Powered By Blogger

segunda-feira, maio 19, 2014

Parar de comer compulsivamente



A minha história começa como tantas outras. Sempre fui uma criança gordinha, mas nunca obesa, o que não me preocupava nada, até ao dia em que alguém verbalizou que eu estava gorda e precisava de perder peso. Não sei quem foi, nem quando. Só sei que me marcou profundamente. De repente, eu era diferente dos outros. Tinha peso a mais, tinha de o perder e, pior ainda, tinha de deixar de comer para o conseguir.

A partir desse momento, parecia que estava sempre alguém à espreita, pronto a apontar o dedo e a lançar um olhar reprovador, cada vez que metia um pedaço de bolo à boca. Desde então, o dedo acusador passou a estar presente em todos os momentos que houvesse comida e eu a desejasse comer.

Como criança pensei que a solução passava por comer às escondidas. Se ninguém vir o que como, é como se não acontecesse, ninguém me pode acusar ou lançar olhares reprovadores… Foi assim que aprendi a comer às escondidas. Nesses momentos, era só a comida e eu, a minha nova melhor amiga. O prazer foi crescendo, à medida que criava um mundo secreto, só meu.

Com a entrada na adolescência a situação agravou-se e o aumento de peso tornou-se evidente. A primeira reacção foi fazer de conta e evitar os espelhos. O que não se vê, não existe… Os comentários continuaram e ajudaram a que comesse cada vez mais, numa espécie de espiral compulsiva. Evitava comer em público.

Aos 18 anos, levaram-me ao médico e fiz a minha primeira dieta. Segui à risca o que me disseram, mediante a promessa de perder peso. Em seis meses, perdi 20 quilos. A minha vida mudou. De repente, o mundo olhava-me com outros olhos, ou pelo menos, assim os sentia… vieram os elogios, os convites e, de repente, tudo me servia e assentava bem. Tive o meu primeiro namorado a sério.

quarta-feira, maio 14, 2014

Sensações fantásticas, mas com consequências dramáticas


Paradoxo: sensações fantásticas, com base no prazer imediato, mas com consequências dramáticas, a médio e a longo prazo.
Durante as minhas deambulações pelo espaço virtual, seleccionei esta fotografia da qual desconheço o seu autor, atraiu a minha atenção, principalmente, pelo conteúdo das palavras, reflectem uma constatação sobre a complexidade do consumo, do abuso e da dependência de substâncias psicoactivas do sistema nervoso central, vulgo drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas.
O ser humano, ao longo da sua evolução e há milhares anos, sempre consumiu e irá continuar a consumir drogas, por inúmeras razões; rituais, tradições, sensações, tendências, etc. Em pleno seculo XXI o que é que aprendemos com o recurso e a utilização das drogas? Quais são os ensinamentos que retiramos dos benefícios e as desvantagens sobre o consumo de drogas?
O consumo de drogas, sejam elas quais forem lícitas e/ou ilícitas, proporcionam sensações e experiências fantásticas ao ser humano, de tal forma que existem drogas para todo o tipo de preferências e gosto. Obviamente, que excluo as drogas (medicação) sujeitas a receita médica.

Todos nós, procuramos sensações que nos permitam experimentar o transcendente, o alívio e o bem estar, o misterioso ou desafiar o perigo, como um jogo que procuramos jogar recorrendo às nossas próprias regras, às tradições, rituais e talentos. Todavia, não somos todos iguais, existem limites e regras, quando são ultrapassados e/ou quebradas, tal como acontece com as regras do sociedade em que vivemos, inevitavelmente sofremos o impacto negativo e as suas consequências. Esta questão aplica-se a praticamente a tudo na vida, visto também precisarmos de regras para ser livres e felizes. Quanto às consequências do consumo frequente de drogas, refiro-me inevitavelmente ao abuso e à dependência de drogas (doença) com os danos trágicos que todos nós conhecemos, directa e/ou indirectamente.

Somos livres em procurar as sensações e as experiências que acrescentem valor e significado no rumo da vida, mas é preciso assumir a responsabilidade pelas opções e decisões que seleccionamos a fim de vivermos uma vida plena.

Com isto quero somente dizer que as drogas proporcionam sensações extraordinárias, mas na realidade, não funcionam quanto a resolver problemas existenciais, familiares e profissionais.

sábado, maio 03, 2014

Dia-a-dia na recuperação das dependências


Apresento alguns excertos das pessoas, que diariamente procuram a motivação necessária, a fim de recuperarem a dignidade, a estima e a esperança num mundo em constante mudança. Todos nós, estamos expostos e vulneráveis às mais diversas condições adversas e ao invés de ser a adversidade a definir o rumo das nossas vidas, pelo contrário, somos nós seres fantásticos e resilientes que decidimos romper com aquilo que nos prende à dor e ao sofrimento.

No aconselhamento, as pessoas são o mais importante: os seus falhanços são os meus falhanços e os seus sucessos também são os meus sucessos. Ambos partilhamos esta aventura, porque o aconselhamento só é eficiente se o/a terapeuta e o cliente estiverem em sintonia,  na relação terapêutica de confiança, com o mesmo propósito - recuperação.

Importante: Todos os dados foram alterados de forma a proteger a identidade das pessoas e qualquer semelhança é pura coincidência. 

- Durante a consulta com a Natália, 39 anos (nome fictício – dependência emocional), abordamos a questão da intimidade nos relacionamentos românticos de compromisso: a química do amor (êxtase e o desassossego, vulgo paixão) e o amor duradouro (intimidade e o compromisso). Ela afirmava, com legitimidade, que a fim de manter o relacionamento duradouro é necessário haver entre os parceiros tempo para amar, sem este tempo a relação pode deteriorar-se.
Nota: Sabia que a novidade e o inesperado, por exemplo, quebrar a rotina e fazer coisas fora do comum, mantêm o amor duradouro. Não me estou a referir à paixão

- Durante a consulta com o Daniel, 25 anos (nome fictício – problemas com o Jogo), abordamos alguns factores que contribuem para o jogo compulsivo; 1. Jogar (curiosidade, correr riscos e o perigo inerente das apostas). 2. Gestão de sentimentos desconfortáveis, quebrar o tédio, a ansiedade e o aborrecimento 3. Recompensa (prazer intenso) e oscilações bruscas do humor.
Nota: Sabia que ganhar dinheiro não é o mais importante? O mais importante é jogar e apostar.

- Durante a consulta com a Anita, 38 anos (nome fictício – problemas com o álcool) e os seus pais abordamos os problemas associados ao álcool e o estigma social. A vergonha de expor o problema e pedir ajuda é tão doloroso que optaram por negar as evidências e as consequências negativas. Durante 10 anos não se falou sobre o assunto, inclusive, com outros membros da família. Afirmaram "Sentíamos que ninguém nos compreendia, pelo contrário, conscientemente, optamos pelo silêncio e pelo isolamento."
Nota: Sabia que o álcool é uma droga e que o alcoolismo é um problema de saúde publica?

sábado, abril 12, 2014

Você sabia que é possível recuperar das dependências?



Sabia que:
O individuo dependente de drogas, incluindo o álcool, gradualmente sofre alterações neurobiológicas, associado às estruturas do cérebro responsáveis pela recompensa e prazer como consequência do consumo frequente de substâncias psicoactivas. Estas alterações são responsáveis pelo craving (vontade irresistível e intensa em voltar a consumir a droga de escolha) incapacitando o individuo de se manter abstinente.
Muitos indivíduos dependentes de drogas, incluindo o álcool, tentaram inúmeras vezes interromper e parar o abuso das substâncias psicoactivas do Sistema Nervoso Central, que podemos designar «tentativas caseiras» sem apoio profissional. Alguns são bem sucedidos, outros não, todavia segundo alguns estudos nos EUA, revelam que a grande maioria dos indivíduos que fizeram essas tentativas (caseiras) não conseguiram permanecer em abstinência durante longos períodos de tempo.
Um dos sintomas mais comuns associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo é:
1. Drogas: continuar a usar e a justificar apesar das consequências negativas, "É só mais uma vez..." 
2. Álcool: continuar a beber e a justificar, apesar das consequências negativas, "É só mais um copo..."
3. Jogo: continuar a jogar e a justificar o comportamento problemático apesar das consequências negativas, "Vou jogar mais uma vez para recuperar o dinheiro perdido."

Enquanto a dependência das substâncias psicoactivas e/ou do comportamento não forem contempladas no tratamento a tendência é para que os sintomas se agravem cada vez mais. Segundo a Associação Americana da Medicina da Adicção a adicção é uma doença crónica.

Sabia que a dependência de drogas, incluindo o álcool, afecta as competências cognitivas do individuo. Uma das mais comuns identificadas em dependentes é o pensamento rígido - "tudo ou nada". Algumas afirmações mais comuns por indivíduos dependentes: "Se não for à minha maneira, não quero." ou "Eu é que sei, sou assim e ninguém tem nada com isso." ou "Como não sou capaz de deixar o vicio das drogas/do álcool, sou um falhado."

Um dos mitos sobre o consumo de cocaína, está associado à inexistência da dependência física desta substância psicoactiva, isto é, as pessoas pensam erradamente, visto não existirem sintomas físicos, não ficar dependentes. Na verdade, de acordo com a minha experiência profissional, o consumo de cocaína, numa perspectiva social, pode estar na origem de vários problemas, e em ultimo caso, na dependência.


Quando a família se confronta com um dos membros, com problemas de drogas ilícitas e/ou jogo, sofre um grande choque, pode ser de tal forma traumático, que a tendência pode ser negar as evidencias. Todavia, negar não é a abordagem mais apropriada. Qual será a abordagem mais eficiente? Se pretende saber a resposta a esta questão envie um email para xx.joao@gmail.com

sexta-feira, março 28, 2014

Como é que posso mudar o meu parceiro?



Relacionamentos de intimidade e a adicção: Como é que posso mudar o meu parceiro que está doente? Não pode, mas pode mudar o seu comportamento e as dinâmicas da relação.

Ao contrário daquilo que se pode pensar, a maior grande parte dos indivíduos dependentes de substâncias psicoactivas, lícitas e/ou ilícitas, vulgo drogas, ou comportamentos adictivos, por exemplo, jogadores compulsivos e adictos ao sexo não são pessoas que vivem isolados da sociedade, não são sem-abrigo, não estão todos hospitalizados ou internados em centros de tratamento, pelo contrário, têm as suas esposas/maridos, famílias e filhos, carreiras profissionais, e apesar do estigma e da negação, são indivíduos activos no trabalho e mais ou menos integrados na sociedade. Por falta de informação sobre a adicção e o impacto na família e na comunidade (sociedade) temos a tendência para negar as evidências; as coisas têm o valor que nós decidimos que elas tenham.

São homens e mulheres adictos que têm os seus parceiros; namorados/as ou esposas/maridos. Na maioria dos casos, as esposas/maridos e/ou namorados/as sabem da existência do problema no parceiro/a, ou pelo menos, apesar de falta de conhecimento ou informação, têm a consciência de que algo não está bem e que é preciso mudar. Infelizmente, devido à complexidade dos relacionamentos e da adicção não sabem como faze-lo, por causa de vários factores. Um deles é gerarem vínculos que reforçam os seus papéis de zeladores e cuidadores. Isto é, assumem o poder e a responsabilidade de zelar pelo parceiro/a. Eles e elas adaptam as suas rotinas do dia-a-dia às vicissitudes e à adversidade (comportamento problema) relacionada com o impacto da adicção na relação, vivendo num estado eminente de ambivalência, alerta e preocupação. Afinal, no universo das relações, quem é que não tem problemas sobre o comportamento do marido? Da esposa? Do namorado? Da namorada? Todos nós. Contudo, nesta situação especifica da adicção, o problema, para além de se agravar e afectar gravemente os afectos, paradoxalmente, também pode ser atenuado, compreendido e/ou resolvido. A questão é: Como.

sábado, março 15, 2014

O «Vicio» de drogas, incluindo o álcool, é uma doença; não é uma escolha individual.


10 Questões importantes para reflectir sobre as dependências de drogas, incluindo o álcool, e o jogo patológico.

1. De acordo com estimativas das Nações Unidas (United Nations Office on Drugs and Crime - UNODC) existem mais de 10 milhões de pessoas dependentes de heroína no mundo. Em cada 1.000 consumidores de heroína, 2,6 morrem, por exemplo, de overdose. A heroína é uma substancia psicoactiva extremamente adictiva.

2. Sabia que o abuso de drogas, incluindo o álcool, distorce a percepção da realidade. As pessoas podem revelar-se irracionais, excêntricas e excessivamente desinibidas. Em alguns casos, podem revelar-se violentas.

3. Associado ao abuso e à dependência de drogas, incluindo o álcool, o individuo é sujeito à oscilação acentuada das suas emoções que podem variar entre o ódio e a euforia, do entusiasmo à apatia. Por exemplo, é frequente o individuo dependente, estar triste e apático, e ao consumir drogas, incluindo o álcool, proporciona a si mesmo uma sensação de felicidade, apesar de ser efémera.

4. Para um individuo dependente de drogas, incluindo o álcool, e o jogo patológico revela-se extremamente difícil ter a percepção sobre os efeitos e as consequências negativas dos seus comportamentos. A dependência é a causadora da maioria dos fracassos e da frustração tornando assim a vida insuportável e em alguns casos mais extremos pode revelar-se caótica. Quanto mais dificuldades, maior será a necessidade de recorrer ao comportamento problemático associado às dependências – abusar de drogas, incluindo o álcool, e/ou o jogo patológico.

5. No início do consumo de drogas ilícitas, estas intensificam a actividade; mais concentração, mais desinibição, bem-estar e alívio. Gradualmente, na dependência as drogas suprimem a actividade; menos concentração e perda de memória, mais desadequação e constrangimento, desconforto físico e psicológico.

6, Dependência de drogas incluindo o álcool.
Você sofre da síndrome de abstinência, vulgo ressaca?
Os sintomas de ressaca surgem quando o individuo abusa das substâncias psicoactivas, do sistema nervoso central até à intoxicação. Os sintomas da ressaca estão associados à frequência, à intensidade e à duração do abuso das drogas, incluindo o álcool.

7. Benzodiazepinas: medicamentos tranquilizantes e/ou ansiolíticos sujeitos a receita medica. São substâncias que geram dependência física e psíquica. Caso o abuso seja continuado, a interrupção abrupta representa um risco grave para a saúde. Algumas pessoas dependentes de benzodiazepinas são também dependentes de álcool e/ou outras drogas ilícitas (adicção cruzada) - uso concomitante de substâncias.

8. Sabe o que são os analgésicos? São drogas poderosas que interferem com a transmissão de sinais eléctricos do sistema nervoso central pela qual entendemos e percebemos a dor. A maioria dos analgésicos estimula as partes do cérebro associadas ao prazer. Se toma medicação siga a prescrição do seu médico. Não faça auto medicação.

9. Alguns efeitos do abuso do álcool e/ou dependência: descoordenação motora, perda da concentração e da memória, danos cerebrais, depressão e doenças do fígado (cancro). O abuso do álcool e a dependência afectam seriamente as relações pessoais; família, trabalho, sociais.


10. A dependência de drogas, incluindo o álcool, e o jogo afectam seriamente o desempenho e os relacionamentos profissionais; abstenção laboral, perda de memória e concentração, negligencia, falta de ética profissional, conflitos com colegas e entidade patronal.

sexta-feira, março 07, 2014

O jogo problemático é um problema de saúde publica



Este artigo foi publicado no Jornal de Negócios (17 de Fevereiro de 2014) e está disponível só para assinantes online , nesse sentido, disponibilizo-o para si que é seguidor do blogue Recuperar é que está a dar. 

Jornal de Negócios: Nos últimos anos, o volume de jogos de fortuna e azar e apostas desportivas foram aumentando quer em locais físicos, mas como através da Internet. Esse crescimento foi acompanhado pelo registo de incremento de pessoas com adicção de jogo?
O incremento de pessoas com adicção ao jogo e o jogo patológico, através da Internet tem sido exponencial. Por exemplo, no final dos anos 90 a maioria dos indivíduos adictos ao jogo, em casinos, eram adultos na casa dos 40 e dos 50 anos. Hoje em dia através do acesso online, chegam às consultas indivíduos com problemas associados ao jogo com idades entre os 24 e os 30 anos. Todavia, isso não quer dizer que todos sejam adictos ao jogo, isto é, alguns são indivíduos com problemas associados ao jogo que varia entre moderado e grave. Na sua pergunta refere adicção, nesse sentido, importa saber o que é a adicção. A adicção afecta a saúde do indivíduo, os vínculos familiares, incluindo das crianças, o desempenho profissional e a qualidade de vida. Ser adicto não é uma escolha pessoal. Ao longo de vinte anos de experiência profissional, na área da adicção, nunca ouvi nenhum individuo afirmar que escolheu ser adicto. Não é um acto voluntário, o individuo perde o controlo, a compulsividade, o craving (desejo intenso e irracional pela actividade) e continuação do comportamento apesar das consequências negativas. A Sociedade Americana da Medicina da Adicção define a adicção como uma doença primária, crónica que interfere e afecta o sistema/estrutura do cérebro responsável pelo prazer e recompensa, pela motivação e memoria e os circuitos neuronais adjacentes. Sabemos que uma alteração e disfunção destes circuitos neuronais conduzem ao aparecimento de sintomas a nível biológico, psicológico, social e espiritual no indivíduo, que se reflectem na busca e recompensa patológica do prazer. Por outras palavras, a adicção funciona como uma “almofada” perante determinadas situações e adversidades ao longo da vida do indivíduo. Este fenómeno repete-se com a adicção às substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o álcool, as ilícitas, vulgo drogas, com o jogo, o sexo, as compras, o furto. A fim de ficar esclarecido existe um critério que identifica o jogo problemático (moderado a severo) e um critério para a adicção (doença primária e crónica). A adicção não é um vírus.  
Segundo estudos (American Medical Association, EUA, 2000) existem factores genéticos em comum entre os indivíduos jogadores patológicos do sexo masculino e o álcool. Todavia, também gostaria de referir que nas últimas duas décadas, com os avanços tecnológicos e a investigação, principalmente nos EUA e Canadá, ainda estamos a aprender sobre o que é a adicção; as causas, a identificar aqueles indivíduos mais vulneráveis e os tratamentos disponíveis mais adequados.

Jornal de Negócios: É possível traçar o perfil do jogador compulsivo?
Segundo uma investigação no Canadá, os indivíduos com problemas associados ao jogo compulsivo (patológico) apresentam quatro vezes mais probabilidades de serem diagnosticados com doença mental, relacionado com perturbação do humor e ansiedade, do que os indivíduos não jogadores. A actividade associada ao jogo começam na adolescência, com mais prevalência no sexo masculino do que no sexo feminino.
Na minha experiência profissional o perfil do individuo jogador compulsivo oscila entre os 24 e os 56 anos. Sexo masculino, classe media/alta, licenciados com carreiras profissionais estáveis, trabalham em excesso, têm dívidas, gostam de quebrar regras e correr riscos, são impulsivos e egocêntricos. Acreditam que o dinheiro é a causa e/ou a solução para os seus problemas. Alguns deles afirmam, em situações de desespero, ideações e tentativas de suicídio. Alguns destes indivíduos são oriundos de famílias desestruturadas com problemas de álcool, jogo e violência doméstica.    

Jornal de Negócios: As autoridades estão despertas para fiscalizar a multiplicidade de jogos disponíveis?
Na minha opinião, as autoridades estão conscientes deste fenómeno, mas ainda não existe vontade politica para mudar esta realidade associada aos problemas do jogo. Posso dar um exemplo, na última semana, todos os meios de comunicação social e redes sociais, faziam referência à morte do actor galardoado de Hollywood, Philipe Seymour Hoffman por overdose de drogas ilícitas. Se pensarmos em indivíduos com problemas de jogo, não me recordo de nenhum caso, de figura publica, quer seja estrangeiro ou português que tenha sido noticia. Todavia, quando surgem notícias relacionadas com indivíduos e o jogo patológico, o destaque é direccionado para actividades ilegais, dívidas, burlas, tribunais, são, erradamente, considerados casos de polícia. As pessoas são presas e estigmatizadas. Não recebem o devido tratamento.
Persiste o estigma, a vergonha e a negação. Actualmente, a indústria do Jogo é um negócio de muitos milhares de euros. Em Portugal, o jogo é um problema de saúde pública que ainda permanece obscuro e por avaliar os seus efeitos e consequências. É preciso vontade política.
Entre 01 de janeiro e 30 de novembro de 2013 foram gastos em apostas 854,9 milhões de euros no Euromilhões, em dez anos os portugueses gastaram nove mil milhões. Nos primeiros três meses de 2013 os portugueses gastaram 101 milhões de euros em raspadinhas. Segundo um estudo conduzido pelo Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, a raspadinha é o terceiro jogo pelo qual a população, entre os 15 e os 74 anos, revelou ter maior dependência. Falta saber os valores e o impacto das lotarias, nos casinos, bingos, e jogos ilegais, nos cafés e bares das aldeias de norte a sul do país.
   
Jornal de Negócios: Quais os perigos do jogo online? A adicção apresenta-se de forma diferente?
Segundo a minha experiência profissional, os perigos do jogo online são insidiosos e complexo visto haver da parte do jogador patológico, acesso ilimitado à Internet, independentemente da hora, do local, do dispositivo (computador, telemóvel, tablet). Conheço casos de indivíduos, quando chegam ao local de trabalho, ligam o computador, e imediatamente começam a jogar ou a consultar os sites de apostas ou poker ou mercado de valores, e assim permanecem, em segredo, sem conhecimento dos seus colegas e/ou entidade patronal, até ao final do dia. Obviamente, este tipo de actividade compromete seriamente o desempenho do trabalhador. Também utilizam os smartphones e os tablets para continuar a jogar/apostar em casa no final do dia de trabalho. Afirmam «É uma forma prazerosa de descontrair e relaxar, depois de um dia stress no trabalho». Negligenciam a relação com a sua parceira, com os filhos e/ou outro tipo de actividades sociais. Na maioria dos casos, a família desconhece ou permanece ignorante quanto às consequências reais do jogo. Alguns indivíduos permanecem «ligados» às actividades associadas ao jogo durante 12 a 14 horas diárias. Gradualmente vai aumentando a actividade associada ao jogo/apostas por longos períodos com incremento da frequência, da intensidade e da duração. Quanto maior a exposição à actividade associada ao jogo/apostas, maior o risco de desenvolver a adicção.

Jornal de Negócios: Como é possível “investigar” este tipo de adicção?
É preciso um plano nacional que vise erradicar e/ou atenuar o estigma, a negação e a vergonha associados aos comportamentos adictivos. Existem mitos e preconceitos que visam discriminar o individuo adicto e a sua família. Segundo relatos das famílias, que pedem ajuda nas consultas, afirmam “Quando soubemos do problema do jogo do meu filho, decidimos ocultar de toda a gente, incluindo a família mais próxima e tentamos resolver o problema em casa. Mais tarde, reconhecemos que foi o pior que podíamos ter feito, porque ao invés de melhorar, ainda agravou mais, com a agravante de ter dividido a relação entre o eu e o meu marido. No fundo, sentimos imensa vergonha, porque nunca imaginamos que o meu filho pudesse ter um problema desta natureza. Levamos algum tempo até aceitar que aquilo que fazíamos para ajudar, só piorava. Hoje admito, como mãe, que sinto imensa vergonha do problema do meu filho. Só sabe o mal que isto é, quem passa por elas.” 
Em Portugal, a investigação ainda está numa fase embrionária, apesar de haver alguns profissionais dedicados ao estudo do jogo patológico, onde destaco o trabalho do Dr. Pedro Hubert. Para além da investigação, são necessários profissionais que assumam o compromisso, isto é, que dediquem a uma parte significativa das suas carreiras à formação continua, à investigação, à partilha de conhecimentos, experiencias e criarem-se equipas pluridisciplinares que se dediquem exclusivamente ao tratamento e recuperação dos comportamentos adictivos, e do jogo em particular. É necessário mobilizar a comunidade, em particular, e a sociedade, em geral para este tipo de fenómenos emergentes e transversais. Qualquer pessoa está exposta e vulnerável. Aquelas pessoas que consideram que a adicção só acontece aos outros, são provavelmente aquelas que apresentam mais factores de risco.

Quais são os custos do jogo patológico que representam para os cofres do estado? Em termos de comparação os custos do álcool representam 200 milhões de euros. Os custos do tabaco representam 500 milhões de euros.

Se houver, da parte dos decisores políticos, dos meios de comunicação social, legislação, um plano nacional de prevenção e tratamento como está acontecer com o tabaco, creio estarem criadas as condições para haver mais pessoas informadas, profissionais e instituições dedicadas ao tratamento. Como resultado, destes esforços, nos últimos anos, o número de pessoas que procurou ajuda para interromper a adicção ao tabaco. aumentou significativamente.

Jornal de Negócios: Quais os perigos da publicidade relacionada com o jogo?
O mesmo fenómeno repete-se com o álcool, com o tabaco e também com o jogo. Apesar de haver mudanças nos paradigmas sobre o tabaco, em relação ao resto, as leis existentes ainda são permissíveis e não existem instituições credíveis independentes que monitorizem o marketing agressivo e a publicidade associada aos comportamentos adictivos. Isto é, o problema não são as substâncias psicoactivas lícitas e/ou o jogo, o real problema são as pessoas. Algumas pessoas conseguem consumir drogas, beber bebidas alcoólicas e/ou jogar socialmente sem que isso represente um problema para as suas vidas, todavia, enquanto outras, felizmente em menor numero, apresentam um risco maior. Tal como referi, no inicio, infelizmente existem muitos casos de pessoas que faleceram como consequência da adicção às substâncias psicoactivas, nos últimos anos, só para enumerar alguns, Michael Jackson, Amy Whinehouse, James Gandolfini,  Witney Houston e Philipe Seymour Hoffman. Segundo as Nações Unidas estimam-se que 160 mil milhões de dólares oriundos do tráfico de drogas, anualmente, sejam lavados na banca internacional. O fenómeno é idêntico com o jogo legal e ilegal. Os lucros astronómicos, os interesses financeiros e económicos estão acima dos direitos das pessoas. Apesar de sabermos que entre indivíduos com problemas de jogo o número de suicídio é elevado e os custos para o estado elevadíssimos, todavia, esta realidade ainda é negligenciada. Parte dos lucros da indústria do jogo deviam ser revertidos para a investigação e o apoio no tratamento do jogo.

Jornal de Negócios: Quais são as principais tendências de futuro?
Após duas décadas a trabalhar na área dos comportamentos adictivos as tendências destes fenómenos relacionados com a natureza humana, são para se manterem. Estamos vulneráveis perante a dor e conseguimos convencer-nos que conseguimos ludibria-la recorrendo a estratégias e mecanismos cuja finalidade é o prazer imediato. No outro lado deste fenómeno, felizmente, também existem muitos casos de pessoas que recorreram à ajuda profissional ou através dos grupos de ajuda mútua dos 12 Passos (Jogadores Anónimos) que conseguiram ultrapassar a adversidade. Da mesma forma, que se estudam as causas e os sintomas do jogo patológico, também é necessário estudar aquelas pessoas resilientes que permanecem em recuperação durante períodos duradouros. Essas pessoas são um recurso valiosíssimo para a comunidade. É preciso sensibilizar o público em geral, através de informação e haver uma participação cívica mais activa, em relação a estes temas. Participei num programa, numa escola sobre a prevenção das dependências, e foram enviados para a associação dos pais, centenas de convites, apareceram seis pais. Perante a negação e a passividade é preciso uma revolução nesta matéria. Os nossos filhos merecem que os adultos zelem pelos seus direitos a uma vida plena.

Para terminar, gostaria de publicar um email que recebi de uma pessoa adicta ao jogo, do Brasil, também podia ser portuguesa, enquanto escrevia este artigo, a pedir-me ajuda.  
«Chamo-me Adélia. Li o seu blogue e a minha pergunta é a seguinte. Estava viciada em jogo de bingo (vídeo) naquele nível de pensar em suicídio, de jogar o dia inteiro e fazer ate xixi na máquina para não levantar e ir ao banheiro. Às custas de muito sofrimento e terapia estou à 1 ano e 2 meses sem jogar. Acho que é bom eu te contar como forma de estudares o meu caso. Como você sabe, a dependência das drogas é diferente do jogo, o corpo não tem contacto com drogas, mas tive abstinência terrível, tudo tudo mesmo, e só não tive convulsões. Felizmente, estou um pouco ou bem melhor. Queria saber porque é que ainda tenho depressão? Você acha que preciso de um anti depressivo ou vai melhorando sem remédio? Obrigada, fica com Deus, Adélia (nome fictício)»
Este tipo de problemas não acontece só aos outros. O silêncio não resolve, pelo contrário, a tendência é para se agravar. Lá porque não se vê, não quer dizer que não existe.


sábado, fevereiro 15, 2014

A adicção não é um vírus


A recuperação da adicção é um processo para o resto da vida.
Após as noticias recentes sobre o falecimento do actor de Hollywood,  Philipe Seymour Hoffman vítima de overdose de drogas ilícitas, intoxicação que ocorre quando  o individuo consome uma determinada quantidade de droga que os sistemas vitais do organismo são impedidos de funcionar adequadamente,   veio levantar a questão sobre a importância da abstinência, da recuperação da adicção e da recaída. 
Philipe Seymour Hoffman permaneceu abstinente durante 23 anos consecutivos. Se o actor faleceu aos 47 anos, fazendo as contas, parece ter iniciado a recuperação com 24 anos. Iniciar a recuperação com esta idade, por si só é um feito extraordinário, mas por outro lado, revela, desde cedo e ao longo do seu desenvolvimento, um individuo vulnerável (predisposição) aos efeitos e consequências da dependência de substâncias psicoactivas, do Sistema Nervoso Central, após duas décadas abstinente, paradoxalmente, recaiu e acabou por morrer de overdose. Não faleceu de cancro ou de doença cardíaca, mas vítima da adicção.

Já em meados de 2013, segundos os media norte americanos, Philipe S. Hoffman deu entrada num centro de tratamento para uma desintoxicação, durante dez dias, depois de ter recaído em heroína. Após ter completado o programa de desintoxicação, aparentemente parece ter voltado a frequentar as reuniões de Alcoólicos Anónimos (AA), note-se, já o fazia desde os 24 anos de idade, até 2014. Uma semana antes de morrer, foi à sua última reunião.

Este incidente, adquiriu um destaque mediático visto Philipe S. Hoffman, ser um actor galardoado com vários prémios, todavia, gostaria de transpor este caso para o cenário da dependência de drogas, da recuperação e da recaída em Portugal. Existem historias semelhantes de indivíduos adictos, em Portugal, que também permanecem períodos consideráveis abstinentes, em recuperação, mas que acabam, por um conjunto de motivos, reiniciar os consumos de substâncias psicoactivas, incluindo o álcool.
Como profissionais, quando nos deparamos com um individuo adicto a substâncias psicoactivas, vulgo drogas, devemos considerar a abstinência uma meta prioritária? A minha resposta é sim. Um individuo com um historial significativo de dependência (adicção) precisa de ajuda e recursos, a fim de repensar, sobre o seu estilo de vida e as drogas.

De acordo com a minha experiencia profissional, visto ainda não existirem estudos em Portugal sobre o tratamento, a recaída e a recuperação da adicção às drogas, o primeiro ano de abstinência é um período crucial, mas ao mesmo tempo critico para o individuo. A adicção às drogas lícitas, incluindo o álcool, e as ilícitas, interferem e comprometem o funcionamento e o desenvolvimento normal do cérebro – estruturas associadas ao prazer e recompensa, assim como a motivação, a memória e a capacidade de tomar decisões. A adicção, conforme vai evoluindo, gradualmente vai incapacitando o individuo de sentir, pensar (défices cognitivos) e tomar decisões saudáveis, ao mesmo tempo, vai deteriorando os vínculos entre as pessoas significativas; perda do controlo, síndrome da abstinência, problemas familiares e profissionais, tolerância às drogas, impotência associado ao sentimento de culpa e a vergonha, a negação e o estigma. Na perspectiva de um individuo adicto, a abstinência total de drogas é interpretada como uma privação radical, com custos psicológicos e sociais consideráveis, porque as substâncias psicoactivas, apesar das consequências negativas funcionam como uma almofada, um amortecedor, um «remédio» e representava um estilo de vida.

Generalizando, o consumo do álcool é encorajado na nossa cultura, somos seres sociais que utilizamos as bebidas alcoólicas com o intuito de «olear» a comunicação. Como profissionais, este tipo de paradigma poderá influenciar a nossa abordagem. Um individuo adicto fica incapaz de adoptar comportamentos saudáveis se consumir drogas, incluindo o álcool. Com muita frequência, escuto este tipo de comentários, entre indivíduos adictos em tratamento das drogas: «Abstinência total? O quê? Nunca mais vou usar drogas? Beber álcool? No verão… ao jantar entre amigos e beber um copo… fumar um charro de vez em quando?»  
Um individuo adicto, mesmo em recuperação por longos períodos, não consegue erradicar das suas memórias as sensações e experiências intensas de bem-estar e alivio que as drogas proporcionaram. Este estilo de vida, centrado nos efeitos das drogas, funcionava como um excelente antidoto de forma a gerir sentimentos desconfortáveis associados ao stress/tensão, ao tédio, à frustração originando uma sensação de despropósito em relação ao rumo da sua vida. A dependência psicológica das substâncias, não desaparece só porque o corpo está livre de drogas – lógica adictiva, exacerbado pelas características da personalidade. Costumo afirmar que viver dependente de drogas é uma ocupação, idêntica ao um emprego, que consome imenso tempo e energia, 24/24 horas, 7 dias por semana e 365 dias por ano. É o assunto mais importante e central na vida do individuo, mais importante até que a própria família, incluindo as crianças, a saúde, a carreira profissional, etc, etc.
Quais são os motivos que levam um individuo abstinente e em recuperação, durante 23 anos, a reiniciar o consumo? Após vários períodos duradouros em recuperação, alguns indivíduos decidem violar o voto da abstinência. Eis relatos que ouço, nas consultas:
  • “A minha vida está porreira, por isso, comecei a beber bebidas alcoólicas às refeições ou quando saio com amigos à noite. Nada de anormal.”
  • “Comecei a beber álcool, socialmente e tudo corria bem durante alguns anos, até ao dia que voltei a consumir a minha droga de escolha, (nestes casos pode ser heroína ou cocaína) e rapidamente a compulsão tomou conta de mim. Ao fim de umas semanas já estava outra vez agarrado às drogas.»
  • “Estive abstinente, durante 18 anos, a minha vida estava óptima, mas um dia, a relação com o meu marido acabou e decidi divorciar-me. Senti-me desesperada e sozinha com dois filhos nos braços. Perdi o sentido da minha vida, despertei para uma realidade que não estava preparada e a única solução foi reiniciar o consumo de drogas. Apesar de estar abstinente tanto tempo, soube onde me dirigir para comprar drogas, como consumir e decidi ocultar esta situação da minha família e no trabalho. Mais tarde, quando descobriram que andava a consumir drogas e alcool, foi uma tragédia…foi uma grande desilusão tão grande que nem consigo descrever.”
  • “Estive abstinente de drogas, durante 14 anos, adorava o meu trabalho, tinha uma excelente carreira profissional, um bom ordenado e era feliz. Um dia, de repente, fui despedido e fiquei no desemprego. Perdi qualidade de vida e senti-me injustiçado. Andei uma semana, cheio de pena de mim próprio, fiquei deprimido, não conseguia suportar a minha cabeça e estar com a família e amigos. Dormia até há hora do almoço e gerou-se, dentro de mim, uma sensação de inutilidade e impotência insuportável. Um dia, não sei explicar como, decidi começar a beber bebidas alcoólicas, e uns meses depois reiniciei o consumo nas drogas.”
  • “Estive abstinente de drogas, incluindo o álcool, durante 20 anos, criei uma empresa e um projecto de vida. Era um sonho tornado realidade, depois do inferno que passei com a adicção às drogas. Decidi reconstruir a minha dignidade e a auto estima. As pessoas de família começaram a acreditar em mim, inclusive o meu pai, ajudou-me financeiramente para avançar com o meu projecto profissional. Depois de iniciar a empresa, não pensava noutra coisa, que consistia em obter reconhecimento e a concretização de um sonho de infância. Passados 18 anos, trabalhava 12 a 14 horas, não dormia, andava ansioso e sempre em stress, só pensava em ganhar dinheiro. Sabia que para ter sucesso precisava de produzir, ganhar mais dinheiro, manter o estatuto e dar o meu melhor. Vivia única e exclusivamente para o trabalho. Um dia, fui parar, às urgências do hospital, deprimido e com ataques de pânico. Este episódio, veio alertar-me para a minha incapacidade, de gerir o negocio e ganhar mais dinheiro, sabia como atenuar a angustia, a depressão e a ansiedade. Reiniciei o consumo de bebidas alcoólicas, e passados 2 anos o consumo de cocaína, socialmente com amigos para me divertir e descomprimir, mais tarde, a heroína e os ansiolíticos.”

Para terminar, os indivíduos com um historial significativo de dependência (adicção) de substâncias psicoactivas, do Sistema Nervoso Central, lícitas incluindo o álcool e medicação prescrita pelo médico (do grupo das benzodiazepinas – por exemplo, os ansiolíticos) e as ilícitas devem considerar a abstinência uma regra. Tal como referi, estes indivíduos adictos desenvolveram uma predisposição, uma vulnerabilidade física e psicológica, ao contacto com drogas, que os colocam em risco de reiniciarem a adicção activa, que pode ser despoletada a qualquer altura, evento adverso e dor intensa, doença, etc, independentemente das suas vontades. Isto é, enquanto permanecerem abstinentes, a adicção permanece controlada; refiro-me á compulsão e à obsessão associado às drogas - ao prazer. De notar que, quando afirmo abstinência, refiro-me à «auto medicação», porque existem excepções, indivíduos adictos, em recuperação, precisam de medicação, e acima de tudo, acompanhamento profissional digno. Ao contrário, daquilo que algumas tendências e tradições disfuncionais da nossa cultura teimam em reforçar, é possível ter uma vida plena abstinente, sem drogas lícitas, incluindo o álcool, e as drogas ilícitas.

São necessários estudos inovadores, não me refiro somente às causas, aos sintomas da dependência das drogas, incluindo o álcool, mas aquelas pessoas, adictos e adictas, que após um historial de adicção activa, permanecem longos períodos em recuperação. Paralelamente, precisamos de contrariar o estigma, a negação e a vergonha. Ainda ouço, com frequência pessoas, e alguns profissionais, a afirmarem que os indivíduos em recuperação duradoura, são «ex drogados» ou «ex toxicodependentes». Quando não compreendemos determinados atitudes e comportamentos dos outros, a nossa tendência é para criticar, e em casos de ignorância, dizer mal. É necessário retirar os rótulos, desmistificar e corrigir certos paradigmas disfuncionais e profissionais desactualizados, revelarmos mais humildade e reconhecimento alheio, pensarmos «fora da caixa», a fim de compreendermos melhor quais são as competências e os recursos, que dotam estas pessoas fantásticas e resilientes perante o apelo (perpétuo) dos efeitos das drogas lícitas e/ou ilícitas. Eles e elas não estão imunes ou curados, porque a adicção não é um vírus, pelo contrário, investem na prevenção da recaída e consideram que a recuperação acrescenta significado e propósito ao rumo das suas vidas. Para todo o efeito, também são uma referência para a família, para comunidade e a sociedade, incluindo profissionais. Eles andam aí à espera que de serem chamados a participar no tratamento, na recuperação e na prevenção da recaída. Recuperar é que está a dar contra o estigma, a negação e a vergonha.


Philipe S. Hoffman, R.I.P. e as minhas condolências para a família. 

quarta-feira, janeiro 08, 2014

Dr. David J. Powell


1945 - 2013
Foi com imenso pesar e consternação que soube da noticia da morte do Dr. David Powell. Faleceu no dia 1 de Novembro de 2013, com 68 anos, na sua casa junto à sua família nos EUA.

O Dr. David J. Powell era licenciado em Filosofia, Mestre em Psicologia, Doutorado em Relações Humanas, Formador e Supervisor Clinico (Powell Blended Model  of Supervision, Presidente do International Center For Health Concerns, Presidente  do Clinical Supervision  Institute. Professor Assistente no Departamento de Psiquiatria da Universidade de Medicina de Yale. Foi colaborador na área da supervisão em Instituições reputadas internacionalmente tais como; Hazelden, Betty Ford, Caron Foundation, Hanley Center, Gateway Rehabilitation. Foi pioneiro no Programa de Apoio a Empregados direccionado para empresas tais como;  Rolls Royce, IBM, The Trump Organization. Desenvolveu programas de supervisão para a Marinha dos EUA e para os Marines. Esteve envolvido em varios projectos, na área no tratamento da dependência química e alcoolismo, em alguns países da Asia e Europa. Nos últimos anos, colaborava com uma instituição para jovens dependentes químicos (drogas) na Turquia. Colaborava com varias revistas americanas para o tratamento e recuperação da dependência química e alcoolismo. Foi autor de vários livros, dos quais destaco “Clinical Supervision in Alcohol and Drug Abuse”. Era um defensor dos Doze Passos, dos Alcoólicos Anónimos, como recurso para a recuperação do individuo dependente, da sua família e uma mais valia para a comunidade/sociedade.

Certamente ficou imenso para dizer sobre o Dr David Powell, um distinto e ilustre profissional, mas gostaria de destacar a sua simplicidade como pessoa, com o qual tive o privilegio de conhecer. Um ser humano extraordinário.

Todos nós, profissionais e instituições, ligadas ao tratamento da adicção e da recuperação de drogas, incluindo o álcool, perdemos uma referência importante, todavia, o seu conhecimento e sabedoria irá permanecer vivo no coração daqueles que, em conjunto com ele, partilham a mesma paixão. O Dr. Powel ensinou-me o seguinte; «Para se ser um profissional competente no tratamento da adicção é preciso faze-lo com paixão, profissionalismo e ética». O meu profundo e sentido bem-haja.


sábado, janeiro 04, 2014

28ª Dica Arte Bem-Viver, de 02/10/2011



Olá, exclusivamente para si, Bom Ano de 2014.

A 28ª Dica Arte Bem-Viver, está relacionada com o trabalho e o espírito de equipa.

Durante catorze anos consecutivos trabalhei num contexto de equipa, com supervisão individual, altamente dinâmico, que me possibilitou um conhecimento muito significativo a nível pessoal e profissional.

Passamos uma parte significativa das nossas vidas a trabalhar. Enquanto crianças, ouvimos com muita frequência: «O que é que queres ser quando fores grande?». Desde cedo fazemos um grande investimento na realização profissional e levamos adiante esse projecto, com altos e baixos, avanços e recuos, até ao final dos nossos dias. Crescemos e amadurecemos a trabalhar. Somos ensinados a ambicionar segurança, prestigio, reconhecimento, poder e sucesso. Se não monitorizarmos os objectivos e o propósito, podemos até ficar adictos ao trabalho (workaholics), desenvolvendo expectativas irreais, e assim sacrificar todas as outras áreas das nossas vidas, exemplos: relacionamentos de intimidade, família, incluindo os filhos, auto conceito, amigos, hobbies.

Considero, ao contrário daquilo que muitos pensam, que a questão financeira não é a motivação principal para um excelente desempenho profissional. Considero dois factores importantes. Primeiro: A gratidão (paixão) de desempenhar algo pela qual estamos dotados e que se enquadra no nosso perfil. Segundo: um óptimo ambiente de trabalho (ex. espírito de equipa).

Não é sinónimo de excelência, de compromisso e/ou profissionalismo ser medico, engenheiro, advogado, ou possuir um MBA (master business admnistration ) etc. Na minha opinião, acima de tudo é preciso atitude, compromisso, liderança e dedicação à causa. Quero dizer com isto que, existem pessoas que desempenham a sua profissão e/ou seguem as suas carreiras, mas poucas são profissionais de excelência.

Trabalha em equipa? Algumas curiosidades, sobre o espírito de equipa, baseadas na minha experiência profissional:
1. Em termos de potencial, o que é que você acrescenta à sua equipa de trabalho (espírito de equipa)?
2. Em termos de potencial, o que é o/a distingue dos seus colegas?

Sabia que tudo aquilo que acontece no seio do trabalho de equipa/grupo influencia cada um dos seus membros, ainda que possa não ser notado. Alguns factores que influenciam a dinâmica de grupo de trabalho: aceitação, apoio e esperança, altruísmo e vivências (diversidade)e avaliação. E o potencial (mais valia) que cada membro da equipa proporciona aos restantes membros do grupo.

Sabia que as pessoas que nunca tenham trabalhado num contexto de grupo/equipa, de início, apresentam a tendência para percepcionar o grupo como uma entidade fechada e confusa à qual sentem uma certa hostilidade. Algumas pessoas pensam: «Que grande confusão» ou «Tanta gente! Isto vai ser um complicado.» Não conseguem ter uma perspectiva organizada.

Um dos factores mais importantes, para o êxito ou o insucesso no trabalho de grupo, é a disponibilidade, de cada indivíduo para este tipo de contexto, assim como, as suas características pessoais. Refiro-me ao compromisso e/ou a falta dele.

Sabia que o trabalho em equipa pode fornecer um nível de estimulação significativo capaz de activar processos que permitem a tomada de consciência das suas próprias qualidades, das suas áreas de maior dificuldade no relacionamento com as outras pessoas e facilitar novas crenças construtivas.
« I Love My Job» e você?

Cumprimentos

Votos de uma semana de trabalho motivada para a auto realização e para o espírito do grupo.


Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 145ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.

sábado, dezembro 14, 2013

"Ser vulnerável, é apenas uma das características."


Tudo começou com a sensação de que o barco andava sem rumo, corria sempre mal, os erros eram sempre os mesmos, e de repente, percebi que não existia o “mundo está contra mim” e sim o “é necessário aprender a estar no mundo”. A vontade de mudar falou mais alto e fervilhou dentro de mim. Preciso de ajuda… Foram inúmeras as tentativas de relações de intimidade, no entanto, eram sempre voláteis, rápidas e quando estava aparentemente a ser bom (controlado por mim) acabavam por terminar. Chegava à conclusão que afinal não tinha sido tão bom, era a minha vontade que fosse bom que sustentava a relação. Aí o mundo desabava, mais uma vez. Quando olhava pela janela via apenas o que sentia nos relacionamentos amorosos, não existia mais nada ou quase nada. Percebi que o limiar entre a sanidade e a patologia era curto, procurei ajuda, comecei por conhecer mais sobre mim e aceitar. A palavra resiliência passou a fazer parte do meu vocabulário. Sentir é ok, saber gerir é uma grande sabedoria, alguém disse que a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Ou seja, aprender com os erros, conhecer e viver…sem nunca esquecer que a vida é feita de opções e nós somos a personagem principal. As escolhas são nossas. Ainda a caminhar na minha jornada de recuperação, estou menos angustiada, aprendi a gerir o sentimento de ambivalência e a tomada de decisão passou a ser uma plataforma mais segura. Resumindo, hoje olho pela janela e observo interações, nuns dias observo pessoas a circular na rua, noutros as árvores que estão ao lado das pessoas, é sempre diferente. Mas, vejo e sinto mais coisas. Sou mais feliz e vivo um dia de cada vez, recuperar é que está a dar.

S. 

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Recuperar das compras compulsivas


As compras compulsivas são um problema actual menosprezado.

Todos os dias fazemos compras. Todos os dias, por variadíssimas razões e motivos gastamos dinheiro. Gastamos dinheiro porque estamos tristes ou porque estamos felizes. Gastar dinheiro faz parte do dia-a-dia, do ser social, da auto estima e isso é OK.

Entretanto, existe outra realidade, sobre o gastar dinheiro, que tem sido negligenciada. Somos bombardeados a um número indeterminado de estímulos para fazer compras, onde para isso,  necessitamos de recorrer a estratégias altamente engenhosas para equilibrar os nossos orçamentos. Perante tanta oferta, facilmente nos iludimos com o “Preciso de comprar aquilo…” quando na realidade, “aquilo” não é uma prioridade, mas uma necessidade de satisfazer os nossos desejos e vontades com base no prazer imediato. Basta entrarmos no centro comercial e ao fim de 15 minutos, já dispomos de uma lista de coisas que precisamos de preciso comprar. Sentimo-nos bem a gastar dinheiro. Todos nós estamos sujeitos a este fenómeno, todavia gastar dinheiro compulsivamente, comportamento adictivo, está associado a uma fonte intensa de prazer e bem-estar com consequências negativas (problemas familiares, incluindo as crianças, stress, dividas, créditos,) efeito semelhante ao individuo que abusa de substâncias psicoactivas, vulgo drogas.

Estamos prestes a iniciar a época natalícia, segundo a tradição, é uma das alturas do ano que mais se gasta dinheiro. O Natal é um período crítico de risco que justifica os exageros e os excessos em relação às compras compulsivas. Por exemplo, no final de Janeiro do ano seguinte, os extractos da conta bancaria são reveladores da perda do controlo, muitas vezes fonte de discórdia e conflito entre o casal.

sábado, novembro 02, 2013

Paradoxo


"Paradoxo em recuperação.
Rendemo-nos para vencer.
Perdoamos para ser perdoados.
Para manter o que temos, entregamos, em vez de controlar.
A força advém da fraqueza.
Enfrentamos a dor para ficar mais resilientes.
A luz advém da escuridão.
A independência advém da dependência.
Vivemos, o mais intensamente possível, um dia de cada vez, sabendo que um dia iremos morrer.” (tradução - autor anónimo)

Comentário: Apesar da complexidade da adicção (e do ser humano), hoje sabemos que a adicção é uma doença e podemos afirmar que existe esperança no tratamento e na recuperação.
O que é que significa a palavra Paradoxo? Segundo o dicionário da língua portuguesa é:
“Opinião contrária à comum.” 

Na vida, aprendemos através da dor, que aquilo que pensamos estar certo, pode mais tarde estar errado. Perante o perigo e o risco, associado aos comportamentos adictivos, desenvolvemos um sentimento de impunidade e invencibilidade que nos embebeda, extremamente apelativo, arriscado, intenso e sedutor; “É perigoso…mas vou controlar a situação. A vida são dois dias e um é para acordar.” Na adicção activa, quando julgamos que estamos a controlar, depois em retrospectiva, aprendemos com os erros, e impotentes, concluímos que afinal a realidade é bem diferente. 
   
Segundo o dicionário de Psicologia, de Roland Doron e Françoise Parot, paradoxo “é uma proposição ao mesmo tempo verdadeira e falsa, que acarreta deduções contraditórias, entre as quais a razão oscila interminavelmente; dilema, círculo vicioso. “

Mais uma vez, tal como acontece na vida, vivemos entre duas linhas distintas mas que estão interligadas entre si, a ilusão e a realidade. A ilusão permite-nos fantasiar, criar e sonhar, a realidade permite-nos ser honestos, disciplinados e responsáveis. O mesmo fenómeno sucede na recuperação da adicção. A pessoa impotente, de acordo com o léxico comum, significa uma pessoa vulnerável, fraca e condenada ao fracasso. Todavia, algumas pessoas identificam a vulnerabilidade (impotência) em relação à adicção, todavia isso não é impeditivo de terem o controlo sobre as suas atitudes, comportamentos e adoptar estilos de vida saudáveis e construtivos. Por exemplo, o individuo que está abstinente de drogas, incluindo o álcool, em recuperação, é impotente perante as substâncias psicoactivas alteradoras do humor (sistema nervoso central), porém consegue ter o controlo necessário para fazer a sua vida. O individuo que é adicto ao jogo, ao sexo, distúrbio alimentar que está em recuperação é impotente perante determinados atitudes e comportamentos de risco, que reforçam a logica adictiva (compulsiva), porém consegue ter o controlo necessário para executar as mais diversas tarefas e actividades do seu dia-a-dia.

Um dos paradoxos muito comuns. Não somos a pessoa que dizemos ser ao nosso parceiro/a, ao familiar, nosso amigo/a, colega de trabalho; na realidade, somos aquilo que concretizamos; aquilo que fazemos que está certo e/ou errado. Por exemplo, empregamos palavras elaboradas e evocamos princípios, para justificar um exercício de retórica, mas aquilo que fazemos, na realidade não é coerente e íntegro.
Para si que está em recuperação da adicção integre os paradoxos da vida de acordo com o alinhamento das suas próprias convicções e princípios. Outro dos paradoxos que a maioria dos adictos, em recuperação encontra é; a recuperação da adicção é um projecto individual, todavia porém, é reforçado pela qualidade dos relacionamentos das outras pessoas. Da adicção ninguém recupera sozinho. Todos nós possuímos uma história para contar, todos nós temos problemas e a dada altura das nossas vidas precisamos de ajuda.







sábado, outubro 05, 2013

Recuperar é que está a dar, Kristen


 Kristen Johnson ganhou dois Emmy`s, actualmente é actriz na serie da televisão "The Exes" e também é docente na Universidade de Nova Iorque. Veja o video sobre recuperação
Siga o link

sexta-feira, outubro 04, 2013

Qual é o seu limite para comprar?


Durante uma consulta com Carolina (nome fictício), 32 anos, abordamos alguns dos motivos pela qual não se controla nas compras. Ela afirma "Gasto o dinheiro que faz parte do orçamento para as despesas fixas da casa e que me faz imensa falta, na realidade, após a adrenalina das compras, passado uns dias, já perdi a pica (interesse) pelo artigo novo que comprei, fica guardado no armário. No dia a seguir, encontro outro artigo novo, e imediatamente arranjo mais uma justificação para gastar mais dinheiro que não devia. Nunca é suficiente. Tenho acumulado algumas dívidas desnecessárias, por exemplo com o banco, por causa da utilização abusiva do cartão de crédito. Ando nesta compulsão há aproximadamente 10 anos."

Segundo a lógica que reforça o comportamento compulsivo, não se controla nas compras porque :
  • "Sinto me muito melhor comigo e mais segura"
  •  "Para fugir/evitar sentir coisas dolorosas"
  • "Quando estou zangada, através das compras, expresso a minha raiva e frustração"
  • "Fazer compras tem um significado importante; evoco fantasias sobre riqueza e estatuto"
  • " Fazer compras é uma forma de fazer parte da sociedade onde todos têm uma fixação pela imagem"

Importante: Este texto foi publicado com o consentimento da Carolina (nome fictício). Os parabéns, pela honestidade e pela motivação para com a mudança de comportamento.

Comentário: O caso da Carolina é revelador da compulsão e da perda do controlo perante a sensação de prazer associado às compras. Desde a sua adolescência, ela revela ter problemas, com a baixa auto estima, assim como, em manter relacionamentos duradouros. Aparenta não possuir uma carreira profissional que lhe proporcione um propósito e segurança. Também refere, que durante períodos atribulados e de pressão, recorre às compras, a fim de ficar anestesiada e de não pensar mais no assunto. Para além da compulsão das compras outros problemas significativos; carreira profissional, relacionamentos românticos de intimidade e o corpo (imagem e peso).
De notar, que algumas pessoas, em especial as mulheres, estão mais vulneráveis e expostas à pressão e à obsessão da sociedade sobre a imagem, refiro-me ao marketing agressivo da indústria da moda. De acordo com a moda vigente, as mulheres devem seguir as ultimas tendências, isso significa, que é tema serio de conversa entre amigas.

Dicas:
  • Quais são as consequências dos seus impulsos? Proteja os seus recursos, os seus relacionamentos e o seu sustento.
  • Monitorize os efeitos das técnicas de marketing (publicidade) que interferem no seu comportamento sobre as compras. Por exemplo, saldos, revistas, publicidade nas redes sociais, por exemplo; no Facebook, etc.
  • Diga Não à pressão social que visa reforçar o impulso para comprar coisas que você não precisa e/ou não quer. Algumas afirmações disfuncionais “ Se está chateada, vá às compras.”
  • Certifique-se daquilo que realmente quer e precisa de comprar. Por exemplo; faça uma lista. Disponibilize o dinheiro suficiente somente para comprar essas coisas. Não utilize o cartão de crédito.

Deseja obter mais orientação sobre a compulsão nas compras? Envie email xx.joao@gmail.com. Todos os seus dados são confidenciais.
Veja o trailer do filme: Confessions of a shopaholic trailer


sábado, setembro 21, 2013

O açucar em excesso pode tornar-se adictivo


Dada a escassez informação para o publico em geral, acabamos por ingerir açúcar, nos mais diversos tipos de alimentos, em quantidades excessivas e nefastas para a saúde. Erradamente, recorremos ao açúcar para nos mimar e "adormecer" as nossas emoções mais dolorosas, alívio típico do stress do dia-a-dia.
O açúcar afeta e pode comprometer seriamente o funcionamento normal do cérebro e assim provocar dependência. Neste caso específico informação é poder. Veja este video interessante e reflicta sobre o assunto em família, incluindo os seus filhos. Siga o link "That Sugar Film"

domingo, setembro 08, 2013

27ª Dica Arte Bem-Viver de 25/09/2011


Olá
Ao longo da vida vamos alargando e/ou reforçando o leque de pessoas com as quais vamos interagindo, cujo historial é completamente distinto uns dos outros (diversidade). É um processo dinâmico que também influencia o nosso próprio carácter e algumas das nossas competências individuais e sociais (ex. família e cultura). Todavia, alguns de nós são seres mais sociáveis do que outros.

Sabia que não podemos escolher a família. Não podemos escolher o patrão ou os colegas de trabalho. Mas podemos escolher o parceiro/a romântico e/ou amigos. Nesta diversidade de papéis e seleções, existe um certo equilíbrio nos afectos e nas vínculos entre uns e outros.

A dica de hoje refere-se à pressão social. Como é que cada um de nós gere a pressão social? As decisões que você toma, para gerir a pressão social, estão enquadradas com os seus valores, objectivos e ideias?

Dicas:
1. Acontece com frequência, alguém não aceitar o seu Não? Essa pessoa teima em não dar importância ao que você diz ou faz? Pense nesta questão e responda: "Serei daquelas pessoas que desiste daquilo que acredita, para fazer a vontade aos outros? Isto é, mais uma vez, vou ceder e retroceder quanto ao Não e continuar a sentir-me ignorado/a?”
2. Se identificar um problema serio na comunicação com o seu interlocutor, com tendência para se agravar (agressividade) opte por sair de cena. Faça uma interrupção e abandone o local onde se encontra. Inspire e expire. O problema na comunicação pode estar no conflito de posições (paradigmas e preconceitos diferentes), a fim de se centrar no que é realmente importante, invista nos interesses de ambas as partes para a solução. Aprenda com isso.
3. Arrisque e decida com base na verdade (ética ou moralidade) e na reciprocidade, abandone a posição do ego. Seja directo e utilize as suas competências da comunicação (contacto visual, tom de voz, linguagem corporal, ouvir sem interromper, postura).
4. Após identificar o problema procure as soluções possíveis. Saiba antecipar que os critérios, de ambas as partes, são legítimos. Será mais vantajoso, para o problema, se ambos encontrarem uma solução.
5. Coloque-se na posição do seu interlocutor. Irá compreender o outro ponto de vista. Evite agir nos preconceitos e clarifique a sua posição, isso não significa manter se intransigente. Separe as pessoas dos problemas.
6. Aprenda a expressar os seus sentimentos, comece as frases "Eu sinto..." em vez de "Tu és...". Respeite os sentimentos das outras pessoas. Não adopte a culpa, como argumento, só agrava os problemas já de si complexos e delicados, limita o dialogo.
7. Responsabilize-se pelos seus sentimentos e comportamentos, ficará mais ciente do seu auto conceito e das suas limitações. Saia da sua zona de conforto.

  
Votos de uma semana construtiva na gestão da pressão social e valorização das competências individuais e sociais


Cumprimentos

Comentário: Sabia que a Dica Arte de Bem-Viver começou com uma "brincadeira" para os amigos, em Abril de 2011? Atualmente é enviada para mais de 500 pessoas e vários países de expressão portuguesa (Portugal, Angola, Moçambique e Brasil) e para os Estados Unidos da América. À data deste post vai na sua 129ª publicação. Caso deseje receber a Dica Arte Bem-Viver (semanal) basta enviar um email para joaoalexx@sapo.pt. No assunto da mensagem escreva: Dica Arte Bem-Viver. Todos os dados são confidenciais. É grátis. Recuperar É Que Está A Dar.




terça-feira, agosto 20, 2013

Recuperação da adicção - "The Anonymous People"


A Adicção veio para ficar com consequencias tragicas. Todavia, existe a esperança, milhões de pessoas encontraram a resposta para o seu problema.
Veja este video (trailer) do filme "The Anonymous People" siga o link
Anónimos em recuperação
Recuperar É Que Está A Dar

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha V



Pequenos excertos de pedidos de ajuda que recebo todos os dias por email, posteriormente, foram enviadas as respectivas respostas para cada situação.
Se você identificar com alguma situação e ou comportamento em concreto pode escrever um email e solicitar apoio. A resposta será enviada o mais brevemente possível. Todos os dados pessoais foram alterados de forma a manter a confidencialidade.
A publicação destes pequenos excertos tem como propósito quebrar o ciclo disfuncional associado ao estigma, à negação e à vergonha. Na sociedade atual, é cada vez mais frequente o aparecimento deste tipo de problemas, refiro-me aos comportamentos adictivos. Por vezes, a distancia, entre pessoas com problemas adictivos idênticos, pode ser uma porta, um prédio e/ou uma mesa do escritório. A ajuda surge quando o ciclo disfuncional do silêncio é interrompido. É possível recuperar a dignidade, peça ajuda.

Pedidos de ajuda que quebram o estigma, a negação e a vergonha.

  • "Chamo M. durante uma pesquisa na Internet sobre a codependência encontrei o seu blogue que me despertou o interesse. Li vários artigos do blogue e gostei. Identifico um problema serio nos relacionamentos de intimidade. Não me sinto realizada e gostada, como considero que mereço. Sinto-me atraída por homens que não disponíveis para me amar. Não foi um caso, mas já acontece há alguns, demasiados, anos. Gostaria de saber como funciona as consultas online. Agradeço desde já a sua atenção e disponibilidade.
  • "Chamo me J. e tenho 24 anos. Desde que me conheço sempre tive problemas com a comida. A comida é mesmo um vício. Às vezes, abuso imenso e depois só me apetece vomitar. Engordei 40kgs nos últimos 2anos. Parece que não consigo parar de comer e fico super irritada comigo própria por me ter deixado chegar a este ponto. Tenho sentimentos de culpa. Preciso de ajuda. Não aguento mais este sofrimento."                                                                 
  • "Chamo me C. quero pedir orientação sobre um problema que existe há anos na nossa família e que não conseguimos resolver.Um familiar, com 52 anos, tem há muitos anos problemas com álcool. Quando bebe, mesmo que sejam 3 ou 4 cervejas fica logo perturbado e torna-se agressivo. Saliento que ele não se embebeda todos os dias, mas quando o faz, duas ou três vezes por mês, conduz, já foi a tribunal por conduzir alcoolizado, já ficou sem carta de condução temporariamente, já teve que pagar multas elevadas e já cumpriu trabalho comunitário imposto pelo tribunal. Já perdeu vários empregos, aliás já está desempregado há 3 anos. Não sabemos o que fazer. A situação está a piorar cada vez mais. Precisamos de ajuda."                                                                  
  • Chamo me T. Encontrei por acaso o seu blogue sobre comportamentos de adição. A minha história é a de alguém que luta e sofre com a adição pelos doces. Tenho alternado entre períodos de ser muito cuidadosa e saudável e depois como que algo se apodera de mim e perco a noção de tudo, faço muito mal a mim mesma, isolo-me e caio na compulsão. Passei por alguns traumas na vida, de entre os quais ter ficado viúva aos 28 anos, e ainda bloqueei mais. Não sei porquê este meu perfeccionismo, de querer sempre tudo perfeito, exigir de mim e dos outros aquilo que afinal é mesmo humanamente impossível...tem sido muito complicado gerir todos os meus desequilíbrios e quedas, quer seja a nível pessoal, familiar e profissional. Preciso de ajuda, por favor."


Comentário: Quebre o silêncio disfuncional, tal como aconteceu a centenas de indivíduos e famílias resilientes que conseguiram alcançar a Recuperação e um novo modo de vida. Se identifica um problema, você não está sozinho/a.








sexta-feira, agosto 09, 2013

Video interessante! Descubra a diferença, é gritante!


Você sabia que o alcoolismo e a dependência de drogas estão associados à violência doméstica?

Manual sobre os princípios gerais da Recuperação da Adicção


  • Existem preferências individuais sobre os vários estilos de recuperação.
  • Recuperação é direccionada para o individuo com vista a incutir-lhe competências individuais e sociais.
  • Recuperação é um compromisso pessoal que exige mudança a longo prazo.
  • Recuperação é holística.
  • Recuperação integra questões culturais.
  • Recuperação é um processo e um compromisso contínuo gerador de bem-estar e de um estilo de vida saudável.
  • A recuperação é apoiada pelos pares e aliados/parceiros.
  • Os fundamentos da recuperação estão enraizados na esperança e na gratidão.
  • A recuperação é um processo de transformação (resiliência) e orientado para o desenvolvimento pessoal do individuo.
  • A recuperação contempla uma abordagem construtiva contra a discriminação e rejeita a vergonha e o estigma.
  • A recuperação consiste em fazer parte ativa na comunidade.
  • Recuperar é uma realidade, significa que é possível recuperar. É um fenómeno diário; acontece todos os dias
Fonte: Center for Substance Abuse Treatment (CSAT)  White Paper: Guiding Principles and Elements of Recovery-Oriented Systems Care

Comentário: É possível recuperar do estigma, da vergonha e da negação
 O termo recuperação surge com o propósito de contrariar o estigma associado às dependências e a toda a carga simbólica e moralista negativa, onde a sociedade cataloga os indivíduos adictos como pessoas marginais e fracas associado aos mitos, preconceitos e também visa reforçar uma identidade social proactiva (cultura). Porque recuperar a dignidade e a confiança outrora danificada é um longo processo.

O termo recuperação é abrangente, apesar de ainda não ser devidamente difundido em Portugal, todavia, não é sinónimo de cura ou controlo sobre o consumo das substâncias psicoactivas e/ou comportamentos adictivos. Na recuperação da adicção não se aplica o termo cura, porque não se trata de um vírus que se remove do organismo do individuo. A adicção é uma doença. O conceito de recuperação da adicção é oriundo dos grupos de ajuda dos Doze Passos (Alcoólicos Anónimos), nos EUA, desde os anos 30. Em Portugal, os  termos adicção e recuperação também surgiram associados aos grupos de ajuda-mutua (Alcoólicos Anónimos, no final dos anos 70, e mais tarde, com os Narcóticos Anónimos nos anos 80).

Sabia que o termo recuperação da adicção é objecto de investigação nos Estados Unidos da América e em Inglaterra?

Provavelmente, devem existir dezenas, senão centenas de instituições, profissionais e indivíduos que actualmente, também adoptaram o conceito de recuperação da adicção em vez de cura.

Recuperação está intrinsecamente relacionado:
  • Esperança,
  • Decisões,
  •  Propósito,
  • Pertencer a algo e
  • Felicidade.

As probabilidades de recuperar da adicção, refiro-me a uma recuperação duradoura, são reduzidas se um/a adicto/a não for feliz. Se você está em recuperação, pertence a uma classe de indivíduos especiais que escapam às estatísticas daquelas pessoas que sofrem desta doença através da negação, estigma e vergonha. Recuperar é que está a dar; isso significa que você está a explorar outras opções mais viáveis, espirituais e criativas para ser feliz.
Caso pretenda saber mais sobre o conceito Recuperação envie um email para xx.joao@gmail.com 
Saiba mais sobre recuperação e a investigação nos EUA.