Dizem que chorei imenso quando a minha Mãe me deu á luz; afinal, era um mundo inteiramente novo e diferente daquele a que estava habituado, no quentinho protegido de uma barriga.
terça-feira, maio 17, 2011
Renasci
Posso dizer que nasci duas vezes; ao que parece, todos os
nascimentos são dolorosos, e comigo também foi assim.
Dizem que chorei imenso quando a minha Mãe me deu á luz; afinal, era um mundo inteiramente novo e diferente daquele a que estava habituado, no quentinho protegido de uma barriga.
Desse nascimento não me
lembro de nada, mas recordo com o passar dos anos fui crescendo numa infância
feliz, aonde tive tudo o que era preciso para me tornar num adolescente
saudável, de bem com a vida e equilibrado. Ao invés de me adaptar e integrar no
mundo que se me abria e que ia descobrindo, fui crescendo (ou hibernando), cada
vez mais fechado em mim próprio sem nunca saber como lidar com todas as contrariedades
e dificuldades que eram/são comuns e normais a tantos e tantos jovens.
Descobri as drogas, aparentemente, por acaso, devia ter uns 13
ou 14 anos quando dei as primeiras passas num charro incitado por um novo grupo
de amigos, que de vez em quando também o fazia. Rapidamente, percebi que sob o
efeito do haxixe, todas as preocupações, frustrações ou dificuldades que
pudesse ter, deixavam de existir como que por magia; curtir era a palavra de
ordem, e curtir estava sempre associado às drogas; sem perceber que estava a
entrar num processo auto-destrutivo, passei a encarar a vida sem qualquer
sentido de responsabilidade e a única forma de o fazer era estar
permanentemente anestesiado sob o efeito de drogas, na gíria, de cabeça cheia.
domingo, maio 15, 2011
Relacionamento de Intimidade
“Não me interessa qual o teu modo de vida. Quero saber o que
anseias, e se ousas sonhar os desejos do teu coração.
Não me interessa saber que idade tens. Quero saber se
arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em
quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor,
se estiveste aberto às traições da vida ou se te encolheste e te fechaste com medo
de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou
a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor. Quero saber se
consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e
deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos
advertires para termos cuidado, sermos realistas ou nos relembrares as
limitações do ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo
mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria
alma. Quero saber se consegues ser fiel e, por isso digno de confiança. Quero
saber se consegues ver beleza mesmo num
dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero
saber se consegues viver com o erro, o teu e o meu, e mesmo assim ficar de pé à
beira de um lago e gritar à Lua prateada, “Sim!”.
quarta-feira, maio 04, 2011
A Dor crónica, a Culpa e a Adicção: Uma triangulação indesejada
Na maioria
dos casos, quando uma família ou relacionamento de intimidade romântico
(casal/parceiros) é afectado, pelas consequências negativas da Adicção activa,
sejam substancias psicoactivas licitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas,
jogo, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting, codependência, ocorrem dinâmicas
(atitudes e comportamentos) disfuncionais, entre os seus membros, que afectam o
equilibro da relação, dos limites, dos papeis e dos afectos. Todos, sem
excepção, são afectados pela dor aguda e adoptam uma postura defensiva no
relacionamento uns aos outros, por ex. através da culpa. Procura-se um culpado
pelo problema. Por ex. alguém na hierarquia família é culpado. Um mais do que
outro, alguém tem de ser culpado e “castigado” pela causa do problema e pelas
suas consequências. É perfeitamente legítima esta turbulência.
Sabemos que
a dor é comum a todos os seres vivos. É um mecanismo de sobrevivência. Funciona
como um sistema de alerta que é accionado quando algo está errado e possa
comprometer a integridade física e/ou emocional. Se não sentíssemos dor não
estaríamos vivos. Podemos classificar a dor em duas categorias 1. Dor
Aguda é consequência do trauma, do ferimento, do insulto e pode ser reciclada,
de duração limitada, através de um efeito curativo e transformador de
competências (experiencia empírica). Aprende-se com isso, a vida continua 2. Dor
Crónica persiste no tempo para além do fortuito produzindo sofrimento frequentemente
intolerável capaz de assumir diversos tipo de manifestações físicas e/ou
psicológicas. A Dor Crónica compromete seriamente a qualidade de vida.
Publicada por
JOÃO ALEXANDRE RODRIGUES conselheiro certificado abuso de drogas e alcool
à(s)
quarta-feira, maio 04, 2011
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terça-feira, abril 19, 2011
Gratidão
Após anos e anos de insanidade em busca de prazer imediato,
cansei-me. Cansei-me de tanta dor, desespero, mentira e solidão...
Quis morrer... Baixei os braços e desisti da vida a preto e
branco que levava. Estava tão cansada…
Mais tarde, aceitei
que tinha um problema, aceitei que tinha uma doença que me estava a levar à
loucura e à falência de todo o meu Ser…
Pedi ajuda…
Apesar do vazio que sentia, lutei e ultrapassei a angústia,
o medo e a confusão inicial.
Comecei a pegar as pontas soltas quase perdidas, da minha
vida, e regressei a muito custo ao mundo dos vivos…
Aos poucos fui percebendo que a energia pesada ia saindo de
mim, do meu corpo e da minha alma. Agora eu senti que me estava a libertar de
um buraco negro, quis ligar-me com o Sol e com a sua Luz.
Sempre fui demasiado frágil e sensível, a minha vivência
mostrou-me que existe algo demasiado forte, mais forte que a matéria. Acredito
que somos parte de um Universo imenso com dois pólos, o negativo e o positivo,
o Amor e o Ódio, o yin e o yang, o sim e o não. Coincidências que não são
apenas coincidências… Decidi escolher ligar-me ao Sol e à Luz, ao sim…Agora
podia escolher, estava livre!
quinta-feira, abril 07, 2011
Emoções Associadas aos Comportamentos Adictivos (Doença de Sentimentos)
quarta-feira, abril 06, 2011
Investigação e Intervenção
IX Jornadas da Saúde e das Toxicodependências “Investigação e intervenção em toxicodependência”
Local: Escola Superior de Saúde de Leiria.
Data: 06 de Maio de 2011
A organização é da Comunidade Vida e Paz - Comunidade Terapêutica de Fátima que que se dedica ao tratamento de toxicodependentes e alcoólicos.
A minha intervenção é sobre o Modelo Minnesota. Irei fazer algumas reflexões sobre a adopção deste modelo em Portugal.
Recuperar É Que Está A Dar
Veja o prograna e siga os links:
quinta-feira, março 24, 2011
Pessoas Especiais (Mentores) Earnie Larsen e Alan Marlatt
Recentemente tive conhecimento do falecimento, de duas
pessoas, ambos excelentes profissionais dedicados e empenhados na área do
tratamento e recuperação do alcoolismo e das dependências de substâncias
psicoactivas licitas e/ou ilícitas (drogas), refiro-me ao Dr. Earnie Larsen e
ao Dr. G. Alan Marllat.
Como profissional, há já alguns anos que acompanhava o
trabalho destes dois vultos cujo imenso e valioso contributo irá permanecer na
história da Recuperação dos comportamentos Adictivos. Para além de ser um
profissional dedicado (espírito de missão,) Earnie Larson também era um adicto
em recuperação com um historial de sobriedade de mais de 40 anos. O Dr Alan G. Marllat
desenvolveu, entre muitos, um brilhante trabalho nas áreas da Prevenção da
Recaída e na Redução de Danos.
Uma sincera homenagem ao Dr. Alan G.
Marllat e ao Dr. Earnie Larsen pelo compromisso, profissionalismo e orientação
(mensagem de inspiração) que prestaram, ao longo da sua vida, a milhares de indivíduos,
a profissionais, como eu, e principalmente aqueles que sofrem da Adicção,
incluindo famílias (crianças) e à comunidade.
Gostaria de acrescentar que é urgente, em Portugal,
existirem mais recursos e competências, pessoas especializadas e instituições
dedicadas, tanto a nível cientifico como empírico, no tratamento da doença da adicção às substancias psicoactivas licitas, incluindo
o álcool, e/ou ilícitas. É imperativo aproximar a ciência (investigação) da prática
(experiencia) e formar equipas multidisciplinares. São necessárias reformas (quanto
à metodologia, epidemiologia e etiologia) direccionadas à prevenção, ao tratamento
e à recuperação, assim como um maior envolvimento da sociedade, cujo principal intuito
é derrubar o estigma, a negação e a vergonha associado a esta doença. Aos indivíduos
doentes, assim como às suas famílias, é inevitável devolver a dignidade que
eles merecem. Não basta reinseri-los na sociedade, são obrigatórias terapias
que contemplem o individuo (bio-psico-social e espiritual).
Um Saudoso Adeus.
Earnie Larsen, 1939 – 2011 Alguns
livros: Satge II Relationships – Live Beyond Addiction, Beyond Anger Facilitator`s Guide, Days of Healing Days of Joy, From Anger To Forgiveness, Abused Boys Wounded Man Workbook.
G. Alan Marllat, 1941 -
2011 Investigador reconhecido internacionalmente escreveu e publicou mais de 20
livros e centenas de artigos científicos, recebeu inúmeros galardões. Esteve em Portugal.
Alguns
livros: Alcohol Use and ProblemDrinking, Brief Alcohol Screening and
Intervention for College Students, Determinants of Relapse, Harm Reduction,
Managing Your Drug or Alcohol Problem, The Tao of Sobriety
Recuperar É Que Está A Dar
quarta-feira, março 16, 2011
Ufit! Mexa-se pela sua saude
Quando pensamos nos grandes desejos, comuns
a todos nós, não será incorrecto afirmar que um deles é viver durante muito
tempo, com qualidade de vida (saúde, alegria, vigor, motivação, etc)
Apesar de estarmos todos de acordo, porque
é que para algumas pessoas os anos parecem não passar e outras carregam o peso
dos anos de forma mais evidente?
De forma consciente ou inconsciente, vamos
criando hábitos que nos podem aproximar ou afastar desse objectivo, desse
estado de equilíbrio, que podemos designar de Wellness (em tradução livre; bem-estar físico, mental e emocional,
que nos permite encontrar estabilidade e ser resilientes).
terça-feira, março 08, 2011
Registo Diario uma ferramenta para Recuperar
Se pensar bem, provavelmente, já escreveu sobre as suas experiências, relacionamentos e
aventuras. Refiro-me ao “velhinho” diário que está guardado numa caixa
esquecido. Aquele diário oferecido, quando éramos crianças e ou
adolescentes, onde secretamente ou não, registávamos os eventos e as experiências mais significativas e passado um tempo voltávamos a ler, vezes sem
conta, tudo outra vez, como se não houvesse amanhã.
Hoje em dia, de acordo com vários estudos, revelam que escrever, sobre si próprio
(registo diário), pode apresentar alguns benefícios, por ex. redução do nível
de stress, melhora o estado de humor e a sensação de bem-estar, reduz sintomas
de tristeza e depressão.
Ao longo da minha experiência profissional, sempre apelei e continuo incentivar o registo diário. Para aqueles que têm o desejo sincero em recuperar da adicção
activa, sejam substâncias psicoactivas (drogas lícitas, incluindo o álcool, e
as ilícitas) ou comportamentos (jogo, distúrbio alimentar, sexo, codependência)
o registo diário é um excelente recurso cujo intuito possibilita a
auto-reflexão e a autocrítica construtiva (feedback).
Como é do conhecimento geral, a mudança de atitudes e comportamentos exige auto
monitorização, motivação, honestidade e compromisso, assim o registo diário pode
revelar-se uma ferramenta útil para recapitular (gravar/histórico) os seus
pensamentos, experiências e emoções num caderno, no Pc, no notebook, tablet,
etc.
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
Regra do Silêncio na Adicção (Não fala, Não sente e Não confia)
A Regra do Silêncio aplica-se quando o assunto da Adicção e as suas consequências adversas não é tido em conta, valorizado e/ou negado,
num relacionamento entre duas pessoas (por ex. marido adicto e a esposa) e também perante as dinâmicas da família. Todos são afectados, directa e indirectamente,
mas acaba-se por conformar e resignar, como sendo algo normal, faz parte do
destino e infortúnio. Algumas pessoas afirmam “Não vale a pena tocar no assunto…”
Ao longo da minha experiencia em trabalhar com famílias de
adictos/as e indivíduos (ex. esposas) com relações de intimidade com adictos no
activo (dependências de drogas licitas, incluindo o álcool, e ou ilícitas,
jogo, sexo, distúrbio alimentar) constato, em alguns casos, que a progressão da
doença da Adicção, associado a determinados comportamentos disfuncionais e
insanos advêm da complacência, da passividade, do conformismo determinado pela
Regra do Silêncio. Em muitos casos, esta Regra do Silencio é adoptada, pelas
pessoas, não adictas, derivado ao estigma, à negação e/ou à vergonha.
Regras nos Relacionamentos
Existem regras para a
comunicação e para o bom entendimento entre duas (marido e esposa) ou mais pessoas, uma
família (pai, mãe e filhos – ex. hierarquia), moralmente institucionalizadas,
implícitas e/ou explícitas. Em muitos casos, estas regras são adoptadas ao
longo de gerações, de uma maneira muito imperceptível, mas conscientes dos seus
efeitos. Por ex. imagine uma família de cinco indivíduos; pai, mãe, um filho de
13 anos, uma filha de 9 anos e o filho mais novo de 5 anos. Nesta família, através
da mãe ou do pai, de uma forma subtil, vão passando a mensagem, aos filhos, de
que aquilo que se passa em casa não é para ser falado fora de casa, seja com a
família (tios, primos, avós), amigos e ou na escola, por ex. quando o pai, se
torna violento verbalmente com a mãe (esposa) durante uma discussão ao jantar; quando
se discute questões relacionadas com o dinheiro, por ex. o pai discute com a
mãe porque ela gastou (esbanjou) mais dinheiro do que devia numa ida ao shopping,
a mãe confronta o pai porque foi ao casino com os amigos e gastou o dinheiro
que não devia, o pai acusa a mãe de ser uma protectora dos filhos ao fazer
todas as vontades, sendo estes assuntos tema constante e gerador de conflitos e
“guerras” em casa. Os pais, em conjunto ou individualmente, certificam-se de
que as crianças não falam com absolutamente ninguém, fora de casa, sobre estes
assuntos. Todavia, e quando essas regras impostas, pelos adultos, são
disfuncionais e comprometem, negativamente, os relacionamentos, os limites e os
afectos? Que ocultam o abuso, a desonestidade, a negligência, a insanidade.
sexta-feira, janeiro 14, 2011
O Exercício físico é uma mais valia garantida (Indoor Cycling)
A modalidade de Indoor Cycling,
surge através de Johnny Goldberg (Johnny G) na década de 80. É
uma de aula de grupo, realizada em ginásios e health club’s em bicicletas
estacionárias com resistência manual e ao ritmo de música, cujo lema adoptado
foi: “As pedaladas mais importantes que podes dar na tua vida são as que direccionas
para ti próprio".
Os praticantes são conduzidos por um instrutor/a,
que vai criando um envolvimento “imaginário”, por ex. rectas, subidas e
descidas, visando a motivação do grupo. Cada participante, ajusta a resistência
da bicicleta, em função da música, imaginando o cenário e tendo em conta as suas
próprias capacidades.
No entanto,
apresentando-se como uma aula de grupo, o Indoor
Cycling não possui grande vocação para responder às exigências e necessidades
individuais dos praticantes sendo a intensidade de esforço, habitualmente,
determinada pelo professor em função do ritmo musical “imposto” (Batimento Por Minuto) e não em função das capacidades e/ou objectivos dos
praticantes (Garganta, 2005).
Desde o seu lançamento,
seguiu-se uma ampla proliferação de programas de Indoor Cycling, alguns deles associados a fabricantes de
bicicletas: TrebiSpin, RPM, Cycle Reebok, Tomhawk, Schwinn Indoor Cycling, Top Ride, entre
outros.
sábado, dezembro 11, 2010
Retirar o "pó do armário"
Foi no dia 13 de
Dezembro de 2008 que comecei a renascer.
Tudo para mim era tempestade.
Mudança, decisão, alegria, tristeza.
Tudo era uma dificuldade,
Uma vida repleta de incerteza.
Não sabia o que era Adicção,
Aceitei ajuda para fugir.
Entrei em profunda negação,
A mente não queria abrir.
Pensava na minha idade,
Olhava apenas para as diferenças.
No que fazia não via maldade,
Vontades de “flutuar”? Imensas!
Por vezes sentia dualidades.
Sabia que tinha de mudar,
Dos tempos passados tinha saudades,
Não sabia como recomeçar.
Levei o meu tempo,
E um dia, comecei a entregar.
Não queria mais o cinzento,
Senti
o meu naufragar.
Comecei a compreender
O quanto tinha descambado,
Doeu-me tanto (re)viver
Os episódios do passado.
Era preciosamente necessário
Que tudo eu relembrasse.
Retirar o “pó do armário”.
Para que eu recomeçasse.
Dando um passo de cada vez,
Fui conhecendo a realidade.
Por vezes replecta de porquês
Sobre a “tal” Liberdade.
Espiritualidade, serenidade.
Não sabia como se sentir.
Tinha destruído a capacidade
Que me ajudava a emergir.
Devagar, vou caminhando.
E (re)descubro sentimentos,
Com AMIGOS vou
partilhando,
Os mais profundos pensamentos.
Entrar em recuperação,
Foi o melhor que me aconteceu.
Agora vivo com emoção
Tudo o que o destino/P.S. me teceu.
Comemoro uma data brevemente
Proporciona-me alguma ansiedade
O primeiro preto positivo, felizmente!
Confesso que me faz sentir vaidade.
Neste lugar sempre terei
O aconchego desejado.
Se me manter, eu viverei
“E mais será
revelado….”
J.C. 8/12/2010
sexta-feira, novembro 19, 2010
Adicção: Vidas Duplas Repletas de Singularidade e Secretismo
A maioria dos adictos às substancias psicoactivas (licitas
e/ou ilícitas) e/ou comportamentos (jogo, relações, sexo, distúrbio alimentar,
shoplifting) permanecem “presos à teia” da Adicção apesar das consequências
nefastas e clinicamente significativas, no seu dia-a-dia, (por ex. negação,
vergonha, medo, sentimentos de culpa, ressentimentos) isto é, perdem o controlo
nas mais variadas áreas da sua vida ex. família, trabalho, saúde, problemas
legais ficando assim limitados na ajuda disponível.
O que é que mantém os adictos/as doentes?
Gostaria de expor alguns casos e explorar os factores que
contribuem para a progressão da doença, para a alienação de valores e o desfasamento
entre a realidade e a Adicção. A Adicção é uma doença. A maioria dos adictos
reconhece que algo está errado, todavia censura os sinais evidentes do
desgoverno recorrendo a todo um conjunto de mecanismos psicológicos que o
mantém doente e centrado no prazer imediato, no isolamento, na obsessão e
compulsividade e na ilusão do controlo. Muitos afirmam “Eu sei que estou mal, Mas…”
O que é que mantém
estes indivíduos doentes e disfuncionais ao invés de pedir ajuda? São imensos
os factores e aqueles que gostaria de realçar é a Negação, a Vergonha e o
Estigma associado ao comportamento adictivo.
Qualquer semelhança com estes casos é pura coincidência. Os
dados destas pessoas foram alterados.
Carlos. 47 Anos, casado
e com 2 filhos. Adicto ao jogo. Profissão: Gerente Bancário.
Consequências da Adicção.
O Carlos joga no casino com o dinheiro do seu ordenado (totalidade), com o
dinheiro da esposa, e por vezes aquele que é para pagar despesas da casa e da
escola dos filhos. Através de um esquema fraudulento e falsificação utiliza o
dinheiro de três clientes do banco. A mulher do Carlos, desesperada, adopta o
silêncio, mantendo secreto a doença do marido com receio de represálias e que
este a abandone. A mulher e o Carlos acumulam dívidas no total de 16mil euros. Os
pais do Carlos assim como os sogros ignoram a Adicção ao jogo. Os filhos do
casal têm problemas no rendimento escolar (agressividade e impulsividade). Nos
encontros sociais esta família aparenta felicidade e união.
Júlia 33 anos, solteira,
Distúrbio Alimentar. Profissão: Professora de Educação Física
Consequências da Adicção.
Vive com os pais. Não tem tempo para comer, isto é, só toma o pequeno-almoço (iogurte
magro e uma peça de fruta), não almoça e no final do dia, quando regressa a
casa, está esfomeada onde ingere alimentos altamente calóricos (ex. doces,
fritos e salgados). Por vezes adopta o jejum provocado e prolongado onde só
ingere líquidos. O assunto da comida é a sua principal preocupação diária
(obsessão), o que vai comer, quando vai comer. Sofre oscilações drásticas de
humor, por exemplo depressão. Desde os 18 anos que faz dietas restritivas. Após
períodos de fome e privação adopta comportamentos compulsivos (ex. binge,
voracidade e empanturrar-se) e depois provoca o vómito (purgação). Sente medo
(pânico) de engordar, considera que está muita gorda e utiliza o exercício
físico, excessivo, para não engordar. Nos encontros sociais aparenta ser uma pessoa
saudável, pelo seu aspecto físico, e que trata bem da sua saúde a nível da
nutrição.
sexta-feira, outubro 29, 2010
Dizer Não em contextos sociais - Lista de Não(s)
Para os indivíduos que estão abstinentes de álcool e/ou substâncias ilícitas (Recuperação) apresento uma lista de
respostas para aquelas situações caricatas e desconfortáveis, quando surge alguém ou varias pessoas e pergunta “Queres beber um copo? Vamos divertir à grande… Não sejas careta…É
só hoje..”
A
abstinência de bebidas alcoólicas ou substâncias ilícitas (drogas) é um
compromisso individual, mas pode ser um acto isolado, isto é, não se pode pedir
a outra pessoa para ser responsável por isso, mesmo que essa decisão não seja entendido ou
respeitado. Por isso, não necessita justificar as suas decisões, assuma essa
atitude.
Conheço um
caso de um indivíduo abstinente de substâncias psicoactivas, incluindo o álcool,
há dez anos, o próprio pai sugeriu ao filho “Olha lá, estamos aqui a festejar e já passou tanto tempo desde que
estás abstinente, não achas que já podes beber um copo de champanhe?!” O
filho optou por continuar abstinente, sem justificar, ao pai a sua escolha
pessoal.
Quando o
ambiente (ex. festa, jantar entre amigos/as) é desconfortável podemos sentir uma
sensação de vulnerabilidade perante cenários imprevistos.
Dizer Não
pode ser difícil, mas com habilidade criativa e competência treinada os
resultados são satisfatórios e encorajadores. Na comunicação podemos escolher
as respostas que mais se adequam os nossos valores, é um direito que nos
assiste - Assertividade. Qualquer resposta serve, sem ser justificada.
Algumas
dicas úteis:
- Não obrigado, estou a beber uma água.
- Bebidas alcoólicas interferem com a medicação para a asma.
- Obrigado pelo convite, mas tenho imenso trabalho para fazer em casa.
- Não obrigado, prefiro beber a minha bebida favorita (ex. coca-cola ou outra qualquer).
- Sou alérgico ao álcool.
- Não bebo bebidas alcoólicas, porque esta noite vou conduzir.
- Amanhã tenho um teste importante.
- Não obrigado, estou a tomar medicação que não pode ser misturada com o álcool.
- Estou em dieta…o álcool têm imensas calorias.
- Não obrigado, já bebi o suficiente.
- Sabes qual é o teu problema? Preocupaste demasiado com os outros. Está na hora de colocar as tuas prioridades em primeiro lugar.
- Pois, não estou interessado/a em ingerir veneno…estou a tentar, um dia de cada vez.
- Não quero perder o bom senso e a pouca de inteligência que ainda tenho.
- Já sou um idiota quando estou sóbrio, se beber ainda irá piorar a situação.
- Amanhã, vou doar o meu fígado ao meu sobrinho de 8 anos. Não quero que ele seja um alcoólico em recuperação.
- Obrigado pelo convite, adorava tomar uma agua tónica (ou outra bebida sem alcool).
- Desculpa, mas nunca bebo às sextas-feiras (ou outro dia qualquer)
- Não quero beber. A festa ainda agora começou e quero apreciar o ambiente até ao fim.
- Não bebo. Sou demasiado novo e perigoso.
- Não obrigado, por hoje estou a adiar ao máximo o consumo de álcool.
- Desculpa, mas sou alergico
- Não bebo obrigado, sou solteiro/a.
- Não bebo, obrigado, sou casado/a
- Não bebo em frente às crianças.
- Agora não, talvez mais tarde.
- Não obrigado, ainda não estou desesperado
- Não obrigado o meu fígado está cansado
- Não obrigado. Estou a tentar não ficar com barriga de cerveja.
- Não bebo, vou conduzir.
- Não bebo, estou grávida.
- Não obrigado, prefiro ficar inebriado com a vida.
- Se quero um rum com cola?! Ok, sem rum.
- A água é a minha bebida preferida.
- A última vez que bebi, fui parar a um centro de tratamento. Acredita, não quero lá voltar!
- Acredita que sou mais divertido quando estou sóbrio.
- Prefiro as bebidas com cafeína, queres uma cola?
- Estou com renite alérgica. Os medicamentos não ligam com o álcool.
- Não sou um tipo que bebe álcool, prefiro água, se não te importas.
- Não obrigado, esta noite não bebo.
Quando estiver numa situação de risco estabeleça um PLANO “Hoje Não vou beber.”
Se sentir desconfortável procure a saída para a rua mais próxima. Recuperar É Que Está a
Dar.
domingo, setembro 19, 2010
Declaração de Viena 2010
Este texto foi publicado pelo Grupo Português de Activistas
sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT) www.gatportugal.org após a AIDS July, 2010, XVIII International
Aids Conference in Vienna, Austria
A criminalização das pessoas que usam drogas fomenta a
epidemia do VIH e teve consequências sociais e para a saúde extremamente
negativas. É necessário uma reforma das políticas de drogas.
Em resposta aos danos sociais e à saúde causada pelas drogas
ilegais, um regime de proibição internacional foi desenvolvido sob os auspícios
das Nações Unidas. Décadas de pesquisas proporcionam uma avaliação abrangente
do impacto mundial da “Guerra às Drogas”. Quando milhares de indivíduos se
reúnem em Viena para a XVIII Conferencia Internacional de Sida, a comunidade científica
internacional pede o reconhecimento dos limites e danos decorrentes da
proibição total do uso de drogas, bem como a revisão das orientações, para
eliminar barreiras à prevenção, ao tratamento e cuidados pelo VIH.
A evidência de que o cumprimento da lei tem fracassado no
que diz respeito à prevenção da disponibilidade de drogas ilegais em
comunidades onde há procura, é agora inequívoca. Durante as últimas décadas, os
sistemas nacionais e internacionais de vigilância têm demonstrado que existe um
padrão geral da queda nos preços nos preços das drogas e um aumento da pureza
das mesmas, a despeito dos investimentos maciços no cumprimento da lei.
Além disso, não há evidência de que o aumento do rigor no cumprimento
da lei reduza de modo significativo a prevalência do uso das drogas. Os dados
também demonstram com clareza que o número de países em que as pessoas injectam
drogas ilegais está a aumentar, sendo as mulheres e as crianças cada vez mais
afectadas. Fora da África subsariana, um em três casos novos de VIH é entre as
pessoas que usam drogas injectadas. Em determinadas áreas onde o VIH se
dissemina mais rapidamente, como a Europa do Leste e a Ásia Central, a
prevalência do VIH chega a atingir 70% dos utilizadores de droga injectada, em
determinadas áreas, mais de 80% de todos os casos de VIH encontram-se neste
grupo.
No contexto da evidencia avassaladora de que o cumprimento
da lei não tem alcançado os seus objectivos, é necessário reconhecer e analisar
os danos que causa. Os danos incluem, entre outros:
- Epidemia de VIH fomentada pela criminalização das pessoas que usam drogas ilícitas e pelas proibições de disponibilização de material de injecção seguro e de tratamentos de substituição opiácea.
- Explosão da transmissão do VIH entre utilizadores de drogas presos e institucionalizados, como consequência de leis e normas punitivas, assim como a falta de serviços de prevenção de transmissão do VIH nestes ambientes.
- Erosão dos sistemas de saúde publica, quando o cumprimento da lei afasta os utilizadores de drogas dos serviços de prevenção e cuidado e os empurra para ambientes onde o risco de transmissão de doenças infecciosas (ex. VIH, Hepatite C e B e tuberculose) assim como outros danos é redobrado.
- Crise nos sistemas de justiça criminal como consequência das altíssimas taxas de encarceramento numa serie de países. Isto tem afectado negativamente o normal funcionamento social de comunidades inteiras. Enquanto disparidades étnicas nas taxas de encarceramento por crimes relacionados com drogas são evidentes em todo o mundo, o impacto tem sido particularmente grave nos EUA, onde aproximadamente um em cada nove afro-americanos no grupo etário de 20 a 34 anos é encarcerado todos os dias, sendo o cumprimento da lei sobre drogas o principal motivo.
- Estigma em relação às pessoas que usam drogas ilícitas, o que reforça a popularidade politica da criminalização dos utilizadores de drogas e enfraquece a prevenção do VIH , assim como de outras iniciativas de promoção de saúde.
- Violações graves dos direitos humanos, incluindo a tortura, trabalho forçado, tratamento desumano e degradante, assim como a execução de dependentes de drogas numa serie de países.
Um mercado ilícito de drogas de 320 Mil Milhões de Dólares
norte americanos. Estes lucros permanecem totalmente fora do controle dos
governos, fomentando o crime, a violência e a corrupção em inúmeras comunidades
urbanas e tem destabilizado países inteiros , como a Colômbia, o México e o
Afeganistão.
Milhares de Milhões de Dólares dos contribuintes gastos
anualmente na “Guerra às Drogas” que não só não atingem os objectivos
enunciados como, em vez disso, directa ou indirectamente, contribuem para os
dados acima enunciados.
Infelizmente, a evidência do fracasso da mera proibição de
drogas em alcançar os seus objectivos, assim como as graves consequências
destas orientações são frequentemente negadas por aqueles com interesse em
manter o status quo. Isto tem criado confusão na população e tem custado
inúmeras vidas. Os governos e as organizações internacionais têm obrigações éticas
e legais em responder a esta crise e devem procurar alternativas apoiadas na evidência
que possam efectivamente reduzir o dano causado pelas drogas sem causar mais
danos. Nós, abaixo assinamos, pedimos aos governos e organizações
internacionais, incluindo as Nações Unidas:
- Se comprometam a fazer uma revisão transparente da eficácia das orientações actuais em relação às drogas.
- Implementem e avaliem uma abordagem de saúde pública com base científica para abordar os danos individuais e para as comunidades decorrentes do uso ilícito de drogas.
- Descriminalizem os utilizadores de drogas, aumentem as opções de tratamento para a dependência de drogas apoiadas no conhecimento cientifico e na evidencia, bem como, a abolição dos ineficazes centros obrigatórios de tratamento de drogas, que violam a Declaração Universal dos Direitos Humano.
- Apoiem e aumentem inequivocamente o financiamento para a implementação do conjunto abrangente de intervenções no âmbito do VIH descrito na Guia de Estabelecimento de Objectivos da OMS, UNODC, e ONUSIDA.
- Promovam o envolvimento significativo da comunidade afectada no desenvolvimento, monitorização e implementação de serviços e orientações que afectam as suas vidas.
Comentário: Este
artigo permite uma informação generalizada sobre a epidemia do abuso de drogas ilícitas
e do VIH, assim como uma constatação da ineficácia das medidas implementadas de
forma a prevenir o abuso de drogas e do VIH. Por si só representa um tremendo
falhanço e um dispêndio enorme de fundos (milhares de euros).
Gostaria de acrescentar, ao fenómeno dependências ilícitas e o VIH, e fazer referência à epidemia (negligenciada e
ignorada) relacionada com o abuso e dependência do álcool e das drogas legais, paralelamente
ao consumo de drogas ilícitas e à transmissão do VIH. Desta forma, este fenómeno
assume uma proporção desmedida e incalculável, onde os estudos/investigações
permanecem nas prateleiras e anualmente são gastos milhares de euros, sem uma
avaliação seria e independente.
O fenómeno contínua escondido pelas autoridades
(in) competentes, pela ordem dos médicos, ordem dos advogados, políticos e legisladores
justificado pelos interesses económicos e corporativismo. Milhares portugueses,
no seu dia-a-dia, sofrem as consequências deste fenómeno, incluindo as crianças. Recuperar É Que Está a Dar. Gostaria de agradecer ao GAT a publicação deste artigo.
Importante: O
presidente do IDT e actual Director do Observatório Europeu Drogas e
Toxicodependência (OEDT), o Dr. João Goulão foi um dos convidados a intervir na
Conferencia Mundial sobre a Sida. Aguardamos para breve uma revisão às medidas
implementadas em relação à Prevenção e ao Tratamento das dependências em
Portugal
domingo, setembro 12, 2010
Menu de Escolhas - Pensamento Adictivo e o Pensamento em Recuperação
A
Adicção é um fenómeno transversal à nossa sociedade consumista e moralista. Paradoxalmente,
uma parte significativa da nossa cultura limita e restringe o tratamento e a
recuperação da Adicção através de sistemas adaptativos (capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de
hábitos) e
cumulativos, (modificações trazidas por
uma geração que passam à geração seguinte) ex. tradições, preconceitos, estereótipos, crenças
que reforçam a negação, a vergonha, o estigma e em último caso a recaída.
Enquanto
crianças, não aprendemos a pensar em lista de opções (Menu Criativo). Aprendemos demasiados Não (s), e
dolorosamente, demasiados "Tens..."
ou "Deves...".
Aprendemos a reagir (acting out)[i] e a negar as emoções
dolorosas e ou depender de pessoas e coisas de forma a satisfazer as
necessidades básicas. Aprendemos a agradar aos nossos pais, às suas
expectativas irreais e exigências relacionadas com o êxito. Aprendemos a
agradar aos nossos professores e a seguir aquilo que está pensado pelos outros
(instituído), antes de nós – o mesmo processo/medida aplica-se a todos. Mais
tarde, procuramos o êxito a qualquer custo através do trabalho e do estatuto
profissional. Aprendemos a tomar decisões já desactualizadas e retrógradas. Aprendemos
a depender e acreditar, única e exclusivamente, em nós mesmos (mito),
quando na realidade passamos a vida a depender de pessoas e coisas. Quando
alguém destemido e aventureiro mostra intenção de investigar, explorar novas
ideias e caminhos colocam-se rótulos insólitos, como se tratasse de um “vírus” ao status familiar e/ou cultural. Aprendemos a pensar mais naquilo que
os outros pensam e dizem (sobre nós
mesmos) e como devemos sentir, ao invés de explorar e reinventar as nossas
próprias escolhas e Rumos – através do potencial individual e colectivo
(humanidade).
sexta-feira, julho 23, 2010
domingo, julho 04, 2010
Imoralidade ou doença? Shoplifting/Furto
Aqueles indivíduos que são dependentes de substâncias (lícitas, inlcuindo o alcool, e/ou ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras - shopaholics, shoplifting - furto, codependência e distúrbio alimentar) estão expostos e vulneráveis a um conjunto de mecanismos (bio-psico-social) que contribuem e reforçam a progressão da doença da Adicção (ex. craving /ânsia, fixação, desejo poderoso e irresistível). Nos últimos 15 anos, alguns estudos revelam que os comportamentos adictivos interferem no funcionamento normal do cérebro responsável pela aprendizagem e a recompensa (gratificação). Os genes “dão as ordens” perante determinadas “ameaças” e o cérebro executa-as.
A Adicção é uma doença do cérebro com sintomas psicológicos. Como seres humanos, possuímos um mecanismo maravilhoso e misterioso no cérebro que nos mantém vivos das mais variadas ameaças por ex. tragédias, acidentes, situações de perigo. O que é acontecia se não sentíssemos medo? Certamente morríamos. Todavia também aprendemos que a vida, desde a nascença até a idade adulta, apresenta um conjunto complexo e indeterminado de ameaças. Sentimos o isolamento e a tristeza, a dor da perda de algo ou alguém especial, a separação, o insucesso, a injustiça, a frustração e a angústia. Seremos bem sucedidos na gestão da adversidade? Gostamos de nós, tal como somos? Somos aceites? Os outros gostam de nós? E se nos acontece alguma desgraça?
O que é o Shoplifting - furto?
O Shoplifter é um indivíduo que não consegue controlar-se perante a ânsia em roubar de uma forma repetitiva. Rouba diversas coisas, desde roupa, gadgets, produtos e dinheiro. Não o faz porque precise, mas porque não consegue controlar as suas atitudes e comportamentos. Rouba pela sensação de imoralidade e de perigo que provoca, não pelo objecto em si. Como sabemos a vida é difícil. A maioria dos shoplifters identifica uma sensação de grande injustiça nas suas vidas e roubar é a forma como actua sobre esse sentimento persistente, intenso e doloroso. Generaliza e reforça os seus comportamentos adictivos “Se os outros também roubam tenho o mesmo direito de fazer o mesmo.” Simbolicamente, roubar é repor a justiça e a igualdade.
sábado, julho 03, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
quinta-feira, junho 03, 2010
Historias de Vida na Recuperação da Dependência (Rostos e Vozes)
Ao longo de 17 anos de carreira profissional "acumulo" um vasto registo de historias de pessoas. Historias de vida. Historias reais repletas de drama e coragem, de sofrimento e de humildade, de doença e Recuperação. Recordo o nome do primeiro paciente. Recordo imensos rostos e vozes. Alguns são exemplo "vivo" daquilo que o ser humano é capaz de (re)inventar de forma a Recuperar.
Recordo uma dessas historias reais.
Conheci um individuo dependente com 38 anos, em tratamento em regime residencial de internamento, afectado pela progressão (consequências negativas) da doença activa (dependência) ao longo de 20 anos. Inúmeros problemas na saúde, família e emprego.
Após o período inicial de adaptação ao tratamento, aproximadamente de um mês, certo dia queixava-se de dores de cabeça e pediu medicação. Como era costume, encorajávamos os nossos residentes a ventilar e a expressar as suas emoções dolorosas. Sabíamos que as dores de cabeça eram "normais" derivado à abstinência e à "pressão" do tratamento ex. viver 24/24 horas com 20 e tal indivíduos na mesma casa, grupos diários de terapia, trabalhos escritos (ex. os 45 exemplos danos e impotências), regras da casa, enfim uma realidade completamente distinta do "mundo" da dependência. A maioria dos dependentes fica extremamente ansioso, quando está com algum sintoma desconfortável (dores); a reacção imediata é "Quero medicação... dói-me imenso a cabeça. Não aguento isto."
Este individuo andou mais ou menos cinco dias a queixar-se de dores de cabeça. Com a agravante dos sintomas agudizarem-se conforme os dias iam passando. A medicação obedecia a um determinado protocolo clinico por ex. uma vez por dia, ou de 8 em 8 horas, dependendo de cada caso.
Comecei a constatar que algo se estava a passar de anormal. Encaminhei este individuo para a urgência do Hospital, recordo que foi acompanhado por um paciente mais "antigo," que também recordo o nome e o rosto.
Recordo uma dessas historias reais.
Conheci um individuo dependente com 38 anos, em tratamento em regime residencial de internamento, afectado pela progressão (consequências negativas) da doença activa (dependência) ao longo de 20 anos. Inúmeros problemas na saúde, família e emprego.
Após o período inicial de adaptação ao tratamento, aproximadamente de um mês, certo dia queixava-se de dores de cabeça e pediu medicação. Como era costume, encorajávamos os nossos residentes a ventilar e a expressar as suas emoções dolorosas. Sabíamos que as dores de cabeça eram "normais" derivado à abstinência e à "pressão" do tratamento ex. viver 24/24 horas com 20 e tal indivíduos na mesma casa, grupos diários de terapia, trabalhos escritos (ex. os 45 exemplos danos e impotências), regras da casa, enfim uma realidade completamente distinta do "mundo" da dependência. A maioria dos dependentes fica extremamente ansioso, quando está com algum sintoma desconfortável (dores); a reacção imediata é "Quero medicação... dói-me imenso a cabeça. Não aguento isto."
Este individuo andou mais ou menos cinco dias a queixar-se de dores de cabeça. Com a agravante dos sintomas agudizarem-se conforme os dias iam passando. A medicação obedecia a um determinado protocolo clinico por ex. uma vez por dia, ou de 8 em 8 horas, dependendo de cada caso.
Comecei a constatar que algo se estava a passar de anormal. Encaminhei este individuo para a urgência do Hospital, recordo que foi acompanhado por um paciente mais "antigo," que também recordo o nome e o rosto.
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