segunda-feira, maio 18, 2015
«Uma vez não chega e mil não são suficientes»
Olá sou o Raul (nome fictício). Reconheci que tenho um
problema com o sexo quando senti que não conseguia parar. Coloquei o meu
emprego em risco ao desaparecer do trabalho para ir à prostituição ou engate e
de estar dias inteiros no trabalho a obcecar com quem seria o próximo parceiro,
através dos encontros prévios que tinha tido em chats, para fazer sexo. Não
haver limite nas relações que desenvolvia com colegas de trabalho que podiam
levar ao despedimento. Era viciado no flirt,
nos orgasmos sucessivos, na adrenalina de fazer sexo em locais públicos e em
forçar a minha mulher a fazer sexo comigo. Parecia que tinha mais prazer quando
ela não queria. De ter relações sexuais (para não falar nas milhares de vezes
que pratiquei sexo oral) sem preservativo. Actualmente tenho a certeza que o
meu vício me colocou na prateleira na empresa em que trabalho e impediu de
constituir uma família. Entretanto tenho três filhos fruto de uma relação de
codependência com uma mulher. O meu futuro não sei qual vai ser, só sei que não
quero voltar para o inferno em que vivia.
Tenho um problema em criar intimidade nas minhas relações.
Teve a ver com a ausência de afecto na infância que me levou a buscar sexo para
me alienar da minha infelicidade e a usar pessoas na cama como uma droga. E tal
como dizem nas reuniões de Narcóticos Anónimos"1 UMA VEZ NÃO CHEGA E MIL
NÃO SÃO SUFICIENTES ". Sou bissexual, todas as semanas dizia para mim
mesmo que ia parar de agir nos comportamentos compulsivos, mas acabava por ter
inúmeros parceiros sexuais. Apanhei algumas doenças venéreas, de fácil
tratamento, mas foi mera sorte não ter apanhado VIH, SIDA ou Hepatite C.
A pornografia é também um vício que serve de
"trampolim" para a compulsão. Através da pornografia é possível uma
ligação a um mundo virtual, sem medo de doenças, fantasiando com todos os
corpos que a minha cabeça pede. Ao longo dos anos tirou-me a capacidade de
desfrutar dos engates, passei a comparar os corpos dos actores no ecrã/monitor
com os que encontrava na vida real. Desenvolvi um mecanismo, idêntico ao
caçador durante a caça, onde busco uma “presa” entre as pessoas que se cruzam
na rua comigo para um possível engate. Essa caça, mais do que o sexo em si,
constituía um factor principal do vício.
Quando cheguei ao programa do Adictos ao Amor e Sexo Anónimos (AASA)2 achava que era somente
viciado em sexo, mas descobri que muitas das relações heterossexuais mais estáveis
que tinha tido eram típicas de um viciado em amor. Começo por fantasiar,
achando que essa pessoa me vai curar, para depois, rapidamente a perseguir
pelos defeitos que encontro nela. Ao longo destes cinco anos que estou em AASA
apercebo-me que tenho medo de desenvolver relacionamentos de intimidade por
falta de auto estima . As pessoas, com
as quais mantenho uma relação, coloco-as num pedestal ou são lixo. Quando os
meus relacionamentos hetero fraquejam rapidamente recorro as fugas sexuais para
apagar a dor. Foi falando com os meus companheiros de luta nas reuniões de 12
passos que fui entrando no espirito da «HONESTIDADE, BOA VONTADE E MENTE ABERTA»
meditando sobre situações da minha vida que me causavam dor. Muitas situações
ficaram aliviadas, pois dei-me conta que não estava a ter honestidade, nem boa
vontade , nem mente aberta. Detestei o meu “padrinho” quando me dizia isso, mas
pouco a pouco fui-me libertando das camadas de desonestidade. É como descascar
uma cebola (com muitas camadas).
segunda-feira, abril 27, 2015
Nação resiliente no facebook
Publicação reditada do Facebook de novembro de 2014
Alguns de nós passam uma parte muito significativa das suas
vidas, ansiosos a afirmar: "Nunca tenho tempo para nada e nunca consigo
gerir bem o tempo. Ando sempre numa correria..."
Sabia que os níveis elevados de ansiedade contribuem para a
diminuição drástica da capacidade de raciocínio e da memória? Afecta as funções
basicas, por exemplo, a memoria de curto prazo e processamento da informação simples e
a mais complexa. Interfere na capacidade de diferenciar entre as tarefas
importantes e as irrelevantes. Quando estamos ansiosos é tudo urgente...
Dependemos do tempo a fim de conseguirmos gerir as nossas competências e prioridades; urgentes e importantes.
1) O que é urgente?
2) O que é importante?
3) Ou será tudo urgente devido aos níveis elevados de ansiedade, de preocupação e incapacidade em dizer não devido aos sentimentos de culpa?
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
segunda-feira, abril 27, 2015
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ansiedade,
assertividade,
atitudes,
competências,
comunicação,
controlo,
dor,
stress
sexta-feira, março 20, 2015
Dia Internacional da Felicidade
20 de março de 2015 – Dia Internacional da Felicidade
A felicidade não está reservada somente para algumas pessoas.
É um direito e uma responsabilidade individual que cada um de nós deve zelar no
seu dia-a-dia.
Alguns dados sobre a
natureza da felicidade
- Os resultados de um estudo revelam que a felicidade depende não apenas de quão bem estão as coisas, mas sobretudo se estão melhor do que o esperado.
Este estudo reforça a necessidade de cada um de nós possuir
um propósito no rumo da vida. Algo, maior que o nosso egocentrismo, que
dedicamos uma parte substancial do talento, que sejamos persistentes e que
consigamos assumir um compromisso honesto e abnegado.
- De acordo com um estudo sobre a felicidade, será mais saudável haver uma multiplicidade de sentimentos (positivos e negativos) do que somente sentimentos positivos ou sentimentos negativos isoladamente.
É Ok sentir. Não existem sentimentos “bons” ou “maus”, “certo”
ou “errado”. É Ok expressar os sentimentos e compreender a informação/mensagem
anexa a fim de desenvolvermos a literacia emocional/espiritual. Este estudo apela ao equilíbrio; a alegria
faz mais sentido, após períodos de tristeza. Sem desafios ou adversários não
existe êxito. A gratidão e a empatia são uns excelentes lubrificantes dos vínculos
nos relacionamentos de intimidade, principalmente, após períodos adversos,
conflituosos e conturbados. Sentir é uma manifestação indissociável à condição
humana e à expressão do self.
As pessoas mais felizes gostam de pessoas. Partilhe a sua
felicidade e explore o seu mundo interior.
Ser feliz não é ser perfeito; é ser autêntico. Hoje e
sempre, seja o mais feliz possível.
sexta-feira, março 13, 2015
Recuperação da adicção; podemos optar pela esperança.
O evidente estava mesmo à minha frente. Os meus olhos viam,
o meu coração negava, era demasiado duro, demasiado vergonhoso e humilhante. Eu
esforçara-me tanto para uma boa educação e instrução.Tinha posto regras durante
o crescimento... e depois o meu marido sempre a ameaçar que os punha na rua,
mas porquê? O que é que eles têm?! Nenhum de nós se atrevia a pronunciar sequer
a palavra, delinquentes. Os nossos filhos eram a escória da sociedade, o mundo
caiu em cima dos meus ombros, a dor foi tão forte, tão forte que jamais a
esquecerei. Começou então a corrida desenfreada aos médicos, medicamentos,
desregras, ameaças, perdões, escassos sucessos e maiores afundamentos. As horas
passadas à janela e o alívio ao vê-los ao fundo da rua, vivos e logo de seguida
a raiva a desilusão das promessas não cumpridas e o medo o medo de tudo o que
poderia acontecer.
Lembro-me que pedi ferverosamente ajuda a Deus. Já não sei
eu não quero… que eles morram… só Tu me podes ajudar e... no dia seguinte
encontrei Famílias Anónimas (FA)[i].
Não foi fácil, ainda não o é, mas encontrei identificação nas partilhas de quem
como eu amava e sofria. Também aprendi que a delinquência não era mais que a
doença da adição a drogas e álcool. Afinal não eram escória eram doentes, uma
doença que os poderia levar ao hospital, à cadeia e o pior, que eu nem queria
pensar, a uma cova sem regresso. Uma doença que só eles poderiam travar, e que
eu que tantos os amava teria de aprender a amá-los melhor. Aprendi a viver um
dia de cada vez, às vezes uma hora ou uns minutos, a viver e deixar viver, a
não controlar e manipular. Eu era ainda mais manipuladora que os meus entes
queridos, a dar-lhes a dignidade de sofrerem ou exultarem com as suas decisões,
foi tão difícil, mas eu tinha o telefone e do outro lado sempre uma voz amiga
para falar.
Já lá vão algumas 24 horas, mas para mim faz parte da
recuperação. Eu sinto, será um trabalho de eu com o meu eu, até ao fim. Foi
através deste programa de 12 passos[ii],
que eles acabaram por encontrar o caminho da recuperação e eu encontrei o
milagre da união da família, do sorriso, da felicidade que pensei nunca mais
voltar a ter.
Gratidão sem limites é o sentimento que nutro por FA.
Um abraço
Suzete
[i] As Famílias
Anónimas são um grupo de ajuda mútua que utilizam o conceito dos 12 Passos na recuperação
dos relacionamentos dependentes. Estes grupos, são oriundos dos EUA (primeiro
grupo fundado no final dos anos 50 ), existem em Portugal desde meados dos anos 80. Estes
grupos, de homens e mulheres, São considerados uma referência internacional na
recuperação (novos estilos de vida) da adicção.
[ii] 12 Passos
são a filosofia que sustenta o programa de recuperação individual, de doze
etapas, através dos grupos de ajuda mútua (ex. Alcoólicos Anónimos, Narcóticos
Anónimos, Família Anónimos, etc.).
Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.
Comentário: Bem haja à Suzete pela sua participação no blogue através da sua experiencia, honestidade e recuperação. A adicção afecta significativamente as dinâmicas familiares através do ressentimento, da vergonha, da raiva, sentimento de culpa e do medo, todos são afectados, incluindo as crianças. Nesse sentido, é importante quebrar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Recuperar é que está a dar.
sexta-feira, janeiro 30, 2015
Ernest Kurtz
1935 - 2015
No dia 19 de Janeiro de 2015 faleceu o conceituado e ilustre Dr. Ernest
Kurtz vítima de cancro no pâncreas.
O Dr. Kurtz estudou Historia da
Civilização Americana em Harvard (1978) e enquanto tirava o seu doutoramento em
Harvard, foi o primeiro investigador a quem foi concedido total acesso aos
registos dos Alcoólicos Anónimos onde mais tarde escreveu um livro. Foi
ordenado padre, na Igreja Católica Romana, em 1961 onde exerceu até 1979. No inicio dos anos 80, iniciou a carreira docente na Universidade da Geórgia. Foi também director de
uma instituição de tratamento, para indivíduos dependentes de álcool e drogas,
designada Guest House, onde outrora tinha estado internado e começado a sua
recuperação do alcoolismo.
Participou também como investigador no Departamento de
Psiquiatria da Universidade de Michigan e no Center for Self-Help Research.
Entre 1978 e 1999, colaborou na Universidade de Rutgers (Summer School of
Alcohol Studies) e entre 1987 e 1997, como palestrante na Universidade de
Chicago.
O Dr. Kurtz dedicou uma parte significativa da sua vida
profissional a investigar a adicção e a recuperação, com especial ênfase, a
influência da espiritualidade na recuperação. Era também alcoólico em
recuperação desde meados da década de 70.
Foi autor e co autor de vários livros
- “Not God; A History of Alcoholics Anonymous”, 1979
- “Vergonha e Culpa”, 2007
- Foi também co autor com Katy Ketcham dos livros: “The Spiritual Imperfection”, 1997 e “ Experiencing Spirituality”, 2004
"Historia e imperfeição são os meus temas
predilectos; não necessariamente nesta
ordem" Ernest Kurtz, 1996
Aproveito a oportunidade para prestar homenagem a tão distinta
figura. Morreu o homem; mas a sua herança irá permanecer intacta para a
eternidade. Ernest Krutz será sempre uma referência para todos aqueles que
trabalham na luta contra o estigma, a negação e a vergonha associados aos
comportamentos adictivos em prol da recuperação do individuo, da família e da
sociedade. Os meus pêsames à sua família. Recuperar É Que Está A Dar.
quarta-feira, janeiro 28, 2015
3 Factos importantes sobre os sentimentos
Gestão dos sentimentos e o auto conhecimento: É Ok sentir, é
sinonimo de estarmos saudáveis e vivos.
De acordo com determinados paradigmas disfuncionais somos
educados a: 1. “Manter a cabeça fria”, 2. “Manter as emoções ao largo”, 3. “Não
deixar que as paixões interfiram na logica” 4. A negar e/ou reprimir o medo, a
vergonha e a raiva 5. A valorizar as aparências em detrimento do Eu genuíno.
Como resultado, concebemos os sentimentos como uma faculdade mental excessiva,
imatura e "lamecha" um parceiro do pensamento racional que é
dispensável e imposta. Se o sentimento é doloroso sofremos com ele como um
intruso indesejado.
Não rotule os sentimentos de “bons” ou “maus”, “certo” ou
“errado”. Valorize todos os seus sentimentos, quer sejam de felicidade e
contentamento ou dolorosos e tristeza. É através dos sentimentos que tomamos
decisões, que buscamos a motivação para superar a adversidade, que damos azo à
criatividade, que intuímos sobre determinada situação importante, que nos
aproximamos ou afastamos de pessoas (encontros e desencontros), que valorizamos
as nossas necessidades.
Aprenda a discernir e a interpreta-los através da componente
cognitiva e assim desenvolver a sua literacia emocional.
Dica:
- O que é que me provocou este sentimento?
- O que é que eu penso em relação a _____________ . (incidente associado ao sentimento)?
- Qual é o significado do sentimento?
Partilhe os seus sentimentos com pessoas de confiança e
disponíveis para ouvir. Se deseja explorar os sentimentos, procure feedback
crítico. Recuperar é que está a dar.
segunda-feira, janeiro 26, 2015
"O meu nome é..."
Amavelmente, a Editorial Bizâncio enviou-me o livro "O
meu nome é..." de Alastair Campbell (alcoólico em recuperação). Aproveito
para sugerir a sua sua leitura às pessoas interessadas sobre o tema do alcoolismo.
De
acordo com a minha experiência profissional de duas décadas, o álcool é a droga
mais perigosa: afecta o individuo, a sua família, incluindo as crianças, e a
sociedade. Algumas tradições culturais disfuncionais promovem e reforçam o
consumo e o abuso do álcool. Paradoxalmente, as mesmas tradições disfuncionais que reforçam o estigma, a negação e a vergonha associado ao alcoolismo.
Saiba mais em Editorial Bizâncio
segunda-feira, janeiro 19, 2015
10ª Dica Arte Bem-Viver de 29/05/11
O poder do Silêncio
Desde cedo, não somos ensinados a interpretar o silêncio e a
tirar proveito dele de uma maneira construtiva. Por vezes, o silêncio revela a
verdade dentro de nós, principalmente se estabelecermos uma relação saudável e
honesta com o eu interior.
Faça esta pergunta a si próprio.
Como é que me sinto no aqui-e-agora?
Através do poder do silêncio conseguimos identificar a nossa
consciência, a intuição, atingir a introspecção e o poder da reflexão
construtiva. Celebramos os nossos sucessos e/ou sentimos as nossas frustrações e
angustias (dor) almejando um equilíbrio emocional.
Precisamos do silêncio para repor a ordem e o equilíbrio
depois de momentos de adversidade. Estabelecemos vínculos e conexões com as
outras pessoas à nossa volta de forma a não nos sentirmos sós e isolados do
mundo (solidão). Através do silêncio podemos reflectir sobre a importância
destes vínculos e conexões.
Utilizar o poder do silêncio para reflectir e inspirar-me
sobre o dia de Hoje.
Votos de uma semana repleta de desafios, surpresas e conquistas.
Comentário: Sabia
que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira", em Abril
de 2011, para os amigos? Atualmente é enviada para mais de 700 pessoas de
vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e
para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 200ª
publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um
email para joaoalexx@sapo.pt. No
assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são
confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.
sábado, dezembro 20, 2014
Estrutura do cérebro associada à recompensa/prazer e a adicção
O abuso de drogas, substâncias psicoactivas, do Sistema Nervoso Central, lícitas e/ou ilícitas podem comprometer o funcionamento normal do cérebro (estruturas cérebro responsáveis pela recompensa/prazer) contribuindo assim para a adicção/dependência.
Alguns sintomas:
- Síndrome da abstinência, vulgo ressaca.
- Tolerância à substancia psicoactiva, aumenta a frequência, a dose e o consumo (abuso), vulgo prazer imediato e oscilação dos sentimentos.
- Continuar a usar drogas apesar das consequências negativas, vulgo perda do controlo.
- De acordo com recentes estudos, as mesmas estruturas cerebrais associadas à recompensa/prazer também estão relacionadas com outros comportamentos adictivos, tais como o sexo, o jogo, as compras, os relacionamentos e o distúrbio alimentar.
Veja o video
quarta-feira, dezembro 10, 2014
Devemos viver no presente ou precisamos de contemplar o passado?
Gestão da dor e do conflito: Devemos viver no presente ou
precisamos de contemplar o passado?
Durante os momentos mais atribulados do devir, optar por
viver no momento presente, pode revelar-se uma excelente escolha. Reduz e
atenua a intensidade dos pensamentos bizarros e o estado de alerta excessivo
(medo); lixo toxico e inútil.
Diante a adversidade, da dor, do conflito, da impotência,
quando tudo o resto falha, após múltiplas tentativas sem sucesso para encontrar
a solução ou o alívio imediato, resta-nos concentrar todas as nossas
competências cognitivas, emocionais e espirituais no momento presente –
aqui-e-agora.
Viver no presente não significa ignorar os problemas, ser
irresponsável ou revelar falta de determinação. Significa perspectivar, seleccionar e optar pelos pensamentos construtivos aumentando assim o leque de escolhas viáveis e positivas.
Estamos a
cismar sobre aquilo que devíamos ou tínhamos ter feito? Com que frequência você
utiliza as palavras; 1. devia ou 2. tinha, sem que obtenha um resultado
esclarecedor ou apaziguador sobre o problema? Isto é, você utiliza o devia e o tinha somente para se punir ou castigar? Se a resposta é sim, opte
concentrar o pensamento no aqui-e-agora.
Se você está a atravessar uma fase dolorosa da sua vida e após sucessivas tentativas para modificar a situação falharem, quando não restarem mais opções,
especular sobre o passado ou futuro é uma perda de tempo e energia. Opte por
viver um dia de cada vez, aqui-e-agora.
sexta-feira, novembro 28, 2014
Sou mãe de um adicto
“Sou a mãe de um adicto*” por dfdwilkins
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um
filho com cancro, diabetes ou VIH.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um
filho que serve o seu país no estrangeiro com honra.
Ser mãe de um adicto não é a mesma coisa que ser mãe de um
filho que já não vive em casa, é chorado e lembrado todos os dias, pelos seus entes
queridos.
Sou a mãe de um adicto
Não existem maratonas, campanhas de angariação de fundos ou
campanhas de sensibilização com pessoas bonitas e famosas sobre os efeitos trágicos
desta doença
Não existem bandeiras hasteadas ou pulseiras coloridas que
sirvam para reconhecer, orgulhosamente, as acções do meu filho
Só existem lágrimas, gritos silenciosos e angustia quando
alguém bater à porta ou através de uma chamada telefónica com uma notícia trágica
de algo que possa ter acontecido ao meu filho
Sou a mãe de um adicto
Vejo o meu filho todos os dias, mas não estou feliz, embora ache,
com um certa dose de alívio, que a melhor maneira de o ajudar, não é querer
controlar, pelo contrário, é deixar que ele tenha a sua própria vida e aprenda
com as consequências das suas decisões
Quando oiço aquilo que ele diz, antecipo com medo e
preocupação o futuro do meu filho, apesar de tudo, ainda tenho uma réstia de esperança
Quando olho para o meu filho, questiono-me se algum dia irei
voltar a ter uma relação de confiança com ele, abraça-lo ou em último caso, se
irei voltar a vê-lo outra vez
sexta-feira, outubro 24, 2014
O poder da palavra.
"Bom dia Caro João Alexandre!
Chamo-me Maria José, tenho 40 anos, sou alcoólica (adicta) e
estou em recuperação há 13 meses após internamento de 5 semanas e frequento as
salas de Alcoólicos Anónimos (1) (AA).
A regra do silêncio reinou entre o meu ex. marido e eu
durante todos os anos do meu consumo - quase 20 - e estendeu-se ao início da
minha recuperação.
Foi sempre um acordo mútuo entre os dois. Eu acreditava que
era uma componente do amor e um factor de protecção. Portanto, acreditava que
era algo de positivo entre nós. Sentia muita gratidão pelo meu marido manter
este segredo.
Conseguíamos, mais ou menos, esconder os meus consumos. Nos
últimos anos, passei a beber de forma solitária, nunca ficava bêbeda, era
discreta nas compras. O meu marido jurava que ninguém sabia, a preocupação era
a família dele que desde a nossa falência nos ajudava financeiramente, assim
como também se ocupava da nossa filha, de tenra idade, nenhum de nós
trabalhava.
Oficialmente, eu estava doente e dependente das
benzodiazepinas (2), que também era verdade. Por dia, tomava duas boas dezenas de
comprimidos juntamente com o álcool. Não para me "drogar" ou me sentir
"bem", nunca senti esse efeito. Fazia-o para me acalmar, buscava o efeito
terapêutico, que não sentia, tal era a tolerância que já lhes tinha ganho. Na
realidade, não podia passar sem elas.
sexta-feira, outubro 17, 2014
sábado, setembro 13, 2014
Recuperar faz parte da herança familiar
Provavelmente a maioria dos portugueses, conhece o ilustre
actor norte-americano de Hollywood, Robert Downey Jr. (49 anos), vulgarmente
conhecido, na sociedade americana, como o “Homem de Ferro” pela sua
participação no filme da Marvel Comics,
com o mesmo nome. Segundo a revista americana Vanity Fair é o actor mais bem pago do mundo. Começou a sua
carreira muito cedo no cinema, aos seis anos de idade já participava nos filmes
do seu pai, Robert Downey Sr. Desde essa altura a sua carreira tem sido
recheada de prémios (Globos de Ouro entre outros) e sucessos, inclusivamente,
creio ter sido nomeado, por duas vezes, para os Óscares pela sua interpretação
nos filmes “Chaplin” e “Tempestade
Tropical”.
Paralelamente, aos seus sucessos, uma parte da sua vida tem
sido afectada pela dependência de drogas e as inevitáveis consequências
negativas, tais como, problemas com a família, incluindo as crianças, problemas
com a justiça e profissionais. Ao longo da sua vida o actor, desde os 18 anos, fez
varias tentativas para se tratar, contudo sem sucesso, finalmente desde 2002
encontra-se em recuperação da adicção às drogas.
quarta-feira, agosto 27, 2014
REEL Recovery Highlight Reel 2013
Recuperar É Que Está A Dar. Apesar da complexidade da doença da adicção é possível recuperar.Se identifica um problema na sua vida, relacionado com drogas lícitas (alcool ou benzodiazepinas) ou ilícitas, você não está sozinho/a.
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
quarta-feira, agosto 27, 2014
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12 Passos para recuperação,
abstinência,
adicção,
adicção cruzada,
alcoolismo,
intervenção,
pessoas especiais,
prevenção da recaída,
recuperação,
tratamento,
vozes
sexta-feira, agosto 15, 2014
Robin Williams- Homenagem ao actor e ao homem que lutou contra a adicção.
Algumas frases famosas do actor
- A cocaína é a forma de Deus nos dizer que estamos a ganhar demasiado dinheiro.”
- Pensava que a pior coisa era acabar sozinho. Não é. É acabar junto de pessoas que te fazem sentir só.”
- “Não importa o que as pessoas te dizem, palavras e ideias podem mudar o mundo.”
- Nunca lute com uma pessoa feia, pois ela não tem nada a perder.”
- “Só tens direito a uma pequena dose de loucura, não deves desperdiçá-la.”
- “Deus deu aos homens um pénis e um cérebro, mas infelizmente não lhes deu a capacidade de utilizar os dois ao mesmo tempo.”
- “Sabe qual é a diferença entre um tornado e um divórcio? Nenhuma, em ambos os casos alguém está perdendo a casa.”
Soube da sua morte na passada segunda-feira. Fiquei em choque, sem palavras, e com imensas questões na minha cabeça, para as quais, ao longo da semana, procurei as respostas. Porquê? Como é possível?
O suicido é uma realidade cruel. Somos seres complexos e multitalentosos, quer na busca da realização pessoal, como na busca de soluções imediatas e irracionais para a dor, o sofrimento, o desespero e a solidão. É um paradoxo com o qual precisamos de viver, e por ultimo aceitar, o melhor possível.
Como não podia deixar de ser, e apesar de tanto se ter falado e escrito durante esta semana, tenho que prestar homenagem ao actor e ao homem que lutou, com todas as suas forças, contra a doença mental e a adicção e acabou por falecer de uma forma abrupta. Como adepto do cinema que sou, desde muito cedo, Robin Williams, foi dos actores que mais ajudou a compreender e a identificar, através dos seus mais variados papeis, a importância da sensibilidade, do sentido da humanidade, do sentido de humor, da paixão, do altruísmo, do sonho e da alegria, da irreverência contra o preconceito e o estereótipo, da coragem, etc. Os adjectivos que classificam este artista não têm fim, era uma força da natureza genial, tal como a grande maioria dos adictos que conheço. Por varias ocasiões, Robin veio publicamente, assumir a sua dependência de substâncias psicoactivas, vulgo drogas, (cocaína e alcoolismo) e reafirmar a esperança na recuperação, contra o estigma, a negação e a vergonha. Robin era actor, um marido, um pai e um membro activo da sociedade prestando apoio em várias causas sociais.
Para terminar a minha homenagem, gostaria de reforçar que é um mito considerarmos que o suicídio é um acto de coragem. Não tem nada a ver com coragem. É um acto de alguém que está angustiado, só e desesperado, e naquele momento de sofrimento intenso, mas efémero, contempla o suicídio, como a solução definitiva para o desespero. Ironicamente, o seu último filme, com o título “Aproveita a vida” é sobre um homem decepcionado. O homem morre, mas a sua genialidade, permanecerá presente, na memória colectiva, para a eternidade. Os adictos são pessoas, de extremos, ora apaixonadas ora decepcionadas, porque procuram viver intensamente, por vezes, demasiadamente; é tudo muito.
RIP, Robin ( 1951-2014). As minhas condolências para a família que irá viver com esta tragedia, contra a sua vontade, para o resto das suas vidas.
sexta-feira, agosto 08, 2014
Nação resiliente no facebook 2014
Passatempo no Facebook sobre a gratidão. Pedi aos seguidores da plataforma para completarem a seguinte afirmação: - Estou grato/a por… e enviar uma
mensagem a fim de o seu conteúdo ser publicado aqui no blogue.
Faça uma lista de 5 coisas pelas quais está grato/a.
Eis as respostas:
- Silvia Rivera
Estou grata por estar viva!
- Renata Ramos
1-Grata por estar viva. 2- Grata por minha filha. 3- Grata
por manter-me abstinente de drogas e poder enxergar tudo melhor. 4- Grata por
minha família. 5- Grata por ter o conhecimento do funcionamento da vida, do
universo e poder ter o cuidado com cada pensamento. Bem-haja!
- Iris Maria
1-Por ter FÉ 2- Por
estar viva. 3- Por apoiar meu filho quando muitos viraram as costas. 4- Pelo
seu Blogue esclarecedor e verdadeiro. 5- Por estar aprendendo a AGIR.
- Suzete Pereira
Grata por ter encontrado FA e por ter podido trabalhar os
passos, por ter aprendido a viver o agora, por ter aprendido a ter uma fé
saudável, por tentar amar incondicionalmente (e muitas outras).
- Mafalda Mimoso
Eu estou grata por 1. Ser resiliente 2. Amor e ajuda dos
familiares e amigos 3. Viver rodeada pela Natureza 4. Evoluir em termos
interiores 5. Ser optimista.
- Maria Aparecida Nunes
Estar viva!
- Cristina Moreno Neca
Por tudo.... inclusive os problemas q me serviram de
"lição."
- José António Reis Ferreira
Finalmente me amar!
- Ana Gomes
Estar livre do que me aprisionava há três anos atrás.
- Fátima Silva Hoffmeister
Sou grata a Deus pelo dom da vida, por ter aprendido a ser
grata, por rever alguns conceitos pré- estabelecido (falsa crença), Pelas
pedras no caminho, retira-las é minha responsabilidade, e a responsabilidade
leva ao crescimento!
- Genoveva Costa
Educar o meu filho de forma não ser co- dependente.
- Evelise Fonseca
Vida, saúde, amor-próprio, família, conciliação.
- Emília Machado
Ser mulher, mãe, filha, livre, amada, sobrevivente, viva! e
SER feliz!!
- Cristina Moreno Neca
Estar viva, ter Filhos, ter Amigos, ser saudável, ter
trabalho.
- Patrícia Bento
Ser mãe; Vontade de viver; família; amor; saúde ainda q com
pequenos problemas; e mais algumas.
- António Rodrigues
A: Deus, N.A., Amigos, Família e a tudo o que sou!
- Maria Aparecida Nunes
Estou grata por estar viva, por ter um trabalho, conseguir separar
e ficar livre da dependência emocional, saber que sou uma pessoa melhor, ter um
relacionamento melhor com meus filhos após a separação!
- Emília Machado
Sou grata por sobreviver ao meu uso, a ser uma pessoa
melhor, ser mulher, mãe, amiga, esposa, família, amada, muito grata por ter
outro modo de vida, e ser muito feliz!
Bem hajam pela participação. Recuperar é que está a dar.
Bem hajam pela participação. Recuperar é que está a dar.
quarta-feira, julho 30, 2014
Ao contrario do que se pensa, é possível recuperar da adicção
Suicídio: um acto silencioso e isolado fundamentado em
sentimentos temporários e dolorosos.
Acompanhei inúmeras pessoas que durante uma fase atribulada
e dolorosa das suas vidas, afectadas pela adicção activa, contemplaram o
suicídio. A adicção é uma doença que na sua génese gera imenso sofrimento, isolamento
e que precisa de ser tratada; não é uma questão moral ou fraqueza, mas um
problema de saúde, tal como muitos outros. Após ultrapassarem essa
fase adversa, essas são pessoas, hoje, não menosprezam as lições do devir. A
maioria de nós, nos momentos atribulados de dor intensa, questiona a existência
angustiada e atormentada, mas depois de transpor estes sentimentos dolorosos,
ficamos mais lúcidos e conscientes das nossas limitações. Apesar de precisarmos
de aprender a viver com a dor, podemos e conseguimos mitigar o sofrimento e o
isolamento. Como bem sabemos, e por vezes ignoramos, o ego inflamado pode
conduzir-nos às nuvens, mas quando fica dorido, também pode arrastar-nos para a
escuridão.
É um mito considerarmos que o suicídio é um "acto de
cobardia ou de coragem". A fim de esclarecer melhor esta questão, podemos
fazer esta analogia; decidir matar outra pessoa só por não gostarmos dela nunca
será considerado um acto de coragem ou cobardia. Podemos aplicar a mesma logica
ao suicídio; fazer mal a nós mesmo, quando nos sentimentos angustiados e deprimidos,
também nunca será um acto de cobardia ou coragem. Qualquer pessoa que pense no
suicídio estará naquele período de tempo, a viver uma vida atormentada e em
sofrimento atroz. Para todos os efeitos, está doente e debilitada. Como é que
gerimos os nossos sentimentos quando nos sentimos impotentes perante a angústia
e o tormento? Quando sentimos que estamos sós e rejeitados?
“Não tome decisões permanentes, sobre sentimentos
temporários.”
Saiba mais sobre a dor e o suicídio. SOS Voz Amiga Você não está sozinho/a
Dr William D. Silkworth
Dr. William Duncan Silkworth (1873-1951)
"Especializei-me no tratamento do alcoolismo durante muitos anos.
No inicio dos anos 30, tratei um paciente que, apesar de ter sido um homem de negócios competente, com muita capacidade para ganhar dinheiro, era um alcoólico de um tipo que eu tinha chegado a considerar irrecuperável.
Durante o seu terceiro tratamento adquiriu determinadas ideias sobre um possível programa de recuperação. Como parte da sua reabilitação, começou a dar a conhecer os conceitos do seu programa de recuperação a outros alcoólicos, incutindo neles a necessidade de fazer o mesmo com os outros. Este conceito veio a tornar-se a base de uma associação formada por alcoólicos em recuperação e pelas suas famílias em rápido crescimento. Tudo leva a crer que este homem e mais uma centena se recuperaram .
Pessoalmente, conheço também um numero de casos idênticos em que outras abordagens diferentes falharam por completo.
Estes factos parecem ter a maior importância médica, e devido às extraordinárias possibilidades de rápido crescimento inerentes a este grupo, eles podem vir a assinalar uma nova abordagem nos anais do tratamento do alcoolismo. É bem possível que estes homens tenham um solução para milhares de casos de pessoas com problemas com o álcool.
Pode confiar-se inteiramente em tudo aquilo que partilhem a respeito de si próprios.
Atenciosamente,
William D. Silworth"
Comentário: No passado dia 27 de Julho de 2014 celebrou-se setenta e seis anos (76) após a publicação da carta do Dr. Silkworth. Podemos constatar que a sua visão sobre "(...) estes homens..." veio revelar-se uma realidade inquestionável, não só nos EUA, mas em todo o mundo, incluindo Portugal. Faço votos que mais profissionais da saúde, em Portugal, possam também ter uma visão semelhante sobre o tratamento do alcoolismo visto ainda existirem imenso mitos e falsos preconceitos sobre o programa de recuperação dos Alcoólicos Anónimos. RIP, Dr Silkworth.
terça-feira, julho 15, 2014
sexta-feira, julho 11, 2014
Desafio ou estorvo
Considera que precisa de mudar algo na sua vida? Você está
numa fase de ambivalência? Se a resposta a estas duas questões é sim, este post é para si.
Alguns factores servem para desmotivar:
- Definir objectivos ambíguos e irreais.
- Focar a atenção somente em problemas insolúveis.
- Cismar pela negativa - andar sempre a queixar-se daquilo que não pode, não consegue e não resulta.
- Falta de reconhecimento, ambição e não participar no processo de mudança com acções construtivas – agente de mudança.
- Comparar e justificar o infortúnio com o sucesso dos outros.
- Relacionar-se com pessoas, que afirmam "Não vais conseguir" ou “Não vale a pena tentares, porque não vais ser és capaz.”
- Ansiedade extrema e projectar no futuro as desilusões e falhanços do passado como se fosse uma profecia; acreditar que vão voltar a acontecer. Consequentemente iremos ficar paralisados e incapazes de criar novas alternativas.
Assuma inteira responsabilidade pelos seus sentimentos e
comportamentos. Cabe a nós decidir o rumo das nossas acções, de acordo com os
sentimentos que estamos a sentir em determinada altura e em alinhamento com as
nossas convicções. Quando conseguimos reunir a motivação necessária conseguimos
feitos extraordinários e fora do comum.
1. Escreva uma lista das vantagens e das desvantagens na mudança.
2. Escreva uma lista das opções e dos recursos que dispõe a fim
de reforçar as competências necessárias.
3. Escreva uma lista de pessoas que o/a apoiam na mudança.
4. Os seus objectivos precisam de ser específicos, realistas, auto motivacionais, medíveis no tempo, atingíveis e de fácil compreensão.
“ O desejo de fazer alguma coisa porque se considera essa
coisa profundamente satisfatória e pessoalmente desafiadora é o que inspira os níveis
mais elevados de criatividade, quer nas artes, quer nas ciências ou nos
negócios.
Teresa Amabile, Professora da Universidade de Harvard
sábado, julho 05, 2014
Filhos de pais alcoolicos
Este texto, enviado pela Renata, veio no seguimento de
uma publicação no Facebook onde solicitei o envio de experiências de adultos,
que tenham tido pais com problemas de álcool e/ou drogas ilícitas. Eis o relato
da Renata.
“Tenho um pai e uma irmã que bebem todos os fins de semana,
e às vezes, no meio da semana. Vivem dizendo que é normal, e que, como todos
fazem , que mal tem ? Mas percebo a incoerência nas atitudes, no modo de vida
maquiado como normal, porém completamente fora do contexto. Percebo atitudes
completamente diferentes do "viver em conjunto" o álcool ou a adicção
retirou deles o pé do chão, como se estivessem literalmente voando ou como se
vivessem em outro mundo sendo o convívio muito difícil dado ao fato que podemos
ser diferentes mas precisamos concordar em conectar.
Não há dessas pessoas o menor interesse em saber sobre isso
ou parar esse processo...sou adicta e “limpa” e esses familiares precisam de
ajuda mas talvez a única maneira de ajudá-los seja ficando bem longe!
João, acabo de expor-lhe minha realidade e tem a ver com o post sobre familiares adictos!
Obrigada”
Renata Ramos
Nota: Todos os
dados foram preservados com a devida autorização da autora. Contra o
estigma, a negação e a vergonha. Bem-haja Renata.
Comentário: Tal
como a Renata refere, a estrutura familiar aparenta estar afectada pelo álcool.
Segundo alguns estudos, nos EUA, referem:
- Os filhos de pais alcoólicos estão mais vulneráveis ao risco de desenvolverem problemas com substâncias psicoactivas – abuso e dependência.
- Os pais que apresentam problemas com álcool e/ou outras drogas podem influenciar os comportamentos dos seus filhos. O consumo e o abuso de drogas, incluindo o álcool, podem ser considerados permissivos entre a família, incluindo as crianças.
- As famílias afectadas pelo álcool e/ou outras drogas estão mais propensas ao conflito, comparativamente, aquelas famílias que não estão expostas ao problema do álcool e/ou drogas. Os problemas na família giram em torno do consumo e do abuso de substâncias psicoactivas.
- O ambiente familiar disfuncional, relacionado com o álcool e/ou outras drogas, propicia a negligencia das crianças e a falta de comunicação entre os seus membros; referências parentais, os papéis na estrutura e dinâmica da família e a gestão de conflitos.
- Alguns problemas identificados nas famílias com problemas de álcool e/ou outras drogas: Tendência para o incremento do conflito familiar, violência física e emocional, redução da coesão e da organização familiar, stress e isolamento, problemas de saúde e no trabalho, problemas/conflitos conjugais e financeiros, mudanças drásticas na estrutura familiar, incluindo as crianças.
O seu pai e/ou mãe tem um problema com álcool? Ou drogas?
Caso você seja filho/a de pais alcoólicos ou dependentes de drogas ilícitas
escreva um pequeno texto sobre a sua experiência a fim de ser publicada no meu
blogue. Pela minha experiência profissional de duas décadas e apesar de não
existir estudos sobre este tema, existem em Portugal centenas, de filhos de
pais alcoólicos ou dependentes de drogas, hoje adultos, que ainda sofrem em
silêncio o trauma, o estigma e a vergonha. Recuperar É Que Está A Dar
Importante: Todos
os dados são confidenciais. Sigilo total
quinta-feira, junho 26, 2014
quarta-feira, junho 18, 2014
Somos mais parecidos uns com os outros do que aquilo que imaginamos
Todos nós temos problemas. Todos nós temos uma história para
contar e a dada altura precisamos de ajuda. Porque é que possuímos a tendência
excessiva para culpar o outro? Creio que existe uma tendência para avaliar e
criticar o outro recorrendo a generalizações demagógicas e a padrões – preconceitos
disfuncionais acompanhado de uma falsa sensação de moralismo e de inimputabilidade,
em vez de, avaliar o contexto em que o individuo está inserido e investirmos
naquilo que considero essencial nos relacionamentos, refiro-me à EMPATIA. É
através da relação com o outro que adquirimos consciência de nós próprios. "
De perto ninguém é normal."
As pessoas mais felizes gostam de pessoas. São nos detalhes
que nos é revelado a essência da personalidade das pessoas.
sábado, junho 07, 2014
Desligue o complicómetro
Meditação do dia: Oportunidades e pessoas significativas.
Não dê ouvidos às crenças e pensamentos negativos que o/a puxam para baixo, que
o/a desvalorizam, que o/a distanciam de pessoas importantes, que antecipam
cenários catastróficos. Esses pensamentos negativos são o ego orgulhoso dorido
e a vergonha tóxica, que o impedem de ser vulnerável e honesto/a com os
sentimentos e que visam reforçam o isolamento e a rejeição. Renove a coragem
nos critérios necessários a fim de ser honesto/a, explore novas oportunidades
para viver uma vida plena, reforce os vínculos de intimidade e de confiança com
as pessoas significativas.
Desligue o complicometro! Seja autentico/a, o mais possível,
em vez de uma miragem! As pessoas mais felizes gostam de pessoas!
Nota: Esta publicação é publicada semanalmente no Facebook,
designada de meditação e não serve para fornecer respostas, mas para
proporcionar discernimento, motivação e resiliência na selecção das opções e no
rumo do devir. É exclusiva e fruto da minha experiencia profissional de duas décadas.
sexta-feira, maio 30, 2014
Há palavras que mudam as pessoas
É através da palavra que expressamos os pensamentos e os sentimentos.
É através da palavra que comunicamos as nossas necessidades uns com os outros.
A palavra é uma ferramenta que utilizamos para enaltecer e legitimar,
mas também se pode transformar numa arma para humilhar e ofender.
- Quais são as palavras que normalmente, você utiliza para se
valorizar? Considera que também utiliza as mesmas palavras para valorizar as pessoas significativas?
- Quais são as palavras que normalmente, você utiliza para se criticar? É uma critica construtiva ou o oposto? Considera que também utiliza as mesmas palavras para criticar o outro?
No dia-a-dia, monitorize o efeito das seguintes palavras no
seu desenvolvimento pessoal:
"Sou estúpido/a",
"Sou feio/a",
"Não sou boa pessoa",
"Não presto para nada",
"Não
sou capaz"
“Eu devia…”
“Eu tenho…”.
Pare de usar estas palavras
contra si. Pode estar a criar, na sua mente, uma ideia disfuncional
(pensamentos automáticos negativos), de algo que não tem valor.
Mude as suas palavras e mude o seu mundo interior
sábado, maio 24, 2014
Consumo, abuso e dependência. Sabia que ...
- De acordo com estimativas das Nações Unidas existem mais de
10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000
consumidores de heroína, 2,6 irão morrer. Por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente
adictiva.
- Sabia que o consumo de crack
é considerado das drogas ilícitas a mais adictiva. O consumo do crack está associado ao crime.
- Sabia que o álcool é um depressor do sistema nervoso
central. Alguns indivíduos com problemas associados ao álcool apresentam sinais
e sintomas de depressão major; ideação suicida, tristeza, desânimo, insónia,
ansiedade, perda de apetite, fadiga.
- Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, pode
distorcer a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais,
excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se
violentas.
- A dependência de drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, afecta todo o
tipo de pessoas, independentemente do seu estatuto social; por exemplo;
estudante universitário, medico, mecânico, engenheiro, canalizador, policia,
advogado, economista, advogado, senhora idosa, contabilista, bancário etc.
- Sabia que associado ao abuso e à dependência de drogas,
incluindo o alcool e algumas drogas sujeitas a prescrição medica, o individuo é sujeito a uma oscilação acentuada das suas
emoções que podem variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por
exemplo, é frequente o individuo dependente estar triste e consumir drogas
proporcionando a si mesmo uma falsa sensação de felicidade.
- Sabia que no inicio do consumo de drogas ilícitas, estas
intensificam a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e
alivio. Na dependência as drogas suprimem a actividade; menos concentração e
perda de memória, mais desadequação e constrangimento, desconforto físico e psicológico.
- Os custos humanos e económicos associados à dependência de
drogas, incluindo o álcool e algumas drogas sujeitas a prescrição médica, são elevadíssimos e dramáticos. O tratamento é um investimento cujo
retorno pode revelar-se recompensador.
- Existe o mito que se deve desresponsabilizar o individuo
dependente de certos comportamentos disfuncionais, associados à adicção de
drogas ilícitas e/ou álcool. Na realidade, apesar de a adicção ser uma doença, o
individuo deve ser responsabilizado por comportamentos que possam por em causa
a sua saúde e a vida das outras pessoas.
segunda-feira, maio 19, 2014
Parar de comer compulsivamente
A minha história começa como tantas
outras. Sempre fui uma criança gordinha, mas nunca obesa, o que não me
preocupava nada, até ao dia em que alguém verbalizou que eu estava gorda e
precisava de perder peso. Não sei quem foi, nem quando. Só sei que me marcou
profundamente. De repente, eu era diferente dos outros. Tinha peso a mais,
tinha de o perder e, pior ainda, tinha de deixar de comer para o conseguir.
A partir desse momento, parecia que
estava sempre alguém à espreita, pronto a apontar o dedo e a lançar um olhar
reprovador, cada vez que metia um pedaço de bolo à boca. Desde então, o dedo
acusador passou a estar presente em todos os momentos que houvesse comida e eu
a desejasse comer.
Como criança pensei que a solução passava
por comer às escondidas. Se ninguém vir o que como, é como se não acontecesse,
ninguém me pode acusar ou lançar olhares reprovadores… Foi assim que aprendi a
comer às escondidas. Nesses momentos, era só a comida e eu, a minha nova melhor
amiga. O prazer foi crescendo, à medida que criava um mundo secreto, só meu.
Com a entrada na adolescência a
situação agravou-se e o aumento de peso tornou-se evidente. A primeira reacção
foi fazer de conta e evitar os espelhos. O que não se vê, não existe… Os comentários
continuaram e ajudaram a que comesse cada vez mais, numa espécie de espiral
compulsiva. Evitava comer em público.
Aos 18 anos, levaram-me ao médico e fiz
a minha primeira dieta. Segui à risca o que me disseram, mediante a promessa de
perder peso. Em seis meses, perdi 20 quilos. A minha vida mudou. De repente, o
mundo olhava-me com outros olhos, ou pelo menos, assim os sentia… vieram os
elogios, os convites e, de repente, tudo me servia e assentava bem. Tive o meu
primeiro namorado a sério.
sábado, maio 17, 2014
Independentemente das crenças de cada um, somos seres espirituais
"Não somos seres humanos que almejamos um rumo espiritual. Somos seres espirituais que nos transformamos ao longo da vida." Pierre Teilhard de Chardin
quarta-feira, maio 14, 2014
Sensações fantásticas, mas com consequências dramáticas
Paradoxo: sensações fantásticas, com base no prazer imediato, mas com consequências dramáticas, a médio e a longo prazo.
Durante as minhas deambulações pelo espaço virtual, seleccionei esta fotografia da qual desconheço o seu autor, atraiu a minha atenção, principalmente, pelo conteúdo das palavras, reflectem uma constatação sobre a complexidade do consumo, do abuso e da dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central, vulgo drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas.
O ser humano, ao longo da sua evolução e há milhares anos, sempre consumiu e irá continuar a consumir drogas, por inúmeras razões; rituais, tradições, sensações, tendências, etc. Em pleno seculo XXI o que é que aprendemos com o recurso e a utilização das drogas? Quais são os ensinamentos que retiramos dos benefícios e as desvantagens sobre o consumo de drogas?
O consumo de drogas, sejam elas quais forem lícitas e/ou ilícitas, proporcionam sensações e experiências fantásticas ao ser humano, de tal forma que existem drogas para todo o tipo de preferências e gosto. Obviamente, que excluo as drogas (medicação) sujeitas a receita médica.
Todos nós, procuramos sensações que nos permitam experimentar o transcendente, o alívio e o bem estar, o misterioso ou desafiar o perigo, como um jogo que procuramos jogar recorrendo às nossas próprias regras, às tradições, rituais e talentos. Todavia, não somos todos iguais, existem limites e regras, quando são ultrapassados e/ou quebradas, tal como acontece com as regras do sociedade em que vivemos, inevitavelmente sofremos o impacto negativo e as suas consequências. Esta questão aplica-se a praticamente a tudo na vida, visto também precisarmos de regras para ser livres e felizes. Quanto às consequências do consumo frequente de drogas, refiro-me inevitavelmente ao abuso e à dependência de drogas (doença) com os danos trágicos que todos nós conhecemos, directa e/ou indirectamente.
Somos livres em procurar as sensações e as experiências que acrescentem valor e significado no rumo da vida, mas é preciso assumir a responsabilidade pelas opções e decisões que seleccionamos a fim de vivermos uma vida plena.
Com isto quero somente dizer que as drogas proporcionam sensações extraordinárias, mas na realidade, não funcionam quanto a resolver problemas existenciais, familiares e profissionais.
sábado, maio 03, 2014
Dia-a-dia na recuperação das dependências
Apresento alguns excertos das pessoas, que diariamente
procuram a motivação necessária, a fim de recuperarem a dignidade, a estima e a
esperança num mundo em constante mudança. Todos nós, estamos expostos e vulneráveis
às mais diversas condições adversas e ao invés de ser a adversidade a definir o
rumo das nossas vidas, pelo contrário, somos nós seres fantásticos e
resilientes que decidimos romper com aquilo que nos prende à dor e ao
sofrimento.
No aconselhamento, as pessoas são o mais importante: os seus
falhanços são os meus falhanços e os seus sucessos também são os meus sucessos.
Ambos partilhamos esta aventura, porque o aconselhamento só é eficiente se o/a
terapeuta e o cliente estiverem em sintonia, na relação terapêutica de confiança, com o
mesmo propósito - recuperação.
Importante: Todos os dados foram alterados de forma a proteger a
identidade das pessoas e qualquer semelhança é pura coincidência.
- Durante a consulta com a Natália, 39 anos (nome fictício –
dependência emocional), abordamos a questão da intimidade nos relacionamentos
românticos de compromisso: a química do amor (êxtase e o desassossego, vulgo
paixão) e o amor duradouro (intimidade e o compromisso). Ela afirmava, com
legitimidade, que a fim de manter o relacionamento duradouro é necessário haver
entre os parceiros tempo para amar, sem este tempo a relação pode
deteriorar-se.
Nota: Sabia que a novidade e o inesperado, por exemplo,
quebrar a rotina e fazer coisas fora do comum, mantêm o amor duradouro. Não me
estou a referir à paixão
- Durante a consulta com o Daniel, 25 anos (nome fictício –
problemas com o Jogo), abordamos alguns factores que contribuem para o jogo
compulsivo; 1. Jogar (curiosidade, correr riscos e o perigo inerente das
apostas). 2. Gestão de sentimentos desconfortáveis, quebrar o tédio, a
ansiedade e o aborrecimento 3. Recompensa (prazer intenso) e oscilações bruscas
do humor.
Nota: Sabia que ganhar dinheiro não é o mais importante? O
mais importante é jogar e apostar.
- Durante a consulta com a Anita, 38 anos (nome fictício –
problemas com o álcool) e os seus pais abordamos os problemas associados ao
álcool e o estigma social. A vergonha de expor o problema e pedir ajuda é tão
doloroso que optaram por negar as evidências e as consequências negativas.
Durante 10 anos não se falou sobre o assunto, inclusive, com outros membros da
família. Afirmaram "Sentíamos que ninguém nos compreendia, pelo contrário,
conscientemente, optamos pelo silêncio e pelo isolamento."
Nota: Sabia que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um
problema de saúde publica?
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
sábado, maio 03, 2014
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adicção,
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sábado, abril 12, 2014
Você sabia que é possível recuperar das dependências?
Sabia que:
O individuo dependente de drogas, incluindo o álcool,
gradualmente sofre alterações neurobiológicas, associado às estruturas do
cérebro responsáveis pela recompensa e prazer como consequência do consumo
frequente de substâncias psicoactivas. Estas alterações são responsáveis pelo craving (vontade irresistível e intensa
em voltar a consumir a droga de escolha) incapacitando o individuo de se manter
abstinente.
Muitos indivíduos dependentes de drogas, incluindo o álcool,
tentaram inúmeras vezes interromper e parar o abuso das substâncias
psicoactivas do Sistema Nervoso Central, que podemos designar «tentativas
caseiras» sem apoio profissional. Alguns são bem sucedidos, outros não, todavia segundo alguns estudos
nos EUA, revelam que a grande maioria dos indivíduos que fizeram essas
tentativas (caseiras) não conseguiram permanecer em abstinência durante longos
períodos de tempo.
Um dos sintomas mais comuns associado ao abuso e à
dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo é:
1. Drogas: continuar a usar e a justificar apesar das consequências
negativas, "É só mais uma vez..."
2. Álcool: continuar a beber e a justificar, apesar das
consequências negativas, "É só mais um copo..."
3. Jogo: continuar a jogar e a justificar o
comportamento problemático apesar das consequências negativas, "Vou jogar mais uma vez para recuperar o dinheiro perdido."
Enquanto a
dependência das substâncias psicoactivas e/ou do comportamento não forem
contempladas no tratamento a tendência é para que os sintomas se agravem cada
vez mais. Segundo a Associação Americana da Medicina da Adicção
a adicção é uma doença crónica.
Sabia que a dependência de drogas, incluindo o álcool,
afecta as competências cognitivas do individuo. Uma das mais comuns identificadas
em dependentes é o pensamento rígido - "tudo ou nada". Algumas
afirmações mais comuns por indivíduos dependentes: "Se não for à minha maneira, não quero." ou
"Eu é que sei, sou assim e ninguém tem nada com isso." ou "Como
não sou capaz de deixar o vicio das drogas/do álcool, sou um falhado."
Um dos mitos sobre o consumo de cocaína, está associado à
inexistência da dependência física desta substância psicoactiva, isto é, as
pessoas pensam erradamente, visto não existirem sintomas físicos, não ficar
dependentes. Na verdade, de acordo com a minha experiência profissional, o
consumo de cocaína, numa perspectiva social, pode estar na origem de vários problemas, e
em ultimo caso, na dependência.
Quando a família se confronta com um dos membros, com
problemas de drogas ilícitas e/ou jogo, sofre um grande choque, pode ser de tal
forma traumático, que a tendência pode ser negar as evidencias. Todavia, negar
não é a abordagem mais apropriada. Qual será a abordagem mais eficiente? Se
pretende saber a resposta a esta questão envie um email para xx.joao@gmail.com
sábado, abril 05, 2014
REEL Recovery Film Festival
sexta-feira, março 28, 2014
Como é que posso mudar o meu parceiro?
Relacionamentos de intimidade e a adicção: Como é que posso
mudar o meu parceiro que está doente? Não pode, mas pode mudar o seu comportamento
e as dinâmicas da relação.
Ao contrário daquilo que se pode pensar, a maior grande
parte dos indivíduos dependentes de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas,
vulgo drogas, ou comportamentos adictivos, por exemplo, jogadores compulsivos e
adictos ao sexo não são pessoas que vivem isolados da sociedade, não são
sem-abrigo, não estão todos hospitalizados ou internados em centros de
tratamento, pelo contrário, têm as suas esposas/maridos, famílias e filhos,
carreiras profissionais, e apesar do estigma e da negação, são indivíduos
activos no trabalho e mais ou menos integrados na sociedade. Por falta de
informação sobre a adicção e o impacto na família e na comunidade (sociedade)
temos a tendência para negar as evidências; as coisas têm o valor que nós
decidimos que elas tenham.
São homens e mulheres adictos que têm os seus parceiros;
namorados/as ou esposas/maridos. Na maioria dos casos, as esposas/maridos e/ou
namorados/as sabem da existência do problema no parceiro/a, ou pelo menos,
apesar de falta de conhecimento ou informação, têm a consciência de que algo
não está bem e que é preciso mudar. Infelizmente, devido à complexidade dos
relacionamentos e da adicção não sabem como faze-lo, por causa de vários
factores. Um deles é gerarem vínculos que reforçam os seus papéis de zeladores
e cuidadores. Isto é, assumem o poder e a responsabilidade de zelar pelo
parceiro/a. Eles e elas adaptam as suas rotinas do dia-a-dia às vicissitudes e
à adversidade (comportamento problema) relacionada com o impacto da adicção na
relação, vivendo num estado eminente de ambivalência, alerta e preocupação. Afinal,
no universo das relações, quem é que não tem problemas sobre o comportamento do
marido? Da esposa? Do namorado? Da namorada? Todos nós. Contudo, nesta situação
especifica da adicção, o problema, para além de se agravar e afectar gravemente
os afectos, paradoxalmente, também pode ser atenuado, compreendido e/ou
resolvido. A questão é: Como.
domingo, março 23, 2014
Being rich is not... Veja o video
"Being rich is not about how much you have but how much you can give"
sábado, março 15, 2014
O «Vicio» de drogas, incluindo o álcool, é uma doença; não é uma escolha individual.
10 Questões importantes para reflectir sobre as dependências de drogas, incluindo o álcool, e o jogo patológico.
1. De acordo com estimativas das Nações Unidas (United Nations Office on Drugs and Crime - UNODC) existem mais de
10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000
consumidores de heroína, 2,6 morrem, por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente
adictiva.
2. Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool, distorce a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais,
excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se
violentas.
3. Associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o
álcool, o individuo é sujeito à oscilação acentuada das suas emoções que podem
variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por exemplo, é
frequente o individuo dependente, estar triste e apático, e ao consumir drogas,
incluindo o álcool, proporciona a si mesmo uma sensação de felicidade, apesar
de ser efémera.
4. Para um individuo dependente de drogas, incluindo o álcool,
e o jogo patológico revela-se extremamente difícil ter a percepção sobre os efeitos e as
consequências negativas dos seus comportamentos. A dependência é a causadora da
maioria dos fracassos e da frustração tornando assim a vida insuportável e em
alguns casos mais extremos pode revelar-se caótica. Quanto mais dificuldades, maior será a
necessidade de recorrer ao comportamento problemático associado às dependências
– abusar de drogas, incluindo o álcool, e/ou o jogo patológico.
5. No início do consumo de drogas ilícitas, estas intensificam
a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e alívio.
Gradualmente, na dependência as drogas suprimem a actividade; menos
concentração e perda de memória, mais desadequação e constrangimento,
desconforto físico e psicológico.
6, Dependência de drogas incluindo o álcool.
Você sofre da síndrome de abstinência, vulgo ressaca?
Os sintomas de ressaca surgem quando o individuo abusa das
substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central até à intoxicação. Os
sintomas da ressaca estão associados à frequência, à intensidade e à duração do
abuso das drogas, incluindo o álcool.
7. Benzodiazepinas: medicamentos tranquilizantes e/ou
ansiolíticos sujeitos a receita medica. São substâncias que geram dependência física e psíquica. Caso o
abuso seja continuado, a interrupção abrupta representa um risco grave para a
saúde. Algumas pessoas dependentes de benzodiazepinas são também dependentes de
álcool e/ou outras drogas ilícitas (adicção cruzada) - uso concomitante de
substâncias.
8. Sabe o que são os analgésicos? São drogas poderosas que
interferem com a transmissão de sinais eléctricos do sistema nervoso central
pela qual entendemos e percebemos a dor. A maioria dos analgésicos estimula as
partes do cérebro associadas ao prazer. Se toma medicação siga a prescrição do
seu médico. Não faça auto medicação.
9. Alguns efeitos do abuso do álcool e/ou dependência:
descoordenação motora, perda da concentração e da memória, danos cerebrais,
depressão e doenças do fígado (cancro). O abuso do álcool e a dependência
afectam seriamente as relações pessoais; família, trabalho, sociais.
10. A dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo
afectam seriamente o desempenho e os relacionamentos profissionais; abstenção
laboral, perda de memória e concentração, negligencia, falta de ética
profissional, conflitos com colegas e entidade patronal.
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