Tudo começou com a sensação de
que o barco andava sem rumo, corria sempre mal, os erros eram sempre os mesmos, e de repente, percebi que não existia o “mundo está contra mim” e sim o “é
necessário aprender a estar no mundo”. A vontade de mudar falou mais alto e
fervilhou dentro de mim. Preciso de ajuda… Foram inúmeras as tentativas de
relações de intimidade, no entanto, eram sempre voláteis, rápidas e quando
estava aparentemente a ser bom (controlado por mim) acabavam por terminar.
Chegava à conclusão que afinal não tinha sido tão bom, era a minha vontade que
fosse bom que sustentava a relação. Aí o mundo desabava, mais uma vez. Quando
olhava pela janela via apenas o que sentia nos relacionamentos amorosos, não
existia mais nada ou quase nada. Percebi que o limiar entre a sanidade e a
patologia era curto, procurei ajuda, comecei por conhecer mais sobre mim e
aceitar. A palavra resiliência passou a fazer parte do meu vocabulário. Sentir
é ok, saber gerir é uma grande sabedoria, alguém disse que a vida é uma peça de
teatro que não permite ensaios. Ou seja, aprender com os erros, conhecer e
viver…sem nunca esquecer que a vida é feita de opções e nós somos a personagem
principal. As escolhas são nossas. Ainda a caminhar na minha jornada de
recuperação, estou menos angustiada, aprendi a gerir o sentimento de
ambivalência e a tomada de decisão passou a ser uma plataforma mais segura.
Resumindo, hoje olho pela janela e observo interações, nuns dias observo
pessoas a circular na rua, noutros as árvores que estão ao lado das pessoas, é
sempre diferente. Mas, vejo e sinto mais coisas. Sou mais feliz e vivo um dia
de cada vez, recuperar é que está a dar.
S.

