sábado, junho 16, 2012
Controlar a adicção pode ser uma obsessão
Um dos temas mais controversos no tratamento da adicção,
gira em torno do auto controlo e/ou a falta dele. Paradoxalmente, um número
muito significativo de adictos (homens e mulheres) e as suas famílias,
apresentam uma predileção especial pelo controlo.
Dependemos unicamente das nossas competências e recursos
para realizar os nossos projetos e ambições, isso é sinonimo de auto controlo.
Na prática, é-nos incutido de uma forma explícita, que precisamos de controlar
os nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos e também dependemos do
autocontrolo, para viver, segundo as tradições, as regras e os rituais
(paradigmas e estereótipos) da família e da sociedade em relação aquilo que
está certo e aquilo que está errado; direitos e deveres.
Dependemos do auto controlo para sobreviver, custe o que
custar, nesta batalha campal que é o dia-a-dia, feito de correrias,
preocupações e stress.
O autocontrolo e o prazer imediato
O que é que o consumo de álcool, drogas ilícitas, a ingestão
de alguns alimentos ou o contrario (restrição alimentar), relacionamentos de
intimidade/paixão, o jogo, o sexo, as compras têm em comum? É a sensação de
prazer imediato, intenso e de bem-estar que as pessoas sentem. Existem
sensações de prazer imediato e intenso, para todo o tipo de gostos e
preferências. Todavia, do ato normal e legitimo, curioso, inofensivo e saudável
da busca de prazer até á dependência pode ir uma distância muito grande ou não.
segunda-feira, junho 04, 2012
Para quê? e para quem?
Caros leitores,
Não queria começar sem agradecer o convite feito pelo João
Alexandre para escrever para os seus blogues. Obrigado!
Decidi escrever sobre este tema porque continuo a assistir a
um fenómeno recente, a meu ver, pouco ético de lidar com o cliente/paciente e
sua família. Em desespero, as pessoas estão prontas para fazer qualquer coisa,
ou aceitar qualquer proposta para parar o sofrimento diário.
Porquê o anonimato? Se pegarmos numa curiosidade verificamos
que nas dezenas de irmandades de 12 Passos existe sempre uma palavra que não
muda. Então vejamos: Narcóticos Anónimos, Alcoólicos Anónimos, Cocaína
Anónimos, Famílias Anonimas, Nicotina Anónimos, entre muitas outras. É fácil, é
a palavra “Anónimos” está sempre presente porque é extremamente importante.
Esta palavra está sempre presente para proteção. Mas para proteção de quem?
Também é fácil. Para proteção dos membros dessas irmandades.
A importância do anonimato surge resultante da experiência acumulada,
ao longo de varias décadas, por membros das mesmas irmandades. Sabe-se que a recuperação
não é fato consumado, isto significa que a recuperação é construída e
alicerçada, todos os dias, um dia de cada vez. Um individuo que hoje está em
recuperação; amanhã pode não estar. Para além disso, a vida é uma maratona, e
aquilo que hoje podemos considerar inofensivo não significa que não possa
trazer consequências para nós ou para as nossas famílias, a medio e a longo
prazo; capaz de gerar muitos momentos de dor e sofrimento.
segunda-feira, maio 28, 2012
Dica: Recuperação dos comportamentos adictivos
Recuperar da Adicção envolve sentimentos, nesse sentido, você
precisa de reaprender novas competências e recursos de forma a identificar e a expressar
os sentimentos (pensamentos-sentimentos-comportamentos). Ao contrário daquilo
que possa sentir, não são os sentimentos que determinam que tipo de pessoa é;
são as suas decisões, das quais você é o único responsável, para o bem ou para
o mal. Não são os sentimentos de definem o caracter, mas o resultado das ações.
Por exemplo, qual é o seu ídolo? Mestre? Mentor? Herói? O que é que você admira
nessa pessoa? São os sentimentos privados dessa pessoa ou aquilo que ele/a é e
faz? Na realidade, você não conhece essa pessoa na intimidade.
Durante a adicção ativa
(circulo adictivo) recorre-se às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o
álcool e os fármacos, e as ilícitas ou aos comportamentos adictivos (jogo,
sexo, compras, furto, codependência e distúrbio alimentar) para
“fugir/adormecer” os sentimentos dolorosos – dor e a compulsão é direcionada
para a obtenção do prazer/gratificação. Os fins justificam os meios. “Só mais
uma, desta vez vai ser diferente…”
Sentimentos Vs. Resultados
Em recuperação faça uma
monitorização, a mais honesto possível, dos seus sentimentos, em particular da
raiva. Esteja atento/a aos seus impulsos (hábitos e rotinas) aos seus
pensamentos irracionais (padrões antigos de julgar as situações e as pessoas).
Por exemplo; se você está irritado/a encara um conflito de uma maneira; se está
confiante encara o conflito de maneira diferente. Não existe absolutamente
problema nenhum, caso você sinta raiva, é humano haver conflitos entre pessoas,
principalmente quando se sente frustrado, magoado, desiludido, enganado e/ou injustiçado.
Todavia, como você sabe, a raiva é uma energia muito poderosa, que precisa de
ser monitorizada e direcionada para algo construtivo. Por exemplo, quando você estiver
em raiva (energia poderosa) precisa de pensar no tipo de decisões que pretende fazer
e os resultados que pretende atingir, de forma a não cometer os mesmos erros à
espera de resultados diferentes.
Dois tipos de decisões:
A. Decisões relevantes que podem gerar resultados
construtivos e positivos;
B. Decisões, menos relevantes, podem gerar resultados
negativos e indesejados, capazes de gerar sentimento de culpa, vergonha e
inadequação, impotência, mais raiva, auto piedade e isolamento social.
Aprenda a utilizar as situações dolorosas (sentimentos) como
catalisador para o seu crescimento emocional/espiritual (não religioso, sem
dogmas e/ou divindades), em vez de ser gerador de mais problemas. É através do
sentimentos que conseguimos ser criativos, intuitivos e resilientes, porque
permite-nos atribuir ao rumo da vida, o propósito e sentido que entendermos e
que melhor se adapta às nossas próprias necessidades.
No processo de adaptação à adversidade e à mudança atribua à
dor um novo e diferente significado: 1. Identifique os seus sentimentos, não
seja demasiado crítico em relação aos sentimentos dos outros. 2. Não coloque rótulos/julgamentos
por sentir raiva “Sou assim, porque o meu pai também era”. 3. Não seja
demasiado rígido e/ou não tire conclusões precipitadas. 4. Tente interpretar os
seus pensamentos (padrões antigos de julgar, de defesa, de reagir perante o
perigo eminente – erros cognitivos) que desencadeiam os sentimentos dolorosos.
Faça esta pergunta a
si mesmo quando estiver a sentir raiva. "Qual é a fonte desta raiva? O que é que
pretendo fazer que seja relevante e construtivo em vez de destrutivo e gerador
de culpa e vergonha?
Na vida as coisas têm a importância (atenção) que nós lhes damos. Na gestão construtiva da raiva o mais importante não é aquilo que sentimos; mas aquilo que fazemos (ações- comportamentos) com os sentimentos de forma a atingir os nossos objectivos.
Na vida as coisas têm a importância (atenção) que nós lhes damos. Na gestão construtiva da raiva o mais importante não é aquilo que sentimos; mas aquilo que fazemos (ações- comportamentos) com os sentimentos de forma a atingir os nossos objectivos.
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Caso não esteja a conseguir obter resultados que pretende peça
ajuda. Envie um email para xx.joao@gmail.com
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
segunda-feira, maio 28, 2012
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dependência emocional,
emoções,
honestidade,
prevenção da recaída,
raiva,
relações,
vergonha tóxica
sábado, maio 19, 2012
Quando o amor não é suficiente
Veja os bastidores do filme "When love is not enough"1 que aborda a relação entre Bill W (Co-fundador dos Alcoólicos Anónimos) e a sua esposa Lois Wilson (Co-fundadora dos Al-Anon 2), com a participação do actor Barry Pepper "Bill W." e da actriz Winona Ryder "Lois Wilson".
O filme retrata a relação, entre marido e esposa, extremamente afectada pelos efeitos do alcoolismo, durante a "Grande depressão", no inicio dos anos 30, nos EUA.
Em 1999, a prestigiada revista - Time Magazine afirmou que Bill W. era considerado uma das 100 personagens do século.
Notas:
1. Tradução: "Quando o amor não é suficiente"
2. Al-Anon é a designação americana dos grupos de Ajuda-mutua que reunem as mulheres e familiares, dos indivíduos alcoólicos
quarta-feira, maio 09, 2012
O problema, por Dan Keding
O problema
"Era uma vez um lavrador. Embora trabalhasse noite e dia,
nunca conseguia deixar de ser pobre. De cada vez que começava a sentir que
estava a tirar o melhor partido de uma situação, tudo acabava sempre por
falhar. Se num ano havia seca, no outro havia cheia. Se num ano os rebanhos
adoeciam, no ano seguinte os lobos dizimavam-nos. Se num ano o preço do cereal
descia, no ano seguinte o rei subia os impostos.
Certo dia, o lavrador estava sentado num tronco, cabisbaixo
e desesperado. De repente, apareceu uma estranha e grotesca criatura a dançar,
a cantar e a rir à volta do lavrador. Os pelos que lhe cobriam o corpo estavam
emaranhados, os olhos selvagens faiscavam e tinha os dentes pretos. O cheiro
que exalava quase fez o lavrador chorar.
— Quem és tu?
— Eu, bom homem, sou o teu problema. Só passei por aqui para
ter a certeza de que eras o mais infeliz possível!
— Monstro! Então é por tua causa que nunca coisa alguma me
corre bem?
— Pois é! Eu sou o teu azar, a tua desgraça. Sem mim, serias
um homem com sorte.
Rápido como o vento, o pobre homem agarrou o seu problema
pelo pescoço e amarrou-o com cordas fortes. Em seguida, abriu uma cova bem
funda e atirou a sua desgraça lá para dentro. Tapou-a com pedras e regressou a
casa.
No dia seguinte, a sorte começou a mudar. As ovelhas deram à
luz gémeos, as vacas começaram a dar duas vezes mais leite, as culturas
cresciam mais depressa e mais alto do que nunca, e as árvores estavam
carregadas de frutos. Todos os comerciantes queriam comprar os seus produtos e toda
a gente vinha adquirir os seus legumes, frutos e animais. Em poucas semanas, o
homem, que fora tão pobre, estava rico.
O lavrador tinha um vizinho que habitualmente era
bem-sucedido. Este homem rico sempre olhara com desdém para o lavrador e
ridicularizara o seu trabalho. Agora via que o lavrador estava quase tão rico
como ele e, ainda por cima, em tão pouco tempo. Um dia, não conseguiu aguentar
mais a curiosidade e foi visitá-lo.
— Parabéns, vizinho, pela sua recente boa sorte. Devo dizer
que estou admirado com a rapidez com que conseguiu fazer prosperar esta quinta.
Qual é o segredo?
— É simples. Encontrei a raiz do meu infortúnio. O meu
problema veio vangloriar-se da minha má-sorte e eu apanhei-o. Enfiei-o num
buraco fundo, que cobri com pedras, um buraco que fica na minha pastagem. Essa
é, sem dúvida, a razão pela qual finalmente tive sorte, depois destes anos
todos de trabalho e fracasso.
O lavrador rico não gostou que o vizinho tivesse finalmente
triunfado na vida. Naquela mesma noite, rastejou até ao buraco onde o problema
do vizinho estava enterrado. Durante toda a noite levantou as pesadas pedras e
cavou a terra até encontrar o problema. Desamarrou-o e pô-lo em liberdade.
— Muitíssimo obrigado — gritou o problema. — O senhor é um
verdadeiro amigo.
— Agora — disse o homem rico — podes voltar a atormentar o
teu antigo dono outra vez.
— Não, não, não! — Gritou o problema. — Aquele homem
tratou-me muito mal e atirou-me para dentro deste buraco. Mas o senhor foi tão
amável em libertar-me! Vai ser um amo muito melhor. Vou ficar consigo para
sempre. Assim foi e assim devia ser."
- Dan Keding, Stories of Hope and Spirit
- Little Rock, August House Publishers, 2004, (Tradução e adaptação)
segunda-feira, maio 07, 2012
Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha III
Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente foram
enviadas respostas a cada situação em especial.
Se você identificar com alguma situação e ou comportamento
em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o
mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.
A publicação destes pequenos excertos tem como propósito
quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na
sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de
problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia,
entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio
e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio
é interrompido. Peça ajuda.
Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e
a vergonha.
1. “Chamo me J. e gostaria de saber como gerir/ conduzir uma
situação de consumo excessivo de álcool. A pessoa em questão não reconhece o
consumo abusivo. Bebe praticamente todos os dias sozinho e em contexto
não-social. Quando o faz, num contexto social, o consumo de bebidas alcoólicas
tende sempre para o excesso. Estou preocupada e não sei como conduzir esta
situação.”
2.“Chamo me A. e sou filho de mãe alcoólica e isso reflete se
na minha vida sentimental. Os meus pais separaram se quando eu era criança,
vivi com a minha avó até ao início da adolescência, depois fui viver com a
minha mãe e aí então, foi realmente muito difícil. Sinto me inadequado e
desconfiado nos relacionamentos de intimidade. Sou demasiado exigente comigo e
com as outras pessoas, inclusive tenho a necessidade de controlar tudo e todos.
Descobri o seu blogue e por isso procurei a sua ajuda. “
segunda-feira, abril 30, 2012
A importância da defesa pessoal, segundo João Carvalho
A sociedade
moderna, foi sendo educada a confiar a terceiros, competências essas, que em
última instância serão nossas. Um bom exemplo disso será a educação dos nossos
filhos, a gestão das nossas casas, a nossa saúde e também a nossa segurança.
Os governos
manipulam as pessoas, mediante interesses financeiros e criam melhores ou
piores condições de vida consoante as necessidades dos mercados, hoje em dia
existe um novo tipo de escravatura. Escravatura, que será mais dissimulada,
talvez até pelo adormecimento de grande parte da população, mas também porque
as pessoas foram ensinadas a viver (fuga/evitamento) com medos. Alguns
exemplos, medo da religião, medo dos governos, medo dos patrões, medo … medo e
mais medo!
Provavelmente,
são poucos, aqueles que conseguem viver realmente livres … livres de medos
infundados, livres nas suas atitudes e livres, na sua forma geral, de viverem
em plenitude este dom que temos que é a vida !
Basta
recuarmos, alguns seculos, e as pessoas viviam em pequenos grupos, e era nesses
grupos que estabeleciam regras para o funcionamento da comunidade. Plantavam em
comum, viviam em comum e a defesa das suas aldeias era feita por todos.
Completamente alheios, em grande número dos casos, a leis e regulamentações
impostas por terceiros, escolhiam viver as suas próprias leis e tradições.
O que nós
observamos, hoje em dia na nossa sociedade, são cidades sobrelotadas e onde,
apesar de existirem tantas pessoas, os níveis de isolamento são cada vez
maiores.
Não é de
estranhar observarmos alguém ser assaltado em plena luz do dia e apesar de
dezenas de pessoas assistirem ao assalto, nenhuma tem sequer iniciativa para
tentar ajudar a vítima.
quarta-feira, abril 25, 2012
Pessoas Especiais (Mentores) Lewis Melvin Schulstad
Recentemente faleceu o Coronel Lewis Melvin (Mel) Schulstad
ex piloto da United States Air Force (USAF). Pessoa ilustre, visionário e
um pioneiro, e sem sombra de duvidas, um individuo determinado e dedicado à
causa do tratamento e da recuperação da adicção às substâncias psicoactivas
lícitas e/ou ilícitas. Dedicou uma parte significativa da sua vida a promover o
reconhecimento da carreira/profissão do Addiction Counselor. Inclusivamente, em
1974, foi o co-fundador e antigo presidente National Association of Alcoholism
Counselors and Trainers, que uns anos mais tarde, em 1976, se viria a tornar National
Association of Alcoholismo Counselor, e finalmente em 1982, na actual National
Association of Alcoholism and Drug Abuse Counselors (NAADAC), congénere da
portuguesa Associação Nacional de Conselheiros em Abuso de Drogas e Alcoolismo (ANCADA).
Schulstad(Mel) permaneceu 46 anos em recuperação da adicção.
Com frequência partilhava a sua história na recuperação e de esperança. Apos a
sua reforma, manteve-se disponível para ajudar e apoiar os outros.
Foi o c-autor do livro, com James Millan, “Under the Influence”, 1984 e autor do livro “Beyond
the Influence”, 2000. Ambos os livros foram marcantes no tratamento (biologia
da adicção) e na recuperação da adicção.
Data do nascimento: 09 de Março de 1918
Data da morte: 06 de Janeiro de 2012
Uma singela e profunda homenagem a este ser humano “especial”,
um ícone, cujo contributo, para um mundo melhor, irá permanecer presente na memória
de muitas pessoas, incluindo aqueles que estão em recuperação. Os meus pêsames
à sua família.
Comentário: é urgente, novos recursos e competências, pessoas
dedicadas, especializadas e instituições dedicadas, tanto a nível cientifico
como empírico, no tratamento da doença da adicção às substancias psicoactivas
licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas. É imperativo aproximar a ciência
(investigação) da prática (experiencia) e formar equipas multidisciplinares, de
pessoas competentes, dedicadas e abnegadas com a causa. São necessárias
reformas (quanto à metodologia, epidemiologia e etiologia) direcionadas à
prevenção, ao tratamento e à recuperação, assim como um maior envolvimento da
sociedade, cujo principal intuito é derrubar o estigma, a negação e a vergonha
associado a esta doença. Aos indivíduos doentes, assim como às suas famílias, incluindo
as crianças, é urgente devolver a dignidade que eles têm direito. Recuperar É
Que Está A Dar
sábado, abril 21, 2012
14ª Dica Arte de Bem-Viver de 26/06/2011 - Adiar a gratificação imediata
Olá
Adiar a gratificação imediata. O que é que isso significa?
É humano procurar a gratificação, a satisfação e o
reconhecimento através das pessoas, lugares e coisas, é uma forma de
recompensa, de aprovação e ou de agradecimento.
Todavia, na nossa sociedade, desenvolvemos o culto/habito
pela competitividade e pelo consumismo na procura do caminho mais curto (atalho) e
menos doloroso, neste sentido a gratificação/prazer imediata assume uma
necessidade impreterível e disfuncional na gestão das emoções, gestão das prioridade, no critério da
recompensa e gratificação individual. Se conseguirmos parar, por uns breves momentos, e reflectir sobre
os nossos comportamentos, concluímos "Queremos as coisas já... ou
de preferência para ontem." Evocamos os princípios
( as palavras), mas procuramos satisfazer o nosso Ego (atitudes e comportamento). Aquilo que dizemos que somos; não é coerente com aquilo que fazemos. A
nossa vontade, através dos impulsos reactivos e irreflectidos, na busca da gratificação imediata é
suprema, como se a própria sobrevivência dependesse disso.
Adiar a gratificação imediata compromete o prazer imediato. Como? Primeiro, executamos as tarefas mais complexas que exigem auto sacrifício,
disciplina, reflexão, criatividade, responsabilidade e determinação. É um
processo de maturidade na gestão das competências cognitivas e
sociais, dos impulsos, da dor e do prazer (balança emocional) nas coisas
simples do dia-a-dia. Aprende-se a privilegiar (prioridades) os
valores morais/éticos acima do prazer imediato, por ex. através da abnegação e
o altruísmo Vs. egoísmo frenético e egocêntrico.
Se conseguirmos fazer uma gestão construtiva do desconforto
emocional e da dor acabamos por aceitar esta condição, as prioridades, em primeiro lugar, ao invés de
gerir a dor com um único proposito - preencher o vazio emocional
(isolamento, solidão) com pessoas, lugares e coisas.
Muitas vezes o que queremos (ter) não é o que
precisamos (ser).
Votos de uma semana recheada de momentos de disciplina,
honestidade, abnegação, reflexão, responsabilidade e determinação.
Cumprimentos
Nota: Esta Dica é um excerto do Retiro Espiritual Online (Programa Desenvolvimento Individual).
Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com
uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Passado um ano é enviada para mais de 300 pessoas,
para vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola,
Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. Vai na sua 56ª publicação. Caso deseje
receber a Dica basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da
mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são
confidenciais. É grátis
quarta-feira, abril 18, 2012
O que é que aconteceu à felicidade da mulher?
Recue uns 40 ou 50 anos e imagine-se, como mulher, a viver
nos anos do Portugal do Estado Novo. Nesse passado não tão longínquo, as mulheres
casadas não podiam ausentar-se do país sem autorização escrita do marido e as
enfermeiras não podiam casar. A gestão dos bens do casal, incluindo da mulher,
pertenciam ao marido e numerosas profissões estavam legalmente vedadas às
mulheres.
Hoje os tempos são outros e, comparativamente, a situação
da mulher melhorou muito, mesmo que ainda haja muito a fazer culturalmente. As
mulheres são mais independentes, têm mais direitos e liberdades, formam-se em
maior número nas universidades, distinguem-se em diversas profissões e ascendem
a lugares de adminstração ou cargos politicos.
Com estas mudanças, teriamos, assim, muitos motivos para
ter elevados índices de felicidade nas mulheres, mas paradoxalmente tal não
acontece. Segundo alguns estudos* de referência, desde a década de 70 que o nível geral de felicidade da mulher nos EUA e na
Europa, tende a cair e acentua-se à medida que a mulher avança na idade,
contrariamente ao do homem. Em Portugal, as mulheres trabalham mais e dormem
menos, as doenças associadas ao estilo de vida e ao stress, assim como o
consumo de tabaco e anti-depressivos tendem a aumentar.
quinta-feira, abril 12, 2012
O problema não é o álcool, são as pessoas.
No seguimento das recentes declarações Secretario de
Estado Adjunto e da Saúde, nos meios de comunicação social, sobre a prevenção, direccionada aos jovens, afirmou, tem
“falhado tudo” considero relevante abordar a questão do álcool e as pessoas.
Nunca é demais, relembrar que a nossa cultura promove e
incentiva o consumo/abuso de bebidas alcoólicas, em jovens menores de idade. Vejamos
os resultados do estudo do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT). De
acordo com a referida notícia, no Jornal de Noticias, o estudo do IDT sobre o
consumo de álcool, tabaco e drogas em meio escolar refere que os jovens
portugueses começam a consumir álcool cada vez mais cedo, beber em maiores
quantidades e a embriagarem-se mais vezes. Estes fenómeno, sobre os jovens beberem
maiores quantidades e embriagarem-se mais vezes já motivo de investigação e
medidas excecionais de prevenção, quer seja nos Estados Unidos da América (EUA)
ou no Reino Unido há pelo menos dez anos ou mais, é designado de Binge Drinking
(beber álcool cujo intuito é a intoxicação/embriaguez). Em Portugal, não existe
Prevenção, por exemplo em relação ao binge
drinking. Até há data da publicação deste post, ainda é permitido por lei,
aos jovens menores de idade, consumirem/abusarem de bebidas alcoólicas com a
conivência dos políticos, dos tribunais, da ordem dos médicos e dos advogados.
Segundo o mesmo estudo, efetuado pelo IDT, 37% dos alunos
com 13 anos (menores de idade) já experimentou beber álcool, numero que sobe
para 90,8% nos jovens com 18 anos. Depois destes dados, pergunto:
Na minha opinião pessoal, estes números são apenas a ponta
do iceberg. Em algumas zonas remotas
do país, tipo aldeias, não existe controlo sobre este fenómeno.
terça-feira, abril 03, 2012
Sabedoria popular actualizada
O conhecimento acumulado, ao longo de gerações, enriquecido pela experiência e que se mantém actualizado nos dias de hoje e mais além. Já diz o povo...
Alimento pro pensamento.
Ditados populares
"Mais
homens se afogam num copo do que no mar."
“Ao bêbado e ao tolo,
dá-se o caminho todo.”
“Porcos com frio e homens
com vinho fazem grande ruído.”
"As
bebidas fortes fazem os homens fracos."
segunda-feira, abril 02, 2012
Dica: Recuperação dos Comportamentos Adictivos
Dica: Recuperar da Adicção activa é um processo complexo e pode ser altamente dinâmico. Nesse sentido, se você é do sexo masculino sugiro o seguinte.
Invista na monitorização e comunicação das suas emoções com indivíduos do mesmo género. Estabeleça laços de intimidade, de honestidade, de empatia, de respeito com homens. Fale dos aspectos vulneráveis do seu carácter (as suas inseguranças, os seus receios). Contrarie o preconceito e a tradição imposta na nossa sociedade de que o "Homem não chora." ou "Homem não revela as suas fraquezas e ou sentimentos" ou "Homem é duro"
Responda a esta simples questão:
Na sua opinião como é que define a sua masculinidade?
sábado, março 24, 2012
Recuperar da adicção ao jogo
Chamo me Rogério Lima, moro em Alagoinhas/BA, no Brasil,
jogador compulsivo em recuperação há 270 dias, graças ao meu Poder Superior[i], às minhas reuniões de ajuda mutuo, aos meus amigos e ao amor que sinto pela minha
família.
É com muita felicidade e gratidão que aprendi a viver
um dia de cada vez, e tem dado certo. Sei o quanto preciso do meu ontem, para
fazer julgamentos de minhas imperfeições. Tenho muitas ferramentas para fazer o
meu hoje em abstinência, reformulando meus antigos comportamentos e acreditando
positivamente que só eu posso, mas não posso sozinho. Quanto ao meu amanhã e
seus resultados, somente meu Poder Superior poderá traçar este caminho.
Sei que tenho erros e acertos; tristezas e alegrias;
desânimo e vitalidade; isso acontece porque sou humano e carrego um turbilhão
de sentimentos. Hoje, vivendo o programa de doze passos, sei o quanto é
importante identificar e trabalhar essa intensidade de emoções que passam por
mim diariamente.
Compreendo que felicidade completa não existe, e também não
teria graça. Preciso encher minha alma de aceitação e renuncia, parece
contraditório, porém a vida é assim, viver o lado positivo e me manter invadido
de fé e serenidade para os problemas que venham a acontecer.
Aprendi a acreditar no tempo de Deus[ii],
durante esse 270 dias sem qualquer tipo de aposta, situações que imaginava
demorar a acontecer, simplesmente aconteceram. Defino isso como entrega! Algo
jamais praticado por mim.
quarta-feira, março 14, 2012
Inquérito Europeu Sobre Drogas 2012
Participe neste inquérito Europeu Sobre Drogas, mesmo no seu caso, esteja abstinente de drogas, lícitas e/ou ilícitas, há mais de um ano. Complete todos os dados, com sinceridade, visto o objectivo deste trabalho ser importante de forma a perceber o fenómeno das drogas na Europa, e em Portugal, em especial.
Divulgue o referido link do inquerito pelos seus contactos de forma a que um maior numero possivel de pessoas possa participar.
Recuperar É Que Está A Dar
Siga o link.
http://www.drugmarket.eu/
Divulgue o referido link do inquerito pelos seus contactos de forma a que um maior numero possivel de pessoas possa participar.
Recuperar É Que Está A Dar
Siga o link.
http://www.drugmarket.eu/
segunda-feira, março 05, 2012
Um dilema silencioso
- Sabia que o alcoolismo afecta o sistema familiar, incluindo as crianças, ao longo de varias gerações? Todos são afectados (avós, pais e filhos).
- Alcoolismo na família, incluindo as crianças. Possíveis consequências: Abuso físico, sexual e emocional.
Algumas famílias afectadas pelo alcoolismo são incongruentes derivado à negação dos sentimentos (membros da família) e à posse de um ou mais segredos entre membros da família?
- Um alcoólico/a pode ser um individuo que seja: esposo, padre, politico, medico, esposa, advogado, psicólogo, professor, investigador, conselheiro, estudante, irmão, irmã, engenheiro, filho, filha, soldado, policia, actor, actriz, psiquiatra? Não precisa de beber todos os dias, de beber grandes quantidades de álcool e de ser agressivo.
- A grande maioria dos indivíduos que abusam de álcool considera que não precisam de ajuda para o problema com a bebida. Quantos portugueses precisam de ajuda para o problema com o álcool? Uma parte considerável deste fenómeno preocupante permanece "escondido" e negado.
- A Industria milionária e poderosa do álcool e os seus parceiros. Sabia que existem no mercado, bebidas alcoólicas cujo preço está ajustado em função do consumidor. Vendem-se bebidas alcoólicas, para indivíduos com idade acima dos 16 anos, em garrafões, garrafas, em pacotes e copos. Os preços baixos proporcionam uma maior oferta, potenciando a procura, desde os mais jovens aos mais idosos.
segunda-feira, fevereiro 27, 2012
Reflexão construtiva sobre a mudança
Encontrei esta fotografia e fiquei pensativo sobre as consequencias dramaticas da adicção na vida de ambos artistas e das suas familias, incluindo as crianças. De que forma a morte destas duas pessoas, ambos pais, vão marcar a vida dos seus filhos?
Pessoas talentosas que influenciaram toda uma geração acabam por ser vitimas de um problema que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Este tipo de tragedia não acontece só aos "marginais", aos desfavorecidos pode acontecer qualquer pessoa que esteja vulneravel.
O que é que ambos artistas podiam fazer a fim de evitar este desfecho prematuro e trágico nas suas vidas?
Este foto serve para refletir sobre o Rumo da vida. Podemos mudar de atitudes e comportamentos, o processo de desenvolvimento e transformação não é estatico, pelo contrario, altamente dinâmico. A vida não cristaliza, mas nós humanos podemos cristalizar
Withney Houston (1963 - 2012)
Michael Jackson ( 1958 - 2009)
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
Doença ou comportamentos marginais?
A doença da adicção
permanece um problema de saúde complexo, todavia só nos últimos vinte
anos foi possível, graças à investigação nos EUA, compreender uma parte muito
significativa do problema.
A adicção
afecta a saúde do indivíduo, da família, incluindo das crianças, a qualidade de
vida e o trabalho.
Ninguém escolhe
ser doente (adicto/a). Não é um acto voluntario.
Ser adicto/a
não significa ser marginal, ser fraco, “ovelha negra”, ser diferente e anormal
(estigma e negação).
Através do
tratamento é possível interromper a progressão da adicção, permitindo assim ao indivíduo,
responsabilizar-se pela sua recuperação. Todavia, tal como acontece com outro
tipo de doenças crónicas é possível haver recaídas e deslizes.
Conceito actualizado sobre a Adicção (Dependências)
Segundo a
Sociedade Americana da Medicina da Adicção[i] a adicção é uma doença
primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro
responsável pelo prazer, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais
adjacentes. Sabe-se que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais
conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e
espiritual no indivíduo, que se reflecte na busca e recompensa patológica do
prazer e alivio, através do consumo de substâncias psicoactivas (lícitas e/ou
ilícitas) e/ou outros comportamentos (exemplo, jogo). Por outras palavras, a
Adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e
adversidades ao longo da vida do indivíduo.
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
As aparências podem iludir
Jazmín de Grazia (04 de Julho de 1985 / 05 de Fevereiro de 2012
Uma notícia no jornal (JN)de 07 de Fevereiro, atraiu a minha
atenção, o título referia o seguinte “Modelo argentina afogou-se na banheira.
Jazmín de Grazia, de 27 anos, foi encontrada morta em casa pelo namorado. Droga
pode ser a causa.”
Após pesquisar, pela internet, soube que Jazmín após a sua
participação num reality show argentino, na altura com 18 anos,
tornou-se modelo, mais tarde chegou a ser capa da revista Playboy, também era apresentadora de vários programas de televisão.
Mais um caso, de uma jovem que alcançou o estrelato, de rápida ascensão, através
dos tão badalados e afamados programas denominados reality show. Todavia,
com um trágico desfecho aos 27 anos.
De acordo com a notícia, teria sido encontrado restos de
cocaína no seu apartamento, todavia a autópsia revelou que a causa da morte foi
“asfixia devido a imersão na água”. Foi também referido que Jazmín terá deixado
uma mensagem no espelho da casa de banho, afirmando “Vocês não têm culpa que
este mundo seja tão feio.”
Evitando especular sobre as causas da morte desta rapariga
gostaria de realçar o fenómeno, sobejamente conhecido, sobre a vulnerabilidade
dos jovens em relação ao flagelo associado ao consumo e abuso das drogas
lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas.
quinta-feira, fevereiro 02, 2012
Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha II
Pequenos excertos sobre pedidos de ajuda recebidos por email, sendo posteriormente enviadas as respectivas respostas. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade dos seus intervenientes. Se identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio.
A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade de hoje, é cada vez mais comum o aparecimento deste tipo de problema e questões entre pessoas e famílias. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional adictivo é interrompido.
Pedidos de ajuda
"Chamo me R. tenho 38 anos e após muitos anos de uso álcool, cocaína e crak, resolvi deixar de consumir tais substancias, porem, somente o álcool ainda está presente. Por vezes fico sem beber, entre um a dois meses, porem quando retomo faço-o exageradamente. No dia seguinte não consigo dormir, e às vezes, chego a ficar sem dormir várias noites seguidas, tendo que me socorrer de medicação, que me causam mau estar, irritação e sensação de cérebro pesado. O que é que posso fazer para amenizar esta situação? Obrigado pela atenção."
"O meu nome é T. e tenho 27 anos. Vou fazer este mes três anos que tenho uma relação com o meu namorado e vivemos juntos há quatro meses. Ele vem de um meio boémio, em que todos os amigos fumam, bebem e inclusivamente em casa, o pai é uma pessoa considerada alcoólica. Desde que fomos morar juntos ele deixou de frequentar os cafés com os amigos depois do trabalho, mas a verdade é que ele continua a beber ao longo do dia. A situação está a tornar-se bastante insuportável, com a violência das palavras e dos actos, com as constantes mudanças de humor. Ele é uma pessoa fantástica, que gosta de trabalhar, gosta de ajudar em casa, mas quando está mais sob o efeito do álcool fica uma pessoa insuportável. O que é que posso fazer?"
"Chamo-me L. e encontrei o seu site e achei-o muito interessante. Vivi durante sete anos com um ex-toxicodependente. A nossa relação começou precisamente na fase em que ele estava a tomar metadona, embora essa situação me tenha sido escondida. Dávamo-nos muito bem, pois ele era muito atento, carinhoso. Decidimos viver juntos, contudo, quase como de um dia para o outro ele mudou, deixando de ser a pessoa carinhosa e amiga do início da relação, tratava-me muito mal, alheava-se da minha presença, via televisão horas e horas a fio, irritava-se facilmente, assumindo como um insulto qualquer crítica, partia coisas em casa quando a minha conversa não lhe agradava e chegou a bater-me, não revelava qualquer preocupação para com os meus sentimentos e raramente me procurava sexualmente. Aguentei isto durante sete anos, coisa tola - amava-o e nem percebo o porquê. Será que foi tudo uma mentira? Se me puder responder agradeço. Preciso de ajuda."
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