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sexta-feira, agosto 31, 2007

Historia de Sabedoria


Os Três Leões

Numa floresta havia três leões. Um dia, o macaco, representante eleito dos animais, fez uma reunião com toda a bicharada e disse: - “ Nós, os animais, sabemos que o leão é o rei dos animais, mas há uma duvida no ar; existem três leões fortes. Ora, a qual deles nós devemos prestar homenagem?" Os três leões souberam da reunião e comentaram entre si; “ É verdade, a preocupação da bicharada faz sentido, uma floresta não pode ter três reis, precisamos de saber qual de nós será o escolhido. Mas como descobrir?” Essa era a grande questão; lutar entre si, eles não queriam, pois eram muito amigos. O impasse estava formado. De novo, todos os animais reuniram-se para discutir uma solução para o caso, até que, mais tarde, tiveram uma ideia excelente. O macaco encontrou-se com os três felinos e contou o que eles decidiram; “Bem, senhores leões, encontramos uma solução para o problema. A solução está na Montanha Difícil.”
Montanha Difícil?! Como assim?!
É simples, ponderou o macaco. Decidimos que vocês os três devem escalar a Montanha Difícil. Aquele que atingir o pico primeiro lugar será consagrado o rei.
Naquela imensa floresta, a Montanha Difícil era a mais alta entre todas, o desafio foi aceite. No dia combinado, milhares de animais cercaram a Montanha para assistir à grande escalada.
O primeiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O segundo tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
O terceiro tentou. Não conseguiu. Foi derrotado.
Os animais estavam curiosos e impacientes. Afinal, qual deles seria o rei, uma vez que os três foram derrotados? Foi nesse momento que uma águia sabia, idosa na idade e grande em sabedoria, pediu a palavra; “Eu sei quem deve ser o rei!!!!...” Todos os animais fizeram um silencio de grande expectativa.
A senhora sabe, mas como?” Todos gritaram para a águia.
É simples,” confessou a sabia águia, “Eu estava a voar entre eles, e quando eles voltaram derrotados para o vale, eu escutei que cada um deles disse para a montanha.
“O primeiro leão disse; Montanha, tu venceste-me!”
O segundo leão disse “ Montanha, tu venceste-me!”
O terceiro leão disse “Montanha, tu venceste-me, por enquanto! Mas, tu montanha, já atingiste o teu tamanho final, e eu ainda estou a crescer."
A diferença…”, completou a águia “ …é que o terceiro leão teve uma atitude de vencedor diante da derrota e o que pensa assim é maior do que o seu problema; é rei de si mesmo, está preparado para ser rei dos outros.
Os animais da floresta aplaudiram entusiasticamente ao terceiro leão que foi coroado rei entre reis.

Moral da historia:
Não importa o tamanho dos seus problemas ou dificuldades; os seus problemas pelo menos na maioria das vezes já atingiram o clímax, já estão no nível máximo – mas você não, ainda está a crescer.
Lembre-se do ditado:
“Não diga a Deus que tem um grande problema, mas diga ao problema, que tem um grande Deus”

quinta-feira, agosto 30, 2007

"O Dinheiro Também Fala"


Relacionamento individual com o dinheiro.
Ao longo da minha experiência profissional, considero importante para aqueles que estão em recuperação da adicção identificarem  crenças disfuncionais e/ou emoções dolorosas, muitas vezes inconscientes, sobre questões financeiras e económicas. Sabemos que durante o processo activo da adicção a drogas, incluindo o álcool, o jogo, o sexo, distúrbio alimentar, shoplifting - furto e shopaholics - compras uma das consequências mais significativas e dolorosas, na vida de um individuo, estão relacionado com a perda de controlo relativamente a uma gestão responsável dos seus recursos financeiros e a falta de autonomia, bem como a necessidade de viver dependente, do ponto de vista financeiro, de outras pessoas, por ex. a família.

Conheço casos de famílias que do ponto de vista financeiro, vivam acima da media alta, todavia durante o processo activo da adicção ficaram reduzidos a zero. Existem  um grande numero de pessoas que durante o seu passado tiveram experiências negativas com o dinheiro. Também é comum observarmos que em torno do dinheiro para haver negativismo, desconfiança, ressentimento e dor. Contudo sabemos que na realidade, o dinheiro é um recurso inofensivo e inocente. Segundo um perito financeiro americano Dick Wagner “ O dinheiro foi originalmente criado com base na generosidade e dignidade e não na ganância, no pânico ou dor”. Mas quando alguém tem emoções por resolver e desconfortáveis, normalmente age na defensiva, desconfiado e encontra dificuldades na relação com o dinheiro. Recordo um caso de um individuo, numa consulta, onde abordamos a questão do dinheiro e a sua reacção foi de surpresa e choque. Aparentemente era um assunto tabu, recheado de preconceitos, onde não contemplava partilhar sentimentos com as outras pessoas. Era um tema secreto. Acredito que o dinheiro ou a falta dele contribua para processos e dinâmicas relacionados com a recaída. Partilhar crenças e sentimentos, da forma mais honesta possível, proporcione uma perspectiva diferente sobre este tema tão importante e complexo.

segunda-feira, agosto 27, 2007

Lidar Com a Vergonha Tóxica, segundo Melody Beatie


"Maneiras saudáveis de derrubar e enfrentar a vergonha tóxica. Mudança no sistema de crenças pessoais rígidas e do controlo baseadas na Vergonha (tóxica) por crenças baseadas no Amor-próprio e na Auto aceitação.

O sistema de crenças pessoais rígidas e controladoras da vergonha tóxica reforça os nossas atitudes e comportamentos; no dia-a-dia agimos de acordo com essas mesmas crenças disfuncionais de uma forma subtil baseadas na crença interior que aquilo que somos e fazemos não é “normal” e OK. Pelo contrario, somos “anormais”, indesejáveis e diferente os outros (estigma, preconceito e estereotipo).

Através da recuperação da adicção activa, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto o adicto  aprende novos conceitos e decide quem realmente é. Aprende a amar e a ser amado, aceita-se de uma forma incondicional. Quando comete erros aprende a separar os sentimentos e o comportamento da sua própria identidade. 

Segundo Melody Beattie, aquilo que fizemos (comportamento) pode não ser OK., mas nós (pessoa única e singular) somos OK. Podemos decidir fazer algo diferente para corrigir esse padrão de comportamento disfuncional. Este é o objectivo básico em recuperação, é a essência dos programas de 12 Passos(1) e é o que o programa de recuperação dos 12 passos pode fazer por nós próprios.

Ao longo da vida, adquirimos um código moral que nos informa, no dia-a-dia, se estamos a violar ou não esse código de valores. Todavia, em recuperação adoptamos um novo sistema de crenças saudáveis e construtivas, através dos 12 Passos ( http://en.wikipedia.org/wiki/Twelve-step_program ) mantendo um contacto com o nosso poder Superior,(conceito individual imaterial não religioso sem dogmas e divindades). Este novo e realista sistema de crenças reforça a confiança e a auto-aceitação, bem como a relação com as outras pessoas. Somos pessoas OK e esta realidade é reforçada, através da aprendizagem com os erros  e da monitorização honesta dos comportamentos, em vez da busca da perfeição e da ilusão. Em recuperação, inicia-se o processo de adaptação à realidade, privilegiando a tolerância, a flexibilidade, a honestidade, a ajuda-mutua e a responsabilização.


sexta-feira, agosto 24, 2007

Distúrbio Alimentar

Os Meus Direitos

1. Tenho o Direito de fazer o luto da perda acerca daquilo que não tive mas que tinha direito a ter; e de aquilo que tive mas que não queria ter.

2. Tenho o Direito de seguir os meus próprios valores e princípios.

3. Tenho o Direito de dizer NÃO da qual não me sinto preparado porque não é seguro ou vai de encontra os meus próprios valores.

4. Tenho o Direito à dignidade e ao respeito.

5. Tenho o Direito de tomar decisões baseadas nos meus sentimentos, valores ou atitudes ou qualquer outra razão que encontre.


6. Tenho o Direito de definir e privilegiar as minhas próprias prioridades.

7. Tenho o Direito que os outros respeitem as minhas necessidades e vontades.

8. Tenho o Direito de terminar qualquer tipo de conversa com pessoas que não me valorizem ou me humilhem.

9. Tenho o Direito de não me sentir responsável pelo comportamentos, atitudes, acções; ou problemas das outras pessoas.

10. Tenho o Direito de cometer erros e de não ser perfeito.

11. Tenho o Direito que os outros sejam honestos comigo.

12. Tenho o Direito de sentir; todos os meus sentimentos.

13. Tenho o Direito de sentir raiva da/as pessoa/as que amo.

14. Tenho o Direito à minha singularidade, sem que me sinta mal “na minha própria pele.”

15. Tenho o Direito de me sentir assustado e de dizer, “Eu estou assustado/a...

16. Tenho o Direito de sentir medo, culpa, vergonha e depois entregar (soltar).

17. Tenho o Direito de mudar de ideias quando quiser.

18. Tenho o Direito de ser feliz.

19. Tenho o Direito ao meu próprio espaço e tempo.

20. Tenho o Direito de descontrair, de brincar e de ser superficial.

21. Tenho o Direito de mudar e crescer como ser humano.

22. Tenho o Direito de ter mente aberta de forma a desenvolver as minhas próprias habilidades, na comunicação, para que seja entendido pelos outros.

23. Tenho o Direito de fazer amigos e de estar confortável no meio das pessoas.

24. Tenho o Direito de não viver num ambiente abusivo.

25. Tenho o Direito de ser tão saudável quanto os outros.

26. Tenho o Direito de cuidar de mim; aconteça o que acontecer.

27. Tenho o Direito de fazer o luto das perdas presentes ou daquelas que ameacem acontecer.

28. Tenho o Direito de confiar naqueles que mereçam a minha confiança.

29. Tenho o Direito de dar e receber amor.

( Dr. Charles Witfield: Limites e Relações; Conhecimento; Protecção e Beneficios)

Comentário: Acredito que a base da nossa sanidade mental e a qualidade de vida reside nos atributos das relações interpessoais. Necessitamos de pessoas à nossa volta que nos alegrem, nos surpreendam, nos chateiem, nos apaixonem, nos desiludam como forma de nos mantermos “vivos”, activos e resilientes. Criamos sinergias, constituímos afectos e laços intensos como forma de nos sentir-mos seguros e protegidos. Fazemos parte de algo superior a nós mesmos, algo grandioso e imaterial, tolerante, bondoso e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades.

Grande parte dos nossos problemas existenciais giram em torno dos relacionamentos; ex. marido e mulher, filho e pais, entre familiares, entre desconhecidos, empregados e patrões, vizinhos, entre pessoas que gostamos e pessoas que não gostamos, assim necessitamos de criar papeis, limites saudáveis e construtivos e assegurar relações duradouras, estáveis e resilientes às crises do dia-a-dia e à intolerância. Pessoas com carisma e positivas. Neste sentido, não existem limites.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Vergonha Tóxica no âmago da Adicção

"A Vergonha Tóxica" pelo Reverendo Leo Booth e o Dr John Bradshaw

Sou a Vergonha Tóxica
"Qualquer tipo de abuso nas relações de intimidade “alimenta” a Vergonha Tóxica – “alimenta-se” do sentimento de inadequação e da rejeição, da debilidade e do desconforto, incapaz de valorizar as potencialidades e habilidades pessoais e única. O auto conceito é distorcido pela Vergonha Tóxica.
A Vergonha Tóxica é superior à culpa. Com a culpa, você fez algo errado, mas consegues reparar o dano. Consegue desenvolver competências cognitivas e emocionais e superar o dano provocado, através de reparações concretas.
A Vergonha Tóxica significa que existe algo está errado dentro de si, não é possível fazer nada para modificar isso, é intrínseco. Você considera, seriamente, que é uma pessoa inadequada e “defeituosa” por natureza, na sua condição humana. A Vergonha Tóxica é o núcleo da “ferida” no “coração" da criança.
Recentemente, uma meditação poderosa foi revista, originalmente escrita por Leo Booth que realça alguns dos aspectos da Vergonha Tóxica, explorado no livro de John Bradshaw “Healing the Shame That Binds You.”


“O meu nome é Vergonha Tóxica

Já existia durante a tua concepção,
Nas hormonas da vergonha da tua própria mãe,
Sentes o meu fluido no ventre da tua mãe,
Cheguei mesmo antes de tu conseguires dizer a primeira palavra,
Antes de saberes que existias,
Antes de teres aprendido alguma coisa,
Cheguei quando aprendias a andar,
Quando te encontravas exposto e sem protecção,
Quando estavas vulnerável e a precisar de amor,
Antes que tenhas aprendido a criar quaisquer limites,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Cheguei quando tudo era inofensivo e mágico,
Antes de saberes que eu existia, já lá estava à tua espera,
Separei-te da tua genuinidade e da espontaneidade,
Perfurei-te até ao cerne da tua alma,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de imperfeição e inadequação,
Fiz com que desenvolvesses sentimentos de desconfiança, de malícia, em te sentires um idiota,
De insegurança e duvida, de insignificância e de inferioridade,
Fiz com que te sentisses diferente das outras pessoas,
Comprovei que afinal havia algo errado contigo,
Abalei as tuas crenças espirituais,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Existo antes de desenvolveres a tua consciência,
Antes da culpa,
Antes da moralidade,
Sou a tua principal emoção,
Sou a voz interior que segreda palavras de censura,
Sou o tremor e a inquietação interior que te atravessa sem que consigas qualquer tipo de reposta lógica,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Vivo no segredo,
Nas profundezas húmidas e escuras da depressão e do desespero,
Apareço sempre pelas costas, estou sempre pronta a humilhar-te quando te apanho desprevenido,
Sou indesejável, inconveniente e não sou “bem vinda”,
Fui a primeira chegar,
Já existia desde o principio de tudo,
Como Adão e Eva,
Sou “o assassino dos inocentes “,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Sou originaria de sistemas perfeccionistas e rígidos – controladores, oportunistas, de abuso, do ridículo, da negligencia e do abandono,
Sou alimentada pela intensa e chocante raiva parental,
Pela crueldade dos irmãos,
Sujeita à humilhação das outras crianças,
Sou um reflexo horrível ao espelho,
O contacto físico com os outros é algo assustador e “sujo”,
Sou a ignorante, a desajeitada e a idiota que estraga sempre tudo,
Sou fortalecida por uma cultura racista e sexista,
Como o inocente condenado pelo fanático religioso,
Sou os medos e pressões na escola,
Sou a hipocrisia dos políticos,
Os sistemas de multi-gerações da vergonha disfuncional
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Consigo transformar uma mulher, um homem, um judeu, um preto, um gay, um oriental ou uma criança preciosa;
Num estorvo, numa falhada, numa vitima, numa inútil,
Trouxe comigo a dor crónica,
A dor que não se vai embora,
Sou o predador que te persegue de dia e noite,
Todos os dias e em todo o lado.
Não tenho limitações,
Tentas esconder-te de mim,
Mas não consegues,
Porque vivo dentro de ti,
Faço-te sentir que não há esperança,
E não vale a pena sequer tentar,
O meu nome é Vergonha Toxica.”

“A minha dor é insuportável e canalizo-a para os outros através da necessidade de controle,
do perfeccionismo, desdém, criticismo, inveja, critica, poder e ódio,
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de a esconder com adicções, papeis rígidos, representações,
Ou defesas inconscientes do ego.
A minha dor é tão intensa,
Que precisas de “adormecer” e fugir a qualquer custo,
Consigo convencer-te que já parti; que não existo; experimentas a minha ausência e o vazio,
O meu nome é Vergonha Tóxica.”

“Sou o âmago da codependência,
Sou a falência espiritual,
A lógica do absurdo,
A repetição da compulsividade,
Sou o crime, a violência, o incesto e a violação,
Sou o apetite voraz que alimenta as adicções,
Sou insaciável e cheio de luxuria,
Sou a traição, sou um manipulador nato,
Modifiquei-te naquilo que és, naquilo que aparentas ser,
Aniquilo a tua alma e atravesso gerações,
O meu nome é Vergonha Tóxica”


“Esta meditação evoca a transformação da criança maravilhosa e como ela se converte numa criança magoada, abusada e inadequada. A perda da capacidade de sonhar e das suas crenças conduz à falência espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades. A criança maravilhosa é abandonada e deixada sozinha. É uma criança invisível ao olhar dos adultos.


Como escreve Alice Miller em “For Your Own Good”, a situação da criança é ainda mais traumática que o sobrevivente de um campo de concentração. "Os condenados de um campo de concentração odeiam livremente os seus carrascos. A oportunidade de partilhar os seus sentimentos com os seus companheiros previne-os do acto de rendição. A criança não pode expressar as suas emoções, por ex. não pode e não deve odiar o seu pai. Ela não pode odiá-lo, ela receia que ele a deixe de amar como consequência dessa sua traição. Entretanto a criança, ao contrario dos condenados do campo de concentração, é confrontada pelo tormento do pai que ama. A criança continua a viver essa angústia, sofrendo de uma forma passiva e atormentada, reprimindo as emoções, projectando e expressando as suas emoções de uma forma que só ela pode e sabe.
É Recuperando esta Criança ”Interior” que se inicia a jornada de acolhimento e libertação.”~

Comentário: Na recuperação da adicção aprende-se a recuperar a Criança Interior, numa jornada espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades

quinta-feira, agosto 16, 2007

Linguagem dos Sentimentos - Um Estilo de Vida na Arte de bem viver

A Linguagem dos Sentimentos (Gestão Intrapessoal e Interpessoal)
Como é do senso comum o qualquer ser humano tem sentimentos. Fazem parte de nós, é algo que não conseguimos ver, tocar, cheirar, ouvir, mas que conseguimos sentir, isso mesmo, tão simples. Por vezes tão divertido e relaxante e/ou confuso e desconfortável (atabalhoado). Resumindo, na linguagem dos sentimentos 2+2 pode ser igual a 7.

Na linguagem dos sentimentos podemos amar alguém, mas também podemos odiar e voltar a amar. Quantas vezes as nossas paixões ultrapassaram a razão ao longo da vida? Por vezes, temos a sensação que não conseguimos controlar aquilo que sentimos, e isso pode ser desconfortável e/ou confuso. Noutros casos, passamos uma imagem (exterior) aos outros, diferente daquilo que sentimos (interior). Também avaliamos, na minha opinião erradamente, a aparência exterior dos outros através do nosso interior, comparando e desvalorizando os nossos talentos, por ex. se conhecemos alguém que tem uma bela casa, um emprego e um ordenado excelente, automaticamente assumimos, que essa pessoa é feliz e tem sucesso na vida. A realidade não bem assim.

Aquilo que gostaria de reforçar é a importância em ser honesto/a e verdadeiro/a com os nossos sentimentos, sonhos, paixões e desejos, sejam divertidos ou desconfortáveis. É importante valorizar o nosso interior emocional, como algo do qual aprendemos a aceitar, a conhecer e a respeitar. Não é novidade, que monitorizar os sentimentos dá trabalho, mais, os resultados não são imediatos e/ou gratificantes, todavia, aprendemos a sentir e a não fugir de nós. Negando, minimizando, mentindo quanto aquilo que somos sendo meio caminho para a desonestidade e da irresponsabilidade.

Segundo a abordagem da psicologia cognitiva, aquilo que pensamos (Atitudes) criam os nossos sentimentos, que por sua vez afectam aquilo que fazemos (comportamentos). Atitudes + Sentimentos = Acções (comportamentos). Nós somos aquilo que fazemos com os nossos pensamentos.


terça-feira, agosto 07, 2007

A Raiva e as Dinâmicas


O problema da Raiva: Algumas Definições
Generalizando, a Raiva é um sentimento que varia entre a irritação suave, à raiva e à fúria (ódio) intensa.
A Raiva é uma resposta natural aquelas situações em que nos sentimos ameaçados, que nos vão magoar ou em que alguém significativo, de uma maneira gratuita e/ou sem fundamento. Sentimos raiva quando alguém nos engana e sentimos injustiçados por isso. Podemos ficar em Raiva quando, por ex. uma criança ou alguém significativo é ameaçado e/ou magoado. Podemos concluir que a Raiva pode ser uma resposta à frustração quando as nossas necessidades, os nossos desejos ou objectivos não são atingidos.


Quando ficamos com Raiva, podemos perder a paciência e agir de uma maneira impulsiva, agressiva ou violenta (irracional). A maioria das pessoas têm a tendência para confundir a Raiva com a agressão e/ou assertividade. Agressão é um tipo de comportamento/impulso intencional que pode causar danos graves nas outras pessoas (vitimas) e/ou destrói-se bens. Este comportamento pode envolver abuso verbal, emocional ameaças e ou actos violentos.


Um termo relacionado com a Raiva e a agressão é a hostilidade. A hostilidade refere-se a um conjunto de atitudes e julgamentos (crenças) que são a motivação para comportamentos agressivos. Enquanto a Raiva é uma emoção a agressão é um tipo de comportamento. A hostilidade é uma atitude que envolve julgar e criticar as outras pessoas de uma forma negativa, onde se manifesta aversão e descontentamento em relação aos outros.



Quando É Que A Raiva Se Torna Um Problema?
Qualquer ser humano sente raiva (sentimento), sentir raiva é OK. Faz parte das nossos sentimentos. A Raiva torna-se um problema quando é sentida de uma forma intensa e/ou reprimida. Quando é sentida de uma forma frequente e expressa de uma maneira inapropriada, por ex. agressividade, intimidação. Sentir raiva de uma forma intensa e frequente provoca extrema tensão física no corpo. Quando sentida de uma forma prolongada, em episódios frequentes, certas divisões do sistema nervoso central ficam altamente activas. Consequentemente, o ritmo cardíaco e a pressão arterial aumentam e permanecem elevadas durante longos períodos de tempo. Este tipo de stress no corpo resulta em diferentes tipos de problemas de saúde. Evitar a doença física é um factor, por si só, motivador para aprender a gerir a raiva construtivamente.



sexta-feira, agosto 03, 2007

Por favor, Ouçam Aquilo Que Eu Não Digo






Por vezes, identificar e exprimir os sentimentos/emoções pode ser uma tarefa ardua e desconhecida. Na linguagem das emoções, não existe a lógica isolada (racionalidade), por exemlo 2+2= 4. Nas emoções amamos, e no outro extremo odiamos. Em recuperação da adicção, aprende-se o valor dos sentimentos  e a compreender a forma como esses sentimentos interferem no dia-a-dia, com um propósito e sentido.


A "Criança Interior" tem uma ligação muito forte às atitudes, às emoções e aos comportamentos (passado e presente). Em recuperação, descobre-se essa "Criança Interior" e aprende-se a protege-la e a permitir que ela se expresse, sem criticas destrutivas ou julgamentos rígidos, perfecionistas e ou falsos preconceitos moralistas . Aprende-se a valorizar a sua criatividade, a sua espontaneidade, a honestidade e a simplicidade. É um trabalho interior de descoberta e partilha ao longo da vida.

Criança Interior (Child Within) 
"Não te deixes enganar por mim,
Não te deixes enganar pela cara que eu ponho,
Porque eu uso uma mascara, mil mascaras, mascaras que tenho medo de tirar,
E nenhuma delas sou eu.
O fingimento é uma arte que está enraizada em mim,
Mas não te deixes enganar.
Por amor de Deus não te deixes enganar."

"Posso dar a impressão que sou seguro,
Que está tudo tranquilo e sereno dentro e fora de mim,
Que a confiança é o meu nome e a frieza o meu jogo,
Que está tudo sob controle dentro de mim, está tudo calmo.
E não preciso de ninguém."

"Mas não acreditem em mim.
À primeira vista a minha cara pode parecer suave,
Mas a aparência é a minha mascara,
Inconstante e enganadora está sempre a esconder-se.
Debaixo da aparência não há satisfação.
Debaixo da aparência existe a confusão, medo e solidão
Mas eu escondo isto. Não quero que ninguém o saiba."

"Entro em pânico com a ideia dos meus medos e fraquezas serem expostos.
É por isso que criei inquietantemente uma mascara para me esconder,
Uma fachada sofisticadamente despreocupada,
Para me ajudar a fingir,
Para me proteger daquele olhar de relance de quem verdadeiramente me vê.
Mas é esse olhar precisamente a minha salvação."

"É a minha única esperança, eu sei isso.
Isto é, se for seguido pela a aceitação,
se for seguido pelo amor.
É a única coisa que me pode libertar de mim mesmo,
Das paredes da prisão que eu próprio construi,
Das barreiras que tão minuciosamente ergui,
É a única coisa que me assegurará,
Daquilo que não posso assegurar a mim próprio;
- “Que realmente eu tenho valor...
Mas eu não te digo isto. Não me atrevo . Tenho medo.
Tenho medo que o desvendar ao teu olhar não seja seguido pela aceitação,
Que não seja seguido pelo amor."

"Tenho medo que me menosprezes, que rias,
E o teu riso irá destruir-me.
Tenho medo que bem no fundo eu não seja nada, que realmente não seja boa pessoa
E tenho medo que tu vejas isto e me rejeites.
Por isso, jogo o meu jogo, o meu desesperado jogo do “Faz de conta”,
Com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro."

"Começa então o sumptuoso mas vazio desfile de mascaras,
E a minha vida torna-se numa farsa.
Mantenho contigo um dialogo inútil num tom de conversa superficial.
Conto-te tudo, que na realidade nada é,
que realmente tem significado,
e que está chorar dentro de mim.
Por isso, quando eu estiver a ir pelo mesmo “caminho”,
Não te deixes enganar por aquilo que estou a dizer,
Por favor, tenta ouvir aquilo que eu não digo,
Aquilo, que eu gostaria de ser capaz de dizer,
Aquilo que por necessidade, gostava de poder falar,
Mas que não sou capaz de dizer."

"Eu não gosto de me esconder,
Eu não gosto de fazer jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de jogar esses jogos.
Eu quero ser genuíno, expontâneo e ser eu mesmo,
Mas tu tens que me ajudar.
Tens de ficar de mão estendida à minha espera,
Mesmo que isso pareça a ultima coisa que eu queira."

"Só tu podes tirar da minha visão; a fixação vazia do estado “vegetal”.
Só tu me podes “acordar” para viver a vida.
Cada vez que tu és carinhoso, gentil e encorajador,
Cada vez que tentas compreender, porque realmente te importas,
No meu coração começam a crescer “asas”,
Umas “asas” muito pequenas,
Umas “asas” muito trémulas,
Mas são “asas” !"

"Com o teu poder de tocar os meus sentimentos,
Podes dar um “sopro” de vida,
Eu quero que tu saibas isso.
Eu quero que saibas o quanto és importante para mim,
E como podes ser um Criador – um Criador à imagem de Deus –
De uma pessoa que sou eu,
Se quiseres.

"Tu sozinho podes derrubar a barreira atrás da qual eu tremo,
Tu sozinho podes tirar as mascaras,
Tu sozinho podes libertar-me do meu mundo sombrio de pânico e incerteza,
Da minha “prisão” solitária,
Se assim o decidires.
Por favor, decide que sim. Não me deixes passar “ao lado.”

"Não vai ser fácil para ti.
Uma forte convicção de que não tenho valor construiu fortes muralhas.
Quanto mais perto tu chegares a mim,
Mais cegamente poderei ripostar.
É irracional, apesar do que os livros dizem sobre o ser humano,
Muitas vezes eu sou irracional.
Eu luto para manter, aquelas mesmas coisas que choro por largar.
Mas dizem-me que o amor é mais forte do que ”fortes muralhas”,
E aí reside a minha esperança."

"Por favor, tenta vencer essas barreiras,
Com mãos firmes,
Mas com mãos gentis,
Porque a criança que sou é muito sensível.
Quem sou eu, tentas tu imaginar,
Sou alguém que conheces muito bem,
Porque sou todos os homens que já encontraste,
E todas as mulheres que já conheceste."


Alimento para o pensamento construtivo, Recuperar É Que Está A Dar.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Codependência - Relações de dependência















Codependência  é um tipo de patologia emocional e de relacionamentos, recentemente descrita por investigadores do comportamento humano. O termo Codependência surgiu na cena da terapia, no final dos anos setenta nos EUA


De inicio, a descrição deste quadro incluía apenas familiares de pacientes alcoólicos mas com o tempo o seu significado foi ampliado e actualmente o termo codependência também inclui a conduta de familiares e/ou pessoas significativas que têm um problema de comportamento no relacionamento de intimidade.

“Um individuo codependente é alguém que permite que o comportamento de outra pessoa o afecte, e sente obcecado por controlar o comportamento do outro.” Melody Beattie “Vencer a Co-dependencia

“Uma situação emocional, psicológica e comportamental que se desenvolve como resultado da exposição individual prolongada à pratica de um conjunto de regras opressivas – regras que impedem a expressão aberta dos sentimentos bem como a discussão directa de problemas pessoais e interpessoais” Robert Subby “Co-dependency, An Emerging Issue

“Comportamento autoderrotistas, aprendidos ou devido a defeitos de caracter, que resultam numa capacidade reduzida de iniciar ou participar em relações amorosas” Earnie Larsen

Tudo começa com o facto de uma pessoa se envolver (por amor, obrigação ou dever) com outra disfuncional que adopta comportamentos auto destrutivos, por ex a adicção (substâncias psicoactivas lícitas e/ou ilícitas, jogo, sexo, compras, furto, distúrbio alimentar) e precisa, aparentemente, do ponto de vista do dependente do seu apoio para se curar. Essa pessoa, pode ser um adulto deprimido, uma esposa ou amante bulímica, um irmão que não se sai bem na vida, um marido que tem problemas financeiros, uma irmã que tem a sua vida num caos e parece frágil para resolvê-las, um pai alcoólico ou um namorado que é adicto ao jogo ou ao sexo. Enfim, o importante não é o grau de parentesco ou a sua doença, o  aspecto central do problema está no codependente, não nos outros, na forma como permite que o comportamento do outro o/a afecte e como o codependente tenta influenciar e controlar através de jogos psicológicos (manipulação, desonestidade, mentiras, agressividade). Por ex. "Se gostasses verdadeiramente de mim não fazias uma coisa dessas. Por tua causa estou a sofrer imenso." ou ameaças vãs que não são concretizadas.

segunda-feira, julho 30, 2007

Auto-Estima


Antes de falar na Auto-Estima vamos abordar alguns sintomas da doença da adicção. Encontramos na adicção, quer seja às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e ou ilícitas ou comportamentos - jogo, sexo, distúrbio alimentar, compras (shopaholics), shoplifting (furto), três vertentes, que estão interrelacionadas, que contribuem para uma baixa auto-estima no individuo adicto:

1. Física – Compulsão; processo uma vez despoletado pode ser extremamente difícil interromper,
2. Mental – Obsessão, preocupação exagerada (fixação) e ilusão (Negação),
3. Emocional /Espiritual - Total egocentrismo e isolamento social (egoísmo).



Sabemos também que este “triângulo” afecta todas as áreas da vida de um adicto (individual, familiar, social) automaticamente, afecta a sua auto-estima (auto conceito) de uma forma corrosiva e progressivamente. A baixa auto-estima é um problema comum, na maioria dos adictos, e em diversas situações passa despercebido sendo difícil de identificar. Recordo um adicto afirmar de uma forma espontaneamente “ Quando eu uso drogas sinto que a minha auto-estima é alta”. Para alguém que tem um problema de adicção, usar ( ou abusar, uso problemático) drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas, é perfeitamente “normal”. Faz parte do seu dia-a-dia, como por ex. alimentar-se, dormir.




Para muitos potenciais adictos o uso de drogas lícitas, incluindo o álcool, e/ou ilícitas ou comportamentos adictivos surge da incapacidade para se auto-aceitarem (auto conceito) e lidar com os sentimentos dolorosos em situação de crise (baixa aptidão e falta de competências), associado a sentimentos de raiva, tristeza, ansiedade, confusão e medo. Desenvolvem um autocrítica muito rígida e perfeccionista, ex. certo e errado, julgamento pessimista de si mesmo, e /ou em alguns casos os adictos/as procuram a aceitação e o reconhecimento dos outros para o seu sentimento de inadequação. Na minha opinião, ninguém com uma auto-estima saudável se torna adicto/a, não quero com isto afirmar que a causa da adicção seja a baixa auto estima. É um sintoma, entre outros, de alguém adicto.


domingo, julho 29, 2007

Viver Um Dia de Cada Vez


Para aqueles que estão em Recuperação da Adicção activa, quer seja de substancias psico activas (abstinentes de álcool e/outras drogas ilícitas) ou comportamentos  - jogo, sexo, trabalho “workaholics”, sexo, compras (shopaholics), shoplifting (furto), disturbio alimentar e codependência que procuram lidar com os seus sentimentos de uma forma construtiva, assim como, viver as dificuldades do dia-a-dia, viver no presente pode ainda ser extremamente frustrante e penoso se pensarmos que Recuperação significa mudança e em alguns casos recomeçar do zero. Esta realidade acarreta desafios e adversidade, por ex. reconquistar a dignidade, a confiança e a honestidade, adaptação ao sistema familiar, superar o estigma, quebrar as barreiras da negação e enfrentar a vergonha tóxica. Recuperação não significa cura e não é um acontecimento isolado, mas um processo de transformação de avanços e recuos.

A adicção é uma doença primaria, não é um sintoma de outra doença, é crónica e progressiva. A recaída também faz parte deste processo. Ninguém se torna adicto de um dia para o outro, não é uma escolha individual, como também ninguém recupera num determinado dia ou semana. Por isso, a recuperação da adicção activa é também gradual e progressiva sendo importante o tempo (processo). Este tempo, não pertence a ninguém, não é controlável, mas extremamente importante, muitas vezes sustentado em fracassos, na rejeição, na perda de controlo, nos erros mas também em pequenas "grandes" vitorias e desafios de crescimento emocional e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades.


Viver um dia de cada vez implica ter um plano e um compromisso para com a recuperação. Significa viver no momento presente, aqui e agora, um minuto, uma hora, uma manhã, uma tarde de cada vez. Viver no momento como se mais nada fosse realmente importante. Não alimentar a preocupação e ou ansiedade em ter resultados imediatos e milagrosos, do tipo "Eu quero ter uma relação...Quero ser aumentado no emprego... Quero ser aceite pela minha família...quero um emprego seguro...Não quero sentir...Não quero sofrer ou sentir dor". Por vezes este "Quero" significa uma crença disfuncional irreal e rígida (tudo ou nada, certo e errado) capaz de boicotar a recuperação.


quarta-feira, julho 25, 2007

Trabalhar a Assertividade para o resto da Vida


A Oração da Serenidade é uma abordagem espiritual, não religiosa sem dogmas e divindades, ao tema da Assertividade:
Concedei-me Senhor, 
Serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, 
Coragem para modificar aquelas que posso, e a 
Sabedoria para distinguir umas das outras .”


Na sua essência rogamos pelo discernimento sobre pensamentos positivos que nos permitem comunicar e tomar decisões construtivas. Quando fazemos escolhas e tomamos decisões construtivas estamos a ser ASSERTIVOS e melhoramos a qualidade dos nossos relacionamentos.

Para a maioria de nós o medo distorce e sustenta algumas coisas que não gostamos,
com a raiva reagimos e tomamos decisões precipitadas e as emoções limitam e condicionam as nossas decisões.

Características das Pessoas:
A) Falta de Assertividade/ Passividade. A falta de Assertividade é permitir que as outras pessoas nos tratem da maneira que entenderem, sem que nós desafiemos aquilo que é dito ou feito. Significa fazer aquilo que as outras pessoas querem, apesar da nossa vontade ser diferente – ex. agradar aos outros, facilitar, encobrir, manipular. "Porque dizemos sim, quando queremos dizer não?"

  1. O problema na comunicação é evitado.
  2. Os seus direitos legítimos são renunciados.
  3. Os direitos dos outros são encarados como prioritários em relação aos seus. Isto cria um padrão no comportamento dos outros, em relação a si, fazendo com que eles beneficiem e tirem vantagem. Se você pensar ”Se tiveres bem eu estou bem..." ou "Se estiveres mal eu estou mal...” está a negligenciar as suas próprias necessidades
  4. Permite que os outros avaliem e definem como você se sente e pensa – "Não tem voto na matéria."
  5. Permitir que os outros escolham as suas actividades.
  6. Os seus objectivos serão um dia alcançados – adiamento, vitimização e resignação. Os objectivos dos outros são mais importantes “Esperar com os braços cruzados; à espera de um milagre.”
  7. Nega e reprime a raiva e o ressentimento – minimiza e racionaliza os sentimentos desconfortáveis.
  8. Na interacção com os outras pessoas, preocupa-se somente em respeitar os outros. Procura a aprovação e agradar.
  9. Falta de confiança em si próprio. Baixa auto-estima.
  10. Espera por favores e serviços.


domingo, julho 22, 2007

A recuperação da adicção para a vida


Sendo a adicção às substancias psico-activas lícitas, incluindo o álcool  e as ilícitas, uma doença do cérebro sabemos que o consumo de drogas afecta seriamente o funcionamento normal do cérebro (neuroquímica / neurotransmissores – ex. libertação “anormal” de dopamina) conduzindo o adicto na senda da gratificação imediata, aquela sensação de prazer e/ou bem estar única capaz de modificar e ou atenuar (adormecer) as emoções dolorosas do dia-a-dia, por ex. fracasso ou rejeição numa relação de intimidade, despedimento, perda de alguém significativo, cansaço físico e/ou a sensação de falta de energia, ansiedade e ou sentir-se deprimido etc. Aprende-se a oscilação das emoções e descobre-se um mundo de novas experiências sensacionais e únicas com drogas.

Ao interromper a progressão da adicção activa, o período inicial de abstinência total às drogas, incluindo o álcool, as principais prioridades passam por se manter “limpo” de drogas, a todo e a qualquer custo. Depois, aprender o conceito de doença, aderir à abstinência (responsabilização e participação activa), fazer novos amigos, reencontrar o lugar na família por ex. reparar danos consequência do passado disfuncional, identificar e reaprender a lidar com emoções (tais como; raiva, medo, vergonha e culpa, ressentimento) de uma forma construtiva, por ex. não agir nos impulsos, prevenção da recaída e viver um dia de cada vez. Todo este processo, leva aproximadamente cinco anos, exige muita responsabilização, compromisso e motivação da parte do adicto. Ninguém o pode substituir neste “trabalho” e desafio individual. 

Para um adicto no activo consumir drogas, incluindo o álcool, pode ser um “hobbie” extremamente absorvente, pode passar 7 dias por semana/365 dias por ano a pensar como obter e consumir substâncias, é a prioridade numero um da sua vida. O objectivo é consumir drogas, incluindo o álcool, sem olhar aos meios, se for necessário magoar, agredir, mentir, roubar, manipular pessoas queridas. A obsessão e a compulsividade da adicção exige que assim seja, nada é suficiente importante que o impeça o adicto de o fazer.

No inicio da abstinência também se aprende a dar um passo de cada vez. Em muitos casos, precisa-se de apoio e orientação da família, apoio profissional, económico e das pessoas significativas (amizades genuínos) de forma a se “elevar o olhar” e encarar os erros do passado de frente, com determinação e positivismo. Muitos adictos, incluindo os familiares, cujo ambiente se encontra disfuncional, “doente”, re-começam da “estaca zero”. Todos foram “apanhados pela rede” da adicção, ninguém escapa ileso à devastação e ao caos. Alguns membros da familia sofrem de stress pós-traumático. Todos foram afectados, por isso, estão todos “no mesmo barco” é preciso fazer novos planos e uma "limpeza à casa". È necessario repensar nas atitudes e comportamentos a mudar, ex. mais tolerância, honestidade, comunicação e compromisso na mudança da parte de todos, como um grupo e n
inguém muda de um dia para o outro. Ninguém é perfeito, os seres humanos são seres imperfeitos. Recordo-me de um pai que dizia, fazendo uma analogia, com sabedoria, “Este exemplo é como a fruta que está no cesto da cozinha, uma peça apodrece e passado algum tempo apodrecem as outras todas...



Após o período inicial de abstinência, refiro-me ao primeiro ano, a fase mais conturbada foi ultrapassada, já se conseguiu auto-estima, aceitação do passado, atingiu equilíbrio emocional e familiar, estabilidade económica e profissional, surgem, normalmente, obstáculos difíceis e também eles potenciais de distúrbios ao nível da saúde física, mental e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, assim como as consequências negativas. Refiro-me por exemplo a comportamento que podem despoletar um processo adictivo, por ex., distúrbio alimentar, jogo, sexo compulsivo, relacionamento de intimidade disfuncional, trabalho compulsivo, compras só para referir alguns. Ao longo da minha experiência profissional acompanhei pessoas que associaram as suas recaídas e/ou deslizes cujo processo disfuncional iniciou-se no consumo de bebidas alcoólicas, como uma forma de confraternização social, outras atribuíram a recaída a relações amorosas disfuncionais; por ex. necessidade de controlar o parceiro/a, obsessivo, agradar de uma forma exagerada o seu parceiro/a, ao jogo por ex. casinos, poker, outras com a comida; por ex. (apetite exagerado / ingestão compulsiva de alimentos), auto conceito e imagem corporal distorcida, aumento de peso e baixa de auto-estima.



Quando vivenciamos uma experiência que produza prazer ou bem estar, o nosso cérebro produz dopamina, esse efeito imediato é conhecido dos adictos "Uma vez não chega e mil vezes não são suficientes". Existem três áreas que é necessário permanecer atento em recuperação, são o dinheiro, o sexo e a comida. Para os adictos em recuperação é extremamente atraente, por um lado, mas arriscado por outro, este tipo de experiências, radicais e profundas, relacionadas com o prazer, isto é, pode comprometer a médio ou a longo prazo a sua abstinência, assim como a qualidade de vida que tanto trabalho exigiu no inicio da recuperação a conquistar.


não almejam atingir a perfeição, apesar de muitas vezes ficar “embebedado” nesta falsa crença, mas através de um processo de aprendizagem de fracassos, de frustrações, de remorso e de erros, procura proporcionar junto daqueles que amam experiências enriquecedoras em termos dos afectos e dos laços, foi assim que se aprendeu a valorizar, no inicio da recuperação coisas muito simples, tais como sentir que não está só, que não é um ser horrível, dormir, tratar da higiene pessoal, afinal é possível recuperar. Se os outros conseguem, você também consegue, como algo espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, libertador do sofrimento, da obsessão, do isolamento e dos segredos da adicção. A “chama” da esperança em recuperar pode permanecer eterna, um dia de cada ve.


Não quero afirmar que erradiquem ou eliminem estas experiências recompensadoras e estimulantes, não acredito que a solução se encontre em fundamentalismos moralistas e proibicionistas existe uma área/equilíbrio a realçar e a descobrir entre os extremos, contudo reforço a importância de manter níveis de vida satisfatórios ao nível das relações com as outras pessoas e consigo próprio. Alguns seres humanos desejam tornar-se pessoas melhores , não almejam atingir a perfeição, apesar de muitas vezes ficar “embebedado” nesta falsa crença. Através de um processo de aprendizagem nos fracassos, nas frustrações, de remorso e de erros, procura proporcionar junto daqueles que amam experiências enriquecedoras em termos dos afectos e dos laços, foi assim que se aprendeu a valorizar, no inicio da recuperação coisas muito simples, tais como sentirmos que não está só, que não é um ser  horrível, dormir, higiene pessoal, e que é possível recuperar. Se os outros conseguem, você também consegue, como algo espiritual, não religioso sem dogmas e divindades, libertador do sofrimento, da obsessão e do isolamento dos segredos da adicção. A “chama” da esperança em recuperar pode permanecer eterna, um dia de cada vez.

sexta-feira, julho 20, 2007

A recuperação da adicção às drogas, incluindo o alcool


Ao longo da minha experiência profissional, como técnico em comportamentos adictivos, muito se tem falado e discutido sobre a problematica da toxicodependencia, em Portugal. Foram adoptadas algumas medidas dissuasoras, coerentes e acredito com resultados positivos no "combate" ao problema da droga e da toxicodependencia, tais como, a eliminação do Casal Ventoso (antigo "supermercado" de compra e de consumo de todo o tipo de drogas), da comparticipação do estado no tratamento (ajuda financeira através de instituições privadas), salas de injecção assistida (salas de chuto), tratamento com metadona, etc só para refirir alguns.

Todavia, gostaria de me desviar desta perspectiva demasiado politica e sensacionalista por um lado, visto na maioria dos casos continuar a negligenciar as verdadeiras necessidades do individuo, da prevenção e do respectivo tratamento da dependência de drogas, incluindo o álcool. Vivemos numa sociedade que reforça o estigma e a marginalização daqueles que sofrem desta doença e dos seus familiares. Vou focar-me na importância no conceito designado de Recuperação.



Gostaria destacar aqueles indivíduos anónimos que sofrem da doença da adicção que interrompem a progressão da doença através da abstinência mantêm a motivação e a determinação em seguir em frente na busca da recuperação através de um conjunto de medidas, competências e recursos familiares e/ou profissionais. porque o processo de recuperação não é linear, estático e não funciona com valsas moralidades, bem pelo contrario é altamente complexo e exige total compromisso às instituições e profissionais, assim como ao próprio individuo afectado pelo problema.


A toxicodependencia é uma doença do cérebro




" A toxicodependencia é uma doença do cérebro, e isso interessa"

tradução de "Addiction is a brain disease, and it matters" Dra Alan Leshner

"Os avanços cientificos dos ultimos 20 anos têm mostrado que a toxicodependencia é uma doença crónica, recidivante (recaídas e deslizes) que resulta do efeito prolongados das drogas no cerebro. Tal como muitas outras doenças cerebrais, a toxicodependencia abrange aspectos comportamentais e de contexto social que são partes importantes do próprio disturbio. Assim, as abordagens terapêuticas mais efectivas incluirão componentes biológicas, comportamentais e de contextualização social. Reconhecer a toxicodependencia como uma doença crónica, recidivante, caracterizada pela procura e uso compulsivo de drogas pode ter impacto nas estrategias globais de saúde, nas politicas sociais, diminuir os custos sociais e de saude associados ao uso de drogas e à toxicodependencia. (...) Uma grande barreira é o tremendo estigma associado a quem consome drogas, ou pior, é toxicodependente. A mais beneficiadora perspectiva publica dos toxicodependentes é a de considera-los vítimas da sua situação social. Contudo, a visão mais comum é a de que os toxicodependentes são pessoas fracas ou más, sem vontade de orientar as suas vidas com moral e de controlar os seus comportamentos e gratificações. (...) O abismo de implicações entre a perspectiva da "pessoa má" e a perspectiva do "sofredor de doença crónica" é tremendo. A título de exemplo, há muitas pessoas que acreditam que os individuos toxicodependentes nem sequer merecem tratamento. Este estigma, e o tom moralista subjacente, conduzem a uma sobreposição significativa em todas as decisões relacionadas com o uso de drogas e os toxicodependentes. Outra barreira resulta de algumas pessoas que trabalham nos campos da prevenção e do tratamento da toxicodependência mantêm ideologias entranhadas que apesar de usualmente diferentes, na origem e na forma, das idieologias do publico geral, podem ser igualmente problemáticas"

Artigo retirado da revista Cérebro Toxicodependente - boletim de neurociencias cognitivas e neuroimagem na toxicodependencia da Biopress

quinta-feira, julho 19, 2007

A importancia da confrontação da comunicação nas relações





O que é a confrontação nas relações?
- É o acto de revelar, trazer, “puxar” ( arte que exige pratica e aprendizagem ), a pessoa é convidada a enfrentar “ cara-a-cara “ a sua realidade distorcida – efeito espelho.
A confrontação na comunicação nas relações ocorre quando é observado uma discrepância/divergência entre:
a) Aquilo que a pessoa DIZ e a percepção do ouvinte acerca daquilo que a pessoa FAZ. Por exemplo, quando o problema da adicção (consequências negativas) é abordado o individuo adicto minimiza, justifica, nega, racionaliza, mente.
b) Aquilo que é dito (hoje) e aquilo que foi ouvido ou afirmado, anteriormente (ontem) são somente um plano de intenções que não passam das palavras aos actos - "promessas quebradas"; um objectivo sem um plano de acção, é apenas uma intenção ou um desejo.

c) Aquilo que é afirmado no aqui-e-agora e as suas acções no dia-a-dia.
Para o individuo dependente de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou as ilícitas a sua realidade tem sido negada, reprimida e evitada por muito tempo através da sua adicção.

Para um individuo dependente de substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, e/ou as substancias ilícitas, o mais importante é consumir "Beber só mais um copo" ou "Consumir drogas só mais uma vez..." nem que tenha de negar a sua realidade, por ex. consequências da adicção na área familiar, incluindo as crianças, área financeira, profissional, saúde, legal, etc. Nesta situação específica, o adicto é capaz de ser tão convincente, na mentira, que a própria família acredita sendo permissiva na confrontação.

Através da confrontação na comunicação dizemos aos outros como é que os observamos utilizando argumentos concretos, por exemplos. factos (situações concretas, comportamentos e o impacto do comportamento problema), evitando, assim o julgamento moralista e/ou a critica destrutiva e/ou humilhação. A confrontação para ser eficaz não pode ser conduzida de uma forma agressiva (ex. humilhação) mas de uma maneira firme, directa, com respeito e assertividade. A confrontação na comunicação é uma acto de coragem que gera confiança entre as pessoas ao invés de as separar.
O intuito da confrontação é proporcionar conhecimento ao outro sobre determinado comportamento ou problema que é observado pela pessoa que confronta.


quarta-feira, julho 18, 2007

Efeitos da dependência de substâncias psicoactivas e alcoolismo nas crianças da familia

Como consequência da adicção, muitas vezes as crianças são as mais esquecidas e negligenciadas pela progressão da doença dentro da família. O dependente de substâncias está obcecado pelas drogas, o alcoólico fica obcecado pelo beber compulsivo e a família também fica focada nos comportamentos do dependente/alcoólico consciente do efeito nocivo nas crianças - porque elas são esquecidas. Perante este drama na família, os adultos não dispõem de disponibilidade para acompanhar as crianças no seu desenvolvimento, visto andarem preocupados uns com os outros.





Algumas afirmações, acerca das CRIANÇAS feitas por alguns profissionais :
- Têm baixa auto-estima
- É provável que o rendimento escolar seja reduzido (ex. absentismo) ou são demasiado responsaveis (excelentes notas), comportando-se como uns “adultos” pequenos. Não usufruem do convívio (brincadeiras) com outras crianças da sua idade, tornam-se perfecionistas e demasiado exigentes consigo mesmos.
São mais facilmente afectadas por sentimentos de frustração e rejeição do que aquelas crianças cujos lares não existe o factor álcool/drogas.
Têm problemas de ajustamento nos relacionamentos (consigo mesmo e com os outros, por ex.auto conceito, limites ) durante a adolescência e na transição para a fase adulta.

Papeis que as crianças desempenham no seio da familia disfuncional
Acerca do papel desempenhado pelo “rebelde“ é verdade aquilo que se afirma; é a criança que recebe mais atenção e por vezes é o “ bode espiatorio“ de alguns problemas existentes na familia, é aquele que mais tarde, provavelmente, irá pedir ajuda ou receber apoio, caso surgem problemas, contudo este papel é desempenhado por uma minoria nas familias de alcoolicos e ou dependentes de substâncias psicoactivas.


terça-feira, julho 17, 2007

Preocupação excessiva sobre usar drogas


Preocupação/ fixação (alguns exemplos: rituais, memorias, sentimentos, crenças e associações sobre drogas, incluindo o álcool). Preocupação /fixação - Atenção excessiva e intensa sobre o consumo de drogas lícitas, incluindo o álcool, e ilícitas, vulgo craving.



Para aqueles que são adictos a substâncias psicoactivas, incluindo o álcool, este tipo de pensamento/atenção/ fixação/associação frequente e intenso sobre drogas pode tornar-se intrusivo e/ou obsessivo e ser algo extremamente desconfortável, gerador de ansiedade, principalmente para aqueles que se encontram em recuperação (abstinentes) há menos de doze meses. Por outro lado, sabendo dos riscos associados ao craving  é importante adoptar algumas medidas protectoras a fim de prevenir deslize ou recaída. Para aqueles que identificam esta preocupação/atenção intensos (craving), não significa que algo esteja errado, pelo contrario, faz parte das recordações do passado (memorias e habitos enraizados). É possível,  com o tempo, encontrar formas construtivas de lidar e aceitar esta situação. Por exemplo; o individuo saber que esta atenção/preocupação é passageira. Não significa que quem esteja exposto a este tipo de pensamentos/fixação esteja à "beira de uma recaída", contudo será benéfico falar, com alguém significativo, sobre estes pensamentos intrusivos e/ou obsessivos e sobre os sentimentos que podem despoletar, principalmente o medo, a raiva, a vergonha, o ressentimento, o sentimento de culpa. Este tipo de pensamentos/fixação (craving) também podem ser parte da doença da adicção. Pode revelar-se útil, às pessoas interessadas procurarem mais informação sobre o conceito e as dinâmicas desta doença, ex neurobiologia e efeitos psicológicos da adicção. Tal como acontece, com outras doenças cronicas, por exemplo, os doentes diabéticos precisam de tomar conhecimento sobre os cuidados a ter em relação à doença.

Algumas questões que podem ajudar sobre pensamentos intrusivos - preocupação/fixação/associação (craving) no dia a dia.

1. O seu pensamento/preocupação/fixação em consumir drogas /beber pairava na sua cabeça, quando podia estar a pensar noutro tipo de coisa qualquer?

2. Pensou em consumir drogas/beber sem identificar o motivo pelo qual este tipo de pensamento ocorreu ?

3.Quais são as situações, memórias, associações ou acontecimentos que podem “despoletar” este tipo de pensamentos intensos sobre consumir drogas/beber?

Por exemplo: Discussões, entrevistas de emprego, estar sozinho ou no meio de muita gente, cometer erros, crises. Questione o pensamento intrusivo (craving): "Como é que posso lidar de uma forma positiva com esta situação sem consumir drogas?" Existem várias alternativas, antes mesmo de consumir qualquer droga na busca do prazer/alívio imediato.


A recaída é um fenomeno comum a muitas adicções



A recaída é um fenómeno comum à adicção, substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas. O mesmo fenómeno ocorre com os comportamentos, refiro-me ao o jogo, sexo, codependência, distúrbio alimentar, compras - shopaholicsshoplifting - furto. Muitas adictos/as  ficam vulneráveis e expostas à recaída, em relação a determinadas atitudes, sentimentos e comportamentos, em recuperação, antes mesmo de iniciarem os consumos/comportamentos adictivos ou experimentarem a fixação/preocupação exagerada em consumir substâncias/comportamentos adictivos. Perdem a capacidade em se auto-avaliar e monitorizar (pensamentos e sentimentos) agem (comportamentos) no desejo irresistível (craving) e reiniciam os consumos de substâncias lícitas, incluindo o álcool, ilícitas, ou comportamentos adictivos (o jogo, sexo, distúrbio alimentar, compras. A estes comportamentos que despoletam e antecipam a recaída podemos designar de atitudes e comportamentos disfuncionais que boicotam a recuperação/abstinência.

Conheço adictos/as, que recaíram, quando colocados perante a questão "Se as coisas estavam a correr bem durante a recuperação/abstinência, porque é que optas-te por recair?" Resposta: "Não sei...não sei porque é que fui consumir drogas e álcool"

De forma o leitor/a conseguir discernir sobre determinados conceitos em relação à adicção vamos designar 1. adicção às substâncias psicoactivas licítas, incluindo o álcool e as ilícitas e 2. Adicção comportamentos (jogo, sexo, distúrbio alimentar, codependência/relacionamento de dependência, compras - shopaholicsshoplifting - furto). Existem adictos que são simultaneamente adictos a substâncias e a alguns comportamentos. Por ex. substâncias psicoactivas e distúrbio alimentar ou jogo e substâncias psicoactivas.