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domingo, setembro 19, 2010

Declaração de Viena 2010



Este texto foi publicado pelo Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de VIH/Sida (GAT) www.gatportugal.org   após a AIDS July, 2010, XVIII International Aids Conference in Vienna, Austria


A criminalização das pessoas que usam drogas fomenta a epidemia do VIH e teve consequências sociais e para a saúde extremamente negativas. É necessário uma reforma das políticas de drogas.

Em resposta aos danos sociais e à saúde causada pelas drogas ilegais, um regime de proibição internacional foi desenvolvido sob os auspícios das Nações Unidas. Décadas de pesquisas proporcionam uma avaliação abrangente do impacto mundial da “Guerra às Drogas”. Quando milhares de indivíduos se reúnem em Viena para a XVIII Conferencia Internacional de Sida, a comunidade científica internacional pede o reconhecimento dos limites e danos decorrentes da proibição total do uso de drogas, bem como a revisão das orientações, para eliminar barreiras à prevenção, ao tratamento e cuidados pelo VIH.

A evidência de que o cumprimento da lei tem fracassado no que diz respeito à prevenção da disponibilidade de drogas ilegais em comunidades onde há procura, é agora inequívoca. Durante as últimas décadas, os sistemas nacionais e internacionais de vigilância têm demonstrado que existe um padrão geral da queda nos preços nos preços das drogas e um aumento da pureza das mesmas, a despeito dos investimentos maciços no cumprimento da lei.

Além disso, não há evidência de que o aumento do rigor no cumprimento da lei reduza de modo significativo a prevalência do uso das drogas. Os dados também demonstram com clareza que o número de países em que as pessoas injectam drogas ilegais está a aumentar, sendo as mulheres e as crianças cada vez mais afectadas. Fora da África subsariana, um em três casos novos de VIH é entre as pessoas que usam drogas injectadas. Em determinadas áreas onde o VIH se dissemina mais rapidamente, como a Europa do Leste e a Ásia Central, a prevalência do VIH chega a atingir 70% dos utilizadores de droga injectada, em determinadas áreas, mais de 80% de todos os casos de VIH encontram-se neste grupo.

No contexto da evidencia avassaladora de que o cumprimento da lei não tem alcançado os seus objectivos, é necessário reconhecer e analisar os danos que causa. Os danos incluem, entre outros:


  • Epidemia de VIH fomentada pela criminalização das pessoas que usam drogas ilícitas e pelas proibições de disponibilização de material de injecção seguro e de tratamentos de substituição opiácea.
  • Explosão da transmissão do VIH entre utilizadores de drogas presos e institucionalizados, como consequência de leis e normas punitivas, assim como a falta de serviços de prevenção de transmissão do VIH nestes ambientes.
  • Erosão dos sistemas de saúde publica, quando o cumprimento da lei afasta os utilizadores de drogas dos serviços de prevenção e cuidado e os empurra para ambientes onde o risco de transmissão de doenças infecciosas (ex. VIH, Hepatite C e B e tuberculose) assim como outros danos é redobrado.
  • Crise nos sistemas de justiça criminal como consequência das altíssimas taxas de encarceramento numa serie de países. Isto tem afectado negativamente o normal funcionamento social de comunidades inteiras. Enquanto disparidades étnicas nas taxas de encarceramento por crimes relacionados com drogas são evidentes em todo o mundo, o impacto tem sido particularmente grave nos EUA, onde aproximadamente um em cada nove afro-americanos no grupo etário de 20 a 34 anos é encarcerado todos os dias, sendo o cumprimento da lei sobre drogas o principal motivo.
  • Estigma em relação às pessoas que usam drogas ilícitas, o que reforça a popularidade politica da criminalização dos utilizadores de drogas e enfraquece a prevenção do VIH , assim como de outras iniciativas de promoção de saúde.
  • Violações graves dos direitos humanos, incluindo a tortura, trabalho forçado, tratamento desumano e degradante, assim como a execução de dependentes de drogas numa serie de países.

Um mercado ilícito de drogas de 320 Mil Milhões de Dólares norte americanos. Estes lucros permanecem totalmente fora do controle dos governos, fomentando o crime, a violência e a corrupção em inúmeras comunidades urbanas e tem destabilizado países inteiros , como a Colômbia, o México e o Afeganistão.

Milhares de Milhões de Dólares dos contribuintes gastos anualmente na “Guerra às Drogas” que não só não atingem os objectivos enunciados como, em vez disso, directa ou indirectamente, contribuem para os dados acima enunciados.

Infelizmente, a evidência do fracasso da mera proibição de drogas em alcançar os seus objectivos, assim como as graves consequências destas orientações são frequentemente negadas por aqueles com interesse em manter o status quo. Isto tem criado confusão na população e tem custado inúmeras vidas. Os governos e as organizações internacionais têm obrigações éticas e legais em responder a esta crise e devem procurar alternativas apoiadas na evidência que possam efectivamente reduzir o dano causado pelas drogas sem causar mais danos. Nós, abaixo assinamos, pedimos aos governos e organizações internacionais, incluindo as Nações Unidas:


  • Se comprometam a fazer uma revisão transparente da eficácia das orientações actuais em relação às drogas.
  • Implementem e avaliem uma abordagem de saúde pública com base científica para abordar os danos individuais e para as comunidades decorrentes do uso ilícito de drogas.
  • Descriminalizem os utilizadores de drogas, aumentem as opções de tratamento para a dependência de drogas apoiadas no conhecimento cientifico e  na evidencia, bem como, a abolição dos ineficazes centros obrigatórios de tratamento de drogas, que violam a Declaração Universal  dos Direitos Humano.
  • Apoiem e aumentem inequivocamente o financiamento para a implementação do conjunto abrangente de intervenções no âmbito do VIH descrito na Guia de Estabelecimento de Objectivos da OMS, UNODC, e ONUSIDA.
  • Promovam o envolvimento significativo da comunidade afectada no desenvolvimento, monitorização e implementação de serviços e orientações que afectam as suas vidas.

Comentário: Este artigo permite uma informação generalizada sobre a epidemia do abuso de drogas ilícitas e do VIH, assim como uma constatação da ineficácia das medidas implementadas de forma a prevenir o abuso de drogas e do VIH. Por si só representa um tremendo falhanço e um dispêndio enorme de fundos (milhares de euros).

Gostaria de acrescentar, ao fenómeno dependências ilícitas e o VIH,  e fazer referência à epidemia (negligenciada e ignorada) relacionada com o abuso e dependência do álcool e das drogas legais, paralelamente ao consumo de drogas ilícitas e à transmissão do VIH. Desta forma, este fenómeno assume uma proporção desmedida e incalculável, onde os estudos/investigações permanecem nas prateleiras e anualmente são gastos milhares de euros, sem uma avaliação seria e independente. 

O fenómeno contínua escondido pelas autoridades (in) competentes, pela ordem dos médicos, ordem dos advogados, políticos e legisladores justificado pelos interesses económicos e corporativismo. Milhares portugueses, no seu dia-a-dia, sofrem as consequências deste fenómeno, incluindo as crianças. Recuperar É Que Está a Dar. Gostaria de agradecer ao GAT a publicação deste artigo.

Importante: O presidente do IDT e actual Director do Observatório Europeu Drogas e Toxicodependência (OEDT), o Dr. João Goulão foi um dos convidados a intervir na Conferencia Mundial sobre a Sida. Aguardamos para breve uma revisão às medidas implementadas em relação à Prevenção e ao Tratamento das dependências em Portugal

domingo, setembro 12, 2010

Menu de Escolhas - Pensamento Adictivo e o Pensamento em Recuperação






A Adicção é um fenómeno transversal à nossa sociedade consumista e moralista. Paradoxalmente, uma parte significativa da nossa cultura limita e restringe o tratamento e a recuperação da Adicção através de sistemas adaptativos (capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos) e cumulativos, (modificações trazidas por uma geração que passam à geração seguinte) ex. tradições, preconceitos, estereótipos, crenças que reforçam a negação, a vergonha, o estigma e em último caso a recaída.


Enquanto crianças, não aprendemos a pensar em lista de opções (Menu Criativo). Aprendemos demasiados  Não (s), e dolorosamente, demasiados "Tens..." ou "Deves...". Aprendemos a reagir (acting out)[i] e a negar as emoções dolorosas e ou depender de pessoas e coisas de forma a satisfazer as necessidades básicas. Aprendemos a agradar aos nossos pais, às suas expectativas irreais e exigências relacionadas com o êxito. Aprendemos a agradar aos nossos professores e a seguir aquilo que está pensado pelos outros (instituído), antes de nós – o mesmo processo/medida aplica-se a todos. Mais tarde, procuramos o êxito a qualquer custo através do trabalho e do estatuto profissional. Aprendemos a tomar decisões já desactualizadas e retrógradas. Aprendemos a depender e acreditar, única e exclusivamente, em nós mesmos (mito), quando na realidade passamos a vida a depender de pessoas e coisas. Quando alguém destemido e aventureiro mostra intenção de investigar, explorar novas ideias e caminhos colocam-se rótulos insólitos, como se tratasse de um “vírus” ao status familiar e/ou cultural. Aprendemos a pensar mais naquilo que os outros pensam e dizem (sobre nós mesmos) e como devemos sentir, ao invés de explorar e reinventar as nossas próprias escolhas e Rumos – através do potencial individual e colectivo (humanidade).

domingo, julho 04, 2010

Imoralidade ou doença? Shoplifting/Furto





Aqueles indivíduos que são dependentes de substâncias (lícitas, inlcuindo o alcool, e/ou ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, sexo, compras - shopaholicsshoplifting - furto, codependência e distúrbio alimentar) estão expostos e vulneráveis a um conjunto de mecanismos (bio-psico-social) que contribuem e reforçam a progressão da doença da Adicção (ex. craving /ânsia, fixação, desejo poderoso e irresistível). Nos últimos 15 anos, alguns estudos revelam que os comportamentos adictivos interferem no funcionamento normal do cérebro responsável pela aprendizagem e a recompensa (gratificação). Os genes “dão as ordens” perante determinadas “ameaças” e o cérebro executa-as.

A Adicção é uma doença do cérebro com sintomas psicológicos. Como seres humanos, possuímos um mecanismo maravilhoso e misterioso no cérebro que nos mantém vivos das mais variadas ameaças por ex. tragédias, acidentes, situações de perigo. O que é acontecia se não sentíssemos medo? Certamente morríamos. Todavia também aprendemos que a vida, desde a nascença até a idade adulta, apresenta um conjunto complexo e indeterminado de ameaças. Sentimos o isolamento e a tristeza, a dor da perda de algo ou alguém especial, a separação, o insucesso, a injustiça, a frustração e a angústia. Seremos bem sucedidos na gestão da adversidade? Gostamos de nós, tal como somos? Somos aceites? Os outros gostam de nós? E se nos acontece alguma desgraça?

O que é o Shoplifting  - furto?
Shoplifter é um indivíduo que não consegue controlar-se perante a ânsia em roubar de uma forma repetitiva. Rouba diversas coisas, desde roupa, gadgets, produtos e dinheiro. Não o faz porque precise, mas porque não consegue controlar as suas atitudes e comportamentos. Rouba pela sensação de imoralidade e de perigo que provoca, não pelo objecto em si. Como sabemos a vida é difícil. A maioria dos shoplifters identifica uma sensação de grande injustiça nas suas vidas e roubar é a forma como actua sobre esse sentimento persistente, intenso e doloroso. Generaliza e reforça os seus comportamentos adictivos “Se os outros também roubam tenho o mesmo direito de fazer o mesmo.” Simbolicamente, roubar é repor a justiça e a igualdade.

quinta-feira, junho 03, 2010

Historias de Vida na Recuperação da Dependência (Rostos e Vozes)

Ao longo de 17 anos de carreira profissional "acumulo" um vasto registo de historias de pessoas. Historias de vida. Historias reais repletas de drama e coragem, de sofrimento e de humildade, de doença e Recuperação. Recordo o nome do primeiro paciente. Recordo imensos rostos e vozes. Alguns são exemplo "vivo" daquilo que o ser humano é capaz de (re)inventar de forma a Recuperar.

Recordo uma dessas historias reais.

Conheci um individuo dependente com 38 anos, em tratamento em regime residencial de internamento, afectado pela progressão (consequências negativas) da doença activa (dependência) ao longo de 20 anos. Inúmeros problemas na saúde, família e emprego.

Após o período inicial de adaptação ao tratamento,  aproximadamente de um mês, certo dia queixava-se de dores de cabeça e pediu medicação. Como era costume, encorajávamos os nossos residentes a ventilar e a expressar as suas emoções dolorosas. Sabíamos que as dores de cabeça eram "normais" derivado à abstinência e à "pressão" do tratamento ex. viver 24/24 horas com 20 e tal indivíduos na mesma casa, grupos diários de terapia, trabalhos escritos (ex. os 45 exemplos danos e impotências), regras da casa, enfim uma realidade completamente distinta do "mundo" da dependência. A maioria dos dependentes fica extremamente ansioso, quando está com algum sintoma desconfortável (dores); a reacção imediata é "Quero medicação... dói-me imenso a cabeçaNão aguento isto."

Este individuo andou mais ou menos cinco dias a queixar-se de dores de cabeça. Com a agravante dos sintomas agudizarem-se conforme os dias iam passando. A medicação obedecia a um determinado protocolo clinico por ex. uma vez por dia, ou de 8 em 8 horas, dependendo de cada caso.
Comecei a constatar que algo se estava a passar de anormal. Encaminhei este individuo para a urgência do Hospital, recordo que foi acompanhado por um paciente mais "antigo," que também recordo o nome e o rosto.

quarta-feira, maio 19, 2010

A Recuperação Duradoura não pode ser a meta, mas a auto-realização. Um dia de cada vez


Entrei em Recuperação através do Programa dos 12 Passos[i] com 22 anos. A partir desse momento a minha vida parecia começar. 


Finalmente senti o que era fazer parte de algo, sentia amor pelo que me rodeava e recebia de volta o mesmo amor.

Acompanhada, construí amizades, arranjei a minha primeira casa, construí uma carreira, iniciei uma relação e recebi a maior dádiva – o meu filho.


Fui construindo um “Castelo de Areia”, cada vez maior mas onde cabiam cada vez menos pessoas, princípios, amor mas quando dei por terminado o meu sonho, olhei à volta, estava sozinha! Escolhi construí-lo sozinha e prestes a fazer 30 anos recaí em álcool e passado um ano em drogas.

Já não era uma adolescente, tinha que manter responsabilidades a qualquer preço, uma imagem a qualquer custo e o custo que escolhi foi beber mais e usar mais drogas. Dia após dia o meu “Castelo partia-se em cacos”. A imagem que tenho de mim é sozinha, na cozinha, a beber e a usar drogas a noite inteira, cheia de medo que os meus filhos acordassem.

Após 5 anos, e já sem “Castelo”, as amizades que fiz em Narcóticos Anónimos[ii] deram-me a mão, salvaram a vida dos meus filhos.

Estou a “apanhar os meus cacos”, a dar um propósito à lição que ganhei sobre as minhas escolhas, só por hoje, sempre com a ajuda dos 12 Passos e do meu Deus (ou Deusa!) As reuniões de NA são hoje “solo sagrado.”

O meu desafio é ser melhor Mulher, melhor Mãe, melhor Companheira, melhor Amiga. Aprendi que o “Castelo” é a manifestação da minha doença, não me protege e não me faz sentir o Amor – afasta-me dele.

O meu desafio é ir devagar (para não tropeçar…mais!) e acima de tudo viver em Verdade comigo, em sintonia com a vida tal como é. Isso  acredito que é possível com os 12 Passos de Narcóticos Anónimos!
Obrigada pela oportunidade!

Anónima




[i]  12 Passos – Programa de Recuperação utilizado pelos Alcoólicos Anónimos desde 1972 em Portugal e 1935 nos EUA. A seguir sucederam-se vários grupos de ajuda mútua que utilizam os 12 Passos (ex. Narcóticos Anónimos, Emocionais Anónimos, Famílias Anónimas, Nicotina Anónimos, Trabalhadores Compulsivos Anónimos,  Adictos à Comida Anónimos, em Portugal).
[ii]  Narcóticos Anónimos – Grupo de ajuda mútua onde indivíduos dependentes de substâncias adictivas (lícitas e/ou ilícitas) se unem de forma a manterem a abstinência e em Recuperação Duradoura, em Portugal desde 1985.

Comentário: Admiro a coragem desta Anónima, pela sua honestidade e inspiração, por retornar à abstinência e à Recuperação. Não é uma derrotada, falhou nas suas escolhas. Afinal, esse fenómeno não é só comum na Adicção, é Humano.
Mais uma vez Parabéns e Recuperar É Que Está a Dar.

Um/a dependente em Recuperação é por si só um feito "gigante". Em termos sociais representa uma mais valia quer seja para o individuo, para a família, incluindo as crianças, o trabalho e a sociedade.

Como profissional, trabalho na área das Dependências (Comportamentos Adictivos) e admito o desafio que representa, para todos os profissionais como para o individuo dependente, o tratamento da Adicção activa, assim como, manter-se em Recuperação...Duradoura.

Percursos: Nuno Sousa e efeitos do stress prolongado

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World Hepatitis Alliance


domingo, maio 16, 2010

Filhos Adultos de Pais Adictos no Activo

As crianças também são afectadas pelas consequências dos Comportamentos Adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, o jogo, relações de dependência, distúrbio alimentar, shoplifting - furto, sexo, compras - shopaholics). Aos olhos das crianças os pais são seres idoletrados e "perfeitos"...neste sentido podem estar vulneráveis, e serem negligênciadas, e em alguns casos são vitimas de abuso emocional, físico e sexual. Algumas crianças adaptam a disfuncionalidade e a insanidade ao longo das suas vidas desestruturadas. 


Conheço adultos, que foram filhos de pais (pai ou mãe ou ambos) dependentes de substâncias psicoactivas que ainda sofrem em silêncio as agruras da Adicção activa dos pais. A vida para alguns deles é sinónimo de sofrimento, ilusão, rigidez de pensamento (controlo). Em muitos casos essas crianças, quando adultos envolvem-se em relações disfuncionais, de abuso e de dependência.

Desde cedo os filhos de pais adictos no activo perdem a inocência, a espontaneidade e a auto estima.


Se você é filho ou filha de pais adictos conte a sua historia e envie um email para xx.joao@gmail.com.
Todos os dados pessoais são confidenciais e tratados com o máximo sigilo.
Recuperar É Que Está a Dar

quinta-feira, maio 06, 2010

(Re)nascer das Cinzas



Desde muito cedo, a falta de alegria e o ressentimento justificado tornaram-me uma pessoa sensível. De certa forma o exterior (amigos, ambiente) também contribuiu para uma situação delicada (risco acrescido) motivado pela compulsão e a obsessão pelas drogas. O resultado foi imensas falhas ao longo do meu crescimento, como criança e depois como adolescente.

Após ter conhecido Narcóticos Anónimos[i] (NA) e entrar em contacto com a minha realidade (historial passado e presente) considero que me anulei com amor doentio (orgulho desmedido) e falta de uma alegria honesta, todavia o processo disfuncional continuou sempre presente (falhas). Depois de 20 anos, limpo e sóbrio[ii], mas sem alegria e “alimentando” o ressentimento justificado (magoa e frustração) levou-me sem justificação à recaída.

Na altura que escrevo este texto, voltei a NA e já passaram 89 longos dias de abstinência. Sinto-me a despertar para uma nova vida e a viver o só por hoje (Um dia de cada vez) com outra intensidade, alegria, com um sorriso nos lábios e disponível para dar abraços como se fosse o ultimo. É único. 
Nesta altura, consegui adquirir uma “luz” que orienta o Rumo da minha vida.

segunda-feira, maio 03, 2010

Rostos, Vozes, Ideias e Experiências

O conceito acerca da Recuperação abrange todas as Adições (drogas lícitas, incluindo o álcool, a nicotina, e as ilíctas), Jogo, Sexo, Trabalho, Distúrbio Alimentar, Compras, Shoplifting, Relações de Dependência, Trabalho,mas aquilo que realmente importa são as pessoas (Capital Humano). 

Através das relações com outras pessoas valorizamos a importância dos vínculos e dos laços (espírito de equipa) e adquirimos uma perspectiva vasta, misteriosa e profunda daquilo que SOMOS capazes de atingir. Por exemplo, quando existe uma tragédia num determinado país do mundo, milhares de pessoas mobilizam-se para ajudar na transformação e "renascimento das cinzas". O fenómeno da Adicção veio para ficar e afecta milhares de portugueses, incluindo as crianças vulneráveis. 

Porque é que procuramos parceiros amorosos? Porque que determinadas pessoas (família e amigos) são o nosso "tesouro"?
Quando estamos em dor ou angustia, porque é que precisamos de pessoas?

As pessoas significativas estão lá para nós (presentes) quando não conseguimos ser tolerantes, ser compreensivos, justos e responsáveis connosco mesmo. As pessoas significativas são o balsamo, o equilíbrio e o "espelho" da nossa imperfeição e humanidade. Somos seres gregários.

sexta-feira, março 26, 2010

Da Abstinência à Recuperação da Adicção Activa

EuRecuperação





O conceito de Abstinência
Para aqueles homens e mulheres, que identificam nas suas vidas, sinais e sintomas dos comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e a nicotina, e as ilícitas, jogo, sexo, nicotina, compras - shopaholicsshoplifting - furto, relações disfuncionais e dependencia, distúrbio alimentar) geradores de sofrimento, estigma e negação, isolamento social, ansiedade, depressão e impotência urge inverter esta tendência progressiva, compulsiva e definir uma estratégia realista e exequível onde todos os recursos humanos disponíveis são importantes. Numa primeira fase, interrompe-se a progressão da adicção activa. Depois desenvolve-se um conceito de abstinência (fecha-se um ciclo vicioso e adictivo).

Após um período de interrupção da progressão activa (doença) inicia-se a abstinência dos comportamentos adictivos. Nesta fase, é um período de adaptação, reconsideração, transformação, renovação e conquista da confiança entre o passado e o presente –Algumas pessoas questionam-se “Depois desta experiencia dolorosa o que é que faço à minha vida?

Para caracterizar esta fase, por ex. oiço histórias de indivíduos que apresentam problemas com o álcool e/ou drogas onde após uma noite de bebedeira/pedrada, no outro dia de manhã, acordam e encontram um bilhete do parceiro/a… “Ontem à noite senti-me desrespeitado/a pelos teus comportamentos…estavas uma lastima... senti-me envergonhado/a. Como sabes já não é a primeira vez… nem a segunda…prometes dúzias de vezes que deixavas de fazer este tipo de coisas. Ontem foi a última gota…Para mim…chega. Adeus”. Conheço alguns adictos/as, que quando são confrontados com esta realidade, ficam em pânico. Não se lembram de nada, nem daquilo que se passou…nem onde estiveram.

Após este incidente grave tomam uma decisão seria e “radical” (promessa). Afirmam “João, nunca mais bebo uma gota de álcool. Sinto-me um traste e um hipócrita…Chega.

Recuperação Duradoura
A Recuperação Duradoura inicia-se quando se constata, que afinal não basta parar de beber (abstinência), é precio sair da zona de conforto e enfrentar o desconhecido, mas como é que isso se faz? Perante esta ambivalência é preciso definir um Rumo diferente de vida baseado em pessoas significativas, lugares, coisas e valores morais baseados na abstinência e nas competências da Arte de Bem-Viver.

sábado, março 13, 2010

Recuperação da adicção activa à nicotina



O meu nome é Tó-Zé para além de dependente químico e alcoólico em recuperação há 12 anos, 3 meses e 7 dias. Também estou em recuperação da Adicção à nicotina há 2 meses e dois dias, só posso dizer que me sinto um milagre com pernas, pois para conseguir estar livre de todas estas dependências, só por hoje, é o meu maior investimento e tesouro. Quanto à recuperação da adicção à nicotina o que posso dizer é que não foi fácil e continua a ser um desafio diário. Passei pelo menos 22 anos de consumo diário desde que acordava, aquele ritual do café e do cigarro, até antes de apagar a luz ao deitar-me o cigarro foi o meu melhor amigo. 

A nicotina a droga que o acompanha, de uma forma praticamente indolor e eficaz em lidar com tudo. O cigarro, o maço de tabaco estava sempre comigo para onde quer que fosse. Esta mudança tem sido provavelmente a decisão mais dura que tomei em recuperação, pois já há alguns anos que tinha o desejo de parar. Fiz várias tentativas com os métodos que todos conhecemos e não resultou voltava sempre a acender só mais um que me levava a um maço de seguida e diariamente andava na casa dos dois maços sentia-me pessimamente por depender desta droga mesmo estando em recuperação há vários anos. Comecei a sentir que a relação que tinha com os cigarros era semelhante às drogas, mais tarde de facto vim a aceitar que a nicotina é uma droga e que os cigarros são uma invenção de engenheiros químicos que permitem levar a nicotina e os 4000 químicos que compõem o fumo do cigarro a entrar na corrente sanguínea até atingirem o cérebro. De facto, é uma droga poderosíssima, pela minha experiência de muitas tentativas. Esta droga foi mesmo a mais difícil de deixar e é mesmo só por hoje. Há dias que é só por agora. 

segunda-feira, março 08, 2010

Retiro Espiritual Online - PDI@



Plano Desenvolvimento Individual Online (PDI@) - Retiro Espiritual um Programa de Meditação pioneiro e inovador – “Alimento pró Pensamento.”
O conceito espiritual referido neste blogue não é religioso sem dogmas e divindades. É um conceito imaterial individual que permite a conexão com as pessoas e o mundo à sua volta, principalmente, atravês das fases complexas do devir.

Deseja participar no Retiro Espiritual Online? Surpresa!
Transforme a sua caixa de correio electrónico numa uma “fonte” de energia espiritual e inspiradora. Onde quer que esteja em casa, no trabalho, em viagem, em ferias, doença prolongada, padrinho/ madrinha, reunião de grupo de ajuda mútua, etc. Tudo aquilo que precisa é de um computador e acesso a internet. Pode enriquecer as suas competências individuais e sociais. 
  
Se estiver interessado em participar basta enviar um email (joaoalexx@sapo.pt) a solicitar toda a informação. Obviamente, que a sua participação tem custos, mas é um investimento valido e acessível a todas as bolsas. É Confidencial e profissional. Toda a informação é “fruto” da minha experiência em trabalhar com pessoas. Também pode solicitar mais informação.
Estou disponível para ajudar.

Alguns temas do PDI@

 
Defeitos de carácter, Medo e aceitação, Vocação, Vergonha, Desapego Emocional com Amor, Lições da Arte de Bem-Viver, Perdoar e muito mais surpresas, participe já. Envie já o seu email.


quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A adicção activa e a preparação para a mudança



Sou um “deslumbrado” pelo comportamento humano e os comportamentos adictivos, em particular. Como profissional, obviamente aprendo com aqueles que procuram ajuda…a verdadeira (a mudança) – “escola da vida”. Refiro-me às competências individuais, sociais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, em lidar com a adversidade, a imprevisibilidade e a impotência (doença da adicção). Apesar das diferenças da personalidade, existem valores morais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades, que nos unem e nos tornam flexíveis e mais corajosos nos momentos mais criticos do devir. Somos seres gregários, precisamos uns dos outros e o que aprendemos hoje pode não se aplicar amanhã. Estamos em mudança permanente.

Para um indivíduo com comportamentos adictivos (drogas lícitas, incluindo o álcool e as ilícitas, jogo, distúrbio alimentar, relações de dependência emocional, codependência, sexo, compras compulsivas - shopaholics,shoplifting - furto) aceitar ajuda profissional é o resultado de um estado de sofrimento, desgaste físico , emocional e espiritual progressivo e profundo – sente-se um falhado/a, desconfiado, angustiado, isolado e sofre de níveis altíssimos de desilusão. Sofreu um processo degradante transformador, como costumo afirmar, a escala de valores foi invertida, em vez de o individuo se valorizar; auto destroi-se. Em muitos casos, o adicto/a nem se apercebe dessa mudança disfuncional. Aquilo que criticou e julgou nos outros; acabou por fazer o mesmo ou pior. o adicto perdeu o controlo dos seus sentimentos e comportamentos, perante si próprio, as outras pessoas significativas (ex. filhos/as, amigos, colegas de trabalho, família) e necessita de ser salvo e removido à sanidade. Imagine-se num barco em alto mar, de repente começa a afundar, e você está sozinho, mesmo sendo um marinheiro experiente e orgulhoso (muitos adictos/as no activo[i] são indivíduos com imensa experiência e orgulho) precisa de ser ajudado e salvo, o mais rapidamente possível de forma a conseguir sobreviver.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Palavras que reflectem a experiência e a sabedoria

Estas palavras foram reunidas durante o mês de Dezembro no Facebook ( www.facebook.com/joaoalexx ), pelas pessoas que seguem o movimento/causa da Prevenção e Recuperação dos Comportamentos Adictivos.
Na minha opinião reflectem a experiência e a sabedoria. Reflectem a nossa capacidade em sonhar com um Rumo de vida. Seja positivo ou negativo, existe a liberdade de escolha e de expressão.
Agora, em Janeiro de 2010, vamos  reunir os recursos internos/externos e acreditar que a nossa motivação é suficiente e "musculada" para manter a coerência e o Rumo. Como fazem os crentes/peregrinos quando decidem fazer uma Caminha/Jornada espiritual de forma a renovar os votos da fé.
Na Recuperação dos comportamentos adictivos desejamos fazer a Caminhada espiritual, não religiosa, todos os dias. Uns dias conseguimos outros não, mas o desejo mantém-se vivo, inalterável  e resiliente, apesar da adversidade

Reafirmação - Sol - Amor - Dificuldades - Assertividade - Positivo - Esperança - Loucura (a) montes -


 Fantástico - União - Realização - Crescimento - Dar - Paz - Amor - Serenidade -


 Loucura - 2 Momentos de reflexão = 20 instantes de meditação - Serenidade - 


Saúde - Felicidade - Coragem - "Limpeza" - Aceitação - Irreverência - Desespero 


Esperança - Loucura - Paixão - Perseverança - Excelente - Renascimento - Bondade -


Equilíbrio - Paz - Tranquilidade - Realização - Muito Amor - Muito Trabalho - Menos Hipocrisia -


 Amor - Luz - Realização - Década - Musica - Paz - Saúde - Harmonia - Família - 


Honestidade - Equilibrio - Altruísmo - Tranquilidade - Iluminação - Fé - Dignidade -


 Respeito - Auto-estima - Criatividade - Equilíbrio - Paixão - Descoberta - 


Conhecimento - Esperança - Reafirma - Sucesso - Riqueza - Amizade - Entreajuda - Fé -


Um ano de 2010 com significado e propósito. O resto não está nas nossas mãos.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A adicção é uma doença

1. Adicção às drogas lícitas e/ou ilícitas

 2. Alcoolismo (Adicção)


3. Adicção ao Sexo

 
 4. Distúrbio Alimentar

 5. Adicção ao Trabalho

 6. Adicção às Compras

7. Relações disfuncionais (ex. Codependência)


8.  Adicção ao Jogo

9.  Adicção ao tabaco (Nicotina)

 10. Adultos Filhos de Pais Alcoólicos/Adictos

Para iniciar a Recuperação, a peça mais importante é você.

A Recuperação em 1º lugar. Compromisso, Honestidade, Mudança,Entreajuda e Espiritualidade, não religioso sem dogmas e divindades - Um Novo Modo de Vida.



sexta-feira, dezembro 25, 2009

Faça algo por alguém





"Não sei.
Não sei... se a vida é curta
ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa do outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
não seja nem curta,
nem longa demais,
Mas que seja intensa,
verdadeira, pura...
Enquanto durar."
Cora Coralina

quarta-feira, dezembro 23, 2009

A Mentira nos Toxicodependentes




Segundo Gagnepain, (1990) nas antípodas das patologias da inibição e do excesso de controlo, como as neuroses, encontra-se a toxicodependência, como uma patologia do agir e do excesso.
Cada toxicodependente tem uma experiência singular que pode, ser percebida através da escuta do paciente; e sobretudo do que ele provoca em nós, do que ele nos faz sentir e questionar. (Coimbra de Matos, 2002)
Já Chasseguet-Smirgel (2001) aponta um aspecto comum e determinante da personalidade dos toxicodependentes: estruturas muito dependentes.

Em 1971 Fenichel salienta que nos toxicodependentes as qualidades das primeiras relações de objecto são decisivas. A haver uma mãe mais ou menos adequada, dentro duma fase normal, todo o desenvolvimento se processa normalmente para ambos. No entanto se esta fase tem uma duração superior à necessária e se o desejo da mãe de continuar esta fusão persiste, assistimos a uma interacção persecutória e patogénica para o bebé. Nesta relação de dependência total, o bebé tende a submeter-se às expectativas que a mãe projecta sobre ele.
Ao mesmo tempo inicia-se o desenvolvimento na estrutura psíquica, da identidade sexual da criança. Assim sendo, cada um é objecto de gratificação do outro. Não obstante, a mobilidade do bebé, a sua inteligência, os seus impulsos afectivos, a par com a erogeneidade corporal, só podem desenvolver-se na medida em que a mãe investe positivamente todos estes aspectos. Mas ela, a mãe, também pode inibir este investimento narcísico tão essencial a estes elementos vitais para a estrutura somatopsíquica precoce do bebé, sobretudo se ele tem que cobrir as faltas do mundo interno da mãe. Tendo em conta as angústias, os medos e os desejos da mãe e uma vez projectados no bebé, ela corre o risco de provocar o que se pode conceptualizar como uma relação aditiva à sua presença. Ou seja podemos dizer que a mãe é que está e mantém dependente a criança. Daqui decorre o perigo potencial de a criança não chegar a construir o seu mundo interno, a representação de um bom objecto, ou mais tarde de um bom objecto paterno, capazes de conter e modificar os estados de sobreexcitação e de sofrimento psíquico. Faltar-lhe-á então a capacidade para se identificar com essa representação interna e por isso incapaz de aliviar por si mesmo os seus estados de tensão psíquica. (Fenichel, 1971).

sábado, dezembro 12, 2009

As aparências (beleza) podem ser uma ilusão



A obsessão sobre o conceito de beleza associado ao corpo perfeito. A perfeição é um mito que pode transformar-se numa obsessão.
Existem em Portugal, homens e mulheres, que desejariam modificar, se pudessem, algo no seu aspecto físico. Mesmo que sejam realistas quanto aquilo que desejam alterar no seu corpo, sentem-se descontentes e isso reflecte-se negativamente no seu dia-a-dia.

Por vezes, distorcemos a imagem corporal através de ideias extremas por ex. bonito ou feio, bom ou mau, magro ou gordo. A aparência física pode tornar-se uma verdadeira obsessão; a preocupação principal geradora de sofrimento. A indústria das dietas (moda) rigorosas e milagrosas aproveita-se das pessoas vulneraveis que não aceitam a sua aparência física. Outro factor a ter em conta é o egocentrismo, ex. preocupação exagerada sobre o peso ideal, se a barriga está saliente, como está fisicamente, etc. Algumas pessoas chegam mesmo a odiar algumas partes ou o seu próprio corpo.
Se você identifica um problema associado à sua aparência física que lhe cause ansiedade, raiva, sentimento de inadequação, obsessão, vergonha e medo procure falar sobre aquilo que pensa e sente acerca do seu corpo com pessoas significativas e tolerantes (feedback). Desenvolva discernimento e procure ajuda, não me refiro às dietas, de forma a fazer um trabalho de desenvolvimento pessoal. Afinal o corpo perfeito não existe porque a perfeição nas pessoas é irreal.
Siga os links e comente em Recuperar das Dependências.



Como pensa e sente em relação ao seu corpo? Quais os valores impostos pela sua família e pela cultura? 








segunda-feira, dezembro 07, 2009

sábado, novembro 28, 2009

Medicação e doenças psiquiatricas




Veja o video com o Actor Tom Cruise e comente em Recuperar é que está a dar
http://www.youtube.com/watch?v=HwAaHbmF5S4&feature=player_embedded#

Experimente o conforto de um abraço genuino


Atraves do contacto fisico, genuino e honesto, aprendemos a conhecer melhor os outros e a nós mesmos.
Aprendemos a definir limites....com coerencia e determinação.
Aprendemos a sentir o conforto, a tolerancia, a segurança e a diferença.
Atraves do abraço, aprendemos a comunicar.
Atraves do abraço recebemos sorrisos "iluminados".
Aprendemos a valorizar os outros.
Aprendemos a impotencia e a aceitação.
Atraves do abraço baixamos as nossas defesas.
Atraves do abraço aprendemos a ser criativos e a inovar.
Hoje dê abraços...e receba.

quinta-feira, novembro 19, 2009

A medicação é para melhorar a qualidade de vida; nunca para criar uma dependência


Se está em recuperação de substancias psico-activas, incluindo o alcool, do jogo patologico, do sexo compulsivo, compras, trabalho (workaholism), disturbios alimentares, relações de dependencia e necessitar de medicação esteja atenta/o. Fale com o seu medico sobre a sua adicção e os riscos da dependencia (adicção). Não partilhe a sua medicação com familiares e outras pessoas. Se você está em recuperação e toma medicação de forma a melhorar a sua qualidade de vida, partilhe connosco a sua experiencia. Se conhece alguém que esteja a sofrer as consequencias da adicção a medicamentos (drogas prescritas) peça ajuda.
Siga o link. Veja o video e comente:


segunda-feira, novembro 16, 2009

Varias vozes; a mesma experiência



Decidi juntar apenas alguns relatos de pessoas, que me chegam todos os dias, cujas vidas foram sujeitas ao trauma da adicção activa. No dia que consigamos falar a uma só voz, na busca de soluções, encontraremos uma luz ao fundo túnel. Todas os dados dos intervenientes foram modificados de forma a manter a confidencialidade. Todos os nomes são fictícios.



"Tenho 34 anos, sou casada e tenho um filho de 5 anos. Na altura da minha gravidez passei um período muito conturbado pois sofri represálias no emprego. Durante este tempo recriminei-me pela gravidez. Quando finalmente tudo estava a acalmar, fui abaixo pois o meu filho passou também por uma fase muito má e estive cerca de 9 meses com insónias, acabei por ser medicada com ansiolitico e antidepressivo. Passados uns meses deixei a medicação e recomecei a fazer ginástica que havia parado durante a gravidez e a preocupar-me mais comigo - fisicamente. O meu marido sempre foi gordinho e antes de eu engravidar, ele estava com quase 100 kg, consultou uma nutricionista e perdeu muito peso, mais tarde voltou a ganhar quando o bebé nasceu. Também ganhei alguns kilos e tornei-me muito preocupada em emagrecer mas também comecei a sentir cada vez mais incomodada com o excesso de peso do meu marido. Controlo diariamente o peso, faço exercício duas a três vezes por semana e sinto-me bem assim. O problema é que estendi este controlo ao meu marido e tento controlar o que ele come só pelo facto, de repugnar vê-lo tão gordo. Mudei a alimentação em casa e incentivei-o a fazer exercício. Ele começou a andar de bicicleta estando agora muito mais magro. Continuo a incentivá-lo e sinto-me agora mais atraída por ele estando a nossa vida íntima muito melhor, mas continuo obcecada com o que ele come e se comete excessos sinto-me em pânico que ele volte a engordar e fico chateada com ele. Os meus cumprimentos, Emília"