Powered By Blogger

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Betty Ford Uma Alcoolica em Recuperação (1918/2011)



Elizabeth Bloomer Ford (Betty Ford) nasceu a 8 de Abril de 1918 e faleceu a 8 de Julho de 2011. Foi a viuva do antigo Presidente dos Estados Unidos da America, Gerald R. Ford. Ocupou o cargo de Primeira Dama na Casa Branca de 1974 a 1977. Foi a Presidente e a fundadora do Betty Ford Center, em colaboração com Leonard Firestone. Esta instituição trata pessoas com problemas de drogas lícitas, incluindo o alcool, e ilícitas (adição) e adoptou a filosofia dos 12 Passos dos Alcoolicos Anonimos no tratamento (metodologia). Em Outubro de 2004, Betty Ford Center celebrou 22 anos de existência. Também foi condecorada com a Medalha de Ouro pelo Congresso dos EUA, a mais alta condecoração publica. Esteve em recuperação do alcoolismo e drogas legais durante 30 anos.

Entrevista conduzida por Karen Westerberg Reyes (Planning Editor, AARP The Magazine) em Fevereiro de 1992.

“Entrevistamos Betty Ford num pequeno gabinete bem no coração do centro de tratamento Betty Ford, em Rancho Mirage, na Califórnia (EUA). Dedica-se a este trabalho que é a essência da sua vida activa – um estilo de vida que exige uma equipa de profissionais especializados de forma a manter as coisas organizadas. Todavia houve uma fase, após ter sido a Primeira Dama, dos EUA, em que sofreu de dependência de drogas licitas (medicação) e de álcool. Hoje afirma que a sua dependência encontrava-se na altura, num estado tão avançado e grave que sem a intervenção da sua família. “ O meu problema com as substancias podia progredir atingindo um ponto tal que um dia poderia não acordar mais.” A antiga Primeira Dama já partilhou muitas vezes a sua historia da aceitação da sua doença, adicção a substâncias – álcool e medicação prescrita pelo seu proprio medico, bem como a caminhada” da sua recuperação. “Será assim até aos últimos dias da minha vida”, Afirma peremptoriamente, contudo, refere que cada vez que volta a conta-la é sempre mais uma oportunidade para descobrir e adquirir novos discernimentos, quer sejam para si ou para a sua audiência."

KWR: Como era a sua vida antes da intervenção da sua família?

Betty Ford. Tínhamos acabado de sair de Washington. As crianças viviam afastadas de casa nessa altura. Pessoalmente sofria de uma enorme depressão e estava letárgica porque me encontrava sob o efeito de imensa medicação. Naquela altura, consumia álcool em combinação com a medicação para a dor da artrite e para dormir. Foi um milagre aquela combinação de substâncias não ter sido fatal. Não fazia a mínima a ideia dos sérios e graves riscos que corria, até chegar mais tarde, ao centro de tratamento em Long Beach (Califórnia) no Hospital da Marinha em 1978.

KWR: Naquela altura estava a ser seguida por um medico. O que ele lhe dizia?

B.F. Visitava o meu medico todos os dias por causa das dores da artrite. Ele não sabia ou não queria admitir a minha dependência das drogas. Penso que ele não sabia do meu problema com o álcool. Nunca fez qualquer referencia quanto a esse assunto. Infelizmente, ainda existem médicos que não estão devidamente informados e/ou que se recusam a admitir a doença do alcoolismo nos seus doentes.

KWR: O que pensou durante a intervenção familiar?

B.F. Antes da intervenção propriamente dita, a minha filha Susan e o meu ginecologista tentaram fazer uma pequena intervenção/abordagem sobre o meu problema com a drogas e o álcool. Praticamente, corri com eles para fora de casa. Felizmente, eles não desistiram ou cederam aos meus intentos e manipulações – mais tarde, voltaram à carga e “trouxeram as tropas”.
Na segunda intervenção, estava presente toda a minha família e dois médicos. Foi muito duro, resisti imenso, não queria aceitar o apoio que me queriam dar.
Numa primeiro reacção fiquei muito contente por ver toda a minha família reunida e feliz por estarem ali comigo. Mas quando me apercebi que afinal eles estavam ali para abordar o assunto do alcoolismo e das drogas fiquei cheia de raiva. Enfim, depois de muito se falar e discutir, comecei a admitir, cheia de dor, que tinha falhado como esposa e mãe da minha família. Senti que os abandonei, e apesar disso tudo, eles estavam ali e continuavam a dizer que me amavam muito e não iriam permitir que cedesse à doença. Após um período de tempo que comecei a contemplei “a luz” na minha vida.

KWR: Houve alguém em especial que a apoiou, fora do contexto familiar, durante a sua recuperação?

B.F. Sim houve de facto. Algumas mulheres (conselheiras) foram especiais e ajudaram principalmente na fase inicial do tratamento. Através do seu apoio e dedicação, percebi que as mulheres também podem ser alcoólicas, em recuperação, e eu podia ser uma dessas mulheres.

KWR: Como é que se relacionou com a família após ter terminado o seu tratamento em regime de internamento?

B.F. Durante o meu alcoolismo activo, a minha família – especialmente as crianças – conseguiam manipular-me perfeitamente. Nesse tempo dizia sim a tudo. Depois de iniciar a recuperação (abstinência) das drogas e álcool, assumi o controle da minha vida. De inicio, gerou-se imenso ressentimento, porque de repente, queria “lutar” contra tudo e contra todos. Entretanto. a minha família também começou a perceber que esses ressentimentos fazem parte de uma vida familiar saudável,  e é assim a recuperação do alcoolismo e das drogas.

KWR: Como relaxa depois de um dia agitado de trabalho?

B.F. Bebo um chá ou um café numa atitude relaxante. Se realmente me sinto cansada vou nadar para a nossa piscina. Faço exercício físico. Também utilizo livros de meditação que me ajudam a “reagrupar” os meus pensamentos. È uma questão de equilíbrio emocional e físico.

KWR: Que sugestão dá ás mulheres de meia-idade que estejam a ter problema de adicção? E às suas famílias?

B.F. Espero que alguém que esteja a ter problemas de adicção procure ajuda. Hoje em dia existe ajuda disponível. Quanto aos familiares procurem identificar quais os comportamentos facilitadores ou codependentes. A melhor forma de lidar com essa situação é procurarem as Al-Anon (Famílias Anónimas). Também devem procurar ajuda profissional – Intervenção.
No Centro Betty Ford disponibilizamos serviços de intervenção e/ou tratamento. Numa abordagem holística, em tratamento de regime de internamento, acreditamos que todas as áreas da vida do indivíduo devem ser contempladas no plano de tratamento pelos profissionais, em áreas tão distintas como a nutrição, passando por actividade física até à área espiritual.

KWR: Se pudesse mudar algo na sua recuperação, o que seria?

B.F. Desejava que a adicção não tivesse chegado a um ponto tão critico e severo. Não quis ser uma alcoólica. Mas como uma alcoólica, em recuperação, este foi provavelmente o melhor período da minha vida. Teria perdido uma jornada extraordinária da minha vida em conjunto com a minha família.Existe por aí muita ajuda””


http://en.wikipedia.org/wiki/Betty_Ford

http://www.bettyfordcenter.org/

Comentário: Já há alguns anos que sou um admirador desta grande senhora. Pelo seu exemplo, como ser humano e pelo seu trabalho (a sua missão e o seu dom) em benefício das pessoas e famílias afectadas por este enorme flagelo (alcoolismo e drogas) que afecta milhões de pessoas em todo o mundo. Como antiga Primeira Dama, personalidade influente na sociedade norte americana, dá o seu rosto por uma causa nobre fazendo a diferença entre o estigma e a negação(vergonha tóxica) e a honestidade (liberdade e aceitação).
 
A doença da adicção assume contornos incontroláveis e destrutivos quando é “escondida”, camuflada ou negada.

Acredito que é algo imensurável o contributo de Betty Ford se pensarmos nas vidas de adictos e familiares que são devolvidas à felicidade, à esperança, à dignidade, à humanidade, à fé, à bem-aventurança, ao exemplo, à confiança. Depois de ela própria ter atravessado uma fase difícil da adicção activa (alcoolismo e drogas licitas) e conseguir manter-se em recuperação à 30 anos, é uma senhora com um S dos grandes.

Acredito que é um exemplo (ensinamento) para todos nós, desde as pessoas com problemas de adicção activa e em recuperação como ela propria, assim como para todos os profissionais da area e publico em geral.
 
Gostaria de recordar que existem em Portugal imensos casos de pessoas acima dos quarenta anos que também elas estão “aprisionadas” à adicção a drogas (casos dos tranquilizantes, ansioliticos, hipnóticos, alcoolismo, etc.) que através desta maravilhosa experiência e exemplo desta grande senhora podem contemplar a esperança e um novo modo de vida. Nunca é tarde para mudar... e para pedir ajuda.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Lenda Chinesa - O poder da Transformação



 Lenda Chinesa
Era uma vez, uma jovem chamada Lin,  casou e foi viver com o marido para a casa da sogra. Passados uns anos começou a perceber que era árduo viver com a sua sogra. O temperamento de ambas eram incompatíveis e Lin irritava-se com os hábitos, rotinas e criticava-a cada vez com mais afinco. Com o passar dos tempos, as coisas foram piorando, chegando a um ponto tal de se tornar insuportável. No entanto, e para infelicidade de Lin, segundo as antigas tradições chinesas, a nora tem que estar sempre ao serviço da sogra e obedecer-lhe em tudo.

Mas Lin, não conseguindo suportar mas aquela situação tão dolorosa, tomou uma decisão séria e foi consultar um Mestre, velho amigo do seu pai.
Depois de ouvir a jovem, o Mestre Huang pegou numas ervas medicinais e disse-lhe:

“Para te livrares da tua sogra, não as deves usar todas as ervas de uma só vez, pois isso poderá causar suspeitas. Vais misturando as ervas com a comida, pouco a pouco, dia após dia, e assim ela irá ser envenenada lentamente. Mas para teres a certeza de não existir suspeitas quando ela morrer, deves trata-la com muito carinho e amizade. Não discutas, e ajuda-a a resolver os seus problemas.”

Lin respondeu:
“Obrigada, Mestre Huang, irei fazer ao pormenor tudo aquilo que me disse.” Lin ficou contente e voltou para casa entusiasmada com o seu plano de assassinar a sogra. Durante varias semanas, Lin serviu, dia sim dia não, uma refeição preparada especialmente para a sogra. Tendo sempre presente a recomendação do Mestre Huang para evitar quaisquer suspeitas sobre si e o seu plano; controlava as suas atitudes e comportamentos irracionais e difíceis, obedecia à sogra em tudo e acima de tudo tratava-a como se fosse a sua própria mãe.

Passados seis meses, toda a família estava diferente. Lin controlava bem o seu temperamento e para seu espanto quase nunca se aborrecia. Durante este meses, não chegou a ter uma única discussão com a sua sogra, esta por sua vez também se mostrava mais amável e atenciosa.
As atitudes da sogra também sofreram mudanças e ambas passaram-se a tratar como mãe e filha.

Certo dia, Lin correu a procurar o Mestre Huang para mais uma vez lhe pedir ajuda.
“Mestre, Mestre, por favor...ajude-me a evitar que o veneno acabe com a vida da minha sogra. Ela transformou-se numa mulher agradável e gosto tanto dela como se fosse a minha própria mãe.”

O Mestre Huang sorriu e abanou a cabeça:
“Lin, não te preocupes...a tua sogra não mudou. Quem mudou foste tu e as ervas que te dei são vitaminas. O veneno estava nas tuas próprias atitudes, mas com o tempo foi substituído pelo amor e carinho que lhe foste dedicando."

Os árabes têm um provérbio que diz:
O nosso inimigo, não é aquele que nos odeia, mas aquele que nós odiamos.”

Na China, existe outro provérbio:
A pessoa que ama os outros também será amada
 

domingo, fevereiro 17, 2008

Dr. George Vaillant e o Alcoolismo



13º Congresso Brasileiro de Alcoolismo. Rio de Janeiro - 12 e15 de Agosto de 1999

“Meio século de tratamento doloroso induzido através de emetina (alcalóide pulvéreo branco, extraído da noz da ipecacuanha, é um emético potente e perigoso, usado principalmente no tratamento da disenteria) também não mudou a história natural do alcoolismo.
E a recuperação do abuso do álcool também não depende de força de vontade. Em quase nenhum estudo relacionado com a recuperação do alcoolismo a força de vontade do indivíduo, no momento da admissão, foi prognóstico de recuperação.

Como disse Mark Twain, "Acho muito fácil deixar de fumar; deixei vinte vezes". Estudos a longo prazo demonstram que o tratamento (placebo) é quase tão eficaz quanto a desintoxicação.

O poder que a dependência de substâncias psicoactivas adictivas exerce sobre os seres humanos não reside em nosso córtex. O poder da dependência nas nossas mentes está localizada no que foi chamado o nosso cérebro de réptil. O poder localiza-se no campo das transformações celulares, em células do cérebro – o nucleus accumbens e o tegmentum superior. Estas transformações estão fora do alcance da força de vontade, além do alcance do condicionamento e também fora do alcance do insight psicanalítico.

A natureza do poder que a dependência exerce sobre o cérebro humano são expressados pelo provérbio japonês, "Primeiro o homem toma uma bebida, então a bebida toma uma bebida, então a bebida toma o homem". Não existe nenhuma droga para fins clínicos — excepto os opiáceos — que em estudos a longo prazo, obtenham êxito no tratamento do alcoolismo. Depois de algum tempo, o nosso cérebro de réptil simplesmente nos convence a não tomar o remédio que estraga a nossa bebida. O dissulfiram não é melhor do que um placebo. Não existem estudos a longo prazo sobre as novas pílulas mágicas como naltrexona e acamprosato. Desconfio que por bons motivos.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Recuperação de substâncias adictivas, incluindo o tabaco



Nesta altura é um tema que tem gerado imensa polémica por causa da nova lei anti-tabaco. Na minha opinião, ainda bem, contudo acabará por passar e só mais tarde iremos avaliar os benefícios. Pessoalmente, já encontrei imensos. Penso que esta nova lei pode suscitar um despertar de consciência individual/publico do problema associado ao tabaco e assim contribuir com um pequeno empurrão junto daqueles que contemplam parar de fumar, bem como, melhorar os ambientes fechados - livres de fumo.

A grande maioria dos adictos a drogas, incluindo o álcool, fumam tabaco há já alguns anos, antes mesmo de inicarem os consumos das drogas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas. Muitos começam a fumar tabaco no inicio da pré-adolescência, mesmo antes de algum dia pensarem em consumir outro tipo de drogas. Para alguns especialistas é o inicio do processo adictivo a substâncias alteradoras do humor (Dr. Abraham J. Twerski) – “portas” que se abrem sucessivamente umas as outras.

O inicio do consumo de tabaco é como um ritual de passagem para a idade adulta onde se procura a independência e a autonomia – esta cultura, tal como acontece com o consumo de bebidas alcoólicas, é passada de geração em geração. Apesar de o tabaco ser uma substância toxica e adictiva, a curiosidade de experimentar e a sensação de impunidade e invencibilidade (risco e perigo), a pressão do grupo de pares, são algumas das características comuns da maioria dos jovens que se sobrepõem ao bom senso (contemplar os benefícios a médio e longo prazo (ex. saúde e aspectos financeiros; poupança), a assertividade (ex. dizer não quando sujeito á pressão dos amigos), resiliência, interpretação correcta das mensagens (ex. publicidade), a informação e discussão aberta do assunto. Muitos jovens afirmam “Dizem por aí que faz mal à saúde e à carteira,... então porque é que os meus pais, tantos jovens e adultos continuam a faze-lo?!!"

Na verdade, é uma acto social (status) puxar de um cigarro, de um charuto ou cachimbo, mesmo sabendo que prejudica a própria saúde e a dos outros (fumadores passivos).

terça-feira, fevereiro 05, 2008

Descobertas recentes relacionadas com a Dependência



Segundo o Jornal de Notícias de 15/1/2008 cientistas chineses anunciaram a descoberta de 396 genes relacionados com a dependência de drogas como a cocaína, o ópio, a nicotina e álcool, o que pode abrir caminho para tratar o abuso dessas substâncias , informou a imprensa estatal chinesa.

A equipa de cientistas da Universidade de Pequim descobriu também a informação genética relacionada com dependência e identificou cinco trilhas biológicas comuns ao vicio nas quatro substâncias, segundo o jornal oficial chinês China Daily.

Comentário: Estas investigações revelam importantes avanços no diagnostico e tratamento da dependência (adicção) das substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool e a nicotina, e as ilícitas, nos indivíduos possibilitando um conhecimento mais alargado e profundo deste problema altamente complexo.

Saliento que a investigação cientifica (neurobiologia), bem como, todos os outros campos de conhecimento têm contribuído significativamente para o tratamento da adicção às drogas nestes últimos vinte anos. Todavia, os consumidores de “crack”, metanfetamina e cocaína, quando desejam sair da dependência, assim como os profissionais da área, são confrontados com a impotência visto não existir um tratamento (clinico; que proteja estes individuos contra o craving das drogas estimulantes – fixação/desejo intenso em usar) como existe para os opiáceos (ex. a heroina) e o álcool refiro-me por ex. aos antagonistas e à metadona.

Apesar dos grandes avanços na investigação, na minha opinião, não basta apenas a descoberta de um novo fármaco (milagroso) para acabar de vez com este flagelo que afecta tantas famílias, incluindo as crianças. A experiência empírica revela-nos que a “descoberta” da metadona e naltrexone não resolveu, e não resolve, o problema da heroina e do alcoolismo, atenua e reduz os danos associados ao consumo.

A adicção às drogas é um sistema complexo que carece mais do que apenas um fármaco “milagroso” para ser tratado na sua totalidade (corpo e mente). São necessarias pessoas (sociedade) determinadas, honestas e reslientes

Agradeço à Dra. Madalena Muñoz www.madalenamunoz.com ter contribuido com este artigo. Bem haja!

domingo, fevereiro 03, 2008

Jogo compulsivo - Comportamento Adictivo



"O jogo compulsivo é uma adicção. Tal como o alcoolismo, foi reconhecido como uma doença mesmo antes de existir os Alcoólicos Anónimos, nos EUA. Até recentemente não existiam programas ou profissionais que soubessem exactamente como lidar com esta doença, visto não existirem substancias ingeridas ou introduzidas no corpo. Investigações recentes em indivíduos (neurotransmissores e em substancias endógenas ) permitiu que este tipo de comportamento fosse agrupado nos comportamentos adictivos.

O National Council on Problema Gambling em conjunto com o National Council of Alcoholism divulgou que o jogo compulsivo é uma doença, e também como um problema de saúde publica. Estas organizações estimam que mais que 10% dos americanos gastam dinheiro em casinos e lotarias, ultrapassando o limite que é permitido gastar pelos seus orçamentos pessoais. Muitos destes indivíduos tornam-se jogadores patológicos. Outros dedicam-se a actividades ilegais quando todos os seus recursos e créditos financeiros se esgotam no jogo.

Os Jogadores Anónimos (no seu livro “Sharing Recovery through Gamblers Anonymous, 1984) definem o jogo compulsivo como: “Qualquer actividade que envolva dinheiro ou não, por ex apostas e jogar. Não importa que seja algo insignificante ou expressivo mas cujo resultado seja impreciso ou que dependa de uma certa habilidade”. Simplificando, o jogo compulsivo « é algo que ultrapassa o controle emocional do próprio jogador.»

Algumas actividades que envolvem jogadores compulsivos; corridas de cavalos e cães, apostas desportivas, jogos de cartas, dados, casinos, “slot machines”, lotarias e bingo. As consequências negativas do jogo compulsivo na vida de um indivíduo contemplam: a  perda de tempo e dos recursos financeiros, alianças e actividades ilegais, prisão e fraudes de vários tipos. Tal como o alcoolismo, existem doenças físicas ou psiquiátricas que podem ser agravadas ou despoletadas pelo jogo compulsivo.

Fases do Jogo Compulsivo
Robert L. Custer , MD um proeminente pioneiro no tratamento de indivíduos diagnosticados com jogo compulsivo identificou três fases distintas na progressão do jogo compulsivo.
Na primeira fase, Robert Custer identificou a busca/inicio da euforia/acção – designada “sorte do principiante”, onde este perde e ganha nas suas sessões de jogo, perde algumas somas/poupanças significativas, faz empréstimos (ex. pede dinheiro emprestado a amigos ou familiares), todavia nesta fase ainda não sente o desconforto gerado pelos seus comportamentos.

Na fase da procura da reposição daquilo que gasta e perde surgem os danos significativas. Identificam-se as tentativas desesperadas de repor (reembolsar) as perdas, intensificam-se ainda mais as sessões de jogo. A autoestima deterioriza-se e o sentimento de culpa intensifica-se. Esta fase pode prolongar-se por décadas.

Na fase de desespero, o indivíduo é totalmente obsessivo com o jogo. As perdas e o individamento assumem dimensões significativas. Nesta situações, recorre-se a actividades ilegais como consequência da irracionalidade/impulsividade. A família, a carreira profissional e a vida social ficam devastadas. Nesta fase, os jogadores compulsivos contemplam o suicídio, a prisão, fugir ou pedem ajuda.”

Addiction-nary” Jan R. Wilson e Judith A. Wilson

sábado, janeiro 26, 2008

Rir, Sorrir mais. Será Que Seriamos Mais Felizes?



Será que rimos pouco ou o suficiente? Podíamos rir mais e alegrar as nossas almas com mais frequência ? Podíamos rir mais de nós mesmos, em vez dos outros? Das nossas “calinadas”, das nossas “gaffes”, de não sabermos tudo e admitir que erramos, de não controlarmos pessoas, lugares e coisas.

Será que nos levamos demasiado a serio? Pelas nossas preocupações exageradas, pela ansiedade, desejos e expectativas irreais, pelos nossos objectivos e planos, pelo stress, pelo patrão ou empregado/a, colega de trabalho, pelo namorado/a, pelo gato/cão, pelo marido/mulher, pelas contas a pagar no fim do mês, pela chuva e pelo calor, pelo credito da casa, pela dor das costas ou de cabeça, pelos filhos/as, pela família, pela impressora ou computador, pelo telemovel, etc, etc?

Na minha opinião, somos um povo que se leva demasiado a serio, existem demasiadas formalidades. Adoramos saber da vida alheia” principalmente quando os outros estão com dificuldades; quase que fazemos uma catarse dos nossos próprios problemas e angustias às “custas dos outros”. O sindrome das telenovelas e dos “futebois”. Os noticiários dos vários canais de TV sensacionalistas, são só desgraças “gratuitas”. Pessoalmente, tornei-me muito selectivo com as noticias. Não aprecio, nem vejo benefícios com este tipo de trabalho jornalístico. Nas instituições publicas raramente somos recebidos com um sorriso franco e aberto pelos seus funcionarios. Nos hospitais e centros de saude parecem todos demasiado "ocupados" e serios, nao nos atrevemos a esboçar um sorriso, com o risco de recebermos um olhar de reprovação.

Dependemos do Estado e do patrão. Parece que dependemos (bem-estar e auto estima) dos outros e coisas, quando poderíamos investir em nós mesmos (interior). Será que temos tempo para isso? Se calhar a resposta é não. È irónico, e ao mesmo tem caricato.

Não procuro com este post ser demasiado pessimista com este tipo de generalidades, é somente uma perspectiva pessoal. Todavia, também existem pessoas (podia haver mais) que sabem rir. De um rir contagiante e espontâneo. È dessas que me refiro, fazem falta e que se devem multiplicar. Também quero pertencer a esse clube e a essa maneira de estar na vida.
Quem não gosta de ter por perto um amigo/a divertido/a e bem humorado/a? Em vez de alguém sisudo e negativo.

Estudos apresentados no congresso anual da Sociedade Americana de Cardiologia (ACC) indicam que o riso faz bem ao coração, enquanto a depressão aumenta os riscos de problemas cardíacos e de mortalidade. Um estudo, coordenado por Wein Jiang, da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, concluiu que a depressão, causadora muitas vezes de um estilo de vida nocivo à saúde (tabagismo, álcool e abuso de medicamentos) aumenta em 44% os riscos de mortalidade."Esta associação adversa da depressão a uma maior mortalidade é independente de outros factores, incluindo a idade, o casamento, as funções cardíacas e as causas básicas dos problemas cardíacos", afirmou Jiang, que examinou mais de mil doentes cardíacos para determinar o seu nível de depressão. Ainda não é clara a razão, acrescentou, mas os pacientes com depressão abstêm-se em geral de fazer exercício físico ou de tomar os seus medicamentos de forma adequada. "Da mesma forma, esses pacientes também tomam decisões nocivas à saúde, nomeadamente em relação à dieta ou ao consumo do tabaco", afirmou.

Rir sem motivo pode parecer artificial, aliás, na verdade, é uma forma engenhosa de enganar o cérebro, que não consegue distinguir entre os dois tipos de riso (genuino e o “forçado”), produzindo poderosos químicos, no cerebro, como resposta. As endorfinas, responsáveis pela sensação geral de bem-estar, não são sensíveis a piadas e desconhecem o sentido de humor.

A American Heart Association apresentou nas conclusões do seu 73º Encontro Científico, que o riso é 40 por cento menos comum em doentes cardiovasculares, quando comparados com pessoas saudáveis da mesma idade. As vantagens de viver a vida com um sorriso estampado na cara não se ficam por aqui. Lee Berk é o director do Centro de Neuroimunologia na Universidade Loma Linda e uma das personalidades que mais se tem dedicado à recolha de testemunhos biológicos sobre o poder do riso. Para além de descobrir os efeitos sobre o sistema imunitário – rir aumenta o número das chamadas células assassinas NK, que combatem o cancro – o médico é uma espécie de “Patch Adams”, que prescreve o riso em áreas tão distintas como a infertilidade, as doenças cardiovasculares e a dor crónica. Certo é que a boa disposição ajuda a diminuir as hormonas do stress (cortisol). Aos diabéticos, o riso provou ter a capacidade de baixar os níveis de açúcar no sangue.

Podemos contar/ouvir anedotas, leitura de artigos, relacionarmo-nos com pessoas com sentido de humor, ver um filme, espectáculo de comedia. Rir de nós mesmos, não nos levarmos tão a serio; manter as coisas simples. Viver o momento. Utilizar a criatividade para encontrar formas de divertimento, e acima de tudo, rir a bom rir (treine/15 minutos por dia). Quem não adora a sensação dar uma boa gargalhada?

Neste pequeno vídeo, qual de nós não se revê no tipo que destrói todo aquele equipamento quando estamos ansiosos, preocupados, zangados, ressentidos, tristes?!
Como diz o ditado ”tristezas não pagam dividas

Hoje vamos rir, sorrir, dar umas grandes gargalhadas; mesmo que nos apeteça chorar...de tanto rir. : - )





quinta-feira, janeiro 24, 2008

Drogas e a Adicção Cruzada


Existem drogas para todos os gostos e preferências. Umas drogas servem para relaxar, outras para dormir, outras para ficar mais activo, mais produtivo e "fecundo" (ex. trabalhar), outras servem para se divertir (ex. dançar ou conviver com o grupo de pares), outras para não comer (inibidores do apetite), outras para melhorar a actividade e resistência física, etc. Umas naturais, outras sintéticas.


Na minha opinião, não existem drogas leves nem drogas duras. São todas drogas cujas especificidades não devem ser menosprezadas nem embelezadas com bonitos e apelativos rótulos como por exemplo se faz com as bebidas alcoólicas e/ou com as drogas leves ou pesadas. Na sua generalidade, todas fornecem altos níveis de bem-estar, alivio, recompensa, gratificação imediata e profunda no ser humano, umas mais outras menos quer seja físico, mental e espiritual, não religioso sem dogmas e divindades. Afectam a maneira como nos sentimos, como pensamos e como agimos. Quem nunca se sentiu tentado, pelo prazer proibido ou através do “atalho” quando estamos desconfortáveis e inadequados em contextos sociais?!

Ao longo da minha experiência, não existem adictos que consumam substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas,  cujo efeito dessas mesmas drogas, após a sua ingestão o efeito surja passado 24 horas. Não! O individuo que consome drogas procura o efeito instantâneo, de preferência intenso e forte. Esta experiência para algumas pessoas é altamente gratificante e libertadora, de tal maneira, que o desejo de voltar a sentir a mesma experiência tende a repetir mais vezes. Todavia, ninguém fica adicto de drogas de um dia para o outro. Os comportamentos adictivos (adicção) são parte de um processo (comportamentos repetitivos) e de um complexo sistema de factores - cerebro-bio-psico-sociais. Em Dublin, na Irlanda, estudos revelam os filhos de pais alcoólicos apresentam uma pre-disposição para ficar adictos à heroina. De qualquer maneira, não é necessário ter uma predisposição genética para ficar adicto, sabemos que este factor só “ajuda” o processo da adicção.

sábado, janeiro 19, 2008

Comportamentos/mecanismos defensivos observados em tratamento



A minha experiência profissional como técnico de aconselhamento na área da adicção foi exercida, desde 1993, no tratamento em regime de internamento, de curta duração (12 semanas). Acredito que o tratamento, neste tipo especifico de regime, realmente funcione. Na minha opinião pessoal a duração do tratamento primário (ambiente livre de drogas e álcool, intensivo e protegido) terá a duração de oito semanas (dois meses), máximo, 12 semanas. Duração que considero suficiente para a maioria dos pacientes, contudo gostaria de salientar - “cada caso um caso”. Termiando este periodo de doze semanas, e mediante uma avaliação do caso pela equipa de profissionais, acredito existir condições de os utentes passarem para o regime de apartamento de reinserção/ halfway/extended care ou ambulatório. A grande maioria dos pacientes necessita de regime de apartamento de reinserção/ halfway/extended care ou ambulatório que pode ter a duração mínima de seis meses até um ano. Contudo não gostaria de falar sobre a duração e o tipo de tratamento, o assunto que gostaria de abordar tem a ver com alguns tipos de comportamento que normalmente são observados e adoptados em pacientes em tratamento.

Como é do conhecimento geral, quem sofre de dependência, seja substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool e as ilícitas ou comportamentos, como o jogo, sexo, compras (shopaholics), copdependencia, disturbio alimentar, shoplifting (furto) só realiza que de facto está em apuros quando a adicção se encontra numa situação avançada e em alguns casos ”fora de controlo” apresentando todo um conjunto de mecanismos (irracionais e disfuncionais) utilizados para manter o comportamento problema, seja consumir substancias ou jogo, comida, sexo, compras, gastar dinheiro. O adicto no activo utiliza todos os meios ao seu alcance, refiro estrategias (mecanismos) disponíveis para atingir os fins (prazer imediato, alivio, recompensa). Ninguém é admitido em tratamento, em regime de internamento, com a sua vida organizada e feliz, bem pelo contrario. Com a agravante, de a família (pessoas significativas) passar por uma fase critica, também eles estão seriamente afectados psicologicamente (doente) pelo problema. Todos os membros são atingidos pelo problema. Isto significa que adoptam, ao longo da progressão da adicção, comportamentos problemáticos, disfuncionais e facilitadores. Evitam ver, sentir e confiar. Adopta-se a “regra do silêncio”.

Não existem culpados. Claro que uns casos mais extremos e dramáticos que outros, mas todos, inclusive a família e amigos/as, sem excepção, experimentam e conhecem a impotência, a obsessão e a compulsão, a negação e a ambivalência, o sentimento de culpa e a vergonha, baixa auto estima, a raiva e o ressentimento, o medo e a angustia, a depressão e a ansiedade e o isolamento emocional. Neste sentido, o problema pode atingir proporções gravíssimas se não for abordado por profissionais competentes. Se não houver mudança nas rotinas, atitudes e comportamentos, nada muda. Nada mesmo.

sábado, janeiro 05, 2008

Dicas Saudaveis Sobre a Alimentação

Dicas Saudáveis,
Muitas pessoas desejariam ter hoje o peso de há 10, 15 ou 20 anos atrás, peso esse que, sendo bastante inferior ao de hoje, até chegaram a considerar excessivo. Só que hoje mordem-se e chicoteiam-se por o não terem mantido mas perdido, só para mais tarde o encontrarem, e muitas vezes acompanhado... Iniciaram assim uma inimaginável, e por vezes alucinante, viagem pela "feira popular" onde é residente a famosa "montanha russa do peso"!

No meu mais recente artigo para a revista do Holmes Place, a "The Place", falei sobre o emagrecimento - esse grande, desejado, odiado, e complexo tema. Há quem faça enorme fortunas à custa dele, mas eu como aposto na educação, uma pessoa de cada vez, e para isso é preciso muito tempo e explicação, tenho fortunas mas é de esperança! Pela milésima vez expliquei a importância do prazer e do bem estar que devem estar presentes nas escolhas alimentares e nas escolhas da/s modalidade/s de exercício físico que fazemos diariamente. Poucos parecem entender e ainda menos o fazem, e como aqui "não posso fazer um boneco"... Vou continuando as minhas tentativas de esclarecimento sobre o assunto e encorajamento. Pois que o facto é que estamos a ficar cada vez mais gordos -- há que mudar qualquer coisa! Não?!?

Emagrecer pode ser um bom caminho mas para a maioria das pessoas (e isso inclui-a/o a si) a questão principal
que está em primeiro lugar;
primordial;
o mais importante;
essencial;
fundamental;

é conseguir manter
v. refl.,
conservar-se;
aguentar-se;
resistir com êxito.
o peso actual!

Se não sabe manter, para quê emagrecer? (Não estou a perguntar "porquê" emagrecer...)

Se pensar no historial do seu peso verá que este é um ponto que pode ser muito válido e bom para reflectir, antes de fazer promessas de Ano Novo que não pode cumprir... Enquanto pensa e reflecte:
- não faça dietas (que sei que não gosta)
- faça exercício físico moderado 5 a 7 vezes por semana (caminhadas de 30 minutos por exemplo, ou que gostar),
- coma fruta e verduras todos os dias (as que gostar)
- coma mais cereais integrais que refinados (os que gostar: se não gosta, aprenda a gostar!)
- tome sempre o pequeno almoço (o que gostar e também o que for saudável)
- e sorria (se gostar...)

:-) Um beijinho pesado em coragem!

Dra. Madalena van Zeller Muñoz- Nutricionista
Consultório: Rua Rodrigues de Freitas, n 3, 2º Esquerdo, 2780-293 Oeiras, Portugal.
Telemóvel: +351 93 828 73 98Telefone e fax: +351 21 441 2913site: www.madalenamunoz.comblog:
http://consultoriodenutricao.blogs.sapo.pt/
assine newsletter: http://mulher.sapo.pt/

Comentario: Com a participação no blogue de profissionais de varias "escolas" de conhecimento e pessoas anónimas ou outros desejo "enriquecer" a informação e proporcionar "alimento pró pensamento" a todos os interessados. "Estamos Todos no mesmo Barco"... "Juntos Conseguimos Aquilo que Sozinhos Não Somos Capazes". Desde ja agradeço à Madalena Munoz pela sua participação e um grande bem haja.

O ponto de partida para uma mudança de objectivos

Ano novo2008 - Certamente pensamos em algo positivo e construtivo para nós e aqueles de quem cuidamos. Por vezes, precisamos de começar do "zero", reaprender algo "novo" e manter a recuperação dos comportamentos adicitivos em moldes que satisfaçam as nossas necessidades existenciais e espirituais, não religioso sem dogmas e divindades. Recuperação dos comportamentos adictivos é um processo de avanços e recuos, de altos e baixos para toda a vida. É uma missão com proposito e sentido.
Desejo a todos um novo ano cheio de aventurasdesafiossaude fisica e mentalconquistassurpresassonhossucessosdescobertas...e claro precisamos de arranjar espaço para os reveses, as frustações e a desilusão, a dor e a perda e a descrença. Na vida, existe espaço para tudo. "O céu é o limite" para o crescimento emocional e espiritual. Que daqui a um ano estejamos em franca recuperação.
Atingimos o numero 1000 de visitantes nos blogues. Nunca pensei ser posivel. Estou extasiado e bem haja

Controlo vs. Entrega - Influênciar



 Controlo 
"Um conceito disfuncional de crenças individuais e sociais sobre o controlo, será um dos grandes obstáculos à recuperação para qualquer adicto/a. Perda de controlo, luta pelo controlo e resistência ao controlo – são tópicos frequentes nas reuniões de interajuda dos 12 Passos dos Alcoolicos Anonimos e que normalmente geram grande discussão.

Controlo como uma Ilusão
Não se controla ou jamais se controlará pessoas e/ou algumas situações/eventos do dia-a-dia. A historia revela-nos que quantos mais os ditadores querem controlar uma nação inteira, mais violentos se tornam. Quanto mais se procura controlar a adicção de outra pessoa a probabilidade da adicção vir afectar negativamente a relação entre essas duas ou mais pessoas é enorme. Quando na realidade se começa a compreender que é completamente impossível controlar todos os nossos próprios comportamentos e crenças ou de outros à nossa volta, constata-se que o controlo não é nada mais do que pura ilusão.

Obstáculos ao 1º Passo dos Alcoolicos Anónimos (AA)- “Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção; e que tínhamos perdido o domínio sobre as nossas vidas”

A ilusão, nos comportamentos adictivos, é um obstáculo real à aceitação do Primeiro passo, que refere “Somos impotentes perante a nossa adicção e que a nossa vida se tornou desgovernada”.
O adicto/a procura quase sempre mascarar a sua incapacidade de controlar afirmando com convicção “Quem eu?! Eu consigo controlar...
Quanto mais o adicto/a permanece agarrado a esta falsa crença, que está a controlar o seu comportamento problema, irá continuar imobilizado – “preso” no Primeiro Passo (impotência e desgovernabilidade), incapaz de progredir e evoluir (mudança) na sua recuperação.

A maioria dos adictos reconhece quando outras pessoas exclamam “Quanto mais quero controlar, mais difícil se torna sair do problema.
Porque é que é tão difícil abolir este tipo de comportamento destrutivo? Porque abandonar este tipo de controlo é demasiado ameaçador à doença da adicção (lógica adictiva). Outro factor importante, para a maioria dos adictos, tem a ver com o seu historial no relacionamentos com pessoas do tipo autoritário (figuras/modelos autoritários), identificam o pânico em perder o controlo e a "intoxicação mental" provocada pela ilusão de poder.

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Conferencia Internacional sobre Jogo Adictivo

Conferencia Internacional Jogo Adictivo. Caso estejas interessado deixo o link de forma recolheres mais detalhes da conferencia. Ja agora se souberes de alguem que também possa estar interessado divulga o link.

http://www.pgfnz.co.nz/2008conference/

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Prevenção Contra A Sida

Estas imagens valem mais que muitas palavras...

Visita este site...interessante... e vamos pensar seriamente neste assunto...sem dramatismo mas com realismo. Não acontece só aos outros!!

http://www.lepoison.com/sidaction/

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Deus, conforme cada um O/A concebe.



Deus, conforme cada um O concebe (Alguém. Algo, Ele ou Ela, etc.)
A palavra Deus, em Recuperar das Dependências, não representa dogma, divindade ou autoridade. Na espiritualidade, cada individuo é livre de escolher a fonte de poder imaterial (Bondoso, Compreensivo, Universal, União, Aceitação, Complacente, Orientação, Fé, Eterno, Sábio, Alegria de Viver, ) exterior a si próprio, que melhor se adapte aos seus valores e atitudes, e que acima de tudo, que funcione, na pratica. Porque senão funcionar procure outro conceito. Este conceito de poder superior não é religioso, sem dogmas e divindades, não é punitivo ou castigador. Não existe a palavra pecado. Não implica religião, mas sentido e propósito na vida. Um plano abrangente, integro e continuo. Livre escolha

"DeusPassei tanto tempo Te procurando,
Não sabia onde estavas, olhava para o infinito, e não Te via,
E pensava para comigo mesmo; será que Tu existes?
Não me contentava na busca e prosseguia,
Tentava encontrar Te nas religiões e nos templos
Tu também não estavas lá.

Procurei Te através dos sacerdotes e pastores,
Também não Te encontrei.
Senti-me só, vazio, desesperado e perdi a crença,
E na descrença Te ofendi,
E no tropeço caí,
E na queda senti-me fraco.

Fraco procurei socorro,
No socorro encontrei amigos,
Nos amigos encontrei carinho,
Na carinho vi um mundo novo,
E no mundo novo resolvi viver.

O que recebi: resolvi partilhar,
Partilhando alguma coisa, muito recebi,
E em recebendo senti-me feliz.
Ao ser feliz, encontrei a paz.
E tendo alcançado a paz foi que enxerguei,
Que dentro de mim que tu estavas,
E sem procurar-Te,
Finalmente encontrei Te."

terça-feira, novembro 27, 2007

Sinais de perigo em relações abusivas


As relações amorosas de intimidade são uma parte importante no nosso universo emocional e espiritual, não religioso sem dogmas e ou divindades. São uma parte fundamental e profunda, como seres humanos e seres gregários; precisamos uns dos outros para obter qualidade de vida (auto estima, auto realização, limites, princípios e valores morais e éticos, unidade e coesão, confiança, cumplicidade) todavia porém, acontece conhecer pessoas que de inicio se revelam amistosas, cordiais, compreensivas mas que a médio ou longo prazo mudam de atitudes e comportamentos e tornam-se disfuncionais, agressivas e abusadores.

Todos nós, homens e mulheres, tememos esta possibilidade, porque quando nos envolvemos com alguém aquilo que nos atrai nessa pessoa são as suas características positivas, desejarmos partilhar e crescer emocionalmente (dar e receber) para que a relação se desenvolva e se solidifique naturalmente. Por vezes é extremamente difícil definir limites numa relação de intimidade porque o abuso instala-se de uma forma subtil e progressiva. A maioria de nós já se viu envolvido em relações disfuncionais, em que sentimos enganados, traídos, com dôr, vergonha e culpa, ódio, inseguros, isolados, chocados, rejeitados, ciúme extremo, angustia, humilhação, ou o oposto em que já magoamos seriamente alguém. Costumo dizer que as pessoas nos desiludem, mas nós também desiludimos os outros. Ninguém é perfeito.

Contudo, podemos sempre mudar hábitos e crenças disfuncionais (abuso) e adoptar atitudes e comportamentos que favoreçam a tolerância pela diferença, a compreensão, a dignidade e o respeito, a confiança, a honestidade, a empatia nos relacionamentos amorosos íntimos. Em situações de crise no relacionamento de intimidade, pedir ajuda a outra pessoa pode abrir uma “outra porta” e trazer alguma esperança e auto estima.

Apresento uma lista de sinais de perigo em relações potencialmente abusivas. Esta lista destina-se simplesmente a ser utilizada como orientação e proporciona algumas dicas para se estar atento. Não é destinada para o inventário negativo nem pretendo ser dogmático. Pode identificar outras “pistas” que não constem nesta lista.

Esteja atento e questione as relações onde:

Existe abuso de drogas e/ou álcool, jogo.

Existe um historial de problemas com a lei (ex. delinquência).

O potencial abusador/a não trabalha ou não vai à escola.

Existe abuso físico de crianças ou animais de estimação.

O potencial abusador/a abusa dos irmãos e/ou de outros familiares.

O potencial abusador/a envolve-se em lutas violentas.

O parceira humilha outras pessoas ou censura excessiva utilizando termos depreciativos.

O potencial abusador/a destrói coisas (bens e/ou propriedade).

O potencial abusador/a está sempre com raiva (agressividade) de algo ou alguém.

O/a potencial abusador/a tenta isolar o parceiro/a de outras pessoas (ex. amigos) e quer controlar com quem o parceiro/a está, e ou os locais onde esteve.

O/a potencial abusador/a faz criticas constantes ou força o parceiro/a a ter sexo quando este não está motivado/a.

O potencial abisador/a mente ou tem outros relacionamentos (relações paralelas).

O potencial abusdador/a é fisicamente “duro” (empurra, puxar, dar pontapés, etc.) .

O potencial abusador/a abusa do dinheiro do parceiro/a ou toma partido em outras situações, do dia-a-dia, em que o parceiro/a está em desvantagem.

O potencial abusador/a acusa o parceiro/a de se insinuar (ex. flirt e ou sedução) com  outras pessoas, incluindo estranhos.

O potencia abusador/a faz acusações realçando a traição e estar a ser enganado/a.

O potencial abusador/a não ouve activamente o parceiro/a ou não mostra interesse nas opiniões e sentimentos...As coisas são sempre feitas à sua maneira.

O potencial abusador/a ignora, adopta o “tratamento do silêncio”, interrompe as conversas constantemente.

O potencial abusador/a mente, não aparece aos encontros, desaparece por alguns dias.

O potencial abusador humilha a família e/ou amigos do parceiro.

O potencial abusador/a faz comentários obscenos sobre outras pessoas na presença do parceiro/a.

O potencial abusador/a culpa o parceiro/a por todos os problemas.

O potencial abusador/a controla o que o parceiro/a veste ou faz.

O potencial absusador faz ameaças sobre suicídio se o parceiro/a quiser desligar-se da relação.

O potencial abusador exibe mudanças extremas do humor; por ex., diz que o parceiro/a é a pessoa mais interessante e no minuto a seguir afirma que é estúpido/a , gordo/a, ou afrontar (directamente ou indirectamente).

O potencial abusador/a compara o actual parceiro/a com outros/as parceiros/as anteriores.

O potencial abusador/a injuria e condena outros parceiros/as.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Afirmações Positivas


As afirmações positivas podem alterar as “velhas” crenças disfuncionais (erros cognitivos e legado negativo do historial de vida) e reeducar um novo e saudável mecanismo cognitivo de crenças que promovam a auto-realização, a auto estima, o respeito, a dignidade, a Fé num poder
Superior, não religioso sem dogmas e divindades, a esperança, a confiança. Um dia de cada vez. Podemos tornar os sonhos e a ambição reais. Em recuperação conseguimos aquilo que nunca acreditamos ser capaz de atingir.

“Nós somos aquilo que pensamos”

Repita para si e acrescente o porquê: Exemplo: sou uma pessoa competente, porque continuo a investir na fazer formação profissional.

Sou uma pessoa arrumada e asseada.

Estou sempre a aprender e a mudar de atitudes e comportamentos.

Sou realmente uma pessoa maravilhosa.

Sou fantástico/a.

Sou uma pessoa competente.

Ando aprender a discordar sem ser desagradável.

Ando a aprender a dizer Não de uma forma mais confortável.

Ando a aprender a ouvir de uma forma mais confortável.

Sou uma pessoa amorosa.

Sou uma pessoa linda.

Ando a tornar-me mais assertivo/a.

Ando a fazer o meu melhor.

Sou uma pessoa valida sem que sejam necessárias provas disso.

Ando a aprender a ter menos medo.

Sou uma pessoa corajosa.

Ando a aprender a Não culpar os outros.

Ando a acentuar melhor os talentos dos outros.

Ando a permitir que cresça emocionalmente e espiritualmente (não religioso, sem dogmas e divindades).

Sou um/a amigo/a do amigo, preocupado/a e generoso/a.

Sou uma pessoa com talento.

Sou capaz de mudar aquele comportamento que não gosto em mim.

Sou mais talentoso/a do que aquilo que imagino ser.

Sou forte e determinado/a.

Sou realmente capaz de mudar as minhas atitudes e comportamentos.

Sou uma pessoa especial.

Sou capaz de enfrentar qualquer situação que se depare no meu dia-a-dia.

Procuro sempre partilhar e dar.

Sou uma pessoa prudente e forte.

Sou uma pessoa arrojada e descontraída.

Sou sensível e liberal.

Sou capaz de estar feliz e descontraída/o mesmo quando as coisas aparentam não correr à minha maneira.

Ando a aprender a expressar o meu interior (self/Eu).

Ando a tornar-me uma pessoa com as qualidades que mais gosto em mim.

Sou uma pessoa distinta e excepcional.

Mereço ser amada/o e amar.

As afirmações positivas podem funcionar. Pode arranjar post-it e colar no espelho, no carro, no wc, no quarto, saudações de boas vindas no telemovel e pc. Use a sua criatividade.
As afirmações positivas também servem com forma de auto inspiração e motivação para continuar em frente ou para parar e reflectir. Se encontrar outras auto-afirmações positivas que nao estejam nesta lista...optimo! Use e abuse.




segunda-feira, novembro 19, 2007

O Medo na recuperação dos comportamentos adictivos


Todos sabemos que o medo tem uma perspectiva positiva e uma perspectiva negativa, ocupa ambos lados da mesma “moeda”, na recuperação dos comportamentos adictivos. Quem gosta de sentir o medo? Ninguém.

Também sabemos que o medo faz parte das nossas emoções; quer gostemos dele ou não. Não é evitar e/ou fugir dos nossos “demónios" e fantasmas que conseguiremos vence-los. Conforme vamos vencendo uns “fantasmas”... outros surgiram. Esta é uma verdade da qual não podemos descurar. Todavia é através da coragem, da esperança e da fé num Poder superior, não religioso sem dogmas e ou divindsades, que conseguimos reforçar a autoestima e auto conceito. È confrontando e enfrentando os medos que vamos descobrindo as virtudes e habilidades em recuperação da adicção (vitorias e sucesssos).

Através do exemplo positivo dos outros adictos em recuperação, o adicto pode colher “ferramentas” e experiencias úteis para o dia-a-dia. A recuperação é um processo de avanços e recuos, ao longo da vida, em muitos casos a adicção activa pode “mascarar” outro tipo de problema (comorbildiade, depressão, problemas de ansiedade, adicção cruzada, compulsividade, etc.). 

Pessoalmente, já passei por um processo profundamente doloroso onde fui confrontado pelos meus “fantasmas” em que senti que não iria conseguir encontrar “forças” suficientes para “sobreviver” ao longo de aproximadamente três anos. Pensamentos catastróficos e irracionais, choque/dor, pânico, desilusão e frustração, depressão e ansiedade extrema invadiram-me e abalaram toda a “estrutura”. Foram tempos muito difíceis.

domingo, novembro 04, 2007

O "Preço" de ser Agradador/a


“Porque digo sim, quando quero afirmar que Não?”


Ser agradador/a tem um “preço”negativo, através da alienação, da hostilidade indirecta e do comportamento autodestrutivo, para o próprio agradador/a e para as outras pessoas, directa e ou indirecta:
1. O agradador/a tem a tendência para criar uma atmosfera tensa à sua volta, na comunicação, em que as outras pessoas evitam dar feedback honesto e espontâneo, como consequência esta atitude bloqueia o crescimento emocional (confiança) de ambas as partes.

2. O agradador/a, nos relacionamentos com os outros é capaz de gerar desconfiança e duvida. A atitude de ser sempre simpático e estar sempre disponivel, é bom demais para ser verdade. Gera uma sensação de incerteza e de insegurança nos outros. Nunca sabem se podem confiar ou se vão ser apoiados numa situação de crise que exija uma confrontação directa.

3. O agradador/a evita que os outros à sua volta cresçam emocionalmente. O agradador/a evita dar um feedbackgenuíno, impedindo assim, que os outros conheçam realmente as suas  verdadeiras caracteristicas. Nos conflitos na comunicação, o/a agradador/a tem a tendência para forçar os outros a virar a agressividade contra eles próprios e a gerar sentimentos de culpa, frustração, e dependência nas relações intimas.

4. Por causa do seu estado agradador/a permanente, os outros á sua volta nunca sabem se a relação vai sobreviver a um possível conflito, caso a discussão surja espontaneamente. O agradar compromete seriamente a intimidade, porque as outras pessoas estão constantemente à defesa.

5. O agradador/a não é de confiança, porque quando explode, inexplicavelmente em raiva, é de tal  maneira imprevisível e  agressivo/a, que os outros ficam em choque e incapazes de lidar com estas situações de crise aguda.

6. O agradador/a , ao reprimir a sua agressividade, pode pagar um preço a nível fisiológico, somantizando[1] problemas e a nível psicológico desenvolve um tipo de alienação e isolamento.

7. O comportamento do agradador/a torna-se irreal. Coloca limitações severas e rígidas nas suas relações, em ultimo caso, é vitima do seu próprio comportamento disfuncional.


[1] "Somatizar é manifestar no corpo, na forma de uma doença ou um sintoma, algum conflito interno (psíquico). Por exemplo, uma pessoa ansiosa que sente dor de cabeça, de estômago, como resultado da sua ansiedade."


sábado, novembro 03, 2007

Rendição à Adicção o inicio da Recuperação




A Rendição, incapacidade de controlar a progressão da adicção, implica acção na aceitação. Aceitar a doença (Adicção) é uma decisão importante quanto ao processo de recuperação (mudança de aittudes e comportamentos geradores de qualidade de vida). Todavia, isso não significa que a decisão de aceitar a doença seja de um dia para o outro, pode ser uma mudança lenta mas gradual e honesta. A  aceitação é uma atitude motivada pelo desejo e ambição de (re)iniciar o processo de recuperação que conduz à liberdade e a uma possibilidade de usufruir da felicidade. Para alguns adictos, interpretam a rendição, como uma perspectiva negativa que os impede de usufruir deste processo libertador e resiliente.
Jacquelyn Small (Transformadores: os Terapeutas do Futuro, 1982) descreveu a rendição segundo um conceito positivo e algumas das suas ideias são a base deste artigo.

O processo da RendiçãoSe é um adicto/a a substâncias licítas, incluindo o alcool, e ou ilícitas, jogo, sexo, disturbio alimentar,shoplifting (furto), shopaholics (compras) é provável que se sinta como uma pessoa fraca, sem vontade própria, perdida, infantil e ingénua se considerar a rendição como um processo em que precisa de desistir e ficar subjugada a uma espécie de poder Superior (conceito não religioso sem dogmas e divindades) dominante, castigador e controlador. Contudo, não é isto que acontece quando participa activamente no processo de rendição descrito pelos três primeiros passos dos 12 passos do grupo de ajuda mutua dos Alcoolicos Anónnimos (AA).
Quando admite a impotência perante a doença da adicção, está a reconhecer que o seu ego sozinho é inadequado e ineficaz em derrubar as forças da adicção activa. Depois, atraves da boa vontade procura acreditar que uma fonte de poder imaterial, externa ao seu ego, pode interceder por si próprio e pelos outros, de forma a orienta-lo nos momentos de adversidade e complexos do seu devir.
E o terceiro passo é uma forma de aprendizagem na aplicação desta fonte de poder imaterial, sentimento de ligação com uma força superior que com quem comunica, cada vez que decidir entregar (ex. a preocupação exagerada e a necessidade de controlo) a sua vida aos cuidados desse poder, conforme O/A concebe, seja Ele, Ela ou Algo.

segunda-feira, outubro 29, 2007

Valores Espirituais e Equilibrio na Caminhada da Vida


Para aqueles que estão num processo de recuperação da adicção activa sabem muito bem a importância da espiritualidade, conceito não religioso sem dogmas e divindades, na mudança de estilo de vida.

Ninguém nasce adicto ao álcool ou outras drogas lícitas e ou ilícitas, ao jogo, a relacionamentos disfuncionais e dependencia, disturbio alimentar, sexo, compras (shopaholic),shoplifting (furto).
Qual foi o estilo de vida, a dada altura, que conduziu à adicção activa? Comportamento impulsivo? Não haver limites? Sensação de invencibilidade e controlo? Necessidade de “auto-medicação” com drogas licitas, incluindo o alcool, e/ou ilícitas? Dor, depressão e ansiedade?

Provavelmente existem muitas explicações, para aquele dia em que o adicto identifica, a perda do controlo, e inicia a dependencia (adicção) - está “apanhado na rede”. Ao longo da minha experiência em trabalhar com adictos, nunca ouvi ninguém afirmar que contemplava, nos seus planos pessoais, um dia tornar-se adicto. Sabemos que as consequências negativas da adicção activa, paralelamente ao prazer induzido pelas substâncias e comportamentos adictivos, todos reportam fases da sua vida de confusão, dor profunda, desorientação, isolamento, ressentimento, depressão, etc. Todas as áreas da vida de um adicto/a são afectadas, mais tarde, procuram-se as soluções para sair do problema. Geográficas, casamentos, filhos, dinheiro, novos empregos, etc. Nalguns casos, já é demasiado tarde. Porque tentou-se tudo, mas o resultado, afinal não é o desejado. O que é que é que resta fazer?

A médio prazo a sensação de vazio acompanhado com a inadequação e desilusão, pelo estigma, a negação, a vergonha, a revolta e a insegurança regressa ainda mais intensa e só é superada pelas “curas milagrosas”, de curta duração, até se retornar, novamente, ao “velhos” comportamentos do passado (ciclo adictivo); usar substâncias alteradoras do humor, jogo, sexo, relacionamentos disfuncionais e dependencia, disturbio alimentar, shoplifting (furto), compras (shopaholics). Estes são os mecanismos  da lógica adictiva que  permite atenuar o desconforto emocional. Nesta fase, reinicia-se o círculo adictivo onde não existe saída possível. A esperança desaparece. Este processo disfuncional pode levar uma vida inteira. Por ex. o individuo com disturbio alimentar andar uma vida inteira à procura da dieta milgrosa restritiva (efeito iô-iô). O individuo sente que cristalizado para atingir e realizar as suas ambições, aquilo que apelido “ um espectador da vida”. As coisas acontecem, mas não muda, nada muda, mesmo. Até ao dia do “julgamento final” em que pede ajuda ou é oferecido ajuda “seria” e construtiva.

sábado, outubro 20, 2007

Perdoar vs. Ressentir



Perdoar é um factor imprescindível nas relações significativas que são afectadas pelas consequências negativas da adicção activa (ex. família ).
Um dia ouvi alguém afirmar que o ressentimento é um dos bloqueios à espiritualidade (não religioso sem dogmas e divindades) da recuperação da adicção (substâncias psicoactivas lícitas, incluindo o alcool, as ilícitas, o jogo, e sexo, o disturbio alimentar, relacionamento de dependencia - codependendencia, o shopaholics - compras, shoplifting - furto). O ressentimento é como uma “ferida aberta" interna que afecta o discernimento (consciência), capacidade de ser responsável, honesto e de tomar decisões positivas que proporcionem qualidade de vida. Turvam a nossa visão da reconciliação do presente e do futuro.

È do conhecimento geral que a adicção activa implica sofrimento e afecta significativamente os vínculos entre as pessoas; "enfraquece-as". Sabemos que durante a adicção activa, directa ou indirectamente, TODOS sofrem os efeitos das consequências negativas. O equilibrio das relações é colocado em causa, assim como os papeis e os limites tornam-se disfuncionais e desestruturados. Afecta a comunicação e as pessoas magoam-se mutuamente . O ambiente familiar degrada-se e a confiança desaparece dando lugar á desconfiança, ao medo à raiva e ressentimento, à vergonha e à culpa. Numa fase avançada da adicção activa toda a família fica doente, passa a ser uma doença de família. Utilizando a metáfora da fruteira; “Se uma maça apodrece, passados uns dias todas as outras maçãs ficam podres.” Participei em inúmeros programas direccionados para a família e ouvi esta expressão vezes sem conta.

O meu objectivo com este post não é reforçar a culpa, pelo contrario, afirmando que alguém seja 100 por cento perfeito, no processo de perdoar. Como humanos podemos faze-lo atraves de um processo de avanços e recuos. È isto que é indispensável para aqueles que estão em abstinência / recuperação, assim como para os membros de família.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Alguns dados preocupantes sobre as consequências do álcool na nossa sociedade


Sabia que vários estudos sobre relação entre álcool e suicídio apontam para uma influência do álcool nos comportamentos e na ideação suicida, a diversos níveis. Se por um lado existe uma relação directa entre o consumo de álcool e a prevalência das taxas de suicídio pode-se concluir também que a presença do álcool potencializa a probabilidade da ocorrência de comportamentos relacionados com o suicídio.

Comprova também que este potencializar de comportamentos suicidas acontece não apenas no âmbito da população em geral, mas também em grupos específicos como os idosos, os adolescentes, ou em grupos com determinadas perturbações mentais.
Também a relação entre as características presentes em situações de intoxicação por álcool (como a impulsividade, hostilidade e a agressividade) e o suicídio foi estudada e considerada estatisticamente significativa. Através dos estudos de Christoffersen & Soothill, 2003, o consumo de álcool, por parte dos pais, durante os anos de formação dos filhos potencializa comportamentos suicidas dos filhos.

  
Sabia que Aproximadamente 20% da população entre os 15-64 anos tem problemas de dependência de álcool e outras substâncias psicoactivas. Os custos sociais e económicos decorrentes desta problemática sugerem ser elevados, sobrecarregando o sistema de saúde, prisional e contributivo. Todavia, parece não haver interesse publico em se efectuar estudos sobre o impacto económico (custos) da toxicodependência e do alcoolismo.

Sabia que Quase todos os estudantes de 15-16 anos (>90%) beberam álcool em algum momento da sua vida, começando em média aos 12 ½ anos de idade, e embriagando-se pela primeira vez aos 14 anos. A quantidade média bebida numa única ocasião por jovens de 15-16 anos é acima de 60g de álcool, e chega a quase 40g no Sul da Europa. Mais de 1 em 8 (13%) dos jovens entre 15-16 anos embriagaram-se mais de 20 vezes na sua vida, e mais de 1 em 6 (18%) fizeram “binge drinking” (5 ou mais bebidas numa única ocasião cujo intuito é a intoxicação) três ou mais vezes no último mês. Os rapazes continuam a beber mais e a ficar embriagados com  mais frequencia do que as raparigas, com uma redução pequena na diferença absoluta entre eles. A maior parte dos países mostram uma subida no “binge-drinking” para os rapazes desde 1995 a 1999 e a 2003, e quase todos os países mostram isto para as raparigas (resultados semelhantes são encontrados para países sem pesquisa ESPAD e usando outros dados). Por detrás desta tendência global, podemos ver uma subida no “binge-drinking” e na embriaguez na maioria da UE de 1995 a1999, seguidos por uma tendência muito mais ambivalente desde então (1999-2003).

Sabia que Os jovens carregam uma quantidade desproporcionada das consequencias negativas do alcool, com mais de 10% da mortalidade jovem feminina e cerca de 25% da mortalidade jovem masculina a ser devida ao álcool. Infelizmente, pouca informação existe acerca da extensão dos danos sociais nos jovens, embora 6% dos jovens entre 15-16 anos na EU declarem envolvimento em brigas e 4% declarem sexo desprotegido devido ao seu consumo de álcool.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Transição de Tratamento em Regime de Internamento para o Regresso à Vida Activa (Recuperação)


Transição do Tratamento em regime de Internamento Residencial para o Regresso à Vida Activa – Pós-tratamento


Trabalho desde 1993 na área do tratamento, em regime de internamento residencial, e acompanhei aproximadamente 650 casos (adictos), e algumas dessas pessoas estão abstinêntes de substâncias há vários anos, enquanto outras, após um período indeterminado retornam aos “velhos” e “familiares” comportamentos da adicção activa, refiro-me aos deslizes e à recaída.
O que motiva as pessoas a mudar de comportamento e almejar uma vida abstinente de substancias psico activas lícitas, incluindo o alcool, e as ilícitas, e “normais” enquanto outras não?

Sempre me despertou imenso interesse o trabalho da prevenção da recaída e as fases de recuperação no vasto e complexo universo de tratamento e de recuperação da adicção.

Qual o significado do tratamento em regime de internamento para uma pessoa, se pensarmos que a recuperação é algo para a vida? Não existem tratamentos no mundo, que garantam 100% de sucesso, isto é, após o período de internamento, que pode variar entre 3 a 4 meses em primaria (primeira-fase) e 12 meses em segunda-fase (extended care/halfway) os adictos consigam permanecer abstinentes e recuperar os valores emocionais e espirituais, não religioso sem dogmas e ou divindades, de volta para o resto da vida. Também partilho da ideia que no tratamento da adicção, como doença crónica, existe sempre a probabilidade de recaída para algumas pessoas ao longo das suas vidas. Somos seres complexos, por um lado, demasiado previsíveis por outro...

Na minha experiência de trabalhar em tratamento não me recordo de alguém que tenha terminado o tratamento, afirmasse “João, vou para casa e vou voltar a usar drogas e continuar dependente”. Pelo contrario. No caso das pessoas que recaíram, após o tratamento, a grande maioria afirmava que tinha sofrido experiências demasiado horríveis, relacionadas com dependência das substâncias psicoactivas lícitas, inlcuindo o alcool e as ilícitas. Acredito também que após um tratamento de internamento as coisas nunca mais serão vividas da mesma forma, quer para aqueles que permanecem abstinentes quer para aqueles que têm deslizes e recaídas. Adquiriram um conhecimento e uma consciência da realidade e da doença, como uma mais-valia. É como plantar uma "semente", o resto deixa de estar ao nosso alcance. È preciso saber aguardar pelos resultados...

segunda-feira, outubro 01, 2007

"Desapego Emocional com Amor" um novo significado por Rosemary Hartman




“Uma das grandes dádivas sobre a recuperação assenta no conceito de - Desapego Emocional com Amor”.


Originalmente, este conceito foi utilizado para descrever a forma como um membro de família se relacionava com o familiar alcoólico; actualmente o desapego emocional com amor é uma “ferramenta” útil para qualquer tipo de relacionamento intímo disfuncional.

Este conceito pioneiro foi desenvolvido nos grupos de ajuda-mutua, dos Al-Anon, familiares e ou pessoas significativas (ex. esposas ou mães) que tinham relações com alcoólicos na família. A ideia-chave, segundo o Al-anon, prende-se com a premissa de que o doente alcoólico não aprende com os seus erros e consequências se for protegido e encoberto pelos outros, não alcoólicos.

Dentro deste contexto o significado das palavras protecção e encobrimento podem ter imensos significados. Por ex. telefonar para o trabalho do marido inventando uma mentira, porque ele está na cama demasiado intoxicado (alcoolizado). Protecção significa, um familiar dizer à criança que a sua mãe (alcoolica) não foi à festa da escola, porque esteve a trabalhar até tarde, quando na verdade, ela esteve no bar à noite e não conseguiu levantar-se da cama para trabalhar e estar presente na festa da escola.

Costumamos classificar este tipo de comportamentos, como facilitador, porque permitem (facilitam) os doentes alcoólicos continuar a beber, sem a devida adptação às consequências do alcoolismo. Hoje aplicamos a palavra adaptar porque o sentido é menos depreciativo.

No principio, o Desapego Emocional com Amor, era uma chamada de atenção, para os membros de família deixarem de se adaptar ao caos e às crises constantes, nas vidas dos doentes alcoólicos. Conforme o Al-Anon crescia, houve uma interpretação pervertida na forma como se utilizou o desprender emocionalmente com amor, na realidade o objectivo principal consistia em assustar o doente alcoólico, de forma a gerar pressão para ele mudar de comportamento. Por ex. “ Se não fores para tratamento, vou já sair de casa e quero o divórcio!”. Tais ameaças, faziam parte de um jogo, em que o factor medo, forçava o doente alcoólico a pedir ajuda.