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quinta-feira, março 26, 2009

Testemunho/Partilha de Recuperação


“O Fantasma da Licenciatura”

Foi em 1987, bem no auge da adolescência, que a minha adicção despertou.

Nesse ano, entrei para a Universidade e foi nessa época que eu descobri o meu lado “negro”. A adicção tinha estado escondida em mim embora de vez em quando ela se tivesse manifestado em atitudes compulsivas e desviantes quando eu era mais pequeno. Desta vez a doença da adicção veio para ficar e para arruinar todas as áreas da minha vida. O meu corpo, a mente, o curso, a família, os vários empregos, os sonhos, os projectos, tudo foi arruinado.

Então, em 1997, mostraram-me Narcóticos Anónimos (N.A.)[i] através de um Poder Superior[ii] a mim mesmo que vim a conhecer algum tempo mais tarde. Foram os meus amigos que me levaram. “Vem. Vais reconquistar tudo de novo”. Eu não tinha nada a perder.

Um ano passou desde o meu porta-chaves “Só Por Hoje”[iii] e eu só vivia para os “Passos”[iv] e para a recuperação - “Homem-Programa”[v] era como me chamavam. Fiz (e continuo a fazer) muito “serviço”[vi], enraizando-me cada vez mais em N.A. Que nome lindo e profundo! Narcóticos Anónimos!
Terceiro ano e “vai ser agora, vou voltar a estudar”. O meu “padrinho”[vii] incentivava-me. Força. Vai em frente! Fui matricular-me… Mas que sensações, que sentimentos estranhos, que medo, que tremedeira me deu nas pernas. Inscrevi-me, paguei as propinas, mas… não regressei lá nesse ano. Nem no ano seguinte.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Demasiado amor pode ser negativo para a relação-romântica




Por vezes, evoca-se um conceito positivo e saudável nas relações românticas, mas no final o resultado daquilo que fazemos é o oposto; revela-se disfuncional e em ultima instancia patológico. As emoções românticas podem assumir um papel demasiado intenso, obsessivo e “sagrado”, gerador de pressão e controlo, e o individuo acabar “presos” às suas fantasias e atitudes organizadas em crenças disfuncionais e/ou mecanismos de “fuga” às emoções dolorosas. Refiro-me por exemplo, ao conceito do AMOR. A paixão pode ser um estímulo suficientemente forte para se procurar alguém para AMAR , por vezes, depois da paixão nada resta, senão a separação.
Então se o AMOR é uma necessidade básica de qualquer ser humano (dar e receber afecto, intimidade e compromisso, obviamente não confundamos com coisas materiais) porque tornamos as relações disfuncionais em nome do AMOR?
Um novo estudo veio revelar que um vínculo demasiado intenso (apegado) numa relação romântica pode revelar-se prejudicial. Relacionamentos românticos definem laços especiais de intimidade e de compromisso entre os seus parceiros. Em muitos casos, um pacto apaixonado conduz a relações duradouras, e em último caso, à constituição de famílias.
Por vezes, um ou ambos (parceiros) colocam um anseio e uma expectativa demasiado elevada (preocupação irracional) na sua relação. Como resultado manifestam uma disposição (disfuncional) em exprimir e avaliar a auto estima e os limites, baseando-se somente no resultado das suas interacções românticas. Isto é, se a relação está positiva, está tudo bem, caso contrário, sentem-se exageradamente culpados e frustrados por a relação não apresentar os sinais de segurança, que seria suposto. Não é permitido sentir as emoções desconfortáveis e as angustias “livremente.” Imediatamente, reagem ansiosos e estabelecem planos e projectos para salvar a relação ou fugir à dor à revelia do seu parceiro/a.
É aquilo que os psicólogos apelidam de Relação-Duvidosa que Afecta a Auto-Estima e que segundo o investigador Raymond (Chip) Knee Ph.D. afirma, é um factor negativo para a relação romântica assim como para a auto estima de um ou ambos parceiros.
Segundo o Dr. Raymond (Chip) Knee, Professor Assistente de Psicologia e Director do Departamento de Relações Interpessoais e de Pesquisa em Grupos de Motivação da Universidade de Houston “Os indivíduos que apresentam níveis elevados do fenómeno Relação-Duvidosa que Afecta a Auto Estima estão excessivamente comprometidos (apegados) às relações e também demasiado vulneráveis emocionalmente, caso surja algum tipo de adversidade/conflito – para isso, basta uma pequena discórdia, para que despolete todo um conjunto de problemas que assumem dimensões desproporcionadas."

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Testemunho - Admitindo a impotencia

"Boa noite
Estive a ler o seu texto, que encontrei enquanto pesquisava sobre o assunto.

E porque pesquisava eu pelo assunto? Exactamente por ter perdido alguém de quem julgo gostar imenso e estar na dúvida se amo ou se dependo emocionalmente dessa pessoa. A dúvida essa mantém-se, mas outras questões se levantam quando confronto o meu EU com o meu passado.

O meu nome é Luis N., e a partir de hoje não o escondo de ninguém, sou pai de dois filhos separado de 3 mulheres, e acho que sou incapaz de amar alguém inclusivé a mim próprio.

A minha primeira relação mais séria da qual tenho um filho durou aproximadamente 3 anos e saí dela para me meter noutra exactamente no dia a seguir a ter tido coragem de a acabar, o mesmo se passou com a segunda relação da qual nasce o meu segundo filho e da qual saí para me meter na terceira, da qual não tenho filhos que ao fim de quase dois anos de ter começado chegou ao fim sendo o FIM determinado pela minha falta de controlo emocional e pela incapacidade de viver dentro das minha existência e consequente falta de auto-estima.

Não me consigo valorizar e acabei por castigar a pessoa que tanto valorizo, não sou de confiança e desconfiava dela, sou ou sinto-me fraco e um ser sem energia e acusava-a a ela de o ser.

Enfim a lista poderia continuar mas o essencial fica no ar, não consegui perceber que ao fim de dois anos eu próprio não era quem julgava ser, e pior que isso mentia a mim próprio e assim alimentava a ideia de que a pessoa é que dependia de mim quando a verdade era o oposto.

Como poderei eu vir a não repetir esta façanha???
Quem devo procurar?"

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Testemunho Corajoso - distúrbio alimentar



"Boa Tarde
Queria apenas partilhar o meu testemunho e explicar-lhe o que se passou comigo, talvez na esperança de que me possa dar alguns conselhos.
Tenho 19 anos, vivo em Coimbra e sou estudante.

Após a minha entrada na Faculdade em Outubro de 2007, com 18 anos, muita coisa mudou na minha vida. Horários diferentes, professores diferentes, amigos novos, mais exigência e stress, etc. Ainda hoje não sei se terão sido estes os motivos para eu ficar doente. Penso que o facto de me terem dito "estás mais gordinha" também ajudou.

Acontece que comecei a deixar de comer e ganhei um enorme medo de engordar. Tinha 1m65 e 55kilos. Progressivamente fui perdendo peso e em Junho de 2008 pesava 42kilos. Na altura penso que nem me apercebia do estado em que estava a ficar. Olho para fotografias dessa altura e estava horrível, era verdadeiramente pele e osso. Mas eu achava que estava bem, que não se passava nada comigo. Alguns amigos meus diziam para ter cuidado porque estava muito magra, perguntaram mesmo se eu tinha anorexia e eu ria-me e dizia que não e que estava só um bocadinho mais magra. Achava que era uma doença que não me ia atingir porque não me achava assim tão magra.

Contudo, depois de muitos amigos dos meus pais se preocuparem e comentarem que eu não estava bem, os meus pais decidiram levar-me ao hospital. Foi então que comecei a ir a consultas de Distúrbios Alimentares, mas continuava a negar que tinha Anorexia. Só no dia em que recebi pelo correio uma carta do Hospital com a conta de uma consulta e li "Diagnóstico Anorexia Nervosa" é que me apercebi de que realmente estava doente.

Nas consultas deram-me um Plano Alimentar Diário para seguir e eu comprometi-me a cumpri-lo. Inicialmente foi muito difícil porque só com uma sopa eu já me sentia cheia, inchada, mal disposta. Mas progressivamente fui conseguindo comer e aumentei de peso.

Aqui surge outro problema. Aumentei de peso de forma saudável, mas cheguei a uma fase em que comecei a comer descontroladamente, sem parar. Comecei a ter compulsões alimentares principalmente à noite. Durante o dia como normalmente, mas chega a noite e é um descontrolo enorme. Como principalmente alimentos com açúcar, por exemplo bolachas, chocolates, etc. Neste momento tenho 55kilos tal como antes, mas sinto-me todos os dias frustrada e infeliz por não conseguir resistir à comida. Passo o dia a pensar que nao devia ter comido tanto, faço exercício físico mas chega a noite e vem outra vez mais um descontrolo. Ando irritada e por vezes fico tão triste que não saio de casa e chego mesmo a isolar-me dos meus amigos. Não percebo o que se passa comigo porque se antes me consegui controlar, o que se passa agora? Porquê este descontrolo?

Continuo a ter consultas e já discuti o meu problema com o meu psicólogo, mas até agora todos os conselhos que me foram dados não serviram de nada. Quero mesmo muito sair desta situação, deste poço no qual entrei há muito tempo. Sempre tive muito pouca auto-estima, nunca me valorizei mas estar neste estado só piora tudo.
Agradeço a atenção"
Madalena (nome ficticio)

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Os Executivos e as empresas - Stress e a Adicção



O stress e uma carreira profissional exigente e ambiciosa podem ser uma combinação explosiva e altamente adictiva nas vidas de alguns executivos - homens e mulheres. Em muitos casos este fenómeno pode permanecer oculto e minimizado, até ao dia em que tudo desaba e acontece o impensável (crises emocionais, financeiras, profissionais, familiares etc.) como consequência dos comportamentos adictivos (drogas licitas e/ou ilícitas, incluindo o álcool, relações disfuncionais, jogo patológico, compras, sexo compulsivo, etc.).
Todos os profissionais estão vulneráveis a este flagelo. Recordo alguns casos de executivos/gestores completamente derrotados, humilhados, com sentimentos de culpa e baixa auto estima, apesar da evidências negativas da adicção evitavam a todo o custo enfrentar a realidade das suas vidas destroçadas pelos comportamentos adictivos que os forçaram e encaminharam até tratamento. Não queriam acreditar que todo o seu potencial, competências e regalias tinham sido substituídos pela mentira, a negação, a manipulação, a desonestidade, a auto piedade, a ansiedade e a angústia. 
Características dos executivos
Uma personalidade “vencedora”, destemida e perfeccionista, aspiração à liderança e ao sucesso, ambição profissional e uma “forte queda” para os negócios são a “porta de entrada” para o mundo exclusivo dos executivos e para o mais alto nível empresarial. Principalmente, aqueles executivos - “ verdadeiros cérebros” - cujas empresas os valorizam como uma mais-valia para o seus negócios.

domingo, dezembro 21, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Família



“Boa tarde,
O meu pai um homem com 58 anos começou há 2 anos a mostrar interesse pela net.
Comprou um computador e é vê-lo agarrado a ele de manhã à noite...
Paga semestralmente 70€ para falar com mulheres num site de amizades (Cupido) e já tem inúmeras mulheres adicionadas no Messenger.

A vida familiar foi se degradando...
Só sai da frente do computador para ir a casa de banho e comer.
Não dá assistência nenhuma à minha mãe, nem mesmo quando está doente como já foi o caso.

Esta situação esta a levar ao fim do casamento, e quando confrontado pela minha mãe com o desrespeito da situação, defende-se dizendo que não tem nada com elas é só para falar.

Gostaria que me desse alguma orientação neste sentido.
Obrigado
Natália” (nome fictício)

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Jogo Patologico Online


1 - Qual o perfil e o padrão do jogador compulsivo na internet? Quais os sinais de alerta?
Em Portugal, ainda não existem estudos fidedignos sobre este problema, todavia, já existem profissionais determinados a avaliar o perfil do jogador. É ainda difícil, identificar o perfil do Jogador Compulsivo na Internet (JCI). Pode ser qualquer jovem ou adulto (homem ou mulher). Ao contrário do que acontece com a dependência de substâncias adictivas (drogas licitas e ilícitas, incluindo o álcool) o individuo que joga online não apresenta sinais/sintomas evidentes a nível físico, cognitivo e comportamental. No indivíduo que joga compulsivamente online é extremamente difícil observar qualquer destes sintomas.

Pode ser alguém com poder financeiro que desvia fundos para jogar on-line, por ex. o homem/mulher de negócios que aplica os recursos financeiros das suas empresas e/ou dos seus sócios nas apostas. Alguém que utiliza o cartão de credito. Pode ser qualquer individuo que retira dinheiro da sua conta e/ou do seu cônjuge, do filho/a e que aplica nas apostas on-line (ex. desporto) de uma forma compulsiva. O dia-a-dia do JCI gira em torno do jogo on-line. É o assunto nº 1 na sua vida.

O JCI pode ter sido um indivíduo honesto, mas cujo comportamento adictivo o levou a cometer actos ilegais (fraude, roubo, falsificações, crimes de “colarinho branco”, etc.). São pessoas competitivas, energéticas, inquietas e que facilmente se aborrecem quando as aquelas actividades não envolvem risco. Podem mostrar-se demasiado preocupados com a aprovação dos outros e ser generosos ao ponto da extravagancia.

A actividade associada ao jogo proporciona oscilações drásticas no humor. Os altos, são muitos altos (por ex. quando se pensa em vencer, quando se consegue mais um empréstimo, quando se ganha um premio, etc.) e de imediato, os baixos, são muito baixos (por ex. quando se perde todo o dinheiro – ex. 10.000 €, não consegue recuperar o dinheiro do ordenado que foi apostada, quando se é confrontado pelas dividas e/ fraudes, quando se rouba e mente “promessas sucessivas quebradas”, quando já não existem álibis para angariar mais fundos para apostar, quando se descobre uma falsificação, a angustia e o pânico e em ultimo caso ideias sobre o suicídio).

Segundo o DSM IV (Manual de Diagnostico de Psiquiatria) define alguns critérios associados ao jogo patológico:
1. Preocupação com o jogo (por ex., preocupa-se em reviver experiências de jogo passadas, avalia possibilidades e/ou planeia a próxima aposta, e/ou pensa em esquemas para obter dinheiro para jogar).

2. Necessidade de apostar quantias de dinheiro mais elevadas (arriscar), a fim de obter a excitação desejada.

3. Esforços repetidos e fracassados no sentido de controlar, reduzir ou interromper o jogo.

4. Ansiedade ou irritabilidade, quando tenta reduzir ou parar de jogar.

5. Jogar como forma de fugir dos problemas ou aliviar uma sensação de mal-estar (por ex., sentimentos de impotência, culpa, vergonha, ansiedade, depressão).

6. Após perder dinheiro no jogo, frequentemente regressa no dia seguinte a fim de recuperar as perdas.

7. Recorre à mentira (familiares e outros) para encobrir a extensão do seu envolvimento no jogo (consequências nocivas).

8. Pratica actos ilegais, tais como a falsificação, fraude, furto etc., para financiar o jogo.

9.Coloca em perigo ou destruiu uma relação significativa, o emprego ou uma evento educacional ou profissional associado ao jogo.

10. Recorre a outras pessoas com o fim de obter dinheiro para aliviar uma situação financeira desesperada causada pelo jogo.

terça-feira, dezembro 16, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Adicção Sexo

"Caro Senhor,

Peço-lhe que me dê uma ajuda ou orientação pois sinto que necessito de auxílio. Tenho 48 anos, solteiro, sou gay e tenho um comportamento sexual adicto. Estou numa relação com uma pessoa, que amo, e faço-a sofrer com a minha atitude. Não gosto deste meu comportamento que me leva à traição, remorso, ansiedade, vazio e insatisfação. Quero ultrapassar este meu vício em sexo. Gostaria que me desse uma orientação ou indicasse alguém, ou grupo, que me pudesse ajudar, perto da minha zona de residência, que é Fátima (cidade ficticia)
Grato pela atenção"

Francisco (nome ficticio)



Resposta:
Bom dia
compreendo perfeitamente e lamento que esteja a atravessar uma fase dificil com a pessoa com quem vive e com a sua propria vida.
Acompanho casos identicos ao seu, e tal como o Francisco, só encontraram alguma paz de espirito nas suas vidas quando pediram ajuda sincera e honesta.
Na sua zona nao conheço nenhum grupo mas atraves dos grupos existentes, por ex em Lisboa, pode beneficiar de algum apoio atraves de adictos ja com alguma experiencia de recuperação. Consulte http://recuperarequeestaadar.blogspot.com na coluna da direita na secção - blogues interessantes "Adictos ao Amor e ao Sexo Anónimos (AASA)".

Gostaria de acrescentar uma questão importante para si. Se o Francisco constata que perdeu o controlo do seu comportamento, identifica a compulsividade e a obsessão, se faz promessas sucessivas que vai fazer diferente ao seu companheiro mas nao consegue cumpri-las, se você passa grande parte do seu dia-a-dia a pensar, a pensar em comportamentos adictivos relacionados com o sexo e na procura da satisfação imediata, tenha muito cuidado porque a partir de uma certa altura irá perdendo, e cada vez mais acentuado o controlo dos seus impulsos e comportamentos, dos seus valores e da sua vida. Só conseguirá retomar o controlo da sua vida após um tratamento em regime de internamento intensivo.

Se for este o seu caso sugiro que seja internado o mais rapidamente possivel, para o seu proprio bem, porque o Francisco já não estará apto a se responsabilizar pelas suas atitudes, comportamentos destrutivos e insanos. Então será preciso um Plano de Intervenção.

Se desejar posso apoia-lo atraves das consultas online, Se estiver interessado pode enviar um mail que reencaminhar-lhe-ei toda a informação necessaria sobre o aconselhamento online.

Gostaria de publicar o seu pedido de ajuda corajoso nos meu blogues, visto existirem imensas pessoas que sofrem em silencio (aterradas e cristalizadas) e que podem seguir o seu exemplo de coragem e humildade. Garanto-lhe total confidencialidade em relação aos seus dados pessoais.
Estou ao seu dispôr para o ajudar a resolver os problemas que o afecta neste momento.

Atenciosamente

domingo, dezembro 14, 2008

Época Festiva - Natal


Estamos em plena época natalícia.

Andamos todos a pensar no Natal. Alguns de nós passam em familia outros nem por isso,todos somos invadidos por um misto de nostalgia e euforia.

Gostaria simplesmente de referir e enaltecer a importância de nos centrarmos no verdadeiro sentido e proposito do Natal, em vez de no dinheiro,consumismo desenfreado.

Na minha opinião, considero o Natal como algo que "obedece" a certos rituais e tradições aos sonhos e à imaginação.

Boas Festas :º)

sexta-feira, novembro 28, 2008

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte II



(continuação)

Redescobrir a Vida para além da negação e da culpa – Recuperação

Quando me refiro ao termo Recuperação (mudança de estilo de vida) aplica-se, não só ao alcoólico, mas a todos os membros da família, incluindo as crianças. Torna-se imperativo identificar e desmantelar a “regra do silêncio”. Enfrentar e lidar construtivamente com o sistema disfuncional dos sentimentos intensos ou reprimidos (a negação, o trauma, a culpa e vergonha, a rejeição e a inadequação, o isolamento, medo e o ressentimento, a ansiedade e a depressão) que comprometem seriamente a hierarquia familiar.

Abdicar de atitudes e comportamentos “extremistas”, disfuncionais (erros cognitivos, relacionamento de amor ou ódio) e aprender a viver nas “zonas cinzentas” – novas aptidões cognitivas e do comportamento ex. ser flexível, espontâneo/a, assertivo/a, sentido critico construtivo, honestidade, focado nas soluções em vez de nos problemas, auto estima, responsabilidade e entrega. Não existem relações nem pessoas perfeitas. Em recuperação a família aprende a confiar e a ser autónoma renunciando viver codependente dos outros.

Por vezes observo que a “ovelha negra” é aquele membro da família que consegue adoptar atitudes e comportamentos mais saudáveis e equilibrados. Parece reger-se por um diferente conjunto de regras – resiliência. É importante desenvolver novos relacionamentos que funcionem como um “espelho” ou uma referência. Reaprender novas rotinas e crenças (a falar, a confiar e a sentir) em conjunto com outras pessoas. Isto acontece principalmente em Grupos de Ajuda Mutua dos 12 Passos.

Mais uma vez, gostaria de reforçar a importância das emoções e dos afectos. Fazem parte do todo complexo (corpo, mente e espírito) é necessário identifica-las (Eu sinto…) monitoriza-las e cuidar delas com amor e respeito. Adquirir talentos cognitivos na gestão das emoções intensas e/ou evitar reprimir. Não se pode ser feliz abafando uma parte viva e criativa do nosso ser. É ok sentir raiva, medo, frustração e insegurança e cometer erros. Por vezes, é ok perder o controlo. Experimente passar o “volante do carro” para as mãos de outra pessoa de confiança e deixar-se levar, usufruindo e gozando a liberdade de escolha e entrega. Um dia de cada vez.

Segundo Tian Dayton, Ph. D. é preciso ensinar os membros da família a desenvolverem competências que os ajudem a tolerar “emoções fortes e intensas” sem que necessitem agir nelas (acting out). É preferível falar sobre o que se está a sentir (emoções intensas) naquele momento, através de uma plataforma de entendimento, em vez de explodir ou implodir.

Proponho um desafio. Objectivo: “quebrar a regra do silêncio”. Se você se identifica com algo neste texto siga a minha sugestão: Fale com alguém de confiança sobre os seus sentimentos. Se desejar pode enviar para xx.joao@gmail.com relatos ou experiencias significativas escritas associadas a ambientes familiares disfuncionais associados ao alcoolismo. Atraves do seu exemplo em "quebrar a regra do silencio" outros seguiram o mesmo caminho. Recuperar É Que Esta a Dar

terça-feira, novembro 25, 2008

O Alcoolismo ofende os afectos ao longo das gerações - parte I



O alcoolismo pode igualar-se a um conjunto de doenças (ex. doenças cancerígenas, diabetes) que são herdadas na família. Ao contrário destas doenças que referi, o alcoolismo, infelizmente não é sobejamente conhecido e investigado (prevenção, tratamento e recuperação) em Portugal pelas entidades competentes e profissionais.

Há muitas gerações, que se perdem no tempo, que pertencemos a uma “cultura que bebe”, que reforça e promove o consumo de bebidas alcoólicas, em alguns casos, até o abuso do álcool é considerado normal, corajoso, destemido, engraçado e divertido.

Não é novidade que o álcool é um óptimo “lubrificante” nas relações entre pessoas e também associado a uma “fonte” de lazer e bem-estar. Se no inicio de um acto social, nos sentimos desconfortáveis ou constrangidos, após ingerirmos uns “copos” passados uns minutos já nos sentimos aliviados, desinibidos e “confiantes.”- “Muleta extra” utilizada para “quebrar o gelo. Por isso, muito cedo (em alguns casos durante a adolescência) aprendemos estes comportamentos mas raramente os desaprendemos. Podemos recorrer á “muleta” sempre que quisermos porque sabemos perfeitamente que “Não nos vai deixar mal.”


Reconheço vários aspectos benéficos no consumo de bebidas alcoólicas na nossa sociedade. É obvio que o álcool consumido de forma consciente e saudável não representa perigo. Várias vezes refiro que o álcool não é o problema nº 1, mas as pessoas (aquelas que não estão informadas, aquelas que o consomem abusivamente e aquelas que o vendem abusivamente). Não sou “fundamentalista”, mas um cidadão (e pai) e um profissional atento aos problemas relacionados entre as pessoas (sociedade) e o álcool.

Todavia gostaria de “debruçar” sobre os efeitos do alcoolismo na família, ao longo de gerações, e expor questões que na minha opinião, continuam ignoradas e negligenciadas, o que é grave (CRISE negligenciada). Não é nada que não se saiba, mas raramente se investiga e discute até ao surgimento de notícias trágicas e comoventes – ex. casos extremos violência doméstica associados ao alcoolismo e casos de negligência e/ou abuso (físico, sexual e emocional) de crianças associados ao alcoolismo.

domingo, novembro 23, 2008

Compreender a Ansiedade Social


Compreender a Ansiedade Social: Medo da rejeição, por Rick Nauert, PH.D. (Sénior News Editor) revisto por John Grohol Psy. D

Para indivíduos com ansiedade social, por vezes “conduzidos numa direcção errada e cristalizados”, um novo estudo veio revelar que os indivíduos ansiosos necessitam de melhorar as suas competências e talentos de forma a quebrarem o ciclo da rejeição social.

Os investigadores da Universidade de Maastrich procuraram descobrir quais os factores que influenciam os indivíduos não ansiosos a adoptarem medidas de rejeição junto dos indivíduos com ansiedade social (são menos aceites, menos reconhecidos e menos tolerados).

Os indivíduos com quadros de ansiedade foram observados em duas tarefas com componentes sociais: o seu discurso e na forma como se davam a conhecer a outras pessoas. Quer as pessoas não ansiosas que participaram no referido estudo, como aquelas que observaram, ambas partilharam as suas reacções pessoais em relação aos indivíduos com ansiedade social.

sábado, novembro 08, 2008

A Mulher e as Dependências




Ao longo da minha experiencia profissional tenho procurado averiguar sobre os factores que contribuem para que algumas mulheres sejam afectadas pelas dependências, refiro-me às substâncias lícitas adictivas (ansioliticos, benzodiazepinas barbitúricos, anfetaminas, analgésicos, etc.) incluindo o álcool e as ilícitas (cocaína, heroína) e quais os factores que as motivam a pedir ajuda profissional e iniciarem a sua recuperação.

Por exemplo, para as mulheres alcoólicas a vergonha e a negação são os obstáculos mais óbvios a ultrapassar. Para a maioria das mulheres que se debatem com dependências não procuram ajuda, porque não encontram urgência para receber apoio profissional (tratamento) e sentem-se envergonhadas e abafadas pelo seu problema. Na nossa sociedade, a imagem do alcoólico está profundamente associado ao homem. Nunca à mulher. Aparenta existir um enorme estigma associado ao alcoolismo e/ou dependência das drogas na mulher. Por vezes, o alcoolismo na mulher é utilizado em anedotas e brincadeiras ridículas. Parece não ser levado a serio.

Não procuram ajuda porque ficam ansiosas e com medo sobre aquilo que os seus amigos/as, membros de família, incluindo os filhos/as, colegas de trabalho podem pensar. Em muitos casos não sabem o suficiente sobre o conceito de doença associado às drogas adictivas (licitas e/ou ilícitas) incluindo o álcool. Muitas mulheres combinam álcool com drogas lícitas. Estas combinações são altamente adictivas e perigosas (morte).

domingo, novembro 02, 2008

Pedido de Ajuda Corajoso - Jogo Patológico



Este é um pedido de ajuda corajoso de uma pessoa que deseja ajudar alguém proximo que está "doente".

Em muitos casos algumas pessoas (membros da familia)adoptam o "silêncio disfuncional" contribuindo dessa maneira para a progressão da adicção - atraves da facilitação, da negação, do encobrimento, da manipulação, da mentira, da vitimização, da desonestidade, racionalização, etc.

Aproveito para divulgar o email (pedido de ajuda) e resposta que considero mais apropriada, visto estar limitado à informação sobre o caso/problema.

"Boa tarde, chamo-me Carolina (nome ficticio)

A minha pergunta é a seguinte:

Um homem com 45 anos sofrendo de ludopatia (adicção ao jogo – jogo patológico) tem recuperação, sem ajuda? Joga muito em jogos de apostas – euromilhões, totoloto e lotaria, envolvendo-se em dívidas que quase o fizeram perder o emprego. Esse comportamento foi herdado do pai sendo que a mãe tem comportamentos obsessivos e adição ao álcool) O que posso fazer para ajudar ou quem posso consultar. Agradeço desde já a sua atenção, pois não sei como lidar com esta situação nem como ajudar

terça-feira, outubro 21, 2008

Como é que lidamos com a critica?





No dia a dia somos sujeitos a vários tipos de relacionamentos e criticas. Umas são construtivas outras destrutivas. È inevitável esta exposição na interacção com as outras pessoas, é rpeciso recordar que na comunicação não existem “mundos perfeitos”, “nem castelos com príncipes ou princesas”. A maioria dos seres humanos reage defensivamente à crítica. Por ex. porque ouvimos tanto falar na “guerra dos sexos”? Porque é que fugimos à critica, mesmo que seja construtiva?
Em muitos casos possuímos memórias e recordações, quando crianças, onde fomos fortemente criticados permanecendo um enorme desconforto emocional na idade adulta. Desenvolvemos a crença sobre a crítica que é “Uma coisa ”. Na realidade, não precisa de ser.
Revela-se importante diferenciar a critica do “deita abaixo” que resulta daquilo que os outros são ou dizem e aquele tipo de critica que pode ser construtiva e uma mais-valia para nós e para as outras pessoas significativas à nossa volta capaz de gerar confiança (feedback genuíno, sem julgamento, e saudável). Para isso precisamos, em primeiro lugar, saber avaliar as verdadeiras crenças por trás das nossas palavras (honesta e realista). Avaliar as nossas opiniões, emoções e comportamentos. Depois as opiniões dos outros. No final. somos os únicos responsáveis pelas nossas acções.
Em muitos casos, as crianças não aprendem a se auto avaliar se os adultos somente afirmarem (regras rígidas) que determinado comportamento está certo ou errado, sem haver uma explicação legitima, compreensiva e adequada. Por vezes, as consequências impostas às crianças (castigo) são desproporcionadas em relação ao comportamento considerado problema, pelo adulto. Elas ficam assim dependentes dos outros para se auto avaliarem em vez de aprenderem a se monitorizarem pelos seus próprios padrões (princípios e crenças).
Precisamos de desenvolver os nossos próprios padrões de comportamentos (auto conceito- certo e errado), caso contrário, ficaremos sujeitos e expostos á critica negativa e destrutiva dos outros. Por exemplo, se diariamente afirmarem que não somos um/a bom parceiro/a na relação ou incompetentes em certa área específica do nosso trabalho, embora possamos discordar, é muito provável vir a acreditar nessa critica negativa com a agravante em se começar a justificar determinada atitude e/ou comportamento. Nestas situações se não houver uma dose extra de auto estima será uma tarefa árdua efectuar uma auto avaliação correcta, positiva e realista.

terça-feira, outubro 07, 2008

PÁRA!! Faz Aquilo Que Digo. Já



Neste texto irei reflectir e promover a discussão aberta e sincera sobre um assunto que considero relevante na abordagem terapêutica junto de indivíduos com dependências (comportamentos adictivos). Não procuro ser carismático nem tendencioso, nem levantar polemicas sobre tratamentos / abordagens específicas ou certos profissionais, todavia penso que está na altura de rever a estratégia e o tratamento das dependências (individual, de grupo e famílias).
Desde 1992 trabalho na área do tratamento das dependências – comportamentos adictivos. Já acompanhei aproximadamente 700 indivíduos e os seus familiares.
Como profissional, admito que tenha utilizado inadvertidamente a confrontação autoritária, no passado, justificando a minha frustração – como a única “ferramenta”, existindo a probilidade de ter sido desrespeitoso, e em alguns casos ofendido os sentimentos de algumas pessoas.
A estratégia de confrontação adoptada na área das dependências emergiu sob a influencia de fortes factores culturais. Originalmente, praticada em comunidades (tratamento em regime de internamento de longa duração) para indivíduos dependentes de substâncias. Esta abordagem confrontacional cedo se expandiu a um tipo especifico de relacionamento profissional autoritário, que em muitos casos foi causador de vários tipos de abuso e desrespeito pelo indivíduo, pelos seus valores e princípios. È provável que existam relatos que confirmem o desrespeito, o abuso, principalmente em populações vulneráveis.
A abordagem centrada na confrontação era definida como um processo onde o terapeuta fornecia feedback directo e orientado para a realidade do paciente, não obstante as suas emoções e pensamentos. Esta comunicação variava entre a compaixão e a preocupação extrema e o desrespeito e a agressividade. Também se alternava no tempo, na intenção e na intensidade ao longo da relação terapêutica na instituição onde a intervenção ocorria. Esta abordagem foi encarada como uma abordagem necessária ao tratamento – a única “ferramenta”, o único tipo de linguagem conhecido e utilizado entre profissionais e os seus pacientes, dependentes de álcool e drogas.
O principal papel do terapeuta era corrigir os erros, combater a ilusão e a negação, assumir o comando, educar, quebrar o mecanismo de defesa e ser o elo de ligação entre a realidade do seu paciente. A mensagem expressa na sua essência era “Nós, profissionais, possuímos aquilo que tu precisas.” e a tarefa seria “Juntar as peças soltas do puzzle.”
Esta técnica de confrontação era essencialmente fundamentada em quatro princípios relacionados entre si:
1.       A dependência está enraizada num caracter imaturo, egocêntrico e num emaranhado mecanismo de defesa. No DSM II o alcoolismo e a dependência química eram classificados como um desordem de personalidade. Vernon Johnson (1973) afirmava “O alcoólico nega, rejeita qualquer tipo de ajuda. Mesmo que as circunstancias sejam as mais dramáticas. O alcoólico não está em contacto com a realidade”. Naquela altura, os profissionais acreditavam que os indivíduos dependentes de substancias psicoactivas eram incapazes de gerir as suas próprias vidas de uma forma responsável. Existia um défice no conhecimento e no discernimento profissional que funcionavam contra a mudança - estigma.
2.       Só é possível penetrar no emaranhado sistema de defesa - “concha protectora” do dependente de álcool e/ou drogas através de doses maciças de confrontação autoritária.
3.       Outras abordagens tradicionais de psicoterapia são completamente ineficazes quanto a penetrar na estrutura defensiva e capaz de modificar os defeitos de caracter dos dependentes.
4.       A confrontação verbal é a ferramenta mais eficiente capaz de provocar mudanças no comportamento do dependente de álcool e/ou drogas.


terça-feira, setembro 30, 2008

Resiliência humana; ser espiritual



Ontem após mais uma consulta com um dos clientes fiquei a pensar nas consequências indesejáveis do uso de drogas ilícitas e da forma insidiosa e subtil com que uma pessoa fica "presa" a sua dependência.

Esta pessoa falava da forma como os seus impulsos o controlam e o conduzem, por vezes sem pensar nas consequências negativas dos seus actos, na obtenção da dose tão ardentemente e obsessivamente desejada. Ele questionava-se "João, será que algum dia irei sair deste ciclo vicioso que dá cabo da minha vida? Quero ter uma vida normal, sem drogas."

Esta afirmação parece legitima e profunda. Resume a constatação da sua ambivalência e  impotência. Da frustração e da dor. Da sua incapacidade de autocontrolo e de falta de auto realização.

Ninguém deseja ser adicto. Ninguém deseja ser diabético. Ninguém deseja ter um cancro. Ninguém deseja sofrer de hipertensão. Isto significa que a dada altura da nossa existência jogamos na "roleta russa" por força das circunstâncias, das atitudes e dos comportamentos, do ambiente e da carga genética, Faz parte dos desafios da vida e da descoberta das nossas competências individuais e sociais. senão formos sujeitos a adversidade nunca saberemos realmente quem somos e para onde vamos.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Recuperação duradoura e a alimentação saudável










Na minha opinião a alimentação saudável é uma pratica corrente a ter em conta na recuperação duradoura dos comportamentos adictivos. Cada vez mais observo homens e mulheres, em recuperação há vários anos, ansiosos e preocupados com os seus hábitos de alimentação, e como consequência, obesos e inquietos com a sua saúde física, mental e espiritual. Uma vez ouvi alguém afirmar que “ Aquilo que comemos está relacionado com a forma como nos sentimos e tratamos.” Sabia que utilizamos determinados alimentos, aqueles que com elevado valor calórico, a fim de atenuar e/ou evitar emoções dolorosas?

Recuperação é regularizar e lidar com hábitos disfuncionais (sono, alimentação, gestão do tempo livre, meditação, higiene pessoal, saúde,), identificar comportamentos geradores de sentimentos dolorosos e em alguns casos compulsivos por ex. a comida, relações, sexo, jogo patológico, trabalho patológico e compras.

Na maioria dos casos agimos no prazer imediato, saciar o vazio interior, com coisas (pessoas, lugares, coisas e alimentos excessivamente calóricas; gorduras e açucares) e não optamos por adiar a gratificação e congratularmo-nos por isso. Queremos algo e já.

terça-feira, setembro 16, 2008

Em Rodopio e Rodopiando...

Amarguras espelhadas, olhos fundos inalcançaveis, mãos que já não sentem, vidas que já não vivem, almas que divagam presas, vultos que correm atrás das suas próprias costas, em rodopio...

O verde ficou amarelo. O rosa ficou esbatido, o branco é pálido e o beje agora é negro. O dia escureceu e a noite nunca foi tão negra.

Visitar o Universo de cada um é fascinante! É esquecer todas as cores, é desafiar o dilema claro versus escuro, é assistir ao convite que é feito ao sol.

A primeira vez que os fito trazem numa trela o desespero aos gritos, carregam nos ombros o peso da amargura e no pescoço trazem o sufoco da angústia. Não fitei nenhum com sorriso, nem a bater palmas, muito menos são acompanhaados por pessoas felizes.

A partir daí começo a assistir ao esboço do 1º sorriso e chego mesmo a ouvir: “ Marisa, é tão estranho voltar a achar graça às coisas!” É... parece que o conceito de alegria outrora fora abandonado para dar lugar à tristeza e como quem convive com coxo aprende a coxear, esta forma de estar passou a ser um estilo de vida com grande resistência à mudança.

A verdade é que oscilando entre dias melhores e dias menos melhores, a mudança vai acontecendo e passado algum tempo, o mais importante do dia para alguns passa a ser “ hoje estou feliz, conversei com o meu filho” ( quantas vezes surgiu esta oportunidade no passado? Quantas vezes esta oportunidade foi substituida? Saberá este pai que o seu filho se sentiu uma criança esquecida, uma criança diferente?), ou então “ hoje sinto-me grato, não estou sozinho, tenho um lugar seguro para dormir, comida na mesa e finalmente a minha familia está em paz”.

Mas esta realidade é ainda provisória e mais realidade vem por aí.

Entre a reconstruçao do sistema de valores, o olhar para a insanidade e a reaprendizagem do limite, vivem-se em tratamento momentos de crescimento até ao 1º bater de palmas – o fim do internamento e a “ exposição ao vivo e às cores”.

Ah, passado algum tempo muitos são aqueles que fito mas agora trazem o sorriso no rosto, deixaram as mãos livres para bater palmas, trazem consigo pessoas felizes, o verde é fluorescente, o rosa é choque, o branco é vivo e o beje ameniza um cenário que por vezes se confunde, se questiona mas que não deverá impedir que cada um continue a caminhar trazendo na trela e alegria a cantar, nos ombros o peso da rsponsabilidade e no pescoço o cordão pendurado de uma vida que só por hoje “ é melhor”.


Marisa Ceriz
( Psicologa e Técnica Superior de Aconselhamento Psicossocial)
marisaceriz@hotmail.com

Comentario: Queria manifestar a minha gratidão pela participação da Dra Marisa Ceriz no nosso blog e pela sua dedicação e empenho genuino à Recuperação dos Comportamentos Adictivos. O meu Bem Haja iluminado

segunda-feira, setembro 15, 2008

Não acontece só aos outros



Estas imagens ilustram na perfeição a escalada de comportamento violento até à explosão, no local de trabalho, que também se pode transpor para casa (lar por ex. violência domestica).
A raiva reprimida (ira), a atitude passiva e manipuladora podem conduzir a este tipo de comportamento explosivo. A raiva reprimida pode ser aqui ilustrada atraves de um "vulcão". Antes de o vulcão entrar em erupção toda aquela energia contida e reprimida aguarda a sua "oportunidade" para se libertar e gerar o caos à sua volta.
Mais uma vez é realmente relevante identificar os nossos sentimentos de forma a prevenir a impulsividade e a explosão caótica.

domingo, setembro 07, 2008

Como se sente hoje?








Já referi varias vezes que recuperar dos comportamentos adictivos exige uma aprendizagem empenhada e uma descoberta intensa em identificar, meditar, lidar e entregar sentimentos quer sejam positivos e/ou dolorosos. Precisamos de “mergulhar” no nosso interior – emoções e relacionar com as outras pessoas; para nos conhecermos.
Faça um audacioso e meticuloso inventario dos seus sentimentos. A seguir apresento uma lista. “Boa viagem

Hoje sinto-me...

agressivo/a,ansioso/a,arrogante,
apático,afectuoso,ambivalente,
ambíguo,aborrecido/a,assustado/a,
amado/a,agonia,aliviado/a,
acarinhado,arrependido/a,abençoado/a,
afortunado,apreensivo/a,apaixonado/a

benevolente,

cabisbaixo,cansado/a,caprichoso,
confiante,complacente,curioso/a,
ciumento/a,chocado/a,confuso/a,
contemplativo/a,comovido/a,culpado/a,

determinado/a,desapontado/a,desacreditado/a,
desejado/a,desamparado,desconfiado/a,
desonesto,desgostoso,dor,

eufórico/a,extenuado,exausto/a,
envergonhado/a,egoísta,

falhado/a,feio/a,feliz,
frustrado/a,

grato/a,

histérico/a,

impressionado,inveja,intimidado/a,
idiota,indeciso/a,inseguro/a,
ignorante,indiferente,inocente,
inadequado/a,

luto,

magoado/a,miserável,

negativo/a,

obstinado/a,ódio,optimista,orgulhoso,

perda,paranóico/a,perplexo/a,
pensativo/a,

ressentido/a,raiva,

só,satisfeito/a,sereno/a,
surpreendido/a,

tímido/a,triste,

vencedor/a...

segunda-feira, agosto 18, 2008

Tratar as famílias em primeiro lugar em vez dos dependentes



Nalguns casos, a família (membros de família) precisam de maior apoio profissional que o adicto a substãncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool, e/ou ilícitas, jogo, compras e sexo, que não quer receber ajuda, que a família dispõe, para se tratar.

Esta é uma das áreas do meu trabalho que mais me fascina por um lado e que mais tenho investido por outro.

Como é que a familia pode contribuir para a progressão da adicção?

As consequências negativas da adicção são na maioria dos casos minimizadas, negligenciadas e ignoradas por todos, incluindo os profissionais. Existe tratamento e apoio para os dependentes de substâncias psicoactivas e alcoólicos. E para as suas famílias, incluindo as crianças? Individuos desestruturados emocionalmente e abusados, em alguns apresentam sintoma de perturbação de stress pós-traumatico, vitimas da adicção activa.

Na mesma família, existem indiviudos diferentes e semelhantes na organização (papeis) e estrutura (valores), nas dinâmicas de poder construtivas e/ou negativas, em segredos e no abuso, nas crenças e tradições, sentimentos de amor incondicional e amor dependente e disfuncional.

Quando um e/ou vários membros da família desenvolvem um problema de adicção (ex. drogas e/ou álcool, jogo patológico, sexo, trabalho patológico, comida) todos os membros da família são afectados, negativamente (física e emocionalmente), sem excepção, incluindo claro, as crianças visto não possuírem recursos para se protegerem. Recordo um pai que exclamava, numa das minhas palestras/sessões de domingo do Programa de Família, em Castelo Branco, “João, o meu filho tem um problema sério e isso tem afectado toda a nossa família. Faz lembrar a fruteira da cozinha lá de casa, com meia dúzia de maçãs que quando uma fica podre, passados uns dias todas ficam intragáveis...Nesta família estamos assim ”

sexta-feira, agosto 15, 2008

Modelo teórico sobre a frustração e raiva e os factores de risco da recaída no alcoolismo



Este modelo teórico ilustra um cenário realista de um alcoólico em recuperação / abstinência se confronta perante a adversidade:
(A) Ao enfrentar, identificar e gerir os sentimentos desconfortáveis e dolorosos (ex. Raiva e frustração) apresentam-se dois cenarios/respostas possíveis à adversidade
Numa resposta o alcoólico (B) desenvolve o seu sentido de auto-eficácia (talentos e competências) na gestão dos suas emoções, na outra (C) o alcoolico diminui significativamente o seu sentido de auto-eficácia, apresentando grande risco de ingestão até à intoxicação compulsiva de alcool (binge drinking)

A. Problema: Frustração e Raiva (adversidade)

B. Resposta assertiva, 
Aumento da auto-eficácia e resiliência,
Diminuição da probabilidade de ingestão de álcool,
A abstinencia do alcool permanece como prioridade.

C. O alcoolico não possui uma resposta, não possui um plano para enfrentar as emoções,
Diminuição da auto-eficácia e desenvolve uma expectativa em relação aos efeitos positivos da bebida
Ingestão da bebida e fim da abstinência.

Efeitos possiveis da violação da abstinência: Inicio das fantasias disfarçadas de poder e/ou comportamento agressivo evidente e continuo,
Atribuição de comportamento disfuncional em relação ao álcool e diminuição da auto-eficácia,
Aumenta o risco de ingestão de álcool.



Referencia: “Determinants of Relapse: Implications for the Maintenance of Behavior Change”.
A.G.Marlatt e J. R. Gordon, in Behavioral Medicine: Changing Health Lifestyles (p.430). editado por P.O. Davidson e S.M. Davidson, New York: Brunner/Mazel, 1980














domingo, agosto 10, 2008

Fases do sentimento de raiva



Sentimento de raiva
Como é sabido a gestão construtiva das emoções é uma área essencial na recuperação duradoura de qualquer tipo de adicção. È humano fugir das emoções desconfortáveis e desejar negar esses ciclos dolorosos. Já ouvi varias pessoas afirmarem, indignadas, “Raiva, eu?!... raiva tem os cães ...”

Durante a infância e a adolescência não aprendemos a identificar e a gerir os sentimentos, assim como não existe uma linguagem emocional unica (comunicação honesta e assertiva) entre a maioria das pessoas. Todavia ao longo da nossa existência desenvolvemos crenças, atitudes e comportamentos que nos permitem adquirir a experiência e a aprendizagem necessária sobre as nossas emoções desconfortáveis e dolorosas, nesse sentido a vida encarregar-se-a de despoletar estes mecanismos de sobrevivência. Alguns das atitudes que adoptamos não são os mais construtivos e recompensadores a médio e longo prazo. Muitos adictos/as a substâncias (drogas lícitas, inlcuindo o alcool, e ilícitas) e/ou comportamentos adictivos (jogo, relações, sexo, trabalho patológico, compras compulsivas, disturbio alimentar, recorrem a mecanismos de “sobrevivência” para adormecer, entorpecer, fugir, reprimir ou controlar as emoções desconfortáveis e dolorosas. 

Através da recuperação duradoura aprende-se a sentir. È ok sentir as emoções sem “bengalas” ou outro tipo de auxiliares disfuncionais. Estamos vivos, sensíveis e activos. Entregamos e deixamos os sentimentos se manifestarem é um processo de auto conhecimento e de auto valorização do nosso interior, profundo e misterioso.
O sentimento de raiva é extremamente poderoso e importante. A gestão da raiva pode ser o problema psicológico mais conhecido na nossa época. Precisamos de saber mais sobre a sua essência.
Gostaria de referir três fases do sentimento de raiva

1 Fase. Sentir raiva quando provocado. Se alguém nos ofende ou magoa sentimos raiva. É uma emoção instintiva ou reflexiva (reactiva) que é extremamente difícil controlar.

2 Fase. É a reacção ao sentimento de raiva. Quando ofendidos, podemos morder os lábios e não dizer nada. Podemos fazer uma critica, podemos explodir, podemos empurrar e protestar. Embora não tenhamos a capacidade de controlar o sentimento de raiva podemos adquirir controlo sobre as reacções (atitudes e comportamentos).

3 Fase. Retenção e reprimir a raiva. Sabemos que não controlamos o sentimento de raiva, quando somos provocados, mas durante quanto tempo iremos conseguiremos reprimir? Quantos minutos? Quantos meses? Quinze anos?

Por conformidade, refiro a Fase 1 Sentir a raiva; a Fase 2 A raiva intensa e a Fase 3 Ressentimento.

Em muitas situações sentir a raiva conduz à raiva intensa. Os adictos/as aparentam ter um particular dificuldade em reagir à raiva, mesmo que não estejam sob a influencia de substâncias psicoactivas. É obvio quando o seu auto controlo foi enfraquecido/afectado pelos químicos e/ou comportamentos adictivos e assim desencadear a raiva intensa de uma forma desproporcionada e empolada. Na fantasia de alguns adictos parecem pensar que o mundo é injusto e está contra eles, sentem-se vitimizados e sentem raiva de toda a gente, incluindo de Deus, conforme cada um O concebe (Poder superior). Afirmam "Porque eu?" ou "Porque a mim?Parece existir uma distorção das suas percepções em relação à realidade.

domingo, agosto 03, 2008

Três características que adictos ao sexo apresentam em comum




Sabia que os adictos ao sexo partilham algumas características, em comum, para alem daqueles comportamentos compulsivos que desencadeiam e despoletam o agir nos sentimentos (acting out / perda do controlo) – ex. masturbação, relacionamentos heterossexuais e/ou homossexuais,voyeurism, etc. Frequentemente, também partilham algo em comum - uma historia de abuso nas suas vidas.

Caracteristiscas:

1. 97% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso emocional.

2. 83% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso sexual.

3. 71% dos adictos ao sexo referem um historial de abuso físico.

Interessante, não é? Contudo para algumas pessoas não é surpresa. Para a maioria dos adictos este historial (fatores) de “ligação dos pontos” é determinante na adicção e pode ser um indicador, contribuindo assim, para o seu discernimento de forma a desencadear uma mudança de aitutdes e comportamentos adictivos, ao inves de negar, e interromper a progressão da adicção activas nas suas vidas e iniciar a recuperação.

Fonte: Dr Patrick Carnes

Comentario: Ao longo da minha experiencia profissional confirmo estes dados no acompanhamento de individuos adictos ao sexo. Para alguém que apresente a adicção ao sexo, em muitos casos, não consegue encontrar razões e ou motivos para tal comportamentos disfuncionais. Recordo alguns pacientes afirmarem... "Sinto-me um bicho ou um animal, sem sentimentos..." outros referem "Parece que sou um tarado sexual, só penso nisto com a agravante de este tipo de comortamento gerar ansiedade e sofrimento...".

Podera desencadear uma mudança no discernimento, significativa de comportamentos e atitudes, se identificar que em dada altura da sua vida foi vitima de um e/ou varios episodios de abuso (fisico, emocional e ou sexual).

Recordo uma historia veridica de um padre que abusava sexualmente de um menino de coro da sua igreja. Mais tarde, quando se descobriu, este incidente, a investigação veio revelar que este padre, enquanto menino de coro, também tinha sido vitima de abuso sexual de outro padre da mesma igreja.
Nessa igreja praticava se o abuso sexual ha muitas gerações.
Os episodios de abuso, mais frequentes praticam-se dentro da propria estrutura familiar. O sexo é uma fonte natural de prazer, todavia se identifica comportamentos geradores de ansiedade, pânico e sofrimento em relação ao sexo, peça ajuda.

terça-feira, julho 22, 2008

Comportamentos identificados na Adicção ao Sexo


De acordo com o Dr. Patrick Carnes existem três níveis na Adicção ao Sexo.

1º nível - Alguns comportamentos identificados
Masturbação, relacionamento heterossexual, pornografia, prostituição e homossexualidade . 
Neste nível, aparentemente, não existem vitimas. De qualquer forma a exploração (logro) bem como a vitimização podem ser encontradas. 
Opinião publica associada a estes comportamentos adictivos – Ambivalência ou critica negativa.

2º nível - Alguns comportamentos identificados
Exibicionismo, voyeurism, telefonemas sobre comportamentos indecentes e/ou obscenos. 
Neste nível existe sempre uma vitima. 
Opinião publica associada a estes comportamentos adictivos – Pessoas doentes e comportamentos patéticos (ex. tara). Em muitos casos estas pessoas são objecto de anedotas que desvalorizam as consequências negativas (dor, sofrimento, isolamento, etc.) no adicto.

3 nível - Alguns comportamentos identificados
Molestar crianças, incesto e violação.
Existe sempre uma vitima.
Opinião publica associada a estes comportamentos adictivos – Ódio, intolerância e raiva. Os perpetuadores (violadores) são visto como, algo que não é humano, e sem hipótese de receberem qualquer tipo de ajuda/apoio.

Patrick Carnes, Ph.D é reconhecido nos EUA em temas relacionados com a adicção e a recuperação. È também o director executivo de novos programas para a adicção ao sexo e trauma

Comentario: Há três anos acompanho, em consultas um individuo, que apresentava a adicção ao sexo (nivel um e nivel dois). Esta pessoa viveu durante vinte anos "escondido" - (vidas duplas) da sua familia, amigos e sociedade.Quer ele e quer a sua familia viviam em negação do problema (vergonha, sentimentos de culpa, medo e raiva, isolamento e segredos) contribuindo assim para a progressão da doença.

O seu casamento foi uma "farsa" e a rotura final surgiu quando o seu filho mais velho, de apenas 12 anos, após escutar o pai ao telefone, decidiu contar à sua mãe que o progenitor efectuava telefonemas obscenos com outras mulheres. Esta incidente contribui para uma crise, na familia, conduzindo-o para internamento, em tratamento. É divorciado. Hoje em dia procura adoptar uma atitude mais construtiva e saudavel sobre a sua conduta. É uma pessoa valida na nossa sociedade e digna de confiança. Recuperar é que está a dar


segunda-feira, julho 14, 2008

Vírus da Imunodeficiência Humana - VIH



Fases de desenvolvimento de uma vacina / Medicamento

I Fase – Investigação Básica

II Fase – Investigação Aplicada

III Fase – Estudos Pré-clinicos

IV Fase – Desenvolvimento de processos de fabrico

V Fase – Ensaios Clínicos em Pequena Escala / Ensaios Clínicos em Grande Escala

VI Fase e ultima – Licenciamento e Distribuição


Vacinas – Síntese Cronológica dos Ensaios Clínicos

Outubro de 1987
Primeiros testes de uma vacina experimental contra a sida em seres humanos nos EUA

Novembro 1992
Ensaio clinico de uma vacina “terapêutica” financiado pelo exercito norte americano

Junho 1993
18 vacinas experimentais preventivas completaram os ensaios de Fase I (testes de segurança). Duas entraram na Fase II (testes de eficácia).

Novembro 1993
Um estudo mostra quer quase todas as vacinas experimentais contra o VIH são ineficazes. O resultado é totalmente inesperado.

Junho 1996
O primeiro ensaio clinico em grande escala de uma vacina contra o VIH é autorizado nos EUA

Maio 2000
44 produtos candidatos a vacina anti-VIH encontram-se em estudo no mundo.

2001 – 2007
Mais de 80 ensaios clínicos de vacinas no mundo. Apenas duas chegam à fase final da avaliação (Fase III)

Setembro 2007
A Merck suspende o ensaio STEP por razões de segurança, interrompendo o desenvolvimento da sua vacina anti-VIH

Publicado na revista GAT (Grupo Português de Activistas sobre o Tratamentos de VIH/SIDA) de Abril n.º 9

Comentário: Ao longo da minha experiência profissional tenho conhecido homens e mulheres (adictos a drogas e/ou álcool) que estão infectados pelo VIH que segundo eles a infecção7contagio deveu-se, principalmente à trocas de seringas e/ou sexo sem protecção / preservativo.
Todavia alguns estão em recuperação (vivem abstinentes de substancias alteradoras) e adoptaram padrões de vida saudáveis e responsáveis por ex. recorrem à medicação (antiretrovirais - ARV) necessária á uma qualidade de vida desejável e satisfatória.
Gostaria de contar duas historias verdadeiras de coragem e determinação. Conheci duas pessoas (sexo masculino) infectadas pelo vírus VIH, infelizmente, um deles faleceu em 2003, casados com as suas parceiras (seronegativas) que graças aos avanços da medicina /ciência conseguiram alargar as suas famílias com o nascimento de dois filhotes saudáveis. Um terá 7 anos e o mais novo terá 1 ano e meio de vida.
Esta técnica consiste na separação do esperma do fluido seminal, onde os espermatozóides são utilizados.

Notas:
Sabias que a primeira criança que nasceu graças a esta técnica (equipa pioneira de médicos milaneses, em Itália) tem 11 anos.
Sabias que em 1983 foi identificado o Vírus da Imunodeficiência Humana (VIH) sendo a causa da Sindrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA)