Powered By Blogger

quarta-feira, maio 13, 2009

A Esperança de um novo modo de vida

Olá! Sou a Marta e sou uma adicta em recuperação limpa de drogas há 9 anos e dois meses.

Gostava de partilhar aqui neste blogue um pouco sobre a minha experiência.

Na minha opinião, para interromper a dependência das drogas, em primeiro lugar temos de admitir a nossa adicção e a impotência perante as drogas e que precisamos de ajuda.

Assim sendo, com força de vontade e através da identificação de pessoas com os mesmos problemas, consegui parar de usar drogas e, parar para pensar; se estas pessoas conseguem eu também iria conseguir!

È possível recuperar um modo de vida saudável, pensando um dia de cada vez, procurando as ajudas certas e especializadas.

Quem deseja recuperar da dependência consegue, MAS É PRECISO QUERER, comigo foi assim.
Tive um percurso de drogas curto e duro.

Deu para ver muito rapidamente o que é o fundo do poço e levar ao desespero aqueles que mais gostam de mim. No entanto, a verdadeira lesada, magoada e cansada daquela vida era apenas eu, estava a destruir-me lentamente, dia após dia.

Só eu é que poderia mudar a minha vida, obviamente com ajuda de outras pessoas, pois sozinha não seria capaz. Finalmente, consegui deixar de viver naquela profunda solidão em que me encontrava.

Neste programa, conheci pessoas maravilhosas que me mostraram o lado bom da vida e o quanto é bom estar abstinente e em recuperação.

Hoje, sei que não estou sozinha é muito bom sentir isso.
Estou muito agradecida a este programa de recuperação dos 12 Passos de Narcóticos Anónimos.

Marta

Comentário: Gostaria de agradecer à Marta a sua amabilidade em partilhar connosco a sua experiência pessoal. Creio que para aqueles que desejam recuperar das dependências (comportamentos adictivos) a Esperança de um modo de vida diferente e saudável é aquilo que mais ambicionam, um dia de cada vez. Afinal, é possível viver abstinente de substâncias e feliz. A recuperação duradoura, no caso da Marta, é motivo de júbilo e de realização pessoal. Os meus parabéns e Recuperar É Que Está a Dar.

terça-feira, maio 12, 2009

Compras compulsivas - Shopaholics

Qual é o problema associado às compras? Será assim tão grave? Nem todas as pessoas que gastam dinheiro em produtos, acessórios ou equipamentos apresentam um problema de comportamento. Quem é que resiste aos saldos? Quem é que resiste a umas compras no centro comercial? Quem não pensa “Bolas, hoje tive um dia muito difícil mereço uma prenda”.


Identificar atitudes e comportamentos
Na realidade, ainda existe alguma controvérsia quanto ao estudo e ao diagnóstico, todavia é evidente que existem casos de indivíduos que necessitam de apoio e orientação. O meu principal objectivo é alertar as pessoas, de forma a que consigam PARAR e reflectir sobre a perda de controlo em relação ao frenesim, ao desassossego e às consequências negativas do seu comportamento associado às compras. Conheço alguns casos de pessoas que desenvolvem a compulsão das compras – “culto”. Algumas reconhecem este padrão de comportamento disfuncional, como uma bóia de salvamento - nos momentos de angústia, de raiva, frustração, tristeza, solidão. O problema não é as compras ou o dinheiro, somos nós que adoptamos comportamentos que geram comportamentos disfuncionais e adictivos.


Um estudo realizado nos EUA revela que este problema afecta 5.8% da população (Koran, e tal 2006) e é tão comum como a depressão. Os indivíduos com este distúrbio não conseguem deixar/parar de pensar sobre a sua necessidade e preocupação frequente, em fazer compras.



sexta-feira, maio 08, 2009

A pressão gerada pela ansiedade na escola

A ansiedade é uma resposta ao medo (fugimos ou atacamos). Pode ser caracterizado por um estado de alerta ou vigilia constante. Qualquer estudante sabe perfeitamente a pressão gerada pela expectativa e pela pressão durante a epoca de exame.

Numa Universidade Espanhola foi desenvolvido um programa de forma a diagnosticar a e lidar com a ansiedade.
Seguir link:

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31164

sábado, maio 02, 2009

As Dependências associadas ao dinheiro




Considero oportuno, visto alguns milhares de portugueses atravessarem tempos conturbados de desconfiança, de desespero, de reflexão, abordar um assunto polémico e ambíguo. Refiro me ao dinheiro e aos distúrbios a ele associados na nossa sociedade. São os momentos difíceis, de dor e privação que influenciam (aprendizagem) o nosso comportamento, refiro á relação entre o sofrimento e a motivação para mudança. Se nada muda; tudo fica na mesma.

Dependemos do dinheiro. Não podemos prescindir dele, assim como acabamos por permitir que nos influencie, cada caso um caso, seja de uma forma negativa (ex. ganância e cobiça) ou positiva (integridade, decência) sobre as nossas atitudes e acções. Podemos desenvolver uma relação de amor e ódio, parece ser um assunto tabu recheado de falsas crenças e mitos. Na minha opinião, o problema não é o dinheiro; mas sim aquilo que as pessoas pensam e fazem com o ele. Recordo um caso de uma pessoa que afirmava “Na minha família, ninguém podia mostrar dinheiro vivo, deve permanecer oculto – circulava debaixo da mesa.”

Qual é o comportamento das pessoas perante o dinheiro ou a falta de dele, numa cultura que promove e incentiva o consumo e o estatuto, associado ao prestigio, ao sucesso e ao poder?
Tenho constatado que o dinheiro e os comportamentos adictivos são temas transversais na nossa sociedade. Precisamos de dinheiro para viver e algumas pessoas precisam de dinheiro (extra) para "alimentar" a sua adicção activa ao longo das suas vidas, sejam substâncias (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, ou ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, compras - shopaholics, trabalho, sexo, distúrbio alimentar, shoplifting - furto). Nesta “indústria da adicção”, anualmente milhões de euros são despendidos em drogas (licitas e ilícitas), álcool, sexo, jogo, trabalho, furtos, compras e comida, assim como milhares de pessoas estão envolvidas direta e/ou indiretamente nesta problemática/adicção activa. De que forma a sociedade e a cultura são influenciadas pelas dependências associadas ao dinheiro (capital)? Os fins, obter prestigio, estatuto e sucesso financeiro, justificam os meios, pouco convencionais e/ou ilícitos?
Todos nós conhecemos alguém que apresenta uma incapacidade em gerir responsavelmente os seus recursos financeiros, mas podemos não saber qual a raiz do problema. Pode retirar dinheiro do seu ordenado, pedir dinheiro emprestado, enganar ou rouba de forma a manter a sua adicção activa -“Não olha a meios para atingir os fins.”

sexta-feira, abril 24, 2009

BBC2 - Alcoolismo na cultura e tradição na familia

Para os amantes do futebol devem recordar o caso do famoso George Best, jogador de futebol irlandês, nascido em Belfast,que entre 1963 e 1973 fez parte da equipa do Manchester United, onde joga o Cristiano Ronaldo. Conquistou varios premios ao longo da sua carreira a titulo individual e colectivo, também foi conhecido pelo seu temperamento impulsivo e agressivo.

A cadeia de televisão inglesa da BBC2 vai passar um programa, no proximo domingo dia 26 de Abril, onde relata o drama do alcoolismo na familia. Best faleceu em Novembro de 1995, aos 59 anos de idade vitima da doença do alcoolismo.

Ver mais clique no link:

http://www.bbc.co.uk/programmes/b00k71gw

quarta-feira, abril 22, 2009

Testemunho - Admitindo a impotencia

Boa tarde,
Não sei bem por onde começar, tenho um amigo toxicodependente, uma situação muito complicada. Ele é imigrante, esta ilegal, já foi um sem abrigo, actualmente depende da ajuda de algumas pessoas que lhe pagam alojamento e alimentação.

Há mais ou menos três anos fez uma desintoxicação no CAT (Centro de Atendimento Toxicodependência), nunca parou de consumir, mas consumia de uma forma espaçada, tipo uma ou duas vezes por semana, mas agora entrou numa fase de consumir quase todos os dias. Aguenta tipo dois dias, depois bebe um pouco e vai consumir. Está no programa de metadona do CAT com 80mlg.

Sei que tenho alguma culpa nisto, porque acabo por lhe dar sempre o dinheiro que ele diz ter de pagar aos traficantes, diz que lhe emprestam e depois tem de ir pagar o que consumiu. Isto poderá até ser verdade, mas acho que ele depois quando vai lá novamente paga e consome mais.
Ele tem hepatite C e HIV e está tomar medicação no Hospital. O médico já lhe disse que se não pára de consumir lhe retira a medicação. Sinceramente, penso que no CAT com os métodos deles, não vai a lado nenhum.

Ele diz que quer deixar, faz projectos para o futuro, mas acaba sempre por não conseguir concretizar. Ele tem apoio e carinho das pessoas amigas, mas nada parece surtir efeito. Não sei se ele vai conseguir deixar de consumir. Muito sinceramente, não acredito nos programas de internamento, por alguns meses, porque quando saem de lá muitos voltam aos consumos.

Desculpe, isto é mais um desabafo, sei que não devia lhe dar dinheiro, sei que me vai dizer que sou codependente, sei que me vai dizer que é ele que tem de mudar, que tem de ser responsabilizado pelo caminho que está a dar á vida dele. Provavelmente, não o sei ajudar. Sei que eles podem ser mentirosos, inventar histórias, tudo e mais alguma coisa, mas este meu amigo nem sempre mente, e nunca inventou grandes histórias.Obrigada por ler este meu email. Sei que não existem milagres, mas tenho pena que este meu amigo não pare de consumir.
Catarina (nome fictício)

Resposta: Bom dia
lamento que o seu amigo esteja numa situação tão delicada e dolorosa. A dependência das substâncias é uma doença multifacetada e complexa e o tratamento, como sabe, não é através da "eliminação de um vírus" através de uma vacina. São necessárias condições específicas para que o processo destrutivo seja interrompido.

Sugiro que contacte a Comunidade Vida e Paz. Vá ao Google e é fácil de aceder. Pode ser que eles tenham alguma ajuda disponível.

Gostaria de acrescentar que a doença das dependências também pode afectar seriamente as outras pessoas, principalmente aquelas pessoas que não conseguem desapegar-se emocionalmente do problema. Neste caso, refiro-me a si.

Rapidamente, vou ilustrar através deste exemplo.Imagine vai de avião numa viagem para a Austrália. De repente, o avião começa aos saltos e solavancos, a maioria dos passageiros fica em pânico e aos gritos, entretanto surge a voz do comandante, "Atenção por favor, coloquem as mascaras de oxigénio, o avião tem uns problemas no motor da asa esquerda e vamos tomar medidas para prevenir acidentes. Urgente."Nos lugares junto ao seu estão duas senhoras idosas atrapalhadas com as mascaras e começam a ficar em pânico. O que é que você faz?~

Imediatamente, deve colocar A SUA MASCARA DE OXIGENIO, EM PRIMEIRO LUGAR, porque como sabe corre o risco serio de ter consequências graves de saúde caso não tenha oxigénio para respirar. E só depois pode ajudar as senhoras idosas a colocar a mascara e a tranquiliza-las.

Gostaria de saber se posso publicar o seu email, salvaguardando todos os seus dados pessoais. Através do seu caso pode ajudar outros. A vida está repleta de adversidades e desafios podemos aprender lições que nos ajudem no caminho da auto realização e da solidariedade.

Você parece uma pessoa cheia de qualidades, mas não se esqueça da sua "mascara de oxigénio."

Os meus sinceros cumprimentos

segunda-feira, abril 20, 2009

Não, a mais odiada vs. abençoada palavra nos encontros interpessoais



Não - é a palavra que mais detestamos ouvir quando somos contrariados e assim impedidos de satisfazer a nossa vontade. Desde a tenra idade até à idade adulta odiamos ouvir o Não. Recorremos à manipulação, à desonestidade, à mentira, à culpa e até em situações extremas à violência verbal (intimidação) e/ou física de forma a evitar ouvir o Não da outra pessoa. Na maioria das vezes, é preciso “pressionar” os nossos neurónios para aceitar o Não e continuar com a vida em frente.
Como é que nos sentimos quando estamos a comunicar e precisamos de dizer Não, de forma a satisfazer as nossas necessidades, mas infelizmente, acabamos por dizer; Sim, só para agradar?

Todos nós, sem excepção, no dia-a-dia somos confrontados com situações onde é extremamente difícil dizer Não à outra pessoa ou a um grupo de pessoas. Por ex. combinar um jantar com uns amigos num dia, umas horas depois, você é convidado para jantar em casa dos pais. O patrão pede para ficar umas horas extra no trabalho, quando nesse dia, você tem outros planos para essa noite. Um professor solícito pede apoio, para um trabalho extra de investigação, e você está sem tempo disponível. Você comprou uma camisola e de repente surge uma amiga e diz “Epá, a tua camisola é muito gira! Podias emprestar. Vá lá!” ou alguém que “implora” que o acompanhe a qualquer sítio, e você não está na disposição para tal.

Se você frequentemente se sente pressionado e desconfortável, e em vez de ser assertivo, é agradador e passivo, acabando por sentir-se infeliz e inseguro, então chegou a altura da sua vida para se questionar e procurar as razões e as crenças (expectativas disfuncionais) pela qual diz Sim - sempre com um sorriso amarelo ou o oposto, com um ar de miserável (pena de si mesmo) - quando na realidade quer dizer Não.

Pode recear perder alguém se disser Não, por ex. o namorado/a ou o amor do marido/mulher, sentir que pode afectar a relação negativamente gerando uma discussão enorme entre si e o seu parceiro/a. Pode perder um amigo ou uma amiga. Pode até pensar que as outras pessoas não vão gostar mais de si, se disser –  Não - e sentir-se rejeitado. Fugindo ao Não acaba por assumir uma postura de zelador (pacificador, agradador a qualquer custo) e complacente (adapta-se e molda-se aquilo que pensa/calcula que os outros pensam de si) mantendo a relação frágil e dependente. Evita, a qualquer “preço”, que a relação se submeta às adversidades normais, oriundas das diferenças de opinião entre parceiros ou amigos, histórias e perfis diferentes, etc.

Com o tempo, você acaba frustrado e desiludido, porque na realidade não existem pessoas e relações perfeitas. Afinal, somos humanos e a vida é uma aprendizagem constante. No nosso quotidiano, acontece com mais frequência do que nós imaginamos, ficarmos desiludidos com as outras pessoas, mas nós também desiludimos os outros.

Você tal como imensas pessoas, podem sentir culpadas quando dizem Não, por terem aprendido a evitar seguir o seu próprio caminho na vida, evitando assim magoar as emoções dos outros, você sentir que é um fardo pesado. Nesse sentido, estão criadas as condições para acabar por se sentir responsável pelas emoções das outras pessoas, como se a felicidade delas depende-se da sua necessidade de agradar.

quinta-feira, abril 09, 2009

Adicção ao Sexo

Adicção ao Sexo segundo dr Patrick Carnes (reputado investigador americano sobre a adicção ao sexo).
Vergonha, Perda de Controle, Preocupação constante (ex. 24 horas sobre 24 horas), Problemas familiares (casais e filhos) e financeiros (prostituição, internet) são apenas alguns dos sintomas.
É possivel interromper o ciclo de destruição atraves da recuperação (mudança de estilo de vida - MEV)
Veja o video e comente. Clique no link

http://www.youtube.com/watch?v=CIza2yEGw90

quarta-feira, abril 08, 2009

Meditar


“Nem com outrem nem por ti somente
Cometas jamais acção de que
Envergonhar-te possas.
E acima de tudo respeita-te
A ti próprio.
A justiça em actos e palavras
Pratica-la-ás depois.
Pela menor das coisas não te habitues
A decidir-te sem reflectires.”


Pitágoras (sec. VI a.c.)
Versus de Ouro

segunda-feira, abril 06, 2009

Fases de Recuperação atraves da Abstinência




Ao longo dos anos tenho observado indivíduos dependentes de substâncias psico activas / adictivas, lícitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas que são admitidos em tratamento, quer seja em regime residencial de internamento ou através das consultas tradicionais presenciais (terapia individual), e ao mesmo tempo, também acompanho individuos que permanecem abstinentes, como parte do seu programa de recuperação duradoura, a que apelido de mudança de estilo de vida (M.E.V.) através de princípios espirituais - não religioso, sem dogmas e divindades - que promovem o conhecimento interior das suas emoções, auto-conceito, competências e talentos, e uma conexão emocional com os outros e o mundo a sua volta (integração activa na sociedade).


Após a admissão em tratamento, em regime residencial de internamento,  é iniciada a primeira fase (crucial) - interrupção do consumo de substâncias psicoactivas (auto-medicação de drogas, incluindo o álcool) geradoras de problemas e consequências negativas, ex. perda do controlo dos seus comportamentos, problemas de saúde e familiares, legais e profissionais. Para alguém dependente de drogas, incluindo o álcool, este “passo” é realmente assustador.

A síndrome da Abstinência (Ressaca - dor/sofrimento físico e psicológico) dura aproximadamente entre 15 a 30 dias, cada caso um caso. Hoje em dia, o sofrimento é mitigado por outras drogas lícitas, receitadas por médicos, que permitem ao indivíduo o desmame gradual das substâncias psicoactivas/adictivas até ficar abstinente - “limpo”.

Existem porém casos excepcionais de indivíduos que por um conjunto de razões/sintomas clínicos necessitam de recursos extra e mais prolongados (medicação - monitorizada pelo medico) a fim de permanecerem compensados e estáveis de forma a conseguirem assimilar e aderir ao programa de tratamento. Muitos destes casos, podem estar relacionados com as consequências da dependência das drogas (ex. neuroquímica do cérebro).
  • Fase Sindroma de Abstinência (Ressaca) 0 – 15 dias de abstinência
Alguns sintomas físicos e psicológicos: Cansaço, vómitos, vontade em usar drogas, incluindo o álcool (nesta fase, conheci indivíduos que ingeriram “aftershave” e álcool puro), pesadelos, suores frios, insónia, irritabilidade, deprimido, angustia e ansiedade, alterações extremas do humor, redução do apetite, dificuldade no raciocínio, na concentração e memória, dores de cabeça, perda do controle dos seus comportamentos (impulsos), atitude negativa e baixa resistência física á dor,
Nota: Observei indivíduos, em tratamento, descompensados psicologicamente, que apresentaram alguns destes sintomas, sem que o seu problema estivesse relacionado com drogas (ex. comportamento compulsivo ao sexo).

  • Fase da “Lua-de-mel” 16 - 45 dias de abstinência
Alguns Sintomas: “Andar na lua”, euforia, super-confiante - “Está tudo bem…Sinto bem”, Conseguiu ultrapassar a ressaca - sinonimo de dor e sofrimento vs. alivio. Demasiado optimista, negação e ambivalência, o aidcto interrompeu a compulsividade associado aos consumos, e nesta fase pensa que agora já consegue consumir drogas ou álcool de uma forma controlada, conhece outras pessoas que têm o desejo de parar de usar drogas, aprende que a adicção às substâncias psicoactivas é uma doença.

sábado, abril 04, 2009

Partilha/Testemunho


“Olá! Sou a Catarina (nome fictício) e vou aqui deixar o meu testemunho sobre Anorexia/Bulimia e a minha Recuperação.
Tenho 23 anos, sou do Algarve e desde os 13 anos que sofro desta problemática.

Desde que me lembro nunca me aceitei e sempre me achei inferior aos outros e “gorda”.

Mas isto veio a piorar quando o “senhor de vermelho” apareceu, o meu corpo, como o de qualquer mulher começou a alargar e eu comecei a entrar em paranóia.
A minha vida girava em torno de pensamentos sobre a gordura e a comida e já antes pela tenra idade não tinha sido capaz de deixar de comer. Até ao dia que decidi que era desta, se emagrecesse eu ia ser feliz, então deixei de comer.

Passava os dias a leite, água e pastilhas elásticas. Em pouco tempo, começaram a notar-se os quilos a desaparecer e a ficar mais feliz. A verdade é que nunca fui gorda, o meu peso máximo era de 59 quilos para 1,65m de altura.

Enfim, lá emagreci e parecia que tudo corria bem. Nesta altura, mudei de escola, de amigos e numa de afirmação comecei a fumar charros. A doença ainda não tinha afectado a minha vida social e eu fazia-o para agradar os outros.

Com os charros, voltaram os quilos a mais. Passava os dias “ganzada[i]” e deixei de pensar no meu corpo, comia e depois sentia me culpada, mas o mais importante eram as “ganzas[ii]”, e voltei a engordar.

No ano a seguir depois de ir para o Liceu voltei a sentir me horrível e muito gorda, até pensava que o rapaz de quem gostava não gostava de mim porque era gorda, etc.

terça-feira, março 31, 2009

As Drogas eleitas pela nossa sociedade



Somos uma sociedade (cultura) que promove e desenvolve “o culto cool” e da moda associado ao consumo de drogas psicoactivas adictivas - lícitas, incluindo o alcool, a nicotina e as drogas ilícitas. Será uma forma diferente, original e criativa de pensar e experimentar sensações e/ou fazer coisas? Ou optamos pelo caminho mais fácil (atalhos) na ânsia de procurar responder aos milhares de estímulos e expectativas a que somos sujeitos, dia-a-dia?


Portugal é o país da Europa com menor numero de estudos especializados realizados especificamente acerca do consumo de álcool e dos problemas a ele associados (Simpura e tal.,2001). 
Quais são as pessoas e ou organizações interessadas em investigar as consequências autênticas do álcool na nossa sociedade? Qual o interesse publico desta informação? Qual é o impacto e o custo na sociedade portuguesa associado ao alcool? Na família, incluindo as crianças. E das outras drogas, lícitas, medicamentos sujeitos a receita medica (ex. benzodiazepinas - tranquilizantes, ansioliticos) e as drogas ilícitas?
Uma parte significativa da nossa população, cujos números exactos (estudos epidemiológicos[i]) não se conseguem obter com exactidão, (desde os jovens, aos adultos, incluindo a população sénior) recorre com mais ou menos frequência, ao consumo de substâncias psicoactivas susceptíveis de causar dependência, designado de auto medicação.

Usar drogas é um acto voluntario, uma escolha individual, que pode ser sujeita ou não à pressão do grupo e do ambiente. Nem todos os indivíduos que consomem substâncias psicoactivas adictivas desenvolvem um problema de abuso ou dependência, assim como consumir esporádicamente seja sinónimo de doença, mas existe um certo grau de risco (dependendo da potência/efeito da substância, a dose administrada, a duração do consumo e das características do próprio consumidor). Estes factores (neurologico-bio-psico-social) juntos podem contribuir para um problema grave de saúde, familiar e profissional.

Cada um elege as drogas que lhe proporcionam o efeito desejado. A mesma droga não é eleita por todos. Existem drogas para todos os gostos. Algumas pessoas usam drogas por mera curiosidade, outros para se divertirem, outros para praticarem desporto, praticar sexo, para “fugirem” ao stress e à pressão diária, para trabalhar, para relaxarem, por motivos de doença, outros recorrem às drogas porque abusam e por último aqueles que estão dependentes (doença da adicção).

Existe uma relação entre a oferta e a procura que faz com que hoje as drogas estejam mais disponíveis e presentes no dia-a-dia das pessoas, comparativamente à 15 anos atrás. Provavelmente, todos nós conhecemos, directa (ex. um familiar, ou amigos) ou indirectamente (ex. amigo do amigo), alguém que nesta altura tenha ou já tenha passado por um problema com drogas, incluindo o álcool.
  
Porque é que uns sofrem horrores e destruição nas suas vidas, associado às drogas psicoactivas adictivas, incluindo o álcool, ex dependência (doença/adicção) e outros não?

Através do consumo de drogas aprende-se a oscilação das emoções e descobre-se todo um “novo mundo” de novas experiências sensoriais e singulares que de outro modo não seria possível experienciar.

A dependência às drogas lícitas, incluindo o alcool e a nicotina, e/ou ilícitas psico-activas, é uma doença do cérebro (adicção). Sabemos que o consumo de drogas altera a percepção (ideias, compreensão) e o funcionamento normal do cérebro (neuroquímica/neurotransmissores) enveredando o adicto na senda da gratificação imediata, procura aquela sensação de prazer e/ou bem-estar única capaz de gerar energia extra, capaz de modificar e ou atenuar (dormente) as emoções dolorosas; ex. raiva e ressentimento, o medo e a insegurança, rejeição numa relação romântica, despedimento (frustração), perda de alguém querido, cansaço físico e/ou sensação de falta de energia, ansiedade e ou sentir-se deprimido etc. As drogas psicoactivas modificam a forma como as pessoas sentem, pensam e agem.

quinta-feira, março 26, 2009

Testemunho/Partilha de Recuperação


“O Fantasma da Licenciatura”

Foi em 1987, bem no auge da adolescência, que a minha adicção despertou.

Nesse ano, entrei para a Universidade e foi nessa época que eu descobri o meu lado “negro”. A adicção tinha estado escondida em mim embora de vez em quando ela se tivesse manifestado em atitudes compulsivas e desviantes quando eu era mais pequeno. Desta vez a doença da adicção veio para ficar e para arruinar todas as áreas da minha vida. O meu corpo, a mente, o curso, a família, os vários empregos, os sonhos, os projectos, tudo foi arruinado.

Então, em 1997, mostraram-me Narcóticos Anónimos (N.A.)[i] através de um Poder Superior[ii] a mim mesmo que vim a conhecer algum tempo mais tarde. Foram os meus amigos que me levaram. “Vem. Vais reconquistar tudo de novo”. Eu não tinha nada a perder.

Um ano passou desde o meu porta-chaves “Só Por Hoje”[iii] e eu só vivia para os “Passos”[iv] e para a recuperação - “Homem-Programa”[v] era como me chamavam. Fiz (e continuo a fazer) muito “serviço”[vi], enraizando-me cada vez mais em N.A. Que nome lindo e profundo! Narcóticos Anónimos!
Terceiro ano e “vai ser agora, vou voltar a estudar”. O meu “padrinho”[vii] incentivava-me. Força. Vai em frente! Fui matricular-me… Mas que sensações, que sentimentos estranhos, que medo, que tremedeira me deu nas pernas. Inscrevi-me, paguei as propinas, mas… não regressei lá nesse ano. Nem no ano seguinte.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Demasiado amor pode ser negativo para a relação-romântica




Por vezes, evoca-se um conceito positivo e saudável nas relações românticas, mas no final o resultado daquilo que fazemos é o oposto; revela-se disfuncional e em ultima instancia patológico. As emoções românticas podem assumir um papel demasiado intenso, obsessivo e “sagrado”, gerador de pressão e controlo, e o individuo acabar “presos” às suas fantasias e atitudes organizadas em crenças disfuncionais e/ou mecanismos de “fuga” às emoções dolorosas. Refiro-me por exemplo, ao conceito do AMOR. A paixão pode ser um estímulo suficientemente forte para se procurar alguém para AMAR , por vezes, depois da paixão nada resta, senão a separação.
Então se o AMOR é uma necessidade básica de qualquer ser humano (dar e receber afecto, intimidade e compromisso, obviamente não confundamos com coisas materiais) porque tornamos as relações disfuncionais em nome do AMOR?
Um novo estudo veio revelar que um vínculo demasiado intenso (apegado) numa relação romântica pode revelar-se prejudicial. Relacionamentos românticos definem laços especiais de intimidade e de compromisso entre os seus parceiros. Em muitos casos, um pacto apaixonado conduz a relações duradouras, e em último caso, à constituição de famílias.
Por vezes, um ou ambos (parceiros) colocam um anseio e uma expectativa demasiado elevada (preocupação irracional) na sua relação. Como resultado manifestam uma disposição (disfuncional) em exprimir e avaliar a auto estima e os limites, baseando-se somente no resultado das suas interacções românticas. Isto é, se a relação está positiva, está tudo bem, caso contrário, sentem-se exageradamente culpados e frustrados por a relação não apresentar os sinais de segurança, que seria suposto. Não é permitido sentir as emoções desconfortáveis e as angustias “livremente.” Imediatamente, reagem ansiosos e estabelecem planos e projectos para salvar a relação ou fugir à dor à revelia do seu parceiro/a.
É aquilo que os psicólogos apelidam de Relação-Duvidosa que Afecta a Auto-Estima e que segundo o investigador Raymond (Chip) Knee Ph.D. afirma, é um factor negativo para a relação romântica assim como para a auto estima de um ou ambos parceiros.
Segundo o Dr. Raymond (Chip) Knee, Professor Assistente de Psicologia e Director do Departamento de Relações Interpessoais e de Pesquisa em Grupos de Motivação da Universidade de Houston “Os indivíduos que apresentam níveis elevados do fenómeno Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão excessivamente comprometidos (apegados) às relações e também demasiado vulneráveis emocionalmente, caso surja algum tipo de adversidade/conflito – para isso, basta uma pequena discórdia, para que despolete todo um conjunto de problemas que assumem dimensões desproporcionadas."

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Testemunho - Admitindo a impotencia

"Boa noite
Estive a ler o seu texto, que encontrei enquanto pesquisava sobre o assunto.

E porque pesquisava eu pelo assunto? Exactamente por ter perdido alguém de quem julgo gostar imenso e estar na dúvida se amo ou se dependo emocionalmente dessa pessoa. A dúvida essa mantém-se, mas outras questões se levantam quando confronto o meu EU com o meu passado.

O meu nome é Luis N., e a partir de hoje não o escondo de ninguém, sou pai de dois filhos separado de 3 mulheres, e acho que sou incapaz de amar alguém inclusivé a mim próprio.

A minha primeira relação mais séria da qual tenho um filho durou aproximadamente 3 anos e saí dela para me meter noutra exactamente no dia a seguir a ter tido coragem de a acabar, o mesmo se passou com a segunda relação da qual nasce o meu segundo filho e da qual saí para me meter na terceira, da qual não tenho filhos que ao fim de quase dois anos de ter começado chegou ao fim sendo o FIM determinado pela minha falta de controlo emocional e pela incapacidade de viver dentro das minha existência e consequente falta de auto-estima.

Não me consigo valorizar e acabei por castigar a pessoa que tanto valorizo, não sou de confiança e desconfiava dela, sou ou sinto-me fraco e um ser sem energia e acusava-a a ela de o ser.

Enfim a lista poderia continuar mas o essencial fica no ar, não consegui perceber que ao fim de dois anos eu próprio não era quem julgava ser, e pior que isso mentia a mim próprio e assim alimentava a ideia de que a pessoa é que dependia de mim quando a verdade era o oposto.

Como poderei eu vir a não repetir esta façanha???
Quem devo procurar?"

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Testemunho Corajoso - distúrbio alimentar



"Boa Tarde
Queria apenas partilhar o meu testemunho e explicar-lhe o que se passou comigo, talvez na esperança de que me possa dar alguns conselhos.
Tenho 19 anos, vivo em Coimbra e sou estudante.

Após a minha entrada na Faculdade em Outubro de 2007, com 18 anos, muita coisa mudou na minha vida. Horários diferentes, professores diferentes, amigos novos, mais exigência e stress, etc. Ainda hoje não sei se terão sido estes os motivos para eu ficar doente. Penso que o facto de me terem dito "estás mais gordinha" também ajudou.

Acontece que comecei a deixar de comer e ganhei um enorme medo de engordar. Tinha 1m65 e 55kilos. Progressivamente fui perdendo peso e em Junho de 2008 pesava 42kilos. Na altura penso que nem me apercebia do estado em que estava a ficar. Olho para fotografias dessa altura e estava horrível, era verdadeiramente pele e osso. Mas eu achava que estava bem, que não se passava nada comigo. Alguns amigos meus diziam para ter cuidado porque estava muito magra, perguntaram mesmo se eu tinha anorexia e eu ria-me e dizia que não e que estava só um bocadinho mais magra. Achava que era uma doença que não me ia atingir porque não me achava assim tão magra.

Contudo, depois de muitos amigos dos meus pais se preocuparem e comentarem que eu não estava bem, os meus pais decidiram levar-me ao hospital. Foi então que comecei a ir a consultas de Distúrbios Alimentares, mas continuava a negar que tinha Anorexia. Só no dia em que recebi pelo correio uma carta do Hospital com a conta de uma consulta e li "Diagnóstico Anorexia Nervosa" é que me apercebi de que realmente estava doente.

Nas consultas deram-me um Plano Alimentar Diário para seguir e eu comprometi-me a cumpri-lo. Inicialmente foi muito difícil porque só com uma sopa eu já me sentia cheia, inchada, mal disposta. Mas progressivamente fui conseguindo comer e aumentei de peso.

Aqui surge outro problema. Aumentei de peso de forma saudável, mas cheguei a uma fase em que comecei a comer descontroladamente, sem parar. Comecei a ter compulsões alimentares principalmente à noite. Durante o dia como normalmente, mas chega a noite e é um descontrolo enorme. Como principalmente alimentos com açúcar, por exemplo bolachas, chocolates, etc. Neste momento tenho 55kilos tal como antes, mas sinto-me todos os dias frustrada e infeliz por não conseguir resistir à comida. Passo o dia a pensar que nao devia ter comido tanto, faço exercício físico mas chega a noite e vem outra vez mais um descontrolo. Ando irritada e por vezes fico tão triste que não saio de casa e chego mesmo a isolar-me dos meus amigos. Não percebo o que se passa comigo porque se antes me consegui controlar, o que se passa agora? Porquê este descontrolo?

Continuo a ter consultas e já discuti o meu problema com o meu psicólogo, mas até agora todos os conselhos que me foram dados não serviram de nada. Quero mesmo muito sair desta situação, deste poço no qual entrei há muito tempo. Sempre tive muito pouca auto-estima, nunca me valorizei mas estar neste estado só piora tudo.
Agradeço a atenção"
Madalena (nome ficticio)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Os Executivos e as empresas - Stress e a Adicção



O stress e uma carreira profissional exigente e ambiciosa podem ser uma combinação explosiva e altamente adictiva nas vidas de alguns executivos - homens e mulheres. Em muitos casos este fenómeno pode permanecer oculto e minimizado, até ao dia em que tudo desaba e acontece o impensável (crises emocionais, financeiras, profissionais, familiares etc.) como consequência dos comportamentos adictivos (drogas licitas e/ou ilícitas, incluindo o álcool, relações disfuncionais, jogo patológico, compras, sexo compulsivo, etc.).
Todos os profissionais estão vulneráveis a este flagelo. Recordo alguns casos de executivos/gestores completamente derrotados, humilhados, com sentimentos de culpa e baixa auto estima, apesar da evidências negativas da adicção evitavam a todo o custo enfrentar a realidade das suas vidas destroçadas pelos comportamentos adictivos que os forçaram e encaminharam até tratamento. Não queriam acreditar que todo o seu potencial, competências e regalias tinham sido substituídos pela mentira, a negação, a manipulação, a desonestidade, a auto piedade, a ansiedade e a angústia. 
Características dos executivos
Uma personalidade “vencedora”, destemida e perfeccionista, aspiração à liderança e ao sucesso, ambição profissional e uma “forte queda” para os negócios são a “porta de entrada” para o mundo exclusivo dos executivos e para o mais alto nível empresarial. Principalmente, aqueles executivos - “ verdadeiros cérebros” - cujas empresas os valorizam como uma mais-valia para o seus negócios.

domingo, dezembro 21, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Família



“Boa tarde,
O meu pai um homem com 58 anos começou há 2 anos a mostrar interesse pela net.
Comprou um computador e é vê-lo agarrado a ele de manhã à noite...
Paga semestralmente 70€ para falar com mulheres num site de amizades (Cupido) e já tem inúmeras mulheres adicionadas no Messenger.

A vida familiar foi se degradando...
Só sai da frente do computador para ir a casa de banho e comer.
Não dá assistência nenhuma à minha mãe, nem mesmo quando está doente como já foi o caso.

Esta situação esta a levar ao fim do casamento, e quando confrontado pela minha mãe com o desrespeito da situação, defende-se dizendo que não tem nada com elas é só para falar.

Gostaria que me desse alguma orientação neste sentido.
Obrigado
Natália” (nome fictício)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Jogo Patologico Online


1 - Qual o perfil e o padrão do jogador compulsivo na internet? Quais os sinais de alerta?
Em Portugal, ainda não existem estudos fidedignos sobre este problema, todavia, já existem profissionais determinados a avaliar o perfil do jogador. É ainda difícil, identificar o perfil do Jogador Compulsivo na Internet (JCI). Pode ser qualquer jovem ou adulto (homem ou mulher). Ao contrário do que acontece com a dependência de substâncias adictivas (drogas licitas e ilícitas, incluindo o álcool) o individuo que joga online não apresenta sinais/sintomas evidentes a nível físico, cognitivo e comportamental. No indivíduo que joga compulsivamente online é extremamente difícil observar qualquer destes sintomas.

Pode ser alguém com poder financeiro que desvia fundos para jogar on-line, por ex. o homem/mulher de negócios que aplica os recursos financeiros das suas empresas e/ou dos seus sócios nas apostas. Alguém que utiliza o cartão de credito. Pode ser qualquer individuo que retira dinheiro da sua conta e/ou do seu cônjuge, do filho/a e que aplica nas apostas on-line (ex. desporto) de uma forma compulsiva. O dia-a-dia do JCI gira em torno do jogo on-line. É o assunto nº 1 na sua vida.

O JCI pode ter sido um indivíduo honesto, mas cujo comportamento adictivo o levou a cometer actos ilegais (fraude, roubo, falsificações, crimes de “colarinho branco”, etc.). São pessoas competitivas, energéticas, inquietas e que facilmente se aborrecem quando as aquelas actividades não envolvem risco. Podem mostrar-se demasiado preocupados com a aprovação dos outros e ser generosos ao ponto da extravagancia.

A actividade associada ao jogo proporciona oscilações drásticas no humor. Os altos, são muitos altos (por ex. quando se pensa em vencer, quando se consegue mais um empréstimo, quando se ganha um premio, etc.) e de imediato, os baixos, são muito baixos (por ex. quando se perde todo o dinheiro – ex. 10.000 €, não consegue recuperar o dinheiro do ordenado que foi apostada, quando se é confrontado pelas dividas e/ fraudes, quando se rouba e mente “promessas sucessivas quebradas”, quando já não existem álibis para angariar mais fundos para apostar, quando se descobre uma falsificação, a angustia e o pânico e em ultimo caso ideias sobre o suicídio).

Segundo o DSM IV (Manual de Diagnostico de Psiquiatria) define alguns critérios associados ao jogo patológico:
1. Preocupação com o jogo (por ex., preocupa-se em reviver experiências de jogo passadas, avalia possibilidades e/ou planeia a próxima aposta, e/ou pensa em esquemas para obter dinheiro para jogar).

2. Necessidade de apostar quantias de dinheiro mais elevadas (arriscar), a fim de obter a excitação desejada.

3. Esforços repetidos e fracassados no sentido de controlar, reduzir ou interromper o jogo.

4. Ansiedade ou irritabilidade, quando tenta reduzir ou parar de jogar.

5. Jogar como forma de fugir dos problemas ou aliviar uma sensação de mal-estar (por ex., sentimentos de impotência, culpa, vergonha, ansiedade, depressão).

6. Após perder dinheiro no jogo, frequentemente regressa no dia seguinte a fim de recuperar as perdas.

7. Recorre à mentira (familiares e outros) para encobrir a extensão do seu envolvimento no jogo (consequências nocivas).

8. Pratica actos ilegais, tais como a falsificação, fraude, furto etc., para financiar o jogo.

9.Coloca em perigo ou destruiu uma relação significativa, o emprego ou uma evento educacional ou profissional associado ao jogo.

10. Recorre a outras pessoas com o fim de obter dinheiro para aliviar uma situação financeira desesperada causada pelo jogo.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Adicção Sexo

"Caro Senhor,

Peço-lhe que me dê uma ajuda ou orientação pois sinto que necessito de auxílio. Tenho 48 anos, solteiro, sou gay e tenho um comportamento sexual adicto. Estou numa relação com uma pessoa, que amo, e faço-a sofrer com a minha atitude. Não gosto deste meu comportamento que me leva à traição, remorso, ansiedade, vazio e insatisfação. Quero ultrapassar este meu vício em sexo. Gostaria que me desse uma orientação ou indicasse alguém, ou grupo, que me pudesse ajudar, perto da minha zona de residência, que é Fátima (cidade ficticia)
Grato pela atenção"

Francisco (nome ficticio)



Resposta:
Bom dia
compreendo perfeitamente e lamento que esteja a atravessar uma fase dificil com a pessoa com quem vive e com a sua propria vida.
Acompanho casos identicos ao seu, e tal como o Francisco, só encontraram alguma paz de espirito nas suas vidas quando pediram ajuda sincera e honesta.
Na sua zona nao conheço nenhum grupo mas atraves dos grupos existentes, por ex em Lisboa, pode beneficiar de algum apoio atraves de adictos ja com alguma experiencia de recuperação. Consulte http://recuperarequeestaadar.blogspot.com na coluna da direita na secção - blogues interessantes "Adictos ao Amor e ao Sexo Anónimos (AASA)".

Gostaria de acrescentar uma questão importante para si. Se o Francisco constata que perdeu o controlo do seu comportamento, identifica a compulsividade e a obsessão, se faz promessas sucessivas que vai fazer diferente ao seu companheiro mas nao consegue cumpri-las, se você passa grande parte do seu dia-a-dia a pensar, a pensar em comportamentos adictivos relacionados com o sexo e na procura da satisfação imediata, tenha muito cuidado porque a partir de uma certa altura irá perdendo, e cada vez mais acentuado o controlo dos seus impulsos e comportamentos, dos seus valores e da sua vida. Só conseguirá retomar o controlo da sua vida após um tratamento em regime de internamento intensivo.

Se for este o seu caso sugiro que seja internado o mais rapidamente possivel, para o seu proprio bem, porque o Francisco já não estará apto a se responsabilizar pelas suas atitudes, comportamentos destrutivos e insanos. Então será preciso um Plano de Intervenção.

Se desejar posso apoia-lo atraves das consultas online, Se estiver interessado pode enviar um mail que reencaminhar-lhe-ei toda a informação necessaria sobre o aconselhamento online.

Gostaria de publicar o seu pedido de ajuda corajoso nos meu blogues, visto existirem imensas pessoas que sofrem em silencio (aterradas e cristalizadas) e que podem seguir o seu exemplo de coragem e humildade. Garanto-lhe total confidencialidade em relação aos seus dados pessoais.
Estou ao seu dispôr para o ajudar a resolver os problemas que o afecta neste momento.

Atenciosamente

domingo, dezembro 14, 2008

Época Festiva - Natal


Estamos em plena época natalícia.

Andamos todos a pensar no Natal. Alguns de nós passam em familia outros nem por isso,todos somos invadidos por um misto de nostalgia e euforia.

Gostaria simplesmente de referir e enaltecer a importância de nos centrarmos no verdadeiro sentido e proposito do Natal, em vez de no dinheiro,consumismo desenfreado.

Na minha opinião, considero o Natal como algo que "obedece" a certos rituais e tradições aos sonhos e à imaginação.

Boas Festas :º)

sexta-feira, novembro 28, 2008

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte II



(continuação)

Redescobrir a Vida para além da negação e da culpa – Recuperação

Quando me refiro ao termo Recuperação (mudança de estilo de vida) aplica-se, não só ao alcoólico, mas a todos os membros da família, incluindo as crianças. Torna-se imperativo identificar e desmantelar a “regra do silêncio”. Enfrentar e lidar construtivamente com o sistema disfuncional dos sentimentos intensos ou reprimidos (a negação, o trauma, a culpa e vergonha, a rejeição e a inadequação, o isolamento, medo e o ressentimento, a ansiedade e a depressão) que comprometem seriamente a hierarquia familiar.

Abdicar de atitudes e comportamentos “extremistas”, disfuncionais (erros cognitivos, relacionamento de amor ou ódio) e aprender a viver nas “zonas cinzentas” – novas aptidões cognitivas e do comportamento ex. ser flexível, espontâneo/a, assertivo/a, sentido critico construtivo, honestidade, focado nas soluções em vez de nos problemas, auto estima, responsabilidade e entrega. Não existem relações nem pessoas perfeitas. Em recuperação a família aprende a confiar e a ser autónoma renunciando viver codependente dos outros.

Por vezes observo que a “ovelha negra” é aquele membro da família que consegue adoptar atitudes e comportamentos mais saudáveis e equilibrados. Parece reger-se por um diferente conjunto de regras – resiliência. É importante desenvolver novos relacionamentos que funcionem como um “espelho” ou uma referência. Reaprender novas rotinas e crenças (a falar, a confiar e a sentir) em conjunto com outras pessoas. Isto acontece principalmente em Grupos de Ajuda Mutua dos 12 Passos.

Mais uma vez, gostaria de reforçar a importância das emoções e dos afectos. Fazem parte do todo complexo (corpo, mente e espírito) é necessário identifica-las (Eu sinto…) monitoriza-las e cuidar delas com amor e respeito. Adquirir talentos cognitivos na gestão das emoções intensas e/ou evitar reprimir. Não se pode ser feliz abafando uma parte viva e criativa do nosso ser. É ok sentir raiva, medo, frustração e insegurança e cometer erros. Por vezes, é ok perder o controlo. Experimente passar o “volante do carro” para as mãos de outra pessoa de confiança e deixar-se levar, usufruindo e gozando a liberdade de escolha e entrega. Um dia de cada vez.

Segundo Tian Dayton, Ph. D. é preciso ensinar os membros da família a desenvolverem competências que os ajudem a tolerar “emoções fortes e intensas” sem que necessitem agir nelas (acting out). É preferível falar sobre o que se está a sentir (emoções intensas) naquele momento, através de uma plataforma de entendimento, em vez de explodir ou implodir.

Proponho um desafio. Objectivo: “quebrar a regra do silêncio”. Se você se identifica com algo neste texto siga a minha sugestão: Fale com alguém de confiança sobre os seus sentimentos. Se desejar pode enviar para xx.joao@gmail.com relatos ou experiencias significativas escritas associadas a ambientes familiares disfuncionais associados ao alcoolismo. Atraves do seu exemplo em "quebrar a regra do silencio" outros seguiram o mesmo caminho. Recuperar É Que Esta a Dar

terça-feira, novembro 25, 2008

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte I



O alcoolismo pode igualar-se a um conjunto de doenças (ex. doenças cancerígenas, diabetes) que são herdadas na família. Ao contrário destas doenças que referi, o alcoolismo, infelizmente não é sobejamente conhecido e investigado (prevenção, tratamento e recuperação) em Portugal pelas entidades competentes e profissionais.

Há muitas gerações, que se perdem no tempo, que pertencemos a uma “cultura que bebe”, que reforça e promove o consumo de bebidas alcoólicas, em alguns casos, até o abuso do álcool é considerado normal, corajoso, destemido, engraçado e divertido.

Não é novidade que o álcool é um óptimo “lubrificante” nas relações entre pessoas e também associado a uma “fonte” de lazer e bem-estar. Se no inicio de um acto social, nos sentimos desconfortáveis ou constrangidos, após ingerirmos uns “copos” passados uns minutos já nos sentimos aliviados, desinibidos e “confiantes.”- “Muleta extra” utilizada para “quebrar o gelo. Por isso, muito cedo (em alguns casos durante a adolescência) aprendemos estes comportamentos mas raramente os desaprendemos. Podemos recorrer á “muleta” sempre que quisermos porque sabemos perfeitamente que “Não nos vai deixar mal.”


Reconheço vários aspectos benéficos no consumo de bebidas alcoólicas na nossa sociedade. É obvio que o álcool consumido de forma consciente e saudável não representa perigo. Várias vezes refiro que o álcool não é o problema nº 1, mas as pessoas (aquelas que não estão informadas, aquelas que o consomem abusivamente e aquelas que o vendem abusivamente). Não sou “fundamentalista”, mas um cidadão (e pai) e um profissional atento aos problemas relacionados entre as pessoas (sociedade) e o álcool.

Todavia gostaria de “debruçar” sobre os efeitos do alcoolismo na família, ao longo de gerações, e expor questões que na minha opinião, continuam ignoradas e negligenciadas, o que é grave (CRISE negligenciada). Não é nada que não se saiba, mas raramente se investiga e discute até ao surgimento de notícias trágicas e comoventes – ex. casos extremos violência doméstica associados ao alcoolismo e casos de negligência e/ou abuso (físico, sexual e emocional) de crianças associados ao alcoolismo.

domingo, novembro 23, 2008

Compreender a Ansiedade Social


Compreender a Ansiedade Social: Medo da rejeição, por Rick Nauert, PH.D. (Sénior News Editor) revisto por John Grohol Psy. D

Para indivíduos com ansiedade social, por vezes “conduzidos numa direcção errada e cristalizados”, um novo estudo veio revelar que os indivíduos ansiosos necessitam de melhorar as suas competências e talentos de forma a quebrarem o ciclo da rejeição social.

Os investigadores da Universidade de Maastrich procuraram descobrir quais os factores que influenciam os indivíduos não ansiosos a adoptarem medidas de rejeição junto dos indivíduos com ansiedade social (são menos aceites, menos reconhecidos e menos tolerados).

Os indivíduos com quadros de ansiedade foram observados em duas tarefas com componentes sociais: o seu discurso e na forma como se davam a conhecer a outras pessoas. Quer as pessoas não ansiosas que participaram no referido estudo, como aquelas que observaram, ambas partilharam as suas reacções pessoais em relação aos indivíduos com ansiedade social.

sábado, novembro 08, 2008

A Mulher e as Dependências




Ao longo da minha experiencia profissional tenho procurado averiguar sobre os factores que contribuem para que algumas mulheres sejam afectadas pelas dependências, refiro-me às substâncias lícitas adictivas (ansioliticos, benzodiazepinas barbitúricos, anfetaminas, analgésicos, etc.) incluindo o álcool e as ilícitas (cocaína, heroína) e quais os factores que as motivam a pedir ajuda profissional e iniciarem a sua recuperação.

Por exemplo, para as mulheres alcoólicas a vergonha e a negação são os obstáculos mais óbvios a ultrapassar. Para a maioria das mulheres que se debatem com dependências não procuram ajuda, porque não encontram urgência para receber apoio profissional (tratamento) e sentem-se envergonhadas e abafadas pelo seu problema. Na nossa sociedade, a imagem do alcoólico está profundamente associado ao homem. Nunca à mulher. Aparenta existir um enorme estigma associado ao alcoolismo e/ou dependência das drogas na mulher. Por vezes, o alcoolismo na mulher é utilizado em anedotas e brincadeiras ridículas. Parece não ser levado a serio.

Não procuram ajuda porque ficam ansiosas e com medo sobre aquilo que os seus amigos/as, membros de família, incluindo os filhos/as, colegas de trabalho podem pensar. Em muitos casos não sabem o suficiente sobre o conceito de doença associado às drogas adictivas (licitas e/ou ilícitas) incluindo o álcool. Muitas mulheres combinam álcool com drogas lícitas. Estas combinações são altamente adictivas e perigosas (morte).

domingo, novembro 02, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Jogo Patológico



Este é um pedido de ajuda corajoso de uma pessoa que deseja ajudar alguém proximo que está "doente".

Em muitos casos algumas pessoas (membros da familia)adoptam o "silêncio disfuncional" contribuindo dessa maneira para a progressão da adicção - atraves da facilitação, da negação, do encobrimento, da manipulação, da mentira, da vitimização, da desonestidade, racionalização, etc.

Aproveito para divulgar o email (pedido de ajuda) e resposta que considero mais apropriada, visto estar limitado à informação sobre o caso/problema.

"Boa tarde, chamo-me Carolina (nome ficticio)

A minha pergunta é a seguinte:

Um homem com 45 anos sofrendo de ludopatia (adicção ao jogo – jogo patológico) tem recuperação, sem ajuda? Joga muito em jogos de apostas – euromilhões, totoloto e lotaria, envolvendo-se em dívidas que quase o fizeram perder o emprego. Esse comportamento foi herdado do pai sendo que a mãe tem comportamentos obsessivos e adição ao álcool) O que posso fazer para ajudar ou quem posso consultar. Agradeço desde já a sua atenção, pois não sei como lidar com esta situação nem como ajudar

terça-feira, outubro 21, 2008

Como é que lidamos com a critica?





No dia a dia somos sujeitos a vários tipos de relacionamentos e criticas. Umas são construtivas outras destrutivas. È inevitável esta exposição na interacção com as outras pessoas, é rpeciso recordar que na comunicação não existem “mundos perfeitos”, “nem castelos com príncipes ou princesas”. A maioria dos seres humanos reage defensivamente à crítica. Por ex. porque ouvimos tanto falar na “guerra dos sexos”? Porque é que fugimos à critica, mesmo que seja construtiva?
Em muitos casos possuímos memórias e recordações, quando crianças, onde fomos fortemente criticados permanecendo um enorme desconforto emocional na idade adulta. Desenvolvemos a crença sobre a crítica que é “Uma coisa ”. Na realidade, não precisa de ser.
Revela-se importante diferenciar a critica do “deita abaixo” que resulta daquilo que os outros são ou dizem e aquele tipo de critica que pode ser construtiva e uma mais-valia para nós e para as outras pessoas significativas à nossa volta capaz de gerar confiança (feedback genuíno, sem julgamento, e saudável). Para isso precisamos, em primeiro lugar, saber avaliar as verdadeiras crenças por trás das nossas palavras (honesta e realista). Avaliar as nossas opiniões, emoções e comportamentos. Depois as opiniões dos outros. No final. somos os únicos responsáveis pelas nossas acções.
Em muitos casos, as crianças não aprendem a se auto avaliar se os adultos somente afirmarem (regras rígidas) que determinado comportamento está certo ou errado, sem haver uma explicação legitima, compreensiva e adequada. Por vezes, as consequências impostas às crianças (castigo) são desproporcionadas em relação ao comportamento considerado problema, pelo adulto. Elas ficam assim dependentes dos outros para se auto avaliarem em vez de aprenderem a se monitorizarem pelos seus próprios padrões (princípios e crenças).
Precisamos de desenvolver os nossos próprios padrões de comportamentos (auto conceito- certo e errado), caso contrário, ficaremos sujeitos e expostos á critica negativa e destrutiva dos outros. Por exemplo, se diariamente afirmarem que não somos um/a bom parceiro/a na relação ou incompetentes em certa área específica do nosso trabalho, embora possamos discordar, é muito provável vir a acreditar nessa critica negativa com a agravante em se começar a justificar determinada atitude e/ou comportamento. Nestas situações se não houver uma dose extra de auto estima será uma tarefa árdua efectuar uma auto avaliação correcta, positiva e realista.

terça-feira, outubro 07, 2008

PÁRA!! Faz Aquilo Que Digo. Já



Neste texto irei reflectir e promover a discussão aberta e sincera sobre um assunto que considero relevante na abordagem terapêutica junto de indivíduos com dependências (comportamentos adictivos). Não procuro ser carismático nem tendencioso, nem levantar polemicas sobre tratamentos / abordagens específicas ou certos profissionais, todavia penso que está na altura de rever a estratégia e o tratamento das dependências (individual, de grupo e famílias).
Desde 1992 trabalho na área do tratamento das dependências – comportamentos adictivos. Já acompanhei aproximadamente 700 indivíduos e os seus familiares.
Como profissional, admito que tenha utilizado inadvertidamente a confrontação autoritária, no passado, justificando a minha frustração – como a única “ferramenta”, existindo a probilidade de ter sido desrespeitoso, e em alguns casos ofendido os sentimentos de algumas pessoas.
A estratégia de confrontação adoptada na área das dependências emergiu sob a influencia de fortes factores culturais. Originalmente, praticada em comunidades (tratamento em regime de internamento de longa duração) para indivíduos dependentes de substâncias. Esta abordagem confrontacional cedo se expandiu a um tipo especifico de relacionamento profissional autoritário, que em muitos casos foi causador de vários tipos de abuso e desrespeito pelo indivíduo, pelos seus valores e princípios. È provável que existam relatos que confirmem o desrespeito, o abuso, principalmente em populações vulneráveis.
A abordagem centrada na confrontação era definida como um processo onde o terapeuta fornecia feedback directo e orientado para a realidade do paciente, não obstante as suas emoções e pensamentos. Esta comunicação variava entre a compaixão e a preocupação extrema e o desrespeito e a agressividade. Também se alternava no tempo, na intenção e na intensidade ao longo da relação terapêutica na instituição onde a intervenção ocorria. Esta abordagem foi encarada como uma abordagem necessária ao tratamento – a única “ferramenta”, o único tipo de linguagem conhecido e utilizado entre profissionais e os seus pacientes, dependentes de álcool e drogas.
O principal papel do terapeuta era corrigir os erros, combater a ilusão e a negação, assumir o comando, educar, quebrar o mecanismo de defesa e ser o elo de ligação entre a realidade do seu paciente. A mensagem expressa na sua essência era “Nós, profissionais, possuímos aquilo que tu precisas.” e a tarefa seria “Juntar as peças soltas do puzzle.”
Esta técnica de confrontação era essencialmente fundamentada em quatro princípios relacionados entre si:
1.       A dependência está enraizada num caracter imaturo, egocêntrico e num emaranhado mecanismo de defesa. No DSM II o alcoolismo e a dependência química eram classificados como um desordem de personalidade. Vernon Johnson (1973) afirmava “O alcoólico nega, rejeita qualquer tipo de ajuda. Mesmo que as circunstancias sejam as mais dramáticas. O alcoólico não está em contacto com a realidade”. Naquela altura, os profissionais acreditavam que os indivíduos dependentes de substancias psicoactivas eram incapazes de gerir as suas próprias vidas de uma forma responsável. Existia um défice no conhecimento e no discernimento profissional que funcionavam contra a mudança - estigma.
2.       Só é possível penetrar no emaranhado sistema de defesa - “concha protectora” do dependente de álcool e/ou drogas através de doses maciças de confrontação autoritária.
3.       Outras abordagens tradicionais de psicoterapia são completamente ineficazes quanto a penetrar na estrutura defensiva e capaz de modificar os defeitos de caracter dos dependentes.
4.       A confrontação verbal é a ferramenta mais eficiente capaz de provocar mudanças no comportamento do dependente de álcool e/ou drogas.