sexta-feira, junho 28, 2013
26/6 Dia para reflexão aprofundada sobre a consciência da realidade
O dia 26 de Junho assinala o Dia Internacional Contra o
Abuso de Drogas e o Trafico Ilícito. Este dia, para mim, é de reflexão, onde
dedico algum tempo à pesquisa de artigos publicados forma a manter-me
actualizado sobre a evolução deste fenómeno avassalador, para uns representou uma
verdadeira tragedia. Nomes sonantes vítimas das dependências, recordo, Micael
Jackson, Amy Winehouse e Whitney Houston, só para enumerar alguns, sem esquecer
os indivíduos desconhecidos e as suas famílias.
Em Portugal, estou em crer, que este dia, nunca mereceu a
devida atenção e até posso acrescentar que para a maioria da população
portuguesa passa despercebido, principalmente devido ao estigma, à negação e à
vergonha associados à dependência de substâncias psicoactivas, vulgo
toxicodependência. Estamos atrasados duas décadas em relação ao que se pratica,
se ensina, investiga e no tratamento das dependências a nível internacional. Trabalho
nesta área, desde 1993, e ainda constato, por parte dos profissionais de saúde,
um certo tipo de ignorância e/ou desinteresse. Por exemplo, as universidades
portuguesas ainda não possuem as condições e os recursos necessários a fim de
motivar os seus alunos para a área das dependências. Tenho outro exemplo, mais
concreto, conheci vários psicólogos e são unânimes em afirmar que aquilo que
aprendem, sobre as dependências nas universidades, é insuficiente. Já para não
referir a questão da prevenção das dependências, que tal como o tratamento do
abuso e dependência de drogas, é uma matéria que ainda não mereceu por parte
dos responsáveis políticos, dos media, dos tribunais e dos advogados, das mais
diversas Ordens de profissionais da saúde e da sociedade em geral a devida atenção.
Todos nós, eu e você, negamos as evidências óbvias.
quarta-feira, maio 29, 2013
A adicção não escolhe parceiros; são todos afectados
Sabia que o alcoolismo e/ou a dependência de substâncias
psicoactivas ilícitas afectam o sistema familiar ao longo de varias gerações.
Todos, sem excepção são afectados pela adicção, incluindo as crianças, por exemplo, através
da negligência e/ou abuso de menores.
Consequências prováveis, mas em muitos
casos negadas pelo sistema familiar: Abuso físico, sexual e emocional, as
necessidades físicas, psicológicas e sociais das crianças são negligenciados.
Sabia que muitas famílias, não são todas, afectadas pelo
alcoolismo e ou dependência de outras drogas são incongruentes derivado à negação dos sentimentos e à posse de um
ou mais segredos entre membros da família.
Sabia que as famílias perturbadas tendem a negar os
sentimentos, principalmente, os dolorosos. Alguns membros da família, incluindo
as crianças, não é permitido exprimir o que que sentem, por exemplo, o
sentimento de raiva.
As consequências negativas, óbvias da adicção, observadas
por todos, como um problema é negada. Acrescenta-se um novo modelo ou sistema
falso de crenças de forma a negar a realidade dolorosa, alguns exemplos, o
problema é a falta de dinheiro, a relação conflituosa entre cônjuges, o
problema é o filho/a que é irresponsável e que exige demasiada atenção,
dificuldades no emprego, demasiado stress,
etc. etc.
A negação da realidade, na família desestruturada, aliado ao
sistema de crenças, oculta e retarda o desenvolvimento e o crescimento dos
jovens e das crianças, nas áreas fundamentais da sua vida (Brown, 1986). Este
tipo de constatação pode ser doloroso, mas caso haja mudança de comportamentos,
pode ser o princípio do fim do sofrimento e da confusão.
Algumas características da família disfuncional: negligente,
desrespeitadora, incongruente, imprevisível, rígida e por vezes caótica.
Algumas mensagens
negativas na família disfuncional:
- "Que vergonha! O teu irmão/ã, é melhor que tu. Nunca fazes nada de jeito"
- "As tuas necessidades não interessam, cresce e aparece, porta te como um homem ou como uma menina bonita. Não chateies.”
- "Estou a fazer sacrifícios por ti, és tão estúpido/a, assim deixamos de gostar de ti,"
- “ Nunca irás conseguir nada na vida,"
- "Queríamos tanto que fosses um rapaz, em vez de uma rapariga ou vice-versa",
- "Como é que podes fazer uma coisa dessas? Os problemas da família ficam dentro da família." Algumas regras negativas:
- Não te zangues,
- Não chores,
- Faz como te digo; não como eu faço,
- Evita o conflito,
- Não faças essas perguntas,
- Não me desmintas,
- Estou sempre certo e tu estás sempre errado,
- Faz sempre um ar bem-disposto, os assuntos da família; não se falam na rua (segredos),
- Não respondas, porta-te bem e fica sossegado, limita te a fazer aquilo que te mandam
Sabia que os comportamentos adictivos afectam seriamente o
sistema familiar, incluindo as crianças. As pessoas desenvolvem padrões de
comportamento disfuncionais e rígidos (ex. negação, raiva, vergonha, medo),
criam alianças/tramas contra o indivíduo doente, distanciam-se ou envolvem-se
demasiado (codependência). Estão criadas as condições para uma crise, em muitos
casos, ocultada.
"A família é um organismo complexo composto por
diversas partes que compõem o todo” Dra. Claudia Black. Este todo, complexo,
funciona quando as partes estão sintonizadas (equilíbrio). Nos comportamentos
adictivos activos a dor aguda exige modificações e adaptações em muitos casos
radicais, sacrificando o equilíbrio das relações.
Século XXI - Estigma, a vergonha e a negação em acção. Sociedade
preconceituosa.
- "Eles (bêbados/drogados) são uns fracos".
- “Eles (bêbados/drogados) são uns marginais".
- "Eles (bêbados/drogados) não têm força de vontade"
- "Eles (bêbados/drogados) são assim porque a família não quer saber deles"
- "São (bêbados/drogados) porque não têm recursos (vitimas)"
- " São (bêbados/drogados) porque nunca lhes faltou nada e não sabem o que é a vida"
- "Ele é assim (bêbado/drogado) por causa da família"
- "Ela é assim (bêbada/drogada) sai ao pai. Ele também teve os mesmos problemas"
- "Não vale a pena dizer nada, eles (drogados/bebados) não se querem tratar"
- "Se um filho meu fosse assim (bebado/drogado) punha o logo na rua"
- "Esta gente (bêbados/drogados) devia ir todos presos..."
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, maio 29, 2013
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quarta-feira, maio 08, 2013
A recuperação faz toda a diferença
De acordo com as últimas investigações, através de imagem de ressonância magnética, sabemos que a adicção é uma doença do cérebro. Determinados
comportamentos e/ou o abuso de substâncias psicoactivas interferem e afectam a
estrutura cerebral responsável pelo prazer, motivação, memoria (sistema de
recompensa). Através dos comportamentos adictivos e abuso de substâncias
psicoactivas adictivas, provoca uma modificação dos circuitos neuronais e o aparecimento
de sintomas físicos, psicológicos e espirituais no individuo através da procura
e recompensa patológica do prazer e alivio imediato. Para que você perceba
melhor, esta região do cérebro controla os movimentos do corpo[i] o núcleo caudado (região do cérebro) situa-se na parte interna é muito
primitiva e faz parte daquilo que se chama cérebro reptilário. Esta região do cérebro
(sistema de recompensa) evoluiu muito antes dos mamíferos, há aproximadamente
65 milhões de anos. O núcleo caudado ajuda-nos a detectar e a aperceber de
determinada recompensa, a seleccionar entre recompensas, a preferir uma
recompensa específica, a prever uma recompensa e a esperar uma recompensa.
Se você é um adicto/a toda a sua vida (família, trabalho,
amizades, saúde, recursos financeiros, etc) gira em torno da recompensa da adicção
a comportamentos (jogo, compras, sexo, dependência emocional, distúrbio alimentar)
e/ou a substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, geradoras
de dependência e fica comprometido/a em termos das suas decisões (atitudes e
comportamentos), por outras palavras; perde o controlo sobre as já referidas substâncias
e/ou os comportamentos adictivos.
Áreas do cérebro afectadas pela adicção:
- Recompensa (motivação)
- Prazer
- Motora (Aptidão psicomotora)
- Humor
- Memoria (processamento)
- Sono
- Cognição (défice cognitivo)
Considera que a sua adicção está a comprometer seriamente a
sua qualidade de vida e a qualidade dos relacionamentos com pessoas
significativas? Se estiver confuso/a em relação à resposta pode enviar um email para xx.joao@gmail.com e colocar as suas questões. Todos os dados são confidenciais (sigilo total).
[i] Referências
bibliográficas
Schultz, 2000; Delgado e colegas, 2000; Elliot e
colegas, 2003; Gold, 2003
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JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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quarta-feira, abril 24, 2013
As 10 desculpas mais frequentes
Quem é gosta de ser confrontado? Ninguém gosta de ser
contrariado. Por exemplo, quando alguém é confrontado devido à descoberta de
uma mentira ou erro que tenha cometido, qual é a primeira reacção? Negar a
realidade. Apesar de haver algumas diferenças, nos comportamentos adictivos o
fenómeno é semelhante, um individuo adicto que seja confrontado, pelas
consequências negativas da sua adicção, irá responder de uma forma defensiva,
esquiva ou omissa. Irá negar qualquer evidência, facto ou realidade.
Irei expor aquelas que são as 10 desculpas mais frequentes
identificadas no discurso de indivíduos adictos quando são confrontados e/ou
convidados a falar abertamente sobre as consequências da adicção. Gostaria de
acrescentar que estas desculpas, mecanismo psicológico de defesa (lógica
aditiva), são observadas em vários tipos diferentes de adicção (substâncias
psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, compras,
dependência emocional, distúrbio alimentar). Gostaria de acrescentar o
seguinte, este tipo de discurso também é identificado em alguns membros da
família do individuo adicto.
Nº 1 – “Não tenho nenhum problema com o meu comportamento.”
Esta é das afirmações mais comuns e aquela que considero a
mais frequente. O individuo adicto não reconhece e ou admite qualquer problema
e/ou consequências negativas da adicção. Nesta fase o individuo avalia os
efeitos obtidos através das substâncias e/ou comportamentos, como algo positivo
e inócuo, contribuem como um reforço da lógica para continuar os mesmos
comportamentos; “Se está tudo bem porque é que hei-de parar?”
Nº2 – “O meu problema não é assim tão grave, o dos outros é
pior. Eu sou diferente e posso parar quando quiser”
Apesar das crises em casa, no trabalho, na saúde (doença) e
acidentes o individuo adicto continua a afirmar que consegue parar, e por
vezes, é tão categórico nas suas convicções que é capaz de arranjar argumentos
que convencem e confundem a esposa/o, as crianças, a família, o patrão/colegas;
o individuo também acredita nas suas afirmações. Alguns membros de família
afirmam “João Alexandre, ele/a dizia que ia parar, e fazia promessas. As nossas
discussões eram de tal angustiantes que eu (mãe, pai, esposa, patrão) algumas
vezes achei que estava a ser injusta e cruel para com ele/a. Nos últimos tempos, praticamente ele fez
dezenas de promessas, que eu acreditava nas suas palavras, mas na realidade,
ele não conseguia cumprir. Cheguei a pensar que estava a ficar doida e a
questionar a minha própria sanidade. ”
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sexta-feira, março 29, 2013
Contra factos não há argumentos sobre o consumo de drogas
Vidas despedaçadas, com consequências irreversíveis, de acordo com estimativas das Nações Unidas, as mortes por ano relacionadas com com o consumo de drogas, no Mundo, podem atingir entre 99 mil e as 253 mil pessoas. De acordo com a mesma noticia, o canábis é a substância psicoactiva mais consumida, seguido pelas anfetaminas, os consumos de cocaína e heroína estabilizaram.
«O canabis não mata, mas pode conduzir à loucura.»
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quarta-feira, março 13, 2013
Será o amor uma adicção saudável? Artigo do Dr. Robert Weiss
O Amor romântico e para onde vamos, depois de morrer, sempre
se destacaram como os grandes mistérios da humanidade. É difícil definir o
conceito do amor, apesar de ser diferente de pessoa para pessoa, mas é fácil,
para todos nós o reconhecerem. Você com certeza sabe quando é atingido pelo
amor; não é muito diferente quando é atingido pela gripe. Ao longo dos anos,
milhares de homens e mulheres, têm sido desenvolvidas várias filosofias sobre o
conceito do amor e/ou quando um individuo está sob o efeito do amor e as razões
pelas quais é necessário para a vida, todavia, as conclusões a que se chega não
acrescentam nada mais do “ Amor é a amizade em chamas”. Tais sentimentos são utilizados
para a composição de excelentes letras para musicas e/ou poesia, na realidade,
não se ajustam à perspectiva da psicoterapia. Ao longo dos séculos, e apesar de
inúmeras tentativas quanto a uma definição concreta de um conceito sobre o amor,
estas têm-se revelado infrutíferas, todavia, não há como negar; na realidade, o
amor existe e é essencial para a maioria dos seres humano, tal como respirar,
comer e/ou dormir.
Tradicionalmente, o amor é um estado de espírito associado
ao coração, inclusivamente, muitas pessoas afirmam sentir o amor no seu peito,
o que é compreensível visto o coração bater mais depressa quando estamos
completamente imersos nas fantasias do amor e/ou na descoberta/procura de um
parceiro/a romântico. Na realidade porém, o termo utilizado nestas circunstâncias
atribuído ao “coração” não é mais do que uma metáfora de algo que representa
uma parte essencial da natureza humana. O amor está dentro de nós. Nós
sentimos, gostamos e sofremos por ele e com ele. Algumas vezes, pensamos que
não conseguimos viver sem o amor. É capaz de fazer com que os adultos se
comportem como adolescentes, e aos adolescentes sentirem que agem como uns
idiotas. Perseguimos o amor, imploramos, mentimos, enganamos e roubamos por
ele. Idolatramos e somos capazes, sob o efeito do amor, compor poemas épicos. Mas
depois, no fundo, parece que pouco sabemos sobre o amor, ou não é?
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Violência é abuso emocional e fisíco
Não existe amor que justifique violência. Não existe confiança se há violência. Não existe comunicação através da violência. Violência é um abuso emocional e físico com consequências trágicas. Violência é violar a integridade e a liberdade de expressão e de escolha. Violência na relação é dependência; para haver violência são necessárias duas pessoas.
Amor é liberdade. Amor é confiança. Amor é honestidade. Amor é tolerância. Amor é comunicação e entendimento.
Se você é sujeita/o qualquer tipo de violência; não sofra em silêncio; partilhe os seus sentimentos, para um dia conseguir terminar a relação de dependência emocional.
Nota: De acordo com os últimos dados o homem, apesar de em menor numero comparativamente às mulheres, também é vitima de violência domestica pela parte da sua parceira.
Saiba mais sobre a violência doméstica. Siga o link da APAV
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quarta-feira, fevereiro 20, 2013
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segunda-feira, fevereiro 18, 2013
24ª Dica Arte Bem-Viver de 4/09/2011
Olá,
a Dica da Arte de Bem-Viver desta semana é dedicada ao Medo. Como bem sabe o medo faz
parte das nossas vidas. Sem ele (medo) não estaríamos vivos, mas se
levado a extremos pode contribuir para níveis elevados de ansiedade,
preocupação, pânico, ódio, agressividade. É uma questão de
saber e conseguir interpretar os pensamentos que originam o medo
(equilíbrio). Infelizmente aprendemos, na nossa cultura e agravado
pelo estilo de vida consumista e hedonista, a fugir e a negar as
emoções, acreditando que assim iremos livrar-nos do Medo. Na
realidade, esta atitude não funciona em abono da verdade, bem pelo
contrario, é necessário enfrenta-lo e conhece-lo. Sabia que uma das
manifestações mais comuns sobre o medo, no
dia-a-dia, é a projeção de cenários catastroficos geradores de
preocupação excessiva e controlo?
Pergunte
a si mesmo: Qual o motivo pela qual esta situação me está a causar
medo? Qual é o sentido em sentir este medo?
- Alguns medos mais comuns:
Medo
do abandono, medo da rejeição, medo da intimidade, medo do medo,
medo falhanço/sucesso, medo do desconhecido.
Da mesma maneira que valoriza a
gratidão e a felicidade, sugeria que abençoe o Medo, como uma
dádiva da Vida. É através do medo que desafiamos as nossas
questões existenciais mais complexas do nosso devir (intuição,
motivação, curiosidade, introspecção, reflexão) e desenvolvemos
as competências cognitivas e emocionais. Quando procuramos
identificar competências e recursos para enfrentar o Medo (paralisa,
incapacitante), isso significa que ao mudar de padrões/rotinas/status
(atitudes e comportamentos), por vezes as
coisas pioram antes de ficar melhor. Isto não é sinónimo de
falhanço, mas avanço. Identificou-se o medo, fomos apresentados a
ele.
Factos
sobre o medo. Conforme vamos crescendo e desafiando os nossos limites
(status) o medo não irá desaparecer. Paradoxalmente,
enfrenta-lo melhora os niveis de auto estima, o auto conceito e é
mais recompensador do que adotar condutas de evitamento (medo do
medo). Todos nós sentimentos medo em contextos desconhecidos.
A
coragem não é ausência do medo; mas o compromisso em transformar o
mito e/ou o status em realidade. Siga o seu
proposito (objetivos) e proporcione ao medo um sentido construtivo na
sua vida - Liberdade de escolha e expressão.
Votos de uma semana com coragem
Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 100ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.
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sábado, fevereiro 16, 2013
quarta-feira, janeiro 23, 2013
Vale a pena recuperar das dependências (Adicção)?
50 Razões pela qual você deve interromper a progressão dos
comportamentos adictivos:
- Drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas,
- Dependência emocional, vulgo codependência,
- Distúrbio alimentar,
- Sexo,
- Jogo,
- Compras,
- Furto.
1. Quebra o silêncio e o isolamento. Deixa de ter vida dupla,
sem segredos e mentiras relacionados com a adicção.
2. Assume o controlo da sua vida quebrando a negação, o estigma
e a vergonha associados aos comportamentos adictivos.
3. Aprende que a adicção é uma doença; não é uma fraqueza e não
é um ato voluntario.
4. Você participa na solução do problema, em vez de contribuir
para o agravamento dos sintomas da adicção.
5. Deixa de ser a “ovelha negra” da família e o centro dos
problemas – “bode expiatório.”
6. Interrompe a compulsão, da dependência de substâncias
psicoativas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, através da abstinência.
7. Programa de recuperação; plano e objetivos específicos de vida.
8. Ao pedir ajuda profissional não está sozinho/a; quebra a
solidão e a vergonha.
9. Aprende a lidar, de uma forma construtiva, com os
sentimentos dolorosos; raiva, dor, medo, ressentimento, vergonha e culpa.
10. Adquire autonomia, mestria e propósito no rumo da vida.
11. Relação saudável com colegas e empresa: faz parte da equipa;
em vez de fazer parte dos problemas.
12. Melhora a saúde física e mental.
13. Faz mudanças significativas na sua vida: atitudes e
comportamentos – você é o agente da mudança.
14. Gestão construtiva dos recursos financeiros; poupanças,
investimentos, etc.
15. Melhora a performance e produtividade no trabalho ou faz mudanças
na área profissional.
16. Melhora a qualidade da relação com os colegas de trabalho
e/ou patrão.
17. “Deixa de cometer os mesmos erros à espera de resultados
diferentes”.
18. Estabelece relacionamentos saudáveis e positivos com as
outras pessoas.
19. Reconquista a dignidade e a auto estima afetada pelos
comportamentos adictivos.
20. Liberdade de escolha e decisão no rumo da sua vida (sair da
zona de conforto).
21. Faz planos realistas, cumpre e recompensa-se, em vez de
fazer promessas infindáveis que não cumpre, que servem somente como álibi,
desculpas e justificações.
22. Liberta-se da auto piedade e pára de culpar os outros e o
mundo à sua volta; responsabilização e respeito.
23. Faz um serio investimento na sua vocação.
24. Desenvolve relacionamento de intimidade, honestidade e compromisso
com o seu parceiro/a.
25. Desenvolve competências individuais e sociais; assertividade,
gestão de emoções, estabelece limites, gere a impulsividade, gestão do stress, organiza atividades saudáveis (hobbies).
26. É devolvido/a à
sanidade. Interrompe a logica adictiva (circulo de pensamentos que reforçam as
crenças e padrões de comportamentos disfuncionais).
27. Melhora o relacionamento com a família, incluindo as
crianças.
28. Vive um dia de cada vez.
29. Adia o prazer imediato. Define critérios saudáveis e
prioridades, no dia-a-dia.
30. Aprende a sorrir, a divertir-se e a não se levar demasiado a
sério.
31. Trabalha as competências da comunicação na gestão dos
conflitos; é assertivo. Não é passivo/a ou agressivo/a ou manipulador/a.
32. Aprende que os ressentimentos do passado são fonte de
aprendizagem em vez de serem fonte de descontentamento, remorso, ódio –
ressentimentos de “estimação”.
33. Identifica os efeitos negativos do perfecionismo e cria uma
lógica construtiva e mais realista de acordo com as suas limitações e talentos.
34. Desenvolve hábitos alimentares saudáveis e diversificados.
35. Integra os paradoxos no seu devir, alterando paradigmas
disfuncionais; as pessoas não são perfeitas, sofremos desilusões, mas também
desiludimos os outros.
36. Identifica as suas emoções e é honesto/a. Sentir é OK, não
existem sentimentos certos e errados.
37. Identifica as áreas de risco de deslize/recaída e os fatores
de proteção – abstinência/recuperação. A recuperação é uma prioridade na sua
vida.
38. Desenvolve e promove uma relação espiritual com uma
entidade/algo superior, sem dogmas e ou divindades: conceito individual e livre
(espiritualidade).
39. Realiza alguns dos seus sonhos, todavia aprende a
importância da persistência e da esperança; basta acreditar.
40. Adota comportamentos saudáveis que reforçam e promovem a sua
sexualidade e o sexo, sem mitos, preconceitos ou tabus.
41. Desenvolve hábitos e comportamentos saudáveis com a
alimentação, com o seu corpo e o seu peso.
42. Aprende a definir limites nos relacionamentos de intimidade:
existe o amor saudável e/ou a dependência emocional, que não é amor.
43. Aprende a importância da genuinidade, da coerência, da
integridade e da liberdade.
44. Desenvolve objetivos de vida auto motivacionais. Busca a
motivação intrínseca.
45. Aprende que para se ser feliz é preciso sair da zona de
conforto.
46. Elabora com regularidade o diário da Gratidão. Do que é que
se sente grato/a?
47. Identifica padrões de comportamentos disfuncionais na gestão
do stress crónico.
48. Identifica a diferença entre a vergonha saudável e a
vergonha tóxica.
49. Desenvolve exercício físico e hábitos saudáveis de
alimentação.
50. Você não é o único e não está sozinho/a.
Esta lista não tem fim… Recuperar é que está a dar!
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sábado, dezembro 29, 2012
É um deslize ou é uma recaída?
De acordo com a abordagem terapêutica às dependências de
substâncias psicoativas lícitas, vulgo drogas, incluindo o álcool, e as
ilícitas, o tratamento deve contemplar a abstinência. É possível, para um
individuo adicto ter um estilo de vida perfeitamente saudável abstinente de qualquer
tipo de substâncias psicoativas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, só
com uma única exceção, salvo medicação sujeita a prescrição medica,
acompanhamento profissional e responsabilidade do doente em seguir o plano de
tratamento e a sua recuperação.
Círculo da adicção: A doença da adicção é influenciada por um conjunto complexo de fatores (neuro-biológicos-psico-sociais), não é um vício (designação moral), falta de força de vontade e/ou característica da personalidade e/ou um ato voluntario. Após décadas de investigação sobre a doença da adicção, não existe no mundo, um programa que garanta a prevenção da recaída, o tratamento ou a recuperação de uma forma totalmente eficaz.
Círculo da adicção: A doença da adicção é influenciada por um conjunto complexo de fatores (neuro-biológicos-psico-sociais), não é um vício (designação moral), falta de força de vontade e/ou característica da personalidade e/ou um ato voluntario. Após décadas de investigação sobre a doença da adicção, não existe no mundo, um programa que garanta a prevenção da recaída, o tratamento ou a recuperação de uma forma totalmente eficaz.
Para todos os efeitos,
a recaída ou o deslize, consiste na quebra da regra/princípio relativamente à abstinência.
Ao contrário do que muita gente pensa, a recaída e/ou o deslize, não é um
episódio isolado e na maioria dos casos não acontecem por acaso, é uma sucessão
de acontecimentos críticos, conjunto de atitudes e comportamentos, que culminam
com a ingestão do consumo de substâncias psicoactivas. Processo de recaída:
começa em A - atitudes e
comportamentos que conduzem o individuo a B
– um episódio; ingestão/consumo da substância psicoativa.
Eis algumas perspectiva, de acordo com a minha experiencia
profissional, sobre o que é recaída e o significado de deslize.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Recaída é:
O individuo perde o controlo do seu comportamento após a ingestão de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou lícitas; acontece quando é despoletada a compulsão pelo efeito da substância (sensação associada ao prazer). Este tipo de abuso de drogas visa somente a intoxicação e a alienação da realidade. Esta reação complexa, não se pode confundir com o controlo ou a falta dele. Não é o adicto que escolhe perder o controlo e/ou ser adito. Este mecanismo é uma reação da adicção após a ingestão das substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, isto é, a ingestão da substancia afeta e compromete a forma como o individuo pensa, sente e age. Alguns indivíduos estão mais vulneráveis do que outros a este fenómeno.
No caso da recaída, após a compulsão ser despoletada, pelo efeito
das substâncias psicoactivas, o adicto é incapaz de prever as consequências do
seu comportamento (família, saúde, trabalho, justiça, dinheiro), nos dias,
semanas ou meses seguintes, onde podemos incluir a recusa de ajuda de pessoas
significativas a fim de retomar a abstinência.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Recaída é:
Quando o individuo compreende, reconhece e aceita o conceito de doença (Adicção) e supostamente afirma "Sou um adicto em recuperação, preciso de me responsabilizar pela abstinência, pelo tratamento e recuperação da adicção através das minhas atitudes, comportamentos e caso seja necessário apoio profissional." A fim de um individuo atingir este grau de conhecimento sobre a sua condição (Adicção) são necessários, aproximadamente seis a doze meses, dependendo da motivação para a mudança, do estado clinico do individuo e danos colaterais provocados pela dependência das drogas. Para compreender a adicção, o individuo deve estar abstinente de substâncias psicoactivas, há pelo menos um ano ou mais, por exemplo cinco anos.
Recaída é:
Quando o individuo compreende, reconhece e aceita o conceito de doença (Adicção) e supostamente afirma "Sou um adicto em recuperação, preciso de me responsabilizar pela abstinência, pelo tratamento e recuperação da adicção através das minhas atitudes, comportamentos e caso seja necessário apoio profissional." A fim de um individuo atingir este grau de conhecimento sobre a sua condição (Adicção) são necessários, aproximadamente seis a doze meses, dependendo da motivação para a mudança, do estado clinico do individuo e danos colaterais provocados pela dependência das drogas. Para compreender a adicção, o individuo deve estar abstinente de substâncias psicoactivas, há pelo menos um ano ou mais, por exemplo cinco anos.
Recaída significa quando o individuo, apos o consumo
repetitivo, identifica o síndrome da abstinência, vulgo ressaca e necessita de
apoio profissional para interromper a progressão da doença.
Podemos exemplificar através de outra doença cronica. Tal como acontece ao individuo diabético, após sintomas, sinais e exames médicos é-lhe diagnosticado diabetes. É informado sobre a doença, os cuidados, o estilo de vida saudável a fim de manter a doença estável e um estilo de vida saudavel, todavia, o doente decide o contrário, ignora e negligencia o tratamento, agravando o quadro clinico, a este comportamento também podemos considerar uma recaída.
Podemos exemplificar através de outra doença cronica. Tal como acontece ao individuo diabético, após sintomas, sinais e exames médicos é-lhe diagnosticado diabetes. É informado sobre a doença, os cuidados, o estilo de vida saudável a fim de manter a doença estável e um estilo de vida saudavel, todavia, o doente decide o contrário, ignora e negligencia o tratamento, agravando o quadro clinico, a este comportamento também podemos considerar uma recaída.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Deslize é:
Após um período longo de abstinência, mais de doze meses, o individuo consome substâncias psicoactivas, durante um curto período de tempo (frequência e duração), após este episódio de consumo, consegue retomar a abstinência. Neste caso, podemos considerar que a compulsão não foi despoletada. O individuo conseguiu apoiar-se e fazer uso das suas competências cognitivas (auto critica, sentido de auto eficácia, gestão das emoções – vergonha, culpa, medo, frustração) e recursos (procurou ajuda e fim de interromper a ingestão das drogas). Mais uma vez, como a compulsão não foi despoletada, o deslize, tal como a recaída, não se pode confundir com o controlo ou a falta dele.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Deslize é:
Quando o individuo não compreende e ou reconhece o conceito de doença (Adicção). Por exemplo, indivíduos resistentes à mudança de atitudes e comportamentos, que permanecem abstinentes durante um curto período de tempo (ex. menos de 6 meses), mas depois retomam os consumos e depois a abstinência.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Quando pensarmos recaída e ou deslize é preciso de avaliar a história (passado/presente) de vida dessa pessoa (o seu mundo).
Quando pensarmos recaída e ou deslize é preciso de avaliar a história (passado/presente) de vida dessa pessoa (o seu mundo).
Você sabia que a depressão e/ou a ansiedade e a adicção
(co-morbilidade) podem afectar e comprometer as competências cognitivas individuais
e sociais necessárias à manutenção da abstinência? Este individuo está mais
exposto ao deslize e ou à recaída. Importante: Cada caso, um caso.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Não podemos determinar, segundo valores morais, vulgo vicio, o que é a adicção. O que é que significa recaída e ou deslize? Felizmente, hoje em dia, a medicina da adicção permite-nos entender melhor este fenómeno do ponto de vista neuro-biologico, psicológico e social. Faz parte do processo do tratamento da doença, da ocorrência de deslizes e/ou recaídas e recuperação. É normal, existem algumas pessoas vulneráveis e expostas à adicção, à recaída e/ou ao deslize, se for o seu caso, peça imediatamente ajuda, não se esconda atrás do silêncio da negação e ou da vergonha. Você não escolheu ser adicto/a.
Algumas pessoas conseguem
permanecer abstinentes de substâncias, durante longos períodos de tempo
abstinentes, por exemplo 20, 30, 40 anos e graças a elas podemos aprender com a
sua experiência, todavia, a escolha do estilo de vida em recuperação depende da
decisão de cada um.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize.
Conceito de doença da adicção (tradução). Segundo a Sociedade Americana da Medicina da Adicção a adicção é uma doença primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro responsável pelo prazer, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais adjacentes. Sabe-se que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e espiritual no indivíduo, que se refletem na busca e recompensa patológica do prazer e alivio, através do consumo de substâncias psicoactivas (lícitas e/ou ilícitas) e/ou outros comportamentos (exemplo, jogo). Por outras palavras, a Adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e adversidades ao longo da vida do indivíduo. A adicção não é um sintoma de outro tipo de patologia.
Qual é a diferença entre a recaída e deslize?
Antes de respondermos a esta pergunta é preciso entender e aprofundar o conhecimento sobre o conceito de doença e de recuperação (ciência e experiencia empírica). É um esforço conjunto entre indivíduos adictos em recuperação, suas famílias e profissionais, e da sociedade em geral.
De acordo com a American Society of Addiction Medicine a adicção é uma doença.
Apesar do consumo de drogas ser um ato voluntário, ninguém escolhe ficar adicto. Apesar das substancias psicoactivas serem adictivas, geradoras de dependência física e/ou psicológica, porque é que umas pessoas consomem drogas/álcool e se tornam adictas e outras pessoas não? Siga o link
http://www.asam.org/research-treatment/definition-of-addiction
Visto a adicção ser uma doença cronica, progressiva e
complexa no seu tratamento, qual é a motivação para o individuo recuperar da
adicção? Como é que se ajuda um individuo adicto, dependente de drogas,
incluindo o álcool, que recusa ajuda? Pela complexidade da adicção, o individuo
e a sua família precisam de ajuda profissional.
Recuperação da adicção é um estilo de vida gerador de
escolhas saudáveis (nível físico, mental e espiritual, sem dogmas e/ou
divindades) integradoras e coerentes com os valores da família, da comunidade e
da sociedade. Recuperação da adicção contempla a abstinência onde não existem
consequências diretas dos comportamentos associados ao consumo, abuso e
dependência de quaisquer substâncias psicoativas.
Se você se considera um adicto a drogas lícitas, incluindo o
álcool, e as ilícitas qual é o seu conceito de recuperação? Gostaria de contar
com a sua participação para o debate sobre esta questão.
quinta-feira, dezembro 20, 2012
O cérebro adicto
Este excerto faz parte de um artigo impresso pela
primeira vez na Harvard Mental Health Letter , edição de Julho de 2004.
As dependência de drogas têm sido um problema persistente ao
longo de centenas de anos, mas somente na ultima década, os cientistas
compreenderam claramente alguns fatores importantes sobre a adicção: sabemos
que provoca mudanças duradouras nas funções cerebrais que são difíceis de
reverter. Na prática, isso significa que existem muitos cérebros afetados, quase
2 milhões de indivíduos dependentes de heroína e em cocaína, talvez 15 milhões
de alcoólicos, e dezenas de milhões de fumadores de cigarros nos Estados
Unidos. Qualquer que seja a solução à vista, será sempre extremamente complexa,
entretanto sabemos muito mais hoje, do que há 20 ou mesmo 5 anos atrás, sobre os
efeitos das substâncias psicoativas, vulgo drogas, geradoras de dependência no
cérebro, assim como também podemos utilizar este conhecimento no tratamento e
na prevenção.
“Porque é que o cérebro prefere o ópio aos brócolos?” A
dependência foi designada desta forma por Steven Hyman, um ex-diretor do
Instituto Nacional de Saúde Mental. A resposta envolve o núcleo accumbens, um
agrupamento de células nervosas que se encontram abaixo dos hemisférios
cerebrais. Quando um ser humano ou outro animal executa uma ação que satisfaz
uma necessidade ou cumpre um desejo, o neurotransmissor chamado dopamina é
libertado no núcleo accumbens e produz prazer. Serve como um sinal de ação para
com o mecanismo da sobrevivência ou a reprodução, seja direta ou indiretamente.
Este sistema é designado de via de recompensa. Quando fazemos algo que oferece
essa recompensa, o cérebro regista essa experiência e estamos propensos a
repeti-la novamente. Todavia, quaisquer danos nesta zona do cérebro e o abuso
de drogas, que liberta dopamina, acabam por comprometer o funcionamento normal
desta estrutura cerebral.
Na natureza as recompensas surgem após algum esforço e o seu
efeito não é imediato, todavia, com as drogas as pessoas descobrem um atalho, sentem
gratificação e prazer sem esforço e o seu feito é imediato. Isto é, o cérebro
produz quantidades anormais de dopamina. Neste âmbito, o prazer não está a ser
usado para a sobrevivência nem para a reprodução, por isso, a evolução não
forneceu ao cérebro uma forma de se proteger. Assim a capacidade natural para
produzir dopamina (sistema de recompensa no cérebro) é reduzida e a única forma
de o cérebro cumprir as suas funções de libertação de dopamina é somente
através do consumo de mais droga. O cérebro vai perdendo as suas funções e
recursos a fontes de prazer menos imediatas e mais poderosas de recompensa. O
dependente vai necessitando de doses mais elevadas e frequentes para obter a
mesma sensação de prazer e bem-estar. Por vezes, a motivação do dependente para
consumir drogas pode ser reduzida e/ou as drogas consumidas já não proporcionarem
o prazer desejado, no entanto, a estrutura do cérebro responsável pelo prazer
exige que sejam elas consumidas.
Memórias convincentes
As mudanças no sistema de recompensa por si só não podem
explicar o fenómeno da adicção. Tal como afirmou, Mark Twain sobre o seu hábito
de fumar, “Parar de fumar é fácil.”. Ele tinha feito inúmeras tentativas para
interromper o consumo de tabaco. Muitos dependentes passam longos períodos de
tempo sem consumir a sua droga de escolha, mas correm o risco de recaída, mesmo
após anos de abstinência, mesmo quando o circuito de recompensa de dopamina
teve tempo de suficiente para recuperar. Estas pessoas são vítimas de estímulos,
designadas de reflexo condicionado.
Alterações nas ligações entre as células cerebrais induzidas
por drogas estabelecem associações entre a experiência com a droga e as
circunstâncias em estas que ocorrem. Estas memórias implícitas podem ser
vividas/recordadas intensamente quando os dependentes estão expostos a qualquer
lembrança sobre essas situações, tais como; estado de humor, situações,
pessoas, lugares ou a própria substância. Um dependente de heroína pode estar
em perigo de recaída quando vê uma agulha hipodérmica, um alcoólico quando se
cruza com o bar/café onde ele costumava beber ou quando encontra um individuo
que foi seu companheiro de bebida. Qualquer adicto pode retomar o hábito ou o
estado de humor que ele utilizou para voltar a consumir drogas, seja através de
um deslize ou de uma recaída. Ele nunca irá desaprender este comportamento. Uma
única dose pequena da droga, em si, pode despoletar uma das recordações mais
intensas. Tal como se diz nos grupos de ajuda mútua dos Alcoólicos Anónimos -
"É a primeira bebida que faz ficar bêbado".
Comentário: a
adicção é uma doença do cérebro, progressiva e cronica, não é um sintoma de
outra doença ou patologia, eis alguns sintomas:
- Tolerância: necessidade de consumo de quantidades crescentes de substâncias para atingir a intoxicação ou o efeito desejado.
- Síndrome da abstinência, vulgo ressaca: a substância psicoativa, vulgo droga de escolha ou outra, é consumida para aliviar ou evitar os sintomas desagradáveis e dolorosos da ressaca.
- Perda do controlo: substância é frequentemente consumida por períodos mais longos do aquele que se pretende. O consumo é continuado apesar da existência de um problema persistente ou recorrente, provavelmente causado ou exacerbado pelo abuso da substância.
- Incapacidade, apesar do desejo ou esforços persistentes, para diminuir ou controlar o abuso da substância. Qualquer atividade é abandonada ou diminuída em importantes atividades sociais, ocupacionais ou educativas.
- Preocupação (Atenção): São despendidas grandes quantidades de tempo em atividades necessárias à aquisição, utilização e os seus efeitos. A doença é o assunto nº 1 na vida do individuo, as suas prioridades são: como obter a substância, o consumir e manter o efeito da substancia, no organismo, o mais prolongado possível e a gestão do stock.
Apesar deste texto se referir às substâncias psicoativas, um numero considerável de indivíduos com comportamentos adictivos, tais como o jogo, o sexo, furto, as compras, distúrbio alimentar apresentam algumas semelhanças no sistema de recompensa cujos comportamentos também comprometem o funcionamento normal do cérebro.
Por exemplo, ao longo da minha experiencia profissional, observei indivíduos com comportamentos adictivos, em tratamento regime de internamento, por exemplo ao jogo e ao sexo, ao interromperem a atividade adictiva desenvolverem um conjunto de sintomas, físicos e psicológicos, associados e idênticos ao síndrome da abstinência, vulgo ressaca, também observado em indivíduos adictos a substâncias psicoativas, vulgo drogas.
sexta-feira, dezembro 14, 2012
Algumas curiosidades sobre o Modelo Minnesota (MM)
Durante a minha formação profissional tive o privilégio de
estar presente numa das instituições mais reputadas do mundo, sobre o
tratamento das dependências de substâncias psicoativas, vulgo drogas, incluindo
o álcool, refiro-me obviamente a Hazelden Foundation.
Nesse sentido, decidi escrever este post de forma a revelar algumas das características do Modelo Minnesota;
a sua génese, a filosofia e a sua história. Para os menos informados este
modelo de tratamento é aplicado num regime de internamento residencial tratamento
cuja duração é de 90 dias, aproximadamente.
Aproveito para enaltecer a dedicação e o compromisso de
algumas pessoas genais e visionários,
durante o final dos anos 40, nos EUA, que dedicaram uma parte considerável das
suas vidas a ajudar indivíduos a recuperar a sua dignidade e a recuperação da
adicção. Lutando contra o estigma, a negação e a vergonha associados a esta
doença.
Com este post não
pretendo fazer uma abordagem completa e exaustiva deste modelo de tratamento,
apenar pretendo salientar e revelar alguns detalhes sobre a sua historia e
pessoas.
Para pensarmos no tratamento do alcoolismo e a génese do modelo
Minesota precisamos de recuar até ao final dos anos 40, marcado pelo período
pós-guerra (II grande guerra mundial), a segregação social, o tratamento do
alcoolismo com uma forte vertente religiosa (evangelização) os asilos para
doentes mentais e cadeias. Nesta altura ainda não existia o DSM, Manual
de Diagnostico de Doenças Mentais, que só surgiu em 1952, nos EUA.
Modelo Minnesota “Uma
abordagem evolucionária e multidisciplinar na Recuperação da Adicção.” Jerry Spicer, Presidente Hazelden Foundation,
Minnesota, EUA (1949 a 2011)
Génese – Instituições
envolvidas (Minnesota Model)
1948 - Pioneer House (filosofia do tratamento dos Alcoolicos Anonimos, AA) era designado, na altura, como um clube/associação, onde surge o primeiro
membro de AA e a primeira figura do Addiction Counselor (1949) como profissão,
em colaboração com o Serviço de Saúde Publica de Minneapolis, EUA
1949 - Hazelden (filosofia do tratamento do AA)
1950 - Hospital State Wilmar – departamento de psiquiatria
(equipa de profissionais cuja abordagem ao tratamento foi inovadora contando também
com introdução da filosofia do AA).
Tratamento Residencial em Regime de Internamento
• Consiste
no processo que inicia quando indivíduo contacta um serviço (Instituição) com
vista a uma sucessão de intervenções específicas até se atingir o nível de bem-estar
– Avaliação, Admissão, Diagnostico, Plano de Tratamento personalizado e Recuperação
duradoura.
• Reduzir
ou eliminar problemas associados às substâncias psicoativas lícitas e/ou
ilícitas, incluindo o alcool.
• Reabilitação
dos problemas relacionados com as substâncias (diagnostico, assistência, aconselhamento,
participação da família, saúde e integração social).
Ligação entre Tratamento do Alcoolismo, o AA e o Modelo Minnesota
• Número
significativo de indivíduos que atingiram a sobriedade através do AA, nos EUA, a
visibilidade pública, por exemplo através dos meios de comunicação social e
algumas estrelas de cinema, músicos famosos, senadores, políticos em
recuperação a assumirem publicamente a preferência pela filosofia do programa
de 12 Passos.
• Em
1935/existiam 100 Membros do AA,
em 1942/800 membros.
• Pessoas
genais e visionárias envolvidas no tratamento do alcoolismo – Mel Rosen, Nelson
Bradley, Daniel Anderson, Rev John Keller , o filantropo John Rockefeller
Junior e a família Butler.
Filosofia do
Tratamento MM - anos 50
• Alcoolismo:
doença progressiva e crónica. Multidimensional: física, psicológica, social e
espiritual.
• Alcoolismo:
doença crónica e primária; não é um sintoma de outra doença subjacente vs.
Tratar da personalidade do alcoólico.
• A
presença ou a ausência da motivação, no início do tratamento, não tem
influência no resultado final.
• O
sucesso do tratamento exige uma atmosfera na qual o alcoólico/adicto seja
tratado com dignidade e respeito.
• Os
alcoólicos/adictos são vulneráveis ao amplo espectro das mais variadas
substâncias psicoactivas. O fenómeno, Dependência de Substâncias,
deve ser abordado em tratamento.
• A
abordagem à dependência de substâncias terá mais sucesso se a equipa de
profissionais desenvolver um tipo de relacionamento menos formal, mais “intimo”
com os pacientes, cujas atividades estão integradas num plano individualizado de
tratamento desenvolvido para cada paciente.
• Para
a execução do plano de tratamento designa-se um conselheiro – figura do gestor
do caso.
• Durante
o tratamento inclui a participação nos AA (reuniões), trabalhar os Passos,
terapia de grupo que combine a confrontação e o apoio, palestras, sessões
individuais de aconselhamento e um ambiente dinâmico (cultura - Milieu)
de responsabilização e aprendizagem.
• O
AA é a estrutura mais viável após o internamento (follow up) para a
Recuperação duroura/Sobriedade.
Minnesota Model- “Milieu” profissional
• Abordagem
Holística – Poder da experiência espiritual para a Recuperação através dos
grupos de ajuda mutua A.A. assume um papel preponderante na abordagem. “Se o
outro consegue eu também consigo”
• Etiologia
da doença vs. Programa de Recuperação “Onde não arranha, não se coça”
Daniel Anderson . Mais importante que a causa, os objetivos de recuperação (12
Passos) são uma prioridade, através da motivação para a mudança de comportamentos.
• Equipa
Multidisciplinar - Abordagem multidimensional à doença (medicina, psicologia,
clero e addiction counselors).
• Adictos
em Recuperação (Addiction Counselors, 1954) Nova designação profissional.
• “O Alcoolismo requer dois tipos de
conhecimento: cientifico e experiencia. Existem dois tipos de escolhas
disponíveis - Dinâmica Integradora vs. Polarização Auto Destrutiva .”
Daniel Anderson. Fusão da ciência, da teoria e da componente empírica.
Difusão do Modelo
Minnesota nos EUA, desde os anos 60.
• Alcoólicos
Anónimos e Narcóticos Anónimos
• Conferências
e cursos profissionais nas Universidades de Yale e Rutgers (1960/1990)
• Campanhas
nacionais através do Conselho Nacional Alcoolismo, (NCA). Marty Mann, co
fundadora do NCA, foi a primeira mulher, pertencente ao AA, a permanecer em
recuperação durante um longo período de tempo.
• Estágios
e Formação profissional, em Hazelden.
• Ex
colaboradores do Hospital de Wilmar State.
• Project Match , 1989 – Estudo (5 anos), que
contemplou e aprofundou a eficácia e vantagens “emparelhamento” da Terapia Cognitiva-Comportamental,
da Twelve Step Facilitation (oriunda do MM) e Motivational Enhancement Therapy
no tratamento do alcoolismo.
•
Na
Europa - Broadway Lodge, Inglaterra, 1974 (Dr. James Ditzler and Joyce
Ditzler)
Modelo de Tratamento
(Internamento)
• Dependentes
de substâncias, incluindo o álcool.
• Conceito
de doença
• Duração
da primeira fase de tratamento 60/90 dias. Caso se prolongue o tratamento o
paciente deve mudar de setting terapêutico.
• Abstinência
de Substâncias psicoativas
• Educação
s/ Alcoolismo – Sintomas físicos e psicológicos. Ambiente livre de drogas
• Palestras
e Terapia de Grupo (dinâmicas).
• Envolvimento
no AA (Espiritualidade).
• Aftercare – Pós tratamento.
Génese em Portugal
• Alcoolicos Anónimos, Alcoolicos Anónimos1978
• Narcoticos Anónimos Narcóticos
Anónimos, 1985
• Portugal,
Lisboa (projeto piloto) – Unidade de Tratamento Intensivo de Toxicodependências
e Alcoolismo (UTITA, 1985) no Serviço de Psiquiatria do Hospital da
Marinha
• Era
- Empatia, Recuperação e Apoio (1990) através do Dr. Margalho Carrilho, Joana
Faria e Cristina Mello
• Fundação
Frei Manuel Pinto da Fonseca (Centro Tratamento São Fiel, 1992/2004), em
Castelo Branco. Ao longo da sua existência apoiou mais de 3.000 pacientes. Instituição
pioneira nos programas de apoio aos familiares dos seus pacientes, formação
continua e supervisão dos seus colaboradores/profissionais.
Apesar do Modelo Minnesota ser uma das referencias mundiais
no tratamento das dependências, incluindo o alcoolismo, e do qual eu comprovo a
sua validade, não pretendo ser dogmático, porque pela minha experiencia,
algumas pessoas não se adaptam à sua filosofia. Nesse sentido, cada um é livre em
escolher o melhor tratamento e os melhores profissionais que o/a possam ajudar
na interrupção da progressão ativa da doença da adicção; doença cronica,
progressiva e caso não seja interrompida poder ser fatal. Estamos perante uma
doença complexa.
Mais recentemente, durante o final dos anos 80, surgiu outra
denominação, oriunda do Modelo Minnesota, designada de Twelve Step Facilitation. Esta designação é utilizada no Project Match
Depois de colaborar com varias instituições, gostaria de
acrescentar que o Modelo Minnesota em Portugal, apesar de existir desde 1985,
ainda está numa fase embrionária e a necessitar de uma atualização urgente, ao nível
da formação profissional, plano de tratamento, respeito pelos seus pacientes e
familiares, equipas de profissionais multidisciplinares dedicados e
comprometidos pelas suas carreiras, supervisão e código de ética, criação de
uma associação nacional que zele pelos interesses e características do modelo
em si, partilha de experiencias entre profissionais por exemplo através de
congressos, redes sociais, etc. Apelo aos profissionais e instituições que
utilizem o MM que invista mais na colaboração, cooperação e partilha de conhecimento,
no final, os nossos pacientes, as suas famílias e a comunidade vão beneficiar muito
mais, abram as portas ao conhecimento e à excelência, é um investimento de inestimável
valor.
Também gostaria de informar que o Modelo Minnesota não tem
qualquer ligação institucional ou profissional com os grupos de ajuda mútua dos
12 Passos, por exemplo Alcoólicos Anónimos, Narcóticos Anónimos, Jogadores
Anónimos. Por exemplo, oiço com muita frequência pessoas a afirmar que “O
centro onde o meu filho está internado é dos Narcóticos Anónimos”, isso é
falso. De acordo com estes grupos de ajuda-mutua os seus membros não são
profissionais, não possuem instalações para internamento ou não existe a figura do profissional que faz terapias/consultas. Estes indivíduos ajudam-se uns aos outros recorrendo á sua experiencia e partilha pessoal através
do programa dos 12 Passos, a participação de qualquer individuo, nos grupos de ajuda mutua, é voluntaria e
livre de qualquer cota ou pagamento. Consulte mais nas tradições de Alcoólicos Anónimos
ou Narcóticos Anónimos. Caso tenha alguma duvida envie a sua questão para xx.joao@gmail.com
Referências bibliográficas:
- “Slaying the Dragon – The History of Addiction Treatment and Recovery in America” – William White, 1998, 4ª Edição. A Chestnut Health Systems Publication
- “The Evolution of the Multidisciplinary Approach to Addiction Recovery – The Minnesota Model” – Jerry Spicer, 1993. Hazelden Foundation
- “Hazelden – A Spiritual Odyssey” Damien McElrath, Ph D. Hazelden Foundation
- "Project Match – Monograph Series” National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism (NIAAA), 1989
segunda-feira, novembro 12, 2012
Despertar espiritual; um passo para a recuperação dos comportamentos adictivos
Doze Sintomas sobre o despertar espiritual. (tradução)
1. Aptidão para deixar que as coisas aconteçam, em vez de
fazer com que elas aconteçam; largar o controlo.
2. Ataques de riso frequentes.
3. Sentimentos de ligação (conexão) com as outras pessoas e
a com a natureza.
4. Episódios frequentes e necessários de estima.
5. Propensão para pensar e agir da uma forma espontânea em
vez de agir com base no medo das experiencias do passado.
6. Aptidão inequívoca de usufruir cada momento.
7. Desprendimento na tendência para ficar preocupado.
8. Desprendimento no interesse de entrar em conflito.
9. Perda de interesse em interpretar o comportamento dos
outros.
10. Perda de interesse em julgar ou criticar os outros.
11. Perda de interesse na auto critica negativa.
12. Extrair proveito da aptidão para amar sem esperar nada
em troca.
Fonte: http://recoverytradepublications.com
Comentário: O que é que significa despertar?
De acordo com o dicionário da Língua Portuguesa, da Porto
Editora, é
“Tirar do sono; acordar; estimular; ativar; dar origem a;
avivar o espirito”
Na minha opinião o despertar espiritual, está
intrinsecamente relacionado com a recuperação dos comportamentos aditivos. Isto
não quer dizer que o despertar espiritual seja uma experiencia que ocorra em
todos os aditos/aditas e/ou que seja uma condição para o individuo iniciar a
sua recuperação. Não, todavia, algumas pessoas afirmam passar por esta
experiencia poderosa e profunda quando fazem a transição entre a adicção ativa
e a abstinência/recuperação – Mudança. A mudança de atitudes e comportamentos
proporciona uma determinada experiencia, ao individuo, referida como despertar,
que o afeta nível espiritual.
Um numero considerável de pessoas que experimentam a perda
total do controlo da sua vida, como consequência da adicção activa, isto é,
perdem a capacidade de antecipar e prever o resultado final dos seus
comportamentos e/ou objetivos é uma experiencia aterrorizadora e traumática, agravada
pela consciência plena do desastre e do caos eminente. Durante a adicção ativa,
estas pessoas perdem a capacidade de sonhar, perdem a capacidade de comunicar
com as pessoas que amam, perdem a capacidade de desempenhar as suas
competências no trabalho, vivem vidas duplas de ilusão, negação e sofrimento,
da qual a busca sistemática do alívio está confinado ao prazer imediato,
refiro-me às substancias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos (jogo,
sexo, distúrbio alimentar, dependência emocional, compras e furto). Quando
surge a oportunidade de interromper a progressão da doença (adicção) e do
sofrimento, através da consciência das coisas que foram vivenciadas durante a
experiencia passada e dolorosa, o despertar espiritual, eleva o potencial
humano, numa situação idêntica á sobrevivência, a atingir objetivos que o
individuo julgava não ser possível concretizar; desperta, acorda, reconhecendo que
a verdadeira mudança está em si mesmo, clarividente do renascer, e voltar a
viver, através dos paradoxos e da mudança de paradigmas disfuncionais, a fim de
ser tornar uma pessoa melhor.
Gostaria de referir que a palavra espiritual, não expressa
uma conotação religiosa pré determinada, não possui dogmas e/ou divindades. Espiritualidade
é um conceito único e livre, dependendo das crenças e experiencias de cada
individuo, é um sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem
o individuo comunica potenciado através da qualidade dos relacionamentos com as
outras pessoas (conexão – valores).
Você está em recuperação dos comportamentos adictivos e
passou por um despertar espiritual? Envie a sua experiencia para xx.joao@gmail.com
Partilhe a sua história, connosco. Bem-haja
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
segunda-feira, novembro 12, 2012
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12 Passos para recuperação,
abstinência,
adicção,
espiritualidade,
gratidão,
honestidade,
inspiração,
prevenção da recaída,
recuperação,
reflexão,
rendição,
resiliência,
sabedoria
sábado, outubro 13, 2012
Léxico de recuperação - Comunicação
Comportamentos
Adictivos - 2012
Abecedário
da Recuperação faz parte do léxico que define um estilo de vida com qualidade. Recuperar é que está a dar.
- Abstinência
- Brincadeira
- Confiança - perseverança e coragem apesar do medo.
- Dia a dia
- Esperança - é o equilíbrio quando surge o medo do desconhecido.
- Fé - é o sentimento de ligação com uma força superior imaterial com quem comunicamos.
- Gratidão - fazer o bem e o melhor possível; reconhecimento e reciprocidade.
- Hoje – O dia mais importante
- Inventário pessoal - aspetos positivos e os aspetos negativos
- Jubilo - conquista, felicidade e despertar espiritual, não religioso.
- Liberdade de escolha e decisão
- Mestria - competências individuais e sociais (talentos)
- Não - dizer não é liberdade, é assertividade. Em recuperação aprende-se a dizer não.
- Oração - contacto consciente com poder superior imaterial
- Partilhar é receber
- Querer - Fazer o melhor possível e entregar o resultado.
- Relações significativas de intimidade e de confiança; limites saudáveis.
- Sentir as emoções, seja elas quais forem, prazerosas ou as dolorosas. adoptar comportamentos geradores de qualidade de vida (Saúde, família, trabalho, amigos)
- Trabalho; produzir, criar. Desenvolver a autonomia e a independência
- Um dia de cada vez
- Viver de acordo com valores morais universais e espirituais únicos e livres, sem dogmas ou divindades
Comentário: Caso você esteja interessado/a em participar poderá acrescentar mais palavras ao léxico de recuperação comentando este post. Participe.
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
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sábado, outubro 13, 2012
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