O
convite à Margarida Araújo para participar no Recuperar É Que Está A Dar tem
dois motivos. O primeiro surgiu há vários meses atrás quando a vi, acompanhada
pelo seu Personnal Trainer, no mesmo
que Health Club que frequentamos e onde apeteceu-me chegar junto a ela dizer: “Desculpe,
mas só queria dizer-lhe que admiro imenso” só não o fiz por receio de ser mal
interpretado e porque na altura, a Margarida pesava 179 kg. Hoje Pesa 112 quilos e perdeu 67 em oito meses.O outro, mais recentemente, foi através
de uma reportagem de um jornal onde a Margarida, em conjunto com mais três indivíduos,
revelam a sua aventura e resiliência na mudança das suas atitudes.
Nesse
sentido, decidi propor à Margarida um simples questionário com 8 perguntas e às
quais ela respondeu, com honestidade, na totalidade.
Identifica alguém na sua família com
problemas de obesidade ou outro distúrbio alimentar?
Margarida Araújo:
Sim. No que respeita à família nuclear, a mãe e a irmã mais velha. Não no grau
de obesidade que alcancei, mas com distúrbios alimentares dessa ordem. No
sentido mais lato de família, é possível identificar, entre os meus, tios,
primos que sempre tiveram excesso de peso e tendência para engordar, mas sem
chegar à obesidade.
Qual
ou quais os factores que tenham contribuído para o agravamento do problema
(obesidade)?
M.A.: Entre
os meus familiares sempre houve o hábito de celebrar à mesa. Mesa farta,
almoços que se prolongam pela tarde dentro. E, assim, se criaram maus hábitos
alimentares e estilos de vida menos saudáveis.
Ansiedade. Acaba por ser um ciclo, comia porque
estava nervosa…depois enervava-me porque tinha comido…e voltava a comer ainda
mais.
“Perdido por 100, perdido por 1000…”. E
deixamo-nos ir…e pensamos: mais quilo, menos quilos…
Nunca tive problemas de mobilidade e não se pode
dizer que era uma pessoa totalmente sedentária, porque sempre andei muito a pé.
Por isso, sempre me mexi bem e isso não era, para mim um problema ou algo que
me levasse a fazer dieta.
Depois, também nunca tive problemas de saúde
ligados à obesidade e, de certa forma, sentia-me uma gorda “saudável”.
Lá no fundo, sabia, que mais cedo ou mais tarde,
esses problemas acabariam por surgir...mas quando surgissem, tomaria uma
decisão.
Até que me apercebi, que o pensamento não devia,
nem podia ser esse. E consciencializei-me que devia agir, antes de essas
complicações surgirem.
Afinal,
nenhum gordo é saudável, porque a própria obesidade já é uma doença grave.