
[i] As Famílias
Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação
dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro
grupo fundado no final dos anos 50 ), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes
grupos, de homens e mulheres, São considerados uma referência internacional na
recuperação (novos estilos de vida) da adicção.
[ii] 12 Passos
são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze
etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos
Anónimos, Família Anónimos, etc.).
Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.
Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.
sexta-feira, janeiro 30, 2015
Ernest Kurtz
1935 - 2015
No dia 19 de Janeiro de 2015 faleceu o conceituado e ilustre Dr. Ernest
Kurtz vítima de cancro no pâncreas.
O Dr. Kurtz estudou Historia da
Civilização Americana em Harvard (1978) e enquanto tirava o seu doutoramento em
Harvard, foi o primeiro investigador a quem foi concedido total acesso aos
registos dos Alcoólicos Anónimos onde mais tarde escreveu um livro. Foi
ordenado padre, na Igreja Católica Romana, em 1961 onde exerceu até 1979. No inicio dos anos 80, iniciou a carreira docente na Universidade da Geórgia. Foi também director de
uma instituição de tratamento, para indivíduos dependentes de álcool e drogas,
designada Guest House, onde outrora tinha estado internado e começado a sua
recuperação do alcoolismo.
Participou também como investigador no Departamento de
Psiquiatria da Universidade de Michigan e no Center for Self-Help Research.
Entre 1978 e 1999, colaborou na Universidade de Rutgers (Summer School of
Alcohol Studies) e entre 1987 e 1997, como palestrante na Universidade de
Chicago.
O Dr. Kurtz dedicou uma parte significativa da sua vida
profissional a investigar a adicção e a recuperação, com especial ênfase, a
influência da espiritualidade na recuperação. Era também alcoólico em
recuperação desde meados da década de 70.
Foi autor e co autor de vários livros
- “Not God; A History of Alcoholics Anonymous”, 1979
- “Vergonha e Culpa”, 2007
- Foi também co autor com Katy Ketcham dos livros: “The Spiritual Imperfection”, 1997 e “ Experiencing Spirituality”, 2004
"Historia e imperfeição são os meus temas
predilectos; não necessariamente nesta
ordem" Ernest Kurtz, 1996
Aproveito a oportunidade para prestar homenagem a tão distinta
figura. Morreu o homem; mas a sua herança irá permanecer intacta para a
eternidade. Ernest Krutz será sempre uma referência para todos aqueles que
trabalham na luta contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos
comportamentos adictivos em prol da recuperação do individuo, da família e da
sociedade. Os meus pêsames à sua família. Recuperar É Que Está A Dar.
quarta-feira, janeiro 28, 2015
3 Factos importantes sobre os sentimentos
Gestão dos sentimentos e o auto conhecimento: É Ok sentir, é
sinonimo de estarmos saudáveis e vivos.
De acordo com determinados paradigmas disfuncionais somos
educados a: 1. “Manter a cabeça fria”, 2. “Manter as emoções ao largo”, 3. “Não
deixar que as paixões interfiram na logica” 4. A negar e/ou reprimir o medo, a
vergonha e a raiva 5. A valorizar as aparências em detrimento do Eu genuíno.
Como resultado, concebemos os sentimentos como uma faculdade mental excessiva,
imatura e "lamecha" um parceiro do pensamento racional que é
dispensável e imposta. Se o sentimento é doloroso sofremos com ele como um
intruso indesejado.
Não rotule os sentimentos de “bons” ou “maus”, “certo” ou
“errado”. Valorize todos os seus sentimentos, quer sejam de felicidade e
contentamento ou dolorosos e tristeza. É através dos sentimentos que tomamos
decisões, que buscamos a motivação para superar a adversidade, que damos azo à
criatividade, que intuímos sobre determinada situação importante, que nos
aproximamos ou afastamos de pessoas (encontros e desencontros), que valorizamos
as nossas necessidades.
Aprenda a discernir e a interpreta-los através da componente
cognitiva e assim desenvolver a sua literacia emocional.
Dica:
- O que é que me provocou este sentimento?
- O que é que eu penso em relação a _____________ . (incidente associado ao sentimento)?
- Qual é o significado do sentimento?
Partilhe os seus sentimentos com pessoas de confiança e
disponíveis para ouvir. Se deseja explorar os sentimentos, procure feedback
crítico. Recuperar é que está a dar.
segunda-feira, janeiro 26, 2015
"O meu nome é..."
Amavelmente, a Editorial Bizâncio enviou-me o livro "O
meu nome é..." de Alastair Campbell (alcoólico em recuperação). Aproveito
para sugerir a sua sua leitura às pessoas interessadas sobre o tema do alcoolismo.
De
acordo com a minha experiência profissional de duas décadas, o álcool é a droga
mais perigosa: afecta o individuo, a sua família, incluindo as crianças, e a
sociedade. Algumas tradições culturais disfuncionais promovem e reforçam o
consumo e o abuso do álcool. Paradoxalmente, as mesmas tradições disfuncionais que reforçam o estigma, a negação e a vergonha associado ao alcoolismo.
Saiba mais em Editorial Bizâncio
segunda-feira, janeiro 19, 2015
10ª Dica Arte Bem-Viver de 29/05/11
O poder do Silêncio
Desde cedo, não somos ensinados a interpretar o silêncio e a
tirar proveito dele de uma maneira construtiva. Por vezes, o silêncio revela a
verdade dentro de nós, principalmente se estabelecermos uma relação saudável e
honesta com o eu interior.
Faça esta pergunta a si próprio.
Como é que me sinto no aqui-e-agora?
Através do poder do silêncio conseguimos identificar a nossa
consciência, a intuição, atingir a introspecção e o poder da reflexão
construtiva. Celebramos os nossos sucessos e/ou sentimos as nossas frustrações e
angustias (dor) almejando um equilíbrio emocional.
Precisamos do silêncio para repor a ordem e o equilíbrio
depois de momentos de adversidade. Estabelecemos vínculos e conexões com as
outras pessoas à nossa volta de forma a não nos sentirmos sós e isolados do
mundo (solidão). Através do silêncio podemos reflectir sobre a importância
destes vínculos e conexões.
Utilizar o poder do silêncio para reflectir e inspirar-me
sobre o dia de Hoje.
Votos de uma semana repleta de desafios, surpresas e conquistas.
Comentário: Sabia
que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira", em Abril
de 2011, para os amigos? Atualmente é enviada para mais de 700 pessoas de
vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e
para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 200ª
publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um
email para joaoalexx@sapo.pt. No
assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são
confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.
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