quinta-feira, junho 19, 2025
A Inteligência Artificial irá revelar-se uma mais valia.
segunda-feira, maio 12, 2025
Pia Mellody, gratidão eterna
Contra o estigma no tratamento da adicção
«Estamos duas vezes armados se lutarmos com fé» Platão
Platão,
segundo relatos e escritos da altura nasceu entre 427/428 a. C., em Atenas. Foi
um filosofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga. Foi considerado
a figura central na história do grego antigo e da filosofia ocidental,
juntamente com o seu tutor Sócrates e seu pupilo Aristóteles. Platão ajudou a
construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia
ocidental e também tem sido frequentemente citado como um dos fundadores da
religião ocidental, da ciência e da espiritualidade. (fonte Wikipédia).
Desde 1993,
trabalho com indivíduos adultos com adicção (doença com fatores
neuro-bio-psico-social), 1) a substâncias psicoativas geradoras de dependência,
licitas (bebidas alcoólicas) ou ilícitas, e também trabalho com indivíduos com
2) adicção a comportamentos adictivos (exemplo, jogo patológico, ao sexo) e indivíduos
que são adictos a 3) substancias psicoativas e ao mesmo tempo comportamentos
aditivos e/ou perturbação mental (comorbilidade – diagnostico duplo ou triplo). São várias centenas, talvez um
milhar de indivíduos e nenhum deles, nem um, alguma vez mencionou o desejo de
se tornar um adicto. De salientar as implicações, severidade, as consequências
e sintomas da adicção – cada caso é único. Ficar doente é o resultado de um
processo gradual, dinâmico e complexo. Também é verdade que ninguém fica adicto
a substâncias psicoativas ou comportamentos de um dia para o outro. Contudo se
alguém está preocupado com o seu comportamento impulsivo e repetitivo, seja com
o consumo de drogas, incluindo o álcool, ou comportamentos, isso pode querer
dizer que já tem um problema de adicção na sua vida, mas, mas isso não quer
dizer que vá pedir ajuda, naquela altura, naquele momento, podem passar anos a
fio até que a ajuda eficaz, direta ou indireta chegue.
Na sociedade,
um dos fatores mais negativos relacionados com o tratamento da adicção é o estigma.
Felizmente, comparativamente, com há trinta anos atras, hoje o estigma persiste
e continua a fazer vítimas, mas aparenta estar mais “enfraquecido” devido aos
avanços no tratamento, na informação dos meios sociais, no apoio psico social
de várias instituições do estado e/ou privadas, no apoio de proximidade por
parte dos profissionais e na informação disponível na internet. Convém realçar
que apesar de evolução e dos avanços o estigma não desapareceu. Desde os seus
primórdios, há milhares de anos atrás até à atualidade o estigma (as pessoas,
as famílias e a sociedade) permanece ativo como uma doença, com marcas bem visíveis.
Mudam-se os tempos, mas não se muda as vontades. Não são as pessoas de fracos
recursos, os “alvos” prediletos, a adicção é um fenómeno transversal na
sociedade, afeta “ricos”, pobres”, “pretos”, “brancos”, “mestiços” advogados ou
mecânicos, etc.
Como é que
se trata a doença da adicção, num contexto onde o estigma permanece ativo e a
influenciar negativamente, pessoas, famílias, profissionais e instituições
(sociedade)?
Como se
combate o estigma que conduz ao isolamento, à doença (adicção) depressão, à
separação, à vergonha e a negação?
Perante
estas duas questões, iremos abordar o que é o estigma e como afeta pessoas,
familiares, profissionais e instituições ligadas à prevenção, ao tratamento e á
recuperação dos comportamentos adictivos-
O que é o estigma?
Segundo o dicionário da Bertrand da Língua Portuguesa, entre os antigos gregos
designava sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de
extraordinária ou de mau acerca do estatuto moral de quem os apresentava. Tratava-se
de marcas corporais feitas com cortes ou com o fogo que identificavam de
imediato um escravo ou um criminoso. Por exemplo o conceito atual é mais amplo,
considera-se estigmatizante qualquer característica, não necessariamente física
ou visível que não se coaduna com o quadro das expectativas sociais acerca de
determinado individuo. Referencias: Erving Goffman
quinta-feira, fevereiro 13, 2025
Amor e desamor
Foto Lumen IA
Amores e desamores
Mito. Afirma-se, com frequência que um dos requisitos para
uma relação duradoura está relacionado com o individuo gostar de si próprio o
suficiente, (e em primeiro lugar) e só assim consegue relacionar-se com o
outro. O amor que temos por nós próprios (indivíduos) é diferente do amor que
nutrimos pelo outro (relação romântica). Quando selecionamos determinada pessoa
(especial) entra em jogo um conjunto de energias poderosas e em muitos casos
incontroláveis, designadas de vinculação. A evolução humana revelou existir
imensa vantagem para a sobrevivência uma coexistência entre indivíduos
(vinculação de intimidade, de interesse, de confiança, proteção) a fim de se
protegerem, preocuparem um com o outro/a (ele ou ela é parte de mim), aquilo
que designamos de intimidade, pertença, coesão, vulnerabilidade, confiança,
cumplicidade. Não sejamos naïfs, a evolução também contemplou (e continuamos o
processo) com aqueles indivíduos que tinham outros interesses completamente
antagónicos, refiro-me ao amor/intimidade.
«Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do
mal.» Friedrich Nietzsche
Mito relação romântica - «O amor vence tudo» Evocamos o amor
para justificar algumas crenças, atitudes e comportamentos disfuncionais para o
relacionamento romântico. Crescemos, com a ideia de que o amor vence tudo,
nesse sentido, evocamos a ilusão para o amor vencer. Na prática não resulta,
pode servir de justificação para o desamor.
Recuperação dos comportamentos adictivos de longa duração.
Seres sociais. Falar sobre o amor, num contexto social entre família, com o/a
filho/a, amigos, colegas de trabalho, numa reunião, com um estranho no comboio,
etc, significa que estamos honestamente a partilhar ideias, conceitos,
reflexões, expressar sentimentos que realmente importam, no que aos vínculos de
intimidade e vulnerabilidade, diz respeito. Falar sobre o amor ou o desamor,
honestamente, é falar da "cola" que permite ao amor expandir
valores/princípios, criar sinergias, reforçar vínculos e raízes, largar a zona
de conforto e explorar o universo imaterial do outro e vice-versa. Falar sobre
o amor e a vulnerabilidade, não é conversa lamecha, é conversa de pessoas
adultas e integras. Se não falarmos sobre o amor estaremos a privar de
participar em áreas tão significativas como a liberdade, a vulnerabilidade, a
confiança, a família, a espiritualidade. Conversar sobre o amor é explorar
vinculações (sistemas) complexas, profundas na psique (individuo) e nas
relações com os outros. Conversar sobre o amor deparamo-nos com mitos sobre o
amor, a paixão (obsessão/sofrimento), efeito químico de sensações intensas e
prazerosas associadas ao sexo. Confrontamo-nos com o dilema: é sexo/química ou
amor? É paixão (obsessão) ou amor? Qual é a relação entre o amor e o sexo? Durante um período da vida, precisamos do amor
para desenvolver e prosperar, como de oxigénio para respirar. Esse período
extremamente marcante desenrolou-se após o nascimento e durante a infância.
«Lutar pelo amor é bom, mas alcança-lo sem luta é melhor.»
William Shakespeare, “Noite dos Reis”
Está em recuperação dos comportamentos adictivos?
Sabia que
a adicção pode estar associada ao sexo (sexo compulsivo)? Sabia que a adicção
ativa, no individuo, interfere nas competências e capacidades para amar? Qual é
a sua definição de amor? Considera que a sua definição de amor funciona? Já
alguma vez foi “obrigado/a” a rever e a alterar algumas ideias, crenças sobre o
amor? Considera que tem dúvidas em distinguir a paixão (obsessão) e o amor,
isto é, na maior parte das vezes a paixão (obsessão) é sinónimo de relação de
intimidade de curta duração (é humanamente impraticável estar demasiado tempo
sob o efeito da obsessão/sofrimento)? Está numa relação duradoura e é feliz, se
a resposta é sim, quais são os fatores que contribuem para manutenção e duração
da relação?
quarta-feira, janeiro 29, 2025
Os Principios Básicos da Literacia Financeira para Pessoas com Comportamentos Adictivos, por Rita Piçarra
Uma Ferramenta Essencial para a Recuperação e Bem-Estar
A literacia financeira é a capacidade de entender e utilizar
eficazmente diferentes habilidades financeiras, incluindo a gestão financeira
pessoal, a elaboração de orçamentos e o investimento. Para pessoas que
desenvolveram comportamentos adictivos, seja em recuperação ou não, a literacia
financeira é uma ferramenta essencial para alcançar a estabilidade e o
bem-estar. Vamos explorar alguns dos princípios básicos da literacia financeira
e como podem ser aplicados na vida quotidiana.
1. Compreender a Importância de um Orçamento
Elaborar um orçamento é o primeiro passo para uma gestão
financeira eficaz. Um orçamento ajuda a entender quanto dinheiro entra e sai
todos os meses. Para pessoas em recuperação de comportamentos adictivos, um
orçamento pode ser uma maneira de recuperar o controlo sobre as suas finanças,
identificar gastos desnecessários e garantir que recursos sejam alocados para
necessidades fundamentais como habitação, alimentação e tratamento. Além disso,
um orçamento bem planeado pode ajudar a estabelecer limites claros para os
gastos supérfluos, permitindo que as pessoas em recuperação evitem tentações
financeiras que possam comprometer a sua estabilidade.
Para criar um orçamento eficaz, comece por listar todas as
fontes de rendimento, incluindo salários, benefícios sociais e outras formas de
rendimento. Em seguida, liste todas as despesas fixas e variáveis, como renda,
serviços públicos, alimentação, transporte e despesas médicas. Subtraia as despesas
totais do rendimento total para determinar se há um saldo positivo ou negativo.
Utilize este saldo para ajustar o orçamento, cortando despesas desnecessárias
ou encontrando formas de aumentar o rendimento.
2. Gerir Dívidas
A dívida pode ser um dos maiores obstáculos para a
recuperação financeira. É crucial entender os tipos de dívida (como cartões de
crédito, empréstimos pessoais, etc.) e desenvolver um plano para pagá-las.
Priorizar o pagamento de dívidas com taxas de juro mais altas pode ajudar a
reduzir o fardo financeiro mais rapidamente. Manter um diálogo aberto com
credores e procurar aconselhamento financeiro pode ser essencial para gerir de
forma eficaz as dívidas existentes. Além disso, é importante evitar contrair novas
dívidas desnecessárias durante o processo de recuperação.
Para gerir eficazmente as dívidas, comece por fazer uma
lista de todas as suas dívidas, incluindo o montante devido, a taxa de juro e o
prazo de pagamento. Em seguida, elabore um plano de pagamento que priorize as
dívidas com as taxas de juro mais altas, enquanto continua a fazer pagamentos
mínimos nas outras dívidas. Considere também a possibilidade de consolidar as
dívidas em um único empréstimo com uma taxa de juro mais baixa, se isso for viável.
3. Poupança e Fundo de Emergência
Ter uma poupança é um objetivo fundamental para a
estabilidade financeira. Criar um fundo de emergência pode proporcionar uma
rede de segurança em momentos de crise, evitando que se acumulem mais dívidas.
Mesmo pequenas contribuições regulares podem crescer com o tempo e fornecer um
colchão financeiro necessário. Para pessoas em recuperação de comportamentos
adictivos, um fundo de emergência pode ser particularmente importante, pois
oferece uma sensação de segurança e estabilidade durante períodos de incerteza.
Para começar a poupar, defina uma meta de poupança realista
com base nas suas circunstâncias financeiras. Automatize as transferências para
a poupança sempre que possível, para garantir que uma parte do seu rendimento
seja reservada regularmente. Além disso, procure oportunidades para reduzir
gastos e direcionar as economias para o fundo de emergência. Lembre-se de que
cada pequena contribuição é valiosa e que a consistência é a chave para
construir uma poupança sólida ao longo do tempo.
sexta-feira, dezembro 20, 2024
Leituras 2024
Foto Designer IA
As minhas
leituras de 2024 das quais destaco
Daniel Kahneman,
Olivier Sibony, Cass Sunstein - «O Ruido – uma falha no julgamento humano»
Talit Sharot
– «A Mente Influente»
Francesca
Gino - «Talento Rebelde»
James Clear –
«Hábitos Atómicos»
Yuval Noah
Harari - «21 Lições para o seculo XXI»
Robert Waldinger e Marc Schulz - «Uma Boa Vida»
Dacher Keltner - «O Paradoxo do Poder
Morgan Housel
- «A Psicologia do Dinheiro»
Satya
Nadella - «Faça Refresh»
Annie Duke -
«Desistir»
Susan Cain -
«Silêncio»
Dr. James
Doty - «Dentro da Loja Mágica»
Paulo
Finuras «As Outras Razões»
Mustafa Suleyman
- «A Proxima Vaga»
David Brooks
- «Como Ler as Outras Pessoas»
Dr. Bessel
van der Kolk - «O Corpo Não Esquece»
O critério
utilizado para a escolha dos livros, deve exclusivamente aos seus autores,
investigadores de renome cuja temáticas, tais como os hábitos, as relações, o
trauma, a recuperação e resiliência, pessoas e a felicidade, são temas
recorrentes no meu trabalho. Desde 1993, dedico uma parte substancial, da minha
longa carreira profissional à aprendizagem contínua a fim de prestar o melhor
serviço de aconselhamento possível a todos aqueles que procuram na doença e na
adversidade, encontrarem competências que lhes permitam navegar nos mares tempestuosos
e vencer. O que seria de nós, se não houvesse problemas, defeitos, se não estivéssemos
expostos à adversidade e/ou se não tivéssemos ajuda? Quando descobrimos a
honestidade, quando definimos um sentido na vida, quando estabelecemos relações
resilientes fazemos a diferença, pela positiva. As pessoas mais felizes gostam
de pessoas.
sexta-feira, dezembro 06, 2024
Motivação para a Mudança - sentimento raiva
A violência é um comportamento irracional humano complexo e
transversal na sociedade. Em cada um de nós, existe um potencial significativo
de raiva, hostilidade, agressividade. Ao longo de mais três décadas de experiência
profissional observei/observo esse comportamento irracional (cérebro –
mecanismo fight ou fly) em pessoas que jamais pensávamos assistir.
Indivíduos, homens e mulheres de “ar doce” tornarem-se agressivos. Há muito que
decorre um debate científico inflamado sobre o comportamento violento; é
resultado de fatores psicológicos, sociais ou biológicos. Investigação atual
indica que violência resulta, de facto, de uma combinação dos três.
No tratamento dos comportamentos adictivos o sentimento de
raiva e o ressentimento (gestão de conflitos e gestão da raiva) assumem
destaque no plano de tratamento do individuo, quando existem evidências de passividade/agressão
verbal, física ou emocional, quer seja durante a adicção ou também ao longo da
vida. Alguns indivíduos com
comportamentos agressivos/passivos desenvolveram mecanismos psicológicos de
forma ocultar, reprimir e a negar a raiva e o ressentimento incapacitando os a
ser honestos consigo próprios e com os outros, consciente ou inconscientemente.
Estes mecanismos servem, principalmente, para culpar os outros afastando-os de
qualquer responsabilidade, alimentar egos (preconceitos sociais) direcionar o
foco da raiva, das doses elevadas de adrenalina e cortisol a fim de reforçar a
crença distorcida de que é preciso estar alerta porque o mundo não é um lugar
seguro.
As pessoas agressivas/passivas costumam ter reações
irracionais despoletadas, por “gatilhos”, devido a sentimentos de injustiça
reais ou cenários imaginários e repisam/ruminam os pensamentos incessantemente,
assim como, ficam frequentemente emperradas em certas ideias fixas distorcidas ou
comportamentos impulsivos. Também costumam interpretar as situações, com um
grau de critica excessiva reagindo impulsivamente. Existem indivíduos com longo
historial de problemas com agressividade e o abuso de drogas e álcool, jogo patológico,
problemas com figuras de autoridade, passividade, incapacidade de aceitar
críticas, relações tóxicas, violência doméstica, problemas com a justiça,
indivíduos institucionalizados (exemplo, cadeia, estabelecimentos de apoio a
crianças), trauma, comportamentos antissociais, ruminar ideias (vingança),
problemas familiares disfuncionais, problemas de impulsividade no local de
trabalho (colegas, direção, chefia, questões de género, etc.) depressão e ansiedade. Evitando estereótipos, os
homens e a agressividade está associada a comportamentos físicos,
irracionalidade, ameaça ao estatuto (macho) e impulsivos (adrenalina, cortisol).
Enquanto nas mulheres a agressividade é reprimida e manifestada de uma forma
mais impercetível e indireta, por exemplo, evitam o confronto direto, partilham
com os seus pares (boatos), criam ligações e argumentos que servem para ruminar
(ideias de vingança). Todavia, existem homens e mulheres agressivos e
impulsivos.
sábado, outubro 05, 2024
domingo, setembro 08, 2024
Se os outros conseguem eu também consigo
Um estudo publicado no Journal of Studies on Alcohol and Drugs apurou que os indivíduos que acreditavam não ter força para combater as suas ânsias eram mais propensos a voltar a beber ou consumir drogas. As crenças dos adictos relativamente à sua impotência eram tão relevantes para determinar se teriam uma recaída após tratamento quanto o nível de dependência física a que haviam chegado. O quadro mental é tão importante como a dependência física. Aquilo que pensamos e dizemos a nós próprios revela-se de uma importância extrema. Rotular-se a si mesmo como possuidor de fraco autocontrolo conduz a menos autocontrolo. Em vez de pensarmos e dizermos a nós próprios que falhamos (por exemplo: mais uma vez… é a segunda tentativa…) devido a qualquer tipo de carência, devíamos de pensar e dizer, a nós mesmos, precisamente o contrário. A conversa interior (selftalk/mentalmente) será mais produtiva se o fizermos com auto compaixão por enfrentarmos adversidades, por desistir, pela rendição, por dores de crescimento e cometer erros é ok. Vários estudos, concluíram que a auto compaixão proporciona uma forte motivação (mindset) relacionado com o bem-estar. Podemos mudar a moldura mental (selftalk - mindset)? Sim, através da mesma mente irrequieta que gera problemas (castigadora/rigidez/pensamentos negativos, juízo excessivamente critico) iniciamos um pacto de tréguas através do autoconhecimento, da autocritica construtiva (feedback com pessoas de confiança) e o poder da auto compaixão. Aquilo que pensamos e dizemos a nós mesmos, principalmente, nas situações adversas revela-se de extrema importância, se queremos mudar, mudamos o que pensamos e o que dizemos a nós próprios – a mente é a mesma, as crenças é que mudam.
Reprimir ou adaptar-se à emoção?
Fiodor Dostoievsky, 1863 escreveu o seguinte «Tente atribuir a si mesmo esta tarefa. Não pensar num urso polar. Imediatamente, verá que a maldita menção ao urso polar lhe vem à cabeça a palpitar durante um período de tempo. Mais recentemente, foram efetuados estudos sobre «pensarmos no urso polar e ficarmos a ruminar no assunto» e os resultados referem que a repressão do pensamento e emoção durante os primeiros cinco minutos, conduz a uma forma mais proeminente e intensa na mente dos participantes (artigo divulgado na publicação Monitor on Psychology). Quando reprimimos uma emoção estamos a enganar a nós próprios, pensando que ao faze-lo conseguimos afastar a fonte do descontentamento. É um mito, é uma falsa crença, não controlamos pensamentos e sentimentos. Quando estamos a reprimir pensamentos e sentimentos, naquele momento, estamos a permitir que as emoções surjam mais tarde, com intensidade e com diferentes nuances e dinâmicas. Gerador do efeito de «bola de neve», ficamos expostos aos impulsos, à negação, ao ressentimento, raiva e à autocritica negativa. Nestas situações, surgem as ânsias, a ruminação ansiosa, a ausência de auto compaixão, perda das funções cognitivas (lidar com conflitos adicionando mais conflitos) e o sentimento de autoeficácia mingua, sinais e sintomas identificados nos comportamentos adictivos.
sábado, agosto 31, 2024
Beyond Atheism: Finding Meaning in the Secular Age
domingo, julho 28, 2024
Contra o estigma, a negação e a vergonha
Contra o estigma, a negação e a vergonha. Em pleno seculo XXI, estas três palavras poderosas, possuem um efeito nocivo e têm um impacto devastador na sociedade, são como uma pandemia. A sociedade somos todos nós. O fenómeno é transversal, no dia a dia, afectam pessoas, familias e instituições no tratamento e recuperação dos comportamentos adictivos, através de preconceitos, tabus, segredos, recaídas, solidão e crenças retrogadas profundamente enraízadas no individuo. O meu trabalho, contra o estigma, a negação e a vergonhar é diagnosticar, informar, educar, acreditar, emponderar e ser um aliado na transformação de juizos, crenças, atitudes e comportamentos no individuo, na familia e na sociedade. Apesar dos efeitos adversos, é possivel recuperar dos comportamentos adictivos e adoptar um novo e saudavel estilo de vida. Existe a esperança.
segunda-feira, julho 08, 2024
sexta-feira, junho 14, 2024
Documentário sobre Bill W. ( William Griffith Wilson) Co fundador de Al...
quarta-feira, maio 29, 2024
terça-feira, maio 28, 2024
A Perda, a Dor e o Luto
A perda de
um ente querido ou a mudança “radical” de estilos de vida e a dor associada,
são temas transversais à sociedade. Sabemos da existência de tradições,
rituais, regras, atitudes e comportamentos que adotamos a fim de carpir a perda
e a dor. Contudo, persistem mitos e tabus sobre a regulação das emoções e a dor.
Por exemplo, existem indivíduos, nos períodos de perda e dor, buscam o alívio e
o alheamento no consumo de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool
e/ou adotam comportamentos repetitivos, geradores de dependência, cujo intuito
é o alívio imediato.
A perda e a dor são reações, indícios à perda de um ente querido ou mudança significativa
na vida de uma pessoa (por exemplo, divórcio). Gostaria de referir que os
indivíduos, homens e mulheres, dependentes de substâncias psicoativas, vulgo
drogas, incluindo o álcool, assim como os comportamentos adictivos são afetados
por este fenómeno, especialmente, quando iniciam o tratamento. Conheço centenas
e centenas de pessoas que iniciaram o tratamento e nenhuma delas alguma vez
pensou, apesar de terem consciência da existência de um problema grave, que
mudar as atitudes e comportamentos (estilo de vida) fosse algo tão desafiante e exigente
no compromisso, na confiança, na esperança, na motivação e persistência e na
fé. Ao longo da progressão da adicção o individuo está exposto e vulnerável a
situações de abuso emocional e/ou traumático (perda e dor)
Sentir a
perda e a dor é condição para avançar na recuperação.
O tratamento psicossocial e espiritual
contempla a abordagem à MUDANÇA. Para recuperar é preciso que o individuo
contemple o desafio de enfrentar-se a si próprio, à perda e à dor, à mudança de
estilos/hábitos/comportamentos na sua vida, existe o passado e barreiras a
serem destruídas e substituídas por pontes para o presente ( e o futuro). Tudo
isto, na prática, representa um desafio enorme, uma motivação musculada, tempo
para reflexão e introspeção. Tenho sido testemunha, a nível profissional, de
indivíduos que se re-inventam e adquirem competências que jamais sabiam da sua
existência. A grande maioria das pessoas que é admitido em tratamento, seja em
regime de internamento ou ambulatório, encontra-se descrente, resistente,
assustado porque houve tentativas anteriores que fracassaram e consequências
negativas muito dolorosas, em si próprio, na família, incluindo as crianças, e
na sociedade. Recordo um caso, o Carlos (nome fictício), 40 anos, adicto ao
sexo de longa duração, chegou a tratamento em regime de internamento,
acompanhado pelos pais e irmã. Foi efetuada a admissão do Carlos, entretanto a
família despediu-se dele e foram embora do Centro de Tratamento. Nessa noite,
os restantes pacientes que estavam em tratamento não conseguiram dormir, porque
o Carlos, confrontado com a sua atual realidade, descompensou, a nível
psicológico (ansiedade extrema, ataques de pânico, etc.) foi necessária uma
intervenção médica para o acalmar. Foi possível acalma-lo no momento, mas as
crises e a descompensação psicológica mantiveram-se durante várias semanas. A
adaptação do Carlos a um novo estilo de vida foi muito dolorosa (mudança)
quinta-feira, maio 16, 2024
10 Years of the BRAIN Initiative
quinta-feira, maio 09, 2024
Escuta Ativa para Quebrar o Silêncio
Foto de Betina La Plante
Obrigada pela "persistência" da dica “Arte Bem
Viver” que agora recebi e li.
Chorei, confesso.
Porque aprendi recentemente e constantemente luto para
conseguir ser silêncio...
Passei por quase tudo, perdas, divórcio, doença crónica, acidentes,
ameaças à integridade física e financeira, pessoas alegadamente amigas que não
o eram, alienação parental, desilusão atrás de desilusão e riscos de perda de
esperança, que felizmente inverto porque nasci a reclamar, mas a mirar o
"copo meio cheio". Sou aquela que é “forte”, “supermulher”, se
desenrasca e “adeus”, qual descartável humano, ou desnecessitada de qualquer
ajuda por me encararem como lutadora que tudo ultrapassa sozinha.
Se me perguntam como estou nem posso dizer que bem, nem que
mal, porque as respostas são desastrosas e nada empáticas, encolho então os
ombros, sorrio e digo "um dia de cada vez". Hoje aprendi a sua
expressão: se me perguntarem “como estás”, não direi o habitual, mas "faz
- se por isso".
Um dos meus amigos ensinou-me sem querer, uma expressão que
anotei, "sempre em frente" e "força". Nunca me disse
"pensamento positivo" felizmente, pessoa sábia. Não suporto ou sequer
admito tal expressão, viro costas com uma desculpa, se estão por bem.
Queira - se ou não, há um estigma brutal contra a doença, a
incapacidade física ou limitação mental, por muito que se fale disso... Modas.
Estigma contra os pobres, doentes, idosos, pessoas instituídas, desempregados.
Sou direta. Não adocem pílulas com intenções ou falsa compreensão.
Os meus sonhos … não penso neles, são impossíveis. Sou
demasiado lúcida, citando esta característica dita por alguém que muito
considero há muitos anos, para acreditar na possibilidade real de sonhar... Sou empática e seria bom para a minha saúde
geral, mudar de profissão que tanto amo, para outra que igualmente ame. Ajudar
os outros, porém não tenho habilitação específica para tal, nem condições para
a adquirir, como com tantos outros sonhos que não me pagam as contas ou
resolvem problemas. Sobra a reconversão, de difícil gestão.
quarta-feira, abril 24, 2024
Adicção fonte de mitos, tabus e segredos
É mito? Tabu? Negação? Ou a realidade diz-nos que as crianças
também sofrem, em silêncio, com os comportamentos adictivos?
Vamos indagar e procurar compreender este fenómeno observado no
contexto de tratamento (em regime de internamento ou regime de consultas ambulatórias)
do comportamento adictivos, segundo os pais e seus familiares afirmam: “Os meus
filhos não são afetados pela adicção.”
Há três décadas, com demasiada frequência, escuto pais
adictos com filhos, e familiares, afirmarem, convictamente, que a dependência
de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo o álcool e/ou
comportamentos adictivos (jogo patológico, relações de dependência, adicção ao
sexo, compras, furto nas lojas, adicções cruzadas/comorbilidade) não afetam as
crianças. 1) são muito pequeninas, não têm o mesmo discernimento que os adultos
ou 2) porque não sabendo do problema não sofrem as consequências.
Algumas afirmações mais comuns.
“Os meus filhos são crianças muito pequenas e não se
apercebem do problema da minha dependência.”
“Como pai/mãe jamais faria alguma coisa que prejudique os
meus filhos.”
“As crianças ainda não se aperceberam o que se passa lá em
casa. Apesar das discussões com a família, não consumo drogas em casa.”
“Posso ter um problema de adicção, mas consigo separar da
relação que tenho com os meus filhos, impedido assim que eles sejam
prejudicados.”
“A minha dependência não é assim um problema tão
grave…consigo controlar a situação.”
“Quando discuto com a minha/meu esposa/o sobre o tema é a
dependência não há agressividade e antes levamos as crianças para os seus
quartos. Não queremos que elas estejam presentes.”
Apesar de o ser humano, ignorar a evidência científica, este
fenómeno, sobre a adicção não afeta as crianças, pode ser mais um caso a juntar
a tantos outros?
Na sociedade atual, os exemplos sobre a descrença popular na
investigação científica são numerosos e não é possível descreve-los a todos
neste texto. Estes exemplos que irei expor são suficientes para constatarmos os
factos. Sem mais delongas, vejamos vários casos do conhecimento geral. Segundo
a investigação científica está comprovado que a obesidade representa risco de
doença cardíaca, colesterol elevado, regimes alimentares altamente calóricos, hábitos
sedentários, ausência de exercício físico e seguir uma alimentação saudável. Segundo
a investigação científica está comprovado que a dependência do tabaco
representa um sério risco de cancro nos pulmões. Segundo a investigação científica
está comprovada que a exposição excessiva ao sol está associada a cancro da
pele, no verão as praias estão repletas de pessoas, mesmo no período do dia em
que a temperatura é mais elevada.
quarta-feira, abril 03, 2024
Passagem pela metamorfose para a liberdade de ser
Atualmente,
sabemos que certos circuitos e estruturas neuronais estão associados à adicção,
a dopamina (neurotransmissor) é uma caraterística biológica comum em todas as
dependências e comportamentos adictivos.
Dopamina,
neurotransmissor que despoleta o gatilho (desperta) do desejo, da vontade
associado ao prazer/recompensa é o mesmo que influencia a distorção do
pensamento e do autoengano. A adicção é
uma doença que consegue defraudar o individuo ( e família). Diz, “Não existe
tal coisa…” ou “Existe doença, mas só os outros é que ficam doentes…” ou “Eu
consigo controlar…” Existem uma longa lista de justificações e auto engano
(falsas crenças, rotinas, rituais, tradições), que o individuo, consciente e/ou
inconscientemente, fomentam a incapacidade de diálogo racional consigo próprio
(mente para si mesmo, sem ter a noção que o raciocínio/lógica não corresponde
aos fatos e realidade). Interessante, observar que este processo também é
identificado nas dinâmicas familiares. Nestas situações, se o individuo fosse
sujeito ao poligrafo (detetor de mentiras), as suas afirmações eram
consideradas verdadeiras. No prazer, na recompensa, no alheamento proporcionado
pela adicção, paralelamente, existe um custo, uma divida, “um castigo moral”, “uma
sentença”, um estigma que pode levar anos a desaparecer da vida e da
recuperação do individuo, assim como, da família.
Durante os anos 50 investigadores americanos conduziram uma experiência sobre os mecanismos neurobiológicos associados ao desejo e à motivação. Para surpresa dos investigadores, quando bloquearam a libertação de dopamina em ratos, estes perderam toda a vontade de viver. Passados uns dias os ratos deixaram de beber água e morreram de sede. Quando os investigadores inverteram o processo, os cérebros dos ratos foram inundados de dopamina, ficaram de tal modo desejosos e motivados que se deslocavam ao local onde obtinham a dopamina 80 vezes por hora. Será assim tão diferente nos humanos? O jogador médio de slot machines é capaz de acionar o dispositivo das máquinas barulhentas 600 vezes por hora. A dopamina é libertada não apenas quando se sente prazer, também é libertada quando se antecipa o prazer. Os indivíduos dependentes do jogo, do alcoolismo, drogas, co dependência, sexo apresentam picos elevados de dopamina antes de jogarem, beber bebidas alcoólicas, consumir drogas, ausência de limites na relação (caos/disfuncionalidade), ou desejo intenso/fantasias sobre o sexo. Esta antecipação do desejo e do alheamento é complexa e pode revelar-se extremamente poderosa na personalidade de alguns indivíduos, por exemplos, nos impulsos, nas funções cognitivas, certo e errado (valores morais universais), regular emoções.


















